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terça-feira, novembro 12, 2013

Coisas sérias?

Parece que o novo executivo camarário da Covilhã desbloqueou um processo que o anterior tinha emperrado, o da aquisição de duas viaturas limpa neves para os bombeiros voluntários da Covilhã.

Eu acho que, com o que neva nos concelhos à volta da serra, o Centro de Limpeza de Neve, nas Penhas da Saúde, chega e sobra. Parece-me que as novas viaturas terão uma utilização muito esporádica (leia-se uma ou duas vezes a cada cinco anos), mas representarão um encargo financeiro constante para os bombeiros e também para aqueles de quem se espera apoio para a corporação, ou seja, a câmara, ou seja, todos nós, através dos nossos impostos.

Em resumo, acho que se trata de um perfeito disparate, enquadrado no delírio parolo da "montanha de neve", da "cidade neve", do "concorrer em termos de turismo de montanha com outras da Europa, nas cidades dos maciços mais conhecidos, como os Alpes ou os Pirinéus" (sim, esta pérola hilariante ainda está disponível online! Aproveite enquanto dura!). O costume, portanto.

Soube do projeto de aquisição desta importante "mais valia para o concelho da Covilhã" (J. Matias, vereador pelo PSD, citado no artigo da Rádio Cova da Beira adiante referido) pelo Carpinteira, que ligava a uma notícia na Rádio Cova da Beira, onde podemos ler mais alguns pormenores divertidos. Por exemplo, que o executivo autárquico do anterior presidente emperrou este processo porque não concordava com a cor com que os bombeiros queriam pintar as tão desejadas (mas tão pouco necessárias) viaturas. Não sei se tenho mais vontade de me rir disto, ou do comentário que o atual presidente da Câmara, Vítor Pereira, fez a propósito: "coisas sérias e da maior importância que estavam aqui pendentes mas que agora já estão em fase de resolução". É que, a sério: nisto tudo, parece-me tão pouco séria a discussão sobre as cores dos limpa neves como o resto.

(Festejei a saída de Carlos Pinto. Não tinha grandes esperanças em Vítor Pereira, mas ainda estou convencido de que estamos melhor agora. Mas não abusem, pá!)

segunda-feira, agosto 19, 2013

Contributo para a invenção de uma tradição

Alvorada perto do Cume

Há dias, levantei-me bem cedo e fui para a serra. Deixei o carro perto do cruzamento para a Torre, já na descida para o acesso à pista de esqui, e pus-me a correr. Comecei perto das seis e meia da manhã. Segui para o marco geodésico do Cume, daí desci para os Charcos (perto da Lagoa Comprida), tentando (sem grande sucesso, na descida do Cume) seguir o trilho T1 da rede de percursos pedestres de grande rota do PNSE. Continuei passando pelo Vale do Conde, até chegar à lagoa do Vale Rossim (ainda antes das nove horas). Dei-lhe a volta entrando nas Penhas Douradas e iniciei o regresso pela variante T12 do mesmo trilho. Vale das Éguas, Curral dos Martins, regresso ao Cume e de volta ao carro. Acabei pouco faltava para as onze, pouco menos que completamente estafado.

Vale do Rossim à vista

Tinha planeado, quando comecei a corrida, subir no regresso até à Torre antes de regressar ao carro. Seriam mais dois ou três quilómetros, mas ao menos a atividade ficaria definida por dois marcos geograficamente relevantes, o que me facilitaria a gabarolice ("Da Torre às Penhas Douradas e regresso!"), mas quando passei de novo ao pé do carro faltou-me a coragem para esse último esforço.

OK. Foram 30 km (medidos com GPS) e a corrida durou quatro horas, oito minutos e 49 segundos. Trago isto aqui porque acho que era interessante tornar esta corrida (e/ou outras deste género) uma espécie de tradição aqui da serra. Assim, peço a todos os que já tenham feito este percurso a correr (ou que o venham a fazer no futuro), que me enviem os dados da atividade para eu os publicar aqui, a ver se a coisa ganha pernas para andar (ou, melhor dizendo, para correr :)).

Percurso que segui (início e final no bico aqui em baixo; fui pela direita, regressei pela esquerda). Posso enviar o track a quem o desejar, mas não sei se servirá de muito: andei às aranhas perdido do trilho na descida do Cume para os Charcos e desviei-me do trilho no Curral dos Martins muito para leste (para evitar um rebanho), acabando por passar escusadamente perto do Piornal.

Aviso eventualmente importante: este percurso não é muito difícil. São trinta quilómetros (para os padrões do trail running trata-se de uma distância modesta), as inclinações são relativamente moderadas, o desnível total nem sequer chega a 1000 m. Mas é preciso ter presente que é fácil perder o trilho nalguns troços e, além disso, que é difícil pedir e receber socorro se alguma coisa correr mal. Tem que levar consigo o alimento e a água de que necessitar (mas pode encher o cantil no café do Vale do Rossim ou na fonte que se encontra na estrada daí para as Penhas Douradas). Sobretudo, tem que estar minimamente preparado fisicamente e saber ao que vai. Dito isto, boas corridas!

quinta-feira, agosto 01, 2013

E está tudo bem? (2)

Há tempos, comentei aqui uma decisão do tribunal da Covilhã de não julgar por crimes de prevaricação Carlos Pinto (presidente da câmara da Covilhã) e João Esgalhado (vereador), relativos à legalização "ilegal" do bairro dos chalés da Turistrela, nas Penhas da Saúde.

Apesar desta decisão, o ministério público deve ter vencido em recurso, porque os autarcas foram mesmo julgados (aliás, há dias comentei um episódio desse julgamento). A sentença foi lida na quinta feira passada, fiquei a saber neste artigo do Público (a ligação pode não ser permanente), tendo os arguidos sido absolvidos.

Em resumo, dá-se como provado (mais uma vez) o seguinte:

  1. que a Turistrela construiu ilegalmente o bairro dos chalés (primeira ilegalidade);
  2. que quem devia ter impedido essa ilegalidade (a câmara da Covilhã) foi impedida de o fazer porque Carlos Pinto e João Esgalhado arquivaram ilegalmente os processos de contra-ordenação que já tinham sido instaurados pelos serviços (segunda ilegalidade, aquela que agora estava a ser julgada).

Face a estes factos, dados como provados em tribunal, o juiz decide que os arguidos são ilibados. Eu acho absurdos os argumentos que o artigo do Público atribui ao juiz, mas nem me apetece entrar agora nesse assunto.

O que eu quero mesmo é colocar estas perguntas: provou-se em tribunal que a Turistrela construiu ilegalmente um bairro (um bairro inteiro, caramba!) nas Penhas da Saúde, e não vai por isso sofrer qualquer penalização?! Não perderá o alvará, não perderá a aberrante e anacrónica concessão exclusiva para a atividade turística na serra da Estrela (válida ainda por mais trinta anos), nem sequer terá que pagar uma multa, mesmo que apenas simbólica?! E os que violaram a lei travando a fiscalização, a esses também não lhes acontece nada, nada, rigorosamente nada?!

A culpa é provada em tribunal mas todos vão em paz: haverá exemplo mais claro de situação em que a culpa morre solteira?

sexta-feira, janeiro 18, 2013

Todo o sul do país?!

O presidente da junta de freguesia de Cortes do Meio, a propósito da estrada que ele há anos anda a dizer que quer asfaltar entre a sede da freguesia e as portas dos Hermínios, afirmou à Rádio Cova da Beira (mas fiquei a saber disto pelo blog Cortes do Meio) que

"eu acredito que esta estrada será uma máquina de progresso na freguesia porque levará todo o sul do país a entrar na Serra por aqui o que obrigará a criar lojas de artesanato, restaurantes, unidades de turismo em espaço rural, não descurando a nossa paisagem e gastronomia"

Abri o google maps e calculei o trajecto entre o nó da autoestrada Covilhã Sul e as Penhas da Saúde, pelo percurso hoje habitual (que atravessa a Covilhã) e por aquele que, nas palavras do senhor presidente da junta de freguesia, vai ser preferido por "todo o sul do país". Apresento-os abaixo, respectivamente à esquerda e à direita (clique nas imagens para as ampliar).

O trajecto do senhor presidente da junta de freguesia é mais longo que o que actualmente se usa em cerca de 8 km. Os caminhos ainda não estão asfaltados, mas suspeito que se gastarão mais uns dez a quinze minutos pelas Cortes do Meio do que pela Covilhã. Por isso, ou "todo o sul do país" é muito estúpido, ou continuará a fazer a sua romariazinha à neve daqueles poucos fins de semana pela estrada da Covilhã e não pela do senhor presidente da junta de freguesia.

E repito a pergunta que faço sempre: a estrada de S. Bento, asfaltada já há uns seis anos entre a Portela do Arão e a Lagoa Comprida (do lado de Seia, portanto), foi uma máquina do progresso de Loriga? Levou todo o noroeste do país a entrar por ali? Obrigou a criar lojas de artesanato, restaurantes, unidades de turismo em espaço rural, não descurando a paisagem e gastronomia deles? Caramba, se não aconteceu nada disso do lado de lá (e claramente não aconteceu!), de onde diabos virá a fé do senhor presidente da junta de freguesia em como acontecerá aqui?

Já tenho feito aqui comentários sobre esta estrada. Para os encontrar, introduza "Cortes do Meio" na caixinha de pesquisa que encontra no topo desta página, à esquerda, ou clique aqui.

sexta-feira, dezembro 28, 2012

No "sapatinho" de quem?

Digitalizado da página 10 do Jornal do Fundão de 27 de Dezembro de 2012 (clique na imagem para a tornar legível).

Mais uma vez, o Jornal do Fundão oferece-nos um exemplo da fina arte do jornalismo, lavrada pela pena de Romão Vieira. O assunto é o quartel da GNR que o presidente da Câmara da Covilhã anunciou que pretende construir nas Penhas da Saúde.

Há tempos (há quatro anos), comentei aqui uma peça sobre este mesmo assunto, escrita por este mesmo jornalista, publicada por este mesmo jornal. Mas agora é que vai ser! E ainda bem que o Jornal do Fundão, sempre atento, pode dar a boa nova!

Que o quartel se construa nas Penhas não me incomoda por aí além, como pessoa que aprecia a serra e a sua paisagem. Ao fim e ao cabo, mais mamarracho, menos mamarracho, ali, já não destoa. Mas deixem-me colocar algumas perguntas de que o jornalista que redigiu a notícia (chamemos assim àquilo) parece não se ter lembrado:

  • O novo quartel das Penhas da Saúde (ou melhor: o quartel que nesta notícia é anunciado) vai ser maior e melhor que o Posto Territorial da Covilhã da GNR. Isto é razoável?
  • As Penhas da Saúde (onde, recordo, não viverão mais do que umas vinte pessoas) estão mais perto (se não em distância, pelo menos em tempo de viagem) do posto da GNR mais próximo do que muitas aldeias do concelho com centenas de habitantes. Dois exemplos, apenas: Verdelhos e Sobral de S. Miguel. Mas o presidente da Câmara da Covilhã acha que é nas Penhas da Saúde que o novo quartel faz falta. Isto é razoável?
  • Se bem entendo a "notícia", o autor quer-nos convencer de que este quartel é uma aspiração da GNR. É possível que sim, que o seja, mas estranho: eu nunca ouvi ou li nada nesse sentido. Alguém me pode indicar intervenções públicas, por parte do comando da GNR ou das suas associações profissionais, referindo esta "velha e justa" aspiração? É só para ficarmos a saber de quem ao certo é o "sapatinho" que recebeu este anúncio.

segunda-feira, dezembro 03, 2012

O costume: mais um "caminho natural"

Há algumas semanas, um amigo chamou-me a atenção para uma notícia, que depois vi referida em alguns blogs, segundo a qual o presidente da Câmara de Gouveia (Álvaro Amaro, do PSD) pretende asfaltar um caminho entre Folgosinho e o Covão da Ponte. A notícia pode ser lida, por exemplo, no blog dos Manteigas.

Alguns comentários.

  • A serra da Estrela, zona de montanha e território da maior área protegida do país, está em grande medida ausente dos roteiros de pedestrianismo, de turismo de ar livre, de contacto com a natureza que periodicamente vão sendo produzidos por publicações nacionais (ver constatações deste facto aqui, aqui ou aqui). Ou seja, não é ainda uma referência no que constitui o turismo de montanha em todo o mundo ocidental, nem sequer à escala do nosso país. Por isso, diria eu que se queremos desenvolver o turismo na serra da estrela o que deveríamos fazer era implementar trilhos pedestres e, na medida do possível, apoiar empresas que se dediquem a dinamizar as actividades relacionadas com o turismo de montanha. O presidente da Câmara de Gouveia entende que o que ainda falta na serra para desenvolver o turismo é asfalto. Quantos mais milhões de euros e quantas mais centenas de quilómetros de asfalto serão necessários para que se perceber que essa aposta vai continuar a dar os resultados que tem dado até aqui?
  • Com a crise, os titulares dos cargos políticos ganharam um certo pudor relativamente a anúncios grandiloquentes, porque sabemos que chegámos a este ponto em parte porque os políticos que nos têm governado (os que temos escolhido, note-se) gastaram o dinheiro que tínhamos e o que não tínhamos em obras de fraco ou nenhum retorno. O presidente da Câmara Municipal de Gouveia, pelos vistos, não ganhou pudor nenhum. Não, num dos países mais asfaltados e mais endividados da Europa, considera que o que ainda falta é exactamente gastar ainda mais dinheiro em ainda mais asfalto, agora para "desenvolver o turismo" em zonas onde o turismo vive principalmente de passeios a pé e de contacto com a natureza!
  • O que me mete mais impressão nestes discursos é que exactamente as mesmas palavras podem ser usadas para defender qualquer asfaltação. Se o que Álvaro Amaro diz é razoável, temos que arranjar dinheiro para asfaltar uma estrada pelo Vale da Candieira, outra para a Penha dos Abutres, outra entre a Torre e as Penhas Douradas, uma pela gargante de Loriga, um acesso directo à Torre partindo de Alvoco, acessos à Nave de Santo António partindo de Unhais da Serra e do Sarzedo. E ligações mais directas entre estes povoados e todos os outros. Se é razoável o que Álvaro Amaro diz, asfaltemos a serra toda! Para desenvolver o turismo!
  • «O projeto foi elaborado em “diálogo com o Parque Natural da Serra da Estrela”, por estar em causa “a preservação de pontos importantes” daquela área protegida.» Sim, e colaboraram com a definição de zonas de caça, deram e dão parecer favorável a estradas, barragens, parques eólicos, passeios todo-o-terreno, ampliações de estâncias de esqui, batidas ao javali, deposições de sal para derreter neve e tudo isso. O PNSE... Ainda bem que proíbem a escalada, porque de outro modo... De quê ao certo estariam eles a proteger a serra?

Adenda posterior: Um último comentário: este é um bom exemplo de como, para muitos autarcas, falar de turismo na serra da Estrela é, na verdade, falar de construção civil. Eu acho que as duas coisas não são bem o mesmo em lado nenhum e muito menos em zonas de montanha.

segunda-feira, agosto 06, 2012

Ocaso nas Penhas da Saúde

(Fotografado há perto de uma semana.)

quinta-feira, maio 24, 2012

Vale da Bouça

... Fotografado domingo passado de manhã, com um telemóvel.

Por qualquer razão que eu não consigo entender, o presidente da Junta de Freguesia das Cortes do Meio (onde se encontra este vale) entende que a solução para todos os problemas da sua freguesia e ainda o investimento que nela irá desenvolver o turismo é uma estrada asfaltada para as Penhas da Saúde (clique aqui para ler comentários anteriores a esta questão). Estrada essa que irá passar muito perto do sítio onde estava quando tirei a fotografia que ilustra este post.

Duvido que alguma vez consiga entender o sr. presidente da junta, sejam quais forem as suas razões. É que eu visito muito frequentemente esta zona, mas tenho a certeza que deixarei de o fazer no dia em que ela estiver rasgada por uma estrada de asfalto. O que o vale agora é, vale a pena; o que o vale será se for feita a vontade do sr presidente da junta, já não. Nem para mim, nem para turistas que não se limitem a querer apenas chegar o mais depressa possível à Torre (Torre que, diga-se de passagem, nem sequer se situa na freguesia das Cortes do Meio). E olhe que ele há-os, sr presidente. E são muitos! Visite o Gerês no Verão, para não ir mais longe, e verá!

segunda-feira, março 12, 2012

Combater o abandono com o asfalto! (?)

Transcrevo uma notícia que li no blogue Cortes do Meio, se não me engano obtida no Jornal do Fundão:

População "espera e desespera" por estrada até às Penhas da Saúde

Em dez anos a freguesia de Cortes do Meio perdeu cerca de oito por cento da população. Segundo os Censos 2011, esta aldeia do concelho da Covilhã conta com 900 habitantes, 100 dos quais têm menos de 18 anos. A estrada de acesso às Penhas da Saúde é aspiração antiga do presidente da junta de freguesia.

Para além das regras apertadas que limitam o crescimento de Cortes do Meio, a falta de emprego tem também levado muitos jovens a procurar oportunidades fora da aldeia, admite Paulo Rodrigues. Uma situação que só será ultrapassada se for concluida a estrada de ligação de Cortes do Meio à anexa das Penhas da Saúde. Com um orçamento global de 800 mil euros, já foram investidos cerca de 150 mil na 1ª fase da obra. Faltam cerca de 650 mil euros para arrancar com a 2ª fase que inclui o alcatroamento da via. Apesar da crise, Paulo Rodrigues acredita que será possível concretizar esta aspiração antiga que beneficiaria toda a zona sul do concelho da Covilhã. Localizada na encosta sul da Serra da Estrela, Cortes do Meio sonha com uma ligação directa ao maciço central. São oito quilómetros de uma estrada em terra batida que durante anos foi percorrida a pé pelas “gentes das cortes”. Na montanha recolhiam o carvão e a carqueija que vendiam na Covilhã. Os rebanhos e os moinhos preenchiam o vale da ribeira de Cortes que hoje corre serena, sem trabalho, contando histórias de vidas duras.

Por: Susana Proença

Não é claro, mas diria que o texto desta peça terá sido construído a partir de declarações do sr. Paulo Rodrigues, presidente da junta de freguesia de Cortes do Meio. Partindo desse princípio (não necessariamente válido), quero aqui deixar alguns comentários:

  • o primeiro parágrafo diz que a estrada para as Penhas é uma antiga aspiração do presidente da junta de freguesia. O título da peça diz que é a população que desespera por essa estrada;
  • aparentemente, há "regras apertadas" que limitam o crescimento especificamente das Cortes do Meio e que terão contribuído para a freguesia ter perdido população. Serão regras apertadas como essas as que explicam a queda demográfica também de Pinhel, de Penamacor, da Sertã, só para dar três exemplos?
  • segundo se diz, com a conclusão da estrada para as Penhas, será ultrapassada a situação que, alega-se, leva "muitos jovens a procurar oportunidades fora da aldeia". Como, ao certo? A estrada gerará empregos? Ou aliviará as tais regras apertadas? Ou será outro efeito, não referido aqui?

Um leitor de jornais pode apenas ler, sem pensar no que lê nem questionar o que os autores pretendem que leia. Um(a) jornalista pode apenas escrever o que lhe mandam, sem pensar no que escreve nem questionar o que o mandam escrever. É o mais fácil. E o autarca das Cortes do Meio até podia pensar em desenvolver o turismo na sua freguesia. Mas é muito mais fácil apenas pedir dinheiro para asfaltar as zonas bonitas que ainda lhe restam, sonhando talvez que muitos turistas passem a usar essas estradas para subir para a Torre.

Sr. Paulo Rodrigues: pergunte aos de Loriga que movimento é que a estrada de S. Bento (que asfaltaram há uns quatro anos até perto da Lagoa Comprida) tem, que empregos gerou, que abandono é que evitou. Se as respostas revelarem um décimo dos ganhos que eram prometidos (e que o sr. agora repete) defendendo a asfaltação da dita estrada, calo-me.

domingo, março 04, 2012

Que manhã de domingo!

Fotografia tirada com o telemóvel, na descida de volta a Manteigas.
Participei hoje na corrida atlética 12 km Manteigas - Penhas Douradas. E nada, é só para dizer, mais uma vez, que Manteigas é um espetáculo!

quinta-feira, outubro 20, 2011

Uma tarde de domingo

Domingo passado, à hora de almoço, decidi que estava tão bom que seria pecado ficar em casa. Guiei até ao Covão d'Ametade, com a ideia de dar a volta ao Cântaro Magro pelo Covão Cimeiro, estrada, Santa, Trilho do Major, Nave de Santo António e regresso ao carro. Chegado ao Covão d'Ametade, decidi que era já tarde (deviam ser umas 15:30) para aquela volta, de forma que me pus a caminho do Vale da Candieira ou da Lagoa dos Cântaros, logo veria para onde me dirigiria quando chegasse à bifurcação.

No entanto, assim que saí do carro comecei a sentir umas gotas de chuva (ao princípio supus que fosse outra coisa qualquer, já que a chuva se fez tão rara nos últimos meses), e passados dez minutos estava a chover com alguma intensidade. Pingolas grossas. Ainda caminhei mais uns quinze minutos mas, sem equipamento apropriado e sem saber como a coisa evoluiria, decidi voltar para trás.

Foi quando o tempo melhorou. A chuva parou, e o Sol recomeçou a brilhar. Mas as ervas e giestas tinham ficado encharcadas, e eu também já estava assim mais para o húmido, de forma que me mantive decidido a regressar.

Ainda tirei umas fotos no Covão d'Ametade (como a que ilustra este post), mas o melhor do dia foi encontrar os meus "velhos" amigos do montanhismo, que vinham de um passeio na zona do Poço do Inferno. Próxima paragem: café Estrela, nas Penhas da Saúde. Cerveja e paleio.

Há prazeres que se mantêm iguais, mesmo passados vinte anos. Brindemos a isso!

sexta-feira, setembro 09, 2011

Proteger a paisagem

Se não fosse este nevoeiro, esta fotografia (tirada perto das Penhas da Saúde, mais ou menos para o início vale da Ribeira das Cortes) mostraria dois troços de estrada asfaltada, alguns estradões, algumas casas e se olhássemos com cuidado, postes de suporte de cabos eléctricos, uns cumprindo a sua função, os outros abandonados há decénios. Num futuro não muito distante, esta fotografia mostraria ainda o estaleiro da construção da barragem que a Câmara da Covilhã quer construir ali mais abaixo, ou a barragem já construída.

Noutros locais do Parque Natural da Serra da Estrela, a paisagem mostra parques eólicos; reinando sobre o panorama, os mamarrachos da Torre; por todo o lado, é possível vislumbrar uma (ou mais) estrada de asfalto, o muro de uma barragem e/ou uma linha de alta ou de baixa tensão; na pequena escala, plásticos em camadas decoram as linhas de água que escorrem da Torre.

É preciso muita arte e cuidado para se conseguir fotografar uma paisagem que pareça mais ou menos natural na Serra da Estrela, uma que não fique "enfeitada" com uma qualquer destas incongruências artificialóides. O que nos vai valendo, por vezes, ainda é o nevoeiro.

terça-feira, setembro 06, 2011

Quem o feio vê sem nitidez...


Penhas da Saúde no Domingo passado, pela manhã.

domingo, setembro 04, 2011

Tartaranhão-caçador


Tartarnhão-caçador (Circus pigargus) fotografado hoje de manhã perto das Penhas da Saúde.

Posso estar enganado, mas parece-me que há cada vez mais aves de rapina na serra da Estrela (e não só na serra). Pelo menos, nos últimos anos tenho observado mais aves a cada novo Verão. Nesta manhã, vi três tartaranhões ao mesmo tempo (mas os outros estavam ainda mais longe que este).
Ainda bem!

quinta-feira, julho 28, 2011

Are you talking to me?!

Lagartixa, fotografada nas Penhas da Saúde no Domingo passado

OK, é uma lagartixa. Mas qual? Fiando-me no meu Guia Fapas "Anfíbios e Répteis de Portugal", parece-me uma lagartixa-ibérica (Podarcis hispanica). Mas não sei.

quarta-feira, julho 27, 2011

Abençoada estupidez!

Dois colchões, um fogão e alguns móveis abandonados recentemente no Alto dos Livros

No Domingo passado, regressando em bicicleta com os meus filhos à Covilhã, depois de um fim de semana nas Penhas da Saúde, dei, no Alto dos Livros (no extremo sul da crista da colina sobre a Covilhã) com o espectáculo que apresento na fotografia acima. Como passo com alguma regularidade neste local nas minhas corridas, sei que este lixo foi ali depositado há pouco tempo, não mais do que duas semanas.

Poderá dizer-se que se trata de um caso de falta de consciência cívica por parte de quem aqui deixou estes restos, mas eu acho que se trata de pura e simples estupidez. Com efeito, como melhor classificar a decisão de meter estes "monstros" (designação quase técnica dada a resíduos sólidos de grandes dimensões como estes) na caixa de uma camioneta, de conduzir a dita camioneta até perto do posto de vigia de incêndios sobre o sanatório, de percorrer em seguida três quilómetros por uma estrada de terra, nalguns pontos com declive apreciável e/ou com um piso muito irregular, abandonar o lixo e depois regressar? (Na imagem em baixo represento a vermelho a parte do trajecto na estrada de terra.)

A via da estupidez

Será isto mais prático, mais confortável, ou mais barato do que deixar estes monstros ao pé de um contentor de lixo, desses que há espalhados pela cidade? Ou que ir ao site da Águas da Covilhã (ou telefonar) e combinar com os serviços a recolha destes monstros?

Este é um exemplo de como gastar o mais possível (em dinheiro, tempo, e amortecedores) a criar um problema com resolução o mais cara possível. Comodismo, falta de civismo? Não. Simplesmente uma enorme estupidez, apenas isso.

segunda-feira, julho 25, 2011

Assembleia Geral

Concentração de andorinhas-dos-beirais, fotografada ontem nas Penhas da Saúde
PS1: Um conhecido meu que sabe muito mais de aves do que eu manifestou em tempos dúvidas de que houvesse muitas andorinhas-dos-beirais nas Penhas da Saúde. Eu concordo que há mais, por exemplo, na Covilhã. Mas também as vai havendo lá em cima...
PS2: Por falar em assembleias gerais, a ASE terá a sua já na sexta feira, dia 29 de Julho, em Lisboa. Se é sócio e está por Lisboa, apareça!

domingo, junho 19, 2011

Sanatório dos ferroviários

Gruas no sanatório

Há já alguns meses, iniciaram-se as obras de reconstrução do antigo sanatório dos ferroviários, situado entre a Covilhã e as Penhas da Saúde. Esta reconstrução, que ao longo das décadas foi sendo anunciada "para breve", teve uma história interessante, que resumi aqui.

Admito que sejam uma necessidade temporária, mas não gosto mesmo nada de ver a crista da colina da Covilhã decorada com estas gruas. Oxalá que as obras sejam rápidas e que não afectem uma área muito alargada.

Sobre a importância para o turismo das reconstruções na serra, tenho a opinião que apresentei noutro post: que, quase sempre, em vez de reconstruir, é melhor demolir e limpar e ainda que o que importa mesmo reconstruir é a paisagem e o ambiente. Só para dar um exemplo, consegue-se imaginar a importância turística de uma floresta autóctone e variada (carvalhos, bordos, vidoeiros, castanheiros, freixos, tramazeiras, cerejeiras, etc) mais ou menos contínua entre a Covilhã e Unhais da Serra (estou a considerar apenas as zonas mais afastadas dos povoados, os baldios tradicionalmente desaproveitados para a agricultura)?

Uma tal floresta, já formada, atrairia turistas pelos valores naturais (observação e interpretação da natureza) e paisagísticos (imaginem-se, como já sugeri aqui, as cores de Outono que a colina da Covilhã apresentaria), gastronómicos (cogumelos e bagas) ou até pela caça. Claro que, dado o estado em que as coisas estão, seria preciso esperar décadas para que as árvores crescessem. Ah, se tivéssemos começado este esforço em 1991, quando ardeu o pinhal sobre a Covilhã...

Mas entretanto, poderíamos também dinamizar o turismo atraindo activistas e voluntários para acções de reflorestação. Sim, isso também é (ou pode ser) turismo! A Associação Cultural dos Amigos da Serra da Estrela tem todos os anos trazido a Manteigas várias centenas de pessoas que participam nas actividades do programa Um milhão de Carvalhos para a Serra da Estrela. Se uma associação cultural, com uma estrutura pequena e amadora, tem conseguido o que consegue, ano após ano, o que não conseguiria uma autarquia ou associação de municípios, uma região de turismo ou uma associação de empresários? O que não conseguiriam duas ou mais destas estruturas em colaboração?

segunda-feira, abril 25, 2011

Parque da Floresta - Penhas da Saúde...

... A correr, no sábado dia 16 de Abril. Sem complicações nem preparativos, decidido à última hora e executado logo a seguir. Cerca de 11 quilómetros, 800 m de subida, uma hora e vinte minutos de total liberdade (e quase total falta de ar). Que maravilha!

segunda-feira, abril 18, 2011

É outra vez Primavera

Tentilhão-comum, apanhado ontem nas Penhas da Saúde.
Num passeio pela serra por qualquer sítio onde haja árvores, é impossível não ouvir o tentilhão-comum (Fringilla coelebs) nesta altura do ano.
Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!