domingo, novembro 30, 2008

Manhã de quase Inverno

4 comentários:

Anónimo disse...

srº Cantaro zangado,o senhor que diz de boca cheia que a estrela não tem condiçoes para a pratica de desportos de inverno,pois bem,hoje,no dia 02 de dezembro de 2008 temos a serra com neve para " dar e para vender",encontramos na estrela neve em quantidade mais do que suficiente para esquiar,criticar o mau uso que estão a dár á serra é uma coisa,e até que concordo consigo,mas afirmar como o senhor afirma que a estrela não apresenta condições para esquiar,descordo plenamente do senhor,como um anonimo disse,não podemos ter uma verdadeira estancia de esqui,mas a estrela pode dár a portugal uma optima mini-estancia de esqui" e claro está,sem estragar a serra da estrela.para esquair como um profissional vou para os alpes,mas para matar a fome de neve a nossa linda estrela serve perfeitamente !!!

João Pereira disse...

Boa tarde.
Vim aqui comentar pela primeira vez neste blog, mas tenho lido frequentemente tudo o que aqui está escrito. Admito que não sou da Serra da Estrela, mas tenho familiares daquela zona e acho que é uma das regiões mais bonitas e também maltratadas de Portugal. Acho que completamente inútil andar a fazer o que se está a fazer à Serra: ampliar as pistas de ski, construir aldeias de montanha... Acho que o ski devia ser explorado não como a principal e quase única actividade na serra, mas como uma das muitas, e muito menos no sítio onde está a estância actual, talvez pequenas áreas de treino de ski nos Piornos e nas Penhas Douradas. E então os percursos pedestres, a reflorestação da serra, mais centros de interpretação, turismo de natureza, menos lixo e perturbação, menos sal nas estradas e transformar as estradas do planalto central em eco-vias sem acesso de carro, isso é que devia ser feito....
A Serra da Estrela tinha condições para ser tão rica como o Gerês e o Montesinho se não houvesse esta exploração turística destrutiva e pouquíssimo sustentável... para quando o bom aproveitamento da serra?

ljma disse...

João Pereira, obrigado pelo comentário, parece-me que partilhamos a mesma visão do que é (e do que deveria ser, mas não é) o turismo na serra da Estrela. Vá aparecendo!

Anónimo das 16:28:
Ainda não tive oportunidade de ir lá a cima ver se temos mesmo neve para "dar e vender". Já muitas vezes tive essa impressão olhando cá de baixo e vendo as notícias na TV, para depois sofrer enormes desilusões. Mas admitamos que sim, que hoje, dia 2 de Dezembro, haja neve para "dar e vender" na serra.

Há quantos anos não acontece uma situação semelhante? Nos últimos dois anos, numa percentagem muito significativa (diria mais do que metade, mas não posso confirmar com números) dos cento e tal dias anuais de ski que a Turistrela propagandeia, a estância está reduzida às pistas de aprendizagem mais pequenas: cerca de 200 metros de neve empapada, mantida com o recurso a tractores, com um declive ridículo.

Admitimos que é verdade que temos hoje neve para dar e vender, mas veja a previsão no snow forecast: chuva a partir de quinta feira, temperaturas mínima de 5ºC (positivos, atenção!) na sexta feira, vários dias de temperaturas sempre positivas. Está a ver onde quero chegar: não tiremos conclusões a partir deste nevão, mesmo admitindo que ele foi o que parece. Este ano será bom ou não, logo se vê. Volta meia volta há anos assim. Mas temos que reconhecer que têm sido mais frequentes os anos assim mais para o "pobrezito"...

Gostava que encontrasse as passagens onde afirmo ("à boca cheia", como disse) que a serra não tem condições para esquiar. Às vezes poderei entusiasmar-me com a minha própria argumentação e chegar a tanto, mas costumo ter cuidado de o evitar. É que me parece que o que eu costumo dizer é que a serra não tem, nem nunca teve, *grandes* condições para o esqui. Quer dizer que é impossível esquiar na serra? Não, e eu faço-o uma ou duas vezes por ano, na estância e fora da estância. Muito raramente, o esqui na serra até é bastante satisfatório. Mas, quase sempre, e quando a há, a neve é gelo vidrado de manhã e papa molhada a partir do meio dia.

O anónimo diz que "não podemos ter uma verdadeira estância de esqui". Não sei porque o diz, se acha que temos óptimas condições para o esqui. Mas disse-o e ao dizê-lo diz o mesmo que eu por outras palavras. O que o anónimo não faz (e não pretendo dizer que o deva fazer, isso é lá consigo) é tirar dessa constatação aquilo que eu considero serem as suas consequências: uma vez que não podemos ter na Estrela uma verdadeira estância de esqui, não podemos basear no esqui o desenvolvimento do turismo na serra da Estrela. Isto é o que eu tenho dito, mais do que qualquer outra coisa.

Eu considero que a aposta da Turistrela e das autarquias nem tem nada que ver com turismo. Como no Algarve, fala-se de turismo, mas o verdadeiro investimento, a verdadeira aposta é na construção civil: é construir, construir, construi, artificializar tudo o que se puder, o mais que se puder. Aqui fala-se de turismo, mas o que verdadeiramente se tenta é construir teleféricos, hotéis, estradas, urbanizações, minicidades, casinos, spas, chalés, etc, etc, etc. No Algarve, tenta-se entrar com as construções pela praia a dentro; aqui, pretende-se construir pela serra acima. E é contra isso que eu falo, e faço-o, sim, "à boca cheia", porque acho que o devo fazer.

Mas então sou eu contra uma estânciazinha de qualidade na serra da Estrela? Francamente, acho que a qualidade do esqui na serra é, em média, tão medíocre, que não compensa os prejuízos que uma estância de esqui sempre acarreta (e tantos mais, e tanto mais graves, quanto maior ela for). Mas já nem quero chegar a que se feche a estância da Torre. Agora, considero gravíssimo que se tente ampliar a estância, tanto em área como em capacidade de utilização. Para pequena estânciazinha, já temos que chegue.

E depois, a Turistrela gere a estância, e todos temos visto aquilo de que a Turistrela é capaz, e aquilo de que não é capaz. O anónimo acha mesmo que a Turistrela está à altura do que o anónimo entende desejável para a serra?

Quais são os impactos ambientais da estância de esqui? Que medidas estão implementadas para os minimizar? Que medidas compensatórias são aplicadas para enfrentar os impactos não anuláveis? Não se sabe, não há estudos de impacto ambiental oficiais. Quais os impactos de uma apmpliação da área ou da capacidade da estância? Não se sabe, mas Jorge Patrão (presidente da região de turismo) e Artur Costa Pais (administrador e dono da Turistrela) já afirmaram que acham que não são necessárias avaliações. E isto acontece numa das principais áreas protegidas portuguesas, sobre a qual incidem quatro estatutos de protecção do governo português e da comissão europeia. Isto é normal, caramba? Que vantagens retiram as populações da existência da estância de esqui? Qual o seu peso real na economia regional? As perguntas que faço neste parágrafo devem ser colocadas se se pretende fazer uma avaliação séria da estância, não me parece que nos devamos ficar apenas pelo seu "a estrela pode dár a portugal uma optima mini-estancia de esqui" para "para matar a fome de neve"

Mais de resto, quando posso, faço como o anónimo. Se é para esquiar, vou para sítios onde se esquia, mesmo.

Apesar de não estarmos de acordo, quero agradecer-lhe a sua intervenção. Muito obrigado pelo seu comentário, volte sempre!

TPais disse...

Caro Anónimo,
dizer com base neste nevão (que já não se via assim há muitissimos anos) que a serra da Estrela tem optimas condições para o ski é tão válido como dizer que o Marão ou o IP4 tem condições optimas para a prática do ski de estância! A dificuldade na Estrela não é tanto a falta de neve mas sim a sua permanencia por longos periodos. Isto é que faz um local ser adequado ou não para a prática do ski de estancia e isto é que faz a diferença entre o ski ter algum contributo significativo para a economia local ou não. Aliás, de todos os desportos de neve, o ski de estância é, provavelmente, aquele que é mais exigente em termos de condições de neve e de infraestruturas necessárias. Repare, se em vez do ski de estância optarmos por ski de travessia a àrea util aumenta umas 50x, assim como o numero de dias viáveis para a sua prática. Adicionalmente, é uma prática económicamente menos arriscada já que implica investimentos muito menores e incertezas de realização muito menores tambem.
Actualmente, a tendencia é para termos cada vez maior variabilidade meterológica nas estações do ano, sudendo-se em curtos espaços de tempo periodos muito amenos e muito frios (isto no inverno) sendo por isso inviável e quiçá "injusto" exigir da Turistrela melhores condições para a prática do esqui de estancia. O que podemos, e devemos exigir, é maior profissionalismo e qualidade no atendimento praticado pelas diversas entidades acolhedoras na Serra da Estrela.
1 Abç

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!