quinta-feira, outubro 12, 2006

Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela

A Associação Amigos da Serra da Estrela inicou um projecto de reflorestação muito ambicioso, onde roubei o título para este post. Pode ficar a par dos detalhes aqui.
Uma reflorestação a sério das encostas da Serra faria muito mais pelo turismo que todos os hotéis, aparthotéis, urbanizações, estradas, teleféricos, casinos, restaurantes, piscinas, spas, centros de estágios desportivos, centros comerciais, "observatórios panorâmicos" e ainda a ampliada estância de esqui que os projectos apadrinhados pelos autarcas e pela Região de Turismo pretendem implantar acima dos mil metros de altitude. Por constituir um enriquecimento da paisagem, um recurso turístico que pertence a todos, poderia ajudar a viabilizar pequenas empresas de turismo de natureza, sedeadas nas localidades em redor da serra (refiro-me às cidades, mas também às vilas e, especialmente, às aldeias). Seria, assim, uma medida que poderia ter efeitos positivos na luta contra a desertificação.
Além disso, uma reflorestação a sério seria uma mais valia ambiental evidente, pelo papel que o carvalho-negral tem como parte e suporte de ecossistemas complexos e biodiversificados e pelos lucros que traria em "créditos de carbono", na redução da factura que teremos que pagar nos termos do Acordo de Quioto.
Além disso, o carvalho-negral é uma espécie arbórea infinitamente mais resistente ao fogo do que o pinheiro bravo com que se insiste, flagelo após flagelo, em fingir que se reflorestam algumas encostas da Serra. Como todos estamos cansados de saber, o que mais falta para evitar o flagelo dos fogos é um verdadeiro ordenamento florestal, muito mais do que esta continuada aposta em caros meios de combate às chamas, e muito mais ainda do que a abertura indiscriminada de estradas asfaltadas e acessos por todo o lado.
Ou seja, este projecto é uma coisa boa, e o melhor de tudo é que todos podemos ajudar!

7 comentários:

al cardoso disse...

Ainda mais com vantagem de que o Carvalho-negral ser uma arvore autocone da nossa regiao, e com isso iriamos repor a vegetacao natural.
A haver uma real politica florestal, teria que eliminar-se cada vez mais o pinhal e principalmente o eucaliptal.
Mas para isso era necessaria coragem para lutar contra os lobis!!!

Bom fim de semana.

Um abraco fornense.

ljma disse...

Claro, nem me lembrei de incluir esse aspecto nada desprezável do carvalho. Obrigado, Al. Um abraço!

pedro n. t. santos disse...

A questão do carvalho-negral na Serra da Estrela trata-se no fundo de repor minimamente uma parte (ainda que ínfima) daquela que supostamente deveria ser a sua árvore mais significativa! Praticamente não existe um único bosque de carvalho-negral na área do Parque, embora existam ainda alguns residuais em áreas próximas: Guarda (zona de João Bragal); Pinhel, Sabugal, Belmonte (zona de Caria) e zonas adjacentes da Covilhã (Quinta da França) e no Fundão, a norte da Gardunha!
Agora dentro do Parque chegámos a um ponto, com sucessivos incêndios e introdução de exóticas, onde esta espécie foi reduzida a indivíduos isolados!É quase motivo para dizer que a espécie se tornou praticamente residual dentro do Parque...se querem saber como era a nossa Serra num passado recente, aceitem a minha sugestão e vão de passeio até Sanabria! E pensar que a nossa Serra já foi assim...até dói!!!

Anónimo disse...

estou nessa!!! na área da freguesia da Vila do Carvalho incluída no PNSE, farei o que puder, e parece que o nome da freguesia Aldeia do Carvalho, tinha que ver alguma coisa com a floresta autóctone, será???!!quase já não parece...

Kintela disse...

Apesar de ainda lá não ter passado depois disso, e por isso não poder dar uma imagem real do sucedido, a zona da Quinta da França sofreu um incendio no mesmo dia do incendio de Belmonte, provocado também pela trovoada.

ljma disse...

Pedro, é verdade, o carvalho negral é residual no PNSE. E, no entanto, o logotipo do parque oscilou entre um baseado num cristal de neve e outro numa folha de carvalho-negral (não sei ao certo qual é o que se usa agora). Já agora que estou a falar contigo, um apontamento para um caçador de árvores": já reparaste no super eucalipto ao pé da casa do guarda, no parque da floresta (da Covilhã)? Tem um diâmetro na base que me parece ultrapassa os dois metros! Não gosto de eucaliptais, mas ele há eucaliptos de se lhes tirar o chapéu!

João, penso que os da ASE têm já identificadas as áreas em que pretendem intervir, não sei se estão a pensar na nossa região. Mas podemos talvez tentar cativar associações e particulares aqui do concelho para uma iniciativa deste género. E podemos talvez ajudá-los aos de Manteigas agora, na medida das possibilidades de cada um, e esperar que nos ajudem eles no futuro, não sei...

A ver no que isto dá. Até pode ser que se torne moda! (Duvido muito...)

pedro n. t. santos disse...

O incêndio na zona da quinta da frança não me parece que tenha sido muito extenso...já o da serra da boa viagem, em belmonte, foi bem maior, mas foi na vertente leste (virada para Caria) e a vertente virada para Orjais escapou e é esta que apresenta um carvalhal mais extenso...o pior, em ambos os casos (como em tantas outras situações) é a invasão subsequente por mimosas!!

De referir que a Serra da Malcata possui um viveiro de árvores autóctones, do qual este ano já vão sair alguns carvalhos para a Estrela...mas seria muito bom que iniciássemos uma campanha que atingisse valores de árvores plantadas na casa dos milhões!Já agora, na Covilhã, existe um belo exemplar de carvalho-negral junto da rotunda do hotel sta. eufêmia!

O Parque optou pelo símbolo do floco de neve porque provavelmente, apesar do aquecimento global, a neve ainda é mais comum que o carvalho-negral! Já agora, existem rebentamentos de carvalho-negral a 1700 m de altitude, antes do túnel, o que prova a resistência desta espécie!

Em relação ao eucalipto da zona da floresta, tenho memória dele...bem como de um castanheiro, também perto da casa do guarda...isto já para não falar nas pseudotsugas enormes que lá existem...tenho que dar lá um salto!! É pena é o ar de abandono que aquilo tem e que ninguém tente suster o avanço das mimosas!

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!