terça-feira, outubro 28, 2008

Não sou bairrista

Perdoem-me este texto mais pessoal, motivado por alguns posts que de vez em quando aparecem em blogs da Covilhã, da Guarda e de Seia.

Não sou bairrista nem entendo os bairristas. Moro na Covilhã há quase vinte anos. Sinto-me covilhanense. Gosto de morar na Covilhã. Quando vou a Manteigas, Guarda, Seia, Gouveia (e um longo etc, que abrevio com desculpas aos que assim foram "abreviados"), penso sempre: como gostaria de morar aqui!

Fico contente quando descubro sinais de desenvolvimento (a sério) e de modernidade (a sério) onde quer que os veja. Por exemplo, quando penso no CISE de Seia, não rumino ressentimentos por ser lá e aqui não existir algo semelhante, nem desato a gritar aqui d'el Rey que Seia nos ultrapassa (insinuando ademais, como é costume neste discurso bairrista, que se trata de uma ultrapassagem ilegítima, a modos que "pela direita")! É claro que tenho pena por não haver na Covilhã nada do género, mas festejo a sua existência em Seia. E aproveito-a sempre que posso. O mesmo com o Teatro Municipal da Guarda. Se não existe um na Covilhã, é pena! Mas acredito que (também para os covilhanenses) é bom que o TMG exista na Guarda. E mesmo que houvesse um igual na Covilhã!

Volto a repetir algo que disse há tempos: parece-me cristalinamente óbvio que todos os concelhos têm tudo a ganhar com o desenvolvimento de ofertas turísticas e culturais de qualidade em todos os concelhos. Já que mais não fosse, porque pretendo tirar o máximo proveito delas todas.

Ah, se o ridículo matasse... Um querido amigo respondeu-me uma vez, a uma pergunta sobre a sua origem, algo como: "Eu, da Covilhã?! Alguma vez?! Até me matava!!! Nem pensar, eu cá sou é do Tortosendo!" (Se não percebeu, veja num mapa da região onde fica o Tortosendo e a Covilhã.) Não, não tenho dúvidas: não sou bairrista, nem entendo os bairristas.

8 comentários:

Rotiv disse...

Depois de ler este post, conclui!
Ah e tal... afinal o bairrismo faz bem!
Vejamos...se não houvesse um bairrismo "saudável" em Manteigas, a vila não era o que é!
Todos sabemos que é assim!
Por outro lado, todos os concelhos da Serra da Estrela, vivem este bairrismo!
Os túneis não "vão" para Manteigas, Covilhã e Seia, por puro bairrismo…é obvio!?
Mas temos o lado positivo do bairrismo...Manteigas, Covilhã, Guarda, Seia e Gouveia oferecem mais ao turista que nos visita, porque cada concelho investe num "produto" diferente e assim temos mais oferta :)
Abraços,

ljma disse...

OK, Rotiv. Chama-lhe "bairrismo saudável", eu chamo-lhe antes características próprias que nos fazem gostar do sítio, ou da terra.

Quando falei de bairrismo estava a falar do bairrismo que não é saudável, o bairrismo invejoso, o bairrismo que impede os de uma terra de festejarem o que há na outra, só porque é na outra e não na minha. O bairrismo que insinua que qualquer melhoria noutra terra foi conseguida mais ou menos ilegitimamente e que fica contente se essa melhoria falhar. O bairrismo que, quando alguma coisa corre mal na nossa terra, isso se deve aos "inimigos" da outra terra. Sabe do que estou a falar, não sabe?

Mais de resto orgulho da nossa terra, gosto pela nossa terra, o que é que tem de mal? Quem não o tem?

E claro que ainda bem que as nossas terras não são todas iguais! Se o fossem, não pensaria, como de facto penso, que gostava de poder vivier também em em Manteigas, na Guarda, etc.

Abraços!

ljma disse...

Mais um apontamento pessoal. Apesar de o ter escrito, não consigo passar os olhos pelo título deste post sem me lembrar da canção do Tom Jobim "Não danço o samba, não danço o samba...". E, por causa disso, aposto que vou para a cama a cantarolar para dentro essa canção, ou seja, a "dançarolar" para dentro um samba! Ah, sorte madrasta!

Anónimo disse...

queiram perceber que o bairrismo a nível de cidades ou vilas que é o que está em causa está ligado a intrigas e interesses políticos...
Além disso há múltiplas intrepretações... mas uma coisa é certa: A Covilhã sai quase sempre vitoriosa graças ao Carlos Pinto, à sua personalidade, aos seus conhecimentos e forma de estar.

ljma disse...

Anónimo,
A coisa uma que acha que é certa, eu acho-a mesmo muito incerta.

Enfim, opiniões há muitas, e nem sempre podem ser harmonizadas. O que é preciso é que se possam analizar e discutir civilizadamente e aceitar calma e civilizadamente que os outros podem não pensar como nós, por razões que, sendo deles, são tão boas como as nossas. Tudo isto são coisas que, na minha opinião, a personalidade, os conhecimentos e a forma de estar de Carlos Pinto tornam muito, muito difíceis.

Falando agora mais das coisas que nos interessam aqui no Cântaro Zangado, creio que o discurso e as decisões de Carlos Pinto têm sido más para o ambiente e o turismo da Serra da Estrela. Essa é que é a coisa que eu considero certa.

Apesar da nossa aparente divergência, quero agradecer-lhe o seu comentário.

Anónimo disse...

ljma, refiro que ontem escrevi «queiram perceber que o bairrismo a nível de cidades ou vilas»..., ou seja, não disse que o Carlos Pinto era bom ou mau para a serra da estrela, mas SIM para o bairrismo regional a nível de cidades e a prova está à mostra: entre Covilhã, FUndão, Guarda e até Castelo Branco, a Covilhã dá cartas...e não é capital de distrito.
Quanto á Serra da Estrela propriamente dita enquanto a Turistrela lá tiver não saimos da sepa torta (estes só querem € sem prestarem nenhum serviço com dignidade, nem nos hóteis nem na torre), acresento ainda que enquanto não houver consenso e união entre a CMSeia, a CMCovilhã, A CMManteigas, a Estradas de Portugal, o PNSE, a RTSE, a CCDRC a serra não muda e ... é quase impossível haver consenso entre tanta gente...... infelizmente para nós e para a serra.

ljma disse...

Caro anónimo, concedo que Carlos Pinto consegue marcar a agenda mediática, sobressair, ditar as regras de um certo jogo. Como Alberto João Jardim. Não sei se a Covilhã tem ganho com isso. Nalgumas coisas, pelo menos, não me parece que tenha sobressaído muito. Noutras coisas, admito que sim.

Sobre a serra, concordo consigo. A Turistrela (ou melhor, o seu monopólio definido na lei) tem sido terrível. Devia acabar-se com aquilo, tratar todas as empresas em pé de igualdade, com regras definidas que todas deviam cumprir. Mas não me parece que todas as culpas sejam da Turistrela. Aliás, esta é uma história onde *todos* somos maus da fita. O povo fica todo contente de cada vez que se abre uma nova estrada pela área protegida ("ah, agora é que aí há-de vir o progresso!"), as câmaras o que querem é mais estradas e mais construção e os ambientalistas ou não existem ou fazem pouco (a começar aqui pelo Cântaro: fazemos o que podemos, mas, se calhar, e falando por mim, podía fazer mais). Era bom e fácil podermos apontar os maus, "são eles!". Mas, francamente, acho que todos ficamos mal nesta fotografia. Todos, como região, não me refiro aqui especificamente a este ou aquele concelho, a este ou aquele grupo.

Enfim, parece-me que, afinal, se calhar, concordamos mais do que discordamos. Boa noite e bom fim de semana!

Anónimo disse...

Enfim, parece-me que, afinal, se calhar, concordamos mais do que discordamos...
Chiça, k dessa me livro eu!

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!