«Jorge Patrão só espera que o projecto não venha a ter entraves por parte do parque natural da Serra da Estrela "esperamos uma atitude de colaboração e de parceria e não que venham invocar um plano de ordenamento que recentemente foi aprovado para emperrar alguns dos projectos que temos em marcha"»
Jorge Patrão, presidente do Turismo da Serra da Estrela, excerto retirado do blog Máfia da Cova.
Pouco importa qual o projecto a que Jorge Patrão se refere, ou se sim ou não o mencionado Plano de Ordenamento recentemente aprovado em Conselho de Ministros (mas creio que ainda não publicado no Diário da República) efectivamente o constrange(1). Esta frase diz tudo sobre a importância que no nosso país certas forças dão ao ordenamento do território.
Jorge Patrão é contumaz em (des)considerações deste teor. Em 2006(2), afirmava publicamente que "há diversos interessados em investir na Serra da Estrela e é importante que os projectos não esbarrem em impedimentos ambientais".
Podemos ir mais longe. Para além de planos de ordenamento e de outros impedimentos ambientais, porque é que os projectos (sejam quais forem, desde que "apadrinhados" por Jorge Patrão) hão-de esbarrar seja em que impedimentos for? Questiúnculas legais com a posse dos terrenos ou dos edifícios, com a legislação fiscal, com as leis de trabalho, com a livre concorrência? É afastá-las, *todas*, da senda do progresso do turismo na Serra da Estrela, tal como tem sido definido por Jorge Patrão (e outros) nas últimas dezenas de anos. Porque, como se vê, estamos no rumo certo, estamos de parabéns. O ordenamento que não se meta connosco. Que não comece agora a meter-se, pelo menos!