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terça-feira, novembro 04, 2008

Se é para "vender" a natureza...

... Não é preciso muito. Basta pô-la em destaque.
Reclame ao turismo de Espanha no nº817 da revista Visão, página 73. A legenda diz "A família Gomes veio a Espanha no princípio dos anos 80 e ficou surpreendida pela sua natureza. Imagine se viesse hoje, porque pode visitar os melhores parques naturais da Europa."

A propósito deste anúncio feliz, lembrei-me de um folheto publicitário lançado em 2006 pela Região de Turismo da Serra da Estrela, da autoria do seu presidente, Jorge Patrão, com o título "Onde a Natureza Vive!". Com esse folheto a RTSE conseguiu a proeza de, em oito páginas, dar menos destaque à natureza do que o Turismo de Espanha com o anúncio de página simples acima ilustrado. Caramba, apesar do título do folheto, o que pretenderia ao certo a RTSE vender, e ao certo a quem? Terão, ao menos, pensado nisso?

O "belo do folheto" foi analisado em detalhe (e em barrigadas de riso) pelo Estrela no Seu Melhor, aqui (e depois, sobre a versão em castelhano, aqui). Dois posts que valem bem a pena, tanto um como o outro.

quarta-feira, outubro 29, 2008

"Nós aqui vivemos da neve"

Ouve-se frequentemente a frase que dá o título a este post. É verdade que o turismo da serra vive da neve. Mas não é verdade que tenha que viver da neve, apenas da neve, não é verdade que tenha que viver principalmente da neve, sequer.

No Gerês há turismo de montanha. Mas não consta que neve lá mais do que cá. Aliás, o Gerês está cheio de turistas, até (ou principalmente) no Verão. E não consta que, no Gerês, neve no Verão. De que vive o turismo no Gerês, já que não é da neve? De passeios pedestres; de passeios de bicicleta; de passeios a cavalo; de canoagem; de canyoning; de escalada; de termas; de natureza; de outras coisas de que não me estou a lembrar. Porque é que nós por cá não podemos viver também dessas coisas todas? Não será a nossa serra apropriada para alguma delas? Ou será que não as aproveitamos porque, como temos neve, nem pensamos nessas outras possibilidades?

Penso que parte da resposta está aí. Mas não é só isso. De facto, no Gerês não há neve (ou não a há em quantidade que permita "viver da neve") e há turismo, mas noutras montanhas onde há neve, e mais até do que na Estrela, há também um turismo diversificado, no Inverno e no Verão. Nessas outras montanhas, apesar de nevar (e, repito, mais ainda do que na Estrela), não se vive só da neve, não se vive, sequer, principalmente da neve. De que montanhas estou a falar? Para não ir mais longe, da sierra Nevada, dos Pirinéus, dos Alpes. Essas montanhas estão cheias de turistas, também no Verão. E de que vive o turismo nessas montanhas, para além da neve? De passeios pedestres; de passeios de bicicleta; de passeios a cavalo; de canoagem; de canyoning; de escalada; de termas; de natureza; de outras coisas de que não me estou a lembrar.

Ou seja, noutros lugares onde também neva, há turismo para além da neve. Porque será então que por cá vivemos da neve, apenas da neve? Posso estar enganado, mas suspeito que uma razão principal se prende com algo que temos cá, e que não existe em mais montanha nenhuma que eu conheça: uma concessão exclusiva do turismo e dos desportos (a da Turistrela), definida há mais de trinta anos (1971) e com prazo de validade por outros tantos ainda por vir.

Passados trinta anos a pôr os ovos todos no mesmo cesto e a vê-los partirem-se no chão, era altura de se começar a perceber que não só o cesto onde os temos estado a pôr parece claramente estar roto, como se calhar (lá diz o ditado), era melhor usarmos muitos cestos, de diversas formas, feitios, e tamanhos.

Ou então não. Continuemos no "Nós aqui vivemos da neve" com que tão bons resultados temos conseguido.

segunda-feira, outubro 20, 2008

"A serra da Peixeirada"

A guerra desencadeada por algumas câmaras da região (a da Covilhã pelo menos) contra a Região de turismo (ou vice-versa), vista (e bem vista) do Café Mondego. Deixei lá o seguinte comentário:
E ainda veremos (como sempre vimos) as comadres agora desaguisadas lado a lado, em coro, defendendo alguma ampliação da estância de esqui, um novo aldeamento em altitude ou criticando o PNSE e ambientalistas por tentarem obrigar à realização de estudos de impacto ambiental para semelhantes empreendimentos. É esperar para ver.

terça-feira, julho 17, 2007

Coisas que me parecem boas...

... Mas a ver vamos. Algumas destas iniciativas vêm da parte de entidades que não costumam ser elogiadas pelo Cântaro Zangado. Pelo menos, desta vez, não se trata de mais obras na Serra, vá lá...

segunda-feira, julho 09, 2007

Se queremos...

Jorge Patrão, presidente da Região de Turismo da Serra da Estrela anunciou (ver aqui) que encomendou "uma espécie de Plano de Pormenor" para a zona da Torre a "técnicos especializados de Lisboa". A crer na revista online Kaminhos, terá declarado:
Se queremos valorizar a estância de esqui, construir a telecabine até à estância de montanha e abrir a estalagem da FAP, temos que pensar num espaço mais agradável.
Se queremos?! Quem é que quer? Quando, onde e por quem é que essas opções foram consideradas? Quando, onde e por quem é que foram discutidas? Quando, onde e por quem é que foram decididas?

Respostas/achegas à condicional consideração de Jorge Patrão:

  • se queremos dar grande qualidade à zona da Torre, temos que pensar que esse objectivo é seriamente dificultado pela quantidade de visitantes que a ela afluem em certos fins de semana;
  • se queremos resolver o problema do lixo na zona da Torre, temos igualmente que pensar em limitar o número de visitantes dessa zona;
  • se queremos limitar o número de visitantes à Zona da Torre, não devemos fazer lá investimentos que cuja viabilidade dependa da continuação deste turismo massificado e sem qualidade em que temos apostado;
  • se não queremos pôr a carroça à frente dos bois e se queremos, desta vez, fazer as coisas bem feitas, temos que pensar em discutir estas questões num contexto mais alargado, que não se limite à Região de Turismo, à Turistrela e a mais algumas "forças vivaças" regionais.

Aqueles monos indescritíveis, ex-libris, sim, mas da falta de respeito que temos pelos locais mais simbólicos do nosso território, nunca deveriam ter sido construídos. Mas foram-no, e daí resultou um problema que se arrasta há dezenas de anos. Um problema que tem uma solução simples.

Se queremos uma Torre com alta qualidade, aqueles mamarrachos têm é que ser demolidos, pura e simplesmente.

terça-feira, junho 19, 2007

A RTSE no Já Agora

Jorge Patrão, presidente da Região de Turismo da Serra da Estrela (RTSE) foi entrevistado pelo jornal de distribuição gratuita Já Agora, entrevista que podemos ler na página 3 da edição de 13 de Junho de 2007 (ainda não disponível online enquanto escrevo este post). Note-se o seguinte excerto:
Pergunta: Actualmente há cada vez menos neve. Ainda faz sentido insistir na neve como cartaz turístico?
Resposta: Não devemos enveredar por esse tipo de pensamento, até porque não está demonstrado. No ano passado houve 127 dias de neve para esquiar e os canhões de neve trabalharam apenas quatro dias em toda a época de Inverno. Em 2004 e em 2005 houve 107 dias de neve em cada ano. De facto, no último Inverno o cenário foi diferente, mas isso pode acontecer uma vez em cada dez anos. Não é verdade que exista uma curva descendente de neve. A longo prazo isso pode acontecer, mas não nas próximas décadas.

Não questiono que habilitações académicas de Jorge Patrão lhe permitem afirmar tão categoricamente que "não é verdade que exista uma curva descendente de neve", porque não as tem. Nem pergunto em que estudos científicos se baseou para dizer que um Inverno como o deste ano "pode acontecer uma vez em cada dez anos", porque sei que não existem. Não me pergunto se haverá mais alguém que ache que "a longo prazo isso pode acontecer, mas não nas próximas décadas", porque o normal é ouvir as pessoas falar dos nevões de antigamente. Noto é o seguinte: para Jorge Patrão, o aquecimento global ainda não começou! Continua a nevar como sempre!

Sem currículo académico que o apoie nem estudos minimamente sérios (já nem peço que sejam independentes) que o informem, que crédito podemos dar às originalíssimas considerações de Jorge Patrão? É razoável basearmo-nos nelas para justificar investimentos públicos?

quinta-feira, junho 07, 2007

O campismo na Serra da Estrela

Carlos Serra, presidente do Clube de Campismo e Caravanismo da Covilhã (clube que gere o parque de campismo do Pião, a meia encosta da Serra da Estrela), fez ontem, na Kaminhos, críticas à Região de Turismo da Serra da Estrela (RTSE) por ter sido mantido à margem do PITER "Serra da Estrela Dinâmica".

Que a RTSE não presta muita atenção ao campismo na Serra da Estrela pode constatar-se na sua página sobre campismo. Salta imediatamente à vista a ausência do parque do Pião. Mas não é o único. Não aparece também o parque do Vale do Rossim (Manteigas ou Gouveia, não sei bem) nem o do Curral do Negro (Gouveia), para referir apenas as faltas no interior do Parque Natural da Serra da Estrela. Não quis também referir a falta do parque do Clube Nacional de Montanhismo, nas Penhas da Saúde, porque, a bem dizer, aquilo nem é bem um camping.
Outro sintoma dessa falta de atenção da RTSE nota-se num folheto promocional redigido pelo próprio Jorge Patrão (presidente da RTSE) com o título enganador "Serra da Estrela—Onde a natureza vive!" (enganador porque nele praticamente não se refere a natureza). Na secção sobre alojamento na região, não se faz referência ao campismo.

Os três parques cuja ausência na lista da RTSE assinalei são essenciais para o planear de uma rede de percursos pedestres ou em BTT pelas zonas altas da Serra, como a que um turista não motorizado poderia considerar para uns dias de férias na Serra da Estrela. Pois foi logo desses que a RTSE se esqueceu...

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!