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sexta-feira, agosto 20, 2010

Petição pela Rola Brava

Um grupo de pessoas que se identificam como caçadores lançou uma petição pública a dirigir aos órgãos que tutelam a caça (Autoridade Florestal Nacional, Ministério da Agricultura e Pescas, Ministério do Ambiente e Ministério da Administração Interna) sugerindo, entre outras medidas, que se interdite temporariamente a caça à Rola Brava por espaço de 4 a 5 anos, para que a população desta espécie cinegética, que aparentemente se encontra em forte regressão, possa recuperar.

Confesso que não sei nada sobre a rola brava, se está ou não em vias de extinção. Li há dias uma notícia sobre os protestos de ambientalistas relativamente ao que consideravam erros na definição da época da caça, que incluíam uma referência especial a esta espécie. Mas esta petição recorda-me uma passagem de um livro que li há algum tempo. É um exemplo de cuidados revelados pelos principais interessados numa dada actividade, para que ela se possa continuar a praticar pelas gerações vindouras. É o tipo de preocupações que considero falta a muita gente, infelizmente.

Eu, que me considero ambientalista e não sou caçador, tiro o chapéu a estes caçadores, que macacos me mordam se não são também, tanto ou mais do que eu, ambientalistas. Já assinei a petição.

domingo, junho 14, 2009

Petição pelo fim da caça na rede Natura 2000

A Fundação Trepadeira Azul iniciou uma petição pela proibição da caça nas áreas que integram a rede Natura 2000. Já a assinei.

A minha posição sobre a caça nas áreas protegidas é a de que ela pode ser pontual e excepcionalmente permitida, em alturas e locais a serem definidos pelos serviços responsáveis por essa área, com o único objectivo corrigir desequilíbrios ecológicos detectados e considerados graves. Estou a pensar em batidas ao javali a fim de controlar a sua população, na ausência de predadores de topo (lobos) que o consigam fazer. Aquilo que esta petição propõe não é exactamente o que eu defendo, mas a discussão que se pode gerar se ela der frutos poderá ser interessante e esclarecedora.

A Fundação, com sede em Aldeia Viçosa (Guarda), mantém um programa de actividades bem interessante e um blogue que recomendo.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Respeito e responsabilidade

Escalando nas falésias selvagens do Douro Internacional. (Fotografia do rppd.)

Eis o cuidado que os amigos do Rocha Podre e Pedra Dura demonstram quando escalam em zonas selvagens, por exemplo, nas falésias do Douro Internacional

[...] um local também sensível, com uma ecologia única que convêm preservar. Mais uma vez, ali está a época de nidificação de aves que se deve respeitar (não escalando, de Janeiro a Agosto) [...]

Note-se que não há nenhuma lei ou organismo que proíba a escalada na altura referida. São os próprios que escolhem não o fazer, porque respeitam o ambiente onde praticam a sua modalidade favorita e porque assumem as suas responsabilidades na protecção desse ambiente.

Não pretendo generalizar, sei bem que há muitos escaladores que não se pautam por estes níveis de exigência. E também sei que há caçadores, praticantes de todo-o-terreno, piqueniqueiros, BTTistas, esquiadores, etc, igualmente conscienciosos. Os bons exemplos existem, em todas as modalidades (mas, tenho que dizer, numas mais do que noutras). E é porque existem bons exemplos, que os maus exemplos, que também os há em todas as modalidades, são tão desprezíveis. Em que categoria nos preferimos classificar?

Mas (deixem-me agora puxar a brasa à minha sardinha montanheira) há um aspecto das actividades do pessoal do rppd que quero realçar. É que se vê a montanha como um palco para a auto-superação. Em vez de se "ajeitar" a montanha, facilitando o acesso a ela com estradas, telecabines, restaurantes, bares e hotéis, diminuindo-a assim às nossas limitadas forças e aspirações, tenta-se crescer e ultrapassar essas limitações, até se estar à altura dos desafios que uma montanha a sério nos coloca.
Quem da Serra pouco quer, pouco leva; por isso, quem à Serra quer chegar rápida e comodamente, nada chega verdadeiramente a ver ou a gozar. Não viveu a serra mais do que se tivesse ficado em casa pasmado num documentário televisivo. Era disto, suponho, que Miguel Torga falava quando disse

"A Estrela, essa, guarda secretamente os ímpetos, reflectindo-se ensimesmada e discreta no espelho das suas lagoas. Somente a quem a passeia, a quem a namora duma paixão presente e esforçada, abre o coração e os tesouros. Então, numa generosidade milionária, mostra tudo".

quinta-feira, outubro 11, 2007

A quem servir a carapuça...

Cartuchos vazios, fotografados perto do Alto dos Livros, Covilhã.

Já que têm mesmo que caçar no interior de uma área (que devia ser) protegida, podiam ao menos fazer o favor de não deixar ficar o vosso lixo? Obrigado.

Também aqui, apanhando a cumeada do Alto dos Livros, foi definida uma zona de caça, uns dois quilómetros a sudoeste da que referi aqui. Acho bem, não são convenientes espaços "por ordenar", pois não?

segunda-feira, setembro 03, 2007

Extremismo ambientalista ou ordenação? Ordenação ou balda bem-intencionada?

Numa das entradas da Mata Nacional do Buçaco, encontrei esta tabuleta: Aqui se lê, por declaração papal datada de 22 de Março de 1643, que
"Proibimos sob pena de EXCOMUNHÃO ipso facto incorrenda, que daqui em diante nenhuma pessoa de qualquer autoridade que seja, se atreva sem licença expressa do Prior, que ao tempo for do dito Convento, a entrar na clausura dele para efeito de cortar árvores de qualquer casta que seja ou fazer outro dano."

A pena de excomunhão será (não sou nada entendido nesses assuntos) a mais grave que uma autoridade eclesiástica pode aplicar e, na altura (séc. XVII), seria porventura, para o comum dos mortais, tão dissuasora como a pena máxima secular, a pena de morte. Assim, este anúncio mostrava claramente que se pretendia proteger as árvores do mata do convento. O sinal, bem nítido, era: atenção, oh passante: aqui *não* se pode cortar árvores. É um sinal de extremismo ambientalista, ou um de ordenação séria e empenhada?

E a tabuleta ilustrada abaixo, que referi há dias? Dá algum sinal de restrições ambientais, tímidas que sejam, que até se poderiam quase sub-entender por se tratar de uma área (não urbanizada, nem contígua a espaços urbanizados) do Parque Natural da Serra da Estrela?

Em trezentos e cinquenta anos, fizemos progressos nos regulamentos para a desprotecção ambiental, diria eu. Boas intenções, em abstracto, não nos faltam, é certo. Mas nada que nos safasse das penas do inferno, no século dezassete...

sexta-feira, agosto 31, 2007

Respeito e responsabilidade

Por falar em caça no Parque Natural da Serra da Estrela, um excerto do livro "Tuaregue" de Aberto Vázquez-Figueroa, dá-nos que pensar. A personagem principal é uma espécie de D. Quixote dos tuaregues, o povo nómada que durante séculos controlou as rotas comerciais através do Sahara. A páginas tantas Gacel Sayah, O Caçador (tais são o nome e o cognome da personagem) avista um bando de antílopes, e a necessidade leva-o a caçar um. Depois de se colocar convenientemente e de carregar a espingarda, prepara-se para escolher o seu alvo, ocorrendo-lhe o seguinte pensamento:
"Quando abates um macho, outro mais jovem ocupará imediatamente o seu posto e cubrirá as fêmeas — ensinara-lhe o seu pai. — Quando matas uma fêmea, estás a matar também os seus filhos e os filhos dos seus filhos, que deveriam alimentar os teus filhos e os filhos dos teus filhos."
(pág. 45)

Reconheço que Gacel Sayah não passa de uma personagem de ficção. É fácil a nobreza quando não se é senão o resultado das divagações literário-moralistas de escritores bem intencionados. Mas também é verdade que de muitas personagens veneráveis, históricas ou não, sabemos muito mais pela ficção (mesmo que antiga) do que por registos históricos fiáveis. É por esses registos para-ficcionais, muitas vezes incertos, muitas vezes escritos muito posteriormente à época em que essas personagens supostamente viveram, que as veneramos. Dois exemplos, um histórico, o outro nem tanto: Viriato e Robin dos Bosques. Onde quero chegar é que não é por uma personagem ser de ficção ou semi-ficcionada que o seu exemplo perde o valor.

E qual é o valor do exemplo de Gacel Sayah? Que um indivíduo, mesmo quando age movido pela necessidade, pode e deve impor a si mesmo regras de conduta que lhe permitam minimizar os impactos negativos da sua acção. Não é uma lei do estado (de um estado que ele, Gacel, nem sequer [re]conhece, diga-se), não é a vigilância policial, não é qualquer pressão externa o que obriga Gacel a agir correctamente. É o respeito que tem pelo deserto, pelas gerações vindouras e por si mesmo, e a consciência viva de ser o único responsável pelas consequências das suas acções. É a sua Honra(1), em suma.

É claro que vem a propósito confrontar este cuidado com o terrorismo furtivista, ou com o incrível das alegações de caçadores que se mostram contrariados por se protegerem certos carnívoros (raposas, por exemplo), por serem concorrência e fazerem escassear as espécies cinegéticas. É claro que vem à mente a canção de José Afonso "Eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada", agora num contexto muito mais literal do que o que era intenção do cantor.

Faço um apelo. Apesar de a lei, pelos vistos, o permitir, ninguém é obrigado a caçar em lugares que, supostamente, deviam ser abrigo para as espécies selvagens. Cada caçador é responsável por cada tiro que dá, por cada animal que abate. O Governo, a Câmara da Covilhã, a Junta de Freguesia da Vila do Carvalho ou o Parque Natural da Serra da Estrela, terão uma responsabilidade indirecta, decerto, por não proibirem liminarmente a caça no interior do Parque. Mas o responsável directo e principal por cada animal que abater é você, caro amigo caçador.
Por favor, não cace no interior do Parque Natural da Serra da Estrela. Deixe algum refúgio à vida selvagem. Já que mais não seja, para que os seus filhos, e os filhos dos seus filhos, possam também caçar animais selvagens.

(1) Conceito que Rui Tavares magistralmente distinguiu, num artigo publicado esta semana no Público, da comparativamente desprezível honorabilidade a que se agarram certas personagens públicas com pouca ou muito duvidosa honra.

Nota posterior: esqueci-me de dizer que gostei muito deste livro de Aberto Vázquez-Figueroa, mesmo muito. Mesmo quando a personagem principal, que vai conquistando a nossa admiração página após página, nos desilude, por vezes miseravelmente.

Protegida de quê?

A caminho das Penhas da Saúde pela estrada, dei ontem com o sinal em baixo, na curva perto do Covão do Teixo. Foi colocada na segunda quinzena do mês de Agosto, quase aposto, porque não me lembro de a ter visto antes (mas pode ter-me escapado, claro).

Não percebo nada disto, mas suponho que este sinal indica que a zona do Covão do Teixo é uma zona onde a caça é permitida, condicionada pelos termos da lei que rege as zonas de caça municipal e pelos do Processo nº 4315 DGRF. Não faço ideia de quais sejam esses termos.

O sinal está afixado mais ou menos no local sinalizado com o triângulo circundado a vermelho, no mapa em baixo. A localidade no canto inferior direito é a Covilhã, o casario no canto superior esquerdo é as Penhas da Saúde. A linha rosa é (mais ou menos) a fronteira do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE).

Esta zona de caça municipal está, portanto, bem dentro do território do PNSE.

Outra zona de caça bem dentro do PNSE é uma perto do Alto de S. Lourenço, no Concelho de Manteigas. Decerto haverá outras de que não tenho conhecimento. Isto, já para não falar das zonas de caça nas fronteiras do parque. Ou do furtivismo.

Zonas de caça, urbanizações, aldeamentos, estâncias de esqui em permanente ampliação (mesmo sem neve), estradas mais ou menos verdes, Voltas a Portugal em bicicleta, acesso rodoviário desordenado e sem restrições, parques eólicos, barragens... O PNSE é, de acordo com algumas leis, a maior área protegida nacional. Mas, na realidade, é protegida de quê, ao certo?

A crítica que obviamente está implícita na questão com que acabei este post não a quero dirigir apenas à direcção do PNSE. É dirigida a todos nós.

terça-feira, dezembro 12, 2006

A ADAG no Público

Foi ontem publicada pelo Público (suplemento Local Centro) uma notícia sobre a oposição da Associação Distrital de Agricultores da Guarda (ADAG, associação que integra a Plataforma para a Defesa da Serra da Estrela) e de outras organizações à abertura de uma Zona de Caça Municipal (ZCM) situada (pelo menos parcialmente) no interior do Parque Natural da Serra da Estrela. (Clique na imagem para a ampliar).
A portaria nº 1108/2006 de 17 de Outubro, que cria a dita ZCM, assinada pelo Ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional e pelo Ministro da Agricultora, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, fundamenta a decisão num parecer do Conselho Cinegético Municipal de Gouveia. Acontece que a ADAG pertence ao dito Conselho Cinegético Municipal e desmente que lhe tenha sido pedido qualquer parecer. Mais ainda, o dito Concelho nunca reuniu.
Bem vindo à Serra da Estrela, bem vindo à Twilight Zone!

Pode ler o texto integral do comunicado da ADAG aqui.

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!