quarta-feira, novembro 15, 2006

Acessibilidades?

Perto do Poço do Inferno (Manteigas)
O trilho (já não pedestre) de grande rota GR T3, perto do Poço do Inferno (Manteigas)
Eu e muitos procuramos na Serra o contacto com um ambiente o mais natural possível. É por isso que nos afastamos das estradas e das urbanizações, do lixo, do ruído, da confusão. Quanto mais estradas houver na Serra, mais longe teremos que ir procurar o sossego, procurar a comunhão com a natureza. Assim, as estradas (principalmente as de asfalto), as chamadas indispensáveis acessibilidades, tão fáceis e tão directas, dificultam-nos o acesso às coisas que procuramos na Serra.

Ou seja, estas acessibilidades dificultam, de facto, o nosso acesso à Serra.

3 comentários:

al cardoso disse...

Algumas estradas teram necessariamente que existir, o que seria bem dispensavel era construir outras para alem das existentes ou querer transforma-las em vias rapidas.
Escrevi ha varios anos uma entrada, que era para publicacao num jornal local e que por uma razao qualquer nunca foi publicada, nela ja eu escrevi "...para se admirar a serra nao sao necessarias estradas, que nos permitem grandes velocidades, pois aqui na "Serra" devemos andar moderadamente, nao so para nossa seguranca como para gozar-mos a "Estrela" na sua magnitude.
O ideal seria gozar-mo-la tal como o articulista, mas para isso e necessario muita forca de vontade e forca nas pernas, coisa que a mim ja me vai faltando (a forca).

Um abraco fornense.

ljma disse...

Olá, Al!
Claro que acessibilidades tem que haver! Eu estou de acordo que as povoações sejam servidas de bons acessos, mas ao vale, às suas capitais de concelho, não às "maravilhas da serra". A estrada para o Poço do Inferno, com que ilustro este artigo, por exemplo, não dá acesso a nenhuma aldeia, morre no meio da serra perto de um quilómetro (ou nem tanto) depois da cascata. O mesmo acontece com outra que, partindo desta, sobe para a Serra de Baixo. Simplesmente chegam a certo ponto e acabam. Servem para quê? Supostamente, para facilitar o acesso dos turistas, quando muitos o que gostariam era de fazer o caminho a pé, de bicicleta, a cavalo ou burro, caso o caminho se mantivesse mais natural, ou seja, mais estreito e por asfaltar! E pagariam por isso, como pagam no Gerês! E teriam que permanecer mais tempo na região (que estas coisas levam mais tempo do que a voltinha de carro), o que faria intensificar o negócio da restauração e da hotelaria. Portanto, no fundo, a questão é: queremos turismo, ou queremos asfalto?

al cardoso disse...

Tem toda a razao, muitas vezes ja me tenho perguntado a mim proprio, a mesma pergunta. Queremos asfalto ou turismo???

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!