sexta-feira, setembro 22, 2006

Parque de bungalows...

... De quinta categoria, apertado, com índices de ocupação do solo aberrantemente exagerados? Naaa... Moderna e atraente urbanização de montanha cumprindo rigorosos critérios arquitectónicos e ambientais, promovida pela Turistrela e aprovada pela Câmara da Covilhã, parte do esforço de ordenação urbanística com que se está a proceder à requalificação das Penhas da Saúde.

11 comentários:

Anónimo disse...

Na foto apresentada notar a grua em segundo plano, sinal inequívoco de arrependimento politico. A grua encontra-se a deslocar as ridiculas casinhas da sua posição claustrofóbica para dentro dos camiões contentores de forma a proceder à devida reciclagem, devolvendo assim os terrenos à Natureza... ou Naaa?!

Paulo Roxo

Pereira disse...

Ao ler estes textos uma pessoa fica verdadeiramente boquiaberto com o que se anda a fazer na Serra da Estrela.
Para quem nasceu nos anos 70 e já veio a conhecer a Serra num estado de evidente desfiguração (recordo a exasperação de não conseguir tirar uma foto de panorama evitando a cicatriz dos já na altura muitos estradões) é inacreditável o comichão que certas pessoas sentem porque uma Serra simplesmente não tem todas as comodidades dos seus bairros.
Como é que vou descrever à minha filha (hoje com 2 anos) como era a Serra na minha juventude sem que ela me oiça com os mesmos olhos de quem ouve uma qualquer fábula ou conto infantil de contornos imaginários e etéreos??
Pior ainda se pensar que quando ela tiver filhos nem o cenários do imaginário dos contos infantis restarão. Quiçá possa contar a "HISTÓRIA DA BRONCA DA NEVE E OS SETE ESTRADÕES"...

ljma disse...

Paulo Roxo, acho que a resposta à pergunta com que acabas o teu comentário é mesmo essa: naaa... É que, mesmo que se verificasse esse arrependimento, cá pela Serra da Estrela, como bem sabes, as casas ficariam abandonadas durante umas dezenas de anos, degradando-se. Por fim seriam demolidas, mas não todas, porque alguém importante (eles "andem" aí!) se lembraria de aproveitar uma das ruínas como hotel, piscina/sauna, observatório panorâmico, centro comercial, casino ou outra chinesice do género, prolongando-se a agonia da ruína durante mais umas dezenas de anos...

"A Bronca da Neve e os sete estradões"! Até rebolei a rir! Boa, boa! Pereira, a tua brincadeira vai ser promovida a artigo.

Obrigado pelos vossos comentários.

pedro n. t. santos disse...

Pelo menos na altura da "favela boliviana" vivia-se ainda a excitação da liberdade pós-revolucionária, "ambiente" e "ordenamento do território" eram conceitos, pelo menos por cá, ainda por inventar...agora 30 anos depois??? com o carimbo de aprovação das autoridades deste país? Com a suposta assinatura de arquitectos?? Voltando ao que aqui escrevi ontem, não que o Canadá o mereça...mas de facto, não se lhes pode comprar um bilhete de ida para lá??
Em 30 anos não evoluímos nada, irra!!!

Anónimo disse...

"Em 30 anos não evoluímos nada, irra!!! " Isso mesmo, não evoluimos. Por um lado por quem quer, pode e manda não deixou evoluir. Por outro, houve infelizmente gentinha que não quis nem soube evoluir.

Anónimo disse...

Mas não é o conceito de desenvolvimento que os representantes dos beirões sempre andaram a exigir????
-Não foi isso que sempre exigiram os patrões e pintos ?!
A malta não quer é viver à algarvia?!

ljma disse...

Sim, caro anónimo, tem toda a razão. É esse o conceito de desenvolvimento que os representantes dos beirões sempre andaram a exigir, foi isso que os patrões e pintos sempre exigiram, muita malta (talvez a maioria) quer viver à algarvia.
E depois? Se acho que isso é uma vergonha não posso dizê-lo? Se outros concordam comigo, não podemos, todos juntos, dizê-lo?! Não percebo onde quer chegar, caro anónimo. Pretende dizer que a culpa é de (ou, mais em geral, dos) beirões? Claro que é, nunca disse o contrário.
Vamos lá ver, directos ao assunto: o caro anónimo acha esta "algarviada" atraente, equilibrada, acha que é por aqui que se há-de ir ao encontro do desenvolvimento? Não tenha medo de dizer o que pensa, aqui no Cântaro os "representantes dos beirões", os "patrões e pintos", não são considerados infalíveis...
Obrigado pelo seu comentário, vá aparecendo.

Anónimo disse...

Enganou-se! Julgou precepitadamente...
Sou beirão, ainda que 'emigrado'!
Os visados do meu comentário são mesmo os representantes eleitos (alguém os foi escolhendo, é certo!)!
O paradigma de desenvolvimento é que está em causa; o mesmo que alentejanos reivindicaram para o litoral que estão a copiar dos vizinhos algarvios...e as imagens que tem mostrado não enganam!!

Anónimo disse...

---correcção ao post: "precipitadamente"

ljma disse...

Ah, de facto, parece que me precipitei. Pensei que me estava a criticar por me opôr à algarviada... Como sabe, há quem diga "se estás contra, candidata-te e ganha as eleições", como se a democracia se vivesse apenas nas eleições... Daí o tom polemizante do meu comentário anterior, caro anónimo. Mas volto a dizer: acho que a culpa destas algarviadas também é nossa (beirões ou não) por não respondermos quando os representantes dizem o que dizem, por permitirmos que façam o que fazem... E há mesmo muita gente que quer viver "à algarvia", gaita!
Bem, corrigimos um mal entendido. Volto a dizer, tão francamente como o disse antes, Obrigado pelo seu comentário, vá aparecendo.

Nelson Ferreira disse...

meus caros bloggers,
é a primeira vez que estou a postar mas ao deparar-me com tal artigo e tais comentários n resisti a dar a minha opinião!

Acho este artigo fenomenal pq assenta nas questões principais que os nossos avalistas, arquitectos, autarcas e afins não vêem... e a grande maioria nem querem ver!

Habituámo-nos à construção em massa, seja qual for o fim! Vemos isso em todo o lado, num Algarve, numa Costa da Caparica, num Castelo Branco, infelizmente até já numa Serra da Estrela! Esta globalização, mais tarde, vai reflectir num ainda maior atraso em relação ao resto da Europa.

Estudo Arquitectura, estou no 4º ano, e posso dizer que os nossos estudos tendem cada vez mais para essa observação. O entendimento de um todo urbano, ecológico abrangido por um bom senso global.
A cadeira de urbanismo é cada vez mais importante por isso mesmo, mas mesmo assim essa sensibilidade não está facil de se enraizar.

Sem me querer estender muito quero só dizer que as nossas capitais são um autêntico esquiço dessa massificação Vs senso. Lisboa e Porto são duas cidades, diga-se de passagem, LINDAS. Centros mt bons, onde emerge a essência de cidade, a nossa essência, cultura, e claro, bem estar. Á medida que caminhamos para as periferias....... por favor! Tudo se desmorona por edifícios impensáveis e sistemas q só nos dá vontade é de andar de metro para nem ver nada!

Tenho só que sublinhar ainda que "a democracia não vive das eleições" mas são elas que a destroem, são elas que promovem a sua censura e a indiferença à mesma!

Enfim... há que ter fé nos nossos novos glóbulos de arquitectos. :)

Um abraço e foi um prazer comentar tal artigo.

Até mais!

PS - "HISTÓRIA DA BRONCA DA NEVE E OS SETE ESTRADÕES", meu caro... DEMAIS! Parabéns!

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!