quinta-feira, novembro 30, 2006

"Estamos reféns de dois ou três técnicos"

Este é o título com que o Jornal do Fundão encabeça o seu artigo sobre as declarações de Artur Costa Pais (administrador e principal accionista da Turistrela) que referi há dias aqui e nos três posts seguintes. Que eu tenha notado, a notícia foi tratada pelo Diário XXI, pelo Kaminhos e pelo as beiras online. Terminei este post afirmando que tinha curiosidade em saber como trataria o Jornal do Fundão este assunto. Aquilo que eu imaginava confirmou-se: o Jornal do Fundão, supostamente um jornal de referência para a imprensa regional de todo o país, aquele que, em tempos, era o jornal português mais lido em Paris, logo a seguir ao A Bola,
  • usa como título uma frase bombástica de Artur Costa Pais;
  • ilustra o seu artigo com uma imagem da estância de esqui coberta de neve, apesar de não haver neve nenhuma na Serra (eu sei, que ainda hoje a atravessei duas vezes);
  • Num artigo em três colunas, cerca de mil e oitocentos caracteres, em que explica muito bem a posição da Turistrela, citando muitas vezes as palavras de Artur Costa Pais, o espaço que reserva para a posição do PNSE resume-se a
    As queixas da Turistrela não são de agora mas o PNSE, nestas circunstâncias, sustenta que se limita a cumprir o que a legislação em vigor determina.
Pode ler o artigo clicando na imagem para a ampliar. Porque não nos limitamos a ler o Jornal do Fundão, sabemos que a frase do título continua. Apesar de não ser conveniente para Artur Costa Pais, a frase completa deveria ser "Estamos reféns de dois ou três técnicos, que insistem em cumprir as suas obrigações profissionais." É que a lei existe para não ficarmos, todos, tão reféns de forças como a Turistrela, como o Jornal do Fundão parece estar.
Sou, há muitos, muitos anos, assinante do JF. Recebi há dias a carta com o pedido do pagamento para a renovação da assinatura. Deitei-a para o lixo. Esta "notícia" só veio reforçar, a posteriori, a convicção com que o fiz.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Ainda mais árvores!

Bem perto de Unhais da Serra, a caminho da Vila do Belo Horizonte, alguém plantou algumas centenas de bétulas.
Bem haja, quem quer que seja!

Um Milhão de Carvalhos para a Serra da Estrela

Bétulas no Outono
O nosso (é para todos, ou não?) projecto de reflorestação continua em marcha. Este sábado, às nove horas da manhã, encontro no Covão da Ametade. Vamos semear umas bolotas!
No próximo sábado, dia 9 (na véspera do dia mundial das montanhas), em colaboração com a Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada e com o CAAL, contando com o apoio da Força Aérea (que disponibilizou um helicóptero para transportar árvores jovens), terá lugar uma grande plantação de carvalhos.

Manifesto Anti-Aqueles Que São Anti-Estrela

O Montanha recorda-nos a pedrada no charco do pensamento cultural dominante do início do Séc. XX, atirada por Almada-Negreiros. O Manifesto Anti-Dantas foi publicado em 1916. No ano seguinte, iniciou-se oficialmente o movimento modernista em Portugal. Quem se lembra, agora que passaram quase cem anos, de Júlio Dantas? Quem o lê ainda? Acho que não erro muito ao dizer que o que de Dantas mais nitidamente ficou para a posteridade foram as palavras mordazes de Almada-Negreiros.
As actuais perspectivas para o desenvolvimento da Serra da Estrela estão dominadas por personalidades como as de Jorge Patrão (presidente da Região de Turismo), Artur Costa Pais (administrador e proprietário da Turistrela, a concessionária do turismo na Serra da Estrela), Carlos Pinto (presidente da Câmara Municipal da Covilhã) e, em menor grau, pelos restantes autarcas da região. Quem se lembrará deles no futuro? O que é que deles ficará para a posteridade, uma vez que sejam demolidos todos os mamarrachos que acarinharam?
Ou será que estamos condenados a, para sempre, suportarmos o pantanal das lamechices, das foleirices e das lixeirices dos Júlios Dantas da Serra da Estrela?

A imagem que ilustra este post é um auto-retrato de Almada-Negreiros. Retirei-a do blog sulanorte.

terça-feira, novembro 28, 2006

Artigo de opinião

interessante, de Vital Moreira no Público de hoje. Sobre o império dos automóveis nas cidades. Sobre como se faz lá fora e como se insiste em fazer cá em Portugal. Sobre a forma como as cidades portuguesas se (des)organizam ao sabor das venetas dos autarcas. Nada do que diz é novo. Mesmo assim, tudo o que diz é necessário, porque há quem insista (ainda!) que este em que vagueamos à deriva é que é o rumo certo.
Quer um exemplo? Não há melhor do que o da recentemente reanunciada mini-cidade (credo, o que não hão-de ainda inventar?) das Penhas da Saúde.

Esquecia-me...

... Do principal. Esta notícia do Diário XXI que tenho estado a comentar está de parabéns. É que não só apresenta as queixas do Sr. Artur Costa Pais, como mostra o ponto de vista do director do PNSE sobre essas queixas. É estranho que isto seja motivo de alegria? Sim, pois...
Tenho uma certa curiosidade em ver que tratamento é que o Jornal do Fundão dará a este assunto...

Será? Será?

Declarações de Artur Costa Pais (administrador da Tusristrela) recolhidas pelo Diário XXI, neste artigo a que me tenho referido:
"Vale a pena pensar em novos investimentos? Isto dá vontade de fugir daqui.
Será o caso de pôr champanhe no frigorífico?

Diferenças

No mesmo artigo a que me referi ainda agora, Artur Costa Pais compara o desenvolvimento das estâncias de esqui de Bejar e de Madrid com a da nossa estância vodafone. Segundo as suas palavras, todas são estâncias que se ficam pelos cerca de 2000 m de altitude. Mmmm, a estância de Bejar começa nos 1990 m (ou seja, a altitude máxima da estância Vodafone) e sobe até aos 2360 m. Ou seja, tem um desnível de 370 m. A estância Vodafone tem um desnível que não tenho a certeza que chegue aos 100 m. Para termos na Estrela um desnível semelhante ao de Bejar, teríamos que descer até cotas onde a neve actualmente já não se mantém mais do que alguns dias. Quanto às estâncias de Madrid (com um clima muito mais continental, logo, mais frio no Inverno, com muito mais neve) temos Navacerrada (1700 m — 2177 m: 477 m de desnível) e Valdesqui (1860 m — 2280 m: 420 m).
Está certo, anda tudo à volta dos dois mil metros. Mas as diferenças são, mesmo assim, enormes. Na pequena diferença de altitude que nos separa da mais próxima (La Covatilla, em Bejar) cabe o Cântaro Magro, tomado desde o Covão d'Ametade...

Mas podíamos fazer outras comparações. Por exemplo, podíamos comparar a estrada estreitinha que sepenteia pela Serra de Bejar acima até à estância de La Covatilla com a nossa nacional 339, para não falar dos zunszuns que se ouvem a propósito do projecto da Estrada Verde, entre a Guarda e o maciço central. Ou comparar o Sabugueiro com a aldeia de Candelario. Ou os bosques de carvalhos das Serras de Bejar e Gredos com as nossas deprimentes matas de mimosas, de eucaliptos, de pinheiros, de armazéns, de vivendas de segunda residência e de "montinhos" de entulho. Enfim, diferenças...

É tão velha que até chateia!

Segundo podemos ler nesta notícia do Diário XXI, Artur Costa Pais (administrador da Turistrela) queixa-se de dificuldades causadas pelos serviços do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) a um processo de ampliação da estância Vodafone. Aparentemente, o problema prende-se com a excessiva (?) preocupação do PNSE (que é um organismo do estado) no cumprimento da lei dos impactos ambientais. Realmente, é mais um caso em que se devia corrê-los a todos à pedrada, como dizia Fernando Ruas. De acordo com Artur Costa Pais, "O governo português tem que perceber que há aqui uma grande oportunidade de fazer da Serra um grande projecto turístico com esta âncora que é a neve." Ora aqui está, já cá faltava. A Turistrela anda nisto mas é para fazer da Serra um "grande projecto", que é como quem diz, para desenvolver, para ordenar, para evitar a desertificação, para (tenhamos a coragem de o afirmar!) preservar o espaço, porque é impossível conservar um território abandonado! Aliás, é neste ramo que a Turistrela se tem excedido, e todos devemos reconhecer a vasta obra já feita!

Mmmm, onde é que eu já ouvi isto?

É tão simples que até chateia

Volto às fitinhas usadas na sinalização de percursos de eventos colectivos em espaços naturais. Como já mostrei, são recorrentes cá pela nossa serrinha. Mas não só. São uma maldição por todo o lado. Este assunto das fitinhas da Mega-Avalanche foi referido também no portal ProjectoBTT.com, neste tópico. Um contribuinte para esta discussão mostra, com uma imagem muito elucidativa, como é fácil evitar a transformação dos espaços onde nos divertimos em lixeiras. Claro, também há a forma foleira, triste, rasca, "deixa-me cá ganhar uns trocos e o resto que se lixe", de fazer as coisas...

Que imagem de si querem dar os organizadores de eventos deste tipo?

domingo, novembro 26, 2006

Belmiro de Azevedo ou Fernando Matos

Qual dos dois melhor administraria o Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE)?
Pois, isto pode parecer uma brincadeira mas a verdade é que as últimas declarações do governo relativamente à gestão das áreas protegidas aponta para que estas sejam geridas por privados! Aparentemente, dentro dos "privados" o governo inclui associações, ONGAs e claro empresas. O que está na moda é privatizar, privatizam-se as águas, privatizam-se notários, hospitais, EDPs etc, etc...E agora querem "privatizar" as áreas protegidas (AP). Tudo isto em nome do aumento da efeciencia e redução dos custos para o estado.
Analisêmos isto de uma forma distanciada e fria.
O que tem feito Fernando Matos na gestão do PNSE? Qual o estado actual desta AP? De facto, não tem feito grande coisa (ou o Cantaro não estaria Zangado), ou porque não sabe ou porque não pode. De qualquer forma o seu trabalho reflecte-se na sustentabilidade da Serra da Estrela enquanto área protegida assim como o trabalho de um gestor numa empresa.
Se agora substituirmos a palavra "PNSE" por EMPRESA (por ex. SONAE) e "área protegida" por PRODUTO passamos a ter perante nós não um problema ambiental mas sim uma questão económica que é preciso gerir da maneira mais efeciente possivel! Portanto, Fernando Matos já era e a SONAE é agora sócia numa empresa que tem como parceiros associações, ONGAs e outras pequenas empresas de Turismo e que vai gerir concerteza o PNSE com toda a competência. Neste momento, dinheiro é coisa que não falta para gerir esta AP. Como a AP é a matéria prima desta empresa, é preciso protege-la a todo o custo!(ena, parece muita bom!)
Talvez seja este o raciocino do governo, que em teoria até podia fazer sentido. Mas há um pormenor que não pode passar despercebido. Em última análise a protecção deixa de ser sobre o espaço natural e passa a ser sobre a empresa. O ideal de protecção de espaço natural vai variar conforme os interesses da empresa que a estiver a gerir - isto é economia pura! E isto é um grande risco! A área protegida passa a estar sujeita a interesses de particulares!
Até acredito que algumas coisas podessem melhorar no estado actual do PNSE mas apenas porque a acção da Turistrela seria muito mais fiscalizada!Tudo o resto seria uma incógnita ao sabor da conjectura económica nacional.
Em suma, Fernando Matos, podes ficar

sexta-feira, novembro 24, 2006

Bom fim de semana

Cântaro Magro, visto dos Fantasmas

Injusto e ilegal, ou legal e injusto?

Um exemplo do resultado das medidas de protecção da paisagem no PNSE. Bravo!
O Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) é uma zona protegida. Logo, é evidente que algumas coisas que se podem fazer noutros sítios não se podem fazer no PNSE. Logo, é evidente que os serviços do PNSE devem ter capacidade legal para proibir certas actividades e certos empreendimentos. É evidente que isso pode ser considerado aborrecido. Tudo o que acabo de dizer decorre da natureza própria da ideia de protecção. A definição de uma zona protegida limita, por definição, a nossa liberdade de acção. Isso é bom ou mau? Depende. Para alguns (eu, por exemplo), essa limitação é uma coisa boa, porque serve para proteger outras liberdades, como a de apreciar um ambiente natural apreciável.
Estou com este paleio todo porque já várias vezes fui interpelado por pessoas que dizem que não há direito que o PNSE não as deixe construir a sua casinha como muito bem entendem. Um indivíduo é proprietário de um terreno onde os regulamentos camarários permitem a cosntrução, apresenta os pedidos de licenciamento aos serviços da câmara municipal e vê o seu projecto de arquitectura chumbado pelo parecer negativo do PNSE. Não há direito!
Não há, mesmo? Vejamos, todos criticamos o desordenamento urbano, as casas em estilo maison, com janelas em estilo fenêtre. De que forma podem esses erros ser evitados? Claro, com sistemas como este dos pareceres vinculativos do PNSE. Mas isto é o mínimo que se pode fazer. E é muito pouco. Bem sei que o parque não tem meios (materiais e humanos) para mandar cantar um cego, mas penso que seria muito melhor que, para além da sua função restritiva, tivesse também uma de acompanhamento e aconselhamento. Se, para cada parecer negativo, se obrigasse a reunir com o requerente e a sugerir alterações ao projecto que o tornasse aceitável para ambas as partes, tenho a certeza que muito menos pessoas reclamariam do PNSE.
Assim, é claro que as pessoas se queixam. Mas penso que o que torna a actuação do parque realmente revoltante é o facto de, ao mesmo tempo que são inviabilizadas as construções de residências particulares de residentes e de emigrantes, com argumentos relacionados com a protecção da paisagem e do ambiente, serem aparentemente autorizadas aberrações como as que mostro em baixo.
(Da esquerda para a direita, de cima para baixo: bairro dos chalets (P. Saúde); estalagem da Varanda dos Carqueijais; edifício principal da Estância Vodafone; três condomínios nas P. Saúde.)
Talvez tudo isto seja legal. As leis é que não prestam, então.

quinta-feira, novembro 23, 2006

À Boa Maneira Portuguesa

Quando fazia a minha "ronda" periódica pelos meus blogs habituais encontrei no Montanha um post que fazia referência a uma página do Instituto Turismo de Portugal (ITP) que tem como objectivo a divulgação dos destinos turisticos, principalmente para estrangeiros. Até aqui tudo certo. A coisa fica interessante quando começamos a ler a descrição de um passeio que começa no "local mitico" a Torre e termina na Vila do Carvalho (o texto pode ler-se na integra aqui). As gafes são tantas e a falta de noção do que deve ser um texto apelativo a este tipo de turistas é tão grande que me questiono se quem o redigiu, alguma vez terá posto os pés na Serra da Estrela (SE) ou se alguma vez terá praticado este tipo de turismo?!Vejamos alguns exemplos:
"...Siga em direcção às ruínas do teleférico e desça por florestas até ao Covão do Ferro..."
Mas então agora um dos maiores mamarrachos da SE é utilizado como referência para um percurso pedestre qual reliquia arqueológica (talvez da estupidez humana?)! Portanto, já temos um mamarracho que devia, a todo custo, ser retirado do alcance dos olhares dos turistas incluido num roteiro turistico. O que se segue? ah, sim... as "florestas" na descida para o Covão do Ferro! Mas QUAIS FLORESTAS ?? Não existe uma única arvore nessa área quanto mais uma floresta! Próximo:
"...Continue a descida da estrada até ao Covão da Ametade, onde pode fazer uma pausa numa zona fantástica de apoio ao campista..."
O Covão da Ametade realmente é uma zona fantástica mas não é de certeza pelas caracteristicas de apoio ao campista. As infraestruturas aí existentes são tão deploráveis que o verdadeiro apoio seria dado se não existisse lá nada!
Isto demonstra bem o espírito com que as coisas são feitas por cá. Tudo às três pancadas, o que é preciso é trazer "malta" para deixar cá Euros e como "nós"é que somos muita "espertos" basta escrever umas balelas que eles estão no papo!
Este texto mostra tambem um outro problema nosso, que é a incapacidade crónica dos organismos públicos comunicarem entre si, pois não acredito que o ITP tenha pedido aconselhamento aos técnicos do Parque Natural da SE para a elaboração deste texto.
Enfim... à boa maneira Portuguesa.

As marcas que deixamos

Um amigo enviou-me esta opinião:
A aplicação da sinalização para a realização de provas desportivas, àparte o impacte visual, tem pelo menos a virtude de assinalar as zonas onde pessoas ou empresas desenvolvem actividades que estão a contribuir para a erosão dos solos e são, salvo melhor opinião, completamente ilegais. A generalidade das pessoas vê o lixo mas não se apercebe do impacte que as provas de BTT provocam no meio físico. E esse está lá. Basta seguir as fitas. As autoridades têm ali uma prova, evidente, da irresponsabilidade de quem só pensa na serra para ganhar dinheiro.
Actue-se!
Concorde-se ou não com o que diz o meu amigo, uma coisa devemos ter sempre presente: o impacto do BTT existe, como existe o das caminhadas, da escalada, da caça e da pesca, das moto-4, dos jipes, etc. Devemos procurar minimizar esse impacto, obviamente. Isso não se faz enquanto acharmos que a nossa modalidade é muito amiga do ambiente (seja qual for a forma como a praticamos), e que o problema é todo causado pelos outros, essa imensa mole de outros que praticam outras modalidades, todas prejudiciais, que deviam ser todas proibidas. Todas menos a que praticamos, claro, que essa deve ser autorizada seja em que moldes for!
Voltemos ao BTT. Acontece que, quando me agrada uma actividade, desato a comprar livros sobre ela. A leitura é uma maneira de matar o bicho nas alturas em que não posso praticar. E tenho alguns livros sobre BTT. Um deles, "Mountain Bike", escrito pelos editores das revistas Mountain Bike e Bicycling, começa assim o seu quinto capítulo (tradução feita "a la main")
A habilidade mais importante para montar bicicletas de montanha é a de causar o mínimo impacto ao meio ambiente. É mais difícil do que subir uma montanha empinada, mais duro do que atravessar o Colorado e um desafio maior do que descer a White Mountain sobre rochas e rios. Porquê? Porque ver o trilho que temos pela frente não é nada comparado com ter consciência dos sulcos que deixamos atrás de nós.
O resto do capítulo é dedicado ao estudo das formas de minimizar o impacto sobre o meio ambiente. Noutro livro (este foi-me emprestado, já não sei o título), um capítulo semelhante, depois de começar nestes mesmos moldes, terminava afirmando que pedalar com cuidado não causa um impacto maior do que caminhar com cuidado. Não tenho razões para duvidar disto.

Saibamos todos ter consciência dos sulcos que deixamos atrás de nós. Os que gostam de btt e os outros todos, também.

Como gostamos da montanha!

Fernando Matos (director do Parque Natural da Serra da Estrela), a propósito das fitinhas da Vodafone, disse que se tratava de um caso não inédito. É verdade que não é inédito. Eu já tinha chamado a atenção para as fitinhas da Inatel e, muito antes disso, já me tinha queixado à própria Inatel. Mas encontro frequentemente fitinhas destas nas picadas por onde costumo correr, deixadas por bttistas, por moto-4-eiros, ou sei lá por quem.
Ainda hoje, perto do posto de vigia por trás do Sanatório, encontrei esta aqui ao lado, com um aspecto já muito antigo. Não sei quem a terá aqui deixado. No Domingo passado participei na VIII Subida do Vale de Sameiro. Esta prova não estava sinalizada com fitinhas (penso eu, porque vi poucas), mas com tabuletas sólidas, com indicando a distância já percorrida ou a direcção a tomar. Suponho que estas tabuletas tenham sido retiradas, até porque podem ser aproveitadas para a nona edição da prova, no próximo ano. Quando, depois da corrida, regressei a pé ao Sameiro, o caminho que tomei estava sinalizado pelas malditas fitinhas... Que prova terão sinalizado? Ontem, um leitor enviou-me as fotos que apresento em baixo, tiradas na estrada nacional N 231, penso que na zona de Loriga. Serviram para sinalizar um passeio de jipe entre Oliveira do Hospital e Aguincho, que teve lugar... Em Outubro! O que realmente preocupa não é o que as imagens mostram, mas o facto de, tratando-se de um passeio de jipe, terem também, decerto, saído do asfalto e entrado por picadas. Também as terão assim deixado decoradas?!
Enfim, por estas e outras (muitas outras, infelizmente) se vê como gostamos da montanha! É que é só love, do mais purinho!

terça-feira, novembro 21, 2006

Energy boost

Covilhã no Outono Quando começo a "patinar" no trabalho, a moer sem avançar, a desperdiçar tempo e esforço sem resultados visíveis, largo tudo e saio, desde que não tenha compromissos com hora fixa que o impeçam. Subo uma vereda e ao fim de meia hora posso tirar fotos como a que mostro em cima.
Às vezes o resultado é nulo, mas quase sempre regresso ao trabalho com mais capacidade de o fazer avançar. Por vezes, obtêm-se outras vantagens destas escapadelas, como a que mostro em baixo.
Mar da Tranquilidade Quanto a mim, não há melhor sítio para viver, pelo menos enquanto forem tão fáceis escapadelas destas.

sexta-feira, novembro 17, 2006

Bom fim de semana

Finisterra

Finisterra: onde a terra acaba e o céu começa.

Pérolas (8)

A figura acima, com o texto que a acompanha (clique na imagem para a aumentar), foi publicada num suplemento de publicidade à Turistrela do Jornal do Fundão, de 19 de Abril de 2005. Refere-se a um projecto para mais um destes "núcleos de recreio" (expressão de Jorge Patrão, o presidente da Região de Turismo da Serra da Estrela), desta feita situado na zona da Varanda dos Carqueijais.
Como se pode ler, o projecto prevê a construção de 39 moradias (24 com rés-do-chão, 1º andar e sótão, 15 só com R/C) e inclui um circuito de manutenção e ainda "infraestruturas de apoio tais como piscinas, campos de ténis e um aparthotel que funcionará independente do resto do conjunto urbanístico".
Simultaneamente, "De forma a integrar o empreendimento na paisagem [...], as infraestruturas [...] foram reduzidas ao mínimo [...]".

Com este "mínimo" indispensável de piscinas, cortes de ténis, circuito de manutenção e aparthotel, a promessa até parece pretender agradar a gregos e troianos, mas a realidade poderá bem revelar-se antes um autêntico galinheiro como o do bairro dos chalés das Penhas da Saúde...
Seja o que for, será pior do que o que agora temos: espaço livre!

Os verdadeiros monumentos

Encosta da Covilhã Quando se fala do desenvolvimento do Turismo na Serra, os responsáveis da Região de Turismo, os da Turistrela e os da Câmara Municipal da Covilhã logo se lembram da reconstrução do edifício do antigo Sanatório dos Ferroviários. Eu não percebo. O sanatório será, apenas, quando muito, um hotel. Ora, as pessoas não são atraídas por hotéis. As pessoas usam os hotéis (ou as estalagens, ou as pousadas, ou as pensões, ou os abrigos de montanha, ou os parques de campismo) para se aproximarem daquilo que verdadeiramente as atrai. Neste caso, é a paisagem e o ambiente serranos. Mas destes, ninguém fala!
O que verdadeiramente devemos proteger e promover é a paisagem. Muito mais do que o sanatório, que é, de facto, um edifício emblemático e aproveitável (ao contrário de todos os outros mamarrachos que se pretende "requalificar" na Serra), temos que reconstruir monumentos como o que mostro na fotografia. Os edifícios, mesmo tratando-se de edifícios como o do sanatório, são o que menos importa!

Qual será o padroeiro dos foleiros?

Soube disto pelo sempre atento Máfia da Cova.
Enfim, depois da 1ª Companhia, depois dos Morangos com Açúcar, depois disto, o que se seguirá? Uma super-hiper-mega-ri-fixe Floribella super-snow-party?! Um festival de música pimba?! Será que já batemos no fundo, ou a "criatividade" desta gente ainda nos reserva algumas surpresas?
Aqui está como se requalifica a oferta turística, como se ordena um espaço natural de excelência, como se promove o turismo de qualidade, como se manifesta a preocupação com os graves problemas turísticos e ambientais da Serra da Estrela.

Por não saber qual será o padroeiro específico da rasquice, peço que nos valham os santos todos, já que, está-se mesmo a ver, cá por baixo não há quem ponha ordem nisto!

A barragem da Ribeira das Cortes

O Presidente da Câmara da Covilhã afirma que esta barragem é necessária para suprir carências na distribuição de água a algumas freguesias do concelho. Nunca li notícias dessas carências, nem mesmo no auge da seca de 2005, mas admito que sim, que o Presidente tenha razão. Ou seja, (quero deixar isto bem claro), admito que a barragem seja mesmo necessária.
Fez-se já o indispensável Estudo de Impacto Ambiental (EIA), cujo Resumo Não Técnico pode encontrar aqui (PDF 1,7MB). Foi a primeira vez que analisei um estudo destes. Pelo que li, espero que seja a última, pelas razões que já expliquei neste post de Julho.
Mais recentemente, em Setembro, foi emitida pelo Secretário de Estado do Ambiente Declaração de Impacto Ambiental (DIA) favorável condicionada. Pode encontrar a esta declaração aqui (PDF 1,3MB). Já antes (em Outubro) nos referimos a esta declaração, aqui no Cântaro Zangado. Na minha opinião, a declaração é um trabalho muito mais sério do que o EIA que a sustenta. E algumas fragilidades do estudo, que apontei no post de Julho, são também referidas implicitamente pela DIA. Como entender, por exemplo, que a DIA seja condicionada ao "Levantamento da situação existente no que diz respeito aos invertebrados [...]" (condicionante n.º 9)? Que raio de estudo de impacto ambiental é este que não se baseia em tais levantamentos? De facto, toda a a Secção II da declaração pode ser vista como um puxão de orelhas aos autores do estudo, dada a lista de estudos, avaliações, levantamentos, planos, programas e inventários adicionais que exige. Na minha opinião, o Secretário de Estado devia era ter chumbado o estudo, pura e simplesmente, em vez de o aprovar com condicionantes que soam a "mas veja lá o senhor, a ver se acaba os TPCs, hem?"
Apesar de me agradar mais a DIA do que o EIA, aquela ainda está pejada de generalidades incompreensíveis. Por exemplo, as condicionantes numeros 13 e 14 à declaração favorável rezam assim:
13. Assinalar e vedar, antes do início das obras, todas as áreas naturais com valor ecológico, existentes na envolvente da albufeira, de forma a serem preservadas durante a execução das obras.
14. Privilegiar a instalação dos estaleiros em áreas já descaracterizadas e degradadas, evitando locais perto das linhas de água, em zonas de baixas aluvionares, áreas que apresentem condições favoráveis à alimentação de aquíferos, ou que apresentem nível freático próximo da superfície.
Nesta altura do campeonato, munido do condicionalmente aceitável EIA, o Secretário de Estado não podia ser mais específico? "Assinalem e vedem esta, esta e esta área, não instalem estaleiros aqui, aqui e ali," não era assim que a coisa ficava mais clara e mais fiscalizável?

Enfim, se calhar este é o nível habitual deste tipo de estudos e de declarações (não me espanta nada, vistas algumas aberrações que por todo o lado têm sido aprovadas). Não sei. Mas, na minha opinião, este estudo de impacto ambiental (volto a dizer, avaliado apenas pelo Resumo Não Técnico) não vale o papel em que foi redigido. A declaração de impacto ambiental devia ter sido não favorável, em vez desta resolução de meias tintas. Sendo favorável, devia ter estabelecido critérios claros e nítidos para a fiscalização do andamento dos trabalhos, em vez destas condicionantes meias tintas. Assim, como a coisa está, tudo isto parece apenas uma cortina de fumo, lançada aos olhos da opinião pública para fazer crer que há uma grande preocupação com as questões ambientais.

quinta-feira, novembro 16, 2006

Serra, nuvem, sol

Jovens espanhóis na campanha "Um milhão de carvalhos para a Serra"

Oitenta jovens de Salamanca deslocam-se à Serra da Estrela este fim-de-semana para semearem 5.000 bolotas de carvalho em áreas ardidas, disse hoje à Agência Lusa a ASE - Associação Cultural dos Amigos da Serra da Estrela.
Soube disto pelo Máfia da Cova.

Fico muito orgulhoso se alguma das bolotas que semearem tiver sido das apanhadas por mim. Por falar nisso, a minha visita à serra, que referi hoje de manhã, produziu também quinze quilogramas de bolotas!

O final da história.

Hoje de manhãzinha fui verificar se, de facto, a Turistrela, a MF Racing Developments e a Vodafone tinham retirado as fitinhas de plástico que sinalizavam o trajecto da Mega-Avalanche(*) do dia 29 de Outubro. Acho devia esta atenção às referidas empresas, uma vez que o Cântaro Zangado foi uma das vozes que chamou a atenção para esta questão.
Pois bem, fico muito feliz por poder anunciar que estas empresas cumpriram, tanto quanto pude ver, a promessa deixada por Artur Costa Pais (da Turistrela) à comunicação social. Muito obrigado! Estiveram, agora, à altura do que é justo esperar de vós. Ficaram só as fitas na zona da Porta dos Hermínios, perto daquelas que se mostravam na foto do artigo no Diário XXI, mas imagino que isso se tenha ficado a dever a um esquecimento ou ao mau tempo que, ontem sim, se fez sentir. Não duvido de que serão brevemente retiradas, também.
Espero que eventos como este se repitam e sejam grandes sucessos (e que no final de cada um, se limpe o lixo). Bem hajam Turistrela, MF Racing Developments e Vodafone.
Este assunto foi noticiado no Público e no Diário XXI (já o disse ontem) e ainda pelo Diário das Beiras, pelo Kaminhos e pelo portal Bikeaventura.com. A todos, também, o Cântaro Zangado agradece.

(*) Com a super-hiper-mega-ri-fixe Floribella a chatear na TV, ainda está na moda dar nomes assim a eventos deste tipo?

quarta-feira, novembro 15, 2006

O final da história?

A história das fitinhas foi notícia hoje no Diário XXI e no Público. Não tive oportunidade de verificar eu mesmo (tentarei amanhã) mas, segundo pude ler, as fitinhas seriam removidas até ao meio dia de hoje, quarta feira, 15 de Novembro.
Óptimo! Fico contente por ver um claro e público empenhamento da Turistrela e do Marco Fidalgo (se bem que este já mo tinha demonstrado anteriormente, devo reconhecer) na resolução deste problema, de uma vez por todas. Noto também com agrado o interesse que a agência Lusa deu a este assunto.

As notícias merecem alguns comentários: Fernando Matos, o director do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE), diz que este caso não é inédito. Pois não, veja-se aqui, por exemplo. Tristezas como esta são até bastante frequentes, o que torna ainda mais imprescindível a vigilância do PNSE.
Artur Costa Pais, administrador da Turistrela, justificou o atraso na remoção das fitas com o mau tempo, coisa que é difícil de entender dadas as amenas condições meteorológicas de que temos gozado neste Verão de S. Martinho. Por outro lado, afirmou, desvalorizando esta questão, "Temos coisas muito mais importantes com que nos preocupar em material turístico e ambiental na Serra da Estrela". É bem verdade. Ainda bem que Artur Costa Pais está consciente destes problemas. Não tinha a certeza disso, e reconheça-se que essas preocupações notam-se muito melhor aqui no Cântaro Zangado ou no Estrela no seu melhor do que nos discursos dos responsáveis da Turistrela ou nos seus empreendimentos.

Por fim, quero dizer que nada, mas mesmo nada, tenho contra as Mega-Avalanches, nem outras iniciativas deste género. Mas prefiro que limpem o lixo no fim. Faço o mesmo pedido aos organizadores de passeios pedestres e de provas atléticas, do Nevestrela, de encontros de escaladores, aos responsáveis pela passagem da Volta a Portugal, aos organizadores da rampa automóvel, etc, etc, etc. A serra dá para (quase) tudo. Mas tratemo-la bem.

E devo acrescentar: talvez se pudesse desculpar um comportamento mais displicente por parte de associações recreativas locais, ou de pequenos clubes desportivos de freguesia. Agora, da concessionária exclusiva do turismo e dos desportos na área da Serra da Estrela, devemos esperar uma preocupação com os detalhes que a façam merecedora da dita concessão.

Acessibilidades?

Perto do Poço do Inferno (Manteigas)
O trilho (já não pedestre) de grande rota GR T3, perto do Poço do Inferno (Manteigas)
Eu e muitos procuramos na Serra o contacto com um ambiente o mais natural possível. É por isso que nos afastamos das estradas e das urbanizações, do lixo, do ruído, da confusão. Quanto mais estradas houver na Serra, mais longe teremos que ir procurar o sossego, procurar a comunhão com a natureza. Assim, as estradas (principalmente as de asfalto), as chamadas indispensáveis acessibilidades, tão fáceis e tão directas, dificultam-nos o acesso às coisas que procuramos na Serra.

Ou seja, estas acessibilidades dificultam, de facto, o nosso acesso à Serra.

As vantagens do asfalto

No dia 5 de Novembro realizou-se a "Meia Maratona, Valezim – Lagoa Comprida”, que se desenrolou parcialmente ao longo da nova estrada de asfalto entre a Portela do Arão e a Lagoa Comprida, a Estrada de S. Bento. Corridas atléticas na Serra, é o tipo de actividades que me agradam. Soube desta competição a tempo, mas não me inscrevi. Corridas em asfalto, para mim, só se for para treinar, apenas quando não tenho tempo para ir até à Serra (ou então se for a meia maratona de Portugal ou de Lisboa: atravessar a pé qualquer das pontes do estuário do Tejo é uma experiência e tanto).
No próximo Domingo, dia 19, é a VIII Subida do Vale de Sameiro. São dez quilómetros, sempre a subir, por picadas. Estou inscrito há que séculos, e cheio de ganas.

terça-feira, novembro 14, 2006

Logo acima...

... do Parque de Campismo do Pião, na encosta da Covilhã, há um carvalhal jovem, onde se podem apanhar rapidamente muitas bolotas. Estive lá hoje, de passagem, apanhei uns dois ou três quilos em poucos minutos (não apanhei mais porque não trazia saco para meter as bolotas). Falo nisto por causa do programa "Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela". Uma forma de ajudar é justamente a de apanhar bolotas para serem semeadas nos próximos meses. Se o fizer, pode entrar em contacto com os organizadores do programa (veja no site) ou comigo (José Amoreira, ljmamoreira[at]gmail.com), para se arranjar modo de fazer chegar as bolotas aos organizadores.

España me mata!,

já o disse aqui. Hoje, digo-o a propósito de duas notícias no Público de ontem. Esta, sobre a corrupção autárquica em Espanha. Não por ser uma coisa boa, mas por ficar a saber que lá, os bandidos não só não são reeleitos, ainda vão para a prisão! E repare-se neste excerto: "'É uma questão a ser ponderada'. Desta forma enigmática António Vercher, Procurador de Urbanismo e Meio Ambiente, admitia há dias a possibilidade de uma solução radical: a destruição de 100 mil casas construídas ilegalmente em Espanha[...]".
A outra notícia só a encontrei na versão impressa e refere a travessia de "Um milhar de carneiros em Madrid", acompanhados pelos respectivos pastores, evento que ocorre anualmente há já 13 anos e com o qual os pastores tentam "alertar as autoridades para a crescente destruição dos antigos caminhos antes percorridos pelos rebanhos e onde agora se eleva todo o tipo de construções".
Se acrescentarmos ainda o facto de mais de doze mil pessoas em trinta cidades espanholas terem participado numa "bicicletada" no Domingo, dia 12, contra as alterações climáticas, o que é que podemos concluir, senão que mesmo que deles não nos venha nem bom vento nem bom casamento, alguns bons exemplos nos vão chegando?

segunda-feira, novembro 13, 2006

Ainda as fitas da Vodafone

Como este assunto já mete nojo, enviei hoje ao Marco Fidalgo e à Turistrela dois emails, num tom bastante educado (muito mais educado do que o dos primeiros 568 rascunhos, tenho que confessar), confrontando-os com a rasquice das fitinhas, que continuam onde foram postas para a Avalanche do dia 29 de Outubro.
Agradou-me muito a resposta rápida de Marco Fidalgo, que invocou problemas técnicos com o pessoal para explicar o atraso, situação que, pessoalmente, estou disposto a compreender por (mais) algum tempo.
Mas reconheça-se que é difícil compreender que entre a MF Racing Developments (a empresa de Marco Fidalgo), a Turistrela e a Vodafone, não tenha sido possível mobilizar rapidamente a força de trabalho necessária para resolver esta questão num intervalo de tempo razoável.

Referiram-se às fitas O Cântaro Zangado (aqui e aqui), o Estrela no seu melhor (aqui e aqui), o Máfia da Cova (aqui), o Ondas (aqui) e recebi emails de particulares denunciando esta situação. Estranho o silêncio (ou estarei mal informado?) do Parque Natural da Serra da Estrela, da Região de Turismo da Serra da Estrela, da Câmara Municipal da Covilhã, dos eleitos para a sua Assembleia Municipal e o desinteresse da comunicação social regional. É que, mais do que as fitinhas propriamente ditas, estão em questão as regras mínimas que devem balizar a actividade turística na Serra da Estrela, seja ela concessionada ou não.

Outras opiniões

Fotografia tirada há poucos dias na Covilhã, a caminho do trabalho. É uma vista típica nas manhãs de Inverno soalheiras. Há lá melhor sítio para viver?
Um leitor deixou no post de sexta feira a opinião "Ainda da prazer morar por ca ;)". Eu concordo inteiramente com ele, mas por razões que não costumam ser valorizadas pelos responsáveis da Câmara Municipal nem pelos aspirantes a essas responsabilidades de outras forças partidárias. Antes pelo contrário, a acção destes e daqueles (eles vão-se alternando na condução dos destinos autárquicos) tem sido a de eliminarem, uma a uma, as razões que tenho para gostar de viver aqui.

domingo, novembro 12, 2006

Opiniões

Uma rotunda lindíssima?
Uma rotunda lindíssima? (Fotografia tirada de joaotilly.weblog.com.pt.)
João Tilly vive em Seia e tem um blog bastante interessante. "Visito-o" com alguma regularidade e concordo com muito (com quase tudo) do que diz. Numa destas visitas, encontrei o post "A nova estrada da serra", ilustrado com a fotografia que aqui coloquei em cima. Mostra uma porção da estrada de S. Bento, entre a Portela do Arão e a Lagoa Comprida, recentemente inaugurada.
Sobre esta estrada, João Tilly diz que é "lindíssima". Eu acho que é uma estrada horrível como as outras, num sítio que, esse sim, é lindíssimo e que ficou um pouco menos lindo por causa dela.
Uma mais-valia turística? Não para turistas como eu.

Vejamos, agora melhor explicadinho: parece-me que João Tilly se estava a referir à paisagem que se pode apreciar da estrada. Mas a estrada não era necessária para se apreciar a vista. Aliás, podia-se ter aproveitado o caminho de terra que já existia para passeios a cavalo (pagos, claro), a pé (pagos, se feitos com guia) ou em bicicleta (pagos, se feitos com guia, mais pagamento se se alugassem bicicletas). Estes meios permitiriam apreciar muito melhor a paisagem e não se estragava tanto essa mesma paisagem. Ainda por cima, por obrigarem a visitas mais demoradas, ajudariam a convencer mais turistas a comer e pernoitar em Loriga ou nas aldeias da região. Com esta suposta mais-valia, "estás a ver os turistas, não estavas? Iam ali, no seu carrinho, pela estrada de S. Bento a fora, a caminho da Torre!"

sexta-feira, novembro 10, 2006

Bom fim de semana

Bétula, pinheiros, Cântaro Magro ao fundo

É quié cá uma cansêra...

Segundo acabo de ouvir, as fitinhas que a Turistrela colocou na Serra para "orientação" dos participantes na avalanche BTT do dia 29 de Outubro, fitinhas a que me referi aqui, estão ainda onde foram colocadas.
Recordo as palavras que Marco Fidalgo, que organizou o evento em parceria com a Turistrela, deixou como comentário ao post que referi:
Ola,
Só para confirmar que as devidas fitas do evento serão retiradas,
Atentamente,
Marco Fidalgo
Pelos vistos, as "devidas fitas do evento" ainda não foram retiradas. Será que a Turistrela e o Marco Fidalgo precisam de uma ajudinha?

quinta-feira, novembro 09, 2006

FAQ

Ainda a propósito do projecto "Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela", aqui fica uma lista das perguntas que me colocava a mim próprio ainda há um mês e meio, bem como das suas respostas.

Como são os carvalhos-negral (Quercus Pyrenaica)?
São árvores de folha caduca, não muito grandes (~20m máx.), por vezes parecem apenas arbustos. Na figura ao lado mostro um exemplar, ainda jovem (clique na imagem para a aumentar). As folhas têm uma pilosidade, como veludo, na face inferior. A figura no início deste post mostra as folhas do carvalho-negral, agora já ligeiramente afectadas pelo amarelecimento do outono.
Onde posso encontrar carvalhos-negral perto da Covilhã?
Árvores isoladas há-as por todo o lado. Mesmo dentro da Covilhã, há uma muito perto da rotunda da Residencial de Santa Eufémia. Há um bosque grande na encosta entre S. Domingos e o Canhoso. Há varios carvalhos na zona do aeródromo e alguns ao longo do circuito de manutenção. A verdade é que ainda é uma árvore muito comum na nossa região. É frequente vê-los a estabilizarem socalcos ou a servirem de fronteira entre terrenos agrícolas.
Como são as bolotas?
Como se pode ver na figura (o círculo brilhante é uma moeda de um euro).
Como se eliminam as que estão estragadas?
Pois, não sei. Como para as castanhas, uma bolota com um buraquinho na casca é uma bolota que já foi abandonada pelo bichinho. Imagino que a maior parte destas não sirva. Outro critério é o da flutuabilidade: bolota que fique à superfície da água pode deitar-se fora. As que não tiverem buraquinho e não flutuarem, em princípio, poderão germinar. Ou não. Mas, pelo que diz o caçador de árvores Pedro N. T. Santos do A Sombra Verde, nem é muito difícil que a coisa funcione...

Pode ver mais imagens e um texto descritivo (em castelhano, galego e inglês) aqui.

Encontros imediatos

Hoje de manhãzinha dei um passeio rápido no circuito de manutenção, que aproveitei para apanhar bolotas para o projecto "Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela".
A páginas tantas, saído do mato a cerca de cinco metros de mim, apareceu um javali jovem, que fugiu a correr à minha frente!

Vivan los árboles!

Um gigante solitário Citação de Miguel de Unamuno:
Hubo árboles antes que hubiera libros, y acaso cuando acaben los libros continuen los árboles. Y tal vez llegue la humanidad a un grado de cultura tal que no necesite ya de libros, pero siempre necesitará de árboles, y entonces abonará los árboles con libros.

(retirado de "Árvores e Arbustos do Sudoeste Europeu", coordenação de Adelaide Almeida, editado pela Beirambiente)

Miguel de Unamuno era Reitor da Universidade de Salamanca quando se desencadeou a guerra civil. Teve problemas com os franquistas, nomeadamente por se ter escandalizado com o slogan "¡Viva la muerte!", gritado por algum falangista mais fanático. Toda a vida foi um intelectual. Escreveu vários livros. Era, em suma, alguém que amava os livros. Pelos vistos, não amava menos as árvores.

Viva Don Miguel!

quarta-feira, novembro 08, 2006

Milhões de carvalhos

Vale do Zêzere, este Outono. São ainda bem visíveis as marcas do incêndio de Agosto de 2005. Notam-se muitas árvores folhosas (agora vestidas com os tons de outono) que sobreviveram ao flagelo.

aqui dei notícia deste projecto da Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela (ASE). Disse que todos podíamos ajudar, vejamos em pormenor como. Comece por consultar o site do projecto.

A época óptima para a recolha de bolotas de carvalho negral está já a aproximar-se do fim, mas se ainda encontrar algumas em bom estado, recolha-as e guarde-as em local seco e arejado (ou, melhor ainda, na caixa dos legumes do frigorífico). Combine, através de email para a ASE, a melhor maneira de as fazer chegar a Manteigas. Em curtos passeios de bicicleta com os meus filhos, consegui arranjar o equivalente a uns dois sacos de hipermercado cheios. Talvez uns dez quilos, não mais do que isso. É pouco, mas se formos muitos a recolher poucas bolotas, no final teremos mais que muitas.
Agora falta começar a sementeira. Para isso, é necessário contactar a ASE e combinar a melhor data para o fazer. No site do projecto pode encontrar um formulário, destinado a grupos, para informar a ASE da data preferida. No próximo dia 9 de Dezembro, nas vésperas do Dia Mundial da Montanha, terá lugar uma grande plantação, à qual espero poder juntar-me, com a adesão da Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada (FPME) e o Clube de Actividades de Ar Livre (CAAL). Esta actividade é apoiada pela Força Aérea, que disponibilizou um helicóptero para o transporte das árvores jovens até ao local onde serão plantadas. Outra data particularmente interessante para estas actividades é a do Dia Ibérico da Floresta Autóctone, 23 de Novembro. Atenção: se quiser participar, não deixe de contactar a ASE para combinar a altura em que poderá dar o seu contributo para a sementeira. Este projecto é muito ambicioso e coloca problemas de organização complicados. Não compliquemos ainda mais...

Conto continuar a apoiar como puder esta iniciativa. Não se trata de um frete, mas antes de uma festa que aproveito para juntar a famelga em actividades de ar livre. Uns dias passeamos de bicicleta e paramos para apanhar bolotas, noutros dias havemos de ir para a Serra meter bolotas à terra. Assim se passam umas tardes de fim de semana, dessas que realmente nos ficam na memória! Os professores do secundário poderão considerar a possibilidade de aproveitar esta iniciativa como trabalho extracurricular dos alunos, para visitas de estudo, etc.

Se isto der resultado, será um resultado e tanto! Caramba, então não vale a pena?!

Para mais esclarecimentos, contacte o vice presidente da ASE, José Maria da Serra. Email: josedaserra(at)gmail.com

terça-feira, novembro 07, 2006

O meu hotel favorito...

Não tem aquecimento central, é certo. Cântaro Magro Mas é em chaminés como estas que melhor me aqueço.

segunda-feira, novembro 06, 2006

Pérolas (7)

De facto, como disse no artigo de há pouco, o Cântaro Zangado não precisa de inventar nada. Em contrapartida...
No mesmo texto da página 15 do suplemento de domingo do Correio da Manhã de 19 de Dezembro de 2004 que ainda agora citei, o último parágrafo diz o seguinte:
O próximo passo é o acesso à serra em telecabinas, que irão entrar em funcionamento em 2006. "Os projectos estão feitos. Alguns encontram-se mesmo em conclusão. São muito importantes, para que o ar lá em cima seja o mais puro possível, evitando assim que as pessoas tenham que subir à Serra de automóvel, o que é altamente poluente", conclui. Jorge Patrão acredita que estão a conseguir criar um novo destino de turismo: "Existe um produto novo. Há uma antiga e uma nova Serra da Estrela".
Imaginemos que nos encontrávamos em Dezembro de 2004, lendo esta notícia na altura em que foi publicada. Imaginemos que nada sabíamos da Serra. Ou seja, esqueçamos os factos, concentremo-nos na notícia propriamente dita. Que podemos concluir do excerto "Os projectos estão prontos. Alguns encontram-se mesmo em conclusão."? Cá para mim, um projecto que está pronto não está no início dos trabalhos, nem em execução, nem mesmo em conclusão, está mesmo é acabado! Assim, quando li o artigo em 2004, cheirou-me que nos estavam a tentar comer por parvos.

Vejamos agora os factos. Na altura em que estas declarações de Jorge Patrão foram recolhidas não havia (e ainda não há) o menor vestígio de início de obras de construção das telecabines.
E acrescento: ainda bem! É que ainda não se ouviu nenhum responsável dizer claramente: "defendo o encerramento definitivo da altamente poluente estrada da Torre quando as telecabinas estiverem em funcionamento". Enquanto não se virem os responsáveis tomarem clara e inequivocamente esta atitude, parto do princípio que esta preocupação sobre a poluição dos automóveis é, apenas, paleio.

Pérolas (6)

Esta imagem mostra a capa do suplemento de Domingo do Correio de Manhã de 19 de Dezembro de 2004. Repare-se em particular na frase ao fundo (clique na imagem para a aumentar).

Um dos textos que forma a notícia tem o título "O Algarve de Inverno" e é formado essencialmente a partir de declarações de Jorge Patrão, presidente da Região de Turismo da Serra da Estrela. A última frase da primeira coluna deste texto, que se pode encontrar na página 15, reza assim:
É que — defende [Jorge Patrão] — "a Serra da Estrela está para os portugueses no Inverno como o Algarve está no Verão".
O Cântaro Zangado não precisa de inventar nada. Nem sequer os slogans!

sexta-feira, novembro 03, 2006

Homenagem ao Bruno

Esta imagem foi a melhor forma que arranjei para homenagear o Bruno Carvalho... a serra foi tambem um dos seus mundos... estou certo que iria apreciar esta imagem.

Bom fim de semana

Quando a realidade confirma a Teoria

(Foto retirada do site Kaminhos)
Gostaria de sugerir a leitura de duas reportagens que sairam hoje no Kaminhos aqui e aqui onde se relatam as consequências menos publicitadas da existência de uma grande via sem portagens (A23) a atravessar diversas populações.
Gostaria particularmente de salientar as seguintes passagens dessas notícias:
"Chegar mais rapidamente a Lisboa é positivo, mas, para muitos dos comerciantes afectados o cenário não será assim tão cor-de-rosa. Rogério Hilário apresenta um exemplo: “um profissional que sai de Lisboa às oito da manhã e chega à Beira por volta das 10 horas, faz o que tem a fazer e, se regressar às 18 horas, ainda pode ir jantar a casa”. Desta forma, “a A23 não só desviou o tráfego da EN18, como também fez com que muita gente que pernoitava na região já não o faça”, esclarece. "
"Introduzir portagens nesta via estruturante é a única hipótese para a sobrevivência do negócio que, a custo, ainda se mantém, consideram os comerciantes."

De facto, quantas vezes foi aqui defendido que as estradas de grande circulação além de trazerem pessoas tambem as levam com muito maior rapidez sem que estas deixem mais do que 1 centimo pelo sitio onde passaram? A sociedade de hoje em dia habituou-se a viver à velocidade do "quanto mais rápido melhor", de tal forma que o conceito já contaminou os nossos tempos de lazer. A generalidade das pessoas visita os locais de férias em contra-relógio, com a ilusão que se visitar muitos lugares diferentes e tirar muitas fotografias para mostrar aos amigos as férias terão sido melhores. Nesta prespectiva, as estradas a chegarem a todos os recantos dessa Natureza por aí fora são o melhor que se pode ter.

Infelizmente, o que me agrada é exactamente o oposto e a existencia de estradas em todos os recantos impede que eu aprecie completamente os locais que visito. Infelizmente, esta realidade nada traz de bom para as populações cuja estrada era vista como um D. Sebastião aguardado há décadas. Não sou eu que o digo, são estas mesmas populações que o declaram.

Errar é humano, ver os outros errar e repetir o mesmo erro é, no minimo, estupidez!

Por falar na paisagem (bis)

O Vale glaciário do Zêzere
(Fotografia retirada do site do Departamento de Geografia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, encontrada via Google)

Tenho um amigo, cuja opinião respeito muito, que defende o alargamento da estrada Manteigas-Piornos. Ele defende um alargamento muito cuidadoso, não uma rectificação. Ou seja, ele não pretende que se transforme esta estrada numa via mais ou menos rápida, com viadutos ou grandes movimentos de terreno, pretende apenas resolver os problemas que acontecem de cada vez que dois autocarros se cruzam nesta via (eu sei como é, já tive parado três quartos de hora à espera que um destes cruzamentos se fizesse; no final os dois autocarros estavam todos riscados de roçarem com os flacos um no outro e de um deles tinha-se soltado um painel da chaparia).
Bem, eu continuo a achar que visitar a serra de automóvel ou autocarro é uma tristeza, e que apoiar este tipo de visitas é uma má aposta. Mas vá, compreendo a preocupação do meu amigo. Além disso, parece-me que ele defende este alargamento para mais fortemente se poder opôr a outras opções de "ordenação das acessibilidades viárias", que ele (como eu) considera muito mais prejudiciais para o ambiente, e que têm sido equacionadas por diversos responsáveis. Posto nestes termos, esta questão também me dá que pensar. Mas continuo a assustar-me com aquilo que os responsáveis entenderão ser necessário para permitir o cruzamento de autocarros de passageiros...

quinta-feira, novembro 02, 2006

Não sei porquê...

... Suspeito que a mensagem do Cântaro Zangado não está a passar com suficiente clareza. Veja-se só o email que caiu na nossa inbox:
Boa tarde,eu gostaria de saber se era possivel me enviarem mais informacoes sobre os bungalows,se era possivel arranjar alguns para um grupo para a passagem de ano!
Ficaria muito agradecida,obrigada!!
Supondo que a autora se referia às "vivendas de montanha" do bairro dos chalets das Penhas da Saúde, encaminhei-a educadamente para o site da turistrela.
Já agora, caso haja mais interessados, o url é http://www.turistrela.pt.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Por falar na paisagem...

Veja-se este artigo do Público, a que cheguei via Máfia da Cova.

Câmara de Manteigas pede obras urgentes na estrada para a Serra da Estrela

31.10.2006 - 15h57 Lusa
A Câmara de Manteigas reclamou hoje do Governo a realização de obras urgentes de alargamento na Estrada Nacional 338, que liga Manteigas a Piornos, para evitar que a via fique intransitável de cada vez que chove com intensidade, como aconteceu na semana passada.
Segundo o presidente da autarquia, José Manuel Biscaia, a via que faz a ligação entre a vila e a Torre (o ponto mais alto da Serra da Estrela) mantém-se intransitável desde quarta-feira, quando chuvas intensas provocaram inundações um pouco por todo o país.
Já estão a ser realizadas obras de reabilitação de muros e de limpeza da estrada, mas o autarca adiantou que a via permanece fechada, "apenas sendo permitida a circulação para os veículos envolvidos nos trabalhos".
Como a EN338 é a única estrada que faz a ligação de Manteigas com a Serra, e como os seus habitantes, segundo José Manuel Biscaia, necessitam de turistas "como de pão para a boca", a autarquia defende a realização de obras de alargamento e melhoramento do acesso, para evitar que a situação se repita ao longo do Inverno.
Os desmoronamentos de terras surgem em consequência do incêndio ocorrido no Verão de 2005, uma vez que a encosta do vale Glaciar do Zêzere por onde a estrada passa, ficou desprotegida e exposta à erosão.
A Câmara de Manteigas refere, em comunicado, que as entidades responsáveis já foram alertadas "para os perigos decorrentes da erosão e da não contenção de taludes".
Contudo, acrescenta, "aproxima-se novo Inverno sem que sejam tomadas as necessárias medidas que permitam uma natural fluidez de trânsito numa via de acesso privilegiado à Torre".
"A Câmara Municipal continua a aguardar resposta do senhor secretário de Estado Adjunto das Obras Públicas e das Comunicações [Paulo Campos] aos pedidos de audiência apresentados para que se encontre uma solução que resolva a precariedade e os perigos eminentes na travessia do percurso do Vale Glaciário mais emblemático do Sul da Europa", disse.
Ou seja, como já não há na encosta árvores que segurem os solos, as chuvadas que se verificaram em Outubro provocaram derrocadas que soterraram a estrada. As chuvas de Outubro podem ter sido excepcionalmente violentas, mas são excepções com as quais teremos que conviver cada vez mais frequentemente, em resultado das alterações climáticas. Estas derrocadas mantêm soterrada uma estrada com seis metros de largura há já uma semana. Que garantias há que o resultado fosse outro se a alargássemos até aos dez ou quinze metros?
O vale glaciar do Zêzere é espectacular. É perfeitamente admissível que seja considerado "o mais emblemático do Sul da Europa". Com uma via rápida a sério a percorrê-lo, bem larga, com bons taludes e um ou outro viadutozito, seria ainda emblemático, sim, mas apenas da nossa capacidade para destruir as paisagens.
Os habitantes de Manteigas precisam de turistas "como de pão para a boca" mas, estranhamente, a Câmara de Manteigas asfaltou muitos caminhos e veredas para as maravilhas naturais do concelho (e não são poucas). Facilita-se o acesso dos turistas, assim se diz. Pois, facilita-se tanto que eles rapidamente despacham a visita, sempre a bordo dos seus automóveis: um pulinho ao Covão da Ponte, um pulinho ao Poço do Inferno, uma paragenzita no Covão da Ametade já de saída para as Penhas da Saúde ou para a Torre... Afinal, querem os turistas em Manteigas ou querem-nos de lá para fora, rapidamente e em força, a caminho da neve?
Por fim, se é verdade que este problema que tanta preocupação causa ao Sr. Presidente da Câmara de Manteigas foi causado pelo incêndio de 2005, que expôs a encosta à erosão... Não seria mais lógico, em vez de pedir o alargamento da estrada, pedir apoios para a reflorestação?!

Como se faz lá fora...

Mais uma vez, vejamos um exemplo de como se defende o desenvolvimento "lá fora".

Na Ilha de Wight, o projecto de um parque eólico de 6 turbinas foi abandonado por impacte negativo visual e alegados danos turísticos.
(Retirado do Ondas)

Pois é, se se quer turismo a sério tem que se defender a paisagem. Mas, por cá, quem o tenta fazer é acusado de fundamentalismo! Isto entende-se, caro leitor?

O meu hotel favorito...

... Não tem personal trainer, nem ginásio, nem sala de meditação, é certo. Tramazeira Zen Mas aqui encontro toda a paz de espírito de que preciso.
Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!