sábado, fevereiro 28, 2009

Tanta paz...

... Tanta serenidade, tanto conforto...

Vem a propósito a cena da tempestade do filme "Sonhos" de Akira Kurozawa.

Podemos encontrá-la no Youtube: parte 1, parte 2, parte3. Já agora, aproveito para recomendar vivamente todos os filmes deste realizador japonês, especialmente, pelo tema que aborda, o magnífico "Dersu Uzala".

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Já em exposição...

Num certo ski resort perto de si:
Fotografia tirada hoje, cerca das 12:45, na entrada da estância de esqui Turistrela-Vodafone.

Dois comentários: (1) não, não são só os dos plásticos do sku que deixam lixo na serra; (2) enquanto as coisas forem como são nas redondezas dos sítios onde opera, uma certa empresa concessionária exclusiva do turismo e dos desportos na serra da Estrela há mais de trinta anos e por décadas ainda por vir não corre riscos rigorosamente nenhuns de vir a ganhar um Cristal de Gelo da ASE.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

O 1º Cristal de Gelo

A Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela (ASE) entendeu criar um galardão para distinguir empreendimentos, organizações ou iniciativas que (no entender da associação) se destaquem pela contribuição que dão para o desenvolvimento sustentável e/ou a causa da protecção ambiental e paisagística na Serra da Estrela.

O primeiro premiado com o "Cristal de Gelo" foi o Complexo Turístico H2otel – Congress & Medical SPA e Aquadome – The Mountain SPA, da empresa Natura IMB Hotels, em Unhais da Serra, e a cerimónia teve lugar ontem, nas instalações do hotel (ver artigo sobre o evento no Diário Digital).

As razões desta decisão estão enumeradas no site da ASE e sobre elas não me vou alongar muito aqui. Quero somente destacar que, por estar localizado numa povoação permanentemente habitada (ao contrário, por exemplo, de aldeamentos essencialmente turísticos como as Penhas da Saúde ou Penhas Douradas onde não residem mais do que vinte pessoas em cada um), resultam óbvios benefícios para as populações, muito maiores do que os que se verificariam se se tivesse construído a maiores altitudes.

Não é só a freguesia de Unhais, ou o concelho da Covilhã, que fica a ganhar com este empreendimento. Tratando-se de instalações termais, prestam-se a estadias de comparativamente longa duração, alguns dias, semanas até. Alguns hóspedes aproveitarão a estadia para, nas horas mortas, visitar as localidades das redondezas, desde Sortelha até Piódão, das Minas da Panasqueira até à Guarda.

E há um aspecto que deve ser enfatizado. Este empreendimento marca uma diferença abissal relativamente ao que se tem normalmente feito na nossa região. Pelo esforço em satisfazer os regulamentos muito exigentes das certificações mais ambiciosas, tanto durante a implementação como agora que se encontra em funcionamento, pela vontade que do projecto extravazem benefícios para a população (que acabam por se maniffestar também como uma mais valia para o empreendimento), pelo marketing apurado e sofistificado, e mais um longo, longo etc, que seria fastidioso especificar.

Só para dar dois exemplos dessa diferença, o destino dos restos dos materiais de construção foi objecto de uma cuidada fiscalização, necessária para uma das muitas certificações que este hotel pode, orgulhosamente, ostentar; contraste-se com a situação que revelei neste post. O marketing do H2Otel pretende afirmá-lo a um público internacional, sofisticado, de elevado nivel cultural; contraste-se essa promoção, por exemplo, com tristezas como esta, ou esta.

Por fim, falando agora na qualidade de membro da ASE que participou da decisão da atribuição deste galardão, gostava de deixar claro que a associção não pretende reservar a distinção para empreendimentos de luxo ou de grande escala como é o H2Otel. Pequenas instalações hoteleiras, pensões ou mesmo parques de campismo poderão igualmente vir a ser contempladas com futuros Cristal de Gelo. Oxalá!

Todo o processo de refundação das Termas de Unhais foi lançado pela Câmara Municipal da Covilhã, creio que já sob a liderança do actual edil, Carlos Pinto. Vem assim a propósito, agora que o projecto se tornou realidade, felicitar também a autarquia e o seu presidente, ainda mais por serem muito frequentes, aqui no Cântaro Zangado, as críticas a esta autarquia (infelizmente, suspeito que continuarão a sê-lo).

Stairway to heaven

Vista de Unhais para a Serra, fotografada ontem à tarde.

Aprendi em criança que o caminho para o céu é pedregoso, estreito, sinuoso, cansativo... Mas, com toda a franqueza, e a avaliar pelo da imagem, não é também, apesar disso (ou por causa disso), tão convidativo? Não será mesmo irresistível?

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Absurdo!

As modalidades desportivas sujeitas a licença e ao pagamento de taxa ao ICNB de acordo com o disposto no Decreto Regulamentar nº 18/99 de 27 de Agosto estão enumeradas no ponto 3 do Artigo 3º, que apresento na imagem. Significa isto que o estado se deu ao trabalho de regular as condições para a concessão de licença para a prática, no interior de áreas protegidas, de montanhismo, pedestrianismo, escalada, hipismo, canoagem, por exemplo, mas não sentiu ainda idêntica preocupação quanto ao licenciamento de desportos motorizados, a passagem da volta a Portugal em bicicleta, a realização de competições de esqui (e o próprio funcionamento das estâncias — só temos uma em Portugal — onde tais competições se podem realizar) ou de raids todo-o-terreno, igualmente no interior dessas mesmas áreas protegidas.

Esta lei permite ao ICNB taxar (correcção: obriga o ICNB a taxar) um encontro sem fins lucrativos de biólogos amadores para observação da fauna ou da flora da serra da Estrela, quando não há (que eu conheça) um mecanismo legal que determine explicitamente e detalhadamente as taxas a aplicar a uma rave party com entradas pagas e consumos mínimos obrigatórios, a uma competição automobilística, a uma concentração de motociclistas ou até, passe o exagero, a um festival da cerveja que ocorra no interior deste parque natural. Como a experiência tem mostrado, nada garante que tais eventos não sejam autorizados ou, pelo menos, silenciosamente (e envergonhadamente?) tolerados.

Absurdo!

Compreendo melhor agora o que ouvi de um empresário de actividades outdoor com quem contratei um passeio de canoa para mim e a minha família na albufeira de Sta Luzia: "Não, na serra da Estrela não realizamos actividades. Porque é uma área protegida, e o regulamento para a prática de modalidades desportivas deste tipo nas áreas protegidas é absurdo!"

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Absurdo!

Há dias, no post Taxas e subsídios, referi que o Artigo 8º do Decreto Regulamentar nº18/99 de 27 de Agosto obriga ao pedido de licença para a realização de actividades de animação ambiental (e ao pagamento da respectiva taxa) empresas de turismo de natureza mas também de asssociações de desenvolvimento local. Dei nesse post um exemplo do absurdo que essas disposições geram: o estado cobra taxas por um turismo correcto, adequado, equilibrado e ajustado às áreas protegidas e subsidia um turismo poluente, massificado, desiquilibrado e desajustado a essas mesmas áreas protegidas.

Mas eu não sabia da história a metade. Acontece que o dito Decreto Regulamentar nº 18/99 foi alterado pelo Decreto Regulamentar nº 17/2003 de 10 de Outubro, que corrige o Artigo 8º que acima referi nos seguintes termos (clique para aumentar):

Ou seja, para além das entidades que enumerei no anterior post sobre este assunto, devem ainda pedir licença para actividades de animação ambiental (e pagar as respectivas taxas) as federações, clubes e associações desportivas, as associações juvenis e outras associações, com ou sem fins lucrativos. Ou seja ainda, clubes de montanhismo? Pagam. Escuteiros? Pagam. Associações ambientais ou de ambientalistas? Pagam. Tanto quanto consigo perceber, comissões de baldios, mesmo sendo os legítimos proprietários dos terrenos onde decorrem as actividades? Pagam.

Mas atenção: a lei só obriga a licença e ao pagamento de taxa os que vierem para as áreas protegidas em actividades de animação ambiental, com ou sem fins lucrativos: interpretação de natureza, pedestrianismo, montanhismo ou escalada, BTT, parapente, etc. Se o Clube Recreativo dos Alegres e Barulhentos Poluentes de Troca-o-Passo pretender organizar uma excursão à serra da Estrela, com ou sem fins lucrativos, fazer o que se costuma fazer na serra da Estrela, ou seja: estacionar à beira da estrada, escorregar na neve com um plástico, uma prancha ou um par de esquis, piquenicar, deixar o lixo todo espalhado e ir embora, bem, para isso não tem que pedir licença, não tem que pagar a taxa, e o melhor de tudo é que o estado, com um investimento continuado e sempre crescente, garante-lhe cada vez mais estradas e espaços de estacionamento, para que possa continuar a javardar, cada vez mais fácil e confortavelmente, em cada vez mais locais desta importante área protegida! Que bom!

Que actividades é que o estado pretende promover nas áreas protegidas? Que actividades é que, com estas leis, o estado efectivamente promove nas áreas protegidas?

Quando começará o ICNB a cobrar também pelas grandes iniciativas de animação ambiental que são as plantações e sementeiras de árvores do programa "Um Milhão de Carvalhos para a Serra da Estrela"?
Para evitar à partida que uma eventual discussão resvale para questões partidárias, noto que o Decreto Regulamentar original foi aprovado por um Conselho de Ministros do governo de António Guterres (que incluía o actual primeiro ministro) e o Decreto Regulamentar que o corrigiu por um do governo de Durão Barroso. Parabéns e muito, muito obrigado aos dois governos!

A substância dos sonhos

Fotografia de Pedro Seixo Rodrigues. Ver mais no flikr e no olhares.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Duas freguesias, duas atitudes

Excerto da página 5 do Diário XXI de ontem, dia 17. Clique para aumentar.

Li ontem no Diário XXI a notícia da figura que ilustra este post (clique na imagem para a aumentar). Da sua leitura ficamos a saber que a Junta de Freguesia de Fernão Joanes, no concelho da Guarda, pretende limpar, sinalizar, documentar e divulgar as antigas canadas do pastoreio para dinamizar o turismo de natureza na freguesia.

Neste post do Blog Cortes do Meio, lemos que o presidente da Junta de Freguesia de Cortes do Meio (Covilhã) entende como fundamental para o desenvolvimento do turismo a asfaltação de uma estrada para as Penhas da Saúde, para o que, assim se pode ler, já tem orçamento, parecer positivo do Parque Natural e apoio da Câmara Municipal, faltando apenas o financiamento.

Alguns contrastes:

  • Os de Fernão Joanes tomaram o assunto em mãos e estão a po-lo em pé; os das Cortes do Meio fizeram uns estudos, conseguiram (assim o dizem) uns pareceres e estão a exigir à câmara ou ao estado o financiamento.
  • Se a coisa correr bem aos de Fernão Joanes, terão lá turistas, que visitarão a freguesia, deixarão o carro e caminharão pelas canadas durante algumas horas, muito possivelmente considerarão lá comer ou até (se houver ou aparecer oferta para tal) pernoitar; os de Cortes do Meio, se lhes correr bem o projecto, ficarão a ver passar os carros para as Penhas da Saúde e daí para a Torre.
  • Se correr mal o projecto aos de Fernão Joanes, paciência, mas não se desperdiçou muito dinheiro e ao menos o fracasso não deixa encargos permanentes para a junta, a câmara ou o estado; se correr mal o projecto aos de Cortes do Meio, terão o asfalto mas não terão os desejados carros. Apesar disso, a Junta de Freguesia, a Câmara ou a Estradas de Portugal terão que manter a estrada, proceder periodicamente a reparações, será necessário limpar-lhe a neve no Inverno, terá que ter vigilância da GNR, pelo menos quando for necessário condicionar o trânsito. Tudo isso terá que ser pago, apesar de, de acordo com a hipótese que estamos a considerar, o projecto ter sido um dispendioso e inútil disparate.
  • Os de Fernão Joanes estão a apostar num produto relativamente inexplorado na nossa região, mas que é o normal turismo de montanha nas restantes montanhas da Europa; os de Cortes do Meio estão a apostar naquilo em que temos apostado desde sempre cá na serra: asfalto, voltinhas dos tristes, enchentes naqueles dias de Inverno.
  • Os de Fernão Joanes estão, de facto, a apostar no turismo; os de Cortes do Meio estão a apostar em quê?

Adenda: As duas freguesias serão governadas pelo PS, pelo PSD, uma por um a outra pelo outro, uma ou ambas por outros partidos. Não sei nem me interessa.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Taxas e subsídios

Cartoon de Andy Singer, roubada do blog Menos um carro.

O cartoon que ilustra este post pôs-me a pensar noutras actividades que subsidiamos quase sem o notar, simultaneamente taxando outras que, por comparação com as primeiras, talvez não devessem ser taxadas.

O Decreto Regulamentar nº 18/99 de 27 de Agosto veio definir e regular as as diversas modalidades de animação ambiental, complementando o Decreto Lei nº 47/99 de 16 de Fevereiro sobre o Programa Nacional de Turismo de Natureza aplicável na Rede nacional de Áreas Protegidas, que tinha sido criado na Resolução do Conselho de Ministros nº112/98 de 25 de Agosto.
Naquele Decreto Regulamentar definem-se as diferentes modalidades de animação ambiental, quais os seus objectivos, quais as condições que devem satisfazer, que requisitos se devem preencher para se ser autorizado a dinamizar uma dada modalidade de animação ambiental.
O seu Artigo 8º indica que os projectos ou iniciativas de dinamização ambiental carecem de licença, quando realizadas por um comerciante em nome individual, um estabelecimento individual de responsabilidade limitada, uma sociedade comercial, uma cooperativa ou uma associação de desenvolvimento local.
O Artigo 16º, por seu turno, refere que (1) são devidas taxas pela concessão de licenças de dinamização ambiental (subentende-se que em áreas protegidas), (2) que o valor dessas taxas é fixado por portaria dos Ministérios das Finanças e do Ambiente e (3) que delas beneficia o ICNB.
O valor actual dessas taxas é o apresentado neste documento (chamo a atenção para o facto de o endereço ser do site do ICNB).

Não pretendo aqui esmiuçar os vários detalhes absurdos ou injustos desta lei. Mas imagine que a sua associação de desenvolvimento local pretende fazer uma caminhada com piquenique pelo Parque Natural da Serra da Estrela, chamando a atenção para os detalhes que constituem a riqueza ambiental desta área protegida, prestando um serviço de educação ambiental, ensinando os participantes na actividade a apreciar a área protegida e a querer defendê-la. Pois bem, terá que pedir licença aos serviços do Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade, e pagar pela sua concessão.
Em alternativa, se alugar um autocarro (ou se resolverem vir todos cada qual no seu carro), se subir com ele por uma das muitas estradas abertas pelo estado nesta área protegida, conservadas em bom estado de circulação pelo estado, continuamente melhoradas pelo estado, limpas de neve e de pedras que rolam encosta abaixo pelo estado, vigiadas e ordenadas por forças do estado, se estacionar o dito autocarro à porta do centro comercial da Torre, cuja instalação naqueles edifícios foi paga pelo estado, se deixar os seus associados escorregar na neve um bocadinho para, logo depois do piquenique, voltarem a casa, bem, como não se trata de uma actividade de animação ambiental, não tem que pedir qualquer autorização e só terá mesmo que pagar o aluguer do autocarro, que tudo o resto o estado paga, já pagou e vai continuar a pagar por si!

Que tipo de visitação é que o estado pretende para as áreas protegidas? Com leis como estas, que tipo de visitação é que o estado promove para as áreas protegidas?

domingo, fevereiro 15, 2009

Um cenário idílico à nossa medida

A Turistrela (empresa concessionária exclusiva do turismo e dos desportos na serra da Estrela desde 1971 e por várias dezenas de anos ainda por vir) organiza no dia 28 de Fevereiro o terceiro snowfashion, uma passagem de modelos na sua estância de esqui, perto da Torre.

Não me quero alongar sobre o evento propriamente dito mais do que para referir que, na minha opinião, este tipo de eventos não se adequa a um local que é o centro e o coração simultaneamente da maior (e uma das mais importantes) áreas protegidas do nosso país, de um sítio Rede Natura 2000, de uma Reserva Biogenética e de um sítio Ramsar.

Se falo hoje deste snowfashion, não é para me mostrar contra a sua realização ou para o aproveitar para criticar o seu promotor. Nada disso, trago-o aqui apenas porque no site promocional do evento se referem ao local onde decorrerá como um "cenário idílico e inigualável".

Inigualável até será, mas idílico? Idílico?! Com os plásticos do sku espalhados por todo o lado, com o solo escalavrado da estância de esqui, com os restos de lixo e de materiais das obras ao longo da estrada, com os carros e autocarros, uns estacionados por todo o lado, outros no pára-arranca pela estrada apesar dos primeiros, com as inscrições deixadas nas rochas pelos apoiantes dos ciclistas da Volta a Portugal, com todos os mamarrachos, velhos e novos, que se foram construindo na zona da Torre, o que é que aquilo tem de idílico?!

Cada região tem os cenários idílicos que merece, tem os que faz por ter. Nós, pelos vistos, temos a Torre.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

De revolutionibus orbium coelestium...

... E de outras maravilhas, mais terrenas:

Cântaro Magro fotografado desde o Covão d'Ametade por Pedro Ferrão Patrício (bem hajas!).

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Não foi exactamente isto que encomendámos?

Por este post no Máfia da Cova cheguei ao blog de João Tilly, de Seia, e a um post sobre as dificuldades de trânsito que se verificaram há dias no Sabugueiro, causadas pela neve e pelo grande número de visitantes. Deixei lá este comentário
Esperamos que o que o estado gasta com os meios de limpeza seja ajustado às necessidades médias e ao que é razoável esperar em anos mais ou menos normais. Seria difícil de compreender que se gastassem fortunas todos os anos em equipamento e em pessoal, para manter em permanência um dispositivo que só fosse necessário usar em pleno de vinte em vinte anos.
Este ano tem sido claramente excepcional e não me parece razoável aferir por este ano as necessidades de pessoal e de equipamento do centro de limpeza de neve.
Não pretendo com isto afirmar que esta situação aqui retratada não pudesse ser evitada com os meios disponíveis (mas com um pouco mais de atenção, cuidado ou brio). E é claro que estas situações são más e era bom que se pudessem sempre evitar.
Mas será possível evitá-las continuando a apostar no turismo automobilizado, no turismo que vem ver a neve e escorregar um bocadinho (em plásticos ou em esquis, a diferença acaba por não ser assim tanta)? No turismo que exige sempre e cada vez mais e melhores estradas? No turismo que canalizamos quase só para a Torre, um dos pontos menos interessantes e mais degradados da serra? No turismo que temos tido nas últimas décadas e cuja imagem de marca são exactamente congestionamentos como estes?
No Gerês o turismo desenvolve-se com passeios a cavalo, de bicicleta, com caminhadas, escalada e canoagem, com turistas que permanecem vários dias e semanas, durante todo o ano e especialmente no Verão.
Por cá continuamos a querer atrair as hordas de automóveis e autocarros que chegam de manhã e se vão embora à tarde, a apostar nestas enchentes pontuais de fim de semana de Inverno.
Mas poderemos então realmente escandalizar-nos por continuarem a ocorrer, por mais estradas e limpa neves que tenhamos, engarrafamentos destes? Pois se é exactamente nisto que temos investido nos últimos 40 anos!

E não é exactamente nisto que continuamos a apostar quando decidimos criar um parque de estacionamento com um quilómetro de comprimento na Lagoa Comprida, quando pedimos a asfaltação da estrada de Unhais para a Nave de Santo António ou a de um caminho entre as Cortes do Meio e as Penhas da Saúde?

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

domingo, fevereiro 08, 2009

Último acto! Mais de 1 metro de Neve! Ode ao CLN

Vejam as semelhanças já que as diferenças são tantas!
Comunicado disponibilizado na página da estância de LaCovatilla:
"Temporal de frío y nieve
Fecha de la publicación: 07/02/2009 / Autor: Gecobesa
El temporal de frío y nieve que ha afectado a la practica totalidad de la península ibérica, con alerta declarada en 15 comunidades autónomas, ha dejado sentir sus efectos en la Sierra de Béjar de manera contundente.
Durante las últimas semanas han sido varias las jornadas en que la estación de esquí no ha podido ser abierta como consecuencia de las inclemencias meteorológicas, principalmente viento fuerte a muy fuerte, llegando en algunos momentos a extremo.
Estas duras condiciones han afectado sobre todo al acceso a la estación de esquí (carretera CP 4) desde la carretera SA 100, que ha permanecido cerrado con ventisqueros de hasta cuatro metros de altura. A lo largo de los tres últimos días el equipo de vialidad invernal de la Diputación Provincial de Salamanca, con apoyo de los medíos mecánicos y humanos de la estación de esquí, ha trabajado sin descanso para limpiar la calzada. Una tarea que, sobre todo en la jornada del viernes, se ha visto seriamente condicionada por las bajísimas temperaturas y la precipitación con ventisca, que deshacía en breves instantes todo el progreso realizado con anterioridad.

Finalmente, en las primeras horas de la tarde del sábado día 7 y con la mejora de las condiciones meteorológicas, ha sido posible comenzar a dejar despejada la calzada y avanzar en la adecuación de pistas e instalaciones, lo que nos permite confiar en que la estación podrá abrirse sin mayores problemas a primera hora del domingo día 8 de febrero. Desde aquí queremos felicitar a los responsables y operarios del Parque de Maquinaria de la Diputación Provincial de Salamanca, así como a todo el personal de Gecobesa, que, una vez más, han trabajado duro durante varios días y enfrentándose al rigor de los elementos, para que los esquiadores puedan acceder a las pistas en el menor plazo de tiempo posible tras el temporal.(...)"


A imagem em cima é retirada da página da estância de LaCovatilla e mostra bem a quantidade de neve que caiu durante os últimos 7 dias (para mais fotografias ver aqui). A nossa Serra da Estrela está a cerca de 170kms em linha recta da Sierra de Bejar, logo as condições de mau tempo que afectam uma são muito semelhantes às que afectam a outra. E na verdade, também na Serra da Estrela caiu uma quantidade de neve considerável. A 1400m de altitude, mais precisamente no covão da Ametade, a neve tinha cerca de 1 metro de altura, e não estou a falar da neve amontoada pelos limpa-neves ou pelo vento. Era uma altura real de neve. As imagens valem por muitas palavras, deixo-vos por isso com algumas do dia de ontem que demonstram bem a altura da neve! Reparem que as mesas de merendas tem neve praticamente à altura do tampo:


Só para terminar gostaria de informar o seguinte. Ontem realizou-se mais uma grande festa de reflorestação da Serra da Estrela onde estiveram envolvidos mais de 230(!) voluntários vindos dos 4 cantos do país. Os responsáveis pelo CLN fizeram a enorme gentileza de vir abrir a estrada da ribeira (EN 338) para que os voluntários pudessem chegar o mais próximo possível do local da plantação antes de se porem a caminhar. Nessa altura, um funcionário do CLN informou-me que estavam desde as 4 da manha de sábado (dia 7) a tentar abrir caminho para a torre e, àquela hora (10h30) ainda nem se quer tinham conseguido passar o túnel!! Para quem conhece o local percebe a dificuldade de progressão! E sobre este assunto fico-me por aqui pois acho que suficiente já foi dito para que cada um possa tirar as suas próprias conclusões sem alinhar em histerias e propagandas!

sábado, fevereiro 07, 2009

Última hora

Na esperança de que ainda possa ser útil a alguém, informo que houve alterações no programa da plantação de hoje, motivadas pela camada de neve que cobre a zona onde estava planeada a intervenção. Assim, o local de encontro é a zona da ponte sobre o Zêzere, na saída de Manteigas para o lado da Serra. A hora mantém-se. Até já.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Sem querer ser chato...

...mas tenho que voltar a por imagens do sitio da estância de esqui da Sierra de Bejar - La Covatilla. É que esta é particularmente elucidativa não só da dificuldade em manter transitáveis os acessos a determinados pontos mesmo em condições aparentemente benévolas (ver imagem da webcam) como tambem da diferença de comunicação existente entre os responsáveis pela gestão da referida entidade e os responsáveis pela gestão da nossa mini-estância! É uma critica que não poucas vezes me foi comunicada, ou seja, ausencia de boas relações públicas por parte de vários dos responsáveis da Turistrela, mas que aparentemente teima em não ser remediada.
Sem querer alongar mais, só peço que analizem friamente e com conhecimento de causa o que se passa na nossa Serra e o trabalho realizado pelas nossas autoridades e depois sim, façam a vossa avaliação. Julgo que nessa altura terão uma opinião menos negativa da forma como o CLN mantem as estradas transitáveis.

Adenda 1: numa reportagem passada hoje na SIC foi referido que o CLN tinha sob sua responsabilidade a limpeza de 140Km de estrada!!

Adenda 2: FECHADA novamente! Que incompetência!

Enquadramento histórico recente

Ouvimos Artur Costa Pais (administrador e proprietário da Turistrela, a empresa concessionária exclusiva do turismo e dos desportos na serra da Estrela desde 1971 e por décadas ainda por vir) criticar este fim de semana os serviços do Centro de Limpeza de Neve, acusando este organismo das Estradas de Portugal de ser uma estrutura obsoleta e incompetente do estado, e defender que as suas funções sejam concessionadas a privados. A Câmara Municipal da Covilhã entendeu fazer coro com estas críticas.
Estas acusações podem ser ouvidas nas reportagens com que as televisões informaram dos fortes nevões deste fim de semana, linkadas no blog Estrela no seu Melhor.

Há pouco mais de um mês, numa notícia que, por outras razões, comentei noutro post, o Diário XXI transcrevia assim a apreciação que o mesmíssimo Artur Costa Pais fazia da mesmíssima "estrutura obsoleta do estado":

"Quando a estrada está fechada é porque não há condições para estar na Torre". E nem é preciso que esteja a nevar. Basta que haja "ventos muito fortes", como já aconteceu este mês. "O Centro de Limpeza de Neve e as autoridades estão bem equipados, têm pessoas capazes e estão funcionar bem", sublinha. Ainda assim, sugere que haja "mais comunicação com a Turistrela, para nalgumas alturas podermos abrir a estância às 9h00, em vez de esperar até às 11h00".
(In Diário XX1 19/12/2008, pág. 10.)
Pois, mudam-se os tempos, mudam-se as apreciações. Como se vê neste caso, para alguns os tempos nem têm que mudar assim lá muito para se dar uma completa inversão nas apreciações que fazem. Claro está que, por essa precisa razão, as suas apreciações (e as dos que eles trazem atrelados) valem o que valem...

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Elementar meu Caro Watson!

Hoje quando visitei o sitio oficial da estancia de esqui La Covatilla na Serra de Bejar podia ler-se o seguinte:
"Buenos días, esquiadores/as
ESTACIÓN CERRADA POR VENTISCA. A las 16:30 horas se emitirá la previsión de apertura para el jueves día 5 de febrero. "

Afinal parece que lá fora tambem encerram estâncias quando há "ventisca"! Esta estância está apenas a 300km (menos em linha recta) daqui e a sua base está nos 2000m. Por que carga de água (neste caso neve) não conseguiram nuestros hermanos abrir a estância!?
Caros, pela ultima vez lembrem-se que nós nunca poderemos ter meio iguais nem proporcionais aos da Suiça (etc.) pelo simples facto da sua utilização ser de dificil previsão. Por exemplo, este ano, o Centro de Limpeza de Neve (CLN) já terá tido muito mais horas de trabalho e desgaste em material do que na soma dos ultimos 5 anos. Não se esqueçam que o dinheiro lá por vir do estado que não tem obrigação de ser bem gasto. O CLN, ou melhor, o Min Adm Interna tem de ponderar o custos do CLN e investimento em equipamento mediante a sua necessidade de utilização. Ora quando esta necessidade é dificilima de determinar, quer seja anualmente quer seja a mais longo prazo, torna-se injustificavel um investimento avultado em novos equipamentos ou recursos humanos que se arriscam a não ter utilidade.

Se nevasse sempre, como na Suiça, não tenho qualquer duvida que estariamos melhor preparados (autoridades e cidadãos) para situações algo mais extremas como a que sucedeu no passado fim de semana com uns claros 50cm de neve fresca num dia!! Já agora, relembro que parte desta questão só existe por termos uma pseudo-mini-aldeia de montanha a 1500m de altitude onde as pessoas tem obrigatoriamente de circular de automovel todos os dias independentemente das condições meteorólgicas!

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Poio Cutelo

(Penhas da Saúde), visto de perto do posto de vigia de incêndios atrás do sanatório, na semana passada.

domingo, fevereiro 01, 2009

Não sabem limpar a estrada para as minhas pistas!

Este fim de semana, Artur Costa Pais(1) e a Câmara Municipal da Covilhã insurgiram-se contra a falta de eficiência do Centro de Limpeza de Neve, atribuindo-lhe a responsabilidade por os turistas não conseguirem chegar à estância de esqui.

Bem, pelo que vi na reportagem que a SIC passou no Jornal da Noite (a link pode não ser permanente), o próprio parque de estacionamento do Hotel das Penhas da Saúde também não estava nada em condições que permitissem a circulação em segurança. Ora, quer-me parecer que os acessos e os parques de estacionamento privados devem ser limpos pelos seus proprietários, não pelas ineficientes "estruturas obsoletas" do estado. Por isso, acho que vem a propósito o ditado sobre telhados de vidro e pedras atiradas ao ar.

De acordo com o que me contaram entendidos, é muito diferente limpar neve que cai com uma temperatura de -100C e se mantém no solo como um pó fino, leve e seco, e limpar neve que cai a uma temperatura de -30C, misturada com nevoeiro ou chuva miúdinha, que fica pesada de tão empapada em água, que depois solidifica durante a noite. E, ainda segundo me foi dito, é por essa diferença que é tão frequente, na serra da Estrela, ser necessário recorrer a tractores e retroescavadoras para abrir caminho (e até podemos ver uma destas máquinas na reportagem que referi acima).

Mas acontece que tenho contado o número de dias em que as estradas de acesso à Torre se encontram fechadas desde que, nesta época, abriu a estância, no dia 1 de Dezembro. Nos 64 dias que passaram desde então, as estradas estiveram cortadas em 14 dias. Nalguns desses dias não se pôde circular apenas durante a manhã, mas na minha contagem, contaram como os outros. Com tudo o que tem nevado, francamente não me parece nada mau.

E quero notar que, mesmo que haja responsabilidades humanas a apurar nesta situação, toda esta indignação da Turistrela e da Câmara Municipal da Covilhã tem um aspecto anedótico. É que, com tão boas condições que, segundo se anuncia, a serra da Estrela tem para a prática do esqui, e com tanta, tanta, neve que este ano tem trazido, mesmo assim as pistas da estância que não estão equipadas com canhões de neve ainda não estiveram abertas um único dia, segundo as informações difundidas pelo próprio site da Turistrela. Significa isto que a estância tem estado reduzida a um total de 3,6 km esquiáveis, e isto nos dias bons porque, por exemplo, ainda nos que antecederam este último nevão, na semana passada, a estância tinha abertas apenas as pistas Cântaro (155 m) e Covão (229 m), num fantástico total de 384 m esquiáveis! Peço desculpa, mas as coisas aqui na serra são o que são. E, como são o que são, armar um grande escândalo afirmando que a ineficiência da limpeza das estradas que dão acesso à estância de esqui prejudica gravemente a economia regional... Enfim.

Para terminar, a minha experiência de como as coisas se passam "lá fora" é esta: na Páscoa passada passei uma semana em Andorra. A meio da semana, veio um dia com condições parecidas com as que tivemos na Serra este fim de semana. A estância (Grand Valira) esteve encerrada. Em Dezembro, fui a La Covatilla com a ideia de esquiar dois dias; no segundo não o pude fazer porque estava a nevar e a Guardia Civil interditou a estrada de acesso à estância a meio da manhã. Noutros anos, noutras paragens, tenho por vezes sofrido situações semelhantes. É a vida.

O blog Estrela no seu melhor refere-se também a este "escândalo".
(1) Administrador da Turistrela, a empresa concessionária exclusiva do turismo e dos desportos na Serra desde 1972 e por décadas ainda por vir para o futuro.

EN-338, Manteigas-Piornos

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A Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela convida todos os interessados a participar numa sessão pública a ter lugar no Auditório do Centro Cívico de Manteigas no dia 10 de Fevereiro, pelas quinze horas, onde será apresentada (e, deseja-se, discutida) uma proposta para a beneficiação do troço da Estrada Nacional 338 entre Manteigas e Piornos, no sentido de garantir e melhorar a segurança rodoviária do dito troço, no respeito pelos valores ambientais e paisagísticos do vale do Zêzere.

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!