sexta-feira, novembro 03, 2006

Quando a realidade confirma a Teoria

(Foto retirada do site Kaminhos)
Gostaria de sugerir a leitura de duas reportagens que sairam hoje no Kaminhos aqui e aqui onde se relatam as consequências menos publicitadas da existência de uma grande via sem portagens (A23) a atravessar diversas populações.
Gostaria particularmente de salientar as seguintes passagens dessas notícias:
"Chegar mais rapidamente a Lisboa é positivo, mas, para muitos dos comerciantes afectados o cenário não será assim tão cor-de-rosa. Rogério Hilário apresenta um exemplo: “um profissional que sai de Lisboa às oito da manhã e chega à Beira por volta das 10 horas, faz o que tem a fazer e, se regressar às 18 horas, ainda pode ir jantar a casa”. Desta forma, “a A23 não só desviou o tráfego da EN18, como também fez com que muita gente que pernoitava na região já não o faça”, esclarece. "
"Introduzir portagens nesta via estruturante é a única hipótese para a sobrevivência do negócio que, a custo, ainda se mantém, consideram os comerciantes."

De facto, quantas vezes foi aqui defendido que as estradas de grande circulação além de trazerem pessoas tambem as levam com muito maior rapidez sem que estas deixem mais do que 1 centimo pelo sitio onde passaram? A sociedade de hoje em dia habituou-se a viver à velocidade do "quanto mais rápido melhor", de tal forma que o conceito já contaminou os nossos tempos de lazer. A generalidade das pessoas visita os locais de férias em contra-relógio, com a ilusão que se visitar muitos lugares diferentes e tirar muitas fotografias para mostrar aos amigos as férias terão sido melhores. Nesta prespectiva, as estradas a chegarem a todos os recantos dessa Natureza por aí fora são o melhor que se pode ter.

Infelizmente, o que me agrada é exactamente o oposto e a existencia de estradas em todos os recantos impede que eu aprecie completamente os locais que visito. Infelizmente, esta realidade nada traz de bom para as populações cuja estrada era vista como um D. Sebastião aguardado há décadas. Não sou eu que o digo, são estas mesmas populações que o declaram.

Errar é humano, ver os outros errar e repetir o mesmo erro é, no minimo, estupidez!

1 comentário:

al cardoso disse...

So tenho que concordar consigo, olhe ja tenho escrito muitas vezes em" http://aquidalgodres.blogspot.com
Que as autoestradas tem servido para as gentes do interior, mais depressa se mudarem para o litoral e para a o resto da Europa.
Sei que sao importantes, mas o desenvolvimento de Portugal e da nossa Beira esquecida, necessita muito mais que autoestradas, mas infelizmente ate vamos perdendo o pouco que temos.

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!