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quarta-feira, agosto 03, 2011

Fatalidades e escolhas

Se há lixo na zona da Torre, isso não é uma fatalidade. Se o há é porque nós o quisemos no passado e continuamos a querer. Não fomos obrigados a aceitar os milhares de visitantes que pretendem escorregar em plásticos na neve, nalguns (felizmente poucos) fins de semana por ano. Não, nós incentivámos (e continuamos a incentivar) esse turismo construindo cada vez mais estradas, mais parques de estacionamento, abrindo centros comerciais, cafés, centros de interpretação, restaurantes, restaurando capelas e lançando concursos de ideias para todos os mamarrachos que se vão aguentando na Torre e que ainda não têm função.

Podíamos não ter construído nada na Torre, nem ter aberto a estrada N339 pelo maciço central. Alguém nos obrigou? Não, foi (e continua a ser) uma escolha nossa, e muitíssimo original, diga-se de passagem (que estradas asfaltadas passam pelos pontos mais altos da Gardunha, do Gerês, da Sierra de Gredos, dos Picos da Europa, da Sierra Nevada, dos Pirinéus, dos Alpes, das Scotish Highlands, do Monte Olimpo, etc, etc, etc, etc, etc?). As consequências dessa escolha são isso mesmo, não são uma fatalidade infeliz. São aquilo que nós escolhemos.

Agora que a coisa na Torre está como está, se quiséssemos, podíamos demolir os mamarrachos lá construídos (ou alguns deles, pelo menos), limpar o entulho todo e encerrar ao trânsito rodoviário os 800 m do acesso desde a N339 até à Torre (aqui não falo, portanto, de encerrar ao trânsito a estrada nacional, nem de impedir o acesso à estância de esqui, apenas de fechar aquele troçozito até à Torre). Ou então, podíamos limitar mais o número de viaturas que são autorizadas a subir, naqueles fins de semana caóticos. Mas não é isso que queremos, pois não? Pois bem, como não o é, temos aquilo que escolhemos: engarrafamentos, lixo e ruinas foleiras.

Podíamos ter um turismo com permanências mais longas, com mais bens e serviços a serem comprados pelos visitantes, melhor distribuído por todo o ano, como o que as outras montanhas da Europa oferecem. Mas não, temos nalgumas alturas do ano milhares de visitantes que chegam de manhã e partem à tarde, que não deixam na região senão lixo. Azar o nosso? Infortúnio? Fatalidade? Não. Temos o turismo que escolhemos. Em geral do que falamos quando falamos de turismo? Quase sempre, de novas estradas para as zonas altas da serra; outras vezes, de novos hotéis em altitude, de minicidades, de funiculares, de teleféricos de casinos, de piscinas-spa, de centros de estágio desportivos. Ou seja, quase sempre, quando falamos de turismo, falamos, na verdade, de construir, construir, construir. De encher a serra de entulho e de asfalto. E, quando chegamos a fazer alguma coisa, normalmente, é a dar expressão a esse discurso da construção. Muitas vezes, a coisa não chega a acabar-se, ou é imediatamente abandonada (veja-se o antigo teleférico Piornos-Torre ou a base da força aérea na Torre), restando apenas entulho. Degradamos assim a paisagem com estradas, com urbanizações, com teleféricos (ou com o que continua a restar das suas ruínas), com barragens, com parques eólicos... Mas que turismo é que esperamos desenvolver deste modo, senão o que temos tido? Dadas as escolhas que temos tomado, podemos mesmo espantar-nos por a serra da Estrela estar quase sempre ausente dos roteiros de turismo de natureza e turismo activo, desses que, por esta altura os jornais publicam nos seus suplementos de fim de semana?

Temos o que temos, não por fatalidade, não por azar, não por conjugação adversa de forças cósmicas. Temos o que temos, porque é o que temos que andámos a cultivar nas últimas dezenas de anos. Temos o que temos porque é o que quisemos, é o queremos. E, enquanto continuarmos a insistir no rumo que nos trouxe até aqui, continuaremos a braços com as suas consequências. Não, não se diga que é fatalidade, é antes opção. É, e tem sido nas últimas dezenas de anos, a nossa opção.

quarta-feira, julho 27, 2011

Abençoada estupidez!

Dois colchões, um fogão e alguns móveis abandonados recentemente no Alto dos Livros

No Domingo passado, regressando em bicicleta com os meus filhos à Covilhã, depois de um fim de semana nas Penhas da Saúde, dei, no Alto dos Livros (no extremo sul da crista da colina sobre a Covilhã) com o espectáculo que apresento na fotografia acima. Como passo com alguma regularidade neste local nas minhas corridas, sei que este lixo foi ali depositado há pouco tempo, não mais do que duas semanas.

Poderá dizer-se que se trata de um caso de falta de consciência cívica por parte de quem aqui deixou estes restos, mas eu acho que se trata de pura e simples estupidez. Com efeito, como melhor classificar a decisão de meter estes "monstros" (designação quase técnica dada a resíduos sólidos de grandes dimensões como estes) na caixa de uma camioneta, de conduzir a dita camioneta até perto do posto de vigia de incêndios sobre o sanatório, de percorrer em seguida três quilómetros por uma estrada de terra, nalguns pontos com declive apreciável e/ou com um piso muito irregular, abandonar o lixo e depois regressar? (Na imagem em baixo represento a vermelho a parte do trajecto na estrada de terra.)

A via da estupidez

Será isto mais prático, mais confortável, ou mais barato do que deixar estes monstros ao pé de um contentor de lixo, desses que há espalhados pela cidade? Ou que ir ao site da Águas da Covilhã (ou telefonar) e combinar com os serviços a recolha destes monstros?

Este é um exemplo de como gastar o mais possível (em dinheiro, tempo, e amortecedores) a criar um problema com resolução o mais cara possível. Comodismo, falta de civismo? Não. Simplesmente uma enorme estupidez, apenas isso.

sábado, novembro 06, 2010

Fitas, como sempre!

Numa corridinha pela colina que separa a Covilhã da Bouça, encontrei, como de costume, fitas de sinalização de plástico em vários sítios. Para as actividades dos praticantes de moto-4, dos de BTT, dos de parapente, de atletismo de montanha e até de alguns caminheiros e montanhistas essas fitas são consideradas indispensáveis*.

Estas fitas apresentam, desta vez, os logotipos Nissan, Vodafone, GeaPro e DHX Troféu 2008. As entidades designadas com estes logotipos estarão orgulhosas por se terem associado a lixo deixado na serra? É essa a imagem que querem cultivar? Elas lá saberão.

Com uma pesquisa na internet fico a saber que DXH é uma empresa que organiza o que parece ser um campeonato de BTT downhill e que GeaPro é uma empresa de actividades de ar livre. Nesta rápida pesquisa apareceu também a expressão Avalanche, designação de uma actividade de BTT organizada em colaboração com a Turistrela. A Nissan e a Vodafone dispensam apresentações.

O que incomoda nesta coisa das fitas é o facto de não ser necessário deixá-las ficar no final da actividade. Se ficam, se se transformam em lixo, é apenas por puro e simples desleixo dos organizadores. Podemos pois dizer: Vodafone, Nissan, GeaPro, DHX, Turistrela, nas vossas actividades na serra da Estrela, estão a ser desleixados. Isso é lá convosco. Mas a decisão de vos comprarmos os produtos, tal e qual como as fitas de plástico que o vosso desleixo abandona na serra, essas são connosco.

P.S. A "avalanche" deste ano merece-me ainda mais um comentário. Pelos vistos, os caminhos e picadas que existem nesta colina não foram considerados suficientemente "emocionantes", porque os organizadores abriram várias variantes, como a que se vê na imagem acima. Que isso se possa fazer no Parque Natural da Serra da Estrela, área protegida criada para preservar, entre outros valores, a paisagem, é coisa com que não concordo.
(*) Não percebo porquê: porque é que se considera inaceitável o risco de um bttista, motoqueiro ou atleta se perder quando se aceita como inerente à actividade o risco de queda, com maior probabilidade de ter consequências sérias para o praticante? A propósito desta questão é interessante comparar com a perspectiva escocesa: na Ben Nevis Race, a mais antiga corrida de atletismo de montanha do mundo, o percurso não está assinalado. Aceita-se o risco de que alguém se perca, desencorajando assim a participação de atletas impreparados. Que é como quem diz que a serra é bonita, mas não é para tótós. Ou seja, que é preciso aprender as coisas da serra para se estar à altura do que ela pode exigir de nós. Que é quase o mesmo que disse o Miguel Torga: "Somente a quem a passeia, a quem a namora duma paixão presente e esforçada, abre o coração e os tesouros. Então, numa generosidade milionária, mostra tudo". As fitas são indispensáveis? Sim, mas só para quem pretender, mesmo sem se aperceber disso, dizer as coisas erradas.

terça-feira, junho 09, 2009

Lixo no Covão d'Ametade (bis)

Há dias fiz aqui um comentário a mais uma situação de lixo espalhado no Covão d'Ametade. É justo agora dar também a informação que esse lixo foi todo removido e que o local que fotografei se encontra agora imaculadamente limpo, de acordo com o que me disse o meu comparsa TPais, que passou lá o fim de semana. É ainda mais justo voltar a este assunto porque o Diário XXI refere hoje, na secção "Na Internet", a denúncia que fizemos da situação.

Já agora, aproveito para mais alguns apontamentos. Vivemos neste planeta (e neste país), somos como somos. Não adianta nada sonhar com amanhãs gloriosos em que, fruto de campanhas de sensibilização, todos os visitantes da serra (e do Covão d'Ametade em particular) terão o cuidado de deixar os locais que visitam tão ou mais limpos do que os encontraram. Nem realisticamente podemos imaginar que conseguimos pagar vigilantes em número suficiente para reprimir, de forma significativa, os poluidores, até porque as verbas necessárias para tal seriam muito melhor gastas num sem número de outras necessidades.
Estas situações vão, pois, continuar a ocorrer. Com mais ou menos frequência, mas continuaremos no futuro, de vez em quando, a encontrar os nossos locais favoritos em estado lamentavelmente sujo. É então necessário definir um esquema de limpeza dos locais que aproveite o melhor possível os escassos meios (técnicos, humanos, financeiros) de que dispomos. E um esquema que obrigue ao esvaziamento diário de caixotes do lixo espalhados pelo recinto do Covão d'Ametade (ou pelo planalto da Torre) é, claramente, um que não conseguiremos manter ou, a conseguir mantê-lo, é um que constitui um desperdício muito discutível de recursos.
Não acredito que o problema do lixo na serra se resolva apenas com chamadas de atenção aos visitantes, mas não afirmo que essas chamadas de atenção sejam inúteis. Assim, e voltando ao Covão d'Ametade, sugiro que se aproveite um dos placards informativos que estão instalados na entrada (dois deles não apresentam ainda nenhuma informação) para apelar de forma enfática e bem visível ao civismo dos visitantes, pedindo-lhes explicitamente que tragam os seus lixos para os contentores colocados no parque de estacionamento.

quinta-feira, junho 04, 2009

Lixo no Covão d'Ametade

Fotografia tirada ontem (Quarta-Feira dia 3 de Junho), às 8:30 da manhã.

Há melhoramentos que fazem mais mal que bem.

Alguém (quem? Mistério...) decidiu que seria boa ideia equipar o Covão d'Ametade com caixotes do lixo abertos, como o que que se vê na imagem. Seria boa ideia, se os ditos caixotes fossem recolhidos *todas* as noites. Mas não são. Este lixo foi aqui deixado no Domingo ou antes disso (o TPais chamou-me a atenção para esta situação no Domingo à noite). Ainda cá continua. É que quem "trata" do lixo no Covão d'Ametade aparentemente não são os serviços municipalizados da Câmara de Manteigas, nem os da Junta de Freguesia de S. Pedro, nem os dos Baldios da mesma freguesia, nem os do Parque Natural da Serra da Estrela, são as raposas e os javalis que cirandam por ali. Com o resultado que fica à vista.

Então era melhor não haver caixotes do lixo no Covão d'Ametade? Sim. Porque à entrada, junto da estrada, num local particularmente prático e acessível aos camiões de recolha de lixo, há quatro (4) contentores dos grandes, e que a bicharada não consegue abrir. Nem todos os visitantes do Covão d'Ametade teriam a pachorra para trazer o seu lixo até à estrada, é verdade. Mas muitos, talvez quase todos, fariam-no. Assim como estamos, com aqueles caixotes tão à mão, lá mesmo ao pé do sítio onde se come, só mesmo os poucos que conhecem bem o sítio e a fauna que por ali ronda à noite é que sabem que usar esses caixotes tão práticos é o mesmo que deixar o lixo espalhado pelo relvão.

Assim, e como frequentemente se tem visto nos últimos meses, no Covão d'Ametade não há caixotes de lixo a menos, há sim caixotes de lixo a mais.

quarta-feira, março 18, 2009

Juro que não percebo...

Despejo de pneus perto da Pedra da Mesa, na colina sobre a Covilhã. Imagem roubada no blogue Cortes do Meio.

... O que leva uma pessoa a subir a serra e a meter o carro por caminhos esconsos só para despejar na berma uma carrada de pneus velhos, quando o poderia fazer muito mais comodamente, com menos gastos e com igual impunidade cá por baixo, mais perto das localidades.

É que ainda poupava muitas despesas e maçadas aos serviços que tiverem que limpar a porcaria.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Já em exposição...

Num certo ski resort perto de si:
Fotografia tirada hoje, cerca das 12:45, na entrada da estância de esqui Turistrela-Vodafone.

Dois comentários: (1) não, não são só os dos plásticos do sku que deixam lixo na serra; (2) enquanto as coisas forem como são nas redondezas dos sítios onde opera, uma certa empresa concessionária exclusiva do turismo e dos desportos na serra da Estrela há mais de trinta anos e por décadas ainda por vir não corre riscos rigorosamente nenhuns de vir a ganhar um Cristal de Gelo da ASE.

terça-feira, dezembro 30, 2008

Agora a sério, mesmo

Imagem roubada no blog Estrela no seu melhor.

Retomo a pergunta que deixei no final do post anterior: a que desgraçada instituição ou empresa pertence a desgraçada parolice do centro comercial da Torre? Alguém sabe?

Outras perguntas, na mesma linha: quem paga a luz daqueles edifícios? Quem paga o imposto municipal? Quem recebe as rendas dos comerciantes? Quem é o responsável pelas condições de segurança? Alguém entende que aquilo é útil? Alguém defende a existência do centro comercial, em função do turismo que temos e do que se considera desejável (que não é necessariamente o que no Cântaro Zangado consideramos desejável)? Há alguém satisfeito com aquilo? Há alguém a quem se possa solicitar melhorias naquilo ou até o encerramento daquilo?

Ou será que aquilo existe apenas, que aquilo simplesmente é, assim numa espécie de vazio administrativo, como que uma sombra de uma outra dimensão, sem que ninguém o tenha decidido, sem que ninguém o tenha desejado, sem que ninguém pague a água, a luz, os impostos, sem que ninguém seja responsável por nada daquilo?

Mistérios...

Há uma entidade que vai pagando algumas contas daquilo e colhendo desse esforço um montão de dores de cabeça: o Parque Natural da Serra da Estrela, que pagou as obras necessárias no edifício e os fantásticos esgotos a céu aberto, ou que estavam a céu aberto até há bem pouco tempo. Porque será o PNSE a ter estas chatices? Isto sim, é um mistério!

terça-feira, dezembro 23, 2008

A Turistrela é dona daquilo?

Excerto da pág. 10 do Diário XXI de 19/12/2008. Clique para aumentar.

No fundo da página 10 da edição de 19 de Dezembro de 2008 do Diário XXI encontra-se a caixa de texto que reproduzo acima (clique para aumentar). Nela aparece uma informação que, a ser verdadeira, é deveras interessante. Como um mero aparte casual, é dito que a Turistrela é a proprietária do centro comercial da Torre.

Que interesse é que essa informação tem? O seguite: o edificio sofreu obras para acolher os comerciantes, que antes disso montavam as suas vendas ao ar livre como nas feiras de rua. Quem pagou essas obras, tanto quanto sei, foi o Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE), vá-se lá perceber porquê. Ainda recentemente, no Verão, se ouviram queixas do mau funcionamento da estação de tratamento de esgotos que o PNSE instalou para servir o dito edifício. Agora dizem-nos que o centro comercial é da Turistrela. Eu já acho estranho que o PNSE gaste recursos nestes "melhoramentos" (acho que estes gastos são mais apropriados a outras instituições, como já disse aqui, aqui e aqui); mas que ainda por cima se trate de gastos em propriedade particular da Turistrela, isso parece-me absurdo, obsceno, até. Porquê? Bem, eu estou a precisar de umas obritas cá em casa. Posso também apresentar o orçamento ao PNSE?

Claro está que o "aparte casual" que motivou este post pode estar errado. Por falar nisso: a que desgraçada instituição ou empresa pertencerá, de facto, aquela deprimente vergonha?

terça-feira, maio 06, 2008

Uma boa notícia

Hoje de manhãzinha estive no Covão d'Ametade. Pude constatar que o lixo que por lá se encontrava espalhado, que foi referido pelo blog Estrela no seu melhor, já foi limpo.

Suponho que a triste situação, que se prolongou durante algumas semanas, se deveu à colocação no local de objectos que pareciam caixotes do lixo sem tampa (como o que aparece na fotografia abaixo, "roubada" do Estrela no seu melhor). As pessoas que fazem piqueniques no Covão d'Ametade colocavam aí os seus lixos, em vez de o fazerem nos contentores estacionados à entrada do local, junto à estrada. Como esses lixos não eram retirados, os animais selvagens (raposas, principalmente) espalhavam-nos, à procura de comida. Agora esses caixotes foram retirados e o Covão d'Ametade voltou a estar relativamente limpo.

A quem devemos agradecer este trabalho? À Câmara Municipal de Manteigas? Ao Parque Natural da Serra da Estrela? Não sei. Seja quem for, bem hajam!

terça-feira, novembro 20, 2007

A propósito do esgoto da Torre

Temo-nos queixado da existência de esgotos a céu aberto perto da Torre. É claro que se trata de uma situação lamentável. Mas porque é que esta vergonha acontece? Porque se tentou fazer um aproveitamento (igualmente vergonhoso, vejam-se alguns posts do Estrela no seu melhor) de um edifício da inútil (e, por isso, efémera) base da Força Aérea na Torre, como centro comercial. Um centro comercial no ponto mais alto de Portugal Continental! Ah, suprema parolice!

Quando os militares ganharam, vai já para mais de trinta e tal anos, a lucidez para reconhecer que aquilo não lhes servia para nada e por isso encerraram as instalações, devia-se ter tentado desfazer o que, se tivesse havido pontinha de juízo, nunca teria sido feito. Ou seja, aqueles horrorosos edifícios deviam ter vindo abaixo. Em vez disso, não. "Requalifica-se" e reaproveita-se, insiste-se na estupidez. Como resultado, ganhamos um patético supermercado de fancaria, um montão de encargos com as necessárias infraestruturas e, está-se a ver há já um ano, um rio de m**** monte abaixo. Quem é que pagou aqueles encargos, quem é que, por isso mesmo, apanha agora as culpas? O Parque Natural da Serra da Estrela, logo o organismo que não se percebe o que tem a ganhar com a existência do shopping da Torre!

Qualquer reaproveitamento dos edifícios existentes na Torre implica impactos ambientais, logo, enormes encargos. Todas as infraestruturas têm que ser construídas de raiz. Quer seja o PNSE a assumir esses encargos quer não, a realidade que vivemos agora mostra que não há garantias de que os sistemas venham a funcionar correctamente no futuro. A eventual (mas já proposta) instalação de hotéis ou restaurantes naqueles edifícios vai aumentar em muito a pressão sobre os esgotos, obrigando a mais obras. A preocupação com a viabilidade destes eventuais empreendimentos vai tornar ainda mais difícil a necessária e urgente ordenação (ou seja, limitação) do trânsito rodoviário.

Caramba, que vantagens há para a região no aproveitamento daqueles mamarrachos?!

O Estrela no seu melhor apresenta hoje uma link para uma reportagem que a SIC fez sobre o assunto do esgoto a céu aberto, onde apareço a fazer um breve comentário à situação.

quinta-feira, outubro 11, 2007

A quem servir a carapuça...

Cartuchos vazios, fotografados perto do Alto dos Livros, Covilhã.

Já que têm mesmo que caçar no interior de uma área (que devia ser) protegida, podiam ao menos fazer o favor de não deixar ficar o vosso lixo? Obrigado.

Também aqui, apanhando a cumeada do Alto dos Livros, foi definida uma zona de caça, uns dois quilómetros a sudoeste da que referi aqui. Acho bem, não são convenientes espaços "por ordenar", pois não?

segunda-feira, outubro 01, 2007

Para que servem todas estas limpezas?

Desde que o Cântaro Zangado começou, em Dezembro de 2005, já se organizaram, parece-me, sete operações de limpeza de lixo disperso na Serra da Estrela. Dessas sete, cinco (pelo menos) focaram-se na zona da Torre. Em cada uma destas operações foram recolhidas várias centenas de quilogramas de lixo.

Na semana passada, o CAAL e a ASE estiveram a limpar o Corredor do Inferno. Esta iniciativa foi talvez a que contou com mais participantes, tendo-se limitado à zona minúscula que assinalo na figura que ilustra este post. Recolheram-se duzentos sacos, encheu-se de lixo um camião e a caixa de uma carrinha pickup. Mesmo assim, e segundo me contou um participante, não foi possível limpar uma parte do corredor.

É óbvio que nem com uma operação por semana se consegue retirar todo o lixo deixado pelos turistas numa única época de Inverno. Ainda assim, estas operações são coisas boas, porque revelam a pouca vergonha em que a zona da Torre está transformada. E mostram a todos que não se pode ter sol na eira e chuva no nabal. As multidões de visitantes que Turistrela e Região de Turismo celebram (com números que são muito suspeitos, como mostrou no Inverno passado o responsável do maior grupo hoteleiro da região) e o lixo que fica na Torre são dois aspectos de uma mesma realidade. A um turismo cada vez mais massificado, corresponde, inevitavelmente, uma serra cada vez mais suja. Isto está certo? É isto que desejamos? É isto o desenvolvimento?

Estas iniciativas têm também mostrado um PNSE que, mesmo quando colabora, quase parece querer alhear-se delas. É pena.

quarta-feira, setembro 26, 2007

A A.S.E. e o C.A.A.L. na RTP

O programa Portugal em Directo da RTP transmitiu uma peça sobre a operação de limpeza do Corredor do Inferno. Para ver, clique aqui. A parte relevante começa aos dois minutos e meio.

terça-feira, setembro 25, 2007

Adenda

O José Veloso do CAAL fez-me chegar mais algumas imagens e informações sobre a limpeza do Corredor do Inferno do fim de semana passado. Para alem dos montanhistas envolvidos na limpeza do sector superior do corredor, outro grupo (cerca de cinquenta pessoas, os que não tiveram vontade de se meter pelo corredor acima) "entreteve-se" a recolher lixo no lado de baixo. Como não conseguiam fazer chegar os restos recolhidos até ao "elevador" montado perto do cimo do corredor, carregaram às costas tudo o que apanharam, pelo trilho que atravessa o Covão Cimeiro, até ao Covão d'Ametade. A imagem acima mostra uma porção do trilho, creio que ainda acima do Covão Cimeiro e parte do grupo, na descida, já carregados com os sacos.

O lixo recolhido por este grupo (que se acrescenta ao que mostrei no domingo) encheu a caixa de uma pickup da Junta de Freguesia de S. Pedro (Manteigas), como se mostra na foto abaixo.

Para além desta operação de limpeza, os participantes nesta iniciativa (em que se aproveitava para festejar o 22º aniversário do CAAL) passaram parte da tarde de sábado a recolher sementes de bétula, no Covão d'Ametade.

As palavras do próprio José Veloso:

[...] como não conseguimos retirar o lixo para a estrada, os heróicos homens, mulheres e crianças levaram os sacos, rodas completas do carro e até um para choques às costas pelo Covão Cimeiro até ao Covão d'Ametade. Com os trilhos quase impraticáveis, imagina o esforço dispendido! Mas no fim, antes da viagem para Lisboa, a alegria estava no rosto de todos e a certeza de que havemos de voltar era o clima geral.
Bem hajam!

Atenção: No próximo sábado, é a vez do Eco-Projecto da Serra da Estrela!

domingo, setembro 23, 2007

A limpeza do Corredor do Inferno

Como disse há dias, o Clube de Actividades de Ar Livre (CAAL) e a Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela (ASE) juntaram-se para proceder a uma recolha do lixo disperso no Corredor do Inferno. Os corredores do maciço central são as gargantas apertadas cavadas pela erosão que sobem dos covões inferiores para o alto da Serra. O mais famoso é talvez a Rua dos Mercadores, no flanco sul do Cântaro Magro.

Cerca das 15:00, os participantes tinham recolhido lixo na metade superior do corredor. Perto de 200 sacos, cheios, foram, com um sistema de cordas, içados para a estrada, onde ficaram a aguardar o transporte por um camião de lixo do Parque Natural da Serra da Estrela. Porquê a recolha apenas na metade superior? Porque tanto lixo foi aí encontrado que a capacidade da iniciativa se esgotou nesse sector. Pura e simplesmente, as mãos não chegam, o tempo não chega, os sacos não chegam. Sempre somos poucos, por mais que sejamos.

Não é fácil o movimento no interior de um corredor. No Inverno, com todas as irregularidades, blocos (estáveis ou instáveis) e fendas cobertos de neve ou gelo, apesar de ser grande a inclinação, ainda vá (desde que se disponha do equipamento apropriado, obviamente). Mas agora, com todos aqueles obstáculos expostos, é mesmo muito duro. E com sacos pesados às costas, então...

Não dei grande ajuda porque não me foi possível aparecer antes de almoço. Limitei-me a tirar estas fotos e, antes de regressar, ainda desci à boca do corredor, para apreciar o resultado. É o que se vê na imagem abaixo.

Se, como eu, o caro leitor não vê nesta fotografia, tirada a trinta metros do cruzamento para a Torre, nada de estranho, acredite: ao CAAL e à ASE o devemos. Bem hajam!

quinta-feira, setembro 20, 2007

Ainda mais uma operação de limpeza

Corredor do Inferno (fotografia de Dezembro de 2006)

O CAAL (em comemoração do seu 22º aniversário — Parabéns a vocês!) e a ASE promovem este Domingo dia 23 uma operação de limpeza do Corredor do Inferno (perto do Cântaro Magro, ao lado do Corredor da Ponte). Vai ser duro, porque o local é de difícil acesso e tem muito, muito lixo. Os organizadores propõem-se também retirar a carroçaria de um automóvel que há vários anos caiu da estrada para o precipício.

Outro objectivo desta actividade é a recolha de sementes de bétula, no Covão d'Ametade, para sementeira integrada no programa Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela.

O encontro está marcado para as 10:00, no Covão d'Ametade.

quarta-feira, agosto 29, 2007

Parabéns e bem hajam

O Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE) da Câmara Municipal de Seia reuniu perto de uma centena de voluntários na zona da Torre no dia 18 de Agosto, para uma operação de recolha de lixo disperso! Como resultado, foram recolhidos 920 kg de resíduos, entre sacos de plástico, latas de bebidas, pilhas, garrafas de vidro, restos de trenós, latas de tinta, cabos, ferros, pedaços de madeira e até um frigorífico. Mais informação disponível no Diário as Beiras.

Para que servem estas iniciativas? Para limpar, por pouco que seja; servem como veículos para a educação ambiental, obviamente; servem para chamar a atenção, como medidas mediáticas. Procura-se o protagonismo? Não, mas procurou-se (pelo menos no caso da 1ª caminhada pelo ambiente da Serra da Estrela) o mediatismo: com medidas como estas dá-se um (pequeno, admito) abanão nas consciências dos que nos visitam e que cá deixam o lixo. Mais importante ainda, gostava que os responsáveis pela gestão do turismo e da conservação da natureza da Serra da Estrela notassem com estas operações o urgente que é a definição de regras de ordenamento do acesso à zona da Torre.

O CISE é um organismo da Câmara Municipal de Seia. Pela sua criação, os parabéns no título deste post extendem-se também à autarquia senense. Perante a inexistência de organismos semelhantes nos restantes concelhos da região, o que se pode dizer?

quinta-feira, agosto 16, 2007

Os "Bastidores" da Volta na Torre

A RTP passou hoje (16/08/07) uma reportagem no programa "Portugal em Directo" sobre os impactos da passagem da Volta a Portugal pelo PNSE. Devo dizer que a organização da prova, representada por Joaquim Gomes (JG), não ficou muito bem na fotografia!
Dois dias depois da "etapa da Torre" todo o lixo produzido no âmbito deste evento ainda lá continuava! Desde garrafas de champanhe a publicidade dos próprios patrocinadores, contentores de lixo a rebentar pelas costuras até multiplas pinturas pelas rochas!
Caro Joaquim Gomes, tem toda a razão!Os apelos feitos pela PDSSE há dias foram completamente despropositados e apenas procuravam protagonismo!
Fiquem então a saber que as queixas vieram até da Turistrela pela voz de Mónica Paixão!!Imaginem como é que aquilo não deve ter ficado! Pelo que vi na TV, e a bem da verdade, a intenção inicial deve ter sido boa, ou seja, o lixo que conseguiram apanhar foi todo reunido em sacos plásticos grandes e deixados na berma da estrada para eventual posterior recolha. O problema deve ter sido o feriado, e as férias e o "stress pós-traumático" de organizar uma prova destas (esta é do meu comparsa LJMA) ou outro. Mas a verdade é que o ambiente não se compadece com nenhum destes factores e o que aconteceu é que o vento, os animais e sei lá mais o quê trataram de abrir sacos, espalhar lixo e acabar com qualquer hipótese de manter a zona pelo menos tão limpa como havia sido encontrada quando a Volta lá chegou!
O que também fez com que JG não ficasse bem na fotografia foram as criticas tecidas à PDSSE até porque, segundo declarações do recentissimo director do PNSE à RTP, a organização da Volta não fez nenhum contacto prévio com os responsáveis desta Área protegida no sentido de delinear um código de conduta para reduzir os impactos deste evento! Mais uma vez se vê a falta de fundamentos nas preocupações da PDSSE.

Para terminar gostaria de referir as declarações de José Maria Saraiva (ASE) quando diz que da mesma forma que os dirigentes dos clubes são responsabilizados pelo que se passa durante um evento no seu estádio também os dirigentes da volta deveriam ser responsabilizados pelos impactos negativos originados pela realização do evento!Para mim isto é de uma coerência brutal!

terça-feira, julho 24, 2007

Requalificamos, mas a sério?

Margens dos Poços de Loriga, a jusante da estância de esqui Turistrela/Vodafone (imagem retirada do blog Loriga).

A lagoa ilustrada na figura está a cerca de trezentos metros da base da telecadeira da estância de esqui. A triste realidade apresentada não é um caso pontual. Aliás, usei uma imagem semelhante, tirada há mais de um ano, para ilustrar um post publicado ainda na antiga morada do Cântaro Zangado. Quando o sol bate com mais força, os plásticos podem até cheirar-se! Fotografias semelhantes podem obter-se em todas as linhas de água que escorrem da zona da Torre.

O lixo presente na zona da Torre e nas linhas de água que dela escorrem é, em grande parte, o deixado pelos turistas que "vêm" à neve. Face a isto, o que há a fazer? Podemos continuar a fechar os olhos a esta realidade? Os lucros do turismo da neve são superiores aos prejuízos (ambientais e de imagem) desta sua consequência? Quem tem maiores responsabilidades pela existência deste problema? A quem deve ser atribuída a responsabilidade pela sua resolução? Faz sentido estudar planos de pormenor para a Torre ou requalificação dos edifícios que lá se encontram, enquanto não soubermos ou não quisermos enfrentar esta realidade?

Não conheço a resposta à maior parte das perguntas que coloquei acima (embora já tenha, aqui no Cântaro Zangado, dado umas quantas sugestões). Mas é evidente que não basta fazer investimentos na requalificação dos edifícios da Torre ou na beneficiação da estância de esqui para fazer desaparecer o problema. E enquanto não o resolvermos, por mais milhões que se despejem na zona da Torre, o turismo que lá temos continuará a ser, em grande medida, o turismo do lixo. Até quando?

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!