terça-feira, junho 16, 2009

Pelos Trilhos da Fé

Pelo Blog dos Manteigas soube de um passeio pedestre organizado pela Câmara Municipal de Manteigas com passagem por três capelas "ermas" do concelho: a capela de Nossa Senhora da Estrela, a capela de Nossa Senhora do Carmo e a capela de S. Lourenço.

Esta última é aquela de que falei há dias, rodeada por carvalhos-negrais com cerca de quatrocentos anos. As outras, não as conheço pelo nome.

As pessoas que participarem nesta caminhada (espero que seja um sucesso!) chegarão a sítios especiais, com o estado de espírito "afinado" para os admirarem plenamente. Sentindo a terra nos pés, o vento na cara e o coração no peito. Verão e sentirão o que não se vê nem se sente quando se chega ao local rápida e confortavelmente sentados no carro, que é pouco mais do que o que se pode ver e sentir assistindo a um programa de televisão, confortavelmente sentados no sofá da sala.

Parabéns à Câmara Municipal de Manteigas por esta iniciativa!

Clique aqui para ficar a saber mais pormenores e descarregar o formulário para inscrição.
PS: Se tenho alguma fé, ela não é da classe das que erguem igrejas ou capelas. Mas é, sem dúvida alguma, das que se alimentam e aprofundam com passeios como este.

segunda-feira, junho 15, 2009

No rumo certo!

A gente já nem repara nestas coisas. Li na altura o suplemento Fugas do Público de Sábado 6 de Junho (já não é o da semana passada, portanto) mas só agora me dei conta. Num artigo com 12 sugestões para piqueniques, são referidas a Portela de Leonte (serra do Gerês), França (serra de Montesinho), o Buçaco, as Fisgas do Ermelo (serra do Alvão) as Portas de Ródão e a albufeira do Alqueva. Seleccionei as sugestões não urbanas situadas no continente e a mais de 100 km de Lisboa.
A Estrela, mais uma vez, não consta.

Tal como para o pedestrianismo, o que me incomoda aqui não é a falha evidente deste roteiro (a Estrela devia aqui aparecer, obviamente). O que me incomoda é o que estas falhas evidenciam. Vejamos, por muito incompetentes que considere os jornalistas do Público, acredita que eles fossem capazes de escrever um destes artigozecos sobre praias que esquecesse o Algarve? Não. Isso é impossível, porque a ideia do Algarve como destino de sol e mar está bem enraizada no imaginário nacional. O que estes esquecimentos revelam é que, justificadamente ou não, a Estrela não existe, nesse imaginário, como local para a prática de pedestrianismo; como local de paisagens grandiosas; como local com um ambiente natural riquíssimo a descobrir; como local aprazível em geral.

Que isso é grave para o desenvolvimento do turismo, todos reconhecerão, imagino. Que isso não se resolve, antes se agrava, com mais estradas de asfalto, com requalificações dos edifícios da Torre e com a instalação aí de hotéis, restaurantes e observatórios panorâmicos, com milhões do QREN para a construção de uma telecabine para a Torre, com mini-cidades de montanha, com casinos e mais coisas que tais, parece-me uma evidência que se mete pelos olhos a dentro.

Pensar como uma montanha

"Pensar como uma montanha", de Aldo Leopold, é um livro de que gostei muito. Escrito por um dos pioneiros do pensamento ecologista no final dos anos quarenta do século passado, só recentemente foi traduzido para português. Encontrei neste livro, mais do que outra coisa, um enorme gosto pela natureza, pelos seus detalhes, pelo seu funcionamento, que o autor tenta transmitir a quem o lê. No meu caso particular, foi muito bem sucedido.

Li o livrinho com enorme prazer, rindo-me para dentro (e às vezes para fora) em diversas passagens. Algumas impressionaram-me tanto que talvez as vá referindo aqui durante algum tempo(1). Logo se vê. Tinha seleccionado mentalmente uma passagem sobre o medo aos espaços selvagens (e que pobre que é a experiência desses espaços se dela eliminarmos o medo), mas enquanto a procurava os meus olhos chocaram com outra, que me parece hoje mais apropriada:

É como se, em resumo, os estádios rudimentares do lazer ao ar livre consumissem a sua base de recursos; os estádios mais elevados, pelo menos até certo ponto, criam as suas próprias satisfações sem desgaste ou com desgaste mínimo da terra ou da vida selvagem. É a expansão do transporte sem o correspondente crescimento da percepção que nos ameaçam com a bancarrota qualitativa do processo recreativo. O desenvolvimento do lazer não está em construir estradas para chegar a regiões que são já dignas de amor, mas em construir receptividade na mente humana ainda desprovida de amor.
(p. 168)

O que me parece que isto quer dizer, autarcas e demais responsáveis da nossa região, é que o desenvolvimento do turismo não vem com mais estradas pela serra, vem sim com mais conhecimento da serra e dos seus valores ambientais, paisagísticos, sociais, culturais, históricos, etc. Que mais gente a conheça, que mais gente a saiba mostrar, que mais gente a queira ver. Tudo ao contrário do que, nas últimas dezenas de anos e ainda hoje em dia, têm defendido, proposto, exigido ao governo e implementado.

(1) Não prometo nada. Este post era para ter sido a minha sugestão para o Dia Mundial do Livro que, se não estou enganado, foi no final de Março... Tem estado pendurado desde então.

domingo, junho 14, 2009

Petição pelo fim da caça na rede Natura 2000

A Fundação Trepadeira Azul iniciou uma petição pela proibição da caça nas áreas que integram a rede Natura 2000. Já a assinei.

A minha posição sobre a caça nas áreas protegidas é a de que ela pode ser pontual e excepcionalmente permitida, em alturas e locais a serem definidos pelos serviços responsáveis por essa área, com o único objectivo corrigir desequilíbrios ecológicos detectados e considerados graves. Estou a pensar em batidas ao javali a fim de controlar a sua população, na ausência de predadores de topo (lobos) que o consigam fazer. Aquilo que esta petição propõe não é exactamente o que eu defendo, mas a discussão que se pode gerar se ela der frutos poderá ser interessante e esclarecedora.

A Fundação, com sede em Aldeia Viçosa (Guarda), mantém um programa de actividades bem interessante e um blogue que recomendo.

sábado, junho 13, 2009

O mais fácil

(Fotografia de Pedro Ferrão Patrício.)

A fotografia em cima mostra o vale da Ribeira das Cortes, onde a Junta de Freguesia das Cortes do Meio pretende asfaltar uma estrada de ligação às Penhas da Saúde. Segundo o presidente da dita junta, este projecto será o "motor de arranque para o desenvolvimento económico, turístico e local da freguesia".

Esta colina e os caminhos de terra que nela existem são utilizados actualmente por muitas pessoas (principalmente da Covilhã, parece-me) para passeios a pé e de bicicleta. Se se quisesse realmente desenvolver o turismo na freguesia das Cortes do Meio, esta utilização deveria ser incrementada e potenciada, definindo e sinalizando percursos, oferecendo serviços de guia, animação e interpretação ambiental, transporte, restauração, alojamento (estes últimos, instalados nas povoações, é claro). Mas é mais fácil exigir e "desbloquear" verbas públicas para um asfaltamento (mais um!). Não é barato nem dá milhões, mas é muito mais fácil.

Tem também o inconveniente de tornar o vale menos atractivo para passeios a pé e de bicicleta, logo, dificulta o aproveitamento turístico do vale. Mas é o mais fácil.

E assim vamos, vale a vale, estrada a estrada, no rumo certo, no rumo de sempre, no rumo mais fácil. Continuamos de parabéns.

Na encosta em segundo plano, vê-se uma cicatriz em diagonal que foi aberta há alguns anos pela Junta de Freguesia das Cortes do Meio. Mantive uma longa discussão sobre esta obra no blogue do programa petur. Como notei e documentei aqui no Cântaro Zangado, a esta absurda obra (um novo caminho com quatro a cinco metros de largo, atapetado com brita e comprimido com passagem de cilindro) deram em tempos o absurdo nome de "trilho pedonal". Pelos vistos, a intenção agora é asfaltar aquilo. Já na altura essa intenção era evidente, mesmo que não tivesse sido declarada.

sexta-feira, junho 12, 2009

Um pacto de "cavalheiros"?

Xutos e Pontapés — Sem eira nem beira

Anda tudo do avesso/nesta rua que atravesso/dão milhões a quem os tem/aos outros um passou-bem — Não consigo perceber/quem é que nos quer tramar/enganar/despedir/e ainda se ficam a rir — Eu quero acreditar/ que esta m*** vai mudar/e espero vir a ter/uma vida melhor

Mas se eu nada fizer/isto nunca vai mudar/conseguir/encontrar/mais força para lutar…

Senhor engenheiro/dê-me um pouco de atenção/há dez anos que estou preso/há trinta que sou ladrão/não tenho eira nem beira/mas ainda consigo ver/quem anda na roubalheira/e quem me anda a comer

É difícil ser honesto/é difícil de engolir/quem não tem nada vai preso/quem tem muito fica a rir – Ainda espero ver alguém/assumir que já andou/a roubar/a enganar/o povo que acreditou — Conseguir encontrar mais força para lutar/mais força para lutar/conseguir encontrar mais força para lutar…

– Senhor engenheiro/dê-me um pouco de atenção/há dez anos que estou preso/há trinta que sou ladrão/não tenho eira nem beira/mas ainda consigo ver quem anda na roubalheira/e quem me anda a f****

– Há dez anos que estou preso/há trinta que sou ladrão/mas eu sou um homem honesto/só errei na profissão

(Copiado do blog Aventares)

Nunca gostei dos Xutos e Pontapés. Na minha opinião, as suas canções são maçadoramente previsíveis, todas iguais e de um primarismo que, quando estou bem disposto, me deixa indiferente mas que, em geral, me incomoda. Do ponto de vista político ou social, não me parecem especialmente profundos ou consistentes. Não me servem, pois, de guia ou de exemplo; não vou aos seus espectáculos nem compro os seus discos. Mas, como todos nós, oiço todos os dias canções dos Xutos no rádio (com alguma irritação, confesso).

Estranhamente, o último sucesso deste grupo, a canção cuja letra "colei" aqui em cima (e que, diga-se de passagem, não me agrada mais do que as outras canções dos Xutos), não se ouve em lado nenhum. Nem rádios, nem TVs, nada. E isto parece-me um sinal de algo muito, muito errado.

quinta-feira, junho 11, 2009

Cia

Cia (Emberiza cia) fotografada ontem de manhã na encosta sobre a Covilhã

quarta-feira, junho 10, 2009

Fugas a pé, mas não na Estrela

Só hoje me chegou às mãos um suplemento especial da edição do Público de 23 de Maio (que mencionei aqui) sobre pedestrianismo, com o título Fugas a Pé. O livrinho dá conselhos, sugestões, tenta explicar a maravilha que é andar a pé por um espaço natural bem conservado (e mais não digo, porque ainda não tive tempo para mais do que uma vista de olhos apressada). O último capítulo, "Portugal a pé", apresenta uma lista resumida das zonas consideradas pelo autor mais indicadas para a prática do pedestrianismo. São referidos locais de Norte a Sul do país, aparecem os arquipélagos, as serras mais variadas, mas a Estrela não.

Pouco importa que tenha sido uma falha do autor. O que importa mesmo é que, sendo a serra o que é, seja possível a uma obra sobre pedestrianismo, escrita por um praticante da modalidade, omitir a serra da Estrela. Este facto, só por si, revela o enorme fracasso das linhas com que temos orientado o desenvolvimento do turismo na serra da Estrela.

Os responsáveis por este estado de coisas são a antiga Região de Turismo da Serra da Estrela, agora Turismo da Serra da Estrela; o modelo de exploração em concessão exclusiva; a própria concessionária exclusiva, Turistrela; os autarcas da região, aos diferentes níveis. Deixo para o fim os principais responsáveis por este fracasso: nós todos, populações.

Como se vê, não estamos no rumo certo, não estamos de parabéns. E as novas estradas que se anunciam (Unhais da Serra - Nave de Santo António, Cortes do Meio - Penhas da Saúde) reforçam ainda mais o rumo que temos seguido, mais nos afastam do rumo certo. Não importa, o estado paga, o povo festeja! Avante, a todo o vapor!

"O estado paga e o povo pasma"

A propósito da nova estrada Cortes do Meio - Penhas da Saúde, lembrei-me de um post que aqui deixei em Março:

Dizia Vasco Pulido Valente no Público de ontem:

"... Claro que uma auto-estrada pouco ou nada contribui para o desenvolvimento e a produtividade ou diminui a dívida (externa ou interna) ou torna a sociedade portuguesa sustentável. Só ajuda a fingir que Portugal progride e isso basta."

E digo eu:

Claro que uma estrada de asfalto serra acima pouco ou nada contribui para o desenvolvimento do turismo na Estrela, não evita o envelhecimento nem o abandono populacional da região, não a torna mais atractiva ou dinâmica. Só ajuda a fingir que a freguesia ou o concelho progridem e isso basta.

Creio que a realidade apoia muito claramente estas opiniões.

terça-feira, junho 09, 2009

Lixo no Covão d'Ametade (bis)

Há dias fiz aqui um comentário a mais uma situação de lixo espalhado no Covão d'Ametade. É justo agora dar também a informação que esse lixo foi todo removido e que o local que fotografei se encontra agora imaculadamente limpo, de acordo com o que me disse o meu comparsa TPais, que passou lá o fim de semana. É ainda mais justo voltar a este assunto porque o Diário XXI refere hoje, na secção "Na Internet", a denúncia que fizemos da situação.

Já agora, aproveito para mais alguns apontamentos. Vivemos neste planeta (e neste país), somos como somos. Não adianta nada sonhar com amanhãs gloriosos em que, fruto de campanhas de sensibilização, todos os visitantes da serra (e do Covão d'Ametade em particular) terão o cuidado de deixar os locais que visitam tão ou mais limpos do que os encontraram. Nem realisticamente podemos imaginar que conseguimos pagar vigilantes em número suficiente para reprimir, de forma significativa, os poluidores, até porque as verbas necessárias para tal seriam muito melhor gastas num sem número de outras necessidades.
Estas situações vão, pois, continuar a ocorrer. Com mais ou menos frequência, mas continuaremos no futuro, de vez em quando, a encontrar os nossos locais favoritos em estado lamentavelmente sujo. É então necessário definir um esquema de limpeza dos locais que aproveite o melhor possível os escassos meios (técnicos, humanos, financeiros) de que dispomos. E um esquema que obrigue ao esvaziamento diário de caixotes do lixo espalhados pelo recinto do Covão d'Ametade (ou pelo planalto da Torre) é, claramente, um que não conseguiremos manter ou, a conseguir mantê-lo, é um que constitui um desperdício muito discutível de recursos.
Não acredito que o problema do lixo na serra se resolva apenas com chamadas de atenção aos visitantes, mas não afirmo que essas chamadas de atenção sejam inúteis. Assim, e voltando ao Covão d'Ametade, sugiro que se aproveite um dos placards informativos que estão instalados na entrada (dois deles não apresentam ainda nenhuma informação) para apelar de forma enfática e bem visível ao civismo dos visitantes, pedindo-lhes explicitamente que tragam os seus lixos para os contentores colocados no parque de estacionamento.

segunda-feira, junho 08, 2009

Que turismo é esse?

A Junta de Freguesia das Cortes do Meio (Covilhã) aprovou (e lançou a concurso, parece-me) a obra de alcatroamento de um caminho de terra para as Penhas da Saúde, como se pode ler neste post do blog Cortes do Meio (ou num artigo que referi aqui). Segundo diz o presidente da Junta de Freguesia das Cortes do Meio, Paulo Rodrigues, este projecto será o "motor de arranque para o desenvolvimento económico, turístico e local da freguesia.

É interessante a insistência no desenvolvimento do turismo. Ao certo de que forma é que uma estrada que canalizará os eventuais visitantes das Cortes do Meio para a Torre contribui para o desenvolvimento do turismo nas Cortes do Meio? É que vai sendo altura de vermos esta fé no alcatrão explicada. Se as estradas de asfalto não desenvolveram o turismo na Sra do Desterro, nem em Loriga (onde tudo continua tão morto como antes do alcatroamento de caminhos para zonas altas com acesso à Torre), nem, a bem dizer, em Manteigas, Seia, Covilhã, ou Sabugueiro (insisto que não é turismo desenvolvido as enchentes e congestionamentos de tráfego que algumas - poucas - destas localidades sentem em sete ou oito fins de semanas por ano), porque raio é que o hão-de fazer nas Cortes do Meio?

A própria junta de freguesia que quer asfaltar mais um vale da serra em nome do turismo mantém uma lixeira a céu aberto à vista de todos, na vizinhança das Cortes do Meio. E o turismo, para aqui já não é chamado? Talvez não, se considerarmos turistas apenas aqueles que passam no seu carro a caminho da neve de manhã e a caminho de suas casas à tarde, naqueles sete ou oito fins de semana por ano. É essa a tese da Junta de Freguesia das Cortes? Não sei, mas sei que turismo de montanha, nas outras montanhas da Europa, é outra coisa.

Quando era miúdo, era tradição passar o mês de Julho nas Penhas da Saúde. Das coisas que mais me agradavam nessas férias eram as manhãs passadas na piscina, perto do sítio onde actualmente se encontra o café Estrela. Pelo que ouvi dizer, a gestão da dita piscina está atribuída à Junta de Freguesia das Cortes do Meio, essa mesma que quer asfaltar mais um vale da serra em nome do turismo. Estranhamente, e apesar dessa preocupação com o turismo, a junta de freguesia tem mantido a piscina encerrada nos últimos anos (nos últimos cinco ou seis anos, parece-me). Juro que seria muito mais fácil prolongar a semana que continuo a passar nas Penhas da Saúde em Agosto, se os meus filhos se pudessem divertir na piscina das Penhas como eu me diverti. Assim, e por muito que faça (e faço) para os entreter, é difícil. Por isso, acho que muito mais se desenvolveria o turismo na freguesia das Cortes do Meio abrindo a piscina das Penhas do que abrindo a estrada.
Pois pois, já sei, eu não sou dos que apenas querem passar de carrinho a caminho da neve. Ou seja, eu não sou turista. Não para a actual Junta de Freguesia das Cortes do Meio, pelo menos.

domingo, junho 07, 2009

Discreta, mas só quando me apetece.

Now you see me...           Now you don't.
A esta borboleta basta encostar as asas, levantando-as como uma vela, para se tornar praticamente invisível.

sábado, junho 06, 2009

A mini-cidade (bis)

Há dois anos, deixei aqui um post sobre o perímetro urbano das Penhas da Saúde, tal como ficou definido no Decreto Regulamentar n.° 5/96 de 19 de Julho, que aqui apresento em baixo.

Perímetro urbano das Penhas da Saúde tal como está definido no Decreto Regulamentar n.° 5/96 de 19 de Julho (imagem copiada do próprio diploma legal).

Na altura, georeferenciei a planta anexa ao decreto e desenhei o perímetro urbano sobre uma fotografia de satélite do google-earth, para mais facilmente se comparar a definição legal dos limites do aldeamento com a área efectivamente construída:

O perímetro urbano das Penhas da Saúde, agora desenhado numa foto Google-Earth. A largura da imagem corresponde aproximadamente a 2,5 km.

Tendo em conta (a) o que a história das últimas dezenas de anos nos mostra sobre a nossa nacional (in)capacidade para urbanizar harmoniosamente; (b) o interesse público (por todos declarado, pelo menos) na protecção do ambiente e da paisagem da serra da Estrela, que não são, convenhamos, um ambiente e uma paisagem urbanos; (c) a consequente necessidade de conter na medida do possível a área urbanizada das Penhas da Saúde, proponho que das duas, uma: ou se redefine o perímetro urbano deste aldeamento de forma a coincidir aproximadamente com os limites actuais da área construída, ou se impõe em PDM e/ou planos de pormenor a proibição de construção fora dessas áreas. Ou então andamos a brincar aos amigos da natureza, da paisagem e da serra da Estrela.

Desde que, há dois anos, publiquei o post a que hoje me refiro, emergiu com a intensidade conhecida a malfadada crise internacional com nos debatemos. Não sou economista, mas diria que *todas* as teorias que tentam explicar a génese desta crise incluem, com maior ou menor destaque, o ciclo viciado da realimentação crédito fácil <-> construção excessiva. O crédito fácil parece ter acabado. É altura de reequacionar o resto. Independentemente de razões ambientais, parece sensato limitar a construção às necessidades, que já há muito foram ultrapassadas. Mas incluindo na equação razões ambientais (que às quais deve ser dada especial relevância numa área oficialmente protegida), torna-se claro que urbanizar as Penhas da Saúde em toda a área definida pelo seu perímetro urbano, tal como ele está actualmente definido por lei, é um crime. E um crime muito estúpido.

sexta-feira, junho 05, 2009

Águia-calçada

Águia-calçada (Hieraaetus pennatus) fotografada hoje de manhã, mesmo à porta de casa. (É ou não é uma vizinhança selecta?)

quinta-feira, junho 04, 2009

Para desamargurar...

... Do post de há pouco:
Cântaro Magro visto do Covão d'Ametade, fotografado ontem dia 3, às 8:30 da manhã

Lixo no Covão d'Ametade

Fotografia tirada ontem (Quarta-Feira dia 3 de Junho), às 8:30 da manhã.

Há melhoramentos que fazem mais mal que bem.

Alguém (quem? Mistério...) decidiu que seria boa ideia equipar o Covão d'Ametade com caixotes do lixo abertos, como o que que se vê na imagem. Seria boa ideia, se os ditos caixotes fossem recolhidos *todas* as noites. Mas não são. Este lixo foi aqui deixado no Domingo ou antes disso (o TPais chamou-me a atenção para esta situação no Domingo à noite). Ainda cá continua. É que quem "trata" do lixo no Covão d'Ametade aparentemente não são os serviços municipalizados da Câmara de Manteigas, nem os da Junta de Freguesia de S. Pedro, nem os dos Baldios da mesma freguesia, nem os do Parque Natural da Serra da Estrela, são as raposas e os javalis que cirandam por ali. Com o resultado que fica à vista.

Então era melhor não haver caixotes do lixo no Covão d'Ametade? Sim. Porque à entrada, junto da estrada, num local particularmente prático e acessível aos camiões de recolha de lixo, há quatro (4) contentores dos grandes, e que a bicharada não consegue abrir. Nem todos os visitantes do Covão d'Ametade teriam a pachorra para trazer o seu lixo até à estrada, é verdade. Mas muitos, talvez quase todos, fariam-no. Assim como estamos, com aqueles caixotes tão à mão, lá mesmo ao pé do sítio onde se come, só mesmo os poucos que conhecem bem o sítio e a fauna que por ali ronda à noite é que sabem que usar esses caixotes tão práticos é o mesmo que deixar o lixo espalhado pelo relvão.

Assim, e como frequentemente se tem visto nos últimos meses, no Covão d'Ametade não há caixotes de lixo a menos, há sim caixotes de lixo a mais.

terça-feira, junho 02, 2009

Workshop de fotografia de natureza

O blog Centro de Interpretação da Torre dá informação de um workshop sobre fotografia de natureza organizado pela Turistrela nos dias 13 e 14 de Junho, orientado pelo fotógrafo Luís Ferreira, e que promete vir a ser bem interessante.

Mais uma vez, espero que o evento seja um grande sucesso, que deixe nos participantes e nos organizadores a vontade de o repetir. Se conseguir fazer umas alterações nos planos para esse fim de semana (e se o fizer a tempo de ainda apanhar alguma vaga) conto participar também.

Esta sim, começa a ser (finalmente!) uma Turistrela minimamente à altura do que se espera dela!

É a roncar que se promove a nossa serra?

Pergunta, incrédulo, o Américo Rodrigues do blog Café Mondego sobre a avaliação da Rampa Serra da Estrela como o grande evento de promoção da serra da Estrela.

Eu partilho da sua incredulidade.

Mas deixem-me desenvolver para não criar mal-entendidos.
Não me agrada a rampa. Não me agrada ouvir, em minha casa (na quinta do Covelo, muito longe da encosta onde se realiza a corrida, portanto), os uivos angustiantes dos motores em alta rotação. O fim de semana da rampa é sempre um em que eu evito aquela encosta. Incomoda-me o lixo que por lá fica espalhado. Serão esquisitices minhas? Decerto que sim. Mas são também as esquisitices da maior parte das pessoas que se sentem atraídas por montanhas pelas paisagens, pelo ambiente, pela fuga ao stress, pelas caminhadas. São, aposto, as esquisitices da maioria dos turistas de montanha. E é por isso, e só por isso, que a rampa não pode ser considerada *o* grande evento de promoção da serra da Estrela.
Atenção, não pretendo com isto concluir que não se deve continuar a realizar a rampa (embora ache que devem ser implementados melhores cuidados de limpeza no final), nem sequer digo que a rampa não traz nenhuns benefícios em termos da promoção da região. Apenas afirmo que a rampa não tem relação directa *nenhuma* com o que de mais atractivo a nossa serra tem. Dá-se apenas a circunstância, quase acidental, de se realizar numa encosta da serra. Nisso, é tal e qual como a passagem da Volta a Portugal em Bicicleta (outro evento que costuma ser apresentado como grande promotor do turismo na serra).
No fundo, a minha incredulidade (e suponho que a do Américo Rodrigues) resulta de se considerar como grande evento promotor do turismo na serra da Estrela um que afasta os tradicionais turistas dos espaços naturais de montanha. Não lhe parece isto estranho a si também, caro leitor?

segunda-feira, junho 01, 2009

"Vamos acordar o gigante adormecido"

Quando algum figurão importante usa a expressão que dá título a este post referindo-se à serra da Estrela, saiba que quase de certeza ele está, de facto, a pensar em matar a galinha dos ovos de ouro. A pontapés.

Da próxima vez...

... Que algum figurão importante (autarca, responsável turístico, empreiteiro, etc) invocar as "legítimas aspirações das populações das freguesias rurais" para justificar mais uma asneira das do costume na serra da Estrela, leia ou releia o ponto 4º deste post no blog Cortes do Meio. Está lá tudo dito.

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!