terça-feira, janeiro 16, 2007

Desabafo!

Pego na pergunta implicíta na exclamação do meu amigo de cordada (que referi há dias): Como é possível que haja tótós que paguem para usar a estância de esqui nestas condições?, e vêm-me à mente outras questões:
  • Como é possível que em 2007 esteja em vigor uma concessão exclusiva do turismo e dos desportos sobre uma área natural absolutamente enorme, que se mantém há já 30 anos e que se prevê que continue por mais algumas dezenas de anos?
  • Como é possível que a empresa que detém essa concessão seja responsável por situações como as que temos referido aqui no Cântaro Zangado ou as que outros denunciam publicamente por outros meios (destaca-se o blog amigo Estrela no Seu Melhor), sem que seja posto em causa o alvará para a sua actividade, sem que sequer seja posta em causa a tal concessão?
  • Como é possível que o estado deste país pobre e financeiramente esgotado invista milhões de euros numa actividade (o esqui) que visivelmente não tem futuro na Serra da Estrela?
  • Como é possível que nenhum dos organismos que deviam fiscalizar as actividades da Turistrela (na medida em que elas decorrem no interior de uma área protegida) efectivamente o façam, sem que haja processos internos de averiguações e de apuramento de responsabilidades por tal condescendência?
  • Como é possível que, face a uma enorme lista de atentados ao ambiente, à paisagem, até às regras mais elementares do mais elementar bom-gosto perpetrados por esta empresa, a Região de Turismo (RTSE) continue a entendê-la como uma peça fundamental para o desenvolvimento e ordenação do turismo na Serra da Estrela?
  • Como é possível que, mantendo a Região de Turismo esta incrível atitude, os municípios que a constituem mantenham em funções a sua sua direcção?
  • Como é possível compreender que um município (Fundão) que se cansou de ver o turismo na região confundido (pela RTSE) com esta peculiar versão do turismo da neve e que, por isso, se decidiu separar da Região de Turismo tenha, desde então, visto a sua actividade turística desenvolver-se de um modo diversificado, ligado à cultura, à arqueologia (incluindo a industrial) e à etnografia?
  • Como é possível compreender que todos os responsáveis (locais, autarquicos, regionais, dirigentes de organismos públicos e privados) defendam estradas, estradinhas, estradões e telecabines que permitam aos turistas menos exigentes despachar rápida e confortavelmente uma visita à Serra, não permanecendo na região mais do que um fim de semana (com sorte!) e que afastam para longe os que sabem apreciá-la, que estariam dispostos a permanecer por cá muito mais tempo, caso a protecção do ambiente e da paisagem fossem efectivas realidades e caso houvesse oferta efectiva para as actividades de ar livre que os atraem?
  • Como é possível compreender que o Clube Nacional de Montanhismo — Covilhã apregoe como as maiores realizações do seu historial a organização das sucessivas edições de uma vetusta (e patusca) festa popular e comercial chamada "Carnaval da Neve" (não se tem realizado nos últimos anos) ou que, em vez de divulgar o seu programa de actividades montanheiras, anuncie a intenção de promover empreendimentos turístico/imobiliários em plena Serra da Estrela?
  • Como é possível que a Câmara Municipal da Covilhã tenha coragem para publicitar esta espantosa alucinação como um projecto para as Penhas da Saúde, sem sequer corar de vergonha?
  • Podia continuar assim por muito, muito tempo, mas acabo já: como é possível que, em pleno século XXI, continue esta santa terrinha (Covilhã, Beira Interior, Região Centro, Portugal) tão, mas tão, umpf!, que raiva que às vezes me mete isto tudo!
Como dizia o meu amigo da Montanha, "MORRA O DANTAS, MORRA! PIM!"

1 comentário:

João disse...

...tenho andado um pouco afastado amigo José,mas não longe,... e é isso mesmo, a minha mais sincera e honesta solidariedade... Morra o Dantas, Morra! Pim!

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!