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terça-feira, fevereiro 22, 2011

A serra e o esqui

O Público de ontem (segunda feira, dia 21) trazia uma notícia sobre João Marques, um jovem esquiador português (da Covilhã) que participou recentemente numa prova internacional de esqui. Nessa peça pode ler-se, a páginas tantas, o seguinte:

(...) apesar de a serra da Estrela ser "o melhor que temos, fica muito aquém das necessidades para um atleta de alta competição de desportos de neve". "Não por falta de vontade, mas por falta de neve", diz [João Marques].

Na serra da Estrela, o tempo para a prática das modalidades de Inverno está centrado, em média, em quatro meses, entre Dezembro e Março. "E mesmo assim nem sempre com a quantidade de neve necessária".

Ou seja, e mais uma vez, apesar de ser "o melhor que temos", a serra da Estrela não é grande coisa para o esqui.

Não pretendo com isto concluir que se deve fechar a estância de esqui. Apenas repito o que toda a gente que pratica esqui com alguma regularidade diz. E daí deduzo que enquanto continuarmos a basear o turismo da serra numa actividade que na serra não tem muita qualidade, continuaremos a ter este turismo desqualificado. Mas é pena, porque a serra merecia mais, e também porque poderíamos aproveitá-la mais lucrativamente

Nota: usei as declarações de João Marques (tal como elas foram transcritas no artigo do Público) mas não pretendo com essa utilização sugerir que ele partilha as minhas opiniões.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Registo sem valorar

O TPais deixou aqui há dias um post sobre um aspecto que considerou positivo na actuação da Turistrela.

Eu não tenho a certeza absoluta de que tudo na Turistrela, tudo o que ela é e faz, seja criticável, seja tosco, seja mal feito. Mas estou bastante mais ou menos convencido disso. E, falando da informação que a Turistrela dá sobre as condições da sua estância de esqui, que foi aquilo que o TPais comentou, noto que nos anos anteriores, o site da estância indicava a profundidade de neve e a sua qualidade, assim como os meios mecânicos em funcionamento. Eram, como é bom de ver, dados quase sempre confrangedores para a estância (20cm, 10cm,... chegaram a anunciar 2cm!, neve "dura/húmida"), mas eram fornecidos. Este ano, deixaram-se disso.

E deixaram-se mais recentemente de outras coisas. Até há dias, o site da estância indicava logo na página de acesso, que pistas estavam abertas e quais estavam fechadas. Pois bem, hoje fui ver se havia alguma possibilidade, mesmo que remota, de se fazer na estância um esqui que compensasse o que se paga pelo forfait, e dei com isto: Num relance, vi as pistas todas a verde! Está tudo aberto?! Ena, ena! Mas logo a seguir percebi que a verdade era outra, a que se apresenta noutra página que não a de abertura do site: Ou seja, as pistas não estão todas abertas, dos seis quilómetros e pico de extensão da estância apenas três estão esquiáveis (admitindo que a pista Loriga se encontra com neve até à base da telecadeira, coisa que não sei).

OK, não se trata de uma mentira declarada, claro. Mas, caramba: quem quer falar verdade, mesmo que a verdade não seja a mais agradável, fala de outra maneira, então não?

Também assim se vai alimentando o mito das grandes condições da serra para o turismo de neve e para competir com os Alpes e os Pirinéus. E também assim se vai reforçando a minha opinião de que enquanto se continuar a apostar principalmente na neve, a qualidade do turismo na serra continuará a ter a qualidade da neve na serra: assim a modos que para o rasca.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Registo com Agrado

Uma evolução positiva da Turistrela relativamente à sua estratégia de divulgação da área esquiável sob sua gestão, no que diz respeito ao real estado do manto nevoso.

Para tristeza de muitos nós, uma anormal subida notável das temperaturas, acompanhada de bastante chuva fez com que apenas em dois dias o cenário no alto da serra passasse a ser aquele que a seguinte imagem reflecte: Esta imagem foi retirada do próprio sitio da Turistrela e é por isso que registo com agrado não ter havido uma tentativa de escamutear o real estado da neve. Esta mudança de atitude suponho que venha como resposta à cada vez maior exigência dos seus utilizadores que em variadissimas situações se deslocavam ao alto da Serra na expectativa de condições (transmitidas pelo sitio da Turistrela) esquiáveis que logo se viam goradas.

A seriedade e confiança são atributos que os turistas/clientes muito valorizam e seja em que ramo for devem ser a espinha dorsal da actuação das empresas. Esperemos que esta empresa evolua neste sentido em muitos outros dominios da sua actuação

segunda-feira, abril 13, 2009

Passei alguns dias em Andorra, nas férias de esqui que tento gozar todos os anos. Nunca vi tão pouca gente nas pistas como desta vez. Bem entendido, era muita gente, ainda assim. Mas praticamente não tive que suportar as bichas nas telecadeiras e a confusão à hora de almoço que começavam a cansar-me ao ponto de me questionar sobre se realmente queria continuar a fazer férias de neve.

O responsável do hotel confirmou a minha impressão e disse que é por causa da crise. Não sei se será isso, creio que não há estudos sistemáticos que o verifiquem. Seja como for, é uma situação que talvez se deva seguir atentamente antes de investir muito dinheiro em melhorias da nossa estanciazinha.

Sobretudo se esse investimento incluir apoios públicos.

domingo, fevereiro 01, 2009

Não sabem limpar a estrada para as minhas pistas!

Este fim de semana, Artur Costa Pais(1) e a Câmara Municipal da Covilhã insurgiram-se contra a falta de eficiência do Centro de Limpeza de Neve, atribuindo-lhe a responsabilidade por os turistas não conseguirem chegar à estância de esqui.

Bem, pelo que vi na reportagem que a SIC passou no Jornal da Noite (a link pode não ser permanente), o próprio parque de estacionamento do Hotel das Penhas da Saúde também não estava nada em condições que permitissem a circulação em segurança. Ora, quer-me parecer que os acessos e os parques de estacionamento privados devem ser limpos pelos seus proprietários, não pelas ineficientes "estruturas obsoletas" do estado. Por isso, acho que vem a propósito o ditado sobre telhados de vidro e pedras atiradas ao ar.

De acordo com o que me contaram entendidos, é muito diferente limpar neve que cai com uma temperatura de -100C e se mantém no solo como um pó fino, leve e seco, e limpar neve que cai a uma temperatura de -30C, misturada com nevoeiro ou chuva miúdinha, que fica pesada de tão empapada em água, que depois solidifica durante a noite. E, ainda segundo me foi dito, é por essa diferença que é tão frequente, na serra da Estrela, ser necessário recorrer a tractores e retroescavadoras para abrir caminho (e até podemos ver uma destas máquinas na reportagem que referi acima).

Mas acontece que tenho contado o número de dias em que as estradas de acesso à Torre se encontram fechadas desde que, nesta época, abriu a estância, no dia 1 de Dezembro. Nos 64 dias que passaram desde então, as estradas estiveram cortadas em 14 dias. Nalguns desses dias não se pôde circular apenas durante a manhã, mas na minha contagem, contaram como os outros. Com tudo o que tem nevado, francamente não me parece nada mau.

E quero notar que, mesmo que haja responsabilidades humanas a apurar nesta situação, toda esta indignação da Turistrela e da Câmara Municipal da Covilhã tem um aspecto anedótico. É que, com tão boas condições que, segundo se anuncia, a serra da Estrela tem para a prática do esqui, e com tanta, tanta, neve que este ano tem trazido, mesmo assim as pistas da estância que não estão equipadas com canhões de neve ainda não estiveram abertas um único dia, segundo as informações difundidas pelo próprio site da Turistrela. Significa isto que a estância tem estado reduzida a um total de 3,6 km esquiáveis, e isto nos dias bons porque, por exemplo, ainda nos que antecederam este último nevão, na semana passada, a estância tinha abertas apenas as pistas Cântaro (155 m) e Covão (229 m), num fantástico total de 384 m esquiáveis! Peço desculpa, mas as coisas aqui na serra são o que são. E, como são o que são, armar um grande escândalo afirmando que a ineficiência da limpeza das estradas que dão acesso à estância de esqui prejudica gravemente a economia regional... Enfim.

Para terminar, a minha experiência de como as coisas se passam "lá fora" é esta: na Páscoa passada passei uma semana em Andorra. A meio da semana, veio um dia com condições parecidas com as que tivemos na Serra este fim de semana. A estância (Grand Valira) esteve encerrada. Em Dezembro, fui a La Covatilla com a ideia de esquiar dois dias; no segundo não o pude fazer porque estava a nevar e a Guardia Civil interditou a estrada de acesso à estância a meio da manhã. Noutros anos, noutras paragens, tenho por vezes sofrido situações semelhantes. É a vida.

O blog Estrela no seu melhor refere-se também a este "escândalo".
(1) Administrador da Turistrela, a empresa concessionária exclusiva do turismo e dos desportos na Serra desde 1972 e por décadas ainda por vir para o futuro.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

O esqui na serra da Estrela (II)

Quando ontem coloquei o post "O esqui na serra da Estrela", pensei que estava a arriscar muito, porque (1) na lista das pistas interpretei a falta de indicação de "aberta" como significando que se encontravam fechadas, (2) porque a razão para as pistas estarem fechadas podia não ter que ver com a falta de neve e (3) porque o site da estância podia não estar actualizado. Pois bem, as questões (1) e (3) estão agora afastadas: o site foi actualizado hoje de manhã, e agora aparece mesmo a indicação de "encerrada" na lista das pistas. Relativamente à informação que ontem difundi, há a acrescentar mais duas pistas e um teleski à lista dos encerramentos. Ou seja, a estância Vodafone está reduzida ao que mostro abaixo (pistas praticáveis a verde): Nos próximos dias (até onde chegam as previsões do snow forecast) não se prevêm melhorias.

Não pretendo tirar conclusões desta situação concreta. Repito que estou ciente de que este ano pode vir a ser um fabuloso ano de neve, e desejo que assim o seja. Mas a verdade é que esta situação (a estância Vodafone reduzida a dois teleskis de aprendizagem e a duas pistas com 400 m de extensão total, cobertas com uma camada fina de neve papa) é uma situação que tem sido muito frequente nos últimos Invernos, isto apesar dos investimentos, dos canhões de neve e de tudo o que dizem autarcas, responsáveis pela Turistrela e pela Região de Turismo.

Em face disto, que sentido é que faz continuar a planear ampliações da estância? Que sentido é que faz continuar a basear na neve o turismo da serra da Estrela? Pior, que sentido é que faz continuarmos, em nome da neve e dos vistantes da neve, a desfear, a artificializar, a construir, a asfaltar, em suma: a destruir a atractividade da serra da Estrela para os tipos de turismo verdadeiramente adequados à sua verdadeira realidade?

quinta-feira, dezembro 04, 2008

O esqui na serra da Estrela

Há dias, um leitor enviou um comentário em que mais ou menos afirmava que o nevão do fim de semana vinha provar que não temos razão no Cântaro Zangado, que neva na serra da Estrela, que temos neve mais do que suficiente para esquiar e que, por isso, a Estrela pode "dar a Portugal uma óptima mini-estância de esqui". Na minha resposta, disse que não podemos tirar conclusões de um nevão isolado e que sim, pode esquiar-se na serra, mas só raramente e só muito, muito ocasionalmente se faz um esqui realmente satisfatório.

Podemos hoje verificar que o referido leitor não tinha razão ao tentar tirar conclusões a partir do nevão do fim de semana. Acabo de ir ao site da estância de esqui. O relatório do estado das pistas é o que apresento a seguir: Apenas quatro pistas estão abertas, e somente três teleskis estão em funcionamento. A neve é de má qualidade (húmida). Tendo em conta os meios mecânicos funcionais, os percursos esquiáveis na estância estão reduzidos às linhas a verde na figura em baixo

Este é o estado das coisas, três dias depois de um dos "maiores nevões dos últimos anos" (são sempre os maiores nevões dos últimos anos, a acreditar no que diz a comunicação social). Não, não devemos tirar conclusões de um único nevão. Até pode acontecer que este ano venha a ser um ano de neve fabuloso, e eu espero sinceramente que sim. Mas isso só se verá lá mais para a frente. E, extrapolando a partir daquilo a que os últimos anos nos têm habituado, eu duvido muito que isso se verifique.

Nota 1: Acreditem os caros leitores que eu sou o primeiro a lamentar este estado de coisas. Gostava de esquiar muito (principalmente fora de pista) e de escalar em neve e gelo, este ano na serra. Tenho planos de actividades "pendurados" há anos, esperando as condições de neve necessárias. Mas não me engano: esta montanha não tem, nem nunca teve, grandes condições para isto. Não estamos nos Alpes nem nos Pirinéus.

Nota 2: Também pode acontecer que seja o site da estância que está com avaria ou desactualizado. Se for esse o caso (e eu não posso verificá-lo porque não tenho tido disponibilidade para ir à Torre), terei todo o gosto em corrigir este post, caso me façam chegar melhor informação. Seja como for, creio que o essencial do que digo se mantém: às vezes consegue-se esquiar na serra, mas em geral as condições para a prática do esqui na serra da Estrela são medíocres.

quarta-feira, outubro 08, 2008

La Unión Europea descarta una ampliación de La Covatilla

Imagem roubada daqui.

A estância de esqui de La Covatilla é uma estância pequena (mas ainda assim bastante maior que a da serra da Estrela) situada na Sierra de Béjar, aqui perto, a uns oitenta quilómetros a Sul de Salamanca. A Comissão Europeia aprovou recentemente a sua declaração de impacto ambiental, depois de ela ter sido corrigida de falhas que tinham sido identificadas por ambientalistas. Se compreendi bem as notícias para que aponto aqui em baixo, resulta do documento agora aprovado a impossibilidade de futuras ampliações da estância.

Ver

E a nossa estância Turistrela/Vodafone? Terá declaração de impacto ambiental? Onde a poderemos consultar?

sexta-feira, abril 04, 2008

Tribunal Espanhol Trava Estancia de Esqui


Ficámos a saber de uma decisão inédita de um tribunal espanhol que revoga a autorização concedida pela Junta local de construir uma estância de esqui com 50 km de pistas acima dos 1500 metros de altitude num Parque Natural da provincia de Castela e Leão.

Além das condicionantes de se encontrar dentro de uma área protegida e de zona importante de ursos, o tribunal alegou tambem a manifesta ausencia de viabilidade de uma estância a estas altitudes e latitudes face ao aquecimento global comprovado que tem provocado uma clara diminuição real da queda de neve. Entre outras criticas o tribunal evidencia tambem a falta de Planos de Desenvolvimento Turistico, Planos de Uso e Gestão e Plano de Melhorias.

Parece-vos familiar??

Para informações mais detalhadas e mesmo sobre a dita sentença ver um blog espanhol e o publico de hoje.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Coisas de ignorantes mal intencionados

[É] "um erro primário e grosseiro" a eventual construção de infraestruturas em betão, como o casino ou o Palácio de Congressos nas Penhas da Saúde, projectos que "além de desajustados do meio, estão também desligados das necessidades dos praticantes de desportos de Natureza e Inverno"
O "monopólio de exploração turística e a sobreposição dos interesses comerciais à noção de sustentabilidade" é um dos aspectos mais criticáveis no turismo da Serra da Estrela.

Estas opiniões (com as quais não posso concordar mais) pertencem a Mário Carvalho, antigo professor de esqui na estância de Sierra Nevada, antigo vice-campeão nacional de esqui, actual docente do Instituto Politécnico de Leiria, e são apoiadas no estudo que fez para a sua Dissertação de Mestrado, apresentada, defendida (e aprovada) no Instituto Superior Técnico.

Soube disto pelo Ondas3, que aponta para uma notícia no Expresso com mais detalhes. Em particular, com os detalhes da reacção dos responsáveis pelo turismo que temos. Artur Costa Pais, administrador da empresa concessionária exclusiva (o monopólio a que se referia Mário Carvalho) do turismo e dos desportos na Serra da Estrela, lamenta que haja "cada vez mais gente mal intencionada" no turismo na região; Jorge Patrão (presidente da Região de Turismo), considera que este trabalho "demonstra uma profunda ignorância em relação à realidade".

Penso que para terem alguma relevância neste contexto, as referências às más intenções deveriam ser materializadas com algo de palpável. Assim, são apenas paleio. Quanto à opinião de Jorge Patrão sobre a "profunda ignorância" demonstrada por esta tese de mestrado, ela vale o que vale. Podemos comparar as habilitações (inexistentes) e currículo de Jorge Patrão com as do mestrando, as do seu orientador e as dos elementos do jurí que avaliaram o trabalho. Cada um é livre de fazer a opção que entender mas por mim, no que toca a avaliar ignorâncias, fio-me mais no discernimento, experiência e currículo dos académicos...

Ah!, Estudos para quê? Teses para quê? Isso é para gente mal intencionada e ignorante. Gente (que horror!) com habilitações, que já viu mundo. Nós não, nós somos optimistas, temos "requalidade" e dinamismo! O que precisamos é de mais milhões, mais betão, mais ferragens, mais asfalto e, de vez em quando, só para não parecer muito mal, uma entrevistazita num jornal amigo, para também podermos afirmar que "a Serra não é só neve".

segunda-feira, maio 14, 2007

Patetices

Hoje no Público, na páginas 8 e 9 do suplemento P2, um artigo extraordinário:

Se cá nevasse fazia-se cá ski

O centro do Porto pintou-se de branco para receber o primeiro slalon gigante urbano do mundo. 75 participantes nacionais federados desfilaram perante os olhares da cidade.

Vale a pena comentar a parolice deste evento? Ou a enorme pegada ecológica associada? O seu novo-riquismo evidente? Mostrar espanto perante o esbanjar de riqueza num sítio onde também se ouvem queixas de falta de investimento por parte do estado central? Constatar o absurdo de ver este luxo faraónico lado a lado com problemas sociais gravíssimos?

Talvez. Mas quero antes notar que, pela sua extensão (200 m), esta pista ultrapassou o conjunto das que estiveram abertas na estância Vodafone, na Torre, durante a quase totalidade da temporada de Inverno que agora acabou.

Face a isto, ainda alguém tem coragem de afirmar publicamente que o futuro do desenvolvimento do turismo na Serra da Estrela passa pela estância de esqui?!

Isso sim, é verdadeiramente espantoso!

quinta-feira, abril 19, 2007

Uma opinião como outra qualquer...

Diz Carmen de Jong, professora e investigadora do Institut de la Montagne da Université de Savoie em França, que
"To make artificial snow all day long and during the whole season is just completely irresponsible for our climate, especially on such a large scale",
isto, porque mantendo-se a água em reservatórios de superfície e pulverizando-a no ar, um terço do total utilizado (e são 95 milhões de metros cúbicos por ano, nos Alpes) evapora-se, formando nuvens que viajam para outras regiões.
Ah, mas o que é que essa fulaninha entende disso?!

Soube deste assunto pelo Ondas.

quarta-feira, abril 11, 2007

Notas de férias (I)

A fotografia acima foi tirada nos Pirinéus, mais exactamente em Baqueira, Espanha, província de Lérida, na semana passada.
A estância de Baqueira-Beret estende-se por quase vinte quilómetros, vale após vale, crista após crista. Desde os mil e quinhentos até quase aos dois mil e setecentos metros de altitude. Na semana passada estava tudo coberto de neve, e da boa. Em algumas pistas assinalava-se o perigo de avalanches. Este foi um ano atípico, com neve tardia.
Na figura em baixo dá-se uma ideia da extensão da estância. O pico mais afastado pertence-lhe ainda; para lá chegarmos partindo do sítio de onde tirei a fotografia, temos que fazer duas longas descidas e apanhar três longas telecadeiras. Esta fotografia foi tirada da zona central, Baqueira. Na direcção oposta, a estância estende-se por uma distância ainda maior. Baqueira-Beret não é a maior estância dos Pirinéus. A fusão recente de Pas de la Casa/Grau Roig com Soldeu/El Tarter, em Andorra, criando a estância Grand Valira, ultrapassou-a. Pelo que ouvi dizer, estas gigantes ibéricas não são nada comparadas com as grandes estâncias dos Alpes.
Apresento ainda mais uma panorâmica, agora das vizinhanças da estância de Baqueira, tirada do alto do pico que mostrei na imagem anterior, a uma altitude de 2700 m, mais coisa, menos coisa.

Mostro agora, sem comentários, a "nossa" estância Vodafone 2000, fotografada no dia 30 de Março.

Espero com este post ter mostrado o que é (e o que não é) uma estância de esqui normal face a padrões europeus. Não me parece que sejam necessárias mais palavras para mostrar que a nossa estância de esqui (chamemos-lhe assim, à falta de melhores palavras) não tem, nunca teve, nem nunca terá, condições que a tornem comparável a Baqueira-Beret, a Grand Valira, ao Formigal, a Arinsal, só para referir estâncias que conheço por ter visitado.
Nem mesmo as comparações com La Covatilla, a micro estância de Béjar, aqui ao lado em Espanha, são favoráveis à nossa "estância". O desnível de Béjar é três vezes maior do que o da estância Vodafone, e a sua cota mínima é de dois mil metros: La Covatilla começa onde a Serra da Estrela acaba. La Covatilla tem ainda, nesta altura do ano, 11 pistas abertas, num total de 7 km esquiáveis (ver imagens de webcams aqui).
Podemos gastar "pipas de massa" (muita da qual vem de apoios públicos, ou seja, dos nossos bolsos de contribuintes) a encher a serra da Estrela com telecadeiras, canhões de neve, urbanizações, canalizações, estradas, lixo e entulho. Têm sido anunciados projectos nesse sentido, incluindo a expansão da estância de esqui para o Covão do Ferro e/ou para a Garganta de Loriga. Valerá a pena? Talvez, eventualmente para quem vier a gerir essas "pipas de massa" dos apoios públicos. Descontada esta eventualidade, volto a perguntar: valerá a pena? Dou uma achega para a resposta a esta pergunta com outra pergunta: quanto tempo, este ano, com os canhões de neve instalados e funcionais, é que a telecadeira da estância Vodafone serviu efectivamente os esquiadores, estando ligada por percursos esquiáveis às pistas abertas? Arrisco uma estimativa, creio que pecando muito por excesso: duas semanas?

Quanta riqueza é que esses investimentos poderão produzir e, mais importante, que benefícios é que eles trarão à região e às suas populações? Uma pista para respostas a estas questões podemos encontrá-la neste artigo do Blog de Loriga: ao que parece, pela utilização do terreno dos baldios onde a estância Vodafone está instalada, a Turistrela paga ao proprietário (a Comissão de Compartes do Baldio, representada pela Junta de Freguesia de Loriga), a quantia de 166,66€ por mês. Mais pistas ainda fornece-as este artigo d'O Interior, sobre a relação entre a Turistrela e a Câmara Municipal de Manteigas, a propósito do SkiParque do Sameiro.

Quanto mais tempo continuaremos à espera dos prometidos benefícios, desenvolvimento, modernização, do EL Dorado futuro que aí vem nas projectadas telecabines, deprimidos por uma realidade cada vez mais difícil e entorpecidos por estes cantos de sereira das "forças vivaças" da região?

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Como se faz lá fora

Abra-se a página web da estância de esqui espanhola de Baqueira-Beret, uma das maiores da Península Ibérica. Damos imediatamente com o seguinte texto (apresento-o aqui pois ele pode vir a ser retirado da página de entrada da estância):

COMUNICADO DE BAQUEIRA-BERET
Diversos medios de comunicación se han hecho eco de las denuncias de un grupo ecologista de Lleida a Baqueira-Beret. El grupo ecologista acusa a Baqueira-Beret de "desecar" el lago del Clot der Os y de captar agua del río Garona sin permiso. Ambas acusaciones son falsas.
Baqueira-Beret viene utilizando el agua del Clot der Os con todos los permisos necesarios y por debajo del volumen de agua que tiene autorizado. Tampoco es cierto que haya captado un solo litro de agua del río Garona, para lo que tiene solicitado y en trámite el permiso de captación desde el año 2002.
El agua utilizada para la producción de nieve (o riego con nieve) de Baqueira-Beret ha permitido mantener abierta la estación en condiciones adecuadas para el esquí desde el inicio de la temporada, sosteniendo la actividad turística de toda la comarca del Valle de Arán en una situación de excepcionalidad. Y este agua para el riego con nieve, como para el riego agrícola, es siempre la sobrante de otros usos prioritarios como pueden ser para consumo humano, caudales ecológicos u otros, disponiendo de las debidas autorizaciones de los organismos reguladores competentes.
Para quem não entende castelhano, o que se passa é que a direcção da estância repudia acusações feitas por um grupo ambientalista de Lérida de que a produção artificial de neve estaria a secar um lago (Clot der Os) e ainda de que estariam a captar água no rio Garona sem autorização. De acordo com a direcção da estância, tem-se utilizado água do lago de Clot der Os com todas as autorizações necessárias, e usando um caudal inferior ao limite máximo regulamentado. Mais afirma que a utilização da água para a produção de neve está condicionada a funções mais prioritárias, como a utilização para consumo humano ou a manutenção de caudais ecológicos.

Independentemente da questão em si, de que não conheço os detalhes, quero salientar o seguinte

  1. "Lá fora", as estâncias de esqui também se confrontam com a oposição de grupos ambientalistas.
  2. "Lá fora", está regulado, em acordos formais com os organismos públicos de administração do território, em que fontes podem as estâncias de esqui alimentar-se de água, quais os caudais que podem usar, e qual a prioridade que essa utilização tem relativamente a outras.
E "cá dentro"? Como é? Na Serra da Estrela há limites para a utilização de água na produção artificial de neve? Quantos estudos de impacto ambiental foram feitos para o funcionamento da estância na Torre ou para a sua recente ampliação (com a instalação de teleskis, da telecadeira e dos canhões de neve), a fim de determinar (entre outras coisas) os limites que a produção artificial de neve deveria respeitar? De acordo com declarações de Jorge Patrão (presidente da Região de Turismo) recolhidas pelo Público (suplemento Local Centro) de 1 de Dezembro de 2006, nenhum. Mais ainda, de acordo com essas mesmas declarações, Jorge Patrão acha que assim é que deve ser!
E nós, caro leitor, também achamos?

Nota: Comentei estas declarações de Jorge Patrão aqui.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Pelos vistos,...

... Há mais quem ache condenável a forma como se andou a movimentar neve de um lado para o outro na estância Vodafone.

ICN levantou auto contra terceiros

Vai investigar se foi a Turistrela a movimentar a neve
(In Kaminhos)

Interessante: "Vai investigar se foi a Turistrela"?!

Em Andorra...

... Há quem ache que Tanta nieve artificial podría tener consecuencias en el medioambiente.

Porque é que a produção artificial de neve pode ter consequências no meio ambiente?

  • Para fazer funcionar os canhões de neve é precisa energia. Muita, muita energia. A energia é produzida (em Portugal, pelo menos) principalmente por combustão de combustíveis fósseis. Deste modo, a produção artificial de neve contribui para as emissões de gases de efeito de estufa, contribui para o aquecimento global.
  • Para produzir neve é precisa água. Muita, muita água. Esvaziam-se lagoas de montanha e secam-se ribeiros para encher encostas de neve. Na Serra da Estrela, a água para a produção de neve vem da pequena lagoa nas proximidades do cruzamento da Torre. Em circunstâncias normais, essa água escorre para o Zêzere. A que é usada para a produção de neve, é canalizada para a encosta da estância e vai escorrer para o outro lado da Serra, ou seja, para o Mondego. Mas, se a estância for ampliada, não custa nada imaginar uma situação em que a água desta pequena lagoa deixe de ser suficiente. Será então necessário bombear água das lagoas do Covão do Quelhas. Mais motores e canalizações na Serra, mais gastos escusados de energia.
  • Para produzir neve são necessários núcleos de condensação. A água usada para fabricar neve é misturada com ar fortemente comprimido e projectada num jacto pelas bocas dos canhões de neve. A expansão súbita do ar arrefece a mistura (chama-se a isto uma expansão adiabática) e pulveriza a água em finas gotinhas, transformando o jacto num "spray". Mas o arrefecimento não chega para produzir cristais de neve. É ainda necessária a presença de pequenas partículas em suspensão (foligens, poeiras, outros cristais de gelo), os chamados núcleos de condensação, que devem ser misturados na água para que se forme a neve no jato produzido pelos canhões. Como núcleos de condensação é conveniente usar substâncias quimicamente inertes(1). Frequentemente são usadas bactérias mortas e não patogénicas como a Pseudomonas syringae. Por muito inocentes que estas bactérias sejam, o aumento das concentrações de matéria orgânica (mesmo que constituída apenas por bactérias mortas) nos ribeiros de montanha não parece uma coisa muito boa, pois não?

Pode haver (haverá, concerteza) outros aspectos a considerar nesta questão, que não me vêm agora à mente. Seria tolo se pretendesse que este post alinhavado à pressa é um estudo aprofundado do tema.
Concluindo, a produção de neve artificial tem impactos ambientais? Sem dúvida. Serão graves ao nível local? Não sei, talvez não. Já foram estudados esses impactos aqui na Serra da Estrela? Sei de pelo menos um "quase-estudo", mas tenho muitas dúvidas sobre a sua profundidade e sobre a capacidade científica de quem o levou a cabo. Refiro-me àquele que permitiu a Jorge Patrão, presidente da Região de Turismo da Serra da Estrela, afirmar categoricamente que os investimentos na estância não terão impactos ambientais ou, se os tiverem, serão positivos (veja aqui esta profunda declaração de impacto ambiental).

(1) Mas é sabido que substâncias consideradas quimicamente inertes (ou quase) podem ter efeitos nocivos sobre o ambiente. O exemplo mais gritante é talvez o dos CFC's, usados nos sprays e nos fluidos térmicos dos refrigeradores, e que são considerados responsáveis pela rarefacção do ozono estratosférico que nos protege da radiação ultravioleta solar.
Mais informação pode ser obtida no site da organização Mountain Wilderness.

domingo, janeiro 14, 2007

Já lá vão 45 dias...

... De esqui na estância Vodafone nesta temporada! A Serra da Estrela continua assim a afirmar-se como destino de eleição para os amantes dos desportos de neve!

P.S. No público de sexta feira dia 12 de Janeiro, na página 23, aparece um artigo sobre as consequências do aquecimento nas estâncias de esqui da Europa e da América do Norte. Dizem-nos nesse artigo que "a estação de Blue Mountain, a maior a norte de Toronto, já encerrou duas vezes esta temporada." Coitados deles, ainda bem que não estamos na sua desesperada situação!

A grande âncora da neve

Ontem (sábado 13 de Janeiro) de manhã abri a página da Turistrela para ver quais eram as condições da estância. Eis o que dizia a página: Pois, nada de novo. Têm aberta uma pistinha cujo comprimento não tenho a certeza que chegue aos 100m. Estão assim desde o início da época, com a excepção da semana do natal em que conseguiram abrir uma outra pista. O mapa da estância, tal como ela tem estado a funcionar esta época, resume-se ao traço vermelho da figura que mostrei aqui.
Agora, interessante, interessante é a indicação da profundidade da neve. Dois centímetros?! Não admira que esteja dura. Deve estar tão dura como as rochas que se encontram por baixo!
Mas chega de internet. Ontem à tarde fui escalar para a Placa da Francelha, ou seja, passei perto da estância, por volta das 14:30. Eis uma fotografia desta estrutura importantíssima para o desenvolvimento do país, como lhe chama Jorge Patrão (presidente da Região de Turismo da Serra da Estrela): Quer apreciar a qualidade da neve de 2 cm? Pois bem, aprecie: Nada mau como manto branco, hem?
E tal, musiquinha ambiente, e tal, gente a esquiar na pista de aprendizagem e bicha de dez pessoas no teleski, e tal, tractores com reboques cheios de neve recolhida sei lá onde e que ali era depositada, e tal, o lixo do costume por ali espalhado, e tal, até, snowboarders em sessão fotográfica numa área com seis metros de comprimento e terminando num montinho de neve ali ajuntado (para saltos), gritando "yo!" e "radical!" uns para os outros, cheios de estilo e roupas de marca.
E diz-me o meu colega de cordada: "Incrível, mesmo, é que haja quem pague para isto! Somos mesmo um país de parvoetas!".
Pois somos.

Nota 1: este ano é um ano especialmente quente, já o sabemos. O próximo ano pode muito bem ser muito melhor que este. Pode até começar a nevar amanhã e não parar até Março. Mas a verdade é que, fora certos dias especiais de certos invernos especiais, a neve na estância vodafone derrete durante a tarde e congela durante a noite. Assim sendo, é dura como vidro até meio da manhã (questão que é parcialmente resolvida pela passagem dos ratracks logo pela manhãzinha) e mole como papa o resto do dia. Neve pó na Serra da Estrela é muito, muito rara.
Seja como for, a verdade é que a tendência do aquecimento global deixa poucas dúvidas sobre a viabilidade do esqui na Serra da Estrela. Talvez pudesse concordar com a manutenção da estância de esqui, desde que (1) ela se mantivesse na área que agora ocupa; (2) fossem seriamente estudados os impactos ambientais do seu funcionamento e implementadas medidas que os mitigassem, e isto independentemente de quaisquer obras que a Turistrela lá queira realizar; (3) que tudo isto se fizesse com verbas do investidor e não dos nossos impostos. Se é para deitar dinheiro fora apoiando actividades tão previsivelmente moribundas, preferia que que o estado apoiasse, por exemplo, pequenas e médias empresas de lanifícios que ainda subsistem na região. Mas bom, mesmo, era ver o estado a apoiar actividades com futuro, como as relacionadas com o turismo de natureza.
Nota 2: No site da Turistrela podemos ainda ver que a telecadeira da Torre se encontra em funcionamento. Desengane-se, caro esquiador ou snowboarder. A telecadeira está em funcionamento, sim, mas a neve não chega até lá. Está aberta apenas para as voltinhas dos "tristres", não é para si enquanto utilizador da estância.

sábado, janeiro 06, 2007

A estância Vodafone,...

... Como ela tem sido durante quase toda a época 2006/2007.

Obrigado, Cova Juliana, pela eloquente imagem.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Afinal a Neve não Cai...,Brota

Pois é, aparentemente, na nossa estanciazinha de esqui da Serra da Estrela, a neve não cai...ela brota!!Só pode...se não vejamos:
  • no dia 30 de Dezembro, como já aqui disse, a estância tinha apenas 1 pista a funcionar (a mais pequena - cerca de 100 metros) e apresentava a altura astronómica de 10 cm (nem sei como conseguem medir isto?!);
  • no dia 2 de Janeiro de 2007, a estância não tinha nenhuma pista ou teleski a funcionar (ver imagem em cima) e tinha uma altura máxima de neve de 4 cm!!
  • hoje, dia 5, como podemos ver na figura em baixo temos novamente a pista de cerca de 100 metros aberta e uma altura máxima de neve de 15 cm!!

Como será que se conseguiu a proeza de ganhar 10cm de neve em 3 dias?

Ora, desde dia 30 não nevou "do céu", a neve fora das pistas era inexistente (por isso já nem a táctica da "importação" de neve funcionava) e os canhões não podiam produzir neve devido às altas temperaturas! Mas agora o leitor diz: "livra!!Altas temperaturas?!?Aqui em Manteigas (ou Lisboa ou Covilhã) tem estado um frio de rachar à noite homem!!" Tem toda a razão, mas este frio faz-se sentir mais intensamente nos vales devido ao acumular do ar frio e "mais pesado" que desce da montanha, permitindo assim a "entrada de ar mais quente em altitude. A isto chama-se o fenómeno de "inversão térmica". E o que quero eu dizer com estas balelas todas?!Quero dizer que não tem havido condições para se criar neve artificial na estancia Vodafone 2000 da Serra da Estrela recorrendo aos canhões!

Então donde vem a nova neve?Sei lá!Talvez brote da terra? O que lhe parece caro leitor? Ou talvez a Turistrela, com o patrocíonio da Vodafone, tenha pago a um alquimista para fazer neve quente...
uhm...nãããã... o mais provável é que tenham reduzido a pista a metade e usaram a neve da 2ª metade para cobrir a da primeira!
Seja qual for a hipótese, o preocupante é que estes senhores continuam a divulgar a estância como se ela estivesse no seu funcionamento normal! Não há um único aviso na página a dizer que a estância está de facto fechada! Continuam a vender pacotes de alojamento de 3 ou 5 dias onde, por mais um valor "x", se tem direito a 3 ou 5 dias de passe (vulgo, forfait) para utilizar os teleskis!!

Será isto ilegal?Será publicidade enganosa? Talvez não seja nenhuma destas mas que demonstra o carácter desta empresa demonstra!O importante é deixarem cá o dinheiro e fazerem número para as estatísticas, NÃO É?

Nota: as imagens apresentadas neste texto foram retiradas da página da Turistrela
Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!