terça-feira, fevereiro 10, 2009

Não foi exactamente isto que encomendámos?

Por este post no Máfia da Cova cheguei ao blog de João Tilly, de Seia, e a um post sobre as dificuldades de trânsito que se verificaram há dias no Sabugueiro, causadas pela neve e pelo grande número de visitantes. Deixei lá este comentário
Esperamos que o que o estado gasta com os meios de limpeza seja ajustado às necessidades médias e ao que é razoável esperar em anos mais ou menos normais. Seria difícil de compreender que se gastassem fortunas todos os anos em equipamento e em pessoal, para manter em permanência um dispositivo que só fosse necessário usar em pleno de vinte em vinte anos.
Este ano tem sido claramente excepcional e não me parece razoável aferir por este ano as necessidades de pessoal e de equipamento do centro de limpeza de neve.
Não pretendo com isto afirmar que esta situação aqui retratada não pudesse ser evitada com os meios disponíveis (mas com um pouco mais de atenção, cuidado ou brio). E é claro que estas situações são más e era bom que se pudessem sempre evitar.
Mas será possível evitá-las continuando a apostar no turismo automobilizado, no turismo que vem ver a neve e escorregar um bocadinho (em plásticos ou em esquis, a diferença acaba por não ser assim tanta)? No turismo que exige sempre e cada vez mais e melhores estradas? No turismo que canalizamos quase só para a Torre, um dos pontos menos interessantes e mais degradados da serra? No turismo que temos tido nas últimas décadas e cuja imagem de marca são exactamente congestionamentos como estes?
No Gerês o turismo desenvolve-se com passeios a cavalo, de bicicleta, com caminhadas, escalada e canoagem, com turistas que permanecem vários dias e semanas, durante todo o ano e especialmente no Verão.
Por cá continuamos a querer atrair as hordas de automóveis e autocarros que chegam de manhã e se vão embora à tarde, a apostar nestas enchentes pontuais de fim de semana de Inverno.
Mas poderemos então realmente escandalizar-nos por continuarem a ocorrer, por mais estradas e limpa neves que tenhamos, engarrafamentos destes? Pois se é exactamente nisto que temos investido nos últimos 40 anos!

E não é exactamente nisto que continuamos a apostar quando decidimos criar um parque de estacionamento com um quilómetro de comprimento na Lagoa Comprida, quando pedimos a asfaltação da estrada de Unhais para a Nave de Santo António ou a de um caminho entre as Cortes do Meio e as Penhas da Saúde?

4 comentários:

Candidatura alternativa disse...

Haja coragem política e uma candidatura com coragem política. Um limpa-neves por cada 3 senenses.

ljma disse...

Candidatura Alternativa,

E não podemos esquecer os Manteiguenses, os Covilhanenses, os Gouveienses e os Guardenses!

PS: Será que posso vender a minha fracção de limpa-neves? Terei que contribuir para o imposto, o seguro, a manutenção, o combustível e, daqui a alguns anos, para as inspecções?

;)

Anónimo disse...

11:39 PM


Anónimo disse...
Covilhã disponível para gerir Centro de Limpeza de Neve
Câmara coloca a hipótese de gerir o Centro de Limpeza de Neve de modo a que se resolva o problema dos sucessivos cortes de estrada no Maciço Central
Que prejudica o turismo e economia regional. Uma situação em que culpa as Estradas de Portugal
A Câmara da Covilhã está disponível para gerir o Centro de Limpeza de Neve, na Serra da Estrela, se essa for a solução para que se acabe, de vez, com o continuado fecho de estradas no Maciço Central sempre caem nevões. Foi esta possibilidade colocada pelo presidente da autarquia, Carlos Pinto, numa carta enviada ao Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, na passada semana.
No documento, a Câmara lembra a especial relevância que o produto neve assume na oferta turística de Inverno, pelo que a “interrupção prolongada da circulação nas estradas do Maciço Central”, nomeadamente na ligação Piornos- Torre “é fortemente penalizadora porquanto põe em causa as potencialidades turísticas da Serra da Estrela e os operadores e investidores privados que, pela sua acção perseverante, apostam na criação das condições necessárias à atracção da região”.
Carlos Pinto lembra “os fortes investimentos” que estão a ser feitos nas Penhas da Saúde e na Serra da Estrela, bem como as infra-estruturas turísticas, desportivas e lúdicas existentes na Torre. Que “não se compadecem com situações que denotam e fazem transparecer para a opinião pública uma falta de coordenação entre as entidades com responsabilidades nesta matéria”. O autarca afirma que a situação a que se tem assistido “em nada contribui para a competitividade da região, antes se torna fortemente penalizadora da imagem da Serra da Estrela enquanto destino turístico.” Por isso, a Câmara apresenta “um veemente protesto pela forma como a entidade responsável (Estradas de Portugal) tem vindo a encarar este assunto, pois é a responsável pela presente situação e detém os meios necessários à manutenção e operacionalidade das rodovias do Maciço Central”.
O autarquia covilhanense coloca-se ainda “à inteira disposição” do Ministério para, “em conjunto, se equacionarem todos os cenários possíveis que visem evitar mais prejuízos para a economia regional decorrentes da situação atrás enunciada, incluindo a possibilidade de gestão do Centro de Limpeza da Neve por esta Câmara”.

Turistrela descontente, GNR quer segurança

As críticas, nos últimos tempos, têm-se acentuado. Câmaras como a de Manteigas e Covilhã são acompanhadas na contestação pela entidade concessionária do turismo na Serra, a Turistrela. Artur Costa Pais dizia, há duas semanas atrás, que as estradas poderiam estar abertas “mais vezes”, pois no estrangeiro anda-se “com 15 e 20 centímetros de neve.” A GNR já recusou as acusações e pela voz do comandante distrital, Hélder Almeida, afirma que “não podemos permitir o acesso à Torre se não for garantida a segurança. Há vários interesses legítimos na Serra da Estrela, conciliáveis em várias circunstâncias e noutras não.” Também a Estradas de Portugal já disse que na Serra da Estrela as vias até estão mais dias abertas que em outros locais montanhosos por essa Europa fora.
Também da Turismo Serra da Estrela, que substitui a ex-região de Turismo, em comunicado, elogia o “esforço dos colaboradores do Centro de Limpeza de Neve e Direcção Regional de Estradas da Guarda”, após a reabertura de estradas, há duas semanas atrás, quando caiu o “maior nevão dos últimos 12 anos”, uma tarefa “longa e extenuante”. A entidade testemunha o “zelo e competência com que todos trabalham.”

8:56 PM


Anónimo disse...
Carlos Pinto lembra “os fortes investimentos” que estão a ser feitos nas Penhas da Saúde e na Serra da Estrela, bem como as infra-estruturas turísticas, desportivas e lúdicas existentes na Torre.
ENTÃO O SR PRESIDENTE AGORA FICOU TÃO ESPIRITUOSO QUE SÓ NOS CONTA ANEDOTAS????CONTE-NOS O SEGREDO!!!! SERÁ QUE JÁ ARRANJOU QUEM PATROCINE A PRÓXIMA CAMPANHA ELEITORAL?
AS INFRA-ESTRUTURAS TURISTICAS E LUDICAS SERÃO O FAMOSO "CENTRO COMERCIAL"COM CHEIRO PESTILENTO QUE ENCHE OS BOLSOS DO DONO DA SERRA COM OS ALUGUERES ASTRONÓMICOS,SR PRESIDENTE?
E OS FORTES INVESTIMENTOS NAS PENHAS SERÁ A MEIA DÚZIA DE ESTRADAS ASFALTADAS PELA CÂMARA OU SERÃO AS LINDAS BARRACAS DE LATA????DE REPENTE ESTÁ TÃO PREOCUPADO COM A SERRA?VÊ-SE LOGO QUE É ANO DE ELEIÇÕES...NOUTRAS ELEIÇÔES ATÉ FIZERAM UMA "BARRACA",(JUNTO A UMA CASA COMERCIAL),TODA GIRA PARA APRESENTAR OS PROJECTOS PARA AS PENHAS...ONDE ESTÁ A REALIZAÇÂO DESSES PROJECTOS????OS INIMIGOS TORNAM-SE AMIGOS...ESTÁ A VISTA DE TODOS QUE O ÚNICO LESADO PELO FECHO DAS ESTRADAS É O DONO DA SERRA...A COVILHÃ SÓ GANHA,SE NÃO ACREDITA FAÇA 1 PASSEIO PELO SHOPING EM DIAS DE ESTRADA FECHADA...VIVA AS ELEIÇÕES!!!!

ljma disse...

Longe de mim querer criticar Carlos Pinto por o projecto que lançou nas vésperas das últimas eleições não ter, praticamente, saído do papel.

A sua medíocre taxa de concretização é mesmo o aspecto mais positivo de todo esse projecto. É o único que merece elogios. Mas, melhor ainda, seria se ele não tivesse sequer sido iniciado.

Quanto à gestão camarária do centro de limpeza de neve, já estou a ver a cena: cria-se uma nova empresa municipal, pagam-se chorudos salários aos amigos que forem contratados como administradores, e depois 'tá-se bem, meu. Até porque, em Invernos normais, até nem há assim tanto serviço... E quando vier um Inverno como o deste ano e o serviço mostrar ainda mais dificuldades do que as que o actual CLN tem sentido, o sr administrador dirá que nada tem a dizer, que o sr presidente é que deve prestar esclarecimentos, e o sr presidente dirá o exacto reflexo disto mesmo, encaminhando as perguntas para o sr administrador.

Viver não custa, pois não?

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!