quinta-feira, abril 02, 2009

Criar Bosques

earthcondominiumImage
Imagem roubada do site do projecto.

A Quercus lançou um programa de reflorestação com espécies autóctones em colaboração com o ICNB — Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, a AFN — Autoridade Florestal Nacional, a APA — Agência Portuguesa do Ambiente e o CNE — Corpo Nacional de Escutas e contando com o apoio da Comissão Nacional da Unesco e com o alto patrocício do Presidente da República.

O nome do projecto é Criar Bosques e já foram plantadas 50 000 plantas! Toda a informação no site do projecto.

Soube disto pelo blog A sombra verde.

terça-feira, março 31, 2009

Olaia

Um raio de sol num ramo de flores (ou vice-versa) da olaia (Cercis siliquastrum) do parque da floresta, logo acima da Covilhã, fotografado hoje de manhãzinha.

segunda-feira, março 30, 2009

Petição sobre as "torres das bolas"

O blog de Manteigas iniciou uma petição online de oposição à venda dos edifícios da antiga base da força aérea da Torre. Porque concordo com as razões invocadas e com o destino que se propõe para aqueles imóveis (devolução aos proprietários — Associações de Baldios de freguesias dos concelhos de Seia, Manteigas e Covilhã — expropriados aquando da construção daquela "indispensável" base), assinei a petição.

A propósito do anúncio da intenção de venda dos edifícios e da reacção a esse anúncio por parte do Presidente do Pólo Turístico da Serra da Estrela (ou lá como é que se chama agora a Região de Turismo da Serra da Estrela), várias dúvidas se me colocam:

  • Quem poderia estar interessado em comprar aquelas coisas senão a Turistrela? É que nos termos da lei (Lei 3/70 de 28 de Abril de 1970, Decretos-Lei 325/71 de 28 de Julho de 1971 e 408/86 de 11 de Dezembro de 1986) existe uma concessão exclusiva do turismo e dos desportos atribuída àquela empresa desde o início dos anos setenta e válida ainda por várias dezenas de anos por vir, que limitam fortemente a actividade de terceiros, ou que, pelo menos, a condicionam ao arbítrio dos concessionários. Faz sentido investir sem saber ao certo se a concessionária tolerará a presença de eventuais concorrentes ou sem saber que condições irá impôr para magnanimamente os agraciar com essa tolerância?
  • Além disso, aqueles mamarrachos horrorosos estão na sua maioria praticamente em ruínas e não dispõem das infraestruturas básicas. O seu aproveitamento exigirá investimentos muito vultuosos.
  • Com que objectivo poderia alguém estar interessado em comprar aquelas coisas? Para além de serem arquitectonicamente horrorosas e completamente desenquadradas no local, estão situadas no centro de uma área protegida, com um regulamento que impõe alguns constrangimentos. Faz sentido investir sem saber ao certo se o que se pretende empreender será permitido?
  • Porque é que o presidente do Pólo Turístico da Serra da Estrela (sr. Jorge Patrão) se opôs à venda dos mamarrachos? É que não parece muito crível que o actual proprietário (Ministério da Defesa) se venha a empenhar nos projectos turísticos que Jorge patrão afirmou ter para os ditos imóveis. A venda dos edifícios a investidores privados pareceria ser assim um passo na direcção desejada por Jorge Patrão. Mas ele opõe-se a essa venda, o que parece indicar que tem em mente um esquema alternativo, em que agentes turísticos (e quem mais poderá ser senão a Turistrela, sózinha ou liderando parcerias?) aproveitam os edifícios sem a maçada de ter que pagar por eles num processo de venda aberto e transparente. Será isso?

Já comentei esta intenção de venda dos mamarrachos, bem como a oposição que lhe manifestou Jorge Patrão, aqui, aqui e aqui.

domingo, março 29, 2009

Erradicar as mimosas

Pelo blog Loriga fiquei a saber que o Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade e a Associação de Freguesias da Serra da Estrela (que agrega várias freguesias do concelho de Seia) estão a preparar uma candidatura para um projecto que visa a limpeza e destruição de mimosas (acacia dealbata), para o que pedem a participação dos interessados.

Oxalá o projecto avance e seja um sucesso!

Mais detalhes no blog Loriga.

sexta-feira, março 27, 2009

Pés na terra

O centro comercial da estação é dos mais antigos da Covilhã. Não é grande coisa pelos padrões mais actuais, é antes uma espécie de "shopping de bairro", usuais há uns vinte anos. Como é vulgar nos shoppings, as lojas vão abrindo e fechando, vão-se renovando, vão sendo substituidas por novas lojas, etc. Lojas de moda, de telemóveis, de computadores, de desporto, de "bugiganguinhas para o lar", essas coisas que é normal encontrar num shopping.

Creio que não estarei a errar por muito se disser que a loja mais sólida naquele centro comercial é uma pequena frutaria (uns 10 m2) onde um agricultor vende a fruta e as hortaliças que produz na sua quinta (funciona também como revendedor de produtos de outras empresas agrícolas). Não se trata de uma destas lojas muito fashion de produtos biológicos, vegan, "salvemos o planeta" ou coisa que o valha, não. É mesmo uma frutaria, simples.

Perdoem-me o eventual reaccionarismo, mas eu acho simplesmente espectacular a existência e a aparente solidez desta frutaria tradicional naquele espaço. Acho óptimo poder comprar maçãs frescas e saborosas, mesmo que não cumpram critérios de tamanho, cor e regularidade de forma definidos por sabe-se lá quem e que por isso não são vendidas nas grandes superfícies. Acho que é um sinal de esperança, de uma "realidade verdadeira" que se impõe a uma outra, diria que mais virtual, que é decidida e regulada em centros de poder distantes e inacessíveis, e que o faz, não numa aldeia remota e "atrasada", mas logo num centro comercial urbano! Vingando onde o fashion sofisticado e modernaço frequentemente tem falhado! E que se mantém, não pela mão de um comerciante deprimido que se agarra ao seu condenado modo de subsistência, mas pela iniciativa de um jovem agricultor se afirma comercialmente, fornecendo um produto natural e de qualidade que claramente, naquele local, tem muita procura e pouca oferta!

Pois é... Misteriosos podem ser os caminhos do desenvolvimento...

quarta-feira, março 25, 2009

"Fundão quer ser capital das caminhadas..."

A página 4 do Diário XXI de hoje informa que a Câmara Municipal do Fundão pretende definir e sinalizar várias centenas de quilómetros de trilhos pedestres e de BTT no concelho.

Tenho tendência para achar boas notícias como esta (outros exemplos são Manteigas, Guarda (freguesia de Fernão Joanes), o projecto Da Nascente à Foz—Rio Acima e um longo etc.) porque creio que revelam uma intenção (mesmo que não passe disso) de cativar turistas capazes de apreciar o ar livre, o vento, a paisagem, a vida silvestre... Turistas como eu, em suma. E agrada-me que se tente cativar esses turistas porque eles existem e assim podem ajudar a mostrar que o turismo e o desenvolvimento não obrigam necessariamente a estragar a paisagem, a tudo urbanizar e artificializar desordenadamente, não obrigam a reproduzir no campo os erros que temos cometido nas localidades, na Serra os que cometemos no Algarve.

Desfear mais território ainda? Já chega, obrigado.

segunda-feira, março 23, 2009

Verdilhão-comum

Verdilhão-comum (Carduelis chloris), fotografado hoje num jardim da Covilhã.

sábado, março 21, 2009

Também não percebo

A caminho de Lisboa pela A1, perto de 1000m antes da saída para o Carregado, no meio de linhas de alta, média e baixa tensão, entre estradas e estradinhas, entre casas, casinhas, oficinas, lojas, fábricas e armazéns, com o ruído e o cheiro da autoestrada sobrepondo-se a mais um milhão de ruídos e cheiros, encontra-se um poste com uma antena para telecomunicações móveis, alimentado com um grande painel fotovoltaico.

Na serra da Estrela, perto dos Piornos, entre giestas, urzes e penedos, num silêncio cortado apenas pelo assobiar do vento e pelos balidos e chocalhos de um ou outro ocasional rebanho, instalou-se há cerca de ano e meio um destes postes de telecomunicações, mas este é alimentado por um gerador a diesel. Outro ainda, situado alguns quilómetros abaixo da Lagoa Comprida perto da estrada nacional, é alimentado por uma linha aérea, destas suportadas por postes.

Que paisagens e que ambientes mostramos querer proteger com estas opções?

quarta-feira, março 18, 2009

Juro que não percebo...

Despejo de pneus perto da Pedra da Mesa, na colina sobre a Covilhã. Imagem roubada no blogue Cortes do Meio.

... O que leva uma pessoa a subir a serra e a meter o carro por caminhos esconsos só para despejar na berma uma carrada de pneus velhos, quando o poderia fazer muito mais comodamente, com menos gastos e com igual impunidade cá por baixo, mais perto das localidades.

É que ainda poupava muitas despesas e maçadas aos serviços que tiverem que limpar a porcaria.

terça-feira, março 17, 2009

A venda dos mamarrachos

Excerto da página 7 do Diário XXI de 16 de Março. Clique para aumentar.

O Diário XX1 deu ontem notícia de recentes declarações de Jorge Patrão, presidente do Pólo Turístico da Serra da Estrela, segundo as quais a decisão de venda das torres do antigo radar da Torre (que comentámos aqui) não se irá, afinal, concretizar.

A questão mais preocupante com a venda das torres não é a da posse propriamente dita, mas antes os impactos que podem eventualmente resultar da utilização dos edifícios e a salvaguarda do interesse dos antigos proprietários (associações de baldios de Unhais da Serra (Covilhã), de S.Pedro (Manteigas) e de Loriga (Seia), expropriados aquando da decisão de construção da (efémera) base militar. Ora, os mamarrachos podem não estar à venda, como afirma Jorge Patrão. Mas depreende-se das suas palavras que há um plano, ou pelo menos uma intenção, de os aproveitar turística e/ou comercialmente.

Espero que o interesse dos baldios seja agora tido em linha de conta e que o papel que o aproveitamento destes mamarrachos pode ter na correcção ou no agravamento da deprimente situação ambiental da zona da Torre seja devidamente ponderado. Se se planeia apenas reforçar o mercantilismo rasca que por lá grassa (mesmo que agora com lojas mais sofisticadas), tanto faz que que a posse seja mantida no estado como que passe para privados e bem melhor que isso, mesmo, mesmo, é deitar as torres abaixo.

segunda-feira, março 16, 2009

"O Estado paga e o povo pasma"

Dizia Vasco Pulido Valente no Público de ontem:

"... Claro que uma auto-estrada pouco ou nada contribui para o desenvolvimento e a produtividade ou diminui a dívida (externa ou interna) ou torna a sociedade portuguesa sustentável. Só ajuda a fingir que Portugal progride e isso basta."

E digo eu:

Claro que uma estrada de asfalto serra acima pouco ou nada contribui para o desenvolvimento do turismo na Estrela, não evita o envelhecimento nem o abandono populacional da região, não a torna mais atractiva ou dinâmica. Só ajuda a fingir que a freguesia ou o concelho progridem e isso basta.

Creio que a realidade apoia muito claramente estas opiniões.

sábado, março 14, 2009

A febre de sábado de manhã

Cia (Emberiza cia) fotografada hoje na encosta sobre a Covilhã.

Num curto passeio pela encosta sobre a Covilhã, notei as bétulas com botões novos, os larícios também já a desenvolverem uma penugem verde, uma cerejeira-brava florida, fotografei a cia que ilustra este post, surpreendi três gaios que esvoaçaram resmungando mal-humorados, vi as lagartas da processionária dos pinheiros por todo o lado e ouvi (pela primeira vez este ano) um cuco, que decerto enche com elas a barriga.

A Primavera já chegou em força, mesmo que o sol ainda esteja, durante mais alguns dias, "abaixo" do plano do equador!

Não levei neste passeio GPS, mochila, fogareiro, binóculos nem canivete multifunções. Alguém me marcará falta de material por isso?

quinta-feira, março 12, 2009

Não é todos os dias...

... Que tenho o prazer de ver um pintassilgo.
Pintassilgo (Carduelis carduelis) morto, na berma da variante à Covilhã perto do acesso ao parque industrial do Canhoso.

Preferiria não ter encontrado este hoje.

É mais um exemplo (outros são este, este e muitos mais no blog De Olhos Nas Estradas) de como as estradas de asfalto não têm impactos ambientais e até ajudam a observação da vida selvagem. Ou, direi melhor, a observação da morte selvagem.

É com destas observações que queremos desenvolver o turismo em espaço natural? Se não é isso que pretendemos, deveríamos talvez evitar a asfaltação de ainda mais caminhos pela serra.

segunda-feira, março 09, 2009

Ainda é Inverno...

Mas já não para os carvalhos-negral (Quercus pyrenaica) que tenho em viveiro.

domingo, março 08, 2009

O Inverno dos Larícios

Bosquete de larícios (Larix decidua Miller) perto da Porta dos hermínios, fotografado na terça-feira passada.

quinta-feira, março 05, 2009

O princípio do fim do Inverno

Açafrão-bravo (Crocus carpetanus), fotografado dia 2 de Março.

segunda-feira, março 02, 2009

Ai, óh pra nós tão patetinhas!

Encontrei esta pérola na revista Fugas do Público de sábado da semana passada (21 de Fevereiro, portanto):
Clique para aumentar.

Animais desconhecidos e perigosos? Humidade quase impossível de aguentar? Vegetação com mais de um metro de altura? (Bem, as florestas costumam ter árvores...)
O autor(a) desta peça de publicidade mal dissimulada talvez possa beneficiar de um passeio pelo Jardim Botânico, por Monsanto ou pela serra de Sintra (caso more na zona de Lisboa; outras regiões dispõem também de bosques, florestas ou parques florestais ao alcance de qualquer um que precise de se familiarizar com esses ambientes)...

E para ir para a floresta, precisamos de gps? De um canivete multi-funções? De um forno?! Só falta nesta lista o jipe topo de gama, terá sido esquecimento?

Aquilo de que realmente precisamos para apreciar a floresta é de vontade, de disponibilidade e de atenção. Reunido este essencial, acrescentaria a seguir guias de campo da fauna e flora. Tudo o resto é acessório, ou seja, não essencial.

sábado, fevereiro 28, 2009

Tanta paz...

... Tanta serenidade, tanto conforto...

Vem a propósito a cena da tempestade do filme "Sonhos" de Akira Kurozawa.

Podemos encontrá-la no Youtube: parte 1, parte 2, parte3. Já agora, aproveito para recomendar vivamente todos os filmes deste realizador japonês, especialmente, pelo tema que aborda, o magnífico "Dersu Uzala".

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Já em exposição...

Num certo ski resort perto de si:
Fotografia tirada hoje, cerca das 12:45, na entrada da estância de esqui Turistrela-Vodafone.

Dois comentários: (1) não, não são só os dos plásticos do sku que deixam lixo na serra; (2) enquanto as coisas forem como são nas redondezas dos sítios onde opera, uma certa empresa concessionária exclusiva do turismo e dos desportos na serra da Estrela há mais de trinta anos e por décadas ainda por vir não corre riscos rigorosamente nenhuns de vir a ganhar um Cristal de Gelo da ASE.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

O 1º Cristal de Gelo

A Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela (ASE) entendeu criar um galardão para distinguir empreendimentos, organizações ou iniciativas que (no entender da associação) se destaquem pela contribuição que dão para o desenvolvimento sustentável e/ou a causa da protecção ambiental e paisagística na Serra da Estrela.

O primeiro premiado com o "Cristal de Gelo" foi o Complexo Turístico H2otel – Congress & Medical SPA e Aquadome – The Mountain SPA, da empresa Natura IMB Hotels, em Unhais da Serra, e a cerimónia teve lugar ontem, nas instalações do hotel (ver artigo sobre o evento no Diário Digital).

As razões desta decisão estão enumeradas no site da ASE e sobre elas não me vou alongar muito aqui. Quero somente destacar que, por estar localizado numa povoação permanentemente habitada (ao contrário, por exemplo, de aldeamentos essencialmente turísticos como as Penhas da Saúde ou Penhas Douradas onde não residem mais do que vinte pessoas em cada um), resultam óbvios benefícios para as populações, muito maiores do que os que se verificariam se se tivesse construído a maiores altitudes.

Não é só a freguesia de Unhais, ou o concelho da Covilhã, que fica a ganhar com este empreendimento. Tratando-se de instalações termais, prestam-se a estadias de comparativamente longa duração, alguns dias, semanas até. Alguns hóspedes aproveitarão a estadia para, nas horas mortas, visitar as localidades das redondezas, desde Sortelha até Piódão, das Minas da Panasqueira até à Guarda.

E há um aspecto que deve ser enfatizado. Este empreendimento marca uma diferença abissal relativamente ao que se tem normalmente feito na nossa região. Pelo esforço em satisfazer os regulamentos muito exigentes das certificações mais ambiciosas, tanto durante a implementação como agora que se encontra em funcionamento, pela vontade que do projecto extravazem benefícios para a população (que acabam por se maniffestar também como uma mais valia para o empreendimento), pelo marketing apurado e sofistificado, e mais um longo, longo etc, que seria fastidioso especificar.

Só para dar dois exemplos dessa diferença, o destino dos restos dos materiais de construção foi objecto de uma cuidada fiscalização, necessária para uma das muitas certificações que este hotel pode, orgulhosamente, ostentar; contraste-se com a situação que revelei neste post. O marketing do H2Otel pretende afirmá-lo a um público internacional, sofisticado, de elevado nivel cultural; contraste-se essa promoção, por exemplo, com tristezas como esta, ou esta.

Por fim, falando agora na qualidade de membro da ASE que participou da decisão da atribuição deste galardão, gostava de deixar claro que a associção não pretende reservar a distinção para empreendimentos de luxo ou de grande escala como é o H2Otel. Pequenas instalações hoteleiras, pensões ou mesmo parques de campismo poderão igualmente vir a ser contempladas com futuros Cristal de Gelo. Oxalá!

Todo o processo de refundação das Termas de Unhais foi lançado pela Câmara Municipal da Covilhã, creio que já sob a liderança do actual edil, Carlos Pinto. Vem assim a propósito, agora que o projecto se tornou realidade, felicitar também a autarquia e o seu presidente, ainda mais por serem muito frequentes, aqui no Cântaro Zangado, as críticas a esta autarquia (infelizmente, suspeito que continuarão a sê-lo).

Stairway to heaven

Vista de Unhais para a Serra, fotografada ontem à tarde.

Aprendi em criança que o caminho para o céu é pedregoso, estreito, sinuoso, cansativo... Mas, com toda a franqueza, e a avaliar pelo da imagem, não é também, apesar disso (ou por causa disso), tão convidativo? Não será mesmo irresistível?

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Absurdo!

As modalidades desportivas sujeitas a licença e ao pagamento de taxa ao ICNB de acordo com o disposto no Decreto Regulamentar nº 18/99 de 27 de Agosto estão enumeradas no ponto 3 do Artigo 3º, que apresento na imagem. Significa isto que o estado se deu ao trabalho de regular as condições para a concessão de licença para a prática, no interior de áreas protegidas, de montanhismo, pedestrianismo, escalada, hipismo, canoagem, por exemplo, mas não sentiu ainda idêntica preocupação quanto ao licenciamento de desportos motorizados, a passagem da volta a Portugal em bicicleta, a realização de competições de esqui (e o próprio funcionamento das estâncias — só temos uma em Portugal — onde tais competições se podem realizar) ou de raids todo-o-terreno, igualmente no interior dessas mesmas áreas protegidas.

Esta lei permite ao ICNB taxar (correcção: obriga o ICNB a taxar) um encontro sem fins lucrativos de biólogos amadores para observação da fauna ou da flora da serra da Estrela, quando não há (que eu conheça) um mecanismo legal que determine explicitamente e detalhadamente as taxas a aplicar a uma rave party com entradas pagas e consumos mínimos obrigatórios, a uma competição automobilística, a uma concentração de motociclistas ou até, passe o exagero, a um festival da cerveja que ocorra no interior deste parque natural. Como a experiência tem mostrado, nada garante que tais eventos não sejam autorizados ou, pelo menos, silenciosamente (e envergonhadamente?) tolerados.

Absurdo!

Compreendo melhor agora o que ouvi de um empresário de actividades outdoor com quem contratei um passeio de canoa para mim e a minha família na albufeira de Sta Luzia: "Não, na serra da Estrela não realizamos actividades. Porque é uma área protegida, e o regulamento para a prática de modalidades desportivas deste tipo nas áreas protegidas é absurdo!"

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Absurdo!

Há dias, no post Taxas e subsídios, referi que o Artigo 8º do Decreto Regulamentar nº18/99 de 27 de Agosto obriga ao pedido de licença para a realização de actividades de animação ambiental (e ao pagamento da respectiva taxa) empresas de turismo de natureza mas também de asssociações de desenvolvimento local. Dei nesse post um exemplo do absurdo que essas disposições geram: o estado cobra taxas por um turismo correcto, adequado, equilibrado e ajustado às áreas protegidas e subsidia um turismo poluente, massificado, desiquilibrado e desajustado a essas mesmas áreas protegidas.

Mas eu não sabia da história a metade. Acontece que o dito Decreto Regulamentar nº 18/99 foi alterado pelo Decreto Regulamentar nº 17/2003 de 10 de Outubro, que corrige o Artigo 8º que acima referi nos seguintes termos (clique para aumentar):

Ou seja, para além das entidades que enumerei no anterior post sobre este assunto, devem ainda pedir licença para actividades de animação ambiental (e pagar as respectivas taxas) as federações, clubes e associações desportivas, as associações juvenis e outras associações, com ou sem fins lucrativos. Ou seja ainda, clubes de montanhismo? Pagam. Escuteiros? Pagam. Associações ambientais ou de ambientalistas? Pagam. Tanto quanto consigo perceber, comissões de baldios, mesmo sendo os legítimos proprietários dos terrenos onde decorrem as actividades? Pagam.

Mas atenção: a lei só obriga a licença e ao pagamento de taxa os que vierem para as áreas protegidas em actividades de animação ambiental, com ou sem fins lucrativos: interpretação de natureza, pedestrianismo, montanhismo ou escalada, BTT, parapente, etc. Se o Clube Recreativo dos Alegres e Barulhentos Poluentes de Troca-o-Passo pretender organizar uma excursão à serra da Estrela, com ou sem fins lucrativos, fazer o que se costuma fazer na serra da Estrela, ou seja: estacionar à beira da estrada, escorregar na neve com um plástico, uma prancha ou um par de esquis, piquenicar, deixar o lixo todo espalhado e ir embora, bem, para isso não tem que pedir licença, não tem que pagar a taxa, e o melhor de tudo é que o estado, com um investimento continuado e sempre crescente, garante-lhe cada vez mais estradas e espaços de estacionamento, para que possa continuar a javardar, cada vez mais fácil e confortavelmente, em cada vez mais locais desta importante área protegida! Que bom!

Que actividades é que o estado pretende promover nas áreas protegidas? Que actividades é que, com estas leis, o estado efectivamente promove nas áreas protegidas?

Quando começará o ICNB a cobrar também pelas grandes iniciativas de animação ambiental que são as plantações e sementeiras de árvores do programa "Um Milhão de Carvalhos para a Serra da Estrela"?
Para evitar à partida que uma eventual discussão resvale para questões partidárias, noto que o Decreto Regulamentar original foi aprovado por um Conselho de Ministros do governo de António Guterres (que incluía o actual primeiro ministro) e o Decreto Regulamentar que o corrigiu por um do governo de Durão Barroso. Parabéns e muito, muito obrigado aos dois governos!

A substância dos sonhos

Fotografia de Pedro Seixo Rodrigues. Ver mais no flikr e no olhares.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Duas freguesias, duas atitudes

Excerto da página 5 do Diário XXI de ontem, dia 17. Clique para aumentar.

Li ontem no Diário XXI a notícia da figura que ilustra este post (clique na imagem para a aumentar). Da sua leitura ficamos a saber que a Junta de Freguesia de Fernão Joanes, no concelho da Guarda, pretende limpar, sinalizar, documentar e divulgar as antigas canadas do pastoreio para dinamizar o turismo de natureza na freguesia.

Neste post do Blog Cortes do Meio, lemos que o presidente da Junta de Freguesia de Cortes do Meio (Covilhã) entende como fundamental para o desenvolvimento do turismo a asfaltação de uma estrada para as Penhas da Saúde, para o que, assim se pode ler, já tem orçamento, parecer positivo do Parque Natural e apoio da Câmara Municipal, faltando apenas o financiamento.

Alguns contrastes:

  • Os de Fernão Joanes tomaram o assunto em mãos e estão a po-lo em pé; os das Cortes do Meio fizeram uns estudos, conseguiram (assim o dizem) uns pareceres e estão a exigir à câmara ou ao estado o financiamento.
  • Se a coisa correr bem aos de Fernão Joanes, terão lá turistas, que visitarão a freguesia, deixarão o carro e caminharão pelas canadas durante algumas horas, muito possivelmente considerarão lá comer ou até (se houver ou aparecer oferta para tal) pernoitar; os de Cortes do Meio, se lhes correr bem o projecto, ficarão a ver passar os carros para as Penhas da Saúde e daí para a Torre.
  • Se correr mal o projecto aos de Fernão Joanes, paciência, mas não se desperdiçou muito dinheiro e ao menos o fracasso não deixa encargos permanentes para a junta, a câmara ou o estado; se correr mal o projecto aos de Cortes do Meio, terão o asfalto mas não terão os desejados carros. Apesar disso, a Junta de Freguesia, a Câmara ou a Estradas de Portugal terão que manter a estrada, proceder periodicamente a reparações, será necessário limpar-lhe a neve no Inverno, terá que ter vigilância da GNR, pelo menos quando for necessário condicionar o trânsito. Tudo isso terá que ser pago, apesar de, de acordo com a hipótese que estamos a considerar, o projecto ter sido um dispendioso e inútil disparate.
  • Os de Fernão Joanes estão a apostar num produto relativamente inexplorado na nossa região, mas que é o normal turismo de montanha nas restantes montanhas da Europa; os de Cortes do Meio estão a apostar naquilo em que temos apostado desde sempre cá na serra: asfalto, voltinhas dos tristes, enchentes naqueles dias de Inverno.
  • Os de Fernão Joanes estão, de facto, a apostar no turismo; os de Cortes do Meio estão a apostar em quê?

Adenda: As duas freguesias serão governadas pelo PS, pelo PSD, uma por um a outra pelo outro, uma ou ambas por outros partidos. Não sei nem me interessa.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Taxas e subsídios

Cartoon de Andy Singer, roubada do blog Menos um carro.

O cartoon que ilustra este post pôs-me a pensar noutras actividades que subsidiamos quase sem o notar, simultaneamente taxando outras que, por comparação com as primeiras, talvez não devessem ser taxadas.

O Decreto Regulamentar nº 18/99 de 27 de Agosto veio definir e regular as as diversas modalidades de animação ambiental, complementando o Decreto Lei nº 47/99 de 16 de Fevereiro sobre o Programa Nacional de Turismo de Natureza aplicável na Rede nacional de Áreas Protegidas, que tinha sido criado na Resolução do Conselho de Ministros nº112/98 de 25 de Agosto.
Naquele Decreto Regulamentar definem-se as diferentes modalidades de animação ambiental, quais os seus objectivos, quais as condições que devem satisfazer, que requisitos se devem preencher para se ser autorizado a dinamizar uma dada modalidade de animação ambiental.
O seu Artigo 8º indica que os projectos ou iniciativas de dinamização ambiental carecem de licença, quando realizadas por um comerciante em nome individual, um estabelecimento individual de responsabilidade limitada, uma sociedade comercial, uma cooperativa ou uma associação de desenvolvimento local.
O Artigo 16º, por seu turno, refere que (1) são devidas taxas pela concessão de licenças de dinamização ambiental (subentende-se que em áreas protegidas), (2) que o valor dessas taxas é fixado por portaria dos Ministérios das Finanças e do Ambiente e (3) que delas beneficia o ICNB.
O valor actual dessas taxas é o apresentado neste documento (chamo a atenção para o facto de o endereço ser do site do ICNB).

Não pretendo aqui esmiuçar os vários detalhes absurdos ou injustos desta lei. Mas imagine que a sua associação de desenvolvimento local pretende fazer uma caminhada com piquenique pelo Parque Natural da Serra da Estrela, chamando a atenção para os detalhes que constituem a riqueza ambiental desta área protegida, prestando um serviço de educação ambiental, ensinando os participantes na actividade a apreciar a área protegida e a querer defendê-la. Pois bem, terá que pedir licença aos serviços do Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade, e pagar pela sua concessão.
Em alternativa, se alugar um autocarro (ou se resolverem vir todos cada qual no seu carro), se subir com ele por uma das muitas estradas abertas pelo estado nesta área protegida, conservadas em bom estado de circulação pelo estado, continuamente melhoradas pelo estado, limpas de neve e de pedras que rolam encosta abaixo pelo estado, vigiadas e ordenadas por forças do estado, se estacionar o dito autocarro à porta do centro comercial da Torre, cuja instalação naqueles edifícios foi paga pelo estado, se deixar os seus associados escorregar na neve um bocadinho para, logo depois do piquenique, voltarem a casa, bem, como não se trata de uma actividade de animação ambiental, não tem que pedir qualquer autorização e só terá mesmo que pagar o aluguer do autocarro, que tudo o resto o estado paga, já pagou e vai continuar a pagar por si!

Que tipo de visitação é que o estado pretende para as áreas protegidas? Com leis como estas, que tipo de visitação é que o estado promove para as áreas protegidas?

domingo, fevereiro 15, 2009

Um cenário idílico à nossa medida

A Turistrela (empresa concessionária exclusiva do turismo e dos desportos na serra da Estrela desde 1971 e por várias dezenas de anos ainda por vir) organiza no dia 28 de Fevereiro o terceiro snowfashion, uma passagem de modelos na sua estância de esqui, perto da Torre.

Não me quero alongar sobre o evento propriamente dito mais do que para referir que, na minha opinião, este tipo de eventos não se adequa a um local que é o centro e o coração simultaneamente da maior (e uma das mais importantes) áreas protegidas do nosso país, de um sítio Rede Natura 2000, de uma Reserva Biogenética e de um sítio Ramsar.

Se falo hoje deste snowfashion, não é para me mostrar contra a sua realização ou para o aproveitar para criticar o seu promotor. Nada disso, trago-o aqui apenas porque no site promocional do evento se referem ao local onde decorrerá como um "cenário idílico e inigualável".

Inigualável até será, mas idílico? Idílico?! Com os plásticos do sku espalhados por todo o lado, com o solo escalavrado da estância de esqui, com os restos de lixo e de materiais das obras ao longo da estrada, com os carros e autocarros, uns estacionados por todo o lado, outros no pára-arranca pela estrada apesar dos primeiros, com as inscrições deixadas nas rochas pelos apoiantes dos ciclistas da Volta a Portugal, com todos os mamarrachos, velhos e novos, que se foram construindo na zona da Torre, o que é que aquilo tem de idílico?!

Cada região tem os cenários idílicos que merece, tem os que faz por ter. Nós, pelos vistos, temos a Torre.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

De revolutionibus orbium coelestium...

... E de outras maravilhas, mais terrenas:

Cântaro Magro fotografado desde o Covão d'Ametade por Pedro Ferrão Patrício (bem hajas!).

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Não foi exactamente isto que encomendámos?

Por este post no Máfia da Cova cheguei ao blog de João Tilly, de Seia, e a um post sobre as dificuldades de trânsito que se verificaram há dias no Sabugueiro, causadas pela neve e pelo grande número de visitantes. Deixei lá este comentário
Esperamos que o que o estado gasta com os meios de limpeza seja ajustado às necessidades médias e ao que é razoável esperar em anos mais ou menos normais. Seria difícil de compreender que se gastassem fortunas todos os anos em equipamento e em pessoal, para manter em permanência um dispositivo que só fosse necessário usar em pleno de vinte em vinte anos.
Este ano tem sido claramente excepcional e não me parece razoável aferir por este ano as necessidades de pessoal e de equipamento do centro de limpeza de neve.
Não pretendo com isto afirmar que esta situação aqui retratada não pudesse ser evitada com os meios disponíveis (mas com um pouco mais de atenção, cuidado ou brio). E é claro que estas situações são más e era bom que se pudessem sempre evitar.
Mas será possível evitá-las continuando a apostar no turismo automobilizado, no turismo que vem ver a neve e escorregar um bocadinho (em plásticos ou em esquis, a diferença acaba por não ser assim tanta)? No turismo que exige sempre e cada vez mais e melhores estradas? No turismo que canalizamos quase só para a Torre, um dos pontos menos interessantes e mais degradados da serra? No turismo que temos tido nas últimas décadas e cuja imagem de marca são exactamente congestionamentos como estes?
No Gerês o turismo desenvolve-se com passeios a cavalo, de bicicleta, com caminhadas, escalada e canoagem, com turistas que permanecem vários dias e semanas, durante todo o ano e especialmente no Verão.
Por cá continuamos a querer atrair as hordas de automóveis e autocarros que chegam de manhã e se vão embora à tarde, a apostar nestas enchentes pontuais de fim de semana de Inverno.
Mas poderemos então realmente escandalizar-nos por continuarem a ocorrer, por mais estradas e limpa neves que tenhamos, engarrafamentos destes? Pois se é exactamente nisto que temos investido nos últimos 40 anos!

E não é exactamente nisto que continuamos a apostar quando decidimos criar um parque de estacionamento com um quilómetro de comprimento na Lagoa Comprida, quando pedimos a asfaltação da estrada de Unhais para a Nave de Santo António ou a de um caminho entre as Cortes do Meio e as Penhas da Saúde?

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

domingo, fevereiro 08, 2009

Último acto! Mais de 1 metro de Neve! Ode ao CLN

Vejam as semelhanças já que as diferenças são tantas!
Comunicado disponibilizado na página da estância de LaCovatilla:
"Temporal de frío y nieve
Fecha de la publicación: 07/02/2009 / Autor: Gecobesa
El temporal de frío y nieve que ha afectado a la practica totalidad de la península ibérica, con alerta declarada en 15 comunidades autónomas, ha dejado sentir sus efectos en la Sierra de Béjar de manera contundente.
Durante las últimas semanas han sido varias las jornadas en que la estación de esquí no ha podido ser abierta como consecuencia de las inclemencias meteorológicas, principalmente viento fuerte a muy fuerte, llegando en algunos momentos a extremo.
Estas duras condiciones han afectado sobre todo al acceso a la estación de esquí (carretera CP 4) desde la carretera SA 100, que ha permanecido cerrado con ventisqueros de hasta cuatro metros de altura. A lo largo de los tres últimos días el equipo de vialidad invernal de la Diputación Provincial de Salamanca, con apoyo de los medíos mecánicos y humanos de la estación de esquí, ha trabajado sin descanso para limpiar la calzada. Una tarea que, sobre todo en la jornada del viernes, se ha visto seriamente condicionada por las bajísimas temperaturas y la precipitación con ventisca, que deshacía en breves instantes todo el progreso realizado con anterioridad.

Finalmente, en las primeras horas de la tarde del sábado día 7 y con la mejora de las condiciones meteorológicas, ha sido posible comenzar a dejar despejada la calzada y avanzar en la adecuación de pistas e instalaciones, lo que nos permite confiar en que la estación podrá abrirse sin mayores problemas a primera hora del domingo día 8 de febrero. Desde aquí queremos felicitar a los responsables y operarios del Parque de Maquinaria de la Diputación Provincial de Salamanca, así como a todo el personal de Gecobesa, que, una vez más, han trabajado duro durante varios días y enfrentándose al rigor de los elementos, para que los esquiadores puedan acceder a las pistas en el menor plazo de tiempo posible tras el temporal.(...)"


A imagem em cima é retirada da página da estância de LaCovatilla e mostra bem a quantidade de neve que caiu durante os últimos 7 dias (para mais fotografias ver aqui). A nossa Serra da Estrela está a cerca de 170kms em linha recta da Sierra de Bejar, logo as condições de mau tempo que afectam uma são muito semelhantes às que afectam a outra. E na verdade, também na Serra da Estrela caiu uma quantidade de neve considerável. A 1400m de altitude, mais precisamente no covão da Ametade, a neve tinha cerca de 1 metro de altura, e não estou a falar da neve amontoada pelos limpa-neves ou pelo vento. Era uma altura real de neve. As imagens valem por muitas palavras, deixo-vos por isso com algumas do dia de ontem que demonstram bem a altura da neve! Reparem que as mesas de merendas tem neve praticamente à altura do tampo:


Só para terminar gostaria de informar o seguinte. Ontem realizou-se mais uma grande festa de reflorestação da Serra da Estrela onde estiveram envolvidos mais de 230(!) voluntários vindos dos 4 cantos do país. Os responsáveis pelo CLN fizeram a enorme gentileza de vir abrir a estrada da ribeira (EN 338) para que os voluntários pudessem chegar o mais próximo possível do local da plantação antes de se porem a caminhar. Nessa altura, um funcionário do CLN informou-me que estavam desde as 4 da manha de sábado (dia 7) a tentar abrir caminho para a torre e, àquela hora (10h30) ainda nem se quer tinham conseguido passar o túnel!! Para quem conhece o local percebe a dificuldade de progressão! E sobre este assunto fico-me por aqui pois acho que suficiente já foi dito para que cada um possa tirar as suas próprias conclusões sem alinhar em histerias e propagandas!

sábado, fevereiro 07, 2009

Última hora

Na esperança de que ainda possa ser útil a alguém, informo que houve alterações no programa da plantação de hoje, motivadas pela camada de neve que cobre a zona onde estava planeada a intervenção. Assim, o local de encontro é a zona da ponte sobre o Zêzere, na saída de Manteigas para o lado da Serra. A hora mantém-se. Até já.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Sem querer ser chato...

...mas tenho que voltar a por imagens do sitio da estância de esqui da Sierra de Bejar - La Covatilla. É que esta é particularmente elucidativa não só da dificuldade em manter transitáveis os acessos a determinados pontos mesmo em condições aparentemente benévolas (ver imagem da webcam) como tambem da diferença de comunicação existente entre os responsáveis pela gestão da referida entidade e os responsáveis pela gestão da nossa mini-estância! É uma critica que não poucas vezes me foi comunicada, ou seja, ausencia de boas relações públicas por parte de vários dos responsáveis da Turistrela, mas que aparentemente teima em não ser remediada.
Sem querer alongar mais, só peço que analizem friamente e com conhecimento de causa o que se passa na nossa Serra e o trabalho realizado pelas nossas autoridades e depois sim, façam a vossa avaliação. Julgo que nessa altura terão uma opinião menos negativa da forma como o CLN mantem as estradas transitáveis.

Adenda 1: numa reportagem passada hoje na SIC foi referido que o CLN tinha sob sua responsabilidade a limpeza de 140Km de estrada!!

Adenda 2: FECHADA novamente! Que incompetência!

Enquadramento histórico recente

Ouvimos Artur Costa Pais (administrador e proprietário da Turistrela, a empresa concessionária exclusiva do turismo e dos desportos na serra da Estrela desde 1971 e por décadas ainda por vir) criticar este fim de semana os serviços do Centro de Limpeza de Neve, acusando este organismo das Estradas de Portugal de ser uma estrutura obsoleta e incompetente do estado, e defender que as suas funções sejam concessionadas a privados. A Câmara Municipal da Covilhã entendeu fazer coro com estas críticas.
Estas acusações podem ser ouvidas nas reportagens com que as televisões informaram dos fortes nevões deste fim de semana, linkadas no blog Estrela no seu Melhor.

Há pouco mais de um mês, numa notícia que, por outras razões, comentei noutro post, o Diário XXI transcrevia assim a apreciação que o mesmíssimo Artur Costa Pais fazia da mesmíssima "estrutura obsoleta do estado":

"Quando a estrada está fechada é porque não há condições para estar na Torre". E nem é preciso que esteja a nevar. Basta que haja "ventos muito fortes", como já aconteceu este mês. "O Centro de Limpeza de Neve e as autoridades estão bem equipados, têm pessoas capazes e estão funcionar bem", sublinha. Ainda assim, sugere que haja "mais comunicação com a Turistrela, para nalgumas alturas podermos abrir a estância às 9h00, em vez de esperar até às 11h00".
(In Diário XX1 19/12/2008, pág. 10.)
Pois, mudam-se os tempos, mudam-se as apreciações. Como se vê neste caso, para alguns os tempos nem têm que mudar assim lá muito para se dar uma completa inversão nas apreciações que fazem. Claro está que, por essa precisa razão, as suas apreciações (e as dos que eles trazem atrelados) valem o que valem...

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Elementar meu Caro Watson!

Hoje quando visitei o sitio oficial da estancia de esqui La Covatilla na Serra de Bejar podia ler-se o seguinte:
"Buenos días, esquiadores/as
ESTACIÓN CERRADA POR VENTISCA. A las 16:30 horas se emitirá la previsión de apertura para el jueves día 5 de febrero. "

Afinal parece que lá fora tambem encerram estâncias quando há "ventisca"! Esta estância está apenas a 300km (menos em linha recta) daqui e a sua base está nos 2000m. Por que carga de água (neste caso neve) não conseguiram nuestros hermanos abrir a estância!?
Caros, pela ultima vez lembrem-se que nós nunca poderemos ter meio iguais nem proporcionais aos da Suiça (etc.) pelo simples facto da sua utilização ser de dificil previsão. Por exemplo, este ano, o Centro de Limpeza de Neve (CLN) já terá tido muito mais horas de trabalho e desgaste em material do que na soma dos ultimos 5 anos. Não se esqueçam que o dinheiro lá por vir do estado que não tem obrigação de ser bem gasto. O CLN, ou melhor, o Min Adm Interna tem de ponderar o custos do CLN e investimento em equipamento mediante a sua necessidade de utilização. Ora quando esta necessidade é dificilima de determinar, quer seja anualmente quer seja a mais longo prazo, torna-se injustificavel um investimento avultado em novos equipamentos ou recursos humanos que se arriscam a não ter utilidade.

Se nevasse sempre, como na Suiça, não tenho qualquer duvida que estariamos melhor preparados (autoridades e cidadãos) para situações algo mais extremas como a que sucedeu no passado fim de semana com uns claros 50cm de neve fresca num dia!! Já agora, relembro que parte desta questão só existe por termos uma pseudo-mini-aldeia de montanha a 1500m de altitude onde as pessoas tem obrigatoriamente de circular de automovel todos os dias independentemente das condições meteorólgicas!

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Poio Cutelo

(Penhas da Saúde), visto de perto do posto de vigia de incêndios atrás do sanatório, na semana passada.

domingo, fevereiro 01, 2009

Não sabem limpar a estrada para as minhas pistas!

Este fim de semana, Artur Costa Pais(1) e a Câmara Municipal da Covilhã insurgiram-se contra a falta de eficiência do Centro de Limpeza de Neve, atribuindo-lhe a responsabilidade por os turistas não conseguirem chegar à estância de esqui.

Bem, pelo que vi na reportagem que a SIC passou no Jornal da Noite (a link pode não ser permanente), o próprio parque de estacionamento do Hotel das Penhas da Saúde também não estava nada em condições que permitissem a circulação em segurança. Ora, quer-me parecer que os acessos e os parques de estacionamento privados devem ser limpos pelos seus proprietários, não pelas ineficientes "estruturas obsoletas" do estado. Por isso, acho que vem a propósito o ditado sobre telhados de vidro e pedras atiradas ao ar.

De acordo com o que me contaram entendidos, é muito diferente limpar neve que cai com uma temperatura de -100C e se mantém no solo como um pó fino, leve e seco, e limpar neve que cai a uma temperatura de -30C, misturada com nevoeiro ou chuva miúdinha, que fica pesada de tão empapada em água, que depois solidifica durante a noite. E, ainda segundo me foi dito, é por essa diferença que é tão frequente, na serra da Estrela, ser necessário recorrer a tractores e retroescavadoras para abrir caminho (e até podemos ver uma destas máquinas na reportagem que referi acima).

Mas acontece que tenho contado o número de dias em que as estradas de acesso à Torre se encontram fechadas desde que, nesta época, abriu a estância, no dia 1 de Dezembro. Nos 64 dias que passaram desde então, as estradas estiveram cortadas em 14 dias. Nalguns desses dias não se pôde circular apenas durante a manhã, mas na minha contagem, contaram como os outros. Com tudo o que tem nevado, francamente não me parece nada mau.

E quero notar que, mesmo que haja responsabilidades humanas a apurar nesta situação, toda esta indignação da Turistrela e da Câmara Municipal da Covilhã tem um aspecto anedótico. É que, com tão boas condições que, segundo se anuncia, a serra da Estrela tem para a prática do esqui, e com tanta, tanta, neve que este ano tem trazido, mesmo assim as pistas da estância que não estão equipadas com canhões de neve ainda não estiveram abertas um único dia, segundo as informações difundidas pelo próprio site da Turistrela. Significa isto que a estância tem estado reduzida a um total de 3,6 km esquiáveis, e isto nos dias bons porque, por exemplo, ainda nos que antecederam este último nevão, na semana passada, a estância tinha abertas apenas as pistas Cântaro (155 m) e Covão (229 m), num fantástico total de 384 m esquiáveis! Peço desculpa, mas as coisas aqui na serra são o que são. E, como são o que são, armar um grande escândalo afirmando que a ineficiência da limpeza das estradas que dão acesso à estância de esqui prejudica gravemente a economia regional... Enfim.

Para terminar, a minha experiência de como as coisas se passam "lá fora" é esta: na Páscoa passada passei uma semana em Andorra. A meio da semana, veio um dia com condições parecidas com as que tivemos na Serra este fim de semana. A estância (Grand Valira) esteve encerrada. Em Dezembro, fui a La Covatilla com a ideia de esquiar dois dias; no segundo não o pude fazer porque estava a nevar e a Guardia Civil interditou a estrada de acesso à estância a meio da manhã. Noutros anos, noutras paragens, tenho por vezes sofrido situações semelhantes. É a vida.

O blog Estrela no seu melhor refere-se também a este "escândalo".
(1) Administrador da Turistrela, a empresa concessionária exclusiva do turismo e dos desportos na Serra desde 1972 e por décadas ainda por vir para o futuro.

EN-338, Manteigas-Piornos

(Clique na imagem para a aumentar)

A Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela convida todos os interessados a participar numa sessão pública a ter lugar no Auditório do Centro Cívico de Manteigas no dia 10 de Fevereiro, pelas quinze horas, onde será apresentada (e, deseja-se, discutida) uma proposta para a beneficiação do troço da Estrada Nacional 338 entre Manteigas e Piornos, no sentido de garantir e melhorar a segurança rodoviária do dito troço, no respeito pelos valores ambientais e paisagísticos do vale do Zêzere.

sábado, janeiro 31, 2009

Se eu o sou, se tu o és, que interessa?

Desde que apareceu o blog o Cântaro Zangado (e já antes disso), participo frequentemente em discussões sobre projectos concretos na Serra da Estrela, seja aqui na caixa de comentários do blog, seja mais em privado, através da troca de emails, seja ainda presencialmente, com colegas ou amigos.

É muito frequente ver os argumentos dos meus adversários na discussão de um determinado empreendimento (seja a asfaltação de uma estrada, seja a construção em altitude, seja a ampliação da estância de esqui, o que seja) serem introduzidos com considerações como "nota que eu sempre gostei muito de caminhadas na serra, mas...", ou "eu sempre defendi o ambiente, mas...", ou ainda "quem me conhece que sou um forte defensor da natureza, mas...". Acontece que os pergaminhos ambientalistas daqueles com quem discuto me deixam indiferente.

Há tantos ambientalismos como ambientalistas. Há os que consideram que não se pode ser verdadeiramente ambientalista sem se aderir ao veganismo (nem sei bem o que isto quer dizer, apenas que envolve uma opção pela alimentação vegetariana), outros que comem carne e peixe sem remorsos; há os que deduzem do (seu) ambientalismo a oposição às touradas e os que, ao contrário, dele deduzem a defesa das mesmas touradas; há os que entendem que é impossível defender o ambiente sem uma mudança profunda ao nível social e político e os que defendem soluções no actual quadro social e político opondo-se às mesmíssimas construções utópicas ou para-utópicas que aqueles entendem indispensáveis; há os que são contra a caça e a pesca, e os que até são caçadores e/ou pescadores; há os que defendem a preservação dos espaços naturais, outros que são pela sua conservação (uma distinção que não domino completamente). Ele há tantos, mas tantos, ambientalismos que, a bem dizer, eu nem sequer sei se sou ambientalista, nem essa questão me preocupa por aí além!

Portanto, o meu caro amigo pode ser (ou não ser) ambientalista, que isso a mim tanto se me faz. O que eu acho é que esta estrada em concreto, esta urbanização em concreto são ou não são desejáveis e explico porquê. Faça-me a gentileza de me pagar na mesma moeda, sff.

Plantação de dia 7

Li no suplemento Fugas do jornal Público de hoje e já confirmei na web. O CAAL - Clube de Actividades Ar Livre organizou transporte (autocarro) de Lisboa e estadia na Serra da Estrela, para a participação na plantação do dia 7 a que referi aqui.
Mais informações na página web do CAAL.

A venda dos mamarrachos

Sobre o plano (do Ministério da Defesa) de alienação dos edifícios militares da Torre, houve recentemente dois desenvolvimentos interessantes. Segundo podemos ler no Porta da Estrela de 22 de Janeiro (a link pode não ser permanente), a Assembleia Municipal de Seia aprovou uma moção (apresentada pelo PCP) contra as intenções de venda dos ditos edifícios. Na mesma notícia, (e também no Nova Guarda de 21 de Janeiro e no Notícias de Gouveia de 20 de Janeiro) somos informados de um conjunto de questões que o grupo parlamentar do PCP na Assembleia da República colocou ao Governo sobre este mesmo assunto.

Tanto a moção à Assembleia Municipal de Seia como as questões colocadas na Assembleia da República são relevantes e oportunas. O enfoque dado ao problema parece-me apropriado (aliás, vem na mesma linha da tomada de posição da ASE, ver aqui).

Acho bom que o problema do que fazer com os mamarrachos seja discutido publicamente. E que a decisão final seja tomada de forma transparente. Para tal muito contibuirá uma discussão o mais alargada possível. Que seja tomada de forma transparente, isto é, que sejam publicamente identificados os vários interesses (económicos ou de outra índole, por exemplo, ambiental), que os protagonistas assumam publicamente as suas posições e que, em geral, se cumpram as regras do jogo democrático (ou seja, que se cumpram as leis, que não se sobreponham interesses particulares ao interesse geral, etc).

No final, o resultado até poderá ser que os ditos mamarrachos sejam entregues por tuta e meia à Turistrela, para deles fazer o que bem entender, sem quaisquer contrapartidas para baldios, juntas de freguesia ou parque natural (aqui para nós, surpreenderia um tal resultado?). Mas, seja ou não essa a decisão, que fiquemos todos a saber quem se bateu a favor e contra, e com que argumentos. A transparência também é isto.

Desta vez foi o PCP que tomou a iniciativa, pelo que quero felicitá-lo. Alegremente felicitarei qualquer outro partido que lance, como o PCP fez agora, discussões mais abertas sobre os problemas da Serra da Estrela, ou que em tais discussões participe publicamente.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Eskimós 2009

Os motociclistas estão de regresso ao Covão d'Ametade. Tal como no ano passado, anunciam que vêm em demanda do "verdadeiro espírito Motociclista de confraternização aliado às condições mais adversas de viagem e acampamento. Sem esquecer o calor reconfortante das fogueiras..."

Procurarão as condições mais adversas mas, de acordo com o comunicado do evento, e tal como aconteceu no ano passado, não só não se esquecem do calor reconfortante das fogueiras, como também não desejam passar sem outros confortos, já que "Todas as condições mínimas serão garantidas, balneários com água quente, bares, lenha e tenda convívio aquecida" (negrito introduzido por mim).

Tal como no ano passado, não resisto a ironizar com o que estes eskimós consideram "condições adversas" e "condições mínimas". Mas, Esquimós, não liguem a este velho rabugento. Tenham um óptimo fim de semana, nas condições o mais confortavelmente adversas possível!

Soube disto pelo Máfia da Cova.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

7 de Fevereiro

No Sábado dia 7 de Fevereiro a ASE vai levar a cabo mais uma grande jornada de plantação de carvalhos nas zonas altas da serra da Estrela. Todos podem ajudar, devendo para isso contactar a organização através dos emails asestrela@gmail.com, josedaserra@gmail.com ou pelo telefone 965839564.
Programa:

Sábado, 7 de Fevereiro de 2009
09:00 - Concentração no Covão d'Ametade. Distribuição de refeição volante
09:15 - Partida para os locais de plantação 09:30/10:00 - Previsão de chegada de helicóptero da Força Aérea Portuguesa 10:15 - Transporte de plantas pelo helicóptero 11:00/16:30 - Plantação 16:30 - Final da plantação 17:30 - Lanche quente em Manteigas

É aconselhável a utilização de calçado e roupa impermeável, apropriados para montanha.

O evento conta com o apoio ou a colaboração dos seguintes organismos/instituições: Força Aérea Portuguesa, Parque Natural da Serra da Estrela, Câmara Municipal de Manteigas, juntas de freguesia de São Pedro e de Santa Maria (Manteigas), Continente, Fundação Gulbenkian, Federação Nacional das Associações de Proprietários Florestais, e ainda diversas escolas, clubes de montanhismo, agrupamentos de escuteiros, sapadores florestais e cidadãos a título individual.
Última hora: o local de encontro foi alterado para a ponte sobre o Zêzere, em Manteigas

terça-feira, janeiro 27, 2009

quinta-feira, janeiro 22, 2009

terça-feira, janeiro 20, 2009

Novas do CERVAS

O CERVAS (Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens) é uma estrutura do Parque Natural da Serra da Estrela sedeada em Gouveia, com a missão de estudar e vigiar a fauna silvestre e ainda a de cuidar e recuperar animais selvagens encontrados feridos, doentes, subnutridos ou de algum modo incapacitados. Seguem-se alguns anúncios de próximas actividades do CERVAS.
  • 22 de Janeiro, 5ª feira
    Libertação de um Grifo (Gyps fulvus)
    10h00, Malcata
  • 24 de Janeiro, Sábado
    Saída de Campo - Observação de aves: "As aves da Floresta"
    Ponto de encontro: 8h00, Curral do Negro (Gouveia) (cartaz em anexo)
  • 29 de Janeiro, 5ª Feira
    Libertação de uma Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo)
    Ponto de encontro: 14h30, Largo em frente à sede da Associação Cultural e Desportiva do Pereiro (Anadia)
  • 6, 7 e 8 de Fevereiro, 6ª feira a Domingo
    Stand de divulgação do CERVAS na Feira do Campo e da Caça - Serra da Estrela
    (inclui libertação de uma Águia-de-asa-redonda Buteo buteo)
    Local: Gouveia
  • 21 de Fevereiro, Sábado
    Saída de Campo - Observação de aves: "As aves da Cidade"
  • 27 e 28 de Fevereiro e 1 de Março, 6ª feira a Domingo
    Workshop Prático de Recuperação de Animais Silvestres, 6ª Edição
    Local: Gouveia e Seia (CISE)

Mais informação em aldeia.org.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Ele há montanhas...

... Onde até se imagina (veja-se lá!) que os turistas podem desejar fazer outra coisa que não ir de carro ao cume!

No Caramulo, por exemplo.

O problema está nos detalhes

Creio que ainda nunca encontrei alguém que se afirmasse anti-ambientalista. Isto é, toda a gente é amiga da serra, das suas paisagens e do seu ambiente... Em geral. Porque, em concreto, alguns (ou muitos, não sei) são a favor da instalação de hotéis na Torre, ou do incremento (está bem, chamemos-lhe "requalificação", mas todos sabemos que é de um incremento que se trata) da urbanização nas Penhas da Saúde ou nas Penhas Douradas, ou de ainda mais uma barragem lá por cima, ou da ampliação da estância de esqui, ou da instalação de teleféricos, ou do aumento da capacidade de parqueamento, ou da definição de novas reservas de caça, ou da criação de novos parques eólicos, ou da abertura de um casino... Enfim! Todos somos amigos da serra, das suas paisagens e do seu ambiente, em princípio, mas, quando vamos ao concreto, muitos defendemos (com bons argumentos muitas vezes, não é isso que está em causa) projectos ou empreendimentos que, em maior ou menor grau, alteram significativamente as paisagens e o ambiente da serra. Alguns chegam ao cúmulo de dizer que essas alterações no ambiente e na paisagem introduzidas por nós são para melhor!

Um exemplo acabado desta mesma dissociação entre os princípios abstractos perfilhados por todos e os emprendimentos concretos que muitos defendem é o das estradas na serra. Refiro-me concretamente às estradas para os turistas chegarem à Torre, não às necessárias para a comunicação das populações com o exterior e em particular com as suas sedes de concelho e distrito.

É que praticamente nunca ouvi ninguém dizer-se, em geral, favorável a mais estradas na serra. Todas as pessoas com quem falei (ou de quem li afirmações) sobre isso afirmam a necessidade de conter o avanço do asfalto, em princípio. Mas, no entanto, muitas destas pessoas defendem este ou aquele projecto de asfaltação concreto, normalmente consoante o lugar onde vivem. Assim, pessoas de Alvoco defenderam (e concretizaram parcialmente) o seu projecto de asfaltação de uma estrada até à Torre; pessoas de Loriga defenderam a sua estrada de S. Bento; pessoas de Unhais defendem agora a sua via asfaltada para altitude de 1600m; os das Cortes do Meio exigem o seu acesso rodoviário às Penhas da Saúde, e os da Guarda a sua estrada dita Verde. Os representantes mais moderados de cada um destes grupos defendem a sua estrada (ou projecto de estrada) em concreto, mantendo e defendendo simultaneamente que não se deve exagerar na asfaltação da serra, que não se devem recortar os ecossistemas nem as paisagens, etc, etc.

Ninguém parece ser sensível à objecção mais imediata: se esta estrada é necessária para a minha povoação, se a ela temos direito, então a dos vizinhos também lhes há-de ser igualmente necessária e eles terão a ela o mesmo direito que nós à nossa. Uma possibilidade para "descalçar a bota" colocada por esse argumento é concluir que *todas* estas estradas são necessárias e que é obrigação do estado português realizar cada uma delas. Quase ninguém vai por aí, porque é fácil ver onde esse caminho nos leva: a que se essas estradas ou projectos de estradas são uma necessidade, então também o serão outras ainda não defendidas tão sonoramente: Tortosendo, Vila do Carvalho, Sarzedo, Verdelhos, Sameiro, Linhares da Beira, Folgosinho, Sobral de S. Miguel, Teixeiras, e tantas outras freguesias da corda da serra deverão também ver abertas (e asfaltadas!) as suas respectivas vias de acesso rodoviário rápido e directo às zonas altas da serra da Estrela. Ou seja, se todos aqueles projectos são inalienáveis e legítimas aspirações das respectivas populações que o estado deve satisfazer, então devemos transformar toda a serra da Estrela num enorme nó rodoviário, com estradas de asfalto em todas as direcções entrecruzando-se a cada poucas centenas de metros.

Claro que não é isso que queremos. Mas, então, que argumentos temos para defender o nosso projectozinho particular? "Vá lá... Por favor... Só mais esta asfaltaçãozinha aqui e depois não façam mais nenhuma...", é isso? E isso é razoável?

Nos princípios gerais, nas abstracções, todos somos amigos da serra, ou seja (porque, ao nível das abstracções, vai dar ao mesmo), nenhum de nós o é. É nos detalhes concretos que se traça a linha, é nos detalhes concretos que cada um se revela. Mas tudo bem: não há nenhuma lei que obrigue todos os cidadãos a serem defensores das paisagens e do ambiente da serra.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Asestrela 2009

A Associação Cultural dos Amigos da Serra da Estrela organiza este ano, nos dias 21 e 22 de Fevereiro, o ASESTRELA 2009 — Encontro com a montanha.

Trata-se de um acampamento invernal no Covão d'Ametade (a 1.500 metros de altitude) que pretende reunir os que sabem e querem apreciar o que a serra da Estrela tem de melhor: o seu ambiente único.

Estão previstas diversas actividades, algumas enquadradas pela organização, outras ao sabor de quem as realizar, como escalada, BTT, caminhadas, desafio fotográfico etc.

O encontro não se destina apenas a montanhistas com créditos firmados, antes pelo contrário: está aberto a todos. Mas deve ter-se em conta que as condições climatéricas nesta altura do ano podem ser pouco menos que inóspitas, pelo que todos os participantes devem vir preparados (e equipados) para o que der e vier. Em particular, a organização não fornece roupa ou sapatos impermeáveis, tendas ou sacos cama.

A participação em algumas actividades mais técnicas enquadradas pela organização pode não ser autorizada àqueles que não dispuserem do equipamento mínimo.

ASESTRELA 2009 — Encontro com a montanha.
O encontro dos amigos da montanha!

Mais informação no site do evento.

sábado, janeiro 10, 2009

São precisas ainda mais estradas? (II)

No fim de ano, fui esquiar a La Covatilla, em Béjar. Fiquei alojado num hotel em El Barco de Ávila, como várias outras famílias de esquiadores, portuguesas e espanholas. O trajecto de El Barco de Ávila para La Covatilla é o que mostro na figura em baixo. Perto de trinta quilómetros, trinta e sete minutos. A longitude e a duração do trajecto estão dentro do que considero razoável em férias de neve. Encontrei coisas semelhantes em Andorra e em Baqueira.

Trajecto de El Barco de Ávila à estância de La Covatilla. Clique na imagem para a ampliar, ou vá ao maps.google para mais detalhes.

Do centro de Unhais da Serra até à Torre, o trajecto normal é o que a figura em baixo mostra. Quarenta quilómetros, quarenta e um minutos. Está dentro do que considero razoável. Por mim, como vulgar turista de neve que também sou, não há necessidade *nenhuma* de "aproximar" a Torre de Unhais.

Trajecto de Unhais da Serra à estância Vodafone. Clique na imagem para a ampliar, ou vá ao maps.google para mais detalhes.

Pode haver outras razões para a estrada Unhais - Nave de Santo António mas, pelo lado do turismo, quanto a mim, é melhor deixar as coisas como estão. A menos que o objectivo seja, mais uma vez, apostar no turismo que temos, o das voltinhas automobilizadas serra acima, a ver a neve. É esse o objectivo?

sexta-feira, janeiro 09, 2009

São precisas ainda mais estradas?

Página 6 do Diário XXI de hoje (clique para tornar legível). Chamo a atenção para a caixa assinalada a azul no canto inferior direito.

O novo hotel termal em Unhais da Serra tem vários aspectos que me agradam e muito: foi construído numa localidade (das verdadeiras, onde mora gente, não incluo aqui as "minicidades" como as Penhas da Saúde); houve cuidados ambientais na construção e continuarão durante a sua exploração (as certificações que anunciam obrigam a tal); houve desde o início a preocupação de manter elevados padrões de qualidade; foi dada formação à população; tem havido desde o início um grande enfâse nas referências ao turismo de natureza (e Unhais da Serra tem uma localização soberba para esse segmento). Por estes aspectos, este empreendimento está a anos-luz daquilo a que nos têm habituado investimentos similares na serra da Estrela (felizmente há mais alguns, mas poucos, bons exemplos) e por isso espero que o empreendimento seja um grande sucesso.

E, no entanto, desde o início há um "pequeno" pormenor que me incomoda. É que tenho a impressão (que já foi várias vezes confirmada por terceiros) que a asfaltação do estradão de terra Unhais - Nave de Santo António pelo Vale da Alforfa está, de algum modo, ligada a este novo hotel. Esta impressão sofreu um novo reforço ao ler a notícia que reproduzo na figura.

Os "melhoramentos" no estradão foram feitos, há já alguns anos (já terão passado dez anos?), de forma completamente desastrada, em pendentes de grande inclinação, sem qualquer cuidado com a estabilização dos taludes, de tal modo que em muitas zonas da área intervencionada encontramos actualmente grandes blocos graníticos (alguns do tamanho de automóveis) na faixa de rodagem, que rolaram encosta abaixo. Assim, apesar de faltarem apenas não mais do que dois quilómetros para completar a asfaltação, aposto que serão necessárias obras profundas em quase todo o trajecto (com cerca de 12km de extensão total).

E tudo isto para quê? Para que mais um vale fabuloso seja facilmente atravessável de automóvel, tornando-o menos fabuloso, logo, menos atractivo para outras práticas que, segundo se afirma, se querem incentivar: passeios pedestres ou a cavalo, interpretação da natureza, admiração da paisagem. E para que também no novo hotel se possa, fácil e comodamente, fazer o tipo de turismo que, supostamente, se pretende ultrapassar: o das voltinhas automobilizadas serra acima, a ver a neve.

"As estradas são poucas"

A ideia de que há poucas estradas na serra da Estrela, e sobretudo a ideia de que são necesárias mais para desenvolver o turismo, continuam muito vivas e estão muito espalhadas na nossa região. [Diga-se de passagem, esta constatação foi das coisas que mais me espantou quando comecei a discutir mais aprofundadamente (ou assim o tentei, pelo menos) os problemas da serra da Estrela, no blog do programa PETUR.]

Há dias questionei em que sentido se podia afirmar que as estradas na serra da Estrela são poucas, pegando nas palavras de um editorial do Diário XXI. Disse que não achava que fossem poucas, antes pelo contrário, e que me parecia que na maioria das montanhas da Europa as estradas ficam principalmente pelos vales, fazendo da Estrela um caso especial. Penso que poucos discordam de que a estrada pelo cume é, de facto, uma originalidade particularíssima da nossa serra.

Hoje vou colocar uma hipótese adicional que ainda não verifiquei cuidadosamente: a de que há mais estradas de atravessamento na Estrela do que na maioria das montanhas europeias de dimensão comparável ou superior. Aviso desde já que duvido que me lance numa pesquisa muito exaustiva deste assunto. Fica só a hipótese, cada um que a considere como entender e que me faça chegar, por favor, as conclusões que tirar.

Um exemplo que apoia a minha hipótese? A Sierra de Béjar, para não ir mais longe. Comparem-se as duas imagens que ilustram este post. Clique nas imagens para abrir as páginas do maps.google das respectivas áreas, nas quais poderá fazer zoom para aumentar o detalhe como entender. É preciso dizer mais alguma coisa?

A Sierra de Bejár corresponde mais ou menos à área definida pelo triângulo Plasencia - Bejár - El Barco de Ávila. Clique no mapa para abrir o google.maps na área. (Atenção que a linha a tracejado é uma fronteira administrativa, não uma estrada.)

Serra da Estrela. Clique no mapa para abrir o google.maps na área.

terça-feira, janeiro 06, 2009

O CISE em reportagem

A DAO TV realizou uma interessante reportagem em vídeo sobre o Centro de Interpretação da Serra da Estrela — CISE-Seia, disponível aqui.

(Informação via Oceano das palavras.)

segunda-feira, janeiro 05, 2009

E que tal parar para pensar? (II)

O Público traz hoje, na pág. 31, uma notícia com o título "Excedente de casas mantém-se até 2050" (a ligação pode não ser permanente). Este excedente de habitações tem reflexo na forma como as nossas cidades cresceram e se tornaram feias, com centros históricos desertificados e periferias atulhadas de prédios e recortadas por vias rápidas e viadutos.

Não é reforçar esta triste situação a construção de mais quinhentas habitações nas Penhas da Saúde, como pretende um plano da Câmara Municipal da Covilhã para transformar o aldeamento numa uma área "com que Portugal possa concorrer em termos de turismo de montanha com outras da Europa, nas cidades dos maciços mais conhecidos, como os Alpes ou os Pirinéus"?

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Município de onde?

Encontrei hoje na minha caixa de correio um desdobrável da Câmara Municipal da Covilhã com a lista das actividades e espectáculos previstos para o mês de Janeiro. A capa do dito desdobrável é ilustrada com a figura que apresento acima.
Ao certo, ao certo, em que ponto do Concelho da Covilhã, da serra da Estrela ou de Portugal é que esta fotografia terá sido tirada?

Pois. Quando se quer vender algo que não é bem, bem o que se tem no armazém, um pouco de publicidade enganosa pode ser que ajude... Que é outra maneira de dizer que tudo vale para quem quer vender gato por lebre.

Veja também este post, e mais este.

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Como?!

Imagem roubada no Blog Cortes do Meio

Decobri no Blog Cortes do Meio a notícia da figura (clique para ampliar) publicada não sei em que jornal, nem em que data (suponho que não seja muito recente). Pelos vistos, os elementos da Assembleia de Freguesia das Cortes do Meio entendem unanimemente que o que é preciso para terem mais desenvolvimento e mais turismo (turismo em espaço rural, ainda por cima!) é uma estrada de alcatrão para as Penhas da Saúde!

Não é uma atitude muito original, na nossa região. É por causa da filosofia onde se insere essa atitude que temos o turismo que temos, que temos o desenvolvimento que temos.

Estamos no rumo certo, estamos de parabéns?

terça-feira, dezembro 30, 2008

Ora bem!

Alguém me contou que, num destes dias de festa, tentou chegar ao alto da serra de carro mas foi forçado pela GNR a aguardar nos Piornos durante algum tempo, por haver demasiadas viaturas na zona da Torre.

Não havendo lugares para estacionar ou parar o carro, sendo o trânsito intenso e difícil, entendo que o melhor é mesmo não permitir que mais viaturas vão agravar este estado de coisas. E entendo que para o fazer, não são necessários grandes parques de estacionamento nos Piornos e na Lagoa Comprida, nem teleféricos, nem nada a não ser autoridades com vontade e capacidade de actuar.

A ser verdade o que me disseram (e espero que sim porque me parece uma medida do mais elementar bom-senso), provou-se que tenho razão.

Quase me parece ouvir o argumento "E as pessoas, que vieram de tão longe e não conseguem chegar à Torre, não vão ficar decepcionadas?", ao que eu respondo com uma pergunta: é melhor ser autorizado a passar, subir lentamente em pára-arranca até à Torre, não ter espaço para estacionar ou sequer para parar o carro, e gastar nesta tristeza toda a tarde? Eu acho que não.

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!