terça-feira, junho 09, 2009

Lixo no Covão d'Ametade (bis)

Há dias fiz aqui um comentário a mais uma situação de lixo espalhado no Covão d'Ametade. É justo agora dar também a informação que esse lixo foi todo removido e que o local que fotografei se encontra agora imaculadamente limpo, de acordo com o que me disse o meu comparsa TPais, que passou lá o fim de semana. É ainda mais justo voltar a este assunto porque o Diário XXI refere hoje, na secção "Na Internet", a denúncia que fizemos da situação.

Já agora, aproveito para mais alguns apontamentos. Vivemos neste planeta (e neste país), somos como somos. Não adianta nada sonhar com amanhãs gloriosos em que, fruto de campanhas de sensibilização, todos os visitantes da serra (e do Covão d'Ametade em particular) terão o cuidado de deixar os locais que visitam tão ou mais limpos do que os encontraram. Nem realisticamente podemos imaginar que conseguimos pagar vigilantes em número suficiente para reprimir, de forma significativa, os poluidores, até porque as verbas necessárias para tal seriam muito melhor gastas num sem número de outras necessidades.
Estas situações vão, pois, continuar a ocorrer. Com mais ou menos frequência, mas continuaremos no futuro, de vez em quando, a encontrar os nossos locais favoritos em estado lamentavelmente sujo. É então necessário definir um esquema de limpeza dos locais que aproveite o melhor possível os escassos meios (técnicos, humanos, financeiros) de que dispomos. E um esquema que obrigue ao esvaziamento diário de caixotes do lixo espalhados pelo recinto do Covão d'Ametade (ou pelo planalto da Torre) é, claramente, um que não conseguiremos manter ou, a conseguir mantê-lo, é um que constitui um desperdício muito discutível de recursos.
Não acredito que o problema do lixo na serra se resolva apenas com chamadas de atenção aos visitantes, mas não afirmo que essas chamadas de atenção sejam inúteis. Assim, e voltando ao Covão d'Ametade, sugiro que se aproveite um dos placards informativos que estão instalados na entrada (dois deles não apresentam ainda nenhuma informação) para apelar de forma enfática e bem visível ao civismo dos visitantes, pedindo-lhes explicitamente que tragam os seus lixos para os contentores colocados no parque de estacionamento.

segunda-feira, junho 08, 2009

Que turismo é esse?

A Junta de Freguesia das Cortes do Meio (Covilhã) aprovou (e lançou a concurso, parece-me) a obra de alcatroamento de um caminho de terra para as Penhas da Saúde, como se pode ler neste post do blog Cortes do Meio (ou num artigo que referi aqui). Segundo diz o presidente da Junta de Freguesia das Cortes do Meio, Paulo Rodrigues, este projecto será o "motor de arranque para o desenvolvimento económico, turístico e local da freguesia.

É interessante a insistência no desenvolvimento do turismo. Ao certo de que forma é que uma estrada que canalizará os eventuais visitantes das Cortes do Meio para a Torre contribui para o desenvolvimento do turismo nas Cortes do Meio? É que vai sendo altura de vermos esta fé no alcatrão explicada. Se as estradas de asfalto não desenvolveram o turismo na Sra do Desterro, nem em Loriga (onde tudo continua tão morto como antes do alcatroamento de caminhos para zonas altas com acesso à Torre), nem, a bem dizer, em Manteigas, Seia, Covilhã, ou Sabugueiro (insisto que não é turismo desenvolvido as enchentes e congestionamentos de tráfego que algumas - poucas - destas localidades sentem em sete ou oito fins de semanas por ano), porque raio é que o hão-de fazer nas Cortes do Meio?

A própria junta de freguesia que quer asfaltar mais um vale da serra em nome do turismo mantém uma lixeira a céu aberto à vista de todos, na vizinhança das Cortes do Meio. E o turismo, para aqui já não é chamado? Talvez não, se considerarmos turistas apenas aqueles que passam no seu carro a caminho da neve de manhã e a caminho de suas casas à tarde, naqueles sete ou oito fins de semana por ano. É essa a tese da Junta de Freguesia das Cortes? Não sei, mas sei que turismo de montanha, nas outras montanhas da Europa, é outra coisa.

Quando era miúdo, era tradição passar o mês de Julho nas Penhas da Saúde. Das coisas que mais me agradavam nessas férias eram as manhãs passadas na piscina, perto do sítio onde actualmente se encontra o café Estrela. Pelo que ouvi dizer, a gestão da dita piscina está atribuída à Junta de Freguesia das Cortes do Meio, essa mesma que quer asfaltar mais um vale da serra em nome do turismo. Estranhamente, e apesar dessa preocupação com o turismo, a junta de freguesia tem mantido a piscina encerrada nos últimos anos (nos últimos cinco ou seis anos, parece-me). Juro que seria muito mais fácil prolongar a semana que continuo a passar nas Penhas da Saúde em Agosto, se os meus filhos se pudessem divertir na piscina das Penhas como eu me diverti. Assim, e por muito que faça (e faço) para os entreter, é difícil. Por isso, acho que muito mais se desenvolveria o turismo na freguesia das Cortes do Meio abrindo a piscina das Penhas do que abrindo a estrada.
Pois pois, já sei, eu não sou dos que apenas querem passar de carrinho a caminho da neve. Ou seja, eu não sou turista. Não para a actual Junta de Freguesia das Cortes do Meio, pelo menos.

domingo, junho 07, 2009

Discreta, mas só quando me apetece.

Now you see me...           Now you don't.
A esta borboleta basta encostar as asas, levantando-as como uma vela, para se tornar praticamente invisível.

sábado, junho 06, 2009

A mini-cidade (bis)

Há dois anos, deixei aqui um post sobre o perímetro urbano das Penhas da Saúde, tal como ficou definido no Decreto Regulamentar n.° 5/96 de 19 de Julho, que aqui apresento em baixo.

Perímetro urbano das Penhas da Saúde tal como está definido no Decreto Regulamentar n.° 5/96 de 19 de Julho (imagem copiada do próprio diploma legal).

Na altura, georeferenciei a planta anexa ao decreto e desenhei o perímetro urbano sobre uma fotografia de satélite do google-earth, para mais facilmente se comparar a definição legal dos limites do aldeamento com a área efectivamente construída:

O perímetro urbano das Penhas da Saúde, agora desenhado numa foto Google-Earth. A largura da imagem corresponde aproximadamente a 2,5 km.

Tendo em conta (a) o que a história das últimas dezenas de anos nos mostra sobre a nossa nacional (in)capacidade para urbanizar harmoniosamente; (b) o interesse público (por todos declarado, pelo menos) na protecção do ambiente e da paisagem da serra da Estrela, que não são, convenhamos, um ambiente e uma paisagem urbanos; (c) a consequente necessidade de conter na medida do possível a área urbanizada das Penhas da Saúde, proponho que das duas, uma: ou se redefine o perímetro urbano deste aldeamento de forma a coincidir aproximadamente com os limites actuais da área construída, ou se impõe em PDM e/ou planos de pormenor a proibição de construção fora dessas áreas. Ou então andamos a brincar aos amigos da natureza, da paisagem e da serra da Estrela.

Desde que, há dois anos, publiquei o post a que hoje me refiro, emergiu com a intensidade conhecida a malfadada crise internacional com nos debatemos. Não sou economista, mas diria que *todas* as teorias que tentam explicar a génese desta crise incluem, com maior ou menor destaque, o ciclo viciado da realimentação crédito fácil <-> construção excessiva. O crédito fácil parece ter acabado. É altura de reequacionar o resto. Independentemente de razões ambientais, parece sensato limitar a construção às necessidades, que já há muito foram ultrapassadas. Mas incluindo na equação razões ambientais (que às quais deve ser dada especial relevância numa área oficialmente protegida), torna-se claro que urbanizar as Penhas da Saúde em toda a área definida pelo seu perímetro urbano, tal como ele está actualmente definido por lei, é um crime. E um crime muito estúpido.

sexta-feira, junho 05, 2009

Águia-calçada

Águia-calçada (Hieraaetus pennatus) fotografada hoje de manhã, mesmo à porta de casa. (É ou não é uma vizinhança selecta?)

quinta-feira, junho 04, 2009

Para desamargurar...

... Do post de há pouco:
Cântaro Magro visto do Covão d'Ametade, fotografado ontem dia 3, às 8:30 da manhã

Lixo no Covão d'Ametade

Fotografia tirada ontem (Quarta-Feira dia 3 de Junho), às 8:30 da manhã.

Há melhoramentos que fazem mais mal que bem.

Alguém (quem? Mistério...) decidiu que seria boa ideia equipar o Covão d'Ametade com caixotes do lixo abertos, como o que que se vê na imagem. Seria boa ideia, se os ditos caixotes fossem recolhidos *todas* as noites. Mas não são. Este lixo foi aqui deixado no Domingo ou antes disso (o TPais chamou-me a atenção para esta situação no Domingo à noite). Ainda cá continua. É que quem "trata" do lixo no Covão d'Ametade aparentemente não são os serviços municipalizados da Câmara de Manteigas, nem os da Junta de Freguesia de S. Pedro, nem os dos Baldios da mesma freguesia, nem os do Parque Natural da Serra da Estrela, são as raposas e os javalis que cirandam por ali. Com o resultado que fica à vista.

Então era melhor não haver caixotes do lixo no Covão d'Ametade? Sim. Porque à entrada, junto da estrada, num local particularmente prático e acessível aos camiões de recolha de lixo, há quatro (4) contentores dos grandes, e que a bicharada não consegue abrir. Nem todos os visitantes do Covão d'Ametade teriam a pachorra para trazer o seu lixo até à estrada, é verdade. Mas muitos, talvez quase todos, fariam-no. Assim como estamos, com aqueles caixotes tão à mão, lá mesmo ao pé do sítio onde se come, só mesmo os poucos que conhecem bem o sítio e a fauna que por ali ronda à noite é que sabem que usar esses caixotes tão práticos é o mesmo que deixar o lixo espalhado pelo relvão.

Assim, e como frequentemente se tem visto nos últimos meses, no Covão d'Ametade não há caixotes de lixo a menos, há sim caixotes de lixo a mais.

terça-feira, junho 02, 2009

Workshop de fotografia de natureza

O blog Centro de Interpretação da Torre dá informação de um workshop sobre fotografia de natureza organizado pela Turistrela nos dias 13 e 14 de Junho, orientado pelo fotógrafo Luís Ferreira, e que promete vir a ser bem interessante.

Mais uma vez, espero que o evento seja um grande sucesso, que deixe nos participantes e nos organizadores a vontade de o repetir. Se conseguir fazer umas alterações nos planos para esse fim de semana (e se o fizer a tempo de ainda apanhar alguma vaga) conto participar também.

Esta sim, começa a ser (finalmente!) uma Turistrela minimamente à altura do que se espera dela!

É a roncar que se promove a nossa serra?

Pergunta, incrédulo, o Américo Rodrigues do blog Café Mondego sobre a avaliação da Rampa Serra da Estrela como o grande evento de promoção da serra da Estrela.

Eu partilho da sua incredulidade.

Mas deixem-me desenvolver para não criar mal-entendidos.
Não me agrada a rampa. Não me agrada ouvir, em minha casa (na quinta do Covelo, muito longe da encosta onde se realiza a corrida, portanto), os uivos angustiantes dos motores em alta rotação. O fim de semana da rampa é sempre um em que eu evito aquela encosta. Incomoda-me o lixo que por lá fica espalhado. Serão esquisitices minhas? Decerto que sim. Mas são também as esquisitices da maior parte das pessoas que se sentem atraídas por montanhas pelas paisagens, pelo ambiente, pela fuga ao stress, pelas caminhadas. São, aposto, as esquisitices da maioria dos turistas de montanha. E é por isso, e só por isso, que a rampa não pode ser considerada *o* grande evento de promoção da serra da Estrela.
Atenção, não pretendo com isto concluir que não se deve continuar a realizar a rampa (embora ache que devem ser implementados melhores cuidados de limpeza no final), nem sequer digo que a rampa não traz nenhuns benefícios em termos da promoção da região. Apenas afirmo que a rampa não tem relação directa *nenhuma* com o que de mais atractivo a nossa serra tem. Dá-se apenas a circunstância, quase acidental, de se realizar numa encosta da serra. Nisso, é tal e qual como a passagem da Volta a Portugal em Bicicleta (outro evento que costuma ser apresentado como grande promotor do turismo na serra).
No fundo, a minha incredulidade (e suponho que a do Américo Rodrigues) resulta de se considerar como grande evento promotor do turismo na serra da Estrela um que afasta os tradicionais turistas dos espaços naturais de montanha. Não lhe parece isto estranho a si também, caro leitor?

segunda-feira, junho 01, 2009

"Vamos acordar o gigante adormecido"

Quando algum figurão importante usa a expressão que dá título a este post referindo-se à serra da Estrela, saiba que quase de certeza ele está, de facto, a pensar em matar a galinha dos ovos de ouro. A pontapés.

Da próxima vez...

... Que algum figurão importante (autarca, responsável turístico, empreiteiro, etc) invocar as "legítimas aspirações das populações das freguesias rurais" para justificar mais uma asneira das do costume na serra da Estrela, leia ou releia o ponto 4º deste post no blog Cortes do Meio. Está lá tudo dito.

domingo, maio 31, 2009

The scottish way

Já mais que uma vez aqui falei do Ben Nevis, a montanha mais alta das ilhas britânicas. Como a serra da Estrela, é uma montanha antiga, com os cumes arredondados pela erosão; tem uma altitude de apenas de cerca de 1300 m mas, como parte do nível do mar, tem um desnível também semelhante ao da Estrela.

Parece-me que uma diferença principal entre as duas montanhas é o clima. Como o Ben Nevis está muito a norte, a meteorologia é muito mais rigorosa. As condições mudam mais rapidamente que na Estrela, neva intensamente com mais frequência, etc. Uma outra diferença, não menos principal, é a forma como é tratada pelos residentes.

No Ben Nevis, não há estradas para o topo, não há telecabines, nem nada disso que nós por cá consideramos indispensável. Ainda assim, todos os anos cerca de cem mil montanhistas chegam ao cume pelos seus pés. Para isso, têm que passar alguns dias na região. E, por cada um destes cem mil que chegam ao cume, vários tentam sem o conseguir (por causa do tempo, por exemplo) e vários outros visitam a região sem tentarem a subida, apenas como acompanhantes. Outros ainda, por fim, visitam a região em busca de outros pontos de interesse. Onde quero chegar é que não são precisas estradas de asfalto ou outras acessibilidades fáceis e cómodas para o cume para se desenvolver o turismo de montanha numa montanha de média altitude como é a Estrela. Antes pelo contrário, acho que essas acessibilidades fazem mais mal que bem ao turismo e já apresentei vários argumentos que justificam a minha opinião.

Mas voltemos agora ao Ben Nevis. Há alguns anos, esteve acesa uma discussão entre montanhistas escoceses sobre se se deveria reforçar a sinalização dos trilhos pedestres para a ascensão ao cume. Uns achavam que sim, porque os trilhos eram difíceis de seguir com nevoeiro, chuva ou neve, outros achavam que não porque essas são as condições da montanha e reforçar a sinalização encorajaria pessoas mal preparadas e mal equipadas a tentar a ascensão, tornando a montanha mais perigosa, ao contrário do que se pretendia. Bem sei que este debate só se pode considerar uma discussão de loucos, à luz dos critérios que fazem lei aqui na serra (Trilhos pedestres?! Estradas de asfalto é que é o que nos falta! E antenas retransmissoras para telemóveis! E heliportos! E casino! E centro comercial, hotel, restaurante e observatório panorâmico no cume!). Mas eu acho que loucos somos nós.

Mas falo do Ben Nevis porque recentemente soube de mais um detalhe interessante sobre o respeito que os escoceses têm para com a sua montanha-mãe e o respeito que exigem a todos os que a visitam. A Ben Nevis Race é (ao que li) a corrida de montanha mais antiga do mundo. Tem uma extensão de 16 km, com uma subida acumulada de 1300 m. (Parece ser algo mais suave que o "nosso" Circuito dos Três Cântaros, que teve lugar justamente hoje!) Pois bem, em respeito por uma tradição que a nós parece mais uma coisa de loucos, nesta corrida o percurso não está assinalado, de modo que os que a correm pela primeira vez fazem-no com alguma desvantagem. Azar o deles, e voltem cá para o ano, que esta montanha não se oferece ao primeiro que por aqui passa!

Ah, que diferença entre escoceses e beirões! Somos nós ou serão eles a estar no rumo certo, a estar de parabéns?

quarta-feira, maio 27, 2009

Também para que conste

Pedro Amaro, do blog Loriga, o autor da fotografia que foi usada no cartaz da caminhada organizada pela Turistrela e pela Banda da Covilhã (que divulguei há dias), ficou admirado de a encontrar naquela função. É que os promotores da dita caminhada (que teve lugar no Domingo passado) não lhe pediram autorização para a utilização da imagem, nem lhe deram conhecimento, nem nada.

Tanto quanto sei, também não apresentaram ainda um pedido de desculpas pelo lapso que, assim, mais parece um abuso.

terça-feira, maio 26, 2009

Poupa

Poupa (Upupa epops), fotografada hoje de manhãzinha, na encosta sobre a Covilhã.

No curto passeio que dei hoje bem pela manhã, vi ainda um casal de águias-de-asa-redonda. No Domingo, vi um esquilo.

sábado, maio 23, 2009

Obviamente!

O suplemento Fugas do Público de hoje tem um longo artigo sobre pedestrianismo, da autoria do próprio director do diário(1). O título do artigo é "Só a pé descobrimos o melhor do mundo à nossa volta", coisa com a qual não podia concordar mais. Não só porque a pé se chega a locais sem acessos asfaltados(2), mas também porque se chega a eles com a sensibilidade de algum modo ativada, mais disponível para a fruição, mais atenta, mais aberta.

Mais à frente na mesma revista, aparece um «"Best of" dos caminhos do país». Desse "best of" constam montanhas como o Gerês, o Marvão ou a Gardunha, mas a Estrela não. Ainda num outro artigo sobre o mesmo tema, "Caminhar em família, com pés e cabeça", referem-se percursos no Gerês, na serra de Sintra ou na Arrábida, mas na Estrela não.

E porque será que a serra da Estrela está assim tão flagrantemente ausente desta pequena lista de destinos compilada pela revista Fugas? Vejamos, é que não estamos aqui a falar de turismo sol e mar, de turismo urbano, de turismo de golf, de turismo de alto luxo, de turismo de neve de Verão, de turismo exótico, ou de outros segmentos onde não esperamos ver a nossa serra elencada. Estamos a falar de pedestrianismo, uma componente maior do turismo de montanha, e nesta lista não aparece a maior montanha de Portugal (não é a maior em altura, mas diria que o é em extensão)?! Porquê?!

Obviamente, porque apesar de se ter asfaltado a estrada de terra que existia entre a Portela de Arão e a Lagoa Comprida, a estrada de terra entre a Sra. do Desterro e o Coxaril, a estrada entre Manteigas e o Poço do Inferno e muitas outras, ainda não se concluiu a asfaltação da estrada entre Unhais da Serra e a Nave de Santo António, não se concluiu a estrada de Alvoco da Serra para a Torre, ainda não se começou a estrada de Cortes do Meio para as Penhas da Saúde e falta ainda a estrada dita Verde, entre a Guarda e o Maciço Central. Como é que se há-de desenvolver o turismo de montanha, e o pedestrianismo em particular, sem todo este asfalto?

Temos que continuar o esforço asfaltante dos últimos quarenta anos, porque estamos no rumo certo, no rumo de sempre. Estamos de parabéns!

(1) Refiro que o autor deste artigo é o director do Público porque se trata de um exemplo de como o pedestrianismo já não é (se é que alguma vez foi) uma actividade reservada a montanhistas, maluquinhos do ambiente, neo-hippies, pobretanas ou, mais em geral, gente esquisita.
(2) Aqui na serra da Estrela, esses locais estão na linha da frente das "legítimas aspirações das populações", pelo que são o objecto de "sonhos antigos", de "promessas de longa data" e de "projectos com dezenas de anos". Discussões sobre acessos asfaltados para muitos desses locais vão, por isso, aparecendo na ordem do dia. Como sempre se afirma, é para desenvolver o turismo. Isto percebe-se?!

quarta-feira, maio 20, 2009

Indispensabilidades

No alto de S. Lourenço (concelho de Manteigas) há um pequeno aglomerado de antigos e solenes carvalhos-negral, alguns com perto de quinhentos anos de idade. Rodeada por esses carvalhos, uma pequena capela, igualmente solene, que parece igualmente antiga. Foi construída por pessoas que subiam de Manteigas ou do Sameiro a pé ou de mula, num trajecto em que não demoravam menos que uma hora, ainda por cima carregados com os materiais de construção, pelo menos aqueles que não conseguiam produzir no local.

O sítio merece bem uma visita, facilitada hoje em dia por um estradão de terra batida, rasgado imagino que para permitir a construção do posto de vigia existente algumas centenas de metros mais a sul, onde a vertente sobre o Vale do Zêzere se acentua.

É interessante (e um pouco deprimente) constatar que, pobres e sem meios, os antigos conseguiam construir sem estradas ao passo que nós, mais ricos, mais poderosos e (alegadamente) mais conscientes, não o conseguimos fazer.

Mas deprimente, mesmo, é constatar que os pobres e fracos antigos conseguiam realizar trabalho sem estradas e sem pópós, ao passo que nós consideramos indispensáveis as estradas e os pópós, até para gozar uma tarde de sábado soalheira, para desanuviarmos do stress diário, para (absurdo dos absurdos!) nos aproximarmos da natureza. Ou não é isso que se deduz das vozes que exigem ou exigiram estradas asfaltadas para as zonas altas da serra em Unhais, em Cortes do Meio, na Guarda, em Alvoco, em Loriga, sempre justificando essa exigência com o contributo que a estrada dará para o desenvolvimento do turismo?

Assim vamos... No rumo certo, no de sempre. Estamos de parabéns.

sábado, maio 16, 2009

Para que conste

Ao entrar na UBI ontem dei com um cartaz anunciando uma caminhada na serra que me chamou a atenção. À noite, vi notícia dessa mesma caminhada no blog Máfia da Cova, de onde "roubei" o cartaz que tinha visto afixado e que agora ilustra este post.

O que esta caminhada tem de especial, o que me chamou a atenção, foi o facto de ser organizada pela Turistrela, em colaboração com a Banda da Covilhã. A concessionária exclusiva do turismo e dos desportos na área da serra da Estrela há quase quarenta anos e por várias décadas ainda por vir não nos tem habituado a este tipo de actividades, convenhamos. Nos últimos anos (que eu tenha notado, foi já depois do início do Cântaro Zangado(1)) a Turistrela começou a mostrar alguma oferta (muito incipiente, mas por algum lado se há-de começar) nas áreas principais do turismo de montanha (turismo activo, de natureza, pedestrianismo), mas que se reduzia ao que chamaram as "Experiências". Como disse há dias (e como verifiquei há uns anos) estas experiências não passam de promoções para a estadia nos hóteis da Turistrela, não constituindo assim um produto verdadeiramente autónomo, capaz de contribuir para alterar o triste panorama turístico na serra da Estrela.

Ora, mas esta caminhada agora parece ser diferente. E, porque o é, cá estou para aplaudir a (aparente) diferença. Pois que corra tudo bem, e que fiquem (os da Turistrela e os seus clientes) com vontade de repetir a experiência mais vezes!

(1) Não pretendo afirmar que há uma relação de causa e efeito entre o início do Cântaro Zangado e as alterações aparentes da postura da Turistrela (mas também não sei se se deve descartar liminarmente essa possibilidade).

sábado, maio 09, 2009

Árvores de Portugal

O blogue Sombra verde informa-nos da criação da associação Árvores de Portugal cujos objectivos principais são "a protecção e a dignificação da árvore".

A primeira iniciativa pública desta associação será a realização do seminário "Árvores Monumentais — Importância e Conservação", que terá lugar no Sabugal nos dias 25 e 26 de Junho (mais detalhes no Sombra verde).

Felicidades e muitos sucessos são os meus votos para esta associação.

domingo, maio 03, 2009

As leis ambientais podem (ou devem) servir para alguma coisa?

O Governo decidiu no final da semana passada propôr à Assembleia da República a redução do valor das coimas ambientais. E justificou a sua decisão afirmando que a viabilidade das empresas não podia ser posta em causa pela legislação ambiental!

Porquê esta questão especificamente com a legislação ambiental? Porque é que a restante legislação (fiscal, laboral, comercial, civil, etc) pode pôr em causa a viabilidade das empresas e só a ambiental é que não pode? Será que a legislação ambiental, ao contrário das outras, não serve para proteger valores reais? E se as leis ambientais não servirem exactamente para atrapalhar a vida das empresas que estiverem dispostas a violá-las, servem para quê?

Bem a propósito, li no Ondas que Obama revogou recentemente leis aprovadas por George W. Bush que fragilizavam a conservação da natureza. Como se pode ler neste artigo do Guardian, no final da sua legislatura Bush aprovou uma lei que dispensava os promotores de empreendimentos da necessária aprovação dos seus projectos por parte de responsáveis dos serviços de protecção da vida selvagem. Ou seja, Obama, no meio desta grave crise que nos afecta a todos (a mesma que o nosso governo invocou para justificar a redução das coimas ambientais), resolveu que a "simplexificação" de Bush não servia o interesse do povo que o tinha elegido. Ou seja ainda, Obama parece que não partilha a opinião segundo a qual a legislação ambiental não deve "atrapalhar" a vida das empresas. Neste ponto pelo menos, eu concordo mais com Obama do que com Sócrates.

sexta-feira, maio 01, 2009

Que serra queremos "vender"?

João Garcia (que acaba de conquistar o Manaslu, o seu 12º pico de mais de 8000m — restam dois apenas para se juntar ao restrito clube dos que escalaram sem oxigénio as catorze montanhas mais altas do mundo), respondendo a uma pergunta sobre onde escalar em Portugal, afirmou o seguinte
Eu vivo em Lisboa onde se está a trinta minutos de dois ou três bons locais para a escalada desportiva e até para a escalada clássica. Se procuras um cenário mais imponente, aconselho a Serra da Estrela a 300 km de Lisboa onde podes percorrer bons trilhos e escalar granito de qualidade. Eu já não guio grupos mas posso recomendar alguns bons amigos para tal.
(Traduzido à pressão daqui.)
Alguns comentários
  1. Fico muito contente quando oiço referências destas à serra da Estrela. O mesmo espírito se lê nos relatórios dos trabalhos em que o Paulo e a Daniela do Rocha podre e pedra dura se metem escolhendo como palco a serra da Estrela. É que também tenho ouvido a opinião de que a nossa serra, com o circo rascamente mercantilista da Torre (incluindo a estânciazinha, bem entendido), com as estradas por todo o lado, com os engarrafamentos, com o lixo, com tudo isto que alegremente temos estado empenhados em desenvolver nos últimos quarenta ou cinquenta anos, é um local a nunca mais visitar.
  2. Posso estar enganado, mas quase que aposto que os serviços da Região de Turismo da Serra da Estrela não terão tão disponíveis como João Garcia contactos para orientar caminhadas ou escalada na serra da Estrela.
  3. Mais ainda, creio que com esta frase João Garcia faz mais pelo desenvolvimento de um verdadeiro turismo de montanha na serra da Estrela (desse que toda a gente agora afirma querer desenvolver, um turismo distribuído por todo o ano, não baseado apenas na neve, de visitação mais prolongada) do que a Região de Turismo com o seu patético discurso ("Vamos acordar o gigante adormecido!") mais os seus patéticos folhetos ("Serra da Estrela - Onde a natureza vive") ou a Turistrela com as suas "experiências" que, no essencial, mais não são do que programas para a animação da estadia dos hóspedes dos seus hotéis.
  4. Que imagem da serra queremos vender? Uma que corresponda ao que João Garcia dela diz está por acaso completamente posta de lado? Mas não estaremos de facto a pô-la completamente de lado quando pedimos sempre e cada vez mais estradas, casino, esqui, sku, urbanização maciça das Penhas da Saúde (alegadamente para, veja-se lá, concorrer com os Alpes e os Pirinéus), telecabines, e tudo isso?
Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!