quarta-feira, dezembro 06, 2006

A Grande Âncora da Neve

Glaciar Pasterze, Austria, em 1875 e em 2004 (fonte: World View of Global Warming)
Glaciar Rhone, Suiça, em 1859 e em 2001 (fonte: BBC)
Glaciar Upsala, Argentina, em 1928 e em 2004 (fonte: BBC)

O aquecimento global é um facto que já ninguém nega. A temperatura da terra está a aumentar, e de uma forma brutalmente rápida. Este post é ilustrado com algumas fotografias de glaciares que mostram o efeito deste aquecimento sobre as regiões nevadas. Vem isto a propósito de uma notícia no El Pais de ontem (que vi referida no Ondas), segundo a qual o calor que se fez sentir ao longo deste outono tem criado problemas para a época de esqui. Podemos ler coisas como "La subida de las temperaturas amenaza la temporada de esquí en España", "El Pirineo tiene un 25% de la nieve usual en esta fecha", "El calor dificulta la producción de la [nieve] artificial". Quero destacar este excerto em particular:

"Un informe del Ministerio de Medio Ambiente sobre el cambio climático alerta de que muchas estaciones de esquí tendrán que reconvertirse en estaciones de montaña."
Ou seja, "Um relatório do Ministério do Ambiente sobre a mudança climática alerta para que muitas estações de esqui terão que reconverter-se em estações de montanha".

Cá na Serra da Estrela, notamos uma tendência climática semelhante (mas não a mesma preocupação oficial com os seus efeitos sobre o turismo de neve). Basta dizer-se que nos anos setenta a estância de esqui (era só um teleski, nessa altura) estava situada nos Piornos (ou seja, a uma altitude trezentos metros inferior à da sua actual localização), não dispunha de canhões para a produção de neve artificial mas, mesmo assim, permitia a prática de esqui durante uma boa parte do inverno. Deixemos de lado, por um momento, comentários sobre a qualidade dos investidores e dos investimentos que se fazem por cá, ou seja, suponhamos (academicamente) que tudo se fazia na Serra com o maior dos cuidados com o ambiente e a paisagem, acompanhando todas as acções com sérios estudos de impacto ambiental, cumprindo escrupulosamente todas as regras e leis, nacionais e europeias, respeitando até os mais elevados padrões de bom-gosto. Mesmo assim, sendo as perspectivas da evolução climática o que são, será avisado continuar a pensar na nossa serrinha (que sempre foi comparativamente baixa, meridional, quente e atlântica) baseando o desenvolvimento do turismo no produto neve como âncora principal? E será que concordamos em ver o Quadro Nacional de Referência Estratégia ou o Plano Estratégico Nacional para o Turismo aplicados a financiar esta aposta tão duvidosa?

1 comentário:

João disse...

excelente!!!

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!