quinta-feira, setembro 25, 2008

Renováveis insustentáveis?

No Estrago da Nação, Pedro Vieira Alberto escreve sobre o "boom" das energias renováveis. Suspeito que tem muita razão no que diz. Aqui fica um excerto, para abrir o apetite, a saciar no Estrago da Nação:
O actual panorama nas energias renováveis leva a que, actualmente, os investidores não precisam de ter dinheiro: basta-lhes ter crédito bancário e os ganhos pelas receitas inflacionadas (à custa dos consumidores, repita-se) permitem-lhes pagar os juros e amortizações e ficar ainda com um bom lucro. Quando um Governo, por pressão dos consumidores, terminar com a «mama», veremos muitos cemitérios de parques eólicos, pois só sobreviverão aqueles que, na verdade, têm sustentabilidade económica e ambiental. Mas quem sair, deixando esses cemitérios, fez um excelente negócio...

5 comentários:

francisco t paiva disse...

Olá J. Amoreira,

Para aqueles que, como eu, são favoráveis à investigação e viabilização prática da produção de energia limpa, este assunto é da máxima pertinência.

O artigo em questão lembra-nos que neste, como em quase todos os assuntos, o simplismo da adesão às causas pode comportar alguma cegueira e oportunismo, se não tiver por base uma reflexão séria sobre as medidas e o modo mais favorável de as viabilizar.

Por desejável que seja, toda a acção humana tem inconvenientes e impactes que devem ser ponderados. Em PT raramente o são. Raramente se consideram as dificuldades e inconvenientes, mesmo as ambientais, como oportunidades para aguçar o engenho.

Quanto ao modo como a energia é gasta, mercê do incoerente modelo de "desenvolvimento" do país, tenho uma posição muito crítica, pois o ónus energético resultante da irracional disseminação urbanística está por contabilizar.

Dada a complexidade do tema, será assunto a discutir noutros moldes.

ljma disse...

Olá Francisco
Também concordo que o assunto é para discutir noutros moldes. Não pretendi discuti-lo, pretendi apenas divulgar um ponto de vista.

Eu entendo que os parques eólicos são muito positivos a nível nacional, são necessários. Mas, localmente, entendo que colocam problemas que eu considero sérios: a alteração radical na paisagem, os impactos directos e documentados nas aves e morcegos, os menos bem conhecidos resultantes do ruído constante, e os acessos que ficam, depois das obras, ao dispor das massas automobilizadas.

Mas não quero entrar na lógica egoísta do "not in my backyard", do "isto é necessário para o país mas nem pensar em fazê-lo aqui, no meu cantinho, outros que gramem o xarope".

Por outro lado, tenho frequentemente a sensação de que falta bom senso para evitar transformar apostas bem justificadas no embadeirar em arco inútil, gastador e meramente propagandístico do costume...

francisco t paiva disse...

Ainda há pouco tive de suspender uma estadia de estudo, devido ao insuportável ruído nocturno de um conjunto de aerogeradores instalados na linha de festo oposta ao belíssimo santuário basco de Arantzazu.

Aqui em Portugal, por razões afectivas mas não só, ainda que seja favorável a estas formas de geração de energia, também me custa muito ver a disseminação sem critério de bolsas desconexas de parques eólicos e solares no pouco que resta de paisagem natural, quando há localizações alternativas.

Julgo que a discussão sobre este tema não pode continuar a dissociar-se da eficiência energética nos diversos sectores de actividade, em particular nos transportes, na habitação, indústria e, não menos importante, no desenho do território.

Anónimo disse...

Quando houver os tais cemitérios há também belas estradas abertas nos recantos mais belos das nossas serras... E em alguns casos até já há lancis de passeios, como na Freita. Portanto, vai ser só urbanizar... (não faltarão "dinâmicos investidores" prontos a fazer "coisas de qualidade").
E claro fico sempre à espera de perceber melhor este negócio de bancos e cª, pago pelos consumidores, tudo em nome do ambiente...
Um abraço
José Veloso

FPereira disse...

aerogeradores? Estão a cobrir todos os cabeços deste país. É pena é que as facturas da electricidade dos cidadãos não baixam apesar de alterarmos hábitos de consumo. Quantas mais ventoinhas precisamos até que o valor da energia possa ser suportável?

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!