Aspecto do Cântaro Magro. É pena não estar ninguém ali, na boca da Rua dos Mercadores, para dar ideia da escala.
Vou-me pirar, para longe da internet. Durante uns dias ou semanas, não vou ligar nadinha a isto! Até depois!
Margens dos Poços de Loriga, a jusante da estância de esqui Turistrela/Vodafone (imagem retirada do blog Loriga).
A lagoa ilustrada na figura está a cerca de trezentos metros da base da telecadeira da estância de esqui. A triste realidade apresentada não é um caso pontual. Aliás, usei uma imagem semelhante, tirada há mais de um ano, para ilustrar um post publicado ainda na antiga morada do Cântaro Zangado. Quando o sol bate com mais força, os plásticos podem até cheirar-se! Fotografias semelhantes podem obter-se em todas as linhas de água que escorrem da zona da Torre.
O lixo presente na zona da Torre e nas linhas de água que dela escorrem é, em grande parte, o deixado pelos turistas que "vêm" à neve. Face a isto, o que há a fazer? Podemos continuar a fechar os olhos a esta realidade? Os lucros do turismo da neve são superiores aos prejuízos (ambientais e de imagem) desta sua consequência? Quem tem maiores responsabilidades pela existência deste problema? A quem deve ser atribuída a responsabilidade pela sua resolução? Faz sentido estudar planos de pormenor para a Torre ou requalificação dos edifícios que lá se encontram, enquanto não soubermos ou não quisermos enfrentar esta realidade?
Não conheço a resposta à maior parte das perguntas que coloquei acima (embora já tenha, aqui no Cântaro Zangado, dado umas quantas sugestões). Mas é evidente que não basta fazer investimentos na requalificação dos edifícios da Torre ou na beneficiação da estância de esqui para fazer desaparecer o problema. E enquanto não o resolvermos, por mais milhões que se despejem na zona da Torre, o turismo que lá temos continuará a ser, em grande medida, o turismo do lixo. Até quando?
Zona do observatório meteorológico, perto das Penhas Douradas, Manteigas, no inicio do sec. XX (imagem tirada do Blog Manteigas).
Pousada de S. Lourenço, Manteigas, anos sessenta (!) (imagem tirada do blog Refúgio da Montanha).
Como se vê, há zonas da Serra que já estiveram pior (na minha opinião, bem entendido) do que hoje em dia. Como se vê, bastaram quarenta anos para mudar o aspecto da zona da Pousada de S. Lourenço. Valeu ou não a pena o que os serviços florestais fizeram nas Penhas Douradas? Para mim, a resposta é óbvia. O que é que podemos deixar aos nossos filhos, que eles venham a considerar que realmente valeu a pena? Para mim, a resposta é óbvia, também, e não inclui mamarrachos (que, pouco depois de os construirmos, abandonamos), aldeamentos ou telecabines: FLORESTAS!E antes que digam que as florestas não dão empregos, eu digo que é mentira, podem dar empregos sim senhor, e de variados tipos, para diferentes formações, em diferentes ramos de actividade. E se me perguntarem: "E o turismo?", eu respondo que só teremos turismo se soubermos preservar o valor ambiental da Serra, e que os alojamentos para os turistas devem ficar nas localidades; o alto da serra deve ser aproveitado para os turistas gozarem, não para lá ficarem alojados.
Para além das bolotas que semeei no programa "Um Milhão de Carvalhos para a Serra da Estrela", deitei à terra mais algumas por conta própria. Neste local, perto das Penhas da Saúde, coloquei seis bolotas. Pegaram quatro! Não reguei, não cuidei, nada. Bolotas fresquinhas, enterradas dois ou três centímetros no chão, é tudo.
Vamos ver como é que estes pequenos carvalhos (acho que este da figura é um carvalho-alvarinho) aguentam o Verão. Oxalá cresçam fortes e saudáveis. Oxalá a taxa global de sucesso do primeiro ano do programa seja comparável à que (por enquanto) se verificou aqui.
Quando se diz que as cidades estão a ser desenhadas para carros, não para peões, o que é que isso quer dizer?José Maria, dirigente da Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela (ASE) fez ontem um apelo aos organizadores da Volta a Portugal em Bicicleta (que, este ano, tem uma etapa finalizando na Torre), às equipas participantes, às empresas que aproveitam para fins publicitários o evento e aos seus espectadores o maior cuidado com o ambiente da Serra da Estrela. Referiu-se ao lixo publicitário e deixado pelos espectadores, às pinturas de encorajamento que os apoiantes dos ciclistas deixam nas rochas e ainda ao estacionamento de viaturas sobre cervunal. Pode ler toda a notícia no Diário XXI. Selecciono o seguinte excerto:
A Volta é bem-vinda e as bicicletas não nos causam problemas. O que está em causa é o comportamento do público e das caravanas, nomeadamente as publicitárias, numa prova que atravessa a zona sensível do Parque Natural e que arrasta milhares de pessoas.
O Cântaro Zangado faz suas as palavras e as preocupações do dirigente da ASE. O Cântaro Zangado gostava de ter ouvido palavras semelhantes, proferidas por responsáveis do Parque Natural da Serra da Estrela, da Região de Turismo, das autarquias da região, da organização da prova ou das equipas que nela participam. Só lhes ficava bem!
Face tibetana do Monte Everest (imagem da Wikimedia).
Como há um leitor do Cântaro Zangado que não me deixa falar sobre Manteigas por entender que eu nada sei desse concelho(1) , resolvi agora falar de outra região: o Tibete!(1) A bem dizer, acho que o que chateia este leitor é que eu tenha criticado alguns anúncios de projectos do presidente da Câmara de Manteigas para as Penhas Douradas; se os tivesse defendido, quer-me parecer que esse leitor nada teria a dizer sobre o meu desconhecimento da realidade da sua terra...
Se queremos valorizar a estância de esqui, construir a telecabine até à estância de montanha e abrir a estalagem da FAP, temos que pensar num espaço mais agradável.Se queremos?! Quem é que quer? Quando, onde e por quem é que essas opções foram consideradas? Quando, onde e por quem é que foram discutidas? Quando, onde e por quem é que foram decididas?
Respostas/achegas à condicional consideração de Jorge Patrão:
Aqueles monos indescritíveis, ex-libris, sim, mas da falta de respeito que temos pelos locais mais simbólicos do nosso território, nunca deveriam ter sido construídos. Mas foram-no, e daí resultou um problema que se arrasta há dezenas de anos. Um problema que tem uma solução simples.
Se queremos uma Torre com alta qualidade, aqueles mamarrachos têm é que ser demolidos, pura e simplesmente.
Há tempos falei aqui do que chamo a "lógica das avalanches". Apareceu agora mais um exemplo que, aliás, já tinha previsto (ver a discussão que se gerou na caixa de comentários deste post). A propósito da Estrada Verde (nunca deixarei de me espantar com este nome) com que alguns pretendem abrir um novo acesso asfaltado ao maciço central da Serra da Estrela, o presidente da Câmara Municipal da Guarda disse, recentemente,
"O que queremos é que a Estradas de Portugal faça a estrada como fez entre Loriga (Seia) e a Lagoa Comprida."
Ainda é cedo para avaliar as vantagens que Loriga ganhou com a nova estrada. Já referi que me parece que, graças a ela, os louriguenses terão mais dificuldades para viabilizar um turismo mais lento, feito de passeios a pé ou a cavalo, da admiração das paisagens e dos valores naturais em que é rica a nossa região. Terei ou não razão. Mas parece-me que o sr. Presidente da Câmara Municipal da Guarda poderia tentar avaliar a experiência de Loriga antes de exigir a sua repetição na Guarda. Ou pensar melhor em que tipo de turismo pretende apostar com esta Estrada "Verde".
Outra notícia que nos chega da Guarda, revelando uma atitude completamente diferente da mesma Câmara Municipal, é a da inauguração do 1º trilho do projecto Rotas Natura, de que fiquei a saber pelo blog Pedestrianismo (de onde importei a fotografia, também).
Ora aqui está uma notícia que gostava muito de ver transformada em avalanche: os concelhos da região a competirem entre si a ver qual sinalizava, documentava, divulgava, patrocinava e dinamizava mais trilhos pedestres, mais passeios de interpretação, mais actividades de ar livre, de educação e dinamização ambiental...