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segunda-feira, outubro 26, 2009

De novo as Penhas da Saúde

Alguns dias após a publicação deste post sobre as casas de génese alegadamente ilegal das Penhas da Saúde, recebi um telefonema de um amigo proprietário de uma dessas casas. Tivemos uma discussão muito cordial sobre o assunto.

É preciso ter presente, quando falamos deste assunto, que as ditas casas não se resumem às do Bairro Penhas Sol, atrás da Pousada da Juventude; há outro bairro semelhante, um pouco mais pequeno, cerca de 500 m mais a norte, e há ainda várias casas dispersas a oeste da ribeira da Nave da Areia. Duvido que todas estas casas tenham aparecido na mesma altura e nas mesmas condições e por isso parece-me que talvez não faça sentido tratar todos os casos da mesma maneira.

Quão ilegais são estas casas? Não sei. Mas parece-me claro que estas casas foram edificadas sem respeito por planos de urbanismo (de resto, duvido que os houvesse, nos anos setenta), sem projecto de arquitectura e de engenharia aprovados pela câmara, enfim, sem muitas das mil e uma pequenas e grandes "chatices" por que tem que passar quem quer construir, legalmente, no nosso país. Em tempos mais antigos, imagino que todos esses trâmites eram mais ou menos dispensáveis, sobretudo se o promotor da obra era comparte dos baldios em questão. Mas, nos anos setenta, nas Penhas da Saúde, já não era bem, bem esse o paradigma, mesmo considerando a desordem associada ao período revolucionário que se viveu nessa altura...

Ou seja, creio que há de facto alguma ilegalidade relativamente à génese das casas alegadamente ilegais das Penhas da Saúde (mas ela poderá entretanto ter sido "apagada" por decisão da Câmara). Creio que não pode ser permitida, de modo algum, a continuação daquele modo aparentemente informal (são tão simpáticos estes eufemismos) de apropriação do espaço público.

Dito isto, não sou da opinião que estas casas são o problema mais grave das Penhas da Saúde, nem pouco mais ou menos. É que estas casas são reconhecidamente vistas como um problema do aldeamento, mas ninguém parece ver inconvenientes nos vários mamarrachos cujos projectos foram devidamente autorizados pela câmara municipal (não me refiro especificamente às lideradas pelo actual presidente, que isto já vem de longe), como vilas com três andares, caixotes pseudo-modernos com cores, volumes e materiais aberrantes ou comércios pseudo-sofisticados que são autênticas feiras indoor, com bancadas de sapatilhas e demais brick-a-brack amontoado a eito, sem gosto nem brio.
E também ninguém parece ver inconvenientes noutras casas, mas estas legalidade muito discutível e que não sei se ultrapassaram já todas as questões legais que motivaram. Refiro-me ao bairro dos chalés nórdicos da Turistrela, amontoados num arruamento estranhamente ziguezagueante, no declive que ladeia o Hotel Turismo. Afirmo que a sua legalidade é discutível porque o plano de pormenor desse bairro foi aprovado vários anos depois dos bungalows estarem construídos e de se ter iniciado a sua exploração, como comentei neste post.
E parece também estar tudo bem com um plano da Câmara Municipal e da Turistrela que prevê a construção de mais quatrocentas novas casas nas Penhas da Saúde, centro comercial, casino e mais algumas modernices urbanóides, e para o qual se fez aprovar um perímetro urbano que torna as dimensões das Penhas semelhantes às do Teixoso (senão maiores).

Enquanto for esta a atitude geral face aos mamarrachos que se continuam a planear e (legalmente ou não tão legalmente) a construir nas Penhas da Saúde, gritar aqui del-Rey por causa dos bairros das casas de zinco e defender que sejam demolidos não me parece muito sério. Além disso, e pela amostra do que já foi feito, tenho muito mais medo do que sairá do projecto de requalificação das Penhas que a Câmara Municipal recorrentemente anuncia do que das ditas casas de zinco.

terça-feira, agosto 26, 2008

P'ra pior já basta assim

De acordo com o Diário XXI de ontem (o link pode não ser permanente), a aprovação do Plano de Urbanização das Penhas da Saúde pelos serviços do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) depende de um compromisso claro da Câmara Municipal da Covilhã para a demolição do "bairro ilegal, constituído por mais de 170 casas, situado na traseira da Pousada da Juventude".

Ocorre-me a este propósito o seguinte:

  • Nas Penhas da Saúde há outro bairro semelhante, ainda mais flagrantemente bairro da lata do que este a que se refere a notícia. Encontra-se mais a Norte, mais perto do local onde em tempos se começaram obras para a instalação de um parque de campismo. Sobre este outro bairro nada se diz na notícia.
  • O que a Câmara Municipal da Covilhã pretende para as Penhas da Saúde é (a acreditar no anunciado pela própria câmara) um autêntico delírio: uma estância de montanha "com que Portugal possa concorrer em termos de turismo de montanha com outras da Europa, nas cidades dos maciços mais conhecidos, como os Alpes ou os Pirinéus". A Câmara da Covilhã não compara a serra da Estrela com montanhas algo mais comparáveis como o Gerês, a sierra de Gredos, a de Guadarrama, o Ben Nevis. Não, a serra da Estrela é para concorrer com os Alpes e os Pirinéus! No mesmo anúncio, ficamos a saber o que é preciso para concorrer com os Alpes e os Pirinéus: "500 habitações e zonas de comércio que serão apoiadas por diversos equipamentos sociais, culturais e desportivos" e ainda "a criação de um Pavilhão de Gelo, uma zona multiusos para desportos e festividades e a construção de um posto da GNR". Face tudo isto, francamente: faz algum sentido aprovar seja o que for deste "plano"?
  • O bairro que agora se pretende demolir pode ter o aspecto de um bairro de lata. É verdade e já mais de uma vez o dissemos (por exemplo, aqui). Mas também é verdade que muitas outras casas nas Penhas da Saúde, antigas e novas, mesmo não parecendo barracas de lata, não têm muito melhor aspecto (alguns exemplos recentes, já acabados ou ainda em construção, ilustram este artigo). Não há garantias nenhumas de que as 500 habitações que a câmara pretende ver construídas nas Penhas da Saúde se venham a enquadrar na paisagem e no tecido urbano melhor do que estas casas. Antes pelo contrário: a avaliar pelo que tem sido autorizado, pretende-se aparentemente encher as Penhas da Saúde com mamarrachos novo-ricos em estilo pseudo-mamarracho-tipo-alpino-ou-sei-lá-o-quê-à-modernaça. Francamente, prefiro de longe as casinhas de lata!
  • Estas casas foram construídas porque diversas pessoas sentiram o desejo (que eu compreendo, mesmo considerando ilícita a forma como o satisfizeram) de usufruir de uma casinha na serra. Em contrapartida, as casas que se começaram há cinco ou seis anos a contruir nas Penhas da Saúde são condomínios com quatro a oito apartamentos, que aparecem não porque alguém, gostando da serra, pretende aí ter uma casa de férias, mas sim porque alguma sociedade de construção civil pretende lucrar com a venda dos apartamentos. (Pelo que se pode observar nas Penhas da Saúde, essa venda não está a ser tão fácil como talvez se pensasse, já que condomínios já acabados há dois ou três anos têm ainda apartamentos à venda.) Vendam-se os apartamentos ou não, constata-se que os planos da Covilhã consistem em aplicar nas Penhas da Saúde o modelo de "desenvolvimento urbano" que tem feito das nossas cidades a maravilha que se tem visto. Não me agrada, prefiro as casinhas de lata a estas apostas imobiliárias, geradoras de Quarteiras e afins.

Concluindo: não me agradam nada as casinhas do bairro atrás da pousada (nem as do outro, a que me referi acima). Mas ainda me agrada menos que se resolva o problema que elas representam pactuando com a criação de problemas ainda maiores. Para pior, já basta assim.

E claro: com tudo o que diversos serviços públicos (incluindo a Câmara) já permitiram ou até promoveram naquele bairro (iluminação pública, asfaltação de acessos, campo desportivo), é óbvio que, a serem demolidas as casas, os seus donos devem ser compensados.

segunda-feira, junho 18, 2007

Florestas de encantar

Pode ler-se na Kaminhos que José Manuel Biscaia, o presidente da Câmara Municipal de Manteigas,revelou que, para revitalizar a zona das Penhas Douradas, pondera a criação, nesse local que considera a "pérola da Estrela", de um centro de "treinos e competição de alto rendimento", a construção de uma "casa do Pai Natal" e de um "espaço de sentidos, uma espécie de «floresta encantada»". Podem ler-se na mesma notícia outras ideias para construções: "espaços museológicos" e "adaptação do centro de meteorologia para equipamento multiusos que possa servir também como planetário".

Eu acho que Manteigas já tem florestas encantadas. Aliás, para mim, são a imagem de marca de Manteigas. Por exemplo, esta que mostro acima, entre as Penhas Douradas e Manteigas; a do Souto do Conselho, outra; a do Sameiro, mais uma. Isto, já para não falar da maravilha do Covão d'Ametade (actualmente em curso de se transformar num maravilhoso parque de grelhados). Em vez de aproveitar estas maravilhas definindo, documentando e divulgando trilhos pedestres que as percorram, ou apoiando e promovendo empresas que as façam viver (através de passeios a cavalo e de burro, por exemplo), o autarca defende mais construções nas Penhas Douradas e "florestas encantadas" artificiais...

E é estranho. O presidente da Câmara de Manteigas considera que "As Penhas Douradas são a 'pérola' da serra da Estrela e a única aldeia de montanha que existe, na medida em que as Penhas da Saúde [na Covilhã] estão descaracterizadas devido à quantidade de construções ali existentes". Aqui, concordo no essencial com ele: acho que as Penhas Douradas merecem mais o título de 'pérola da Serra' do que as Penhas da Saúde, porque estas têm demasiadas construções (mas também pela sua qualidade e arquitectura, e não estou a pensar apenas nas barracas de zinco). Mas voltemos ao primeiro parágrafo deste post. Se se construir tudo o que José Manuel Biscaia sugere para as Penhas Douradas, em que estado ficará esta pérola? Bastante mais parecida com as descaracterizadas Penhas da Saúde, quer-me parecer...

terça-feira, agosto 14, 2007

A maxi-iluminação da mini-cidade

Tenho passado temporadas de férias nas Penhas da Saúde desde que me lembro. Desde que me lembro que acontece, em noites de Julho e Agosto particularmente amenas, ficar na conversa à noite, na rua. Nessas ocasiões, os olhares e, por vezes, as conversas iam parar às estrelas, cuja presença se impunha, ostensiva. Foi assim com os meus pais, quando era criança, foi assim mais tarde, com as namoradas, foi assim com os meus filhos, mais recentemente.
Até que a Câmara Municipal da Covilhã resolveu transformar as Penhas da Saúde numa magnífica mini-cidade (ver mais propaganda aqui), com iluminação pública à altura de uma magnífica mini-cidade. O ambiente nocturno das Penhas da Saúde agora é o que a fotografia acima ilustra. Parece a segunda circular, em Lisboa. A abóbada celeste já não se impõe como antes, já não é evidente, com um relance pela janela, se (feliz ou infelizmente) há ou não luar.
Pela iluminação pública, já não se notam diferenças entre as Penhas da Saúde e qualquer pólo turístico urbano. Pela iluminação pública, existem agora menos razões para preferir as Penhas da Saúde a Quarteira.
Talvez a Serra da Estrela ainda seja, um pouco, Onde a Natureza Vive (como propagandeia a Região de Turismo). Mas, nas Penhas da Saúde, ela vive um pouco menos desde que se levou a cabo esta "requalificação".
Passo a passo, vão-nos levando a natureza. Passo a passo, vão-nos deixando o quê?
E tudo isto, para quê?

A fotografia foi tirada sem flash, sem tripé, sem apoio especial. O tempo de exposição (regulado pelo modo automático da câmara) foi suficiente curto para a imagem não ter ficado tremida. Daqui se pode fazer uma ideia mais clara da claridade das noites nas Penhas da Saúde.

quarta-feira, agosto 29, 2007

A não perder

Alguns aspectos da política ambiental da actual Câmara da Covilhã foram aflorados num discurso do sr. presidente Carlos Pinto, por ocasião da inauguração de um parque infantil no bairro Penhas Sol, nas Penhas da Saúde. O discurso está disponível (em vídeo) no youtube ou no blog O Suplente.
A não perder, mesmo, é a demolidora análise que lhe faz o Pedro do blog A Sombra Verde.

Já nos referimos ao bairro Penhas Sol das Penhas da Saúde por diversas vezes aqui no Cântaro Zangado. Veja, por exemplo, aqui, aqui, aqui, aqui e, com a minha opinião particular um pouco melhor explicada, aqui.
Quero sugerir um nome para a inaugurada infraestrutura. À semelhança do parque de campismo do Ferro, da sala de cinema do Dominguizo e da ponte rodoviária entre o Peso e o Pesinho, acho que este importante e há muito esperado benefício devia ser batizado "Parque Infantil Carlos Pinto", ficando assim, espontaneamente (claro!), lavrado o reconhecimento dos numerosos "residentes" do bairro Penhas Sol nas Penhas da Saúde.

sexta-feira, dezembro 28, 2012

No "sapatinho" de quem?

Digitalizado da página 10 do Jornal do Fundão de 27 de Dezembro de 2012 (clique na imagem para a tornar legível).

Mais uma vez, o Jornal do Fundão oferece-nos um exemplo da fina arte do jornalismo, lavrada pela pena de Romão Vieira. O assunto é o quartel da GNR que o presidente da Câmara da Covilhã anunciou que pretende construir nas Penhas da Saúde.

Há tempos (há quatro anos), comentei aqui uma peça sobre este mesmo assunto, escrita por este mesmo jornalista, publicada por este mesmo jornal. Mas agora é que vai ser! E ainda bem que o Jornal do Fundão, sempre atento, pode dar a boa nova!

Que o quartel se construa nas Penhas não me incomoda por aí além, como pessoa que aprecia a serra e a sua paisagem. Ao fim e ao cabo, mais mamarracho, menos mamarracho, ali, já não destoa. Mas deixem-me colocar algumas perguntas de que o jornalista que redigiu a notícia (chamemos assim àquilo) parece não se ter lembrado:

  • O novo quartel das Penhas da Saúde (ou melhor: o quartel que nesta notícia é anunciado) vai ser maior e melhor que o Posto Territorial da Covilhã da GNR. Isto é razoável?
  • As Penhas da Saúde (onde, recordo, não viverão mais do que umas vinte pessoas) estão mais perto (se não em distância, pelo menos em tempo de viagem) do posto da GNR mais próximo do que muitas aldeias do concelho com centenas de habitantes. Dois exemplos, apenas: Verdelhos e Sobral de S. Miguel. Mas o presidente da Câmara da Covilhã acha que é nas Penhas da Saúde que o novo quartel faz falta. Isto é razoável?
  • Se bem entendo a "notícia", o autor quer-nos convencer de que este quartel é uma aspiração da GNR. É possível que sim, que o seja, mas estranho: eu nunca ouvi ou li nada nesse sentido. Alguém me pode indicar intervenções públicas, por parte do comando da GNR ou das suas associações profissionais, referindo esta "velha e justa" aspiração? É só para ficarmos a saber de quem ao certo é o "sapatinho" que recebeu este anúncio.

segunda-feira, março 12, 2012

Combater o abandono com o asfalto! (?)

Transcrevo uma notícia que li no blogue Cortes do Meio, se não me engano obtida no Jornal do Fundão:

População "espera e desespera" por estrada até às Penhas da Saúde

Em dez anos a freguesia de Cortes do Meio perdeu cerca de oito por cento da população. Segundo os Censos 2011, esta aldeia do concelho da Covilhã conta com 900 habitantes, 100 dos quais têm menos de 18 anos. A estrada de acesso às Penhas da Saúde é aspiração antiga do presidente da junta de freguesia.

Para além das regras apertadas que limitam o crescimento de Cortes do Meio, a falta de emprego tem também levado muitos jovens a procurar oportunidades fora da aldeia, admite Paulo Rodrigues. Uma situação que só será ultrapassada se for concluida a estrada de ligação de Cortes do Meio à anexa das Penhas da Saúde. Com um orçamento global de 800 mil euros, já foram investidos cerca de 150 mil na 1ª fase da obra. Faltam cerca de 650 mil euros para arrancar com a 2ª fase que inclui o alcatroamento da via. Apesar da crise, Paulo Rodrigues acredita que será possível concretizar esta aspiração antiga que beneficiaria toda a zona sul do concelho da Covilhã. Localizada na encosta sul da Serra da Estrela, Cortes do Meio sonha com uma ligação directa ao maciço central. São oito quilómetros de uma estrada em terra batida que durante anos foi percorrida a pé pelas “gentes das cortes”. Na montanha recolhiam o carvão e a carqueija que vendiam na Covilhã. Os rebanhos e os moinhos preenchiam o vale da ribeira de Cortes que hoje corre serena, sem trabalho, contando histórias de vidas duras.

Por: Susana Proença

Não é claro, mas diria que o texto desta peça terá sido construído a partir de declarações do sr. Paulo Rodrigues, presidente da junta de freguesia de Cortes do Meio. Partindo desse princípio (não necessariamente válido), quero aqui deixar alguns comentários:

  • o primeiro parágrafo diz que a estrada para as Penhas é uma antiga aspiração do presidente da junta de freguesia. O título da peça diz que é a população que desespera por essa estrada;
  • aparentemente, há "regras apertadas" que limitam o crescimento especificamente das Cortes do Meio e que terão contribuído para a freguesia ter perdido população. Serão regras apertadas como essas as que explicam a queda demográfica também de Pinhel, de Penamacor, da Sertã, só para dar três exemplos?
  • segundo se diz, com a conclusão da estrada para as Penhas, será ultrapassada a situação que, alega-se, leva "muitos jovens a procurar oportunidades fora da aldeia". Como, ao certo? A estrada gerará empregos? Ou aliviará as tais regras apertadas? Ou será outro efeito, não referido aqui?

Um leitor de jornais pode apenas ler, sem pensar no que lê nem questionar o que os autores pretendem que leia. Um(a) jornalista pode apenas escrever o que lhe mandam, sem pensar no que escreve nem questionar o que o mandam escrever. É o mais fácil. E o autarca das Cortes do Meio até podia pensar em desenvolver o turismo na sua freguesia. Mas é muito mais fácil apenas pedir dinheiro para asfaltar as zonas bonitas que ainda lhe restam, sonhando talvez que muitos turistas passem a usar essas estradas para subir para a Torre.

Sr. Paulo Rodrigues: pergunte aos de Loriga que movimento é que a estrada de S. Bento (que asfaltaram há uns quatro anos até perto da Lagoa Comprida) tem, que empregos gerou, que abandono é que evitou. Se as respostas revelarem um décimo dos ganhos que eram prometidos (e que o sr. agora repete) defendendo a asfaltação da dita estrada, calo-me.

segunda-feira, junho 08, 2009

Que turismo é esse?

A Junta de Freguesia das Cortes do Meio (Covilhã) aprovou (e lançou a concurso, parece-me) a obra de alcatroamento de um caminho de terra para as Penhas da Saúde, como se pode ler neste post do blog Cortes do Meio (ou num artigo que referi aqui). Segundo diz o presidente da Junta de Freguesia das Cortes do Meio, Paulo Rodrigues, este projecto será o "motor de arranque para o desenvolvimento económico, turístico e local da freguesia.

É interessante a insistência no desenvolvimento do turismo. Ao certo de que forma é que uma estrada que canalizará os eventuais visitantes das Cortes do Meio para a Torre contribui para o desenvolvimento do turismo nas Cortes do Meio? É que vai sendo altura de vermos esta fé no alcatrão explicada. Se as estradas de asfalto não desenvolveram o turismo na Sra do Desterro, nem em Loriga (onde tudo continua tão morto como antes do alcatroamento de caminhos para zonas altas com acesso à Torre), nem, a bem dizer, em Manteigas, Seia, Covilhã, ou Sabugueiro (insisto que não é turismo desenvolvido as enchentes e congestionamentos de tráfego que algumas - poucas - destas localidades sentem em sete ou oito fins de semanas por ano), porque raio é que o hão-de fazer nas Cortes do Meio?

A própria junta de freguesia que quer asfaltar mais um vale da serra em nome do turismo mantém uma lixeira a céu aberto à vista de todos, na vizinhança das Cortes do Meio. E o turismo, para aqui já não é chamado? Talvez não, se considerarmos turistas apenas aqueles que passam no seu carro a caminho da neve de manhã e a caminho de suas casas à tarde, naqueles sete ou oito fins de semana por ano. É essa a tese da Junta de Freguesia das Cortes? Não sei, mas sei que turismo de montanha, nas outras montanhas da Europa, é outra coisa.

Quando era miúdo, era tradição passar o mês de Julho nas Penhas da Saúde. Das coisas que mais me agradavam nessas férias eram as manhãs passadas na piscina, perto do sítio onde actualmente se encontra o café Estrela. Pelo que ouvi dizer, a gestão da dita piscina está atribuída à Junta de Freguesia das Cortes do Meio, essa mesma que quer asfaltar mais um vale da serra em nome do turismo. Estranhamente, e apesar dessa preocupação com o turismo, a junta de freguesia tem mantido a piscina encerrada nos últimos anos (nos últimos cinco ou seis anos, parece-me). Juro que seria muito mais fácil prolongar a semana que continuo a passar nas Penhas da Saúde em Agosto, se os meus filhos se pudessem divertir na piscina das Penhas como eu me diverti. Assim, e por muito que faça (e faço) para os entreter, é difícil. Por isso, acho que muito mais se desenvolveria o turismo na freguesia das Cortes do Meio abrindo a piscina das Penhas do que abrindo a estrada.
Pois pois, já sei, eu não sou dos que apenas querem passar de carrinho a caminho da neve. Ou seja, eu não sou turista. Não para a actual Junta de Freguesia das Cortes do Meio, pelo menos.

sábado, junho 06, 2009

A mini-cidade (bis)

Há dois anos, deixei aqui um post sobre o perímetro urbano das Penhas da Saúde, tal como ficou definido no Decreto Regulamentar n.° 5/96 de 19 de Julho, que aqui apresento em baixo.

Perímetro urbano das Penhas da Saúde tal como está definido no Decreto Regulamentar n.° 5/96 de 19 de Julho (imagem copiada do próprio diploma legal).

Na altura, georeferenciei a planta anexa ao decreto e desenhei o perímetro urbano sobre uma fotografia de satélite do google-earth, para mais facilmente se comparar a definição legal dos limites do aldeamento com a área efectivamente construída:

O perímetro urbano das Penhas da Saúde, agora desenhado numa foto Google-Earth. A largura da imagem corresponde aproximadamente a 2,5 km.

Tendo em conta (a) o que a história das últimas dezenas de anos nos mostra sobre a nossa nacional (in)capacidade para urbanizar harmoniosamente; (b) o interesse público (por todos declarado, pelo menos) na protecção do ambiente e da paisagem da serra da Estrela, que não são, convenhamos, um ambiente e uma paisagem urbanos; (c) a consequente necessidade de conter na medida do possível a área urbanizada das Penhas da Saúde, proponho que das duas, uma: ou se redefine o perímetro urbano deste aldeamento de forma a coincidir aproximadamente com os limites actuais da área construída, ou se impõe em PDM e/ou planos de pormenor a proibição de construção fora dessas áreas. Ou então andamos a brincar aos amigos da natureza, da paisagem e da serra da Estrela.

Desde que, há dois anos, publiquei o post a que hoje me refiro, emergiu com a intensidade conhecida a malfadada crise internacional com nos debatemos. Não sou economista, mas diria que *todas* as teorias que tentam explicar a génese desta crise incluem, com maior ou menor destaque, o ciclo viciado da realimentação crédito fácil <-> construção excessiva. O crédito fácil parece ter acabado. É altura de reequacionar o resto. Independentemente de razões ambientais, parece sensato limitar a construção às necessidades, que já há muito foram ultrapassadas. Mas incluindo na equação razões ambientais (que às quais deve ser dada especial relevância numa área oficialmente protegida), torna-se claro que urbanizar as Penhas da Saúde em toda a área definida pelo seu perímetro urbano, tal como ele está actualmente definido por lei, é um crime. E um crime muito estúpido.

sexta-feira, novembro 28, 2008

Contos da loucura "normal"

A encosta da Covilhã à noite. As luzes à esquerda são das casas nas Portas dos Hermínios, perto do sanatório; as situadas mais abaixo, à direita, são as das casas da Rosa Negra; o clarão central recortado pelo alto da colina é o reflexo da iluminação pública das Penhas da Saúde.

Este assunto da venda das torres das bolas da Torre justifica um olhar retrospectivo sobre um episódio paradigmático da maneira como olhamos a serra. O episódio a que me refiro é o da instalação da base militar da Força Aérea no alto da Serra. E o aspecto que mais me interpela neste assunto todo é a extrema brevidade da utilização da referida base militar. Pelo que pude apurar, ela foi utilizada militarmente durante uns efémeros quinze anos (estimativa por excesso), tendo ficado ao abandono desde os anos setenta! Face a esta realidade, é ou não liminarmente evidente que a decisão da instalação da base foi um erro e o investimento um monumental desperdício?

Outro episódio semelhante foi o da construção do teleférico Piornos-Torre. Estando a obra praticamente terminada, por volta de 1975, constatou-se que o teleférico não ofereceria condições de segurança dada a frequência de ventos intensos ali, no alinhamento dos vales do Zêzere e da Alforfa. Conclusão? As estruturas ficaram na serra ao abandono durante mais de vinte anos: os cabos suspensos sobre a Nave de Santo António (um deles caiu a páginas tantas), a enorme torre de suspensão intermédia "enfeitando" o Espinhaço de Cão, os edifícios dos dois terminais lentamente decaindo em ruínas... Assim chegámos ao final dos anos noventa, altura em que tudo foi removido (à excepção do terminal inferior, nos Piornos; terá sido com o objectivo de eternamente nos penitenciarmos pelos custos da nossa estupidez?). Por uma vez imperou o bom senso: fizemos asneira com isto do teleférico, vamos remover essa asneira. Porque será que não se pode aplicar o mesmo bom senso às torres das bolas?

Episódios deste tipo vão-se sucedendo, com maior ou menor espalhafato, maior ou menor desperdício. Apesar de a realidade ser o que menos conta nestas andanças, às vezes ainda acaba por se impor, vá lá, vá lá! Por exemplo, há alguns anos tentou ganhar força um movimento para se lançar uma candidatura à realização dos jogos olímpicos de Inverno na Serra da Estrela! O Jornal do Fundão (olha quem!) fez questão de dar a esse proto-movimento toda uma página, com entrevista, comentário, análise e foto a cores. A coisa ficou por ali, e ainda bem. Jogos Olímpicos de Inverno na Serra, jamais virão a acontecer, obviamente. Mas é possível estragar muita serra com esse objectivo em mente. Nunca publicamente viria a ser reconhecido que tudo não tinha passado de um disparate voluntarista (como os radares, como o teleférico). Mas, tivesse o projecto "avançado", teríamos agora as ruínas a demonstrá-lo.

Mas outras vezes não há realidade que nos valha. Um dos mais recentes episódios do que chamei loucura normal é a decisão da Câmara Municipal da Covilhã de tornar as Penhas da Saúde (aglomerado de casas de férias que, na sua esmagadoríssima maioria, permanecem fechadas durante quase todo o ano e onde não moram mais do que vinte pessoas) numa minicidade de montanha, uma "área de projecção nacional e internacional, com que Portugal possa concorrer em termos de turismo de montanha com outras da Europa, nas cidades dos maciços mais conhecidos, como os Alpes ou os Pirinéus." (transcrição literal do site da Câmara Municipal). Não só a realidade parece estar a milhas deste projecto (quem o propõe ou não conhece os Alpes e os Pirinéus, ou não conhece a Serra, ou não conhece nem uns nem a outra), como podemos questionar-nos se, antes de fazer das Penhas da Saúde uma cidade viva, não seria obrigação da Câmara Municipal dar vida ao centro histórico da Covilhã, coisa que se está a revelar mesmo muito difícil... O primeiro passo para tão esclarecido e viável empreendimento foi o asfaltar dos arruamentos do aldeamento e a instalação de nova iluminação pública, há auns três ou quatro anos. Esta última tem uma intensidade tal que o céu nocturno das Penhas da Saúde perdeu todo o seu encanto: aquilo agora é à noite como a segunda circular em Lisboa. Tem uma intensidade tal que em certas condições, podemos na Covilhã notar o clarão das Penhas nas nuvens baixas, apesar de as duas localidades não estarem na linha de visão uma da outra. É isso mesmo que mostro na fotografia que ilustra este post. Como devemos classificar este dispêndio de megawatts-hora na iluminação pública dos arruamentos de um aglomerado de casas onde não mora praticamente ninguém?

Deixei aqui quatro exemplos, entre muitos que poderia ter referido (só o capítulo estradas dava vários posts). O discurso é sempre o mesmo: "isto que vamos fazer é indispensável para o progresso!" Mais tarde, quando se constata o que já era óbvio desde o início, ou seja, que o que se queria fazer está apenas a absorver verba sem gerar progresso nenhum, deixa-se a coisa ao abandono e começa-se uma nova loucura, com os mesmos argumentos! Às vezes nem sequer tem que ser uma loucura nova: por exemplo, volta-se agora a tentar relançar o projecto do teleférico Piornos-Torre!

Esta loucura "normal" não é uma doença exclusiva da zona da Serra da Estrela. Mas convenhamos que se faz aqui sentir de forma particularmente aguda. Algum dia teremos cura?

A fotografia é mesmo muito má. Mas foi tirada sem suporte e teve uma duração de perto de dois segundos. Enquanto fixava a câmara a um tripé para uma segunda tentativa, o nevoeiro adensou-se e o efeito perdeu-se completamente. Foi pena.

terça-feira, janeiro 29, 2008

A zona de jogo da Covilhã

A propósito da recente abertura de um casino em Chaves o presidente da Câmara Municipal da Covilhã voltou à carga com o seu projecto para uma zona de jogo na Covilhã.

Pessoalmente, nada tenho contra a abertura de um casino na Covilhã. Caso surja este investimento, farei votos de que seja um grande sucesso. Só não concordo, mesmo nada, é com a ideia de o instalar nas Penhas da Saúde.

Porquê nas Penhas da Saúde, onde não vive ninguém ou quase ninguém e onde a oferta hoteleira é reduzida? Esta localização obrigará os clientes e funcionários a viagens, por uma estrada sinuosa e inclinada que, em noites de mau tempo principalmente, apresenta alguma perigosidade.

Porquê nas Penhas da Saúde, se poderia desempenhar um papel importante na revitalização do centro urbano da Covilhã, houvesse para tal o arrojo que tão bem se tem evidenciado para estes projectos de urbanização da Serra?

A imagem de marca da Serra da Estrela inclui (por enquanto), a natureza, a paisagem, a rudeza do granito, os grandes espaços, grandes desafios. É sensato cultivar estes elementos simbólicos porque há segmentos do mercado turístico, muito importantes e em crescimento muito rápido, em Portugal e no resto da Europa, para os quais eles são extremamente vendáveis. A inevitável publicidade a este empreendimento não irá contribuir para a erosão da imagem da Serra da Estrela como espaço natural a um ritmo ainda mais acelerado? E isso não é considerado preocupante pelos responsáveis do turismo na nossa região?

Um casino não é (não pode ser) uma chafaricazinha. Não é o bingo da associação recreativa. Não é a "tenda do Adelino". Não é nunca uma construção discreta. Vejam-se os casinos da Póvoa, de Espinho, do Estoril, de Lisboa, de Monte Gordo, da Madeira, de Vilamoura, o Algarve Casino ou o agora inaugurado Casino de Chaves (dos existentes em Portugal falta apenas o da Figueira da Foz, porque dele não encontrei imagens numa busca apressada). Como é que uma coisa destas se pode enquadrar nas Penhas da Saúde? Como é que se pode sequer desejar enquadrar uma coisa destas nas Penhas da Saúde?!

Faça-se o casino, sim, mas onde um tal estabelecimento faça sentido: na cidade. Na Covilhã, por exemplo.

PS: Compreendo que seja do interesse da Turistrela, a empresa concessionária exclusiva do turismo e dos desportos na Serra da Estrela, a instalação do casino no seu espaço de exclusividade, a dois passos da maior das suas unidades hoteleiras. Não compreendo é que haja mais quem tenha a ganhar com essa localização. Não compreendo, em particular, porque é que ela é defendida pelo presidente da câmara, que não foi eleito propriamente para apoiar as pretensões daquela empresa. Finalmente, este assunto é mais um que me leva a defender o fim imediato deste anacronismo incompreensível que é a dita concessão exclusiva, em si mesma, independentemenete das qualidades e defeitos da empresa concessionária.

terça-feira, agosto 28, 2007

Opiniões bem fundamentadas

Sobre a nova barragem das Penhas da Saúde, que a Câmara Municipal da Covilhã planeia construir no vale da Ribeira das Cortes, ou melhor sobre o seu estudo de impacto ambiental e a correspondente avaliação de impacto ambiental manifestei-me aqui e aqui(1).
Mas volto a este assunto porque o Jornal do Fundão publicou na semana passada uma notícia sobre um particular, proprietário de um terreno e de uma casa na zona a ser alagada, que agora vem protestar contra a obra. O texto do artigo pode ser consultado no site do JF para quem tiver password ou no blog Cortes do Meio.
Não me quero pronunciar sobre este diferendo em concreto, mas sobre uma parte da notícia. Uma das objecções levantadas pelo proprietário descontente é de ordem turística e tem o apoio do autarca (ou ex-autarca, não sei bem) Alçada Rosa:
“Durante oito a dez anos vamos ver naquele vale, uma das áreas mais bonitas da serra, um monte de terra e pedras francamente feio”, enquanto “a zona debaixo não tinha esse inconveniente”, sublinha. Alçada Rosa e Luís Alçada estão de acordo que a solução aprovada “será também prejudicial para o turismo” e, em especial, para o hotel das Penhas, da Turistrela.
O jornalista contactou o administrador da Turistrela pedindo-lhe comentários sobre este argumento, tendo recebido esta pérola como resposta:
“Não conheço o projecto mas não tenho dúvidas que será um benefício para o turismo da Serra da Estrela mesmo em termos visuais”, defende, por seu lado, Artur Costa Pais. O administrador da Turistrela louva “a coragem e persistência da Câmara para concretizar o empreendimento”, que será “uma riqueza para a região e um benefício para o turismo”. A obra “não vai afectar o hotel e só temos a agradecer a localização da barragem”, diz o responsável da Turistrela que faz “votos para que seja construída rapidamente”.
Eu também não conheço o projecto, tenho portanto igual fundamento para considerar que esta barragem não vai beneficiar em nada o turismo. A Turistrela está agora a começar a apostar (assim parece, pelo menos) em passeios pedestres, de BTT e interpretação da natureza. Vê com bons olhos a destruição daquela paisagem, pelo menos enquanto as obras durarem? Como Luís Alçada e Alçada Rosa, receio bem que a "rápida construção" desta barragem se prolongue por vários anos.
Esta barragem é também conhecida como Barragem das Penhas II. Isto porque já há uma barragem nas Penhas da Saúde, conhecida também como barragem do lago Viriato. Pois bem, a Câmara Municipal cercou esta albufeira com uma rede, vedando o acesso das pessoas à água, impedindo até os passeios pelo muro da barragem. Que interesse é que, nestas condições, aquele espelho de água tem para o turismo? Alguém sabe se as regras para o acesso à albufeira da barragem Penhas II serão diferentes?

(1) Não o fiz pelos canais oficiais, basicamente por insegurança e falta de disponibilidade. A questão é que teria que obter o estudo em si (fiz a minha análise baseando-me apenas no resumo não técnico, que estava disponível online), coisa que me pareceu na altura complicado.

sexta-feira, maio 18, 2007

1ª Caminhada pelo ambiente da Serra da Estrela

No dia 12 de Maio (o passado sábado) teve lugar a 1ª Caminhada pelo ambiente da Serra da Estrela. Quatro grupos (ou sete, num certo sentido que já clarificarei) partiram de diferentes locais, e convergiram na Torre por volta da hora de almoço.

De Alvoco da Serra partiram 10 amigos (vindos de Coimbra, Carregal do Sal, Seia e Gouveia), das Penhas da Saúde oito (do Porto e da Covilhã, eu incluído), do Covão da Ametade sairam nove (da Covilhã e de Manteigas) e da Lagoa Comprida perto de treze, vindos de Lisboa, Porto e Viseu. O quinto grupo era constituido pelos participantes de um encontro de todo o terreno da Lousã, que, nos seus jipes, subiram a Serra mais rápida e confortavelmente (mas, cá para mim, com muito menos gozo). Eram cerca de setenta pessoas. Contámos ainda com a adesão de um grupo (o sexto) de uma escola de Santarém (não sei quantos eram ao certo).

Falando por mim, foi um passeio muito agradável. Saindo das Penhas da Saúde, passando por trás da albufeira da barragem das Penhas, seguimos até aos Piornos e descemos até ao entroncamento da estrada para o Covão do Ferro. Aí, um "motim" entre os participantes obrigou-nos a alterar o trajecto. Em vez de descermos até ao Covão, seguir para o Terroeiro e daí para a Torre como estava previsto, decidimos subir pelo trilho do Espinhaço do Cão até à Nª Srª dos Pastorinhos e aí virar para a Torre.

O Grupo das Penhas da Saúde, no trilho do Espinhaço do Cão.
Quando chegámos à Santa, encontrámos o grupo de praticantes de todo o terreno, que ali estavam recolhendo lixo em quantidades astronómicas. Continuámos a subir até um pequeno covão, a cerca de mil metros da Torre, com um ribeiro completamente entupido com plásticos. As fotografias com que ilustrei o post "A serra, como ela também é" foram aí tiradas. Note-se que não se trata de um local frequentado por turistas, nem pouco mais ou menos. O lixo que ali encontrámos tinha sido arrastado da zona da Torre pela corrente do ribeiro.
Linha de água, situada entre a Torre e a Santa. Num local que, simultaneamente, pertence ao Parque Natural da Serra da Estrela, é Reserva Biogenética e sítio Rede Natura 2000.
Recolhemos todo o lixo que pudéssemos transportar e continuámos a subida, carregados com grandes sacos, pedaços de trenós de plástico e até uma câmara de ar, ainda cheia.

Chegados à Torre, demos com o grupo vindo do Covão da Ametade, que já lá estava à espera. Fomos também recebidos pelo pessoal do Rocha podre e pedra dura (sétimo grupo) que, encontrando-se a escalar no Cântaro Magro, quiseram juntar-se à iniciativa. Tinha toda a lógica, até porque tinham recolhido plásticos de uma via de escalada no Cântaro... É espantoso o que a força das correntes, de água ou de ar, consegue, no que respeita à dispersão de plásticos...
Estava um vento frio e desagradável na Torre e, por essa ou outras razões, nem todos tiveram a paciência ou a resistência para esperar a chegada dos amigos vindos de Alvoco e da Lagoa Comprida, tendo então iniciado o regresso mais cedo do que o previsto. Mas o resto do pessoal lá acabou por chegar, carregados como mulas com o lixo que puderam pôr às costas. Comemos as merendas, tirámos umas fotografias do grupo, e iniciámos a descida.

Os participantes na 1ª Caminhada, ou melhor, o que deles restava à hora da tomada da fotografia.

No regresso não houve motim. Viemos pelo Terroeiro, ou seja, pelo caminho que estava previsto para a subida. Chegados às Penhas da Saúde, tive tempo para beber um fino, despedir-me dos meus companheiros e, logo a seguir, pôr-me a caminho de Manteigas, para assistir ao encerramento da exposição de fotografias (ou talvez seja mais apropriado chamar-lhe exposição de emoções) "Olhares Montanheiros" e para participar no debate que se seguiu.

O lixo que apanhámos foi uma gota no oceano. Já sabíamos que, por muito que fizéssemos, imenso continuaria por fazer. Não é por essa razão que não haverá uma 2ª (ou 3ª, 4ª...) Caminhada pelo ambiente da Serra da Estrela. Mais do que limpar a Serra, pretendemos mostrar que há quem queira a Serra limpa, que há quem espere que os diversos organismos com responsabilidades neste assunto (ambientais ou turísticas) comecem a cumprir as suas obrigações, tomando resoluções concretas no sentido de acabar com esta vergonhosa situação.

Falta apenas dizer que, apesar do lixo, a Serra está fantástica nesta altura, com o amarelo das flores da carqueija e da giesta, com o violeta das da urze, com a folhagem fresca dos carvalhos, das tramazeiras e das bétulas, com o melancólico canto do cuco, com os gritos agrestes dos gaios...

Giestas e urze.
Só percorrendo a pé a Serra nos damos conta da maravilha que aqui temos. Só percorrendo a Serra a pé nos damos conta do mal que a temos tratado. Como diz o biólogo holandês Jan Jensen, a Serra da Estrela é a jóia da coroa das áreas protegidas portuguesas. Para que assim continue, para que o seja cada vez mais, temos que protegê-la, mas protegê-la, mesmo. Por isso, comecemos já a preparar uma 2ª Caminhada pelo Ambiente da Serra da Estrela!

Mais fotografias da caminhada podem ver-se aqui. Se tiver fotos da caminhada que queira partilhar faça-mas chegar, ou então indique-me uma link para um repositório on-line onde as tenha armazenado.

Adenda: A realização da caminhada foi divulgada por diversos órgãos de comunicação social, nomeadamente algumas rádios regionais (peço-lhes perdão por não me lembrar quais), o jornal Diário XXI (veja aqui) e O Interior (aqui). Em contrapartida, que eu saiba, só O Interior fez uma notícia cobrindo o evento. Obrigado a todos os que divulgaram a iniciativa e a'O Interior pela atenção que lhe prestou.

segunda-feira, maio 08, 2006

Ponto da situação (Maio)

Covão Cimeiro

Aqui está mais uma edição do "Ponto da Situação". As novidades desde a edição de 10 de Março consistem na secção sobre a estância de esqui e uma nova secção chamada "Preocupações vagas".
Tinha prometido uma edição mensal, mas este artigo é uma seca, e por isso é melhor não martelar, com ele, as cabeças dos leitores do Cântaro. Pelo menos, é melhor não o fazer tão frequentemente, até porque elas (as cabeças dos leitores do Cântaro) não são assim tantas.... Ainda assim, hoje pareceu-me apropriado.

Para servir de referência mais próxima aos atentados que se preparam e se perpetram na Serra, pretendo passar a publicar este artigo de vez em quando, com os acrescentos e correcções que a situação e a minha percepção dela forem ditando. Pretendia inicialmente fazer aqui uma enumeração neutra dos projectos, mas nem sempre resisti a meter uma colherada de opiniões ou comentários.

Estradas  Teleféricos  Construções  Esqui  Preocupações vagas  Personalidades  Siglas

Estradas

  • Decorrem obras para a conculsão da estrada de asfalto entre a Portela do Arão e a Lagoa Comprida. Apesar de ser ter afirmado que se trata de uma estrada de terra que já existia (recordo-me de ter lido esta opinião, mas já não tenho as referências), nada consta nas cartas do instituto geográfico do exército (ou nas minhas memórias do local anteriores aos anos noventa).
  • Está decidida a asfaltação do caminho entre a Vila do Belo Horizonte e o Covão do Ferro. Este acesso de Unhais da Serra à Nave de Santo António foi iniciado há alguns anos, mas interrompido porque, segundo Lemos Santos afirmou no blogue Tráfego na Serra da Estrela, se revelou (já depois da obra bem avançada) incomportável a resolução de certos problemas técnicos e financeiros. Está-se a ver como a coisa foi bem planeada e os estudos de impacto ambiental e de viabilidade técnica e financeira bem realizados... Das palavras deste responsável no referido blogue, fiquei com a impressão (mas cada um que tire as suas conclusões depois de ler o blogue) de que a construção desta estrada tinha ficado combinada entre a Câmara da Covilhã e o grupo IMB, da Covilhã, responsável pela reabertura das Termas de Unhais. (Se, de facto, tenho razão, trata-se, como se vê, de mais um daqueles anseios das populações rurais...)
  • No ano de 2005, foi asfaltado mais um pedaço do acesso entre Manteigas e o Poço do Inferno. O acesso já estava todo asfaltado, mas levou-se a beneficiação mais longe, até ao sítio chamado Cova. Simultaneamente, foi também asfaltado um caminho estreito que desce de perto do Poço do Inferno, e que se dirige ainda não sei onde.
  • Foi arranjado com carradas de brita uma parte do acesso entre as Portas dos Hermínios e a Bouça. Foi também rasgado a tractor um novo acesso entre as Penhas da Saúde e a Malhada do Prior
  • Parece ganhar força a proposta da criação da Estrada Verde, entre a Guarda e o maciço central. Antes ainda do projecto estar terminado (projecto? Parece nem sequer estarem ainda definidas as linhas gerais do traçado!) uma primeira ofensiva foi anunciada aqui. Uma das coisas que me chama a atenção neste anúncio é que as palavras de José Manuel Biscaia parecem indicar que o que ele tinha em vista era uma nova estrada até à própria Torre!

Início

Teleféricos

  • Turistrela, RTSE, Câmara da Covilhã defendem, e submeteram para financiamento ao programa PITER, a construção de um teleférico para a Torre do lado da Covilhã. Inicialmente sugeria-se que este teleférico teria inicio nas Penhas da Saúde ou nos Piornos, locais já artificializados e relativamente degradados (o primeiro é um aldeamento, no segundo há já um parque de estacionamento), mas agora (ver o suplemento Local (Centro) do Público de 15 de Fevereiro) diz-se que só é viável a construção até à barragem do Padre Alfredo, o que irá obrigar à construção de um parque de estacionamento e acessos num local absolutamente idílico e com muito interesse para a prática de montanhismo e outras actividades mais relacionadas com turismos de natureza.
  • A Turistrela e a RTSE propõem a construção de um teleférico entre a Lagoa Comprida e a Torre. Espantoso é que como lhes parece que não há, próximo da estrada nacional, espaço suficiente para a construção de um parque de estacionamento com as dimensões que acham necessárias (ver o mesmo artigo do suplemente Local (Centro) do Público de 15 de Fevereiro), pretendem o início deste teleférico a partir do extremo oriental da Lagoa, um sítio igualmente belíssimo. Ainda por cima é local de passagem do trilho de Grande Rota T1. A construir-se este teleférico, o troço do trilho entre a lagoa comprida e a torre ficará "à sombra" dos postes e das cabines!
  • Outra proposta do mesmo "pacote" foi a da abertura de um teleférico entre Alvoco da Serra e a Torre. No artigo já citado do Público, informa-se que este empreendimento ficará a aguardar estudos técnicos mais detalhados.
  • Foi ainda sugerido pelo presidente da Câmara Municipal (ver "O Interior" de 28 de Abril de 2005 ou aqui) da Covilhã a construção de um teleférico entre Unhais da Serra e as Penhas da Saúde.

Início

Construções

A fonte para tudo o que aqui apresento é um suplemento para-publicitário do Jornal do Fundão de 29 de Abril de 2005. Tem havido várias outras referências na imprensa regional e nacional a alguns destes projectos
  • Torre
    • Estalagem da Torre: Aproveitamento da antiga messe dos oficiais da base de radares para um hotel de 4 estrelas com 21 quartos e uma suite
    • Esqui Hotel: Construir sobre o "bunker" de apoio ao esqui um hotel de 4 estrelas com 18 quartos e 2 suites, "em perfeita harmonia com a magnífica paisagem circundante"
    • Edifício de apoio à estância: A Turistrela pretende "requalificar" uma das torres de radar para funcionar como posto de venda de forfaits e de aluguer de material
  • Piornos (Perto do Centro de limpeza de neve)
    • Spa: No suplemento do JF que citei, apenas se refere que se pretende aproveitar "o espaço ocupado por um antigo edifício, que ao longo de mais de 20 anos tem sido uma mancha na paisagem pela degradação e abandono que apresenta (...)". O edifício em questão é a estação inferior do antigo teleférico Piornos - Torre, que foi construido mas nunca chegou a funcionar (como se vê, isto dos teleféricos é uma maluquice reincidente). Todas as outras estruturas (poste central e estação superior, na Torre) foram demolidas e removidadas. Porque é que esta "mancha na paisagem" não teve o mesmo destino? Quem se terá oposto?
    • Pavilhão multiusos Depreendo que os Piornos serão o sítio onde se projecta a implantação desta estrutura a partir da fotomontagem que ilustra o artigo, mas já pude ler que se pretendia antes localizá-la nas Penhas da Saúde. Deseja-se que este espaço tenha capacidade para três mil pessoas.
  • Penhas da Saúde
    • "Empreendimento casas e apartamentos": Pretende-se a construção de seiscentos apartamentos(!)
    • Centro comercial
    • Centro de estágios desportivos
    • Casino
  • Da Varanda dos Carqueijais às Portas dos Hermínios (Zona do antigo Sanatório dos Ferroviários)
    • Hotel de Charme: reconstrução do antigo sanatório
    • Restaurante
    • Conjunto turístico constituído por "24 moradias com rés-do-chão, primeiro andar e sótão e 15 de rés-do-chão", ocupando uma área de 97000m2, complementado por um circuito de manutenção [Permitam-me um àparte pessoal: trata-se da zona onde muitas pessoas (eu incluído) praticam jogging, partindo da estrada do Pião ou do circuito de manutenção da Covilhã, mais a baixo. Acreditem, não faz falta nenhuma um circuito de manutenção ali.], uma piscina (há outra, normalmente deserta ou quase, na estalagem da Varanda dos Carqueijais, do outro lado da estrada), campos de ténis e, ainda, um aparthotel. Mas não nos preocupemos, "De forma a integrar o empreendimento na paisagem e a salvaguardar a mancha verde envolvente, as infraestruturas, nomeadamente, os arruamentos, foram reduzidos ao mínimo (...)"
  • Sabugueiro
    • Aqui a Turistrela anuncia que quer construir, num terreno com vinte e um hectares, um aldeamento de montanha com 280 fogos. O que a Turistrela entende sobre qualidade urbana em espaços de montanha fica definido no primeiro parágrafo deste anúncio: "Com o título da "Aldeia mais alta de Portugal", o Sabugueiro é hoje uma aldeia modernizada e um grande centro turístico em permanente evolução."
Há ainda projectos de um aparthotel em Manteigas (Turistrela) e está-se a construir uma estância termal em Unhais da Serra (grupo IMB). Sobre estas construções nada tenho a dizer, desde que não invadam grandes extensões de espaço extra urbano. Por outro lado, como disse no tópico Estradas, suspeito que a revitalização das termas de Unhais avançou apenas depois de a Câmara se comprometer com a asfaltação do caminho Unhais - Covão do Ferro. Não serão dados apoios autárquicos semelhantes ao empreendimento do aparthotel de Manteigas?

Início

Estância de esqui

A breve prazo (um ou dois anos), prevê-se uma ampliação da estância na zona onde actualmente está situada, com pistas mais para poente (sobre esta ampliação pode ler aqui).
Mais a la longue, no já citado artigo no Público de 15 de Fevereiro, refere-se a possibilidade da ampliação da estância com a abertura de pistas perto da Lagoa Comprida e na vertente do Covão do Ferro (os locais que pretendem equipar com os teleféricos).

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Preocupações vagas

Num artigo a que me referi aqui e aqui, Jorge Patrão refere "melhoramentos" no Covão da Ametade, coisa que, vinda de quem vem, pode querer dizer um hotel, um aparthotel, uma piscina coberta, um centro comercial, um casino, uma urbanização, um teleférico, um campo de golfe e/ou outra(s) algarvice(s) do mesmo género. Enquanto não souber ao certo o que ele tem em mente, todos os receios são legítimos.
Ficamos a saber também que as zonas da Porta dos Hermínios, da Lagoa Comprida e do Vale do Rossim foram promovidos ao estatuto de "núcleos de recreio". Uma vez que as Penhas da Saúde gozam do mesmo estatuto, suspeito que isso significa que a RTSE quer que sejam objecto do mesmo tipo de urbanização em roda livre que se verifica actualmente nas Penhas.

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Algumas Personalidades

  • Carlos Pinto, presidente da Câmara Municipal da Covilhã
  • José Manuel Biscaia, presidente da Câmara Municipal de Manteigas
  • Eduardo Brito, presidente da Câmara Municipal de Seia
  • Jorge Patrão, presidente da Região de Turismo da Serra da Estrela
  • Artur Costa Pais, proprietário e administrador da Turistrela
  • Lemos dos Santos, Coordenador da Acção Integrada de Base Territorial da Serra da Estrela
(Esta lista encontra-se gravemente incompleta)

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Siglas

  • PNSE: Parque Natural da Serra da Estrela
  • RTSE: Região de Turismo da Serra da Estrela
  • AIBTSE: Acção Integrada de Base territorial da Serra da Estrela

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Refira-se que alguns dos projectos (ou todos?) aqui referidos foram submetidos para financiamento pelos programas PITER e/ou PENT.

sexta-feira, março 10, 2006

Ponto da situação

Covão Cimeiro Para servir de referência mais próxima aos atentados que se preparam e se perpetram na Serra, pretendo passar a publicar este artigo no início de cada mês, com os acrescentos e correcções que a situação e a minha percepção dela forem ditando. Pretendia inicialmente fazer aqui uma enumeração neutra dos projectos, mas nem sempre resisto a meter uma colherada de opiniões ou comentários.

Estradas Teleféricos Construções Esqui Personalidades Siglas

Estradas

  • Decorrem obras para a conculsão da estrada de asfalto entre a Portela do Arão e a Lagoa Comprida. Apesar de ser ter afirmado que se trata de uma estrada de terra que já existia (recordo-me de ter lido esta opinião, mas já não tenho as referências), nada consta nas cartas do instituto geográfico do exército (ou nas minhas memórias do local anteriores aos anos noventa).
  • Está decidida a asfaltação do caminho entre a Vila do Belo Horizonte e o Covão do Ferro. Este acesso de Unhais da Serra à Nave de Santo António foi iniciado há alguns anos, mas interrompido porque, segundo Lemos Santos afirmou no blogue Tráfego na Serra da Estrela, se revelou (já depois da obra bem avançada) incomportável a resolução de certos problemas técnicos e financeiros. Está-se a ver como a coisa foi bem planeada e os estudos de impacto ambiental e de viabilidade técnica e financeira bem realizados... Das palavras deste responsável no referido blogue, fiquei com a impressão (mas cada um que tire as suas conclusões depois de ler o blogue) de que a construção desta estrada tinha ficado combinada entre a Câmara da Covilhã e o grupo IMB, da Covilhã, responsável pela reabertura das Termas de Unhais. (Se, de facto, tenho razão, trata-se, como se vê, de mais um daqueles anseios das populações rurais...)
  • No ano de 2005, foi asfaltado mais um pedaço do acesso entre Manteigas e o Poço do Inferno. O acesso já estava todo asfaltado, mas levou-se a beneficiação mais longe, até ao sítio chamado Cova. Simultaneamente, foi também asfaltado um caminho estreito que desce de perto do Poço do Inferno, e que se dirige ainda não sei onde.
  • Foi arranjado com carradas de brita uma parte do acesso entre as Portas dos Hermínios e a Bouça. Foi também rasgado a tractor um novo acesso entre as Penhas da Saúde e a Malhada do Prior
  • Parece ganhar força a proposta da criação da Estrada Verde, entre a Guarda e o maciço central. Antes ainda do projecto estar terminado (projecto? Parece nem sequer estarem ainda definidas as linhas gerais do traçado!) uma primeira ofensiva foi anunciada aqui. Uma das coisas que me chama a atenção neste anúncio é que as palavras de José Manuel Biscaia parecem indicar que o que ele tinha em vista era uma nova estrada até à própria Torre!

Início

Teleféricos

  • Turistrela, RTSE, Câmara da Covilhã propuseram e submeteram ao programa PITER para financianciamento, a contrução de um teleférico para a Torre do lado da Covilhã. Inicialmente sugeria-se que este teleférico teria inicio nas Penhas da Saúde ou nos Piornos, locais já relativamente degradados (o primeiro é um aldeamento, no segundo há já um parque de estacionamento) mas agora (ver o suplemente Local (Centro) do Público de 15 de Fevereiro) diz-se que só é viável a construção até à barragem do Padre Alfredo, o que irá obrigar à construção de um parque de estacionamento e acessos num local absolutamente idílico e com muito interesse para a prática de montanhismo e outras actividades mais relacionadas com turismos de natureza.
  • A Turistrela e a RTSE propõem a construção de um teleférico entre a Lagoa Comprida e a Torre. Espantoso é que como lhes parece que não há, próximo da estrada nacional, espaço suficiente para a construção de um parque de estacionamento com as dimensões que acham necessárias (ver o mesmo artigo do suplemente Local (Centro) do Público de 15 de Fevereiro), pretendem o início deste teleférico a partir do extremo oriental da Lagoa, um sítio igualmente belíssimo. Ainda por cima é local de passagem do trilho de Grande Rota T1. A construir-se este teleférico, o troço do trilho entre a lagoa comprida e a torre ficará "à sombra" dos postes e das cabines!
  • Outra proposta do mesmo "pacote" foi a da abertura de um teleférico entre Alvoco da Serra e a Torre. No artigo já citado do Público, informa-se que este empreendimento ficará a aguardar estudos técnicos mais detalhados.
  • Foi ainda sugerido pelo presidente da Câmara Municipal (ver "O Interior" de 28 de Abril de 2005 ou aqui) da Covilhã a construção de um teleférico entre Unhais da Serra e as Penhas da Saúde.

Início

Construções

A fonte para tudo o que aqui apresento é um suplemento para-publicitário do Jornal do Fundão de 29 de Abril de 2005. Tem havido várias outras referências na imprensa regional e nacional a alguns destes projectos
  • Torre
    • Estalagem da Torre: Aproveitamento da antiga messe dos oficiais da base de radares para um hotel de 4 estrelas com 21 quartos e uma suite
    • Esqui Hotel: Construir sobre o "bunker" de apoio ao esqui um hotel de 4 estrelas com 18 quartos e 2 suites, "em perfeita harmonia com a magnífica paisagem circundante"
    • Edifício de apoio à estância: A Turistrela pretende "requalificar" uma das torres de radar para funcionar comoposto de venda de forfaits e de aluguer de material
  • Piornos (Perto do Centro de limpeza de neve)
    • Spa: No suplemento do JF que citei, apenas se refere que se pretende aproveitar "o espaço ocupado por um antigo edifício, que ao longo de mais de 20 anos tem sido uma mancha na paisagem pela degradação e abandono que apresenta (...)". O edifício em questão é a estação inferior do antigo teleférico Piornos - Torre, que foi construido mas nunca chegou a funcionar (como se vê, isto dos teleféricos é uma maluquice reincidente). Todas as outras estruturas (poste central e estação superior, na Torre) foram demolidas e removidadas. Porque é que esta "mancha na paisagem" não teve o mesmo destino? Quem se terá oposto?
    • Pavilhão multiusos Depreendo que os Piornos serão o sítio onde se projecta a implantação desta estrutura a partir da fotomontagem que ilustra o artigo, mas já pude ler que se pretendia antes localizá-la nas Penhas da Saúde. Deseja-se que este espaço tenha capacidade para três mil pessoas.
  • Penhas da Saúde
    • "Empreendimento casas e apartamentos": Pretende-se a construção de seiscentos apartamentos...
    • Centro comercial
    • Centro de estágios desportivos
    • Casino
  • Da Varanda dos Carqueijais às Portas dos Hermínios (Zona do antigo Sanatório dos Ferroviários)
    • Hotel de Charme: reconstrução do antigo sanatório
    • Restaurante
    • Conjunto turístico constituído por "24 moradias com rés-do-chão, primeiro andar e sótão e 15 de rés-do-chão", ocupando uma área de 97000m2, complementado por um circuito de manutenção [Permitam-me um àparte pessoal: trata-se da zona onde muitas pessoas (eu incluído) praticam jogging, partindo da estrada do Pião ou do circuito de manutenção da Covilhã, mais a baixo. Acreditem, não faz falta nenhuma um circuito de manutenção ali.], uma piscina (há outra, normalmente deserta ou quase, na estalagem da Varanda dos Carqueijais, do outro lado da estrada), campos de ténis e, ainda, um aparthotel. Mas não nos preocupemos, "De forma a integrar o empreendimento na paisagem e a salvaguardar a mancha verde envolvente, as infraestruturas, nomeadamente, os arruamentos, foram reduzidos ao mínimo (...)"
  • Sabugueiro
    • Aqui a Turistrela anuncia que quer construir, num terreno com vinte e um hectares, um aldeamento de montanha com 280 fogos. O que a Turistrela entende sobre qualidade urbana em espaços de montanha fica definido no primeiro parágrafo deste anúncio: "Com o título da "Aldeia mais alta de Portugal", o Sabugueiro é hoje uma aldeia modernizada e um grande centro turístico em permanente evolução."
Há ainda projectos de um aparthotel em Manteigas (Turistrela) e está-se a construir uma estância termal em Unhais da Serra (grupo IMB). Sobre estas construções nada tenho a dizer, desde que não invadam grandes extensões de espaço extra urbano. Por outro lado, como disse no tópico Estradas, suspeito que a revitalização das termas de Unhais avançou apenas depois de a Câmara se comprometer com a asfaltação do caminho Unhais - Covão do Ferro. Não serão dados apoios autárquicos semelhantes ao empreendimento do aparthotel de Manteigas?

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Estância de esqui

(Fica para breve...)

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Algumas Personalidades

  • Carlos Pinto, presidente da Câmara Municipal da Covilhã
  • José Manuel Biscaia, presidente da Câmara Municipal de Manteigas
  • Eduardo Brito, presidente da Câmara Municipal de Seia
  • Jorge Patrão, presidente da Região de Turismo da Serra da Estrela
  • Artur Costa Pais, proprietário e administrador da Turistrela
  • Lemos dos Santos, Coordenador da Acção Integrada de Base Territorial da Serra da Estrela
(Esta lista encontra-se gravemente incompleta)

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Siglas

  • PNSE: Parque Natural da Serra da Estrela
  • RTSE: Região de Turismo da Serra da Estrela
  • AIBTSE: Acção Integrada de Base territorial da Serra da Estrela

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Refira-se que alguns dos projectos (ou todos?) aqui referidos foram submetidos para financiamento pelos programas PITER e/ou PENT.

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Construir, construir, construir!

Pág. 5 do Diário XXI de 3 de Dezembro de 2008. Clique para aumentar.

O Presidente da Câmara de Manteigas tem um projecto para as Penhas Douradas. Num artigo publicado na semana passada pelo Diário XXI (clique na imagem para a tornar legível), são referidos alguns detalhes: centro de estágios desportivos em altitude incluindo piscina de 50 m, ginásio, laboratório de avaliação da condição física dos atletas, 24 quartos duplos, salas comuns, diversos gabinetes. A isto eu acrescento, porque me parece natural que seja considerado, um campo de futebol e uma pista de atletismo, que não cabem num ginásio. O autarca destaca a proximidade de cidades médias como Covilhã, Guarda, Fundão e Castelo Branco para justificar esta aposta (como ao certo não nos explicam no artigo) e afirma que "há uma população vasta que beneficiará do investimento que será transversal a várias modalidades" (o artigo também não explica quem ao certo compõe essa população vasta nem como ao certo é que ela beneficiará).

Mas há mais. O artigo continua dizendo que a aprovação do plano prévio é o primeiro passo, a que se segue um Plano de Pormenor que a Câmara de Manteigas está a elaborar. Trata-se de um plano para um projecto de requalificação que prevê a ligação por funicular ou telecabine entre Manteigas e as Penhas Douradas, uma zona de hotelaria e restauração definida como de "alta qualidade", o aproveitamento (ao certo como não está dito) da lagoa do Vale do Rossim, a criação de espaços museológicos e a adaptação do centro de meteorologia para equipamento multiusos que possa servir também como planetário.

Mas ainda não chega. O estudo sugere também a construção de uma casa do Pai Natal e de um espaço de sentidos (não se explica ao certo o que se entende por isso) que funcionará como "uma espécie de floresta encantada".

Não percebo.

Porque será que os autarcas da nossa região (falo no plural porque a câmara da Covilhã tem projectos similares para as Penhas da Saúde) parecem querer, acima de tudo, que os turistas fiquem hospedados no alto da montanha, onde praticamente não há habitantes permanentes, não há comércio (nem comerciantes), não há cinema, não há teatro, não há salas de exposição, não há cafés, não há museus, onde não há praticamente nada e por isso mesmo tudo tem que lá ser construído, praticamente de raiz? Onde não há praticamente nada e justamente dessa ausência nasce grande parte do encanto desses lugares? Porque é que não se tenta antes alojar os visitantes nas localidades, onde poderiam contribuir para dar vida ao comércio muitas vezes moribundo dos centros históricos que as opções urbanísticas que temos seguido, por um lado, e dinâmicas socio-económicas complexas, por outro, tantas vezes têm votado ao envelhecimento e ao abandono? Onde com um investimento muito menor se poderiam criar dinâmicas de complementaridade (eventos comerciais atraindo turistas, presença de turistas aproveitada por eventos culturais, etc.), que tornassem a localidade mais viva, mais viável, mais atractiva. Mas não. O projecto é encaminhr os (eventuais) turistas para as Penhas, e os habitantes de Manteigas que se mudem lá para cima com os seus negócios, ou que fiquem a vê-los definhar, junto com tudo o resto, na vila. Não, não percebo estas estratégias dos autarcas da nossa região.

Ao escrever estes apontamentos, tive repetidas vezes a sensação de dejá-vu. Já há tempos falei sobre a casinha do Pai Natal, o funicular e tudo o resto, a propósito de anúncios que foram notícia, por exemplo, aqui. No artigo que hoje comento, repetem-se as mesmas expressões, palavra por palavra. Será esta notícia uma notícia nova, ou antes foi construida com material reciclado? Fica a dúvida.

No blog Café Mondego, Américo Rodrigues aponta a autenticidade como uma grande mais valia da zona de Bejár (outras referidas são o encanto das estradas rurais, a ausência de casinos, de túneis. Aposto que ele concordaria em acrescentar também a ausência de centros de estágio em altitude e de casinhas do Pai Natal). Por falar em autenticidade, o que é que, na nossa tradição católica apostólica romana, é autêntico numa casinha do Pai Natal? Como é que se pode integrar uma tão evidente importação do norte europeu num turismo que, segundo se afirma, se pretende de alta qualidade, a implantar na nossa região? E o que virá a seguir? Uma Caverna do Halloween no Covão da Ponte? Já agora...

Não tenho nenhuma antipatia especial pela Câmara Municipal de Manteigas ou pelo seu presidente. Ainda há pouco tempo aplaudi um outro projecto da mesma autarquia.

terça-feira, outubro 24, 2006

Pérolas (3)

Jorge Patrão (presidente da Região de Turismo da Serra da Estrela), logo a seguir a ter afirmado que "dentro do Maciço Central eu não defendo muito a fazer de novo" (quanto a novas estradas), sobre a Estrada Verde:
"Eventualmente essa ligação da Guarda à zona do Maciço Central já criará um novo aspecto de estrada panorâmica diferente. Dentro do Maciço os carros terão que ser travados, pelo menos no inverno, nas estâncias de montanha, nas Penhas da Saúde e no Sabugueiro. É lá que encontram o apoio de animação , alimentação e alojamento, não é na estância de esqui."
(Notícias da Covilhã, 2 de Dezembro de 2005, pág. 14)
Ou seja: somos contra novas estradas mas a favor da Estrada Verde; somos a favor da Estrada Verde mas vamos fechá-la ao trânsito, pelo menos no Inverno; pararemos os carros nas Penhas da Saúde e no Sabugueiro mas, agora que a estrada de S. Bento está inaugurada (e já estava a ser construída na altura destas declarações), os carros vão poder aceder ao Maciço Central pelo lado poente, sem passarem no Sabugueiro! Como é que os lá pararemos? E quando estiver acabado o acesso Unhais da Serra - Nave de Santo António, que permite o acesso pelo lado sul sem se passar nas Penhas da Saúde?
Não conseguiremos parar os carros no Sabugueiro e nas Penhas da Saúde mas é lá que eles pararão porque lá é que "encontram o apoio de animação , alimentação e alojamento, não é na estância de esqui". Vejamos agora este artigo do Jornal de Notícias de 10 de Maio de 2006, onde, a páginas tantas, se pode ler:
"O presidente da RTSE revela que o objectivo é integrar as duas torres, o edifício da antiga messe e algumas oficinas em ruínas na nova unidade hoteleira de quatro estrelas, com restaurante panorâmico para as pistas, que a Turistrela, concessionária do turismo na Estrela, pretende construir. [...] Os radares poderão ser utilizados como posto de informação aos turistas ou «observatório panorâmico», sugere Jorge Patrão. «Como são os edifícios mais altos do país, proporcionariam uma visão geográfica excelente de mais de metade do território nacional», garante o empresário."
Pois, pois, "animação, alimentação e alojamento" na estância de esqui? Credo, nem lembra ao diabo!

sexta-feira, setembro 29, 2006

Requalificação está a nascer aqui (?)

Como referi no artigo "Ai ele é ambientalista?!", a Câmara Municipal da Covilhã preparou, há perto de cinco anos, um plano de requalificação urbanística das Penhas da Saúde. Pode ler sobre isto, por exemplo, em dois artigos (este e este) do jornal on-line da UBI, o Urbi@Orbi. Para permitir a análise e discussão públicas do referido programa, que fez a Câmara? Montou nas Penhas da Saúde um mono verde de lata e vidro (o que se mostra na figura), onde ele estaria disponível para consulta pelos interessados.
Por duas vezes tentei consultar o programa, durante a fase de discussão pública. Das duas vezes dei com o mono verde fechado. (Já não me lembro, mas admito que posso ter tentado sempre fora das horas de expediente.)
Mas o ponto deste artigo nem é esse. É que a fase de consulta pública do programa decorreu há mais de quatro (4) anos! E o mono verde de lata e vidro ali ficou, fechado, agora com mais lata ainda a proteger os vidros.
Eu diria que um projecto de melhoramentos que nasce com este incaracterístico e foleiro casinhoto, tarde ou nunca se endireita. É uma forma muito eloquente de explicar os conceitos de requalificação e ordenamento que se irão aplicar nas Penhas. Cá para mim, este mono verde de lata e vidro é, gritantemente, RASCA! A serra e os que a visitam mereciam melhor.
Andem, requalifiquem um bocadinho as Penhas da Saúde: tirem este lixo daqui! (Ou será que a Turistrela/Região de Turismo também o quer transformar num restaurante de luxo, num "observatório panorâmico" ou numa piscina/SPA tipo Caldeia?)

quinta-feira, setembro 07, 2006

Ai ele é ambientalista?!

Em Agosto, publiquei aqui um artigo, chamado Silly Season, onde mostrava o ridículo das acusações de Jorge Patrão (presidente da Região de Turismo) aos ambientalistas que criticaram a decisão da diminuição da área do Parque Natural da Serra da Estrela. Citei um excerto das suas declarações onde, juntamente com outro disparate, acusava os ambientalistas de não se ralarem com a construção clandestina nas Penhas da Saúde.

Recentemente, foi-me apontada uma notícia interessante sobre este assunto, publicada pelo jornal online da UBI, o Urbi@Orbi. E o que diz a notícia, datada de 2001? (Segue-se uma série de copy&paste; sei que contêm gralhas, mas preferi não as corrigir.)

  1. Requalifação das Penhas da Saúde—Plano vai evitar demolições
  2. Quando, em 1981, Caldeira Cabral começou a trabalhar naquela área o seu parecer tendia para a demolição de várias construções, muitas delas clandestinas.
  3. Um dos factores de maior polémica é a utilização do zinco naquelas construções que segundo Caldeira Cabral constitui uma "imagem chocante de degradação"
  4. Em Outubro do ano passado tinham sido dadas quase como certas as demolições de grande número de habitações clandestinas ali localizadas [ver edição 36].
  5. O cenário actual é outro com Carlos Pinto a afirmar que "antes das florinhas estão as pessoas".
  6. Para permitir uma exploração do potencial turístico da encosta, mas salvaguardando as questões ambientais, a zona residencial vai ser ampliada.

O artigo da edição 36 que é citado acima começa assim:
Algumas construções clandestinas das Penhas da Saúde correm sério risco de demolição. Quem o assegura é Carlos Guerra, presidente do Instituto de Conservação da Natureza (ICN).
Aparentemente, então, há cinco anos esteve iminente a demolição das casas clandestinas. O Instituto da Conservação da Natureza defendia-o e tudo estava encaminhado nesse sentido. O que aconteceu? De acordo com estas notícias, se as construções clandestinas, perdão, podem ter sido entretanto legalizadas, corrijo-me: se as construções que antes eram clandestinas ainda existem nas Penhas da Saúde, se continua a "imagem chocante de degradação" do zinco, isso parece dever-se, em grande medida, à acção de Carlos Pinto, presidente da Câmara da Covilhã. Porque não se fez o que critérios ambientais (já para não falar dos de respeito pela lei) claramente ditavam, temos agora Jorge Patrão a dizer que a culpa é dos ambientalistas! Mas quais ambientalistas? Carlos Pinto?!

terça-feira, agosto 08, 2006

Silly season

Antes de regressar ao mundo real, desligado da grande rede, quero aqui deixar um comentário a uma notícia que apanhei já tardiamente, ainda sobre a redução da área do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE). A notícia tem o título (muito sugestivo, isto é, sugere qual o rumo correcto para o "desenvolvimento") Turismo dá esperança à vida na serra da Estrela.
Deixem-me só seleccionar dois excertos. Primeiro, o impagável Jorge Patrão, presidente da Região de Turismo da Serra da Estrela (RTSE) critica duramente os ambientalistas por se oporem à redução da área do PNSE, nos seguintes termos:

Nunca os vi indignados com o estado de ruína do sanatório dos ferroviários, nem com a construção clandestina nas Penhas da Saúde.
Deve estar a gozar! A preocupação principal dos ambientalistas nao é, nem nunca foi, o estado de conservação dos edifícios, por bonitos ou importantes que possam ser! Quando for essa a preocupação principal dos ambientalistas, eu deixarei imediatamente de o ser! Cá para mim, como ambientalista, o que realmente importa é a conservação do espaço natural. O turismo é um mal necessário, mas que pode, perfeitamente, ser mantido e desenvolvido, de modo compatível com a protecção do ambiente, com hotéis nas cidades, vilas e aldeias em redor da Serra. Para quê hotéis e urbanizações nas Penhas, nos Piornos, no Vale do Rossim, na Torre, como anunciam a Turistrela e a RTSE?! O que faz mais falta é turismo de natureza, ou seja, actividades, e não edificações (ainda mais!) no coração da Serra!
Quanto às construções clandestinas nas Penhas da Saúde, que eu saiba não foi propriamente um ambientalista que permitiu a legalização das casas de zinco atrás do sanatório (vulgo Aldeia dos Macacos), pois não? Também não foram ambientalistas que autorizaram a construção daquela espécie de parque de campismo sobrelotado só com bungalows que é o bairro dos chalés...
Acho que Jorge Patrão tem a pontaria muito mal afinada... Além disso, parece-me que está mal informado. Ele refere, no mesmo artigo, uma telecabine Penhas da Saúde - Torre - Sabugueiro. Tanto quanto sei, tanto quanto foi anunciado nos órgãos de comunicação social, as telecabines que se prespectivam é uma desde o Covão do Ferro para a Torre e outra desde a Lagoa Comprida (extremo oriental, longe da estrada) para a Torre. Assim afirmou uma técnica da Turistrela num artigo do Público, suplemento Local-Centro de 15 de Fevereiro de 2006. Ou seja, tenta-se estragar o mais possível a maior área possível de espaço natural.

O outro excerto diz respeito à posição de Álvaro Amaro, presidente da Câmara de Gouveia:

O presidente social-democrata da câmara de Gouveia nota que a paisagem só é protegida se for gerida. Por norma, indica Álvaro Amaro, "assistimos ao abandono e à preguiça do Estado que quando não faz nem deixa fazer proíbe".
Ou seja, Álvaro Amaro concorda com a diminuição da área do parque porque acha que os serviços do ICN não a gerem, a deixam ao abandono, não conseguem, portanto, protegê-la. Ou seja, podemos estar descansados que, agora que uma parte do PNSE vai ser desclassificada, a Câmara Municipal de Gouveia vai passar a proteger e a gerir, onde o PNSE abandonou e deixou degradar. Nem posso esperar para ver!

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!