quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Escalada e visitação (2)

Há vários anos, no final de uma tarde de Verão, tendo escalado o Cântaro Magro pela face Oeste (não me lembro que via) e enquanto preparávamos o rappel para retornar à estrada e daí para a tradicional sessão de cerveja e gabarolice no café Estrela com que se costumavam encerrar os belos dias de antigamente (há quem continue a vive-los bem belos, eu é que me fui deixando atar ao chão horizontal pelos anos, pelas obrigações e porque ganharam importância para mim outras montanhas, mais simbólicas) vimos chegar pelo "Caminho das Pedras" um professor do secundário acompanhado de uma ou duas turmas dos seus alunos, perto de vinte ou trinta.

[Dois apartes: (1) O "Caminho das Pedras" é uma via para a subida ao Cântaro Magro pela face Sul, de baixa dificuldade e bem protegida, que se pode fazer sem equipamento técnico, quase sem tirar as mãos dos bolsos. (2) Duvido que, com as "melhorias" introduzidas nas últimas décadas (e, em particular, nos últimos anos) no ensino secundário, algum professor hoje em dia se encontre disposto a levar, sozinho, os seus alunos ao alto do Cântaro Magro. São estas e outras como estas que me levaram a pôr entre aspas a palavra "melhorias", mas isso é outro assunto.]

Conversámos um pouco com aquele professor (se não me engano, era de Filosofia): tinha acompanhado os alunos numa excursão à montanha mais alta de Portugal e tinha querido oferecer-lhes a sensação da ascensão de um pico não completamente trivial. Iam ficar um bocadinho, tirar fotografias, e depois por-se-iam a caminho (a pé) da Pousada de Juventude nas Penhas da Saúde.

Não sei de um termo que melhor se aplique ao que nós fizemos naquele dia do que "escalada". Não sei de um termo que melhor se aplique ao que os vinte alunos e o seu professor fizeram do que "visitação". Naquele tempo, o Plano de Ordenamento do Parque Natural da Serra da Estrela (POPNSE) era outro. Hoje em dia, o professor e os seus vinte alunos teriam autorização do PNSE para a sua subida ao Cântaro Magro, porque a visitação é aí explicitamente permitida, nos termos do actual POPNSE; eu e o meu companheiro de cordada não teríamos essa autorização, porque o entendimento que os serviços do ICNB fazem do actual POPNSE leva-os a não autorizarem a escalada no Cântaro Magro. Mas, caramba: haverá alguma diferença essencial entre o que nós fizemos e o que eles fizeram? Teremos eu e o meu colega causado um impacto maior do que os vinte alunos e o seu professor?

11 comentários:

Anónimo disse...

Não sou formado em biologia, nem pertenço a qualquer parque natural, nem sequer trabalho na identificação das espécies endémicas mas, uma coisa eu sei: num país como deve ser (ao contrário do nosso mediocre cantinho de ideias curtas), primeiro identificava-se o local e as espécies devidamente e depois partia-se para as restrições (a haver).

Por cá (e não me venham dizer que no estrangeiro é igual... porque não é!), opta-se por colocar o sinal de proibido no meio do bosque, ainda antes de construir a estrada.

É o que temos, num país sub-desenvolvido disfarçado de Europeu.

Paulo Roxo

ljma disse...

Pois, Paulo. Fosse significativo o impacto da escalada e não acredito que ela fosse autorizada no Parque Nacional de los Picos de Europa, no Parque Nacional de Aiguestortes, no Parque Nacional de Sierra Nevada (Espanha), no Parc National des Ecrins, no Parc national des Pyrénées (França), no Ben Nevis National Park (Reino Unido), no Parque Nacional do Triglav (Eslovénia), no Parque Nacional de Yosemite (USA), no Parque Nacional das Torres del Paine (Chile) etc, etc, etc, etc....

Só nesta espécie de país, que tem uma espécie especial de áreas protegidas onde se pode fazer de *tudo*, desde caçar até extrair inertes, é que é proibido escalar em áreas protegidas por razões que se prendem apenas com a categoria burocrática do estatuto de protecção e não com a salvaguarda de valores naturais concretos, bem identificados e estudados.

É, como dizes, "o que temos, num país sub-desenvolvido disfarçado de Europeu".

Anónimo disse...

Caros companheiros.

Está confirmada, através de uma reunião com responsáveis do PNSE, a interdição (sem discussão) de actividades de escalada desportiva em rocha (desportiva, clássica e em gelo), bem como actividades similares que envolvam cordas (rappel, tirolesas, cordadas, slide, etc.), na Área de Protecção Especial do Tipo 1.

Ou seja, de momento não é possível a prática destas actividades no PNSE, visto que as únicas zonas equipadas (Corredor dos Mercadores, Cascata Musical, Gargantas de Loriga, Placa da Francelha, Fantasmas e gargantas do Covão do Ferro) estão inseridas na Área de Protecção Especial do Tipo 1.

Existe abertura para autorização de equipar vias nas zonas/áreas de PE Tipo II e III.

O problema é que essas zonas, como todos sabemos, não possuem as mesmas condições para a prática destas modalidades, comparativamente com as zonas descritas logo de início.

Vamos tentar arranjar alternativas, nem que seja só para aquecer os músculos.

Até à próxima companheiros.

Nuno Adriano (Adriventura)

Anónimo disse...

Nuno Adriano.

Como é possivel que essas actividades estejam proibidas e como é possivel a aplicação dessas proibições se a única lei à qual reportam está congelada até ao final de Fevereiro?

De onde vêem essas proibições?

Quem foi o autor dessa lei SÓ para a serra da Estrela?

Onde está escrito essa lei que proibe "sem discussão"?

Temo que estejamos perante uma lei totalmente ilegal vinda de uma espécie de clube "menina não entra" a operar na Serra da Estrela.

Que mafia!!!

Paulo Roxo

TPais disse...

Olá Adriano,
de facto, tem de se pedir mais dos responsáveis do PNSE. Não somos uns analfaburros que aceitamos tudo o que nos dizem e engolimos sem queixar. Era de esperar que os responsáveis justificassem essa interdição. Até à data não conheço nenhuma justificação ( a ti deram-te alguma? Qual?). Sempre que contacto com os serviços do PNSE limitam-se a invocar o art. tal do PO para justificarem a proibição da prática da escalada na APP-1 (atenção, é importante utilizar esta sigla, APP, que significa área de protecção parcial e não área de protecção total pois são coisas totalmente diferentes!). Os responsáveis do PNSE ao remeterem para o PO sem mais explicações arriscam-se a cair na ilegalidade pois, como já referido pelo José Amoreira, não está explicita a proibição de escalada nesta área. Acrescento que em nenhum documento apresentado em consulta publica durante a revisão do PO do PNSE vem referido que a prática da escalada prejudica os valores naturais existentes nas áreas classificadas como APP-1 (atenção, estou a referir-me a estudos do próprio ICNB). Assim sendo, não entendo que legitimidade teem os responsáveis pelo PNSE para proibir esta actividade.
O restante ridiculo de tudo isto, é que quem quer, escala todos os fins de semana no Cantaro sem que um unico agente ou vigilante diga seja o que for! Se é assim tão mau.... Outra imcompreensão que me assalta é o placard instalado e bem (justiça seja feita) pelo PNSE há alguns anos na curva do Cantaro a pedir aos "visitantes" que não atirem pedras uma vez que por baixo se praticam desportos de avetura!!!!!! Mas afinal que desportos são estes??
Adriano, não quero estar a meter a foice em seara alheia, mas se eu tivesse uma empresa de animação turistica por aí não me calaria!

Anónimo disse...

Um conselho a todos:

DESOBEDEÇAM, DESOBEDEÇAM, DESOBEDEÇAM!


Paulo Roxo

Anónimo disse...

Ainda está para chegar o primeiro gajo à minha frente que diga-me que não posso ir escalar o cântaro magro ou fazer travessias na Serra da Estrela. Há 11 anos que vou para lá e ai do menino que me diga alguma coisa leva um desprezo de alto a baixo e nem tenha a ousadia de dizer-me o quer que seja.É como diz o PAULO ROXO desobedeçam. Este Pais vai de mal a pior com leis sem sentido nenhum.A corrupção e a ganância não se lembram eles de combater.

ABRAÇO
SAMUEL PASSOS

Manuel Franco disse...

olá a todos

queria só aproveitar para deixar aqui a minha opinião pessoal sobre este assunto que muito me afecta profissional e pessoalmente.

existe um aparte que gostaria de recordar, já uns anos atrás foi exigido a todas as áreas protegidas que elaborassem a "Carta de Desporto Natureza" que viria (e veio em alguns casos, poucos, casos) regular a prática das modalidades desportivas dentro das áreas protegidas, como complemento ao plano de ordenamento que todos também teriam de possuir. No caso especifico do PNSE essa "carta" nunca existiu e continuou-se a viver o ambiente que quem trabalha nesta actividade (e refiro me à animação Turística) conhece bem, "mandem lá as propostas do que querem fazer que depois logo vemos..." sem possuirmos nenhum guião concreto do que efectivamente podíamos ou não fazer, estando sujeitos ao arbítrio sem regras já que se bem me recordo e ainda com o anterior plano de ordenamento em vigor, este não era aplicado taxativamente como agora se quer fazer.

se enquanto profissional a minha atitude tem de ser outra e tentar por todos os meios pressionar para que a situação se altere, pessoalmente faço e continuarei a fazer simplesmente como diz o Paulo, "desobedeço", pois sempre escalei e passeei pelo planalto superior, respeitando e preservando o património existente (tal como todos que por cá andamos por que realmente gostamos deste território de montanha e não apenas por cá cair (ás vezes) uma coisa fria e estranha. mas vá se lá entender... teimam em continuar a achar que somos os maus da fita...

um abraço e lá nos veremos pela montanha...

Anónimo disse...

Afinal qual é a preocupação?
Aos anos que ando pela Serra, nunca vi nenhum Sr. do Parque no Planalto. Porque? porque é mais facil andar de viatura a passear pelo alcatrão, Torre acima, Torre abaixo. Estes Srs. apenas conhecem a Serra atraves da secretária que deve estar bem afagada das horas que lá passam.

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Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!