Domingo, Abril 28, 2013

Biodiversidade da serra da Estrela


  

Um site onde procurar observações de espécies animais ou vegetais na serra da Estrela, e onde registar as suas: www.geobserver.org. Ajudemos a conhecer o que há na serra e o que vale a pena proteger.

Segunda-feira, Abril 01, 2013

I'm running in the rain...

Fotografia tirada hoje à tarde, na colina sobre a Covilhã

... What a glorious feeling, I'm happy again...

Quinta-feira, Março 28, 2013

Novo número da Zimbro

A ASE fez sair um novo número da sua revista Zimbro. Clique na figura para fazer o download.

Boas leituras!

Sexta-feira, Março 22, 2013

Números por esclarecer

Carta de um leitor ao Jornal do Fundão de 14 de Março de 2013, sobre os "argumentos" com que o presidente da Câmara da Covilhã acha que convence os seus munícipes da indispensabilidade de uma barragem:
(Clique para tornar legível)

Se mais pessoas (incluindo especialmente os jornalistas, por ser essa a sua função) se dessem ao trabalho de exercícios de análise e crítica como este, talvez fossemos melhor governados. Isto porque nos habituaríamos a exigir dos pretendentes a líderes muito mais do que a arrogante e auto-convencida mediocridade orgulhosamente exibida pelos que temos tido.

Quinta-feira, Janeiro 31, 2013

Boas práticas na observação de fauna

Todas as actividades em ambientes naturais têm impactos sobre o meio. Umas mais (e outras muito mais), outras menos, mas todas os têm. Por isso, é importante tentar sempre minimizá-los. Nessa medida, elementos da ASE, do CISE e do CERVAS redigiram este folheto sobre boas práticas a ter na observação de fauna.
(Clique na imagem para transferir.)

Boa leitura e boas observações!

Quarta-feira, Janeiro 30, 2013

Quem tramou o ASEstrela?

O acampamento invernal de montanha no Covão d'Ametade realiza-se sem interrupções há trinta anos. Nos primeiros 25 anos, com o nome de "Nevestrela", foi organizado pelo Clube de Montanhismo da Guarda e pela ASE em parceria. Nos últimos cinco, o CMG preferiu não participar na organização, pelo que o evento passou a chamar-se "ASEstrela". Nos últimos anos (aqueles em que estive mais proximamente envolvido) participaram, sempre, mais do que cem montanhistas. Este ano não se vai realizar porque o pedido para a cedência do Covão d'Ametade não teve resposta.

Instituições públicas concedem a uma empresa modernaça qualquer a gestão de um bem público, e deixam a coisa em roda livre, pelos vistos. O resultado é este. Ia para dizer que são modernices mas, na verdade, não o são: não é exactamente isto o que temos feito com a Turistrela nos últimos 40 anos?

Sexta-feira, Janeiro 18, 2013

Todo o sul do país?!

O presidente da junta de freguesia de Cortes do Meio, a propósito da estrada que ele há anos anda a dizer que quer asfaltar entre a sede da freguesia e as portas dos Hermínios, afirmou à Rádio Cova da Beira (mas fiquei a saber disto pelo blog Cortes do Meio) que

"eu acredito que esta estrada será uma máquina de progresso na freguesia porque levará todo o sul do país a entrar na Serra por aqui o que obrigará a criar lojas de artesanato, restaurantes, unidades de turismo em espaço rural, não descurando a nossa paisagem e gastronomia"

Abri o google maps e calculei o trajecto entre o nó da autoestrada Covilhã Sul e as Penhas da Saúde, pelo percurso hoje habitual (que atravessa a Covilhã) e por aquele que, nas palavras do senhor presidente da junta de freguesia, vai ser preferido por "todo o sul do país". Apresento-os abaixo, respectivamente à esquerda e à direita (clique nas imagens para as ampliar).

O trajecto do senhor presidente da junta de freguesia é mais longo que o que actualmente se usa em cerca de 8 km. Os caminhos ainda não estão asfaltados, mas suspeito que se gastarão mais uns dez a quinze minutos pelas Cortes do Meio do que pela Covilhã. Por isso, ou "todo o sul do país" é muito estúpido, ou continuará a fazer a sua romariazinha à neve daqueles poucos fins de semana pela estrada da Covilhã e não pela do senhor presidente da junta de freguesia.

E repito a pergunta que faço sempre: a estrada de S. Bento, asfaltada já há uns seis anos entre a Portela do Arão e a Lagoa Comprida (do lado de Seia, portanto), foi uma máquina do progresso de Loriga? Levou todo o noroeste do país a entrar por ali? Obrigou a criar lojas de artesanato, restaurantes, unidades de turismo em espaço rural, não descurando a paisagem e gastronomia deles? Caramba, se não aconteceu nada disso do lado de lá (e claramente não aconteceu!), de onde diabos virá a fé do senhor presidente da junta de freguesia em como acontecerá aqui?

Já tenho feito aqui comentários sobre esta estrada. Para os encontrar, introduza "Cortes do Meio" na caixinha de pesquisa que encontra no topo desta página, à esquerda, ou clique aqui.

Sábado, Janeiro 05, 2013

Manhã do dia 1 de Janeiro

Cova da Beira, vista da encosta sobre a Covilhã.

Sexta-feira, Dezembro 28, 2012

No "sapatinho" de quem?

Digitalizado da página 10 do Jornal do Fundão de 27 de Dezembro de 2012 (clique na imagem para a tornar legível).

Mais uma vez, o Jornal do Fundão oferece-nos um exemplo da fina arte do jornalismo, lavrada pela pena de Romão Vieira. O assunto é o quartel da GNR que o presidente da Câmara da Covilhã anunciou que pretende construir nas Penhas da Saúde.

Há tempos (há quatro anos), comentei aqui uma peça sobre este mesmo assunto, escrita por este mesmo jornalista, publicada por este mesmo jornal. Mas agora é que vai ser! E ainda bem que o Jornal do Fundão, sempre atento, pode dar a boa nova!

Que o quartel se construa nas Penhas não me incomoda por aí além, como pessoa que aprecia a serra e a sua paisagem. Ao fim e ao cabo, mais mamarracho, menos mamarracho, ali, já não destoa. Mas deixem-me colocar algumas perguntas de que o jornalista que redigiu a notícia (chamemos assim àquilo) parece não se ter lembrado:

  • O novo quartel das Penhas da Saúde (ou melhor: o quartel que nesta notícia é anunciado) vai ser maior e melhor que o Posto Territorial da Covilhã da GNR. Isto é razoável?
  • As Penhas da Saúde (onde, recordo, não viverão mais do que umas vinte pessoas) estão mais perto (se não em distância, pelo menos em tempo de viagem) do posto da GNR mais próximo do que muitas aldeias do concelho com centenas de habitantes. Dois exemplos, apenas: Verdelhos e Sobral de S. Miguel. Mas o presidente da Câmara da Covilhã acha que é nas Penhas da Saúde que o novo quartel faz falta. Isto é razoável?
  • Se bem entendo a "notícia", o autor quer-nos convencer de que este quartel é uma aspiração da GNR. É possível que sim, que o seja, mas estranho: eu nunca ouvi ou li nada nesse sentido. Alguém me pode indicar intervenções públicas, por parte do comando da GNR ou das suas associações profissionais, referindo esta "velha e justa" aspiração? É só para ficarmos a saber de quem ao certo é o "sapatinho" que recebeu este anúncio.

Quinta-feira, Dezembro 27, 2012

Duas efemérides

Fim de tarde (de hoje) na encosta sobre a Covilhã.
Deixei passar duas datas importantes este mês de Dezembro:
Não gosto muito de caracterizar grupos, porque acho que cada pessoa é responsável pelas suas acções (e inacções), mais do que que o grupo a que pertence, e também porque sei que em todos os grupos há diferentes tipos de pessoas. Mesmo assim, não resisto a notar que seria bom que todas as "tribos" que partilham as montanhas demonstrassem preocupações com o espaço de que usufruem semelhantes às da dos montanhistas...

Quinta-feira, Dezembro 20, 2012

Revista Zimbro

A Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela lançou esta semana, após vários anos de interregno, um novo número da sua revista Zimbro. Parabéns à ASE, que uma coisa destas nunca é fácil, e muito menos com a qualidade gráfica que agora foi conseguida. Deixou-me com vontade de ler a próxima!

Eu colaborei com um artigo em que explico porque é que não concordo com os argumentos vulgarmente utilizados para atacar o Parque Natural da Serra da Estrela e que aproveito para apresentar as minhas críticas a essa instituição.

A revista é gratuita, pode fazer o download clicando na imagem que ilustra o post. Boa leitura!

Quarta-feira, Dezembro 05, 2012

Que grandes nabos!

No Público de domingo passado, li que a companhia das Lezírias vai inaugurar um "Espaço de Visitação e Observação de Aves", na Reserva Natural do Estuário do Tejo, com o qual espera atrair vinte e cinco a trinta mil visitantes por ano. Pode ler sobre este assunto aqui (não sei se a ligação é permanente).

Que grandes nabos! Mas eles têm a cabeça onde?! Mas quem é que eles pensam que quer ir ao estuário ver pássaros?! Que tivessem mas é falado com uma luminária das que há aqui pela serra, como o presidente da câmara da Covilhã ou o da de Gouveia, que eles explicavam tudo direitinho. Para atrair turistas (para desenvolver o turismo, portanto) o que é preciso, o que faz falta, mesmo, não é nem passarinhos, nem pedras, nem paisagem, nem ambiente... Nem natureza, em suma! O que é preciso, o que faz falta, mesmo, é estradas de alcatrão! Assim a modos que "caminhos naturais", como os que por cá se fazem elaborados "em diálogo com o Parque Natural da Serra da Estrela".

E proíbam de vez a observação das aves, pá! Se não até parece que não querem proteger o ambiente...

Segunda-feira, Dezembro 03, 2012

O costume: mais um "caminho natural"

Há algumas semanas, um amigo chamou-me a atenção para uma notícia, que depois vi referida em alguns blogs, segundo a qual o presidente da Câmara de Gouveia (Álvaro Amaro, do PSD) pretende asfaltar um caminho entre Folgosinho e o Covão da Ponte. A notícia pode ser lida, por exemplo, no blog dos Manteigas.

Alguns comentários.

  • A serra da Estrela, zona de montanha e território da maior área protegida do país, está em grande medida ausente dos roteiros de pedestrianismo, de turismo de ar livre, de contacto com a natureza que periodicamente vão sendo produzidos por publicações nacionais (ver constatações deste facto aqui, aqui ou aqui). Ou seja, não é ainda uma referência no que constitui o turismo de montanha em todo o mundo ocidental, nem sequer à escala do nosso país. Por isso, diria eu que se queremos desenvolver o turismo na serra da estrela o que deveríamos fazer era implementar trilhos pedestres e, na medida do possível, apoiar empresas que se dediquem a dinamizar as actividades relacionadas com o turismo de montanha. O presidente da Câmara de Gouveia entende que o que ainda falta na serra para desenvolver o turismo é asfalto. Quantos mais milhões de euros e quantas mais centenas de quilómetros de asfalto serão necessários para que se perceber que essa aposta vai continuar a dar os resultados que tem dado até aqui?
  • Com a crise, os titulares dos cargos políticos ganharam um certo pudor relativamente a anúncios grandiloquentes, porque sabemos que chegámos a este ponto em parte porque os políticos que nos têm governado (os que temos escolhido, note-se) gastaram o dinheiro que tínhamos e o que não tínhamos em obras de fraco ou nenhum retorno. O presidente da Câmara Municipal de Gouveia, pelos vistos, não ganhou pudor nenhum. Não, num dos países mais asfaltados e mais endividados da Europa, considera que o que ainda falta é exactamente gastar ainda mais dinheiro em ainda mais asfalto, agora para "desenvolver o turismo" em zonas onde o turismo vive principalmente de passeios a pé e de contacto com a natureza!
  • O que me mete mais impressão nestes discursos é que exactamente as mesmas palavras podem ser usadas para defender qualquer asfaltação. Se o que Álvaro Amaro diz é razoável, temos que arranjar dinheiro para asfaltar uma estrada pelo Vale da Candieira, outra para a Penha dos Abutres, outra entre a Torre e as Penhas Douradas, uma pela gargante de Loriga, um acesso directo à Torre partindo de Alvoco, acessos à Nave de Santo António partindo de Unhais da Serra e do Sarzedo. E ligações mais directas entre estes povoados e todos os outros. Se é razoável o que Álvaro Amaro diz, asfaltemos a serra toda! Para desenvolver o turismo!
  • «O projeto foi elaborado em “diálogo com o Parque Natural da Serra da Estrela”, por estar em causa “a preservação de pontos importantes” daquela área protegida.» Sim, e colaboraram com a definição de zonas de caça, deram e dão parecer favorável a estradas, barragens, parques eólicos, passeios todo-o-terreno, ampliações de estâncias de esqui, batidas ao javali, deposições de sal para derreter neve e tudo isso. O PNSE... Ainda bem que proíbem a escalada, porque de outro modo... De quê ao certo estariam eles a proteger a serra?

Adenda posterior: Um último comentário: este é um bom exemplo de como, para muitos autarcas, falar de turismo na serra da Estrela é, na verdade, falar de construção civil. Eu acho que as duas coisas não são bem o mesmo em lado nenhum e muito menos em zonas de montanha.

Sexta-feira, Novembro 23, 2012

Escalada e protecção ambiental em Espanha

Uma notícia que li na Desnivel al día (clique no texto para a ler na íntegra, mas a ligação pode não ser permmanente):
RESTRICCIÓN TEMPORAL EN LOS SECTORES CABRITO Y METECAÑA

Regulación a la escalada en Desplomilandia (El Chorro)

Tras meses de reuniones en la Delegación Provincial de Málaga y de trabajo de campo realizado por la AAEE (Asociación de Escaladores Andaluces) con los técnicos de Medio Ambiente, se llega a un acuerdo para la regulación en la zona de Desplomilandia (El Chorro). Queda prohibida la escalada en los sectores Tajo del Cabrito y Metecaña desde el 15 de enero hasta el 31 de julio.

Ou seja, elementos de uma associação de escalada andaluza mantiveram, durante meses, reuniões (numa delegação do governo autónomo da Andaluzia) e trabalhos de campo com técnicos de uma agência de protecção ambiental para definirem um regulamento que compatibilizasse a prática de escalada com a salvaguarda dos valores ambientais numa determinada falésia. Chegou-se a um consenso, e proibiu-se a escalada durante o período de nidificação de uma dada espécie de ave, numa zona bem definida dessa falésia.
Vemos assim, mais uma vez, que em Espanha os serviços de protecção ambiental explicam que valores consideram ser ameaçados pela prática de escalada e acordam com os praticantes os regulamentos necessários para salvaguardar esses valores. Pelo que tenho podido ler, raramente se opta por uma proibição pura e simples da escalada.

Cá na Serra da Estrela, os serviços do Parque Natural proibiram a escalada, permanentemente, em todos os sítios onde ela tradicionalmente se pratica. Ninguém explica que valores concretos se considera serem ameaçados pela escalada, com ninguém foi discutido fosse o que fosse.
Assim se protege o ambiente serrano das taaaão impactantes práticas da escalada e do montanhismo, mas deixando-o exposto (seja por autorizações ou apenas por ignorância) a tudo o resto: asfaltações, construções, parques eólicos, pistas de esqui, barragens, cabos de alta tensão, zonas de caça, parques de estacionamento, deposição de sal nas estradas (que, juntamente com os plásticos dos turistas, escorre para algumas das paredes onde é proibida a escalada), minicidades e o que mais vier. Isto é que é protecção ambiental a sério!

Domingo, Novembro 04, 2012

Jornalismo de referência, decisões de referência

Leia-se esta notícia do Sol (o link pode não ser permanente), a que cheguei pelo blog dos MANTEIGAS. Cito textualmente o primeiro e último parágrafos:
"O aumento de javalis que actualmente se verifica na Serra da Estrela está a preocupar os agricultores locais, que temem a destruição das suas culturas."
[...]
"Apesar dos prejuízos provocados pelos porcos selvagens, não há estudos sobre o número de animais existentes. «O controlo das populações tem de ser um trabalho permanente», avisa o director-adjunto do Parque da Serra da Estrela."

O/A jornalista que escreveu o texto não se lembrou de perguntar como é que se sabe que há "aumento de javalis", já que "não há estudos sobre o número de animais existentes"? É que me parece que a autorização do PNSE à caçada deveria basear-se em dados concretos e objectivos, desses que resultam de estudos, e não da opinião "geral", principalmente se ela for aferida pela dos promotores da caçada.

Nada tenho contra as caçadas aos javalis. Apesar de "não haver estudos sobre o número de animais existentes", tenho a ideia de que não são uma espécie muito ameaçada. Mas isso sou eu. Esperava que os organismos oficiais (como o PNSE) tivessem mais critério, até para poderem justificar ao público as suas decisões. Esta de permitirem (e até promoverem, diz a notícia) a caçada, como aquela de proibirem a escalada.

Instantâneos de uma tarde à chuva

Ontem à tarde fui correr aqui na encosta sobre a Covilhã.
Era para ter sido uma corridita pequena, mas estava tão agradável, apesar da chuvinha e do nevoeiro (ou talvez por causa da chuvinha e do nevoeiro), que acabei por dar uma volta longa.
De vez em quando o nevoeiro levantava, por minutos...
E, já ao fim da tarde, o tempo melhorou e pude ver o azul do céu.
Não se nota nas fotografias o som da água a pingar nas (e das) folhas folhas ou a escorrer nos regatos. Não se percebe a dança das nuvens, que às vezes sobem dos vales para a seguir descer e vice-versa, formando turbilhões, fumarolas, colunas e muito mais. Também não vejo estas fotografias como vi as cenas que fotografei. Ontem estava muito mais desperto para as apreciar, após hora e meia de esforço e de ar livre. Em mais do que um aspecto, a paisagem somos nós.
Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!