quarta-feira, janeiro 30, 2013

Quem tramou o ASEstrela?

O acampamento invernal de montanha no Covão d'Ametade realiza-se sem interrupções há trinta anos. Nos primeiros 25 anos, com o nome de "Nevestrela", foi organizado pelo Clube de Montanhismo da Guarda e pela ASE em parceria. Nos últimos cinco, o CMG preferiu não participar na organização, pelo que o evento passou a chamar-se "ASEstrela". Nos últimos anos (aqueles em que estive mais proximamente envolvido) participaram, sempre, mais do que cem montanhistas. Este ano não se vai realizar porque o pedido para a cedência do Covão d'Ametade não teve resposta.

Instituições públicas concedem a uma empresa modernaça qualquer a gestão de um bem público, e deixam a coisa em roda livre, pelos vistos. O resultado é este. Ia para dizer que são modernices mas, na verdade, não o são: não é exactamente isto o que temos feito com a Turistrela nos últimos 40 anos?

sexta-feira, janeiro 18, 2013

Todo o sul do país?!

O presidente da junta de freguesia de Cortes do Meio, a propósito da estrada que ele há anos anda a dizer que quer asfaltar entre a sede da freguesia e as portas dos Hermínios, afirmou à Rádio Cova da Beira (mas fiquei a saber disto pelo blog Cortes do Meio) que

"eu acredito que esta estrada será uma máquina de progresso na freguesia porque levará todo o sul do país a entrar na Serra por aqui o que obrigará a criar lojas de artesanato, restaurantes, unidades de turismo em espaço rural, não descurando a nossa paisagem e gastronomia"

Abri o google maps e calculei o trajecto entre o nó da autoestrada Covilhã Sul e as Penhas da Saúde, pelo percurso hoje habitual (que atravessa a Covilhã) e por aquele que, nas palavras do senhor presidente da junta de freguesia, vai ser preferido por "todo o sul do país". Apresento-os abaixo, respectivamente à esquerda e à direita (clique nas imagens para as ampliar).

O trajecto do senhor presidente da junta de freguesia é mais longo que o que actualmente se usa em cerca de 8 km. Os caminhos ainda não estão asfaltados, mas suspeito que se gastarão mais uns dez a quinze minutos pelas Cortes do Meio do que pela Covilhã. Por isso, ou "todo o sul do país" é muito estúpido, ou continuará a fazer a sua romariazinha à neve daqueles poucos fins de semana pela estrada da Covilhã e não pela do senhor presidente da junta de freguesia.

E repito a pergunta que faço sempre: a estrada de S. Bento, asfaltada já há uns seis anos entre a Portela do Arão e a Lagoa Comprida (do lado de Seia, portanto), foi uma máquina do progresso de Loriga? Levou todo o noroeste do país a entrar por ali? Obrigou a criar lojas de artesanato, restaurantes, unidades de turismo em espaço rural, não descurando a paisagem e gastronomia deles? Caramba, se não aconteceu nada disso do lado de lá (e claramente não aconteceu!), de onde diabos virá a fé do senhor presidente da junta de freguesia em como acontecerá aqui?

Já tenho feito aqui comentários sobre esta estrada. Para os encontrar, introduza "Cortes do Meio" na caixinha de pesquisa que encontra no topo desta página, à esquerda, ou clique aqui.

sábado, janeiro 05, 2013

Manhã do dia 1 de Janeiro

Cova da Beira, vista da encosta sobre a Covilhã.

sexta-feira, dezembro 28, 2012

No "sapatinho" de quem?

Digitalizado da página 10 do Jornal do Fundão de 27 de Dezembro de 2012 (clique na imagem para a tornar legível).

Mais uma vez, o Jornal do Fundão oferece-nos um exemplo da fina arte do jornalismo, lavrada pela pena de Romão Vieira. O assunto é o quartel da GNR que o presidente da Câmara da Covilhã anunciou que pretende construir nas Penhas da Saúde.

Há tempos (há quatro anos), comentei aqui uma peça sobre este mesmo assunto, escrita por este mesmo jornalista, publicada por este mesmo jornal. Mas agora é que vai ser! E ainda bem que o Jornal do Fundão, sempre atento, pode dar a boa nova!

Que o quartel se construa nas Penhas não me incomoda por aí além, como pessoa que aprecia a serra e a sua paisagem. Ao fim e ao cabo, mais mamarracho, menos mamarracho, ali, já não destoa. Mas deixem-me colocar algumas perguntas de que o jornalista que redigiu a notícia (chamemos assim àquilo) parece não se ter lembrado:

  • O novo quartel das Penhas da Saúde (ou melhor: o quartel que nesta notícia é anunciado) vai ser maior e melhor que o Posto Territorial da Covilhã da GNR. Isto é razoável?
  • As Penhas da Saúde (onde, recordo, não viverão mais do que umas vinte pessoas) estão mais perto (se não em distância, pelo menos em tempo de viagem) do posto da GNR mais próximo do que muitas aldeias do concelho com centenas de habitantes. Dois exemplos, apenas: Verdelhos e Sobral de S. Miguel. Mas o presidente da Câmara da Covilhã acha que é nas Penhas da Saúde que o novo quartel faz falta. Isto é razoável?
  • Se bem entendo a "notícia", o autor quer-nos convencer de que este quartel é uma aspiração da GNR. É possível que sim, que o seja, mas estranho: eu nunca ouvi ou li nada nesse sentido. Alguém me pode indicar intervenções públicas, por parte do comando da GNR ou das suas associações profissionais, referindo esta "velha e justa" aspiração? É só para ficarmos a saber de quem ao certo é o "sapatinho" que recebeu este anúncio.

quinta-feira, dezembro 27, 2012

Duas efemérides

Fim de tarde (de hoje) na encosta sobre a Covilhã.
Deixei passar duas datas importantes este mês de Dezembro:
Não gosto muito de caracterizar grupos, porque acho que cada pessoa é responsável pelas suas acções (e inacções), mais do que que o grupo a que pertence, e também porque sei que em todos os grupos há diferentes tipos de pessoas. Mesmo assim, não resisto a notar que seria bom que todas as "tribos" que partilham as montanhas demonstrassem preocupações com o espaço de que usufruem semelhantes às da dos montanhistas...

quinta-feira, dezembro 20, 2012

Revista Zimbro

A Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela lançou esta semana, após vários anos de interregno, um novo número da sua revista Zimbro. Parabéns à ASE, que uma coisa destas nunca é fácil, e muito menos com a qualidade gráfica que agora foi conseguida. Deixou-me com vontade de ler a próxima!

Eu colaborei com um artigo em que explico porque é que não concordo com os argumentos vulgarmente utilizados para atacar o Parque Natural da Serra da Estrela e que aproveito para apresentar as minhas críticas a essa instituição.

A revista é gratuita, pode fazer o download clicando na imagem que ilustra o post. Boa leitura!

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Que grandes nabos!

No Público de domingo passado, li que a companhia das Lezírias vai inaugurar um "Espaço de Visitação e Observação de Aves", na Reserva Natural do Estuário do Tejo, com o qual espera atrair vinte e cinco a trinta mil visitantes por ano. Pode ler sobre este assunto aqui (não sei se a ligação é permanente).

Que grandes nabos! Mas eles têm a cabeça onde?! Mas quem é que eles pensam que quer ir ao estuário ver pássaros?! Que tivessem mas é falado com uma luminária das que há aqui pela serra, como o presidente da câmara da Covilhã ou o da de Gouveia, que eles explicavam tudo direitinho. Para atrair turistas (para desenvolver o turismo, portanto) o que é preciso, o que faz falta, mesmo, não é nem passarinhos, nem pedras, nem paisagem, nem ambiente... Nem natureza, em suma! O que é preciso, o que faz falta, mesmo, é estradas de alcatrão! Assim a modos que "caminhos naturais", como os que por cá se fazem elaborados "em diálogo com o Parque Natural da Serra da Estrela".

E proíbam de vez a observação das aves, pá! Se não até parece que não querem proteger o ambiente...

segunda-feira, dezembro 03, 2012

O costume: mais um "caminho natural"

Há algumas semanas, um amigo chamou-me a atenção para uma notícia, que depois vi referida em alguns blogs, segundo a qual o presidente da Câmara de Gouveia (Álvaro Amaro, do PSD) pretende asfaltar um caminho entre Folgosinho e o Covão da Ponte. A notícia pode ser lida, por exemplo, no blog dos Manteigas.

Alguns comentários.

  • A serra da Estrela, zona de montanha e território da maior área protegida do país, está em grande medida ausente dos roteiros de pedestrianismo, de turismo de ar livre, de contacto com a natureza que periodicamente vão sendo produzidos por publicações nacionais (ver constatações deste facto aqui, aqui ou aqui). Ou seja, não é ainda uma referência no que constitui o turismo de montanha em todo o mundo ocidental, nem sequer à escala do nosso país. Por isso, diria eu que se queremos desenvolver o turismo na serra da estrela o que deveríamos fazer era implementar trilhos pedestres e, na medida do possível, apoiar empresas que se dediquem a dinamizar as actividades relacionadas com o turismo de montanha. O presidente da Câmara de Gouveia entende que o que ainda falta na serra para desenvolver o turismo é asfalto. Quantos mais milhões de euros e quantas mais centenas de quilómetros de asfalto serão necessários para que se perceber que essa aposta vai continuar a dar os resultados que tem dado até aqui?
  • Com a crise, os titulares dos cargos políticos ganharam um certo pudor relativamente a anúncios grandiloquentes, porque sabemos que chegámos a este ponto em parte porque os políticos que nos têm governado (os que temos escolhido, note-se) gastaram o dinheiro que tínhamos e o que não tínhamos em obras de fraco ou nenhum retorno. O presidente da Câmara Municipal de Gouveia, pelos vistos, não ganhou pudor nenhum. Não, num dos países mais asfaltados e mais endividados da Europa, considera que o que ainda falta é exactamente gastar ainda mais dinheiro em ainda mais asfalto, agora para "desenvolver o turismo" em zonas onde o turismo vive principalmente de passeios a pé e de contacto com a natureza!
  • O que me mete mais impressão nestes discursos é que exactamente as mesmas palavras podem ser usadas para defender qualquer asfaltação. Se o que Álvaro Amaro diz é razoável, temos que arranjar dinheiro para asfaltar uma estrada pelo Vale da Candieira, outra para a Penha dos Abutres, outra entre a Torre e as Penhas Douradas, uma pela gargante de Loriga, um acesso directo à Torre partindo de Alvoco, acessos à Nave de Santo António partindo de Unhais da Serra e do Sarzedo. E ligações mais directas entre estes povoados e todos os outros. Se é razoável o que Álvaro Amaro diz, asfaltemos a serra toda! Para desenvolver o turismo!
  • «O projeto foi elaborado em “diálogo com o Parque Natural da Serra da Estrela”, por estar em causa “a preservação de pontos importantes” daquela área protegida.» Sim, e colaboraram com a definição de zonas de caça, deram e dão parecer favorável a estradas, barragens, parques eólicos, passeios todo-o-terreno, ampliações de estâncias de esqui, batidas ao javali, deposições de sal para derreter neve e tudo isso. O PNSE... Ainda bem que proíbem a escalada, porque de outro modo... De quê ao certo estariam eles a proteger a serra?

Adenda posterior: Um último comentário: este é um bom exemplo de como, para muitos autarcas, falar de turismo na serra da Estrela é, na verdade, falar de construção civil. Eu acho que as duas coisas não são bem o mesmo em lado nenhum e muito menos em zonas de montanha.

sexta-feira, novembro 23, 2012

Escalada e protecção ambiental em Espanha

Uma notícia que li na Desnivel al día (clique no texto para a ler na íntegra, mas a ligação pode não ser permmanente):
RESTRICCIÓN TEMPORAL EN LOS SECTORES CABRITO Y METECAÑA

Regulación a la escalada en Desplomilandia (El Chorro)

Tras meses de reuniones en la Delegación Provincial de Málaga y de trabajo de campo realizado por la AAEE (Asociación de Escaladores Andaluces) con los técnicos de Medio Ambiente, se llega a un acuerdo para la regulación en la zona de Desplomilandia (El Chorro). Queda prohibida la escalada en los sectores Tajo del Cabrito y Metecaña desde el 15 de enero hasta el 31 de julio.

Ou seja, elementos de uma associação de escalada andaluza mantiveram, durante meses, reuniões (numa delegação do governo autónomo da Andaluzia) e trabalhos de campo com técnicos de uma agência de protecção ambiental para definirem um regulamento que compatibilizasse a prática de escalada com a salvaguarda dos valores ambientais numa determinada falésia. Chegou-se a um consenso, e proibiu-se a escalada durante o período de nidificação de uma dada espécie de ave, numa zona bem definida dessa falésia.
Vemos assim, mais uma vez, que em Espanha os serviços de protecção ambiental explicam que valores consideram ser ameaçados pela prática de escalada e acordam com os praticantes os regulamentos necessários para salvaguardar esses valores. Pelo que tenho podido ler, raramente se opta por uma proibição pura e simples da escalada.

Cá na Serra da Estrela, os serviços do Parque Natural proibiram a escalada, permanentemente, em todos os sítios onde ela tradicionalmente se pratica. Ninguém explica que valores concretos se considera serem ameaçados pela escalada, com ninguém foi discutido fosse o que fosse.
Assim se protege o ambiente serrano das taaaão impactantes práticas da escalada e do montanhismo, mas deixando-o exposto (seja por autorizações ou apenas por ignorância) a tudo o resto: asfaltações, construções, parques eólicos, pistas de esqui, barragens, cabos de alta tensão, zonas de caça, parques de estacionamento, deposição de sal nas estradas (que, juntamente com os plásticos dos turistas, escorre para algumas das paredes onde é proibida a escalada), minicidades e o que mais vier. Isto é que é protecção ambiental a sério!

domingo, novembro 04, 2012

Jornalismo de referência, decisões de referência

Leia-se esta notícia do Sol (o link pode não ser permanente), a que cheguei pelo blog dos MANTEIGAS. Cito textualmente o primeiro e último parágrafos:
"O aumento de javalis que actualmente se verifica na Serra da Estrela está a preocupar os agricultores locais, que temem a destruição das suas culturas."
[...]
"Apesar dos prejuízos provocados pelos porcos selvagens, não há estudos sobre o número de animais existentes. «O controlo das populações tem de ser um trabalho permanente», avisa o director-adjunto do Parque da Serra da Estrela."

O/A jornalista que escreveu o texto não se lembrou de perguntar como é que se sabe que há "aumento de javalis", já que "não há estudos sobre o número de animais existentes"? É que me parece que a autorização do PNSE à caçada deveria basear-se em dados concretos e objectivos, desses que resultam de estudos, e não da opinião "geral", principalmente se ela for aferida pela dos promotores da caçada.

Nada tenho contra as caçadas aos javalis. Apesar de "não haver estudos sobre o número de animais existentes", tenho a ideia de que não são uma espécie muito ameaçada. Mas isso sou eu. Esperava que os organismos oficiais (como o PNSE) tivessem mais critério, até para poderem justificar ao público as suas decisões. Esta de permitirem (e até promoverem, diz a notícia) a caçada, como aquela de proibirem a escalada.

Instantâneos de uma tarde à chuva

Ontem à tarde fui correr aqui na encosta sobre a Covilhã.
Era para ter sido uma corridita pequena, mas estava tão agradável, apesar da chuvinha e do nevoeiro (ou talvez por causa da chuvinha e do nevoeiro), que acabei por dar uma volta longa.
De vez em quando o nevoeiro levantava, por minutos...
E, já ao fim da tarde, o tempo melhorou e pude ver o azul do céu.
Não se nota nas fotografias o som da água a pingar nas (e das) folhas folhas ou a escorrer nos regatos. Não se percebe a dança das nuvens, que às vezes sobem dos vales para a seguir descer e vice-versa, formando turbilhões, fumarolas, colunas e muito mais. Também não vejo estas fotografias como vi as cenas que fotografei. Ontem estava muito mais desperto para as apreciar, após hora e meia de esforço e de ar livre. Em mais do que um aspecto, a paisagem somos nós.

terça-feira, setembro 25, 2012

"La casa de mi padre"

Um querido amigo aconselhou-me este livro. Promete. Compro-o da próxima vez que for a Salamanca, e depois de o ler hei-de o comentar aqui. Por enquanto, limito-me a difundir a sugestão.

"La casa de mi padre", por Jaime Izquierdo Vallina
Gerard Enterría es un joven ingeniero de sistemas francés, hijo de un campesino español emigrado en Burdeos en los años sesenta del pasado siglo XX. Tras la muerte de su padre se enfrenta al compromiso adquirido con él: no abandonar a su suerte la casa familiar, el eslabón fundamental de su linaje, lo único que, según su padre, "puede mantener a los Enterría con los pies en la tierra".
Por ello se verá atrapado por una trascendente decisión: tiene que elegir entre continuar con la exitosa carrera profesional como ingeniero de Renault o cumplir con el compromiso adquirido con su padre por detener la decadencia en la que está sumida la comunidad campesina de la que es originaria su familia.
Finalmente decide regresar al pueblo e implicarse en el diseño de un prototipo de desarrollo local de economía campesina con el que integrar a la aldea en la sociedad contemporánea.
La casa de mi padre es, por una parte, una propuesta narrativa que combinando recursos propios de la novela, el ensayo y el libro de texto, aspira a convertirse en una herramienta multiusos que sirve al agente de desarrollo local, a los responsables políticos e institucionales, a los estudiantes universitarios de ingenierías, historia, antropología, veterinaria, biología, geografía... a los técnicos, a los científicos, a los conservacionistas y, sobre todo, a los paisanos, a los vecinos, a los herederos de la cultura campesina y a sus hijos qeu ahora viven en la ciudad.
Y es también una propuesta metodológica, un manual de estilo, un ejercicio futurista para diseñar la gestión de los territorios campesinos en el siglo XXI y, por ello, se convierte en una teoría de economía campesina posindustrial con la que abrir una puerta a la esperanza para evitar lo que ahora parece inevitable: que desaparezcan de nuestra memoria los miles de pueblos, casas, aldeas, tierras y montañas de las que salieron emigrados nuestros padres para buscarnos un futuro mejor.

quinta-feira, agosto 30, 2012

Vigilância e protecção das áreas protegidas

Aspecto do Rocky Mountain National Park. Imagem roubada daqui.
Li no site irunfar.com uma entrevista com Andy Anderson, um climbing ranger (guarda? vigilante? não sei como traduzir esta expressão) do Rocky Mountain National Park. Chamou-me a atenção esta pergunta e a sua resposta:
IRunFar: You’re a climbing ranger, what exactly is your job? You work at Rocky Mountain National Park? Are you permanent or seasonal? If seasonal, what do you do in the off-season? What are some of your other hobbies? How long have you been a climbing ranger?
Andy Anderson: As a climbing ranger, I get to climb and hike in the mountains 40 hours a week. While we move around the mountains, we try to talk to climbers and hikers and give them good advice/beta. Hopefully, they can use the info to have a great time enjoying the mountains in a safe way. We also make sure that these wild places stay wild and scenic by helping people understand how to treat the mountains and take care of them as a resource. Another large part of our job is helping people out when they get hurt or stranded in park. As climbing rangers we serve as part of the National Park Service’s Search and Rescue team. My climbing ranger job is a seasonal one. I have been working/volunteering as a climbing ranger for the past 13 summers – three as a volunteer in the Tetons, five as a paid ranger at Mount Rainier National Park, and five as a paid ranger at Rocky Mountain National Park.

Traduzido à pressão, isto é qualquer coisa como:

IRunFar: Tu és um climbing ranger, qual é ao certo o teu trabalho? Trabalhas no Rocky Mountain Nacional Park? É um trabalho permanente ou temporário? Se é temporário, o que fazes quando não estás ao serviço? Quais são os teus outros passatempos? Há quanto tempo és um climbing ranger?
Andy Anderson: Como climbing ranger, eu caminho e escalo nas montanhas 40 horas por semana. Enquanto nos movemos pelas montanhas, tentamos contactar os montanhistas e escaladores e damos-lhes conselhos e informações sobre as vias e os trilhos. Esperamos que eles usem essas informações para terem óptimas experiências usufruindo das montanhas de forma segura. Também tentamos que estes locais selvagens permaneçam selvagens e belos, ajudando as pessoas a perceberem como tratar as montanhas e aproveitar os seus recursos. Outra parte do nosso trabalho é ajudar as pessoas quando se magoam ou ficam imobilizadas no parque. Como climbing rangers, integramos o serviço de busca e salvamento do parque nacional. O meu emprego é temporário. Eu tenho trabalhado como climbing ranger nos últimos treze verões - três como voluntário nos Tetons, cinco como ranger pago no Mount Rainier National Park, e cinco como ranger no Rocky Mountain National Park.

O que se deduz deste trecho?

  • Que nas áreas protegidas dos Estados Unidos a escalada não é proibida;
  • Que os escaladores e montanhistas dos Estados Unidos não têm que pedir autorizações nem esclarecimentos antes das suas actividades, são os serviços das áreas protegidas que tentam chegar aos praticantes, informando-os, aconselhando-os e ajudando-os;
  • Que a forma como se entende a protecção da natureza e a vigilância das áreas protegidas nos Estados Unidos é completamente diferente da política seguida pelos serviços do Parque Natural da Serra da Estrela.

terça-feira, agosto 28, 2012

Proibido pastorear / Herbicida

Fotografia tirada hoje de manhã.

Encontrei esta placa nas imediações do retransmissor de comunicações móveis (já agora, note-se que é alimentado com um motor a diesel, permanentemente a roncar e a perfumar o ar daquela zona) situado entre os Poios Brancos e os Piornos. Ou seja, bem no interior da área protegida chamada Parque Natural da Serra da Estrela, a cerca de 1600 m de altitude, a vários quilómetros de qualquer exploração agrícola.

O que vale é que é proibido escalar... Se não fosse isso, de quê ao certo seria esta área protegida?

segunda-feira, agosto 06, 2012

Ocaso nas Penhas da Saúde

(Fotografado há perto de uma semana.)

segunda-feira, julho 30, 2012

Um discurso realmente moderno e original

antes me referi a isto, mas não me importo nada de reforçar a ideia. Há pelo menos um autarca na região da serra da Estrela que, quando fala de turismo na serra, fala efectivamente de turismo. Refiro-me ao Presidente da Câmara Municipal de Manteigas e este fim de semana tivemos mais uma oportunidade de verificar isto que digo.

No domingo passado, a Câmara Municipal de Manteigas organizou uma jornada de divulgação do Manteigas Trilhos Verdes, uma rede de trilhos pedestres do concelho com cerca de duzentos quilómetros de extensão total. A coisa envolveu uma caminhada com almoço e palestra no Covão d'Ametade e teve como convidado especial João Garcia, o único português que escalou todas as catorze montanhas com mais de oito mil metros (foi décimo nono em todo mundo a fazê-lo e o décimo a consegui-lo sem oxigénio engarrafado). João Garcia, que foi o orador da palestra, foi nomeado "embaixador" dos trilhos de Manteigas. Esmeraldo Carvalhinho, presidente da câmara, participou em todas as actividades, incluindo a caminhada. Veja aqui a reportagem que a localvisão fez do acontecimento (encontrei-a no blog Manteigas):

Eu acho que é com este tipo de eventos que realmente se promove o turismo na serra da Estrela. Mais, muito mais do que com rampas automobilísticas, snow-fashions, episódios dos "morangos com açúcar" ou passagens da Volta a Portugal em bicicleta. Coisas como estas não chegam a tantos eventuais clientes, nem enchem efemeramente os hotéis da região. Mas são iniciativas de divulgação dirigidas directamente aos que mais facilmente se convencerão a passar aqui na serra uma semana, em vez de apenas uma tarde ou (com sorte) um fim de semana; aqueles que se sentem mais inclinados a visitarem a serra noutras alturas que não aqueles feriados de neve e confusão; aqueles que procuram regularmente as montanhas como destino de férias, tanto no verão como no inverno. Em suma, acções como estas estão dirigidas aqueles que em todas as cadeias montanhosas do mundo moderno constituem os clientes do turismo de montanha (que não é, como já mostrei com exemplos até dos Pirenéus, só neve).

Oiça-se o presidente da Câmara Municipal de Manteigas falar sobre turismo na serra da Estrela e compare-se com o discurso e as opções do jurássico Carlos Pinto, da Covilhã. Onde este fala em construir, construir, construir, construir (barragens, estradas, teleféricos, postos da GNR, minicidades, casinos, centros de estágio desportivo, piscinas, centros comerciais, pistas de neve artificial para desportos de inverno) e de concorrência com as estâncias dos Alpes e dos Pirenéus (que, repito, não são só neve, ao contrário do que ele parece pensar), Esmeraldo Carvalhinho fala de divulgação dos trilhos que assinalaram no terreno, da paisagem, do ambiente e das actividades que os visitantes podem praticar na serra. Qual destes dois discursos atrairá mais turistas amantes de montanhas, e qual deles os afugentará para outras montanhas, como o Gerês e Montesinho, para não ir mais longe?

Não estou ligado a Manteigas, não vou lá tão frequentemente quanto desejava, não sei bem o que lá se passa. Se votasse em Manteigas, não sei se votaria em Esmeraldo Carvalhinho. Mas, no que se refere à serra, caramba! Na minha opinião, o homem está anos luz à frente de Carlos Pinto e da maioria dos restantes presidentes de câmara da região.

Adenda: O título deste post trazia associada uma ideia que acabei por não desenvolver no texto, por esquecimento. O discurso de Esmeraldo Carvalhinho não é, a bem dizer, especialmente moderno nem original, num contexto global. O que ele diz e faz anda-se a fazer nas montanhas da Europa há dezenas de anos. Mas é moderníssimo e verdadeiramente original nesta santa terrinha onde quase todos, nos últimos 40 anos, quando pretendem falar de turismo na serra, acabam apenas a falar de construção civil, de urbanizar a maior área possível, de asfaltar tudo o que se puder (e mais ainda) e a delirar sobre concorrência com os Alpes e os Pirenéus no turismo de neve.

domingo, junho 03, 2012

quinta-feira, maio 31, 2012

The right to roam

Uma tradução possível para o título deste post é "O direito a vaguear". Não é uma chinesice romântica. Pesquise a expressão inglesa no google. Encontrará, entre muitas outras ligações, um artigo na Wikipédia, comparando as diferentes materializações legais deste "direito" em diferentes países da Europa, ou o Right to Roam Bill, em vigor na Inglaterra e no País de Gales.

Estas leis visam proteger o direito ao usufruto dos espaços naturais em actividades de lazer e desporto e, está claro, agradam-me. Basicamente, elas garantem direitos mais ou menos generalizados de acesso (a pé, atenção), passagem e permanência em lugares naturais.

Ou seja, na Inglaterra, nos países da Escandinávia e nalguns outros países da Europa, o estado entende que deve proteger o direito ao usufruto da natureza, permitindo que todos possam percorrer, a pé, os espaços naturais. Não se alarga esse direito aos que se deslocam em veículos motorizados, nem se alimenta a ideia de que é obrigação do estado asfaltar acessos a todos os locais com interesse natural e/ou paisagístico, para que todos, mesmo aqueles poucos que não conseguem caminhar (e aqueles muitos que não o querem fazer) os possam visitar.

Gente estranha...

quinta-feira, maio 24, 2012

Vale da Bouça

... Fotografado domingo passado de manhã, com um telemóvel.

Por qualquer razão que eu não consigo entender, o presidente da Junta de Freguesia das Cortes do Meio (onde se encontra este vale) entende que a solução para todos os problemas da sua freguesia e ainda o investimento que nela irá desenvolver o turismo é uma estrada asfaltada para as Penhas da Saúde (clique aqui para ler comentários anteriores a esta questão). Estrada essa que irá passar muito perto do sítio onde estava quando tirei a fotografia que ilustra este post.

Duvido que alguma vez consiga entender o sr. presidente da junta, sejam quais forem as suas razões. É que eu visito muito frequentemente esta zona, mas tenho a certeza que deixarei de o fazer no dia em que ela estiver rasgada por uma estrada de asfalto. O que o vale agora é, vale a pena; o que o vale será se for feita a vontade do sr presidente da junta, já não. Nem para mim, nem para turistas que não se limitem a querer apenas chegar o mais depressa possível à Torre (Torre que, diga-se de passagem, nem sequer se situa na freguesia das Cortes do Meio). E olhe que ele há-os, sr presidente. E são muitos! Visite o Gerês no Verão, para não ir mais longe, e verá!

terça-feira, maio 22, 2012

Se pode fazer-se, porque não se faz?

No sábado dia 5 de Maio, dei uma corrida na zona dos Poios Brancos (perto do centro de limpeza de neve), e notei um percurso assinalado com fitinhas de nylon cor de laranja. A meio da corrida, perto da Lagoa Seca, cruzei-me com dois fulanos, equipados (como eu) à maneira de corredores de montanha, que me explicaram que o percurso estava assinalado para a corrida OH MEU DEUS.

O OH MEU DEUS foi um desafio em três etapas (duas das quais na serra da Estrela), tendo a última decorrido justamente no dia 5. Neste dia, realizaram-se na serra três corridas (cada atleta inscrevia-se na que preferisse), com as distâncias de 20, 50, e 104 km. Eu até me tinha tentado inscrever na de 20 km, já depois de se terem esgotado as vagas (não tive coragem para tentar a corrida de 50 km, já para não falar da de 104; no próximo ano, talvez), mas tinha-me esquecido da data e por isso não estava a contar com a corrida naquele dia (teria ido correr para outro lado, nesse caso).

O OH MEU DEUS (como o Circuito dos três cântaros, e como outras provas) é o tipo de eventos que mostra a serra como eu acho que ela deve ser mostrada. Como um palco de desafios. Como algo que nos intimida e que, por isso mesmo, nos fascina e nos atrai. E que merece o esforço, pelo que oferece a quem se dispõe a esse esforço. Indo, em suma, ao sentido das palavras de Miguel Torga:

"Alta, Imensa, Enigmática, A sua presença física é logo uma obsessão" (...) "Se alguma coisa de verdadeiramente sério e monumental possui a Beira, é justamente a serra." (...) Somente a quem a passeia, a quem a namora duma paixão presente e esforçada, abre o coração e os tesouros. Então, numa generosidade milionária, mostra tudo."

Mas estou a divagar. Escrevo este post porque, no domingo da semana seguinte, dia 13 de Maio, voltei a dar uma corrida na zona dos Poios Brancos, e encontrei-a limpa das fitinhas que delimitavam o percurso. Ou seja, senhores e senhoras que organizam atividades com trajetos demarcados na serra da Estrela:

é possível recolher todas as fitinhas depois do evento.
Assim, justifica-se a pergunta: será aceitável que alguns continuem a não o fazer?

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!