terça-feira, abril 08, 2008

Em Unhais plantam-se árvores

António Duarte, Secretário da Assembleia de Freguesia de Unhais da Serra, teve a gentileza de me enviar informações sobre o corte de plátanos a que me referi há tempos.

Fiquei a saber que, no decurso do que suponho terem sido trabalhos de melhoria de arruamentos, foram cortados 22 plátanos, o que corresponde a uma pequena fracção do total. Pessoalmente, não é coisa que me agrade. Mas António Duarte afirma (e eu acredito) que não havia possibilidade de realizar as obras que se consideraram necessárias sem proceder àqueles cortes. Afirma também (e também acredito) que a população afectada pediu que fossem cortados ainda mais plátanos, por causa dos inconvenientes que normalmente são associados com o convívio próximo com árvores de grande porte (folhas nos caleiros pelo Outono, ramadas que se partem nos vendavais, alergias, etc). Eu dou pouca importância a estes "inconvenientes" (e vivi à sombra de grandes árvores muitos anos: freixos em criança e choupos mais recentemente), mas sei que há quem dê. Eu considero as árvores frondosas e a sombra que "derramam" sobre a rua elementos extraordinariamente agradáveis das ruas onde existem mas outros não pensam assim, com razões que são as suas.

Sendo como sou, não consigo festejar cortes de árvores. Como dei a entender no post que já citei, posso reconhecer a inevitabilidade do abate de uma grande árvore; mas não é algo que eu veja com alegria.

Mas António Duarte fez-me também chegar a informação de que tinham sido plantadas várias bétulas e tílias na Vila. Ora essa é uma informação que eu quero festejar! Plantar árvores é quase sempre uma boa decisão, embora não compense completamente a perda das abatidas. Só espero que estas novas árvores, ao crescerem, não venham também a ser consideradas fontes de inconvenientes que justifiquem cortes ou podas radicais.

Resta-me agradecer a António Duarte as fotografias com que ilustro este post e a cordialidade com que se disponibilizou a esclarecer-me, mais ainda por ter sido dele a iniciativa. Um sincero bem haja, António Duarte.

5 comentários:

Anónimo disse...

Muito bem!

Paulo Roxo

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

Vamos por partes...

1) Suponho que o Sr. António Duarte seja a mesma pessoa que o Sr. António Santos que deixou alguns comentários em Outubro passado na "Sombra Verde" e penso que também aqui no "Cântaro Zangado".

2) Eu também acredito na palavra das pessoas e sinto-me até em "dívida" com o Sr. António Santos (Duarte?), pois comprometi-me a ir a Unhais falar com ele pessoalmente sobre este assunto.

3) Eu acredito que feita esta opção, o Sr. António Santos e a Junta/Assembleia de Unhais tenham feito todos os esforços para salvar o máximo de árvores (tal como acredito que outros as quisessem abater ou podar a todas).
Acontece que eu continuo a receber comentários de pessoas de Unhais no texto que escrevi em Outubro passado, que me garantem que talvez houvesse outras opções.
Poderá argumentar-se que essas pessoas não possuem formação técnica em engenharia ou arquitectura.
Tal como eu também posso questionar quais foram as opções consideradas e os técnicos/empresas que as elaboraram?

4)Bem sei que uma obra desta envergadura não exige estudos de impacto ambiental, mas será que alguém se lembrou de encomendar a uma equipa de arquitectos paisagistas a quantificação do valor, não apenas ambiental/paisagístico mas também económico, dos plátanos abatidos?
Será que alguém considerou que no Norte da Europa (que penso que será um dos mercados turísticos preferenciais para esta estrutura termal), as árvores de grande porte são consideradas elementos valorizadores de um imóvel? O que será que esses turistas pensariam se soubessem que para a execução dos acessos a este hotel foi necessário abater tantas árvores com dezenas de anos?

5) Será que os acessos ao hotel termal terão tanto movimento que não se justificaria uma simples passagem condicionada por semáforos?
Será que foi considerado um acesso pela outra margem? Sim, evidentemente que isso inflacionaria os preços e exigiria a construção de uma ponte; mas terá sido feito algum estudo de engenharia que comprovasse a relação custos/benefícios desta opção?

6) Não é o Pedro Santos que tem direito a estas respostas ou os leitores da "Sombra Verde", mas sim todos os cidadãos de Unhais. Uma coisa é certa, noutros pontos da Europa e da América do Norte, este conjunto arbóreo seria visto como uma mais-valia económico/ambiental (até ajudando a publicitar esta estrutura hoteleira) e nunca como um entrave.

7) Acredito que tomada esta decisão se tenham cortado apenas as árvores estritamente necessárias.
E agradeço genuinamente aos responsáveis autárquicos locais por não terem cedido a interesses particulares para amputar ou cortar património público.
O interesse particular das pessoas que "gostam de árvores" e das pessoas que "não gostam de árvores" não se pode sobrepor ao interesse colectivo; o interesse colectivo determina que as árvores melhoram o clima das povoações (tornando os Verões mais amenos, por exemplo) e a qualidade do ar, entre muitas outras vantagens.
Resumindo: as árvores fazem bem e são necessárias atá a quem não gosta delas!

8) Aprovo a plantação de novas árvores mas apenas se estas tiverem o espaço necessário para crescer. Não havendo espaço para uma árvore plante-se um arbusto; não havendo espaço para um arbusto plante-se uma flor!
Há ainda outra coisa que a Junta/Assembleia de Freguesia podem fazer, ou seja, propor a classificação dos restantes plátanos como árvores de interesse público (junto da Direcção-Geral dos Recursos Florestais) ou como património concelhio (junto da Câmara da Covilhã).

9) Há duas coisas que "sim" podem ser cortadas: as mimosas que existem junto às termas (por serem perigosas invasoras) e um par de plátanos que existem no caminho para as termas e que me parecem ter sido decepados há uns bons anos (aquilo já não são árvores e são um péssimo exemplo de como fazer a manutenção de árvores ornamentais).

10)Tenho orgulho nos plátanos de Unhais e nos que os defendem e por esta vila ficar num concelho em que as árvores são tratadas com tanto desprezo (a começar pela cidade da Covilhã).
Mantenho o desejo de me encontrar pessoalmente com o Sr. António Santos embora, provavelmente, tal só seja possível no próximo Verão.
Sei que estou em "dívida"...


Um abraço e um pedido de desculpas ao José por este "testamento".

P.S.- Tenho apenas uma questão para quem souber responder: os plátanos a abater foram já todos cortados ou ainda serão cortados alguns dos que permanecem vivos?

Antonio disse...

Amigo Pedro

Já foram cortados todos os plátanos, portanto vinte e dois. A Freguesia foi pressionada por uns, para se abaterem mais e por outros para se abaterem menos. No meio está a virtude. Situações delicadas acredite.
Apareça quando quiser.
Abraço
António Duarte

Pedro Nuno Teixeira Santos disse...

Amigo António,


Obrigado pela resposta à minha "questão" sobre o corte das árvores.

Nas férias de Verão, com mais tempo, farei por ir a Unhais para podermos falar (trabalho no Algarve e quando vou aí de fim-de-semana é sempre "a correr"...)

Um abraço e pense nessa ideia de propor o conjunto dos restantes plátanos como "árvores de interesse público".
Não sei se conhece a "alameda de plátanos" de Ponte de Lima mas, se fizer uma pesquisa na internet, verá o que esse conjunto de árvores classificadas ajuda à "boa imagem" turística dessa vila minhota.


P.S.- Os plátanos decepados de que falo são visíveis na primeira imagem que enviou, do lado esquerdo junto à casa branca.

Soluções como estas são "inaceitáveis" e até deseducativas. Naquele caso em particular é preferível arrancar aqueles "tocos" e substituí-los por árvores de menor porte ou mesmo por arbustos. Até pelo contraste com as restantes árvores...

Gardunha disse...

"Noutros pontos da Europa e da América do Norte, este conjunto arbóreo seria visto como uma mais-valia económico/ambiental (até ajudando a publicitar esta estrutura hoteleira) e nunca como um entrave".

É também essa a minha leiga perspectiva. Até porque o acesso às termas vai perder o encanto que tinha. E para um local "de charme", onde o convívio com a natureza vai ser um chamariz, digamos que a estrada com os plátanos era um agradável cartão de visita para quem chega.
Mas enfim. Vamos acreditar que o assunto foi devidamente estudado e se concluiu que esta era a solução que melhor defendia os interesses de Unhais. Embora tenha alguma dificuldade em fazer este exercício mental.
No fundo, é mais um episódio que vai de encontro às prioridades de quem manda. Que sacrificam tudo em nome do "progresso". Resta saber se depois não vão constatar que as escolhas deviam ter sido outras.
É também o que se verifica em Alcongosta. A Gardunha ardeu em 2003. Mas reflorestação, nem vê-la...
Pedaços da Gardunha
Pedaços de Alcongosta

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!