quinta-feira, outubro 11, 2007

A quem servir a carapuça...

Cartuchos vazios, fotografados perto do Alto dos Livros, Covilhã.

Já que têm mesmo que caçar no interior de uma área (que devia ser) protegida, podiam ao menos fazer o favor de não deixar ficar o vosso lixo? Obrigado.

Também aqui, apanhando a cumeada do Alto dos Livros, foi definida uma zona de caça, uns dois quilómetros a sudoeste da que referi aqui. Acho bem, não são convenientes espaços "por ordenar", pois não?

7 comentários:

joão disse...

Artigo 75.º
Armas de fogo

No exercício da caça com armas de fogo os caçadores devem recolher os cartuchos vazios, após a sua utilização.

Decreto-Lei n.º 227-B/2000 de 15-09-2000), e pela oxidação que os cartuchos revelam e pela zona onde os encontrou, não me recordo de existir por aí uma zona de caça estabelecida, portanto se não estou enganado, será resultado de caça furtiva...

um abraço

ljma disse...

Olá, João!
Também acho que são cartuchos antigos, pelo estado de oxidação. A fotografia tem já algumas semanas. Vi ontem no local as tabuletas indicando zona de caça (mas não notei nada no Domingo, a vez anterior que lá estive, numa corrida matinal ao som dos disparos e das conversas dos caçadores). O número indicado nas tabuletas é 4529 (se bem me lembro) mas não encontrei a referência no site da DGRF.

É claro que deixar lixo é proibido, quer se trate de piqueniqueiros, scuadores, ou caçadores (mas é bom que isso apareça explícito na lei da caça). Mas a verdade é que onde eles vão, deixam lixo. Na minha opinião, se todo o PNSE fosse área de refúgio da vida selvagem, menos caçadores lá iriam, os que fossem mais facilmente seriam identificados como furtivos, menos lixo (e mais vida selvagem) restaria na Serra. Para condicionar ou limitar o acesso dos outros bastava restringir o trânsito automóvel. Claro que um tal regulamento (trânsito automóvel limitado e proibição pura e simples da caça) seria uma solução simples demais...

Abraço amigo
Ze Amoreira

joão disse...

eu percebo o princípio, ou seja o fundamento em si...e tb concordo!

Abraço

Pedro amaro disse...

Também pelos lados de Loriga assistimos cruelmente a essa situação. Como é possivel darem alvará de caça a cotas de 1500m como é o caso do alto de S.bento.
um abraço e continuação de um bom trabalho

TPais disse...

A questão da caça é deveras complexa pois, ao contrario do tipo de turismo por cá promovido, a caça está enraizada em populações inteiras e não em alguns indivíduos com poder de decisão; não existe propriamente um responsável facil de identificar. Por outro lado, o ecossistema está desequilibrado à partida e determinadas espécies necessitam de ter as populações controladas sob pena de poderem prejudicar outras especies. A questão está exactamente na forma como isto é feito.
Na minha opinião era necessário haver um controlo periódico frequente para justificar quais as especies que necessitariam realmente de controlo e só essas justificariam a sua caça dentro dos limites do Parque. De resto penso que o Parque deveria ser livre de caça na maioria do seu território.
Agora quanto ao furtivismo "ele" continuará sempre se não for aumentada a fiscalização no terreno, independentemente das leis que se criem

ljma disse...

Só mais uma coisa: tenho a certeza que há muitos piqueniqueiros, scuadores e caçadores cuidadosos, que não deixam lixo e que não caçam irresponsavelmente. Serão até a maioria, não sei. E não enumerei todas as tribos que poluem a serra, conjunto em que quero também incluir os montanhistas (entre os quais gosto de me incluir).
Mas os estragos provocados pelos que não têm cuidado são um problema que deve ser enfrentado e não sei como fazê-lo senão limitando o acesso fácil e cómodo, por automóvel, de *todos*, os que poluem e os que não poluem. É que (por muito que custe aos que, como eu, se consideram da equipe dos "bons") não sei como se podem distinguir, a priori, uns dos outros.
Limitar o trânsito limita necessariamente o número de visitantes (logo, em termos absolutos, limita também o número de visitantes poluidores). Além disso, é razoável supor que entre os que estão dispostos a suar para penetrarem nas áreas protegidas a pé ou de bicicleta há uma fracção maior de pessoas respeitadoras do ambiente do que entre as hordas de visitantes automobilizados.

Ora, a abertura da caça no interior do parque (e bem dentro do parque) vai no sentido contrário, vai no sentido da massificação.

Os caçadores têm 95% do território para caçar. Porque hão-de caçar nas áreas protegidas? Porque nas outras já não há caça? Espero que não seja essa a razão invocada...

Por fim, é claro que concordo com o meu compadre TPais. Claro que faz todo o sentido que os serviços do parque, para corrigir desequilíbrios ecológicos que necessariamente surgem num ecossistema incompleto (sem lobos ou cabras montês, por exemplo) e retalhado, autorize pontualmente batidas ou caçadas a espécies específicas. Mas acho que não é disso que se trata nestas zonas de caça...

TPais disse...

A propósito deste post sugiro a leitura da seguinte noticia http://www.ointerior.pt/home/artigo.asp?id=121
sobre 2 caçadores detidos por caça ilegal!

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!