terça-feira, dezembro 20, 2011

Proteger as áreas protegidas

Há dias, deixei no post anterior o apelo

[...] preservemos o que ainda resta de natural na serra da Estrela: mais estradas, não; mais áreas urbanizadas, não; mais barragens, não; mais postes de alta, média ou baixa tensão, não; mais eólicas, não; mais lixeiras, não.

Creio que focando-se principalmente neste excerto, um leitor fez o seguinte comentário:

Barragens,não!Eólicas,não!Centrais termoelétricas,não!Como é que raio têm eletricidade em casa?Ou será, que que querem voltar ao tempo das cavernas!Lampadas lixo,frigorífico,também,televisão, idem.Se houver uma falha de fornecimento de energia elétrica,são os primeiros a praguejar:Raios partam a EDP!
Bom, parece-me que responder nestes termos ao meu apelo de protecção das áreas protegidas e especificamente da serra da Estrela, é o mesmo que perguntar "Como é que raio têm carne de porco em casa?" a quem se manifestasse contra a instalação de uma suinicultura industrial à frente do mosteiro dos Jerónimos.

Nem isso. Seria o mesmo se, à frente do mosteiro dos Jerónimos, antes da possibilidade da instalação da suinicultura que imaginei, estivesse já implantado um aviário, um aterro de lixo e uma fábrica de pasta de papel. Assim, sim, seria um "argumento" equivalente.

domingo, dezembro 11, 2011

Mais um "fundamentalista"

José Pacheco Pereira usou ontem a sua semanal crónica no Público de Sábado para protestar contra a construção da barragem do Tua. Começa por dizer que não se considera um ecologista, "verde" ou "coisa semelhante".

São pouco relevantes aqui para o Cântaro Zangado (que é, e pretende continuar a ser, um blog especificamente sobre a serra da Estrela) as considerações de José Pacheco Pereira mais directamente ligadas com o assunto que desenvolvia (o vale do Tua e a construção da barragem). Mas note-se o seguinte trecho:

[...] Portugal é um país que tem destruído intensamente a sua paisagem natural nos últimos anos, tem uma grande densidade de barragens a norte e cada barragem é vale de um rio que desaparece. As cumeadas dos montes já estão cheias de eólicas, e quase que não é possível em lado nenhum olhar à volta de um ponto alto, mesmo nos parques naturais, sem ver artefactos colocados bem diante dos nossos olhos nos últimos 20 anos. Já não sabemos, por exemplo, o que é uma noite escura, e por isso o espanto homérico com o céu e as estrelas é uma experiência que já "não nos assiste", para assentar os pés na terra em que verdadeiramente vivemos, a das trivialidades boçais[...]
Coisas como esta temos escrito aqui no Cântaro Zangado, referindo-nos especificamente à serra da Estrela. Por isso, alguns chamam-nos "fundamentalistas do ambiente".

Eu não sei se sou ambientalista. Sei que me agradam os espaços naturais e que por isso desejo que sejam preservados. Ou seja, que sejam protegidos de tudo o que ofende a nossa condição humana e que se verifica na generalidade do território. Rebentámos as cidades (e as vilas, e as aldeias) e as suas redondezas com desordenamento, com absurdo, com fealdade, já não há nada a fazer. Mas preservemos, enquanto há ainda alguma coisa a preservar, os nossos espaços (mais ou menos) naturais. Em particular, preservemos o que ainda resta de natural na serra da Estrela: mais estradas, não; mais áreas urbanizadas, não; mais barragens, não; mais postes de alta, média ou baixa tensão, não; mais eólicas, não; mais lixeiras, não.

Se ter esta opinião é ser fundamentalista, OK, sou fundamentalista. Mas, responda-me quem disso me acusar: o turismo, a região, as populações têm ganho assim tanto com as estradas, as áreas urbanizadas, as barragens, os postes de alta, média e baixa tensão, as eólicas e as lixeiras que temos espalhado pela serra?

quinta-feira, dezembro 08, 2011

Pergunta e resposta

Encontrei hoje, na caixa de correio do Cântaro Zangado, a seguinte questão:

Boa Tarde;
Sou aluno do último ano da LIcenciatura em Gestão do Desporto no Instituto superior da maia, sou frequentador e amante da Serra da estrela pois pratico Snowboard, montanhismo entre outras. Numa pesquisa na Internet verifiquei que são altamente criticos à gestão feita pela Turistrela. Nesse sentido gostava de perceber quais são na vossa opinião quais acha que deviam ser a principais acções a desenvolver para que o turismo da serra da estrela seja desenvolvido ?
Cumprimentos;

Eis a minha resposta:

Boa tarde

Desculpe só agora responder mas só hoje me apercebi desta sua mensagem.
Quanto a mim (José Amoreira) o primeiro a fazer para o desenvolvimento do turismo na serra da Estrela é terminar o modelo de concessão exclusiva. A Turistrela foi criada em 1971, para gerir e desenvolver o turismo na serra, com exclusividade de ação acima dos 800 m (ou seja, numa área que ronda os 100 000 ha), por um período de 60 anos. Na altura, tratava-se de uma empresa de capitais maioritariamente públicos. Nos anos 80 foi privatizada, mas a concessão exclusiva manteve-se (sendo até renovado o período da sua duração), passando assim a constituir um monopólio privado.

Note que esta exclusividade não está limitada à gestão daquela espécie de estânciazinha de esqui (eu também pratico esqui e montanhismo; como praticante de esqui, chamar àquilo "espécie de estânciazinha" é um elogio), trata-se da "exclusividade do turismo e dos desportos". Todo o turismo e todos os desportos (turismo de neve, turismo de natureza, gastronomia, montanhismo, escalada, canoagem, parapente, passeios a cavalo, btt, pesca, caça, todo-o-terreno motorizado, etc, etc). Entendeu-se em 1971, e renovou-se esse entendimento em 1986, que é razoável atribuir a exclusividade de todas estas actividades (e de outras que não me lembro), em todo o território da serra, e por sessenta anos, a uma única empresa! Que obrigações tem a concessionária? Nenhumas que se possam verificar objetivamente (tem que "dinamizar o turismo" e coisas desse tipo). A concessão é avaliada? Não, a lei da concessão não indica que órgão administrativo deve proceder a essa avaliação, nem com que periodicidade ela se deve realizar.

Eu entendo que este monopólio é a principal causa do atraso do turismo na serra da Estrela. E não é por ser a Turistrela a concessionária (ou não é principalmente por isso, pelo menos): é por não haver condições legais para que empresas mais dinâmicas que a Turistrela, mesmo que atuando num âmbito mais reduzido, possam tentar a sua sorte e crescer. É porque, com este modelo de concessão exclusiva, se torna impossível o aparecimento de um ambiente empresarial moderno, com empresas (pequenas, médias e grandes) a aparecerem e desaparecerem, com concorrência e/ou cooperação entre empresas, com umas a darem ideias que depois são copiadas e melhoradas por outras, com umas a prestarem serviços (cobrando, claro) a outras, etc, etc, etc.

Este é, para mim, o principal problema do turismo na serra da Estrela. Outros: Estradas de asfalto a mais; proteção de natureza a menos; oferta demasiado centrada na neve (mesmo não sendo a neve muita nem muito boa na serra da Estrela) e praticamente inexistente nas áreas do turismo de natureza, que enchem de turistas as montanhas de todo a Europa, durante todo o ano, até aquelas onde neva a sério.

E pronto, assim de repente é o que me lembro. Obrigado pelo seu contacto e, quando quiser, disponha.
José Amoreira

PS: junto URL para os decretos lei que criaram a concessão exclusiva em 1971 e que a renovaram em 1986:
http://www.dre.pt/util/getpdf.asp?s=dip&serie=1&iddr=1971.176&iddip=19711326
http://www.dre.pt/util/getpdf.asp?s=dip&serie=1&iddr=1986.284&iddip=19863424

Seis anos

Isto é assim a modos que pouco mais do que uma prova de vida. Mas não deixa de ser um facto. Seis anos!

Aqui estão as ligações para os posts do primeiro aniversário, do segundo, do terceiro e do quarto. Do quinto aniversário só me lembrei tarde de mais...

terça-feira, dezembro 06, 2011

Duas fotos...

Tiradas no mesmo dia, na mesma serra (Estrela), na mesma encosta (entre Unhais da Serra e as Pedras Lavradas), a três quilómetros de distância uma da outra (e uns 350 m de desnível), e com 45 min de intervalo. Numa, uma manhã amena e aprazível de Inverno; na outra, um vendaval frio, molhado e opaco, que me fez voltar para trás, no Domingo passado.

segunda-feira, dezembro 05, 2011

Quem diria?!...

Tirado da revista Fugas, suplemento de sábado do Público de 3 de Dezembro:
Não sei se se deve tomar muito a sério esta notícia. O site da estância de La Covatilla indica que ela está em funcionamento... Mesmo sendo assim mais para o inventado, alguma verdade terá.

sábado, dezembro 03, 2011

Tarde enevoada

Vale das Cortes do Meio, na tarde do dia 1 de Dezembro
Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!