Spring Alive é o nome de um programa bem interessante promovido pela Bird Life International, com a colaboração, cá em Portugal, da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves.(Soube pelo Montanha.)
Spring Alive é o nome de um programa bem interessante promovido pela Bird Life International, com a colaboração, cá em Portugal, da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves.
A Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela tomou uma posição sobre a concentração motociclista do fim de semana passado no Covão d'Ametade. Pode ler a nota de imprensa no site da associação.
Há alguns meses, deixei aqui um post com o título "A ver o que dá". Está na hora de começar a mostrar o resultado.
O primeiro carvalho "saiu" ainda em Dezembro. Despontaram, até agora, 38 carvalhos. Só hoje, apareceram oito!
O passo chave desta escalada vai ser o transplante e os meses que se seguirem, bem sei. Mas, para já, isto promete...
O Covão d'Ametade está bem no interior do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE). Integra o Sítio Rede Natura 2000 e a Reserva Biogenética Serra da Estrela. É um local de grande beleza (dos poucos que ainda vão restando), com um bosque de bétulas adultas como não há mais nenhum na Serra da Estrela e como duvido que haja muitos no nosso país.

Não sei se terá uma grande importância ecológica, ou se raros valores de biodiversidade tornam justificáveis regulamentos muito restritivos para a sua utilização recreativa. Suponho que não e nesse sentido compreendo que esteja classificado como um núcleo de recreio do PNSE.

Por ser um local de rara beleza, por ser facilmente acessível e por ser um núcleo de recreio, poderia (e deveria) ser aproveitado para incentivar práticas ambientalmente correctas de recreação, para a educação ambiental, para a fruição ambiental. Também por isso é um local especial e mereceria portanto ser tratado com cuidado. Neste local, mais do que noutros do PNSE (ou por estarem mais degradados, como a Torre, ou por estarem mais afastados de acessos rodoviários), os impactos das actividades a realizar deveriam ser aferidos também de um ponto de vista da imagem que veiculam do Parque como estrutura do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade e até da serra como destino turístico.
Este fim de semana decorreu uma concentração de motociclistas no Covão d'Ametade. O evento foi autorizado pelo PNSE, que colaborou na preparação do local, e foi apoiado pela Câmara Municipal de Manteigas. Os organizadores montaram tendas gigantes aquecidas para servirem como refeitório e espaço de convívio, duches quentes, geradores eléctricos, barraquinhas de comes e bebes e de venda de souvenirs, várias fogueiras e até (!) uma banheira com água aquecida a fogo para "banhos turcos". Algumas motas, carros e carrinhas de apoio entraram pelo Covão adentro, rolando sobre o relvão. Ilustro este post com algumas fotografias, umas "roubadas" no Máfia da Cova, outras enviadas por um amigo.
Algumas perguntas:
De que modo é que este evento serve a função do PNSE? Uma vez que este arraial foi autorizado, passarão também a ser permitidos no Covão d'Ametade festivais de Verão, feiras de artesanato, festas-comício de partidos na rentré pós-estival, lançamentos comerciais de modelos de automóveis? Se não, porque não? Se sim, que sentido faz ainda falar de protecção ambiental? Que imagem é que este evento dá da protecção ambiental na Serra da Estrela? Que imagem dão de si os serviços do PNSE ao autorizarem e colaborarem com a sua organização? Que vantagens vê a autarquia manteiguense, a Junta de Frequesia e o Conselho de Baldios na realização de eventos deste tipo? Que imagem dão de si os responsáveis manteiguenses (concelho com gravíssimos problemas sociais e económicos) ao apoiarem no seu território um evento que quase parece ter sido organizado com a preocupação de minimizar eventuais mais-valias para Manteigas e a sua população?
Por fim, que imagem dão de si os motociclistas, que publicitaram este encontro com "o verdadeiro espírito Motocilista de confraternização aliado às condições mais adversas de viagem e acampamento" (ver o cartaz), tendo em mente, desde o princípio, este tão confortável arraial?
PS: A propósito desta concentração motard, recomendo uma passagem pelo Estrela no seu melhor.
Há tempos escrevi aqui sobre o valor ornamental das árvores em espaços urbanos e sobre como muitas vezes transformamos as árvores que se pretendem ornamentais em cotos informes, com as "tradicionais" rolagens camarárias. Apresentei nesse artigo um exemplo (fotografia acima) que considerei ilustrativo, porque mostrava, lado a lado, uma árvore verdadeiramente ornamental e um desses cotos informes.
A árvore ornamental foi cortada (ou podada) hoje. O que dela restava à hora de almoço é o que mostro na fotografia abaixo.
As razões para este trabalho podem ter sido as melhores. Mas o meu dia-a-dia ficou muito mais triste agora. O Bairro do Rodrigo (onde não moro, mas onde levo o meu filho mais novo à escola todos os dias) é agora, para mim, muito menos interessante. Por boas que tenham sido as razões, tratou-se de um sacrifício e, para mim, doloroso. Podemos ter evitados males maiores, estou disposto a admiti-lo, mas o preço que pagámos foi terrível.
Foi o assistirmos, no Bairro do Rodrigo, ao triunfo dos cotos informes.
A notícia principal da página 19 do Público de 5 de Fevereiro (a link pode não ser permanente) é a do resgate com recurso a um helicóptero de três montanhistas na serra do Gerês. O que mais me prendeu a atenção neste assunto foi a possibilidade de os montanhistas em questão virem a ser obrigados a pagar os custos da operação que os salvou, que ascendiam (se não me engano) a quinze mil euros.
Se entendemos que deve ser o estado a pagar a factura das operações de salvamento de que eventualmente necessitarmos, então devemos aceitar as regras que o estado impuser para a prática da nossa actividade, nas condições que ele considerar seguras. Esse é um custo que, para mim, ultrapassa em muito o das operações de salvamento. Prefiro, de longe, pagar em dinheiro do que pagar em liberdade. Mas prefiro ainda mais não ter que pagar nada nem ver a minha liberdade limitada em nada.
Ora, na mesma página 19 do Público de 5 de Fevereiro, outra notícia refere as "Filas de quilómetros para ver a neve nas estradas abertas da serra da Estrela". Informa-se na notícia que "A principal via de acesso ao maciço central da Estrela tinha sido encerrada domingo pelas 15h00, na sequência de um forte nevão que obrigou a GNR a evacuar todos os veículos entre Piornos e a Lagoa Comprida".
A quem é apresentada a factura pelos custos do funcionamento da GNR nos fins de semana "normais" em que se instala o caos rodoviário com os visitantes da neve? A quem é apresentada a factura pelos custos da manutenção e funcionamento do Centro de Limpeza de Neve, todos os anos, todos os dias do ano? A quem é apresentada a factura pelos custos da tarefa de evacuar uma porção de estrada nacional com quinze quilómetros de extensão, onde se encontram alguns milhares de visitantes?
Se o estado não ordena (para além da mera gestão do caos) a prática da romaria automobilizada ao maciço central da serra da Estrela e aceita pagar os custos inerentes à segurança dessa actividade, não compreendo porque é que não há-de ter exactamente a mesma atitude face ao montanhismo.
Carlos Alberto Pinto, presidente da Câmara Municipal da Covilhã, torna público, nos termos e para os efeitos previstos no artigo 148.º do Decreto -Lei n.º 380/99, de 22 de Setembro, com a redacção dada pelo Decreto -Lei n.º 316/2007, de 19 de Setembro que, mediante proposta da Câmara Municipal da Covilhã de 2 de Outubro de 2006, a Assembleia Municipal da Covilhã, em Sessão Ordinária realizada no dia 15 de Dezembro de 2006, deliberou aprovar o Plano de Pormenor das Penhas da Saúde — Zona Sul.
(Clique aqui para ler a deliberação integral.)
Ou seja, foi publicada em DR de 22 de Janeiro de 2008 a aprovação do plano de pormenor das Penhas da Saúde — Zona Sul, que tinha sido discutido e votado em reunião da Assembleia Municipal de 15 de Dezembro de 2006, de acordo com proposta da Câmara de 19 de Setembro do mesmo ano.
Está tudo normal? Sim, desde que consideremos normal fazer-se a proposta de discussão de um plano de pormenor uns cinco ou seis anos depois de os pormenores nele previstos estarem construídos e a ser utilizados. Se isso é normal, é normal.
Mas soa estranha a utilização do tempo futuro na na deliberação. Por exemplo,"Os projectos dos edifícios deverão ser considerados em conjunto em especial no que se refere aos materiais utilizados que não poderão ser outros senão [...]"
"Os projectos dos edifícios deverão ser considerados"? Quando? Já foram todos construídos, pela Turistrela, há uns bons cinco ou seis anos!
Este é mais um exemplo do entendimento que a Turistrela e a Câmara Municipal da Covilhã fazem do que deve ser o ordenamento urbano e do turismo em zonas integradas em áreas protegidas. Estamos no rumo certo, estamos de parabéns!
PS1: Gostava muito de saber como é que as diferentes forças partidárias representadas na Assembleia Municipal votaram este "plano" de pormenor. Se algum leitor tiver esta informação, agradeço que ma faça chegar.
PS2: Duvida das minhas palavras quando digo que o conteúdo deste "plano" de pormenor está, no essencial, completamente construído? Compare, então, as plantas anexadas à deliberação com uma imagem Google Earth da zona.
PS3: A construção deste bairrinho atranvacado colocou outros problemas legais, a que me referi neste post.
PS4: Nota para memória passada: deverei tentar encontrar tempo para escrever este post. Qual post? Este mesmo que o caro leitor acabou de ler!
O Departamento de Matemática da Universidade da Beira Interior promove um concurso de problemas interessantes*, dirigidos a alunos do ensino secundário, chamado Carpe Mat (se não me engano, isto quer dizer qualquer coisa como "aproveita a matemática").
E o que é que isso tem que ver com o Cântaro Zangado? Em primeiro lugar, pessoalmente, acho interessante o conceito e agradam-me quebra-cabeças. Em segundo lugar, os problemas da presente edição do concurso têm um cheirinho a Serra. Por fim, o vencedor do concurso receberá como prémio uma BTT, com a qual pode ir passear para a Serra, lugar muito apropriado também para resolver problemas de matemática (digo-o por experiência própria).
(*) A bem dizer, os problemas em si não são nem deixam de ser interessantes; nós é que nos interessamos ou não por eles. Venham depois dizer que a culpa é da matemática...
[É] "um erro primário e grosseiro" a eventual construção de infraestruturas em betão, como o casino ou o Palácio de Congressos nas Penhas da Saúde, projectos que "além de desajustados do meio, estão também desligados das necessidades dos praticantes de desportos de Natureza e Inverno"
O "monopólio de exploração turística e a sobreposição dos interesses comerciais à noção de sustentabilidade" é um dos aspectos mais criticáveis no turismo da Serra da Estrela.
Estas opiniões (com as quais não posso concordar mais) pertencem a Mário Carvalho, antigo professor de esqui na estância de Sierra Nevada, antigo vice-campeão nacional de esqui, actual docente do Instituto Politécnico de Leiria, e são apoiadas no estudo que fez para a sua Dissertação de Mestrado, apresentada, defendida (e aprovada) no Instituto Superior Técnico.
Soube disto pelo Ondas3, que aponta para uma notícia no Expresso com mais detalhes. Em particular, com os detalhes da reacção dos responsáveis pelo turismo que temos. Artur Costa Pais, administrador da empresa concessionária exclusiva (o monopólio a que se referia Mário Carvalho) do turismo e dos desportos na Serra da Estrela, lamenta que haja "cada vez mais gente mal intencionada" no turismo na região; Jorge Patrão (presidente da Região de Turismo), considera que este trabalho "demonstra uma profunda ignorância em relação à realidade".Penso que para terem alguma relevância neste contexto, as referências às más intenções deveriam ser materializadas com algo de palpável. Assim, são apenas paleio. Quanto à opinião de Jorge Patrão sobre a "profunda ignorância" demonstrada por esta tese de mestrado, ela vale o que vale. Podemos comparar as habilitações (inexistentes) e currículo de Jorge Patrão com as do mestrando, as do seu orientador e as dos elementos do jurí que avaliaram o trabalho. Cada um é livre de fazer a opção que entender mas por mim, no que toca a avaliar ignorâncias, fio-me mais no discernimento, experiência e currículo dos académicos...
Ah!, Estudos para quê? Teses para quê? Isso é para gente mal intencionada e ignorante. Gente (que horror!) com habilitações, que já viu mundo. Nós não, nós somos optimistas, temos "requalidade" e dinamismo! O que precisamos é de mais milhões, mais betão, mais ferragens, mais asfalto e, de vez em quando, só para não parecer muito mal, uma entrevistazita num jornal amigo, para também podermos afirmar que "a Serra não é só neve".