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terça-feira, janeiro 29, 2008

A zona de jogo da Covilhã

A propósito da recente abertura de um casino em Chaves o presidente da Câmara Municipal da Covilhã voltou à carga com o seu projecto para uma zona de jogo na Covilhã.

Pessoalmente, nada tenho contra a abertura de um casino na Covilhã. Caso surja este investimento, farei votos de que seja um grande sucesso. Só não concordo, mesmo nada, é com a ideia de o instalar nas Penhas da Saúde.

Porquê nas Penhas da Saúde, onde não vive ninguém ou quase ninguém e onde a oferta hoteleira é reduzida? Esta localização obrigará os clientes e funcionários a viagens, por uma estrada sinuosa e inclinada que, em noites de mau tempo principalmente, apresenta alguma perigosidade.

Porquê nas Penhas da Saúde, se poderia desempenhar um papel importante na revitalização do centro urbano da Covilhã, houvesse para tal o arrojo que tão bem se tem evidenciado para estes projectos de urbanização da Serra?

A imagem de marca da Serra da Estrela inclui (por enquanto), a natureza, a paisagem, a rudeza do granito, os grandes espaços, grandes desafios. É sensato cultivar estes elementos simbólicos porque há segmentos do mercado turístico, muito importantes e em crescimento muito rápido, em Portugal e no resto da Europa, para os quais eles são extremamente vendáveis. A inevitável publicidade a este empreendimento não irá contribuir para a erosão da imagem da Serra da Estrela como espaço natural a um ritmo ainda mais acelerado? E isso não é considerado preocupante pelos responsáveis do turismo na nossa região?

Um casino não é (não pode ser) uma chafaricazinha. Não é o bingo da associação recreativa. Não é a "tenda do Adelino". Não é nunca uma construção discreta. Vejam-se os casinos da Póvoa, de Espinho, do Estoril, de Lisboa, de Monte Gordo, da Madeira, de Vilamoura, o Algarve Casino ou o agora inaugurado Casino de Chaves (dos existentes em Portugal falta apenas o da Figueira da Foz, porque dele não encontrei imagens numa busca apressada). Como é que uma coisa destas se pode enquadrar nas Penhas da Saúde? Como é que se pode sequer desejar enquadrar uma coisa destas nas Penhas da Saúde?!

Faça-se o casino, sim, mas onde um tal estabelecimento faça sentido: na cidade. Na Covilhã, por exemplo.

PS: Compreendo que seja do interesse da Turistrela, a empresa concessionária exclusiva do turismo e dos desportos na Serra da Estrela, a instalação do casino no seu espaço de exclusividade, a dois passos da maior das suas unidades hoteleiras. Não compreendo é que haja mais quem tenha a ganhar com essa localização. Não compreendo, em particular, porque é que ela é defendida pelo presidente da câmara, que não foi eleito propriamente para apoiar as pretensões daquela empresa. Finalmente, este assunto é mais um que me leva a defender o fim imediato deste anacronismo incompreensível que é a dita concessão exclusiva, em si mesma, independentemenete das qualidades e defeitos da empresa concessionária.

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!