segunda-feira, junho 02, 2008

"O domínio dos deuses"

Um livrinho impagável que desmonta os argumentos que defendem o desenvolvimento "alavancado" nos grandes projectos imobiliários, na "requalificação" de espaços naturais, num certo tipo de turismo e de turistas, mostrando como interesses muito particulares se fazem passar pelo interesse público. Parece incrível como é que, quase quarenta anos depois de publicada esta deliciosa pérola, ainda é possível encontrar nos nossos jornais de referência (nomeadamente nos seus muy sérios cadernos de imobiliário) anúncios que parecem copiados do que aqui deixo abaixo.
Clique na imagem para a aumentar.
"O domínio dos deuses", uma aventura de Asterix e Obelix, por Goscinny e Uderzo. É caso para dizer: "Estes nossos alavancadores estão loucos!"

3 comentários:

FRANCISCO T PAIVA disse...

Infelizmente, a espécie humana não aprende com os erros e, em muitos aspectos essenciais, o "progresso" não passa de um mito.

Incapazes de regular a cidade, que transformaram numa selva de T2 e T3, com acabamentos de luxo mas sem um passeio à porta onde pôr um pé, os políticos da geração SPA voltam-se agora como feras para o que resta do campo, das orlas costeiras, das margens fluviais, etc., bem respaldados por PNPOT's, PIN's, POC's, etc.

O problema dos recurso naturais, como dos demais, não é de escassez, é de inteligência.

A ignorância e a demissão dos cidadãos, tolhidos pelo medo e por atavismos seculares, deixam o campo aberto a todo o tipo de promoções imobiliárias, onde a arquitectura não passa de um slogan.

Talvez a especialidade mais conivente com a barbárie seja o neófito "marketing do território", agora centrado no universo das segundas habitações em áreas protegidas.

Abraço

ljma disse...

Olá, Francisco
Eu diria que a ignorância e demissão dos cidadãos fazem mais ainda do que deixar o campo aberto às "promoções" imobiliárias. Encorajam-nas, aplaudem-nas, defendem-nas. Os patos bravos somos todos nós como colectivo.
E como, pelos vistos, estamos de parabéns pelo fizemos das nossas cidades e vilas, toca a fazer o mesmo nos espaços rurais e naturais.
No caso da serra, é fácil dizer (como eu costumo fazer) que a culpa é da Turistrela ou da Câmara Municipal da Covilhã... Era bom que as coisas fossem assim tão lineares...

André Barbosa disse...

É pena é que não possamos fazer como no livro e dar uns tabefes aos romanos...

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!