domingo, dezembro 11, 2011

Mais um "fundamentalista"

José Pacheco Pereira usou ontem a sua semanal crónica no Público de Sábado para protestar contra a construção da barragem do Tua. Começa por dizer que não se considera um ecologista, "verde" ou "coisa semelhante".

São pouco relevantes aqui para o Cântaro Zangado (que é, e pretende continuar a ser, um blog especificamente sobre a serra da Estrela) as considerações de José Pacheco Pereira mais directamente ligadas com o assunto que desenvolvia (o vale do Tua e a construção da barragem). Mas note-se o seguinte trecho:

[...] Portugal é um país que tem destruído intensamente a sua paisagem natural nos últimos anos, tem uma grande densidade de barragens a norte e cada barragem é vale de um rio que desaparece. As cumeadas dos montes já estão cheias de eólicas, e quase que não é possível em lado nenhum olhar à volta de um ponto alto, mesmo nos parques naturais, sem ver artefactos colocados bem diante dos nossos olhos nos últimos 20 anos. Já não sabemos, por exemplo, o que é uma noite escura, e por isso o espanto homérico com o céu e as estrelas é uma experiência que já "não nos assiste", para assentar os pés na terra em que verdadeiramente vivemos, a das trivialidades boçais[...]
Coisas como esta temos escrito aqui no Cântaro Zangado, referindo-nos especificamente à serra da Estrela. Por isso, alguns chamam-nos "fundamentalistas do ambiente".

Eu não sei se sou ambientalista. Sei que me agradam os espaços naturais e que por isso desejo que sejam preservados. Ou seja, que sejam protegidos de tudo o que ofende a nossa condição humana e que se verifica na generalidade do território. Rebentámos as cidades (e as vilas, e as aldeias) e as suas redondezas com desordenamento, com absurdo, com fealdade, já não há nada a fazer. Mas preservemos, enquanto há ainda alguma coisa a preservar, os nossos espaços (mais ou menos) naturais. Em particular, preservemos o que ainda resta de natural na serra da Estrela: mais estradas, não; mais áreas urbanizadas, não; mais barragens, não; mais postes de alta, média ou baixa tensão, não; mais eólicas, não; mais lixeiras, não.

Se ter esta opinião é ser fundamentalista, OK, sou fundamentalista. Mas, responda-me quem disso me acusar: o turismo, a região, as populações têm ganho assim tanto com as estradas, as áreas urbanizadas, as barragens, os postes de alta, média e baixa tensão, as eólicas e as lixeiras que temos espalhado pela serra?

6 comentários:

Nuno Resende disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

Eu prefiro ver eólicas,do que chaminés a deitar fumo.

Nuno Resende disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

Outro que não sabe escrever!Não é podia!É podiam!As chaminés a deitar fumo "podiam" significar emprego.

Anónimo disse...

Barragens,não!Eólicas,não!Centrais termoelétricas,não!Como é que raio têm eletricidade em casa?Ou será, que que querem voltar ao tempo das cavernas!Lampadas lixo,frigorífico,também,televisão, idem.Se houver uma falha de fornecimento de energia elétrica,são os primeiros a praguejar:Raios partam a EDP!

ljma disse...

Anónimo das 01:25
Não sou contra a produção de electricidade. Sou contra a instalação de centrais produtoras (eólicas, hídricas, térmicas, solares, nucleares ou o que seja) com grande impacto paisagístico nas áreas que classificámos como protegidas. Mas nem foi isso que pedi no meu post, apenas que não se instalassem *mais* centrais produtoras com grande impacto paisagístico na serra da Estrela. Saiba que justamente a protecção da paisagem é uma das funções do Parque Natural da Serra da Estrela, instituição que não fui eu que inventei.

O anónimo não diz se é contra a minha posição, ou seja, se é a favor de mais barragens, mais parques eólicos, se defende a instalação de centrais térmicas ou de parques solares no interior do PNSE. Talvez pudéssemos discutir a partir de uma tal posição (que o anónimo tem todo o direito do mundo a apoiar).

O anónimo também não tenta responder à pergunta que deixei no final do post. É pena, porque parece-me que acha que sim, que todos ganhámos muito com as estradas, o lixo e tudo o resto com que andámos a "enfeitar" a serra. O confronto entre essa opinião e a minha poderia também ser interessante.

Mas o anónimo apenas tentou fazer pouco de pessoas que protestam contra todas as formas de produção de electricidade, e são as primeiras a praguejar "raios partam a EDP" quando falta a luz.
Bem, eu não conheço ninguém que se enquadre nessa descrição (a sério que não conheço ninguém que seja contra a utilização da electricidade) e além disso não sei o que é que discutir essas pessoas interessaria aqui no Cântaro Zangado. Por isso, não sei o que lhe diga.

Cumprimentos,
José Amoreira

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!