terça-feira, julho 20, 2010

Deferido, com certeza!

Por altura do Carnaval, a associação a que pertenço (Amigos da Serra da Estrela) requereu ao Parque Natural da Serra da Estrela autorização para a realização de um acampamento de montanhismo invernal no Covão d'Ametade, durante o qual se realizariam actividades de escalada em rocha e gelo e caminhadas. A resposta do PNSE foi negativa, porque as áreas onde essas actividades decorreriam foram classificadas como Áreas de Protecção Parcial de Tipo I no novo plano de ordenamento do Parque Natural da Serra da Estrela, nas quais, de acordo com nº 3 do Artigo 12º, apenas são permitidas actividades de investigação científica, visitação e pastorícia, quando compatíveis com os objectivos definidos. Não é explicado de que modo é que a escalada em rocha ou gelo, podendo considerar-se actividades de visitação, são incompatíveis com os objectivos definidos (nem se explica que objectivos são esses, nem onde é que se encontram definidos), mas enfim.

Agora, vejamos: se a ASE propuser, para o acampamento do próximo ano, uma passeata serra acima com todos os automóveis individuais dos participantes no acampamento invernal, sku com sacos de plástico que serão deixados ao abandono e um mega-piquenique na Torre, não se assegurando a recolha do lixo associado, poupando as áreas de protecção parcial de tipo I, mas poluindo despreocupadamente áreas contíguas (como a estrada que aparece na fotografia), como aliás farão milhares de turistas que nessa altura virão "à neve", qual poderá ser a resposta dos serviços do ICNB/PNSE?

8 comentários:

Anónimo disse...

Relativamente a este tema, devo acrescentar que as áreas de protecção parcial de tipo I estão muito longe de serem poupadas ao lixo provocado pelo nosso desporto mais popular de neve, o SKU. Basta realizar uma pequena actividade de "visitação", na zona do Corredor do Inferno, Covão Cimeiro, Covão do Ferro, Vale de Loriga e um longo etc, para nos apercebermos da quantidade de plásticos que foram transportados pelo vento e que ficaram entalados em TODAS as linhas de água.
Claro está que para ver este flagelo é necessário caminhar, entrar na montanha, em ultima análise: fazer montanhismo.
Vai daí, o montanhismo está proibido na serra, portanto... quem irá ver a quantidade de lixo que o vento espalhará?
Quem irá então protestar contra este tipo tão miserável de turismo?

Estamos a deixar que afastem da montanha todos aqueles que realmente amam a montanha.

É o que temos aqui em Marrocos do norte.


Paulo Roxo

Tiaguss disse...

Presumo que os acampamentos do exercito estão abrangidos pela pastorícia. Ou estarei enganado.

ljma disse...

Paulo Roxo, tens toda a razão em clarificar esse ponto. Depois de escrever este post, também me pareceu que, quando disse "poupando as áreas de protecção parcial de tipo I" estava a dar a impressão errada. Os plásticos e os restos dos piqueniques, assim como o sal deitado nas estradas e os esgotos da estação de esqui e dos centros comerciais da Torre, não pouparão essas áreas, mesmo que os causadores dessa poluição não ponham nelas os pés. Essa poluição escorre para as vertentes que o PNSE/ICNB diz que quer proteger quando proibe a escalada. Só para se ver, o que acontece ao lixo deixado na vizinhança da ponte (da estrada EN339) que aparece ao cimo da imagem? Vai aparecer nas linhas que os montanhistas não podem sequer pisar!

Por isso *nada* é, de facto, poupado, enquanto se permitir o que se permite (e até se encoraja, como já disse) na serra, por muito que se proíba a escalada e o montanhismo nas áreas de protecção parcial de tipo I.

"Corrije-se" um eventual problema (que se o for, é mínimo) para que os verdadeiros problemas possam continuar como de costume e a agravar-se? Estamos no rumo certo, estamos de parabéns. Como de costume.

Tiaguss, e os exercícios mediáticos da equipa de montanha da GNR (tirolesas, rapeis, esqui de montanha, motas de neve e tudo isso) em áreas de protecção parcial de tipo I, serão também pastorícia?

Anónimo disse...

Isto é uma palhaçada há 12 anos que vou para a serra e nunca ninguém me abordou.Estava eu junto à minha carrinha na curva do Covão d'Metade já equipado para fazer a simples via clássica do Viriato no Cântaro Magro, quando uma viatura do ICN parou e os ditos cujos vigilantes me informaram que estava proibida a escalada. Depois de um bate boca um pouco azedo da minha parte com os pseudo-protectores da natureza a conclusão a que cheguei foi: se pagar uma taxa não há problema, o dinheiro fará milagres na conservação (vivam os euros e a roubalheira nacional) se não pagar a taxa lá se vai a pseudo-conservaçao. É claro que fui escalar sem pagar nada... Isto foi no mês passado.

Samuel Passos

al cardoso disse...

Infelizmente e esta a pseudo proteccao ambiental, da nossa querida Estrela!

Um abraco do norte da Estrela

Anónimo disse...

Podem sempre dizer que são escuteiros espanhóis. Digam que são cerca de 100, depois instalem-se no Covão da A'metade, escavem buracos para latrinas, canalizem aguas de chuveiro e lava loiças para o rio, espezinhem tudo o que encontrarem. Desta forma estou certo de que não vão por entraves.

ecossistema disse...

A Cordilheira dos Andes possui uma variedade enorme de espécies, entre as quais se destaca o cóndor, nossa ave nacional, que faz seus ninhos em meio às rochas de nossas montanhas e que sem duvida você poderá vê-lo sobrevoando os céus de Valle Nevado.

Anónimo disse...

Olá a todos... Este verão frequentei muitas vezes o Covão da ametade, vi todos e mais alguns disparetes que lá se cometem, desde os senhores militares a esses turistas espanhois que arrasam a beleza e singularidade deste lugar. Mas também encontrei muitos outros turistas - montanhistas, que me foram perguntando pelos trilhos (infelizmente ainda não conheço)... e lá subiram montanha acima....

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!