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quinta-feira, junho 14, 2007

O Regresso das Fitas- take 2!

Lá voltamos a esta questão das fitas sinalizadoras utilizadas em provas de sabe-se lá o quê!! Desta vez foi na zona da Lagoa Comprida e as ditas fitas não se encontravam identificadas ao contrário do que aconteceu com as anteriores da Vodafone! Eu já não quero saber se se devia usar as fitas ou não, eu só queria mesmo que os responsaveis pela sua colocação fizessem o trabalho de remoção com o mesmo brio!! Mas que pessoas são estas que não compreendem o alcance destes actos? Será que não tem noção que todo o plástico que ali colocaram ficará por lá durante os próximos 400 ANOS?!! E não foi pouco plástico!!Vejam lá
 
 
"Infelizmente" não tive coragem de deixar lá o material para que no "pouco" tempo que resta até que os plasticos se degradem os responsáveis pela sua colocação, lá fossem retira-los! Vislumbrei-os pela primeira vez a 12 de Maio e retirei-os FINALMENTE a 2 de Junho!!Não se preocupem no entanto estes responsáveis que fiz o favor de guardar toda a mercadoria recolhida e terei todo o gosto em remete-la por correio para suas excelencias!
Até agora não me foi possivel apurar quem são os "donos" das lindas fitinhas, mas deixo aqui algumas informações para ver se algum dos leitores consiguirá dar uma ajuda!
1- O evento para o qual estas fitas serviram ter-se-á realizado no primeiro fim de semana de Maio ou ultimo de Abril.
2- O alegado evento estava sinalizado, pelo menos, desde a barragem da Lagoa Comprida, continuava pelo estradão que segue ao lado da Lagoa e em direcção aos "tuneis" situados no extremo oriental desta.
3- A cerca de 50 metros da água havia uma zona delimitada em forma de quadrado semelhante a um "ponto de controlo". Desde este ponto havia uma tira de plástico praticamente continua até à água entrando por ela a dentro....
Se com esta informação alguem conseguir identificar os responsáveis pela organisação deste evento agradecia que me informassem para fazer a gentileza de devolver o material recuperado!!
Posted by Picasa

quarta-feira, maio 23, 2007

Como é?

O blog Montanha faz uma análise de alguns aspectos do Plano Sectorial da Rede Natura 2000. Este plano, que não é uma criação de uns fanáticos eco-fundamentalistas mas sim do ICN, que é um instituto do Ministério do Ambiente, ou seja, do governo, pode ser consultado aqui. O Montanha chama a atenção para um excerto da pág. 7 da ficha sobre o lobo ibérico, onde se pode ler, textualmente
De referir ainda que, embora o lobo não ocorra actualmente no Parque Natural da Serra da Estrela, deverão ser aplicadas todas as medidas que potenciem uma futura ocupação desta área, dada a proximidade com áreas onde a espécie ocorre.
As medidas a aplicar são indicadas na pág. 5 do mesmo documento. Entre outras, selecciono as seguintes
  • Promover a conservação e o fomento das presas selvagens (nomeadamente corço e veado) do lobo através de:
    • manutenção/recuperação do coberto vegetal autóctone
    • assegurar uma correcta exploração cinegética destas espécies
    • acções de re-introdução/repovoamento de corço, quando necessárias
  • Condicionar a implementação de grandes infra-estruturas
  • Condicionar a abertura/utilização de novos acessos em áreas sensíveis, nomeadamente no âmbito de processos de Avaliação de Impacto Ambiental e no âmbito de Planos de Ordenamento do Território. Fiscalizar acessos e circulação de veículos motorizados. Nas áreas mais sensíveis, interditar circulação de viaturas fora dos caminhos estabelecidos.

Ao certo, ao certo, quais destas medidas estão a ser aplicadas no Parque Natural da Serra da Estrela? Ao certo, ao certo, quantas destas medidas serão contrariadas pelos planos de construção de novas estradas, de telecabines, de novas urbanizações (ou, deverei dizer, novos subúrbios), ou ainda pela multiplicação das áreas de caça nas encostas envolventes da Serra da Estrela?

Quais são as opções do governo português? Cumprir os planos de protecção da natureza que ele próprio aprovou, ou satisfazer e financiar os voluntarismos inviáveis e poluidores das forças vivaças do interior?

domingo, maio 06, 2007

Os pato bravos somos nós

Acaba assim o artigo de António Barreto no Público de hoje:
[Eles] Conhecem a lei melhor que ninguém e, quando não conhecem ou esta não lhes é favorável, mudam-na. Derrogam os planos oficiais. Retiram terrenos da reserva agrícola. Eles sabem tudo. Têm planos de desenvolvimento e prometem levar Portugal para a frente. São optimistas. Acreditam no futuro. Apostam na inovação e no moderno. Eles estão no meio de nós. Portugal é um país de patos bravos.
Eu diria mesmo mais: eles somos nós. O cidadão anónimo que acha que "com este autarca sim, vê-se a nossa terra andar para a frente", só porque tem mais um shopping na periferia e mais uma rotunda ajardinada, ou que entende que para desenvolvermos o turismo precisamos de mais estradas pela serra, ou que vota no trafulha que distribui benesses e subsídios ao clube de futebol... Os patos bravos não são uns "eles" que nos estragam a paisagem e as cidades, que temos que "localizar e neutralizar". Os patos bravos somos nós.

Já vai sendo altura de se abrirem os olhos: tanta promessa de levar Portugal para a frente, tanto optimismo, tanta crença no futuro, tanta aposta na inovação e no moderno, onde é que nos tem levado, até agora?

sexta-feira, maio 04, 2007

O avanço da foleirice (2)

Já fiz vários posts como este que se segue, mostrando que, quando se faz alguma coisa na Serra, até parece que se tenta fazer o pior possível, causando o maior impacto possível. Cá vai, mais uma vez.
Imaginemos que considerávamos que os grelhadores que já existiam no Covão da Ametade não chegavam ou não eram suficientemente... Como dizer... Não eram suficientemente, assim, prontos, tipo, requalificados... Claro que para o considerarmos, deveríamos em princípio ter feito estudos, com sondagens a visitantes, que apontassem nessa direcção. Academicamente, aceitemos que esses estudos tivessem sido feitos.
Considerando então que eram necessários novos grelhadores, diga-me, caro leitor: tinham mesmo que ser estes mastodônticos altares ao Deus dos Grelhados? Era necessária esta foleirice incaracterística das placas de granito polido? Tinhamos mesmo que introduzir, no coração da Serra, pseudo-referências bacocas à obra de Siza Vieira?
A imagem em baixo mostra um desses antigos, rústicos e pequenos grelhadores, que aproveitavam sem agredir o que naturalmente existe no local, lado a lado com um magnífico exemplar deste importante esforço de "beneficiação". Continuo com as questões: aquela enorme sapata de brita, nivelada, seria mesmo necessária? E, para fazer chegar os materiais aos locais eleitos, não haveria outro meio que não a maquinaria pesada, atravessando à bruta o leito do Zêzere, desfazendo as margens e revolvendo o relvão no trajecto? Quem é que, gostando da Serra e de a visitar, fica agradado por esta foleirice de subúrbio? Um amigo deixou um desabafo num comentário ao post anterior que dá uma achega a esta questão:
Nem sequer fico irritado. Fico é triste por verificar que dentro de poucos anos deixarei de ir escalar para a Serra da Estrela por esta estar transformada numa aberração com a alcunha de parque natural.
Este desabafo diz tudo sobre como se está a "desenvolver" o turismo na Serra da Estrela. Diz também muito sobre como se está a proteger a natureza na Serra da Estrela.

quinta-feira, maio 03, 2007

O avanço da foleirice

Um amigo enviou-me fotografias recentes (tiradas a 30 de Abril) do Covão da Ametade. Incluo aqui algumas, o resto poderá apreciar aqui.

O que se passa? Aparentemente, alguém entende que o Covão da Ametade precisa de (mais) grelhadores. Aparentemente, esse alguém entende que os grelhadores mais ligeiros, mais rústicos, melhor integrados que já lá existiam não serviam, não chegavam, ou não eram suficientemente... Como dizer... Não eram suficientemente, assim, prontos, tipo, requalificados... Aparentemente, esse alguém comprou estas enormes placas de granito, transportou-as para o Covão da Ametade usando maquinaria pesada e atarefou-se com essa mesma maquinaria pesada para cá e para lá, naquele local emblemático da Serra da Estrela.

Ah, um homem com uma retro-escavadora, a alegria dos prazeres simples da vida! Volta-se à infância!

Vejam bem como o Covão da Ametade se está, finalmente, a requalificar! Agora sim! Com estas "pequenas" capelas erigidas ao Grande Deus dos Grelhados, vamos arrancar do marasmo! Agora sim! Com toda esta terra revolvida e sulcada pelo rasto das máquinas, vai inverter-se o processo de desertificação! Agora sim! Teremos um verdadeiro turismo de qualidade!

Não chegava já as Penhas da Saúde, não chegava já a Torre, não chegava já o Sabugueiro. Agora é a vez do Covão da Ametade se "requalificar", se "ordenar", se "desenvolver". E que bem desenvolvido, ordenado e requalificado que está a ficar! Estamos de parabéns, estamos no bom caminho!
Como sempre.

Já informei o PNSE sobre isto. Não desconheciam a existência de um projecto, mas fiquei com a ideia de que que não estão a ver bem a coisa. Imagino que a Plataforma pelo Desenvolvimento Sustentável da Serra da Estrela irá em breve tomar uma posição de repúdio por mais este avanço da foleirização, pelo que ele representa e pelo modo vergonhoso como está a ocorrer. O Covão da Ametade também é nosso!

sábado, março 31, 2007

A terra onde vivo não é como as outras

Por isso mesmo, frequentemente desejo sair, para encontrar o que não existe aqui. Mas os de fora também, concerteza, quererão cá vir, à procura do que não encontram noutros lados.
O que é que não encontram noutros lados? O que é que não podem encontrar noutros lados?
E o que é que lhes estamos a tentar "vender"?
Vai um casino? Uma "mini-cidade"? Uns shoppings? Umas voltinhas de carro? Muita, muita "animação"? Umas telecabines "como as do Parque das Nações"?
Mas que "pérolas" tão "originais"...

quarta-feira, março 14, 2007

A SERRA DA ESTRELA EM PERIGO!

O Paulo Roxo do Rocha Podre em Pedra Dura, um turista como eu mas de fora (em todo o caso, suspeito que passa mais tempo na Serra do que eu, o felizardo...) escreveu um artigo (cujo título copiei, junto com a fotografia) que exprime bem a opinião dos turistas como nós acerca do que se anda a fazer e a projectar para a Serra da Estrela. Ele não deduz explicitamente esta conclusão, mas parece-me que concorda comigo quando digo que o que a Região de Turismo, a Turistrela e algumas autarquias estão a fazer na Serra empurra os turistas como nós para longe, para bem longe daqui.
Se Região de Turismo e Turistrela não servem os turistas, servem para quê?

sexta-feira, março 02, 2007

Citação adaptada

Quando conquistou o Egipto, Napoleão discursou às suas tropas e, segundo se diz, disse:
Soldats, du haut ces Pyramide quarante siècles vous contemplent!
Eu, chegado à barragem das Penhas da Saúde, voltei-me para trás, para as Penhas da Saúde, e pensei para comigo:
Meus filhos, aqui da Nave da Areia quarenta anos de cegueira vos contemplam!

A fotografia que ilustra este post mostra a parte "elegante" das Penhas da Saúde. Não aparece a favela boliviana de que que falava aqui. Felizmente, a Câmara Municipal da Covilhã promete corrigir esta tristeza. Não, não se vão deitar casas abaixo nem se vão impedir mais construções. Antes pelo contrário, vem aí o fantástico projecto da aldeia, mini-cidade ou lá o que diabo é que parece que vai estar a nascer aqui, um destes dias.
Estamos no bom caminho, estamos de parabéns! Como sempre.

Semântica

Quando oiço frases como "o desenvolvimento não pode ficar refém do ambiente" aquilo que entendo é "o desenvolvimento dos que se estão borrifando para o ambiente não pode ficar refém do daqueles que apreciam o ambiente". Não percebo porque é que é ao desenvolvimento dos primeiros que é dada prioridade, sempre que se coloca a questão.
Quando oiço o presidente da Câmara Municipal da Covilhã dizer "antes das florinhas estão as pessoas" (veja aqui), o que entendo é "antes das pessoas que gostam de florinhas estão as pessoas que não querem saber delas para nada". Mais uma vez, não percebo porque é que assim há-de ser. Alguém percebe?

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

(triste)Carnaval na Torre


Este video foi realizado na passada segunda-feira (19-02-07) e mostra o triste espectáculo que se vive no ponto mais alto do Parque Natural da Serra da Estrela por alturas do Carnaval! A verdade é que espectáculos semelhantes se vivem em quase todos os fins de semana de Inverno onde exista neve "qb" para o "sku" e as estradas estejam abertas. Como podem vêr o ambiente é extremamente Natural e qualquer pessoa diria que estamos numa zona protegida ao abrigo de 4 estatutos!!Estou a ser irónico, obviamente! Na verdade, com o nevoeiro que estava era muito facil confundir aquele local com a zona da Expo em hora de ponta e dia de espectaculo. Infelizmente, todo este ambiente (até me custa usar esta palavra neste contexto) só atrai visitantes que não tem um real interesse em conhecer a Serra como ela é mas sim pelo "parque multi-diversões" que ela pode ser, acessivel a todos num estilo urbano de rápido consumo onde tudo se pode ver e comprar.
Na minha opinião, são este tipo de visitantes que não tem qualquer problema em abandonar o material que acabaram de utilizar para "skuar" ou a bandeirinha que o stand da "Milka" andava a distribuir às centenas. São estes os visitantes que que de facto não se importam de esperar 1hora na fila de transito para dar uma voltinha na rotunda da Torre e 20 minutos depois voltar para baixo e seguir para casa. E é o ambiente criado por todos estes visitantes e pelo comércio presente na Torre que afasta aqueles que querem conhecer a Serra como ela é e não pelo potencial "produto" turistico em que ela pode ser transformada.
E não é só a música pimba aos berros e a fancaria que me incomodam neste cenário. Incomoda-me também a quantidade de carros que passam pela Torre em dias como estes! Dei-me ao trabalho de ficar 10 minutos (cronometrados)na rotunda da Torre em frente ao stand da "Milka" e contei todos os carros que ali passaram nesse intervalo de tempo! 100, foram 100 os carros que ali passaram em 10 minutos. Ou seja, 600carros/hora ou 3000 carros/dia se considerarmos um dia útil de 5 horas!! Isto é o mesmo que estarmos a despejar 400 Kg de CO2 num dia, considerando apenas a pequena área da Torre!
Digam-me sinceramente, haverá alguém que considere este cenário benéfico para a Serra da Estrela?Ou mesmo para as suas gentes? Será este o cenário que queremos ver alargar para o resto da Serra com a possivel construção de Casinos em altitude ou outros polos de atracção de multidões...? Para mim NÃO! Este é o tipo de ambiente que eu gostaria de ter na Torre quando a visitasse:

terça-feira, fevereiro 13, 2007

"Um pouco dos Alpes"

O jornalista Pedro Garcias escreveu um artigo de promoção sobre a Serra da Estrela, que foi publicado no suplemento Fugas do Público de Sábado, dia 10 de Fevereiro. Já sabemos como são estes artigos: e tal, paisagens arrebatadoras, e tal, a simpatia das populações, e tal, a boa mesa, o aconchego da lareira, etc, etc, etc. Apesar de não fugir muito a esta regra, um pouco de realidade parece ter infectado este artigo. A páginas tantas, numa secção com o curioso título "Um pouco dos Alpes", pode ler-se:
A serra da Estrela está longe de poder competir com a generalidade das estâncias europeias. A área esquiável é de apenas 6200 metros, divididos por nove pistas de diferentes graus de dificuldade, mas as condições existentes são perfeitas para os iniciados e aos esquiadores mais exigentes permitem, pelo menos, matar o vício. A Estrela tem ainda a vantagem de ser acessível de carro. É o que se pode chamar uma estância popular.
O reverso é o caos automobilístico, o lixo e a sensação de que não se chega a estar verdadeiramente em comunhão com a natureza, tamanha é a algazarra, sobretudo ao fim de semana.
Vou passar por alto o exagero da variadade dos graus de dificuldade (variam entre o trivial e o mediano, mesmo que estejam classificadas com a gama completa do código de cores usual) e das condições existentes perfeitas para iniciados.
Quero é notar como o segundo parágrafo do excerto que cito é absolutamente devastador para uma imagem vendável da Serra da Estrela. E se nos recordarmos que aquela área está supostamente protegida por três estatutos de protecção ambiental nacionais e europeus (Parque Natural, Reserva Biogenética e Rede Natura 2000) e que as linhas de água e as lagoas da região foram em 2006 integradas na Convenção Ramsar de protecção de zonas húmidas, então...
Como já disse, o cume da Estrela podia ser um local mágico. Sem estradas, sem mamarrachos. Os turistas desejariam fazer na Serra da Estrela o que fazem nas outras serras: subir a pé, a cavalo ou de burro. Planear visitas com duração de uma semana ou mais.
Mas parece que continuamos a preferir o que temos: visitas toca e foge e "o caos automobilístico, o lixo e a sensação de que não se chega a estar verdadeiramente em comunhão com a natureza, tamanha é a algazarra."
Estamos no bom caminho, como sempre! Estamos de parabéns, como sempre!

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Lições de Alcochete

A TSF dá hoje notícia de queixas que os comerciantes do Freeport de Alcochete (o maior centro comercial "outlet" da Europa) fazem da administração do centro por esta não fazer o necessário na promoção. Segundo eles, essa alegada deficiência contribuiu para uma diminuição de 25% do número de visitantes no último ano e põe em causa a viabilidade económica do projecto.
O que é que isto tem que ver com a Serra da Estrela? Tem que, como se vê, não basta despejar milhões de euros num projecto voluntarioso, num projecto âncora (como se costuma dizer), para o votar ao sucesso. Mais concretamente, não acredito que haja milhões suficentes para fazer dos planeados centros comerciais das Penhas da Saúde um sucesso económico. Mas não são precisos muitos milhões para degradar ainda mais a zona. Ou seja, mais vale ficar quieto.
É melhor fazer bem do que não fazer nada, mas é melhor não fazer nada do que fazer mal. E fazer bem, na Serra, significa não construir, ou construir muito pouco. Pelo ambiente, é claro, mas também pelo turismo.

Venham mais trinta!

Isto já não é novidade mas paciência, mais vale tarde que nunca. A Turistrela anunciou a intenção de construir trinta chalés nos próximos dois anos, na zona do Skiparque do Sameiro, Manteigas. O projecto, em parceria com a empresa de construção Certar, está orçamentado em três milhões de contos. Pode ler tudo neste artigo do Diário XXI de 31 de Janeiro.
Sou só eu que quase consigo ler qualquer coisa nas entrelinhas desta notícia, qualquer coisa relacionada com esta outra, publicada pelo semanário O Interior alguns dias antes, apenas?

quarta-feira, janeiro 31, 2007

O "desenvolvimento"

A imagem acima mostra uma porção da parede oeste do Covão do Ferro. A Turistrela e a Região de Turismo da Serra da Estrela defendem que para se desenvolver o turismo na Serra da Estrela é necessário instalar nesta paisagem uma telecabine (mas com "pouco impacto visual", como as do Parque das Nações, está a ver, caro leitor?) e ampliar para esta zona a estância de esqui. Recentemente, foi aprovado para financiamento pelo PITER o primeiro destes importantes desenvolvimentos.
Sou só eu a achar que quando esta paisagem assim estiver "melhorada" a Serra da Estrela perde um dos seus maiores atractivos turísticos? E a telecabine para quê? Para facilitar (ainda mais) o acesso dos turistas à degradante vergonha da Torre, talvez o sítio menos interessante de toda a Serra da Estrela?

terça-feira, janeiro 23, 2007

A quem possa interessar ou dizer respeito...

... Informa-se:
o Artigo 10º do Decreto Regulamentar n.º 50/97 de 20 de Novembro (que Estabelece a reclassificação do Parque Natural da Serra da Estrela), na sua alínea (b), declara interdito
O lançamento de águas residuais industriais ou de uso doméstico na água, no solo ou no subsolo susceptíveis de causarem poluição,
em toda a área do Parque Natural da Serra da Estrela. Logo, também em todos os núcleos de recreio, logo, também na Torre.
Não tem que agradecer a informação.

sábado, janeiro 20, 2007

A mini-cidade

Encontrei no Sistema de Informação Documental sobre Direito do Ambiente o Decreto Regulamentar n.° 5/96 de 19 de Julho, que "Declara as Penhas da Saúde, no município da Covilhã, como área de reconversão e recuperação urbanística". No final deste decreto regulamentar aparece um imagem não muito nítida onde está delimitado o "perímetro urbano" das Penhas da Saúde. Para facilitar a interpretação dessa figura, georeferenciei-a e desenhei o decretado perímetro urbano sobre uma fotografia do Google Earth, resultando a imagem que ilustra este post.
Parece-lhe bem ver toda a área no interior da linha azul transformada em casas de segunda habitação, centros comerciais desertos (como estão os do centro da Covilhã), restaurantes, bares e discotecas, centro de estágios desportivos, áreas verdes ajardinadas (isto, acreditando — santa ingenuidade! — que se faziam as coisas do modo menos mau possível) e ainda (já me esquecia) um casino?

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Clube Nacional de quê?

Foi publicada no Jornal do Fundão uma notícia interessante (que pode ler clicando na imagem junta), segundo a qual o Clube Nacional de Montanhismo - Delegação Centro se prepara para participar na campanha imobiliária que o presidente da Câmara da Covilhã quer promover com o lançamento da "mini-cidade" de montanha das Penhas da Saúde.

O Clube Nacional de Montanhismo - Delegação Centro é um clube vetusto, com cinquenta e tal anos de história, do qual (se não me engano) sou sócio desde o início dos anos oitenta. Não tenho a certeza de ser sócio deste clube porque, em boa verdade, só dou pela sua existência quando aparece o cobrador com as quotas em atraso. Mas já fui elemento activo da secção de montanha, no início dos anos noventa. Nesse tempo, apesar de ser muito minoritária a fracção dos sócios que praticavam montanhismo (coisa estranha num clube dito de montanhismo), todos os fins de semana havia cordadas do clube no Cântaro, e grupos do clube em caminhadas. O clube dava formação em escalada, técnicas invernais, orientação. Não me lembro do que aconteceu que me fez afastar do clube. Possivelmente terá sido apenas individualismo, falta de pachorra para reuniões com pessoas que não queriam saber de montanhismo para nada, o facto de pouco a pouco ter ido adquirindo o material de que necessitava, ficando menos dependente do clube, sei lá! Sei que aconteceu o mesmo a todos os meus antigos companheiros.

É interessante comparar o que o clube é hoje e o que já foi. E é interessante comparar o historial montanheiro e o calendário de actividades do clube com o de outros similares (no nome, pelo menos), como o Clube de Montanhismo da Guarda, o Clube de Actividades de Ar Livre, a Associação de Desportos de Aventura Desnível e muitos, muitos outros (Clique nas links para ficar com uma ideia geral).
Acho também interessante que um clube de montanhismo se meta nestas andanças.

Que ao actual presidente do Clube Nacional de Montanhismo não interessem estas questões, não me admira nada. Admira-me (e já nem isso...) é notar o mesmo desinteresse na redacção do Jornal do Fundão...

Soube disto pelo blog Cortes do Meio.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Impactos

Fotografia "roubada" no blog Estrela no seu melhor.
Fazem-se estudos de impacto ambiental (EIA) para quê? Sem dúvida, para se decidir, em função de critérios ambientais, se um dado empreendimento pode ser autorizado. Mas não é só para isso. É que a autorização de um empreendimento não significa que se considerem nulos os seus impactos. Assim, é necessário considerar alterações aos projectos capazes de anular aqueles impactos previstos pelos EIA que podem ser anulados e estudar medidas que mitiguem a gravidade dos restantes. Estas são também funções dos EIA e são, pelo menos, tão importantes como a de decidir se é ou não autorizável um dado projecto.

Quais são os impactos ambientais do funcionamento da estância de esqui da Turistrela? Qual a sua gravidade? Que medidas podem ser tomadas para diminuir esses impactos? Essas medidas estão a ser tomadas? Se a capacidade da estância, medida pelo número de esquiadores por hora que os meios mecânicos instalados permitem satisfazer, for duplicada, com a redistribuição dos teleskis existentes, isso não aumentará os impactos e a sua gravidade? Já alguém fez estudos sérios para dar respostas sérias a estas questões? É aceitável que ainda não tenham sido feitos? É aceitável que continuemos sem os fazer, agora que se considera a redistribuição dos teleskis?

Com todas estas perguntas, onde quero chegar é ao seguinte: quanto a mim, não só deviam ser obrigatórios os estudos de impacto ambiental para as obras que a Turistrela quer realizar agora a curto prazo, como devia ser obrigatório um estudo de impacto ambiental para o próprio funcionamento regular da estância, com ou sem obras.
Deixemo-nos de lirismos, o respeito pelo ambiente tem um preço. A concessionária exclusiva do turismo e dos desportos no Parque Natural da Serra da Estrela está, ou não está, disposta a pagar a sua quota? Em função da resposta que dá a esta pergunta, ela merece, ou não merece, essa concessão?

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Vamos proteger as áreas protegidas?

Covão Cimeiro
Covão Cimeiro
Imaginemos que queríamos, de facto, proteger as áreas que legalmente foram definidas como protegidas e, em particular, aquela chamada Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE). Admitamos, para manter este exercício com um mínimo de realismo, que queríamos tentar que essa protecção não se revelasse incompatível com outros objectivos, nomeadamente os do desenvolvimento do turismo.
Como deveríamos proceder? Isto é, com que mecanismos legais e com que pessoal para os fazer funcionar dotaríamos que instituições, de modo a cumprir um tal objectivo?
Pensemos bem. Haverá alguma maneira de fazer isto, sem que essas instituições apareçam por vezes como forças do bloqueio? Duvido. Ao fim e ao cabo, a sua função é, também, a de bloquear empreendimentos incompatíveis com a conservação da natureza, não é?
E como é que essas instituições podem avaliar se um determinado empreendimento é incompatível com a conservação da natureza? Bem, através de estudos de impacto ambiental, ou há outra maneira?
Voltemos agora ao assunto que tanta tinta tem feito correr, o da exigência, por parte do PNSE, de estudos de impacto ambiental prévios a obras na estância de esqui da Turistrela. A avaliação do impacto ambiental dessas obras é necessária e ninguém o nega. A questão é que Artur Costa Pais (administrador e proprietário da Turistrela) e Jorge Patrão (presidente da Região de Turismo da Serra da Estrela) se consideram aptos para fazerem essa avaliação, consideram que já a fizeram, e consideram que não há impactos ou "se os há, são positivos", como disse, ironizando, o segundo destes responsáveis (veja esta declaração aqui, por exemplo).
Isto parece razoável? Que duas pessoas sem formação académica, sem experiência nas áreas da biologia ou da ecologia, sem nunca terem dado mostras de interesse particular por essas áreas e que, ainda por cima, são parte interessada (pelo menos uma delas) nos empreendimentos em causa, que duas pessoas assim, dizia, decidam que não há impactos ou, "se os há, são positivos", e que (por fim) nós todos, como estado, aceitemos sem mais essa decisão, será isto razoável?!
É mesmo deste modo que queremos proteger as áreas protegidas?
Estamos a chegar ao fim do ano, achei que era uma boa altura para colocar estas questões.

Reacções ao "Lançamento Público" do PITER no Jornal da Tarde

Como estamos em tempo de festas, o tempo para andar "agarrado" ao computador não é o do costume. No entanto, aqui no Cantaro não queriamos deixar de comentar a triste propaganda feita pelo serviço Público através do Jornal da Tarde aos negócios projectados por alguns privados (veja-se aqui de imediato um conflito de interesses: serviço Publico/serviço privado). Assim, dentro do tempo disponivel que a quadra permite dedicar aos "blogs", optámos por transcrever uma opinião deixada por um leitor no texto "Les uns et les autres" e também a resposta em jeito informativo que dei ao respetivo leitor. Então aqui vai 1º o comentário do Leitor:

Acabei de ver na televisão a entrevista a Artur Pais, da Turistrela, na Serra da Estrela, em directo, seguido de entrevista ao Director do ICN (28DEZ06 13:50). Reconheço que "tive de me conter". Ainda estou num estádio de reação primária com o desplante desta pessoa que é capaz de afirmações, do tipo de se querer comparar às estações de Ski da Serra de Béjar. Um desplante de fazer querer aos portugueses que o ouvem que são dois ou três tecnicos do PNSE que entravam o futuro das gentes da Serra e que precisa "urgentemente" de substituir os equipamentos de "remonte" e que o Parque exige planos de impacto. Ou este blog Zangado me enganou muito bem ou o que entendi dos posts é que não é bem uma simples substituição que se pretende, mas sim um "acrescento" de meios mecânicos. Seja como for gostaria de perceber como estes "excelentes" e "beneficiosos" projectos poderão agradar, aos que como eu sempre subiram a partir de Loriga, pelo Covão da Areia e Fraga do Padre Nosso para chegar à zona dos Covões e deparar com um carrada de ferralharia a invadir a paisagem. Uma vedação através da qual eu não consigo passar nem sentir as maravilhas do progresso (a menos que pague muito). Apenas sinto a Opressão da privatização egoísta dos espaços naturais... Quando é para apelar à preservação dos espaços naturais é para todos. Quando é para usufruir calha só a alguns poucos (€) e geralmente os que pior o fazem. ...nem quero pensar muito nisso senão ainda me lembro que dinheiro dos meus impostos foi posto ali... ainda parto o teclado (e olhem que estou a teclar "forte"). De todas as vezes que ali passei não restam sinais. Quantos podem dizer o mesmo? Paguei alimentação na zona? paguei. Abasteci o carro nas gasolineiras de Seia? Sim. Recorri à oferta de alojamento "turístico"? Muito pontualmente. Por estes meus pecados de ser um "consumidor subaproveitado" vou ter de tropeçar para o resto dos meus dias com todos os casebres e estaleiros de obras que um usurário me impõe. Eu é que estou mal. Não uso "forfaits" Não uso hóteis. Não uso os parques de estacionamento nem vou às festas da turistrela... sou mau freguês! O que mais me ofende é o tom do "porta-voz" da turistrela se presumir interprete das expectativas dos clientes e das populações. Apesar de ser um "directo televisivo" cheio de falhas técnicas a nível do som, ressoa o sentimento de coitadinhos dos que querem edificar a Estrela. Será que toda a gente percebeu claramente das suas palavras é que se trata de um cidadão que quer ser mais que os outros. "dispensando-se" o cumprimento das regras? Será que alguém se apercebe que este homem é o retrato autentico da glutonia económica? Será que o país é capaz de aprender liçoes a partir dos erros dos outros para não cair nestas asneiradas? Posso ter "faltado a algumas aulas" mas não vejo no que é que a minha forma de usufruto da Serra impeça os outros de prosseguir com a sua forma de susufruir. Já o contrário é por demais evidente que colide com a minha ideia de contacto com a natureza. Porque é que não fazem um "Ski Dubai" lá para as bandas de Vilar Formoso. assim apanhavam clientes de todos os lados e "reforçavam" a economia do interior? Há pessoas que encaram a vida e o mundo como um jogo de computador, com hipótese de salvar e jogo e recomeçar onde a coisa descanbou. Isto não é um simulador para brincar. Serra da Estrela há só uma. "Se" estas "apostas" derem mau resultado como é que se faz restart? Perdão pela extensão do texto. como disse, isto ainda é "a quente" da entrevista que presenciei. Grave entrevista com graves prenúncios. 28/12/06 14:45

E agora a resposta:

Caro Pereira, compreendo e partilho a sua consternação e desespero perante as declarações de Costa Pais e companhia!A verdade é que não é a primeira vez que profere este tipo de insinuações (assim como Jorge Patrão) utilizando uma táctica de desinformação da opinião publica para virar as hipoteses a seu favor. No que diz respeito aos projectos da estancia de esqui tambem aqui a desinformação e propaganda é muita. No entanto, do meu conhecimento, os projectos contemplados no PITER contemplam "apenas" intervenções dentro do perimetro actual da estancia (Agora qual é este perimetro ao certo, ainda está por saber). Dentro destas intervenções não estão apenas as "substituições" dos antigos teleskis por outros novos no mesmo local mas sim o reposicionamento de alguns, a instalação de mais meios mecanicos, terraplanagens para maximizar a área esquiavel assim como edificios de apoio! Ou seja, o Estudo de impacte ambiental torna-se "obrigatório", mas dependerá do PNSE exigir este estudo. Isto é a primeira fase de "melhoramento" da estancia e a que neste momento tem mais hipoteses de realmente avançar. A 2ª fase será posterior e essa sim pretende aumentar o perimetro da estancia para todos os pontos cardeais, leia-se Alvoco, Loriga (nos covões) e Unhais (Covão do Ferro)alem da instalação dos teleféricos desde os Piornos e Lagoa Comprida! Este ultimo projecto é justificado pela necessidade de garantir o acesso à estancia em quaisquer condições!?!Veja-se o disparate!Mas então a actual pequena Telecadeira da estancia já tem dificuldades em funcionar (devido ao vento) e esperam que uma outra (semelhante à da EXPO98) com maior longitude e maior exposição funcione em condições adversas?!Mais, quem conhece o topo da serra com mau tempo a sério, sabe que não é lugar para se estar a fazer ski ou outra coisa qualquer, mesmo que lá se chegue. E então se a malta conseguir subir no hipotético teleférico e depois já não conseguir descer!? É todo este tipo de desinformação que a Turistrela/RTSE tem utilizado para convencer tudo e todos da necessidade de ancorar o desenvolvimento da região nos seus projectos megalomanos e em particular no turismo do esqui que a curto prazo está condenado a desaparecer. Eu devo dizer que o que mais me incomoda é estes senhores pensarem que são mais espertos que os outros e que enganam todos com o seu discurso! Já reparou que na entrevista a Jorge Patrão, este metia sempre que podia a expressão "protecção ambiental"??!E pasmei ao ouvi-lo dizer que estes investimentos serviam para isto mesmo...PROTEGER O AMBIENTE!!!Se não fosse para chorar até ria. Esta pretensa evolução no seu discuro, assim como no de Artur Costa Pais, tem como origem (creio eu) as criticas feitas pela Plataforma pelo Desenvolvimento Sustentável na Serra da Estrela (PDSSE) criada recentemente com o objectivo de mudar o rumo actual do "desenvolvimento" na Serra, apoiar as populações e impedir a concretização de projectos ostensivamente alheios às preocupações ambientais que uma zona destas caracteristicas obriga. Tenho que esperança que as coisas possam evoluir de forma oposta à actualmente pretendida por Costa Pais e Jorge Patrão, ainda tenho alguma confiança que com o devido apoio o PNSE consiga defender a Serra por isso tenho esperança que a nossa Serra não seja completamente adulterada. Só assim poderemos efectivamente lutar por ela. Pereira, mais uma vez obrigado pelo seu contributo. Apareça sempre TPais 28/12/06 19:34

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!