terça-feira, janeiro 20, 2009

Novas do CERVAS

O CERVAS (Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens) é uma estrutura do Parque Natural da Serra da Estrela sedeada em Gouveia, com a missão de estudar e vigiar a fauna silvestre e ainda a de cuidar e recuperar animais selvagens encontrados feridos, doentes, subnutridos ou de algum modo incapacitados. Seguem-se alguns anúncios de próximas actividades do CERVAS.
  • 22 de Janeiro, 5ª feira
    Libertação de um Grifo (Gyps fulvus)
    10h00, Malcata
  • 24 de Janeiro, Sábado
    Saída de Campo - Observação de aves: "As aves da Floresta"
    Ponto de encontro: 8h00, Curral do Negro (Gouveia) (cartaz em anexo)
  • 29 de Janeiro, 5ª Feira
    Libertação de uma Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo)
    Ponto de encontro: 14h30, Largo em frente à sede da Associação Cultural e Desportiva do Pereiro (Anadia)
  • 6, 7 e 8 de Fevereiro, 6ª feira a Domingo
    Stand de divulgação do CERVAS na Feira do Campo e da Caça - Serra da Estrela
    (inclui libertação de uma Águia-de-asa-redonda Buteo buteo)
    Local: Gouveia
  • 21 de Fevereiro, Sábado
    Saída de Campo - Observação de aves: "As aves da Cidade"
  • 27 e 28 de Fevereiro e 1 de Março, 6ª feira a Domingo
    Workshop Prático de Recuperação de Animais Silvestres, 6ª Edição
    Local: Gouveia e Seia (CISE)

Mais informação em aldeia.org.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Ele há montanhas...

... Onde até se imagina (veja-se lá!) que os turistas podem desejar fazer outra coisa que não ir de carro ao cume!

No Caramulo, por exemplo.

O problema está nos detalhes

Creio que ainda nunca encontrei alguém que se afirmasse anti-ambientalista. Isto é, toda a gente é amiga da serra, das suas paisagens e do seu ambiente... Em geral. Porque, em concreto, alguns (ou muitos, não sei) são a favor da instalação de hotéis na Torre, ou do incremento (está bem, chamemos-lhe "requalificação", mas todos sabemos que é de um incremento que se trata) da urbanização nas Penhas da Saúde ou nas Penhas Douradas, ou de ainda mais uma barragem lá por cima, ou da ampliação da estância de esqui, ou da instalação de teleféricos, ou do aumento da capacidade de parqueamento, ou da definição de novas reservas de caça, ou da criação de novos parques eólicos, ou da abertura de um casino... Enfim! Todos somos amigos da serra, das suas paisagens e do seu ambiente, em princípio, mas, quando vamos ao concreto, muitos defendemos (com bons argumentos muitas vezes, não é isso que está em causa) projectos ou empreendimentos que, em maior ou menor grau, alteram significativamente as paisagens e o ambiente da serra. Alguns chegam ao cúmulo de dizer que essas alterações no ambiente e na paisagem introduzidas por nós são para melhor!

Um exemplo acabado desta mesma dissociação entre os princípios abstractos perfilhados por todos e os emprendimentos concretos que muitos defendem é o das estradas na serra. Refiro-me concretamente às estradas para os turistas chegarem à Torre, não às necessárias para a comunicação das populações com o exterior e em particular com as suas sedes de concelho e distrito.

É que praticamente nunca ouvi ninguém dizer-se, em geral, favorável a mais estradas na serra. Todas as pessoas com quem falei (ou de quem li afirmações) sobre isso afirmam a necessidade de conter o avanço do asfalto, em princípio. Mas, no entanto, muitas destas pessoas defendem este ou aquele projecto de asfaltação concreto, normalmente consoante o lugar onde vivem. Assim, pessoas de Alvoco defenderam (e concretizaram parcialmente) o seu projecto de asfaltação de uma estrada até à Torre; pessoas de Loriga defenderam a sua estrada de S. Bento; pessoas de Unhais defendem agora a sua via asfaltada para altitude de 1600m; os das Cortes do Meio exigem o seu acesso rodoviário às Penhas da Saúde, e os da Guarda a sua estrada dita Verde. Os representantes mais moderados de cada um destes grupos defendem a sua estrada (ou projecto de estrada) em concreto, mantendo e defendendo simultaneamente que não se deve exagerar na asfaltação da serra, que não se devem recortar os ecossistemas nem as paisagens, etc, etc.

Ninguém parece ser sensível à objecção mais imediata: se esta estrada é necessária para a minha povoação, se a ela temos direito, então a dos vizinhos também lhes há-de ser igualmente necessária e eles terão a ela o mesmo direito que nós à nossa. Uma possibilidade para "descalçar a bota" colocada por esse argumento é concluir que *todas* estas estradas são necessárias e que é obrigação do estado português realizar cada uma delas. Quase ninguém vai por aí, porque é fácil ver onde esse caminho nos leva: a que se essas estradas ou projectos de estradas são uma necessidade, então também o serão outras ainda não defendidas tão sonoramente: Tortosendo, Vila do Carvalho, Sarzedo, Verdelhos, Sameiro, Linhares da Beira, Folgosinho, Sobral de S. Miguel, Teixeiras, e tantas outras freguesias da corda da serra deverão também ver abertas (e asfaltadas!) as suas respectivas vias de acesso rodoviário rápido e directo às zonas altas da serra da Estrela. Ou seja, se todos aqueles projectos são inalienáveis e legítimas aspirações das respectivas populações que o estado deve satisfazer, então devemos transformar toda a serra da Estrela num enorme nó rodoviário, com estradas de asfalto em todas as direcções entrecruzando-se a cada poucas centenas de metros.

Claro que não é isso que queremos. Mas, então, que argumentos temos para defender o nosso projectozinho particular? "Vá lá... Por favor... Só mais esta asfaltaçãozinha aqui e depois não façam mais nenhuma...", é isso? E isso é razoável?

Nos princípios gerais, nas abstracções, todos somos amigos da serra, ou seja (porque, ao nível das abstracções, vai dar ao mesmo), nenhum de nós o é. É nos detalhes concretos que se traça a linha, é nos detalhes concretos que cada um se revela. Mas tudo bem: não há nenhuma lei que obrigue todos os cidadãos a serem defensores das paisagens e do ambiente da serra.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Asestrela 2009

A Associação Cultural dos Amigos da Serra da Estrela organiza este ano, nos dias 21 e 22 de Fevereiro, o ASESTRELA 2009 — Encontro com a montanha.

Trata-se de um acampamento invernal no Covão d'Ametade (a 1.500 metros de altitude) que pretende reunir os que sabem e querem apreciar o que a serra da Estrela tem de melhor: o seu ambiente único.

Estão previstas diversas actividades, algumas enquadradas pela organização, outras ao sabor de quem as realizar, como escalada, BTT, caminhadas, desafio fotográfico etc.

O encontro não se destina apenas a montanhistas com créditos firmados, antes pelo contrário: está aberto a todos. Mas deve ter-se em conta que as condições climatéricas nesta altura do ano podem ser pouco menos que inóspitas, pelo que todos os participantes devem vir preparados (e equipados) para o que der e vier. Em particular, a organização não fornece roupa ou sapatos impermeáveis, tendas ou sacos cama.

A participação em algumas actividades mais técnicas enquadradas pela organização pode não ser autorizada àqueles que não dispuserem do equipamento mínimo.

ASESTRELA 2009 — Encontro com a montanha.
O encontro dos amigos da montanha!

Mais informação no site do evento.

sábado, janeiro 10, 2009

São precisas ainda mais estradas? (II)

No fim de ano, fui esquiar a La Covatilla, em Béjar. Fiquei alojado num hotel em El Barco de Ávila, como várias outras famílias de esquiadores, portuguesas e espanholas. O trajecto de El Barco de Ávila para La Covatilla é o que mostro na figura em baixo. Perto de trinta quilómetros, trinta e sete minutos. A longitude e a duração do trajecto estão dentro do que considero razoável em férias de neve. Encontrei coisas semelhantes em Andorra e em Baqueira.

Trajecto de El Barco de Ávila à estância de La Covatilla. Clique na imagem para a ampliar, ou vá ao maps.google para mais detalhes.

Do centro de Unhais da Serra até à Torre, o trajecto normal é o que a figura em baixo mostra. Quarenta quilómetros, quarenta e um minutos. Está dentro do que considero razoável. Por mim, como vulgar turista de neve que também sou, não há necessidade *nenhuma* de "aproximar" a Torre de Unhais.

Trajecto de Unhais da Serra à estância Vodafone. Clique na imagem para a ampliar, ou vá ao maps.google para mais detalhes.

Pode haver outras razões para a estrada Unhais - Nave de Santo António mas, pelo lado do turismo, quanto a mim, é melhor deixar as coisas como estão. A menos que o objectivo seja, mais uma vez, apostar no turismo que temos, o das voltinhas automobilizadas serra acima, a ver a neve. É esse o objectivo?

sexta-feira, janeiro 09, 2009

São precisas ainda mais estradas?

Página 6 do Diário XXI de hoje (clique para tornar legível). Chamo a atenção para a caixa assinalada a azul no canto inferior direito.

O novo hotel termal em Unhais da Serra tem vários aspectos que me agradam e muito: foi construído numa localidade (das verdadeiras, onde mora gente, não incluo aqui as "minicidades" como as Penhas da Saúde); houve cuidados ambientais na construção e continuarão durante a sua exploração (as certificações que anunciam obrigam a tal); houve desde o início a preocupação de manter elevados padrões de qualidade; foi dada formação à população; tem havido desde o início um grande enfâse nas referências ao turismo de natureza (e Unhais da Serra tem uma localização soberba para esse segmento). Por estes aspectos, este empreendimento está a anos-luz daquilo a que nos têm habituado investimentos similares na serra da Estrela (felizmente há mais alguns, mas poucos, bons exemplos) e por isso espero que o empreendimento seja um grande sucesso.

E, no entanto, desde o início há um "pequeno" pormenor que me incomoda. É que tenho a impressão (que já foi várias vezes confirmada por terceiros) que a asfaltação do estradão de terra Unhais - Nave de Santo António pelo Vale da Alforfa está, de algum modo, ligada a este novo hotel. Esta impressão sofreu um novo reforço ao ler a notícia que reproduzo na figura.

Os "melhoramentos" no estradão foram feitos, há já alguns anos (já terão passado dez anos?), de forma completamente desastrada, em pendentes de grande inclinação, sem qualquer cuidado com a estabilização dos taludes, de tal modo que em muitas zonas da área intervencionada encontramos actualmente grandes blocos graníticos (alguns do tamanho de automóveis) na faixa de rodagem, que rolaram encosta abaixo. Assim, apesar de faltarem apenas não mais do que dois quilómetros para completar a asfaltação, aposto que serão necessárias obras profundas em quase todo o trajecto (com cerca de 12km de extensão total).

E tudo isto para quê? Para que mais um vale fabuloso seja facilmente atravessável de automóvel, tornando-o menos fabuloso, logo, menos atractivo para outras práticas que, segundo se afirma, se querem incentivar: passeios pedestres ou a cavalo, interpretação da natureza, admiração da paisagem. E para que também no novo hotel se possa, fácil e comodamente, fazer o tipo de turismo que, supostamente, se pretende ultrapassar: o das voltinhas automobilizadas serra acima, a ver a neve.

"As estradas são poucas"

A ideia de que há poucas estradas na serra da Estrela, e sobretudo a ideia de que são necesárias mais para desenvolver o turismo, continuam muito vivas e estão muito espalhadas na nossa região. [Diga-se de passagem, esta constatação foi das coisas que mais me espantou quando comecei a discutir mais aprofundadamente (ou assim o tentei, pelo menos) os problemas da serra da Estrela, no blog do programa PETUR.]

Há dias questionei em que sentido se podia afirmar que as estradas na serra da Estrela são poucas, pegando nas palavras de um editorial do Diário XXI. Disse que não achava que fossem poucas, antes pelo contrário, e que me parecia que na maioria das montanhas da Europa as estradas ficam principalmente pelos vales, fazendo da Estrela um caso especial. Penso que poucos discordam de que a estrada pelo cume é, de facto, uma originalidade particularíssima da nossa serra.

Hoje vou colocar uma hipótese adicional que ainda não verifiquei cuidadosamente: a de que há mais estradas de atravessamento na Estrela do que na maioria das montanhas europeias de dimensão comparável ou superior. Aviso desde já que duvido que me lance numa pesquisa muito exaustiva deste assunto. Fica só a hipótese, cada um que a considere como entender e que me faça chegar, por favor, as conclusões que tirar.

Um exemplo que apoia a minha hipótese? A Sierra de Béjar, para não ir mais longe. Comparem-se as duas imagens que ilustram este post. Clique nas imagens para abrir as páginas do maps.google das respectivas áreas, nas quais poderá fazer zoom para aumentar o detalhe como entender. É preciso dizer mais alguma coisa?

A Sierra de Bejár corresponde mais ou menos à área definida pelo triângulo Plasencia - Bejár - El Barco de Ávila. Clique no mapa para abrir o google.maps na área. (Atenção que a linha a tracejado é uma fronteira administrativa, não uma estrada.)

Serra da Estrela. Clique no mapa para abrir o google.maps na área.

terça-feira, janeiro 06, 2009

O CISE em reportagem

A DAO TV realizou uma interessante reportagem em vídeo sobre o Centro de Interpretação da Serra da Estrela — CISE-Seia, disponível aqui.

(Informação via Oceano das palavras.)

segunda-feira, janeiro 05, 2009

E que tal parar para pensar? (II)

O Público traz hoje, na pág. 31, uma notícia com o título "Excedente de casas mantém-se até 2050" (a ligação pode não ser permanente). Este excedente de habitações tem reflexo na forma como as nossas cidades cresceram e se tornaram feias, com centros históricos desertificados e periferias atulhadas de prédios e recortadas por vias rápidas e viadutos.

Não é reforçar esta triste situação a construção de mais quinhentas habitações nas Penhas da Saúde, como pretende um plano da Câmara Municipal da Covilhã para transformar o aldeamento numa uma área "com que Portugal possa concorrer em termos de turismo de montanha com outras da Europa, nas cidades dos maciços mais conhecidos, como os Alpes ou os Pirinéus"?

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Município de onde?

Encontrei hoje na minha caixa de correio um desdobrável da Câmara Municipal da Covilhã com a lista das actividades e espectáculos previstos para o mês de Janeiro. A capa do dito desdobrável é ilustrada com a figura que apresento acima.
Ao certo, ao certo, em que ponto do Concelho da Covilhã, da serra da Estrela ou de Portugal é que esta fotografia terá sido tirada?

Pois. Quando se quer vender algo que não é bem, bem o que se tem no armazém, um pouco de publicidade enganosa pode ser que ajude... Que é outra maneira de dizer que tudo vale para quem quer vender gato por lebre.

Veja também este post, e mais este.

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Como?!

Imagem roubada no Blog Cortes do Meio

Decobri no Blog Cortes do Meio a notícia da figura (clique para ampliar) publicada não sei em que jornal, nem em que data (suponho que não seja muito recente). Pelos vistos, os elementos da Assembleia de Freguesia das Cortes do Meio entendem unanimemente que o que é preciso para terem mais desenvolvimento e mais turismo (turismo em espaço rural, ainda por cima!) é uma estrada de alcatrão para as Penhas da Saúde!

Não é uma atitude muito original, na nossa região. É por causa da filosofia onde se insere essa atitude que temos o turismo que temos, que temos o desenvolvimento que temos.

Estamos no rumo certo, estamos de parabéns?

terça-feira, dezembro 30, 2008

Ora bem!

Alguém me contou que, num destes dias de festa, tentou chegar ao alto da serra de carro mas foi forçado pela GNR a aguardar nos Piornos durante algum tempo, por haver demasiadas viaturas na zona da Torre.

Não havendo lugares para estacionar ou parar o carro, sendo o trânsito intenso e difícil, entendo que o melhor é mesmo não permitir que mais viaturas vão agravar este estado de coisas. E entendo que para o fazer, não são necessários grandes parques de estacionamento nos Piornos e na Lagoa Comprida, nem teleféricos, nem nada a não ser autoridades com vontade e capacidade de actuar.

A ser verdade o que me disseram (e espero que sim porque me parece uma medida do mais elementar bom-senso), provou-se que tenho razão.

Quase me parece ouvir o argumento "E as pessoas, que vieram de tão longe e não conseguem chegar à Torre, não vão ficar decepcionadas?", ao que eu respondo com uma pergunta: é melhor ser autorizado a passar, subir lentamente em pára-arranca até à Torre, não ter espaço para estacionar ou sequer para parar o carro, e gastar nesta tristeza toda a tarde? Eu acho que não.

Mais questões

Esta ruína horrorosa é o que resta do antigo teleférico Piornos-Torre. Esta obra foi começada no início dos anos setenta e, já quase terminada por volta de 1975, descobriu-se que não poderia funcionar em condições de segurança por causa dos ventos intensos sobre a Nave de Santo António. Ficou tudo ao abandono, os cabos suspensos, as torres de apoio, os edifícios dos terminais, um na Torre, o outro (o da figura) nos Piornos. Durante quase trinta anos assim ficaram as coisas. No fim dos anos noventa ou talvez já nos inícios desta década, resolveu-se desmontar e remover tudo, a bem da paisagem e do ambiente. Tudo? Não, resiste ainda este lindo mamarracho.

Passados quase dez anos após as obras de demolição, coloco estas questões: quem se opôs a que esta ruína fosse igualmente demolida e removida? Quem defende a sua permanência? Quem se alegra por ela ainda estar de pé? Alguém considera a possibilidade de a aproveitar? Com que fim? Alguém se orgulha por ter impedido, por palavras ou por actos, a sua demolição?

Com certeza que estas perguntas têm uma resposta, que existe esse alguém que questiono. Mas quem será? Porque é que não dá a cara?

Ou será que este mamarracho sobreviveu à decisão de demolição graças a uma descontinuidade espacio-temporal ou outra singularidade cósmica do género, e agora, simplesmente, é, existe, sem que ninguém o tenha desejado, sem que ninguém o tenha decidido, sem que ninguém se alegre com a sua existência, sem que ninguém seja responsável, sem que ninguém tenha planos definidos, concretizáveis (e publicamente escrutináveis) para aproveitá-lo?

The truth is out there...

Agora a sério, mesmo

Imagem roubada no blog Estrela no seu melhor.

Retomo a pergunta que deixei no final do post anterior: a que desgraçada instituição ou empresa pertence a desgraçada parolice do centro comercial da Torre? Alguém sabe?

Outras perguntas, na mesma linha: quem paga a luz daqueles edifícios? Quem paga o imposto municipal? Quem recebe as rendas dos comerciantes? Quem é o responsável pelas condições de segurança? Alguém entende que aquilo é útil? Alguém defende a existência do centro comercial, em função do turismo que temos e do que se considera desejável (que não é necessariamente o que no Cântaro Zangado consideramos desejável)? Há alguém satisfeito com aquilo? Há alguém a quem se possa solicitar melhorias naquilo ou até o encerramento daquilo?

Ou será que aquilo existe apenas, que aquilo simplesmente é, assim numa espécie de vazio administrativo, como que uma sombra de uma outra dimensão, sem que ninguém o tenha decidido, sem que ninguém o tenha desejado, sem que ninguém pague a água, a luz, os impostos, sem que ninguém seja responsável por nada daquilo?

Mistérios...

Há uma entidade que vai pagando algumas contas daquilo e colhendo desse esforço um montão de dores de cabeça: o Parque Natural da Serra da Estrela, que pagou as obras necessárias no edifício e os fantásticos esgotos a céu aberto, ou que estavam a céu aberto até há bem pouco tempo. Porque será o PNSE a ter estas chatices? Isto sim, é um mistério!

terça-feira, dezembro 23, 2008

A Turistrela é dona daquilo?

Excerto da pág. 10 do Diário XXI de 19/12/2008. Clique para aumentar.

No fundo da página 10 da edição de 19 de Dezembro de 2008 do Diário XXI encontra-se a caixa de texto que reproduzo acima (clique para aumentar). Nela aparece uma informação que, a ser verdadeira, é deveras interessante. Como um mero aparte casual, é dito que a Turistrela é a proprietária do centro comercial da Torre.

Que interesse é que essa informação tem? O seguite: o edificio sofreu obras para acolher os comerciantes, que antes disso montavam as suas vendas ao ar livre como nas feiras de rua. Quem pagou essas obras, tanto quanto sei, foi o Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE), vá-se lá perceber porquê. Ainda recentemente, no Verão, se ouviram queixas do mau funcionamento da estação de tratamento de esgotos que o PNSE instalou para servir o dito edifício. Agora dizem-nos que o centro comercial é da Turistrela. Eu já acho estranho que o PNSE gaste recursos nestes "melhoramentos" (acho que estes gastos são mais apropriados a outras instituições, como já disse aqui, aqui e aqui); mas que ainda por cima se trate de gastos em propriedade particular da Turistrela, isso parece-me absurdo, obsceno, até. Porquê? Bem, eu estou a precisar de umas obritas cá em casa. Posso também apresentar o orçamento ao PNSE?

Claro está que o "aparte casual" que motivou este post pode estar errado. Por falar nisso: a que desgraçada instituição ou empresa pertencerá, de facto, aquela deprimente vergonha?

domingo, dezembro 21, 2008

Porque somos como somos?

Tenho "gasto" vários posts dos mais recentes a explicar que o turismo que temos na serra da Estrela não é o típico turismo de montanha, que em toda a Europa se baseia no pedestrianismo, no montanhismo, na escalada, na canoagem, na BTT, na observação/interpretação da natureza (flores, birdwatching, ambientes de floresta, paisagem, geologia, etc.), passeios a cavalo e muitas outras coisas de que não me lembro. Que nas outras montanhas da Europa há turistas durante todo o ano, muito especialmente no Verão, mesmo naquelas que são os tradicionais centros do turismo da neve, do turismo do esqui.

Tenho afirmado que o nosso turismo, essencialmente constituido por visitantes que não passam mais do que algumas horas na região, que a visitam principalmente nos fins de semana com neve, e que nunca se afastam dos núcleos artificializados ou da estrada, é sui generis e não se vê, ou pelo menos não se nota com importância comparável à que aqui tem, nas restantes montanhas da Europa.

Já várias vezes afirmei, implícita ou explicitamente, que o turismo que temos é muito menos lucrativo do que o turismo de montanha, e que tem um impacto sobre o ambiente e a paisagem muito maior. Que os poucos lucros que gera ficam concentrados nas bolsas de muito poucas pessoas, e que distribui os seus prejuizos por todos.

Hoje vou sugerir algumas possibilidades para o porquê do nosso turismo ser como é. Já adiantei uma das razões no post "Nós aqui vivemos da neve". Sim, acredito que uma das causas do nosso turismo tão sui generis é o modelo de gestão tão sui generis que insistimos em manter: o da concessão exclusiva do turismo e dos desportos atribuída à Turistrela há mais de trinta anos e com validade ainda por outros tantos para o futuro.

Mas não é a única razão. A questão é que como pensamos que que os únicos turistas que a serra pode atrair são os visitantes que nos chegam de manhã de carro e que à tarde partem de carro (depois de passarem umas horas mais ou menos atascados no tráfego), achamos que desenvolver o turismo é facilitar este modelo. Vai daí a ideia, por cá generalizada, de que os acessos nunca são suficientes, que temos que alargar as estradas, que temos que construir ainda mais, que temos que instalar teleféricos, que temos que aumentar a capacidade de parqueamento. E que temos que inventar "animação" para estes visitantes, daí os centros comerciais na torre, os alugueres de trenós (e sacos para o sku? Já se alugam sacos também?). Ora, e isto deve ser cristalinamente evidente para todos, cada um destes "melhoramentos" torna a serra menos atractiva para aqueles que constituem, em toda a Europa, os clientes-alvo do turismo de montanha. Ou seja, se temos o turismo que temos, é porque é nesse turismo que temos apostado ao longo dos anos, ao longo das décadas. Se temos o turismo que temos, ao fim e ao cabo, é porque foi esse o turismo que escolhemos ter.

Alguma vez mudaremos de rumo? Duvido. Por exemplo, está para breve o início de obras na estrada Sabugueiro-Torre, dotando-a de um enorme parque de estacionamento na zona da lagoa Comprida. Para quê? Que tipo de turismo fica reforçado com esta obra? Que tipo de visitantes serve? Em que dias é que se sentia a "necessidade" deste "melhoramento" e em que dias é que se sentirão os seus benefícios? É razoável facilitar a visitação por ainda mais gente, nesses mesmos dias? Não seria melhor atrair antes outro tipo de visitantes, noutras alturas do ano?

É por "desenvolvimentos" como este que digo frequentemente que estamos no rumo certo, estamos de parabéns, como sempre, desde sempre.

Ontem afirmei que as pessoas sobem a pé o Ben Nevis porque "não há estradas, teleféricos ou funiculares para lá chegar acima e porque vale a pena o passeio". As mesmas duas razões justificam o porquê de tão pouca gente subir a pé a serra: é que aqui *há* estradas e o passeio, francamente, *não* vale a pena, dado o degradante e terceiromundista circo com que nos deparamos quando lá chegamos acima. Não sou só eu que digo. Veja aqui, por exemplo.

sábado, dezembro 20, 2008

Começar bem o ano

Imagem roubada do site do CISE
O Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE) organiza no dia 1 de Janeiro uma saída para plantação de árvores autóctones na zona da Sra. do Desterro. Mais detalhes e formulário de inscrição aqui.

Uma questão de números

Ben Nevis, na Escócia. Foto roubada daqui.

Nem sempre uma questão de números se resolve apenas com o valor dos números em si. Disse há dias que todos os anos cerca de 150 000(1) pessoas sobem a pé ao cume do monte mais alto das Ilhas Britânicas, o Ben Nevis. Sobem-no a pé porque não há estradas, teleféricos ou funiculares para lá chegar acima e porque vale a pena o passeio.

Olhando apenas para o valor (corrigido, ver nota abaixo), 100 000, poderíamos pensar que nós, aqui na serra da Estrela, ficamos a ganhar. Ainda em Agosto, uma funcionária do PNSE apresentou uma estimativa de 2,5 milhões de visitantes(2), ou seja, cerca de vinte e cinco vezes mais do que os 100 000 do Ben Nevis! Este enorme número de vistantes devemo-lo, sem dúvida, à estrada de asfalto pela Torre, logo, concluímos satisfeitos, a estrada pela Torre é um excelente negócio, e temos é que a alargar, construir mais, aumentar o estacionamento e ainda instalar teleféricos. Certo?

Errado, na minha opinião. É que o número de pessoas que ascendem a pé ao topo do Ben Nevis é concerteza bastante inferior ao das que tentam essa ascenção sem o conseguir, por exemplo por causa do mau tempo. Além disso, o número de pessoas que ascendem a pé ao topo do Ben Nevis é concerteza bastante inferior ao número total de pessoas que visitam a região, entre acompanhantes dos montanhistas e grupos que a visitam sem pensar na escalada. Ou seja, o número de ascenções é "apenas" 100 000, mas o número de visitantes é decerto maior.

Mas há ainda outro argumento, ainda mais forte, a invalidar a teoria da necessidade e da excelência das acessibilidades fáceis e directas. É que a ascenção a pé do Ben Nevis demora cerca de quatro horas (valor na mesma ordem do de uma ascenção à Torre partindo da Covilhã, de Unhais, de Manteigas ou de Loriga, quer-me parecer), a que se tem que acrescentar o tempo gasto na descida. Isto torna muito difícil a visita de uma tarde só, a visita de um dia só. Os visitantes do Ben Nevis planeiam permanecer na região alguns dias, têm que pagar por pernoita, restauração, animação durante horas de espera, mantimentos, alguma peça de equipamento. Podem ser "só" cem mil; mas valem decerto pelo menos dez vezes mais que os nossos dois milhões, que chegam e saem no mesmo dia, exactamente porque dispõem das acessibilidades fáceis e directas ao maciço central.

Para que serve então a estrada, para que servirá um teleférico? Para o que se tem visto: para termos cada vez mais visitantes, mas cada vez menos turismo; para termos cada vez mais lixo, mas cada vez menos paisagens; para ficarmos cada vez mais pobres, em suma.

Pode dizer-se que não podemos comparar Portugal com a Grã-Bretanha, que este meu exercício é um disparate por isso. Não sei se somos assim tão diferentes dos ingleses, mas aposto que se tivessem no Ben Nevis estradas como nós temos na Estrela, teriam lá um turismo muito mais parecido com o nosso. E ao contrário: se não tivessemos os "indispensáveis" acessos que temos, teríamos um turismo muito mais lucrativo, muito mais parecido com o que se pratica no Ben Nevis e em toda a Europa. Ou então, pelo menos, seria-nos muito, muito mais fácil desenvolvê-lo.

(1) Uma nova pesquisa convenceu-me a reduzir esta estimativa (baseada em pesquisas que fiz há alguns anos) para 100 000 (ver o site Ben Nevis owned by the John Muir Trust).

(2) Teremos mesmo assim tantos visitantes? Não é o que parece poder deduzir-se daqui ou daqui.

Reforço do que disse ontem

Na minha opinião, os problemas da acessibilidade ao alto da serra da Estrela são causados por um único facto: a existência de acessos.

Ninguém se queixa por não haver estradas asfaltadas em número suficiente que permitam o acesso automobilizado aos cumes do Gerês, de Gredos, de Guadarrama, da Sierra Nevada dos Pirinéus, dos Alpes, das montes da Escócia, dos montes Tatra, dos Picos da Europa. Será porque o número de estradas para os cumes dessas montanhas é considerado o suficiente? Sim, e esse número é zero.

E, nesses cumes, o papel das estradas é substituído por telecabines ou funiculares? Nalguns sim mas, na esmagadora maioria, o acesso é feito a pé.

E nessas montanhas, não há turistas? Há, muitos, ao longo de todo o ano, com especial incidência no Verão, ao contrário do que acontece na Estrela (mas nada ao contrário do que acontece no Gerês).

Em Portugal, os carros não só conquistaram todo o espaço disponível nas cidades (coisa que no resto da Europa já se está a inverter), como conquistaram também a montanha-mãe! E ainda consideramos que há falta de acessos!

Estamos no rumo certo, estamos de parabéns! Como sempre, desde sempre!

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Editorial do Diário XXI de hoje

Em primeiro lugar, quero dizer que me agrada bastante o Diário XXI, que costumo ler todos os dias (na internet, confesso). Não me enche as medidas, mas é um jornal decente e arejado, que raramente resvala para o paroquialismo característico de muitos outros exemplos da imprensa regional, e alguns com muito mais pergaminhos que o Diário XXI. (Já agora, também tenho que dizer que, felizmente, há mais alguns jornais regionais que consigo ler.)

O editorial "Bloco de Notas" do Diário XXI de hoje pode ler-se clicando na imagem que ilustra este post. A parte que me interessa é o segundo e terceiro parágrafos, que fizeram surgir em mim algumas questões:

  • Em que sentido afirma o autor que "a mobilidade dentro da Serra da Estrela, à medida que se sobem alguns metros" não é boa? Em 90% dos dias viaja-se perfeitamente pelas estradas da serra, não há quaisquer problemas de circulação ou de estacionamento, excepto os causados pelo mau tempo, que, de qualquer modo, dificultam ou impossibilitam a visitação da serra. É verdade que, nalguns fins de semana e dias de festa, a afluência à serra é tamanha que se torna impossível circular ou estacionar, "à medida que se sobem alguns metros". É preciso fazer alguma coisa para resolver esse problema? Sim, mas devemos ter em mente que para resolver um problema que se faz sentir, digamos, trinta dias por ano (que exagero!) talvez não valha a pena causar estragos na paisagem e no ambiente que se notem não só nesses dias mas também nos restantes trezentos e trinta e cinco.
  • Em que sentido se afirma que "as estradas são poucas"? Que estradas existem para subir ao cume da serra da Gardunha, do Gerês? Ou da sierra de Béjar, Gredos, Penha de Francia? Como se pode subir de carro ao topo da sierra Nevada (havia um estradão para jipes, mas o trânsito foi proibido com cancelas, estando agora reservado apenas veículos da protecção civil)? E nos Pirinéus? E nos Alpes? Em todas as montanhas da Europa, as estradas ficam principalmente pelos vales. Se as estradas são "poucas" na serra da Estrela, o que dizer das restantes montanhas da Europa, caramba?!
  • O que significa dizer que "também não se deve limitar o acesso a zonas interessantes para quem vem a esta zona"? Que devemos asfaltar uma estrada até ao vale da Candieira? Montar um teleférico para a Nave da Mestra? Um funicular pela garganta de Loriga? Será que o autor considera uma limitação ao acesso as portagens que o Parque Nacional da Peneda Gerês impôs ao tráfego automóvel pelo estradão da Mata Nacional de Albergaria? E nos Picos da Europa, onde o acesso com automóvel ligeiro à zona dos Lagos de Covadonga está limitado à capacidade de parqueamento nessa zona, definida oficialmente, devendo os que já não "têm lugar" usar transportes públicos, é esta uma limitação das que não devemos definir aqui?

As acessibilidades numa região de montanha, em particular aquelas com que se pretende servir o turismo, devem no meu entender ser analisadas com um prisma muito especial, que não é aquele com que se estudam os casos gerais. É que as que consideramos indispensáveis para rápida e confortavelmente se chegar ao topo ou, mais geralmente, ao "local de interesse", são as mesmas que os turistas usam para rapidamente se pirarem para fora daqui. Álem disso, reforçam o ênfase no "local de interesse", ao mesmo tempo que retiram interesse na viagem até lá, que pode ser até mais interessante e compensadora. Pior ainda: as estruturas desse acesso sujam e danificam os lugares que atravessam, o que reforça imenso o que acabo de dizer. Isto tudo junto serve apenas para os turistas fazerem o que têm feito na serra. Chegar ao "local de interesse"; brincar um pouco na neve ou fazer um piquenique, alguns deixando lixo que depois se dispersa por todo o lado; e depois, regressar rápida e confortavelmente a casa. A isto, principalmente a isto elevado ao absurdo naqueles absurdos fins de semana da neve, chamamos turismo na serra da Estrela.

No Ben Nevis (Escócia) uma montanha com semelhanças com a nossa (cume achatado, altitude moderada, monte mais alto das ilhas britânicas), onde não há estradas no topo, nem telecabines, nem funiculares, nem nada, estará lá o acesso demasiado limitado? Parece-me difícil defender esta tese, uma vez que todos os anos 150 000 turistas ascendem ao seu cume... Turistas esses que dada a duração da caminhada, têm que permanecer na região alguns dias, pernoitar, restaurar, abastecer-se, contratar guias, etc, etc, etc. Lá não se ouvem as vozes chorando os eternos problemas com os acessos. Sabem porquê? Porque não têm, nem querem, esses acessos que nós por cá consideramos indispensáveis e sempre insuficientes.

Numa coisa estou em total acordo com o autor: é preciso diversificar. Mas para mim isso significa limitar o trânsito rodoviário (eventualmente até encerrar algumas estradas) e criar condições que permitam aos visitantes rápida e confortavelmente contratar trasporte para regressarem ao local de pernoita após uma caminhada longa, alugar bicicletas, cavalos, canoas, instrutores de escalada. Como se faz nas outras montanhas, do Gerês aos Urais. Isso sim, seria diversificar.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Informação

Há perto de duas semanas, deixei aqui dois posts (este e este) em que referia as fracas condições de neve na estância de esqui da serra da Estrela. Durante o último fim de semana caiu mais alguma neve e é justo dar agora a informação de que a estância se encontra praticamente a 100%.
(100% de pouca coisa, mas o que se há-de fazer? Não estamos nos Alpes nem nos Pirineus.)

Fonte: site da estância.

Nota posterior: obviamente, nada do que escrevi nos posts de há duas semanas perde validade com esta actualização da informação.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

E que tal parar para pensar?

O suplemento "Imobiliário" do Público de hoje abre assim:

Crise no turismo residencial obriga a retracção do mercado de segunda habitação

Analistas dizem que volume de colocação de produto está "muito aquém das expectativas dos promotores". Futuro pode trazer excesso de oferta

Talvez esta seja uma boa altura para reconsiderar o plano da Câmara Muncipal da Covilhã e da Turistrela para a transformação das Penhas da Saúde numa minicidade de montanha(*), uma área "com que Portugal possa concorrer em termos de turismo de montanha com outras da Europa, nas cidades dos maciços mais conhecidos, como os Alpes ou os Pirinéus", com mais "quinhentas habitações e zonas de comércio que serão apoiadas por diversos equipamentos sociais, culturais e desportivos", entre os quais se contam "um Pavilhão de Gelo, uma zona multiusos para desportos e festividades e a construção de um posto da GNR". E mais ainda um casino.

É que se já é muitíssimo discutível urbanizar a serra na perspectiva gananciosa do lucro fácil, menos ainda se justifica urbanizar a serra sem se ter grandes esperanças nesse mesmo lucro fácil. Não sei, digo eu...

(*) Ou numa aldeia de montanha ou numa vila de montanha ou ainda num aldeamento de montanha, a designação dada à coisa varia muito.

"Requalificar" a serra da Estrela?

Não, obrigado. O que se fez nos últimos quarenta anos já chega e já sobra.

Requalificar a serra, *a sério* (agora sem aspas)? Sim: removam-se todos os monos horríveis com que a "requalificámos" no passado. Renaturalizem-se as áreas que "requalificámos" no passado. Limite-se o tráfego rodoviário a níveis não absurdos, naqueles fins de semana absurdos. Preservemos as paisagens, os habitats. E desenvolvamos um verdadeiro turismo de montanha que, como qualquer pessoa pode constatar visitando qualquer montanha do mundo ocidental (mesmo aquelas onde se esquia a sério), é algo muito, muito diferente do que por aqui temos promovido.

terça-feira, dezembro 16, 2008

O PNSE (des)Fez Bem!

Este post é uma daquelas situações em que dá vontade de felicitar o PNSE. O abrigo que vêm na fotografia em cima serviu durante muitos anos de alojamento aos guardas da lagoa Comprida, julgo que mesmo antes de se criar o PNSE. A verdade é que deixou de ter essa função há muitos anos e encontrava-se abandonado há pelo menos 15 anos tendo vindo a degradar-se estruturalmente e mais recentemente sofreu uma degração higiénico-sanitária. De facto, já nem como abrigo de emergência aquilo poderia servir, pois desde ratazanas mortas, lixo, garrafas até "caganitas" de ovelha e cabra, tudo poderia ser lá encontrado. Ainda mais recentemente, como se pode ver pela imagem, a estrutura entrou em risco de ruir com particular impacto no estradão onde passam frequentemente caminhantes. Na verdade, passo ali frequentemente e já me tinha interrogado porque é que aquilo ainda não tinha sido resolvido. É uma situação que em ultima análise talvez fosse da responsabilidade do ICNB mas não era claro (pelo menos para mim) que assim fosse e não sendo uma situação de grave prejuizo para o ambiente local compreendia que não fosse prioridade dos serviços do ICNB/PNSE proceder à sua demolição.
A verdade é que no passado dia 8 passei novamente pelo local e deparei-me com a completa ausência da barraca como ilustra a fotografia! Fiquei satisfeito e mais satisfeito quando soube que tinha sido levado a cabo pelos serviços do Parque! Tirando a ausência da estrutura nada diria que ali tinha sido realizada uma obra de "desmontagem". Nada de sulcos fora da estrada provacados por máquinas pesadas, nada de desmatagem do terreno circundante, simplesmente nada...e que boa surpresa foi! Parabens por isso ao PNSE pelo aquilo que considero ser uma atitude ligeiramente para lá das suas obrigações! Gostaria de ver o mesmo cuidado ser utilizado mais frequentemente e gostaria ver esta acção de desmontagem em muitas outras estruturas espalhadas pela área do PNSE!

sábado, dezembro 13, 2008

Alvorada

Critica ou Maledicência?

Por vezes somos acusados aqui no CZ de apenas dizer mal da "nossa" Serra, de apenas dizer mal do PNSE, da Turistrela e demais entidades. Ora se por um lado isto não é de todo verdade relativamente ao "apenas" (basta ver inumeros posts de cariz contrário) também não é de todo verdade relativamente à maledicência uma vez que o nosso "dizer mal" passa na verdade por um criticismo (por vezes acutilante admito e até inflamado, fruto da natureza emocional que caracteriza a maior parte dos humanos) devidamente fundamentado, sustentado e principalmente de cariz ideológico e não pessoalizado ou de interesse próprio.
Não podemos, no entanto, fugir ao que é a realidade deste blog e temos de admitir que a maioria dos posts são motivados por eventos ou questões que consideramos estarem erradas na realidade da Serra da Estrela. E é natural que isto aconteça, essencialmente por dois motivos:
1-é lógico reagirmos ou manifestarmo-nos sobre questões que nos incomodam, muito mais do que aquelas que não nos incomodam. Ninguém vai gastar tempo numa causa se achar que está tudo bem e que não há nada a melhorar ou que não pode contribuir para isso. A própria sensação provocada pelo mau estar relativo a qualquer assunto impulsiona-nos a trabalhar para algo melhor, ou seja, a mudar o status quo. Se não fosse assim, a especie humana não teria sobrevivido até hoje; se não fosse assim porque retirariamos a mão do fogo quando nos estamos a queimar ou porque abririamos o guarda-chuva quando começa a chover? Sendo assim, é mais que legitimos, lógico e quase necessário (na minha opinião deveria ser obrigatório) reagirmos, principalmente perante aquilo que consideramos estar mal, perante aquilo que nos incomoda. Justifica-se por isso o âmbito, os objectivos e até mesmo o titulo deste blog (Atenção: O José é que foi o criador deste espaço e não pretendo falar por ele, estou apenas a fazer uma análise em abstrato)
2 - Existe, ainda, muito por fazer para que se consiga atingir (regressar?) ao estado de mutuo beneficio entre a sociedade humana e a natureza local na Serra da Estrela. E aqui é muito importante sublinhar este ponto: são as instituições como o PNSE, as Camaras, as Juntas, e até mesmo a Turistrela que tem a função de desenvolver todos os esforços no sentido de que esta realidade se concretize e evitar a deterioração da Serra. Esta não é a função do CZ nem dos seus autores porque claramente fariamos um trabalho insuficiente fruto da nossa não dedicação exclusiva a essa causa. Assim como não é sua função estar a realçar o facto destas entidades estarem a fazer aquilo que de facto devem fazer (embora hoje em dia isto já seja motivo de destaque).Por outro lado, é função do CZ (e até mesmo de todos) não se conformar com o estado das coisas, divulgar o que está mal e porque está mal, promover a reflexão, escutar o que terceiros têm para dizer, aprender, evoluir, melhorar e eventualmente com tudo isto combater a inércia instalada na sociedade principalmente face ao incumprimento das obrigações de determinadas instituições que supostamente nos representam a todos.

Sendo assim não vejo razão para não continuarmos a apontar o que consideramos estar mal na serra da Estrela em vez de fazer como a avestruz, enterrando a cabeça na areia (ou na neve) e fingir que tudo está bem. Da minha parte continuarei a faze-lo e penso que o José continuará a fazer o mesmo, pelo menos enquanto assim se justificar. Não há que ter medo de nos erguermos e dizer que o "Rei vai nu". Termino com uma frase que muito me agrada que está estampada no Blog Ondas 3 do Octávio:

"Só os peixes mortos seguem com a corrente"

E o leitor, segue com a corrente?

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Construir, construir, construir!

Pág. 5 do Diário XXI de 3 de Dezembro de 2008. Clique para aumentar.

O Presidente da Câmara de Manteigas tem um projecto para as Penhas Douradas. Num artigo publicado na semana passada pelo Diário XXI (clique na imagem para a tornar legível), são referidos alguns detalhes: centro de estágios desportivos em altitude incluindo piscina de 50 m, ginásio, laboratório de avaliação da condição física dos atletas, 24 quartos duplos, salas comuns, diversos gabinetes. A isto eu acrescento, porque me parece natural que seja considerado, um campo de futebol e uma pista de atletismo, que não cabem num ginásio. O autarca destaca a proximidade de cidades médias como Covilhã, Guarda, Fundão e Castelo Branco para justificar esta aposta (como ao certo não nos explicam no artigo) e afirma que "há uma população vasta que beneficiará do investimento que será transversal a várias modalidades" (o artigo também não explica quem ao certo compõe essa população vasta nem como ao certo é que ela beneficiará).

Mas há mais. O artigo continua dizendo que a aprovação do plano prévio é o primeiro passo, a que se segue um Plano de Pormenor que a Câmara de Manteigas está a elaborar. Trata-se de um plano para um projecto de requalificação que prevê a ligação por funicular ou telecabine entre Manteigas e as Penhas Douradas, uma zona de hotelaria e restauração definida como de "alta qualidade", o aproveitamento (ao certo como não está dito) da lagoa do Vale do Rossim, a criação de espaços museológicos e a adaptação do centro de meteorologia para equipamento multiusos que possa servir também como planetário.

Mas ainda não chega. O estudo sugere também a construção de uma casa do Pai Natal e de um espaço de sentidos (não se explica ao certo o que se entende por isso) que funcionará como "uma espécie de floresta encantada".

Não percebo.

Porque será que os autarcas da nossa região (falo no plural porque a câmara da Covilhã tem projectos similares para as Penhas da Saúde) parecem querer, acima de tudo, que os turistas fiquem hospedados no alto da montanha, onde praticamente não há habitantes permanentes, não há comércio (nem comerciantes), não há cinema, não há teatro, não há salas de exposição, não há cafés, não há museus, onde não há praticamente nada e por isso mesmo tudo tem que lá ser construído, praticamente de raiz? Onde não há praticamente nada e justamente dessa ausência nasce grande parte do encanto desses lugares? Porque é que não se tenta antes alojar os visitantes nas localidades, onde poderiam contribuir para dar vida ao comércio muitas vezes moribundo dos centros históricos que as opções urbanísticas que temos seguido, por um lado, e dinâmicas socio-económicas complexas, por outro, tantas vezes têm votado ao envelhecimento e ao abandono? Onde com um investimento muito menor se poderiam criar dinâmicas de complementaridade (eventos comerciais atraindo turistas, presença de turistas aproveitada por eventos culturais, etc.), que tornassem a localidade mais viva, mais viável, mais atractiva. Mas não. O projecto é encaminhr os (eventuais) turistas para as Penhas, e os habitantes de Manteigas que se mudem lá para cima com os seus negócios, ou que fiquem a vê-los definhar, junto com tudo o resto, na vila. Não, não percebo estas estratégias dos autarcas da nossa região.

Ao escrever estes apontamentos, tive repetidas vezes a sensação de dejá-vu. Já há tempos falei sobre a casinha do Pai Natal, o funicular e tudo o resto, a propósito de anúncios que foram notícia, por exemplo, aqui. No artigo que hoje comento, repetem-se as mesmas expressões, palavra por palavra. Será esta notícia uma notícia nova, ou antes foi construida com material reciclado? Fica a dúvida.

No blog Café Mondego, Américo Rodrigues aponta a autenticidade como uma grande mais valia da zona de Bejár (outras referidas são o encanto das estradas rurais, a ausência de casinos, de túneis. Aposto que ele concordaria em acrescentar também a ausência de centros de estágio em altitude e de casinhas do Pai Natal). Por falar em autenticidade, o que é que, na nossa tradição católica apostólica romana, é autêntico numa casinha do Pai Natal? Como é que se pode integrar uma tão evidente importação do norte europeu num turismo que, segundo se afirma, se pretende de alta qualidade, a implantar na nossa região? E o que virá a seguir? Uma Caverna do Halloween no Covão da Ponte? Já agora...

Não tenho nenhuma antipatia especial pela Câmara Municipal de Manteigas ou pelo seu presidente. Ainda há pouco tempo aplaudi um outro projecto da mesma autarquia.

O que há a fazer

Em Novembro de 2004, um pormenor da paisagem que mostrei no post de ontem tinha o aspecto apresentado acima. Em Agosto de 2005 ardeu quase tudo. Os três anos que entretanto passaram limparam a cinza. Mas, das árvores, restam principalmente esqueletos.

Não pretendo desanimar, quero é sugerir o que, creio, há a fazer. Aproxima-se a altura das operações de plantação do programa "Um milhão de carvalhos para a serra da Estrela". Todos não somos demais.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Dia Internacional das Montanhas

O que é (e o que pode ser) o desenvolvimento?

O desenvolvimento é incompatível com a protecção do ambiente e da paisagem?

Estando a serra da Estrela tão profunda e profusamente marcada por empreendimentos que, sacrificando o ambiente e a paisagem, foram justificados em nome do desenvolvimento, porque é que não o vemos?

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Semana da Coruja do Mato

(Clique para aumentar)

O Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS) vai libertar duas Corujas-do-mato (Strix aluco), que passaram uma temporada nas suas instalações para tratamento. As acções são precedidas de uma curta palestra sobre a espécie. Dia 11 (ou seja, amanhã) às 16:00 em Lavandeira (Celorico da Beira) e dia 12 às 15:00, no Jardim de Infância de Aguiar da Beira.

Recordo que todos podemos apoiar o trabalho deste centro, que integra o Parque Natural da Serra da Estrela. Para mais detalhes, contactar os responsáveis por telefone ou por email (os contactos aparecem no cartaz, clique para aumentar se necessário).

Várias coisas me têm impressionado (sempre positivamente) no CERVAS. Hoje, noto mais uma: a impressionante lista de apoios que tem conseguido (coisa que deve dar muito trabalho), reflectida, em parte, na lista que aparece no fundo do cartaz. Parabéns CERVAS, e que o próximo ano seja recheado de sucessos!

terça-feira, dezembro 09, 2008

11 de Dezembro

Logotipo do dia Internacional das Montanhas, roubado do blog Máfia da Cova.

O dia 11 de Dezembro foi declarado o Dia Internacional das Montanhas, por decisão da Assembleia Geral das Nações Unidas, tomada (se não me engano) em 2003. Como com outras efemérides deste tipo, ficamos com a impressão, algo triste, que todos os dias deveriam ser Dia Internacional das Montanhas. Mas enfim, que este dia sirva para para uma reflexão que, se calhar, deixamos por fazer nos outros todos.

A este propósito, as perguntas que mais vezes me coloco são: (1) "O que é (e o que pode ser) o desenvolvimento?"; (2) "A protecção do ambiente impede o desenvolvimento?"; (3) "Se nunca tivemos protecção ambiental que impedisse tantos investimentos feitos em nome do desenvolvimento, porque é que também não temos tido desenvolvimento?".

Disse ontem que todos os esforços bem intencionados valem a pena. Um amigo não se ficará, no dia 11 de Dezembro, pela reflexão. O Luís Avelar planeou uma acção cívica de protesto na Torre, para a qual convida todos os interessados. Por razões pessoais e profissionais, não poderei comparecer, mas espero que seja um sucesso. Aqui fica o seu apelo:

No dia 11 de Dezembro comemora-se o Dia Internacional das Montanhas.

Reconhecendo inequivocamente os inqualificáveis atentados ambientais existentes na área protegida da Serra da Estrela, constatando a genuína falta de vontade política e empresarial para a resolução efectiva dos mesmos (inclusive fomentando o seu agravamento), temendo a concretização de novos projectos meramente orientados numa perspectiva economicista que, para além de agravar os impactes que ocorrem neste singular, frágil e belo território de montanha, não trazem retornos económicos significativos à população local e desconsideram os visitantes e turistas que apreciam e defendem verdadeiramente a natureza; demonstrarei, neste DIA INTERNACIONAL DAS MONTANHAS (11 DE DEZEMBRO) este meu descontentamento junto ao CIT (Centro de Interpretação da TORRE).

Permanecerei presente com uma pequena faixa e distribuirei aos visitantes um prospecto de conteúdo critico sobre alguns dos principais problemas que ocorrem na SE, mas, simultaneamente, com um conteúdo de cariz pedagógico. Para esse mesmo dia também farei sair um comunicado para a empresa.

A todos aqueles que efectivamente anseiam ajudar a restaurar e dignificar a SE como um um Parque Natural e não um Parque artificial, de diversões, apelo a que compareçam nesse mesmo dia entre as 9h e as 16h30 no Centro de Interpretação da TORRE. Em caso de mau tempo passarei a acção para junto da sede do ICNB em Manteigas. Informo que pessoalmente já solicitei autorização (como pessoa singular na acção) a CM de Seia e Manteigas via Governo Civil da Guarda. Caso alguma associação ou um grupo considerável de pessoas se queira igualmente manifestar neste dia simbólico para as montanhas, deverá informar por escrito a CM Manteigas e Seia. Fui informado pelo GCG que não há necessidade de fazer o pedido ao GC, devem faze-lo directamente junto destas duas câmaras.

Se não nos manifestarmos convictamente, dificilmente conseguiremos esperar um futuro melhor para a Serra da Estrela.

P.S. Estou ciente da actual fase de elaboração do POPNSE, após a consulta pública, para o qual também apresentei propostas. Esta acção irá reforçar ainda mais a necessidade de concretização de algumas medidas - ambientalmente sustentáveis - por todos aqueles que, podendo, também apresentaram sugestões, críticas....para o POPNSE, ou que simplesmente estão em consonância com iniciativas a para uma mudança sustentável para a SE.

Em muitos países este dia será certamente pleno de inúmeras acções e manifestações em defesa dos territórios de montanha.

Luis Avelar - LA
961122437

"As pessoas não se querem por a altura das montanhas, mas sim, por as montanhas a sua altura"
Reinhold Messner

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Três aninhos!

Andorinhão-preto (Apus apus), fotografado em Outubro, perto do túnel na estrada entre a Nave e a Santa, a cerca de 1700 m de altitude

Quase me esquecia, O Cântaro Zangado faz hoje o seu terceiro aniversário! Foram três anos a apresentar a nossa opinião sobre a serra e os seus problemas, a lançar questões dirigidas à consciência de cada um dos nossos leitores e à nossa própria também.

Tem valido a pena? Falando por mim apenas, todo o esforço bem intencionado vale a pena.

O primeiro post; o post do primeiro aniversário; o do segundo.

domingo, dezembro 07, 2008

Insectos raros povoam a serra da Estrela

Imagem roubada do site do Expresso.

De acordo com um artigo no jornal Expresso desta semana, a "fauna de invertebrados do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) é das mais ricas do país, com exemplares únicos".

Pois, pois, um montão de bicharocos que não interessam a ninguém e que não podem, repito: não podem ser colocados antes das pessoas nem em nome desses bicharocos se pode obstruir a via do desenvolvimento da nossa região.

OK. Mas então, já que os bicharocos e as plantinhas nunca estiveram antes das pessoas, porque é que as pessoas (todas as pessoas, quero eu dizer) não estão em primeiro lugar (e, claramente, não estão; em primeiro lugar estão algumas pessoas apenas)? E como é que o desenvolvimento ainda não chegou (para todos, que para alguns as coisas vão-se arranjando), com tudo o que, ao longo dos anos, temos feito sacrificando o ambiente, a paisagem, os bicharocos, as plantinhas e até muitas pessoas da serra?

sábado, dezembro 06, 2008

avesdeportugal.info

"Descobri" por acaso um site que é um autêntico poço sem fundo de informação preciosa sobre aves: www.avesdeportugal.info, o Portal dos Observadores de Aves. Inclui descrições de 412 espécies, incluindo fotografias, quase todas espectaculares.
Ferreirinha-alpina (Prunella collaris), uma das especialidades da serra da Estrela descritas no avesdeportugal.info (imagem lá "roubada").
Um aspecto que torna este site particularmente prático é podermos pesquisar por áreas e (mais especificamente para nós aqui na região) estar definida a área serra da Estrela. Espectacular!

sexta-feira, dezembro 05, 2008

O esqui na serra da Estrela (II)

Quando ontem coloquei o post "O esqui na serra da Estrela", pensei que estava a arriscar muito, porque (1) na lista das pistas interpretei a falta de indicação de "aberta" como significando que se encontravam fechadas, (2) porque a razão para as pistas estarem fechadas podia não ter que ver com a falta de neve e (3) porque o site da estância podia não estar actualizado. Pois bem, as questões (1) e (3) estão agora afastadas: o site foi actualizado hoje de manhã, e agora aparece mesmo a indicação de "encerrada" na lista das pistas. Relativamente à informação que ontem difundi, há a acrescentar mais duas pistas e um teleski à lista dos encerramentos. Ou seja, a estância Vodafone está reduzida ao que mostro abaixo (pistas praticáveis a verde): Nos próximos dias (até onde chegam as previsões do snow forecast) não se prevêm melhorias.

Não pretendo tirar conclusões desta situação concreta. Repito que estou ciente de que este ano pode vir a ser um fabuloso ano de neve, e desejo que assim o seja. Mas a verdade é que esta situação (a estância Vodafone reduzida a dois teleskis de aprendizagem e a duas pistas com 400 m de extensão total, cobertas com uma camada fina de neve papa) é uma situação que tem sido muito frequente nos últimos Invernos, isto apesar dos investimentos, dos canhões de neve e de tudo o que dizem autarcas, responsáveis pela Turistrela e pela Região de Turismo.

Em face disto, que sentido é que faz continuar a planear ampliações da estância? Que sentido é que faz continuar a basear na neve o turismo da serra da Estrela? Pior, que sentido é que faz continuarmos, em nome da neve e dos vistantes da neve, a desfear, a artificializar, a construir, a asfaltar, em suma: a destruir a atractividade da serra da Estrela para os tipos de turismo verdadeiramente adequados à sua verdadeira realidade?

quinta-feira, dezembro 04, 2008

O esqui na serra da Estrela

Há dias, um leitor enviou um comentário em que mais ou menos afirmava que o nevão do fim de semana vinha provar que não temos razão no Cântaro Zangado, que neva na serra da Estrela, que temos neve mais do que suficiente para esquiar e que, por isso, a Estrela pode "dar a Portugal uma óptima mini-estância de esqui". Na minha resposta, disse que não podemos tirar conclusões de um nevão isolado e que sim, pode esquiar-se na serra, mas só raramente e só muito, muito ocasionalmente se faz um esqui realmente satisfatório.

Podemos hoje verificar que o referido leitor não tinha razão ao tentar tirar conclusões a partir do nevão do fim de semana. Acabo de ir ao site da estância de esqui. O relatório do estado das pistas é o que apresento a seguir: Apenas quatro pistas estão abertas, e somente três teleskis estão em funcionamento. A neve é de má qualidade (húmida). Tendo em conta os meios mecânicos funcionais, os percursos esquiáveis na estância estão reduzidos às linhas a verde na figura em baixo

Este é o estado das coisas, três dias depois de um dos "maiores nevões dos últimos anos" (são sempre os maiores nevões dos últimos anos, a acreditar no que diz a comunicação social). Não, não devemos tirar conclusões de um único nevão. Até pode acontecer que este ano venha a ser um ano de neve fabuloso, e eu espero sinceramente que sim. Mas isso só se verá lá mais para a frente. E, extrapolando a partir daquilo a que os últimos anos nos têm habituado, eu duvido muito que isso se verifique.

Nota 1: Acreditem os caros leitores que eu sou o primeiro a lamentar este estado de coisas. Gostava de esquiar muito (principalmente fora de pista) e de escalar em neve e gelo, este ano na serra. Tenho planos de actividades "pendurados" há anos, esperando as condições de neve necessárias. Mas não me engano: esta montanha não tem, nem nunca teve, grandes condições para isto. Não estamos nos Alpes nem nos Pirinéus.

Nota 2: Também pode acontecer que seja o site da estância que está com avaria ou desactualizado. Se for esse o caso (e eu não posso verificá-lo porque não tenho tido disponibilidade para ir à Torre), terei todo o gosto em corrigir este post, caso me façam chegar melhor informação. Seja como for, creio que o essencial do que digo se mantém: às vezes consegue-se esquiar na serra, mas em geral as condições para a prática do esqui na serra da Estrela são medíocres.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

De novo o desperdício

Mas hoje não tão mal fotografado como na sexta-feira:

Imagine-se nas Penhas da Saúde hoje à noite. As ruas desertas, as casas fechadas... Mas, inundando todo o espaço, este brilho cor de laranja! Mesmo que o céu esteja limpo, terá que prestar uma atenção consciente e propositada, só para verificar se há ou não luar. Desista de mostrar a Via Láctea aos seus filhos, ela não é visível nas Penhas, como não o é em Quarteira ou no centro da Covilhã. Ah, isto é que é progresso, assim se desenvolve o turismo! Nas Penhas da Saúde, como no largo da portagem da A1 em Lisboa.

A estudar atentamente...

... É este post do blog Rocha podre e pedra dura, uma espécie de edição especial dedicada à escalada invernal na serra da Estrela.

Face Norte do Cântaro Magro (imagem "linkada" do Rppd).

Obrigado, pessoal!

domingo, novembro 30, 2008

sexta-feira, novembro 28, 2008

Contos da loucura "normal"

A encosta da Covilhã à noite. As luzes à esquerda são das casas nas Portas dos Hermínios, perto do sanatório; as situadas mais abaixo, à direita, são as das casas da Rosa Negra; o clarão central recortado pelo alto da colina é o reflexo da iluminação pública das Penhas da Saúde.

Este assunto da venda das torres das bolas da Torre justifica um olhar retrospectivo sobre um episódio paradigmático da maneira como olhamos a serra. O episódio a que me refiro é o da instalação da base militar da Força Aérea no alto da Serra. E o aspecto que mais me interpela neste assunto todo é a extrema brevidade da utilização da referida base militar. Pelo que pude apurar, ela foi utilizada militarmente durante uns efémeros quinze anos (estimativa por excesso), tendo ficado ao abandono desde os anos setenta! Face a esta realidade, é ou não liminarmente evidente que a decisão da instalação da base foi um erro e o investimento um monumental desperdício?

Outro episódio semelhante foi o da construção do teleférico Piornos-Torre. Estando a obra praticamente terminada, por volta de 1975, constatou-se que o teleférico não ofereceria condições de segurança dada a frequência de ventos intensos ali, no alinhamento dos vales do Zêzere e da Alforfa. Conclusão? As estruturas ficaram na serra ao abandono durante mais de vinte anos: os cabos suspensos sobre a Nave de Santo António (um deles caiu a páginas tantas), a enorme torre de suspensão intermédia "enfeitando" o Espinhaço de Cão, os edifícios dos dois terminais lentamente decaindo em ruínas... Assim chegámos ao final dos anos noventa, altura em que tudo foi removido (à excepção do terminal inferior, nos Piornos; terá sido com o objectivo de eternamente nos penitenciarmos pelos custos da nossa estupidez?). Por uma vez imperou o bom senso: fizemos asneira com isto do teleférico, vamos remover essa asneira. Porque será que não se pode aplicar o mesmo bom senso às torres das bolas?

Episódios deste tipo vão-se sucedendo, com maior ou menor espalhafato, maior ou menor desperdício. Apesar de a realidade ser o que menos conta nestas andanças, às vezes ainda acaba por se impor, vá lá, vá lá! Por exemplo, há alguns anos tentou ganhar força um movimento para se lançar uma candidatura à realização dos jogos olímpicos de Inverno na Serra da Estrela! O Jornal do Fundão (olha quem!) fez questão de dar a esse proto-movimento toda uma página, com entrevista, comentário, análise e foto a cores. A coisa ficou por ali, e ainda bem. Jogos Olímpicos de Inverno na Serra, jamais virão a acontecer, obviamente. Mas é possível estragar muita serra com esse objectivo em mente. Nunca publicamente viria a ser reconhecido que tudo não tinha passado de um disparate voluntarista (como os radares, como o teleférico). Mas, tivesse o projecto "avançado", teríamos agora as ruínas a demonstrá-lo.

Mas outras vezes não há realidade que nos valha. Um dos mais recentes episódios do que chamei loucura normal é a decisão da Câmara Municipal da Covilhã de tornar as Penhas da Saúde (aglomerado de casas de férias que, na sua esmagadoríssima maioria, permanecem fechadas durante quase todo o ano e onde não moram mais do que vinte pessoas) numa minicidade de montanha, uma "área de projecção nacional e internacional, com que Portugal possa concorrer em termos de turismo de montanha com outras da Europa, nas cidades dos maciços mais conhecidos, como os Alpes ou os Pirinéus." (transcrição literal do site da Câmara Municipal). Não só a realidade parece estar a milhas deste projecto (quem o propõe ou não conhece os Alpes e os Pirinéus, ou não conhece a Serra, ou não conhece nem uns nem a outra), como podemos questionar-nos se, antes de fazer das Penhas da Saúde uma cidade viva, não seria obrigação da Câmara Municipal dar vida ao centro histórico da Covilhã, coisa que se está a revelar mesmo muito difícil... O primeiro passo para tão esclarecido e viável empreendimento foi o asfaltar dos arruamentos do aldeamento e a instalação de nova iluminação pública, há auns três ou quatro anos. Esta última tem uma intensidade tal que o céu nocturno das Penhas da Saúde perdeu todo o seu encanto: aquilo agora é à noite como a segunda circular em Lisboa. Tem uma intensidade tal que em certas condições, podemos na Covilhã notar o clarão das Penhas nas nuvens baixas, apesar de as duas localidades não estarem na linha de visão uma da outra. É isso mesmo que mostro na fotografia que ilustra este post. Como devemos classificar este dispêndio de megawatts-hora na iluminação pública dos arruamentos de um aglomerado de casas onde não mora praticamente ninguém?

Deixei aqui quatro exemplos, entre muitos que poderia ter referido (só o capítulo estradas dava vários posts). O discurso é sempre o mesmo: "isto que vamos fazer é indispensável para o progresso!" Mais tarde, quando se constata o que já era óbvio desde o início, ou seja, que o que se queria fazer está apenas a absorver verba sem gerar progresso nenhum, deixa-se a coisa ao abandono e começa-se uma nova loucura, com os mesmos argumentos! Às vezes nem sequer tem que ser uma loucura nova: por exemplo, volta-se agora a tentar relançar o projecto do teleférico Piornos-Torre!

Esta loucura "normal" não é uma doença exclusiva da zona da Serra da Estrela. Mas convenhamos que se faz aqui sentir de forma particularmente aguda. Algum dia teremos cura?

A fotografia é mesmo muito má. Mas foi tirada sem suporte e teve uma duração de perto de dois segundos. Enquanto fixava a câmara a um tripé para uma segunda tentativa, o nevoeiro adensou-se e o efeito perdeu-se completamente. Foi pena.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Mamarrachos à venda!

Uma das "maravilhas" agora postas à venda. A outra é igual. (Fotografia roubada daqui.)

O jornal O Interior traz notícia do anúncio da venda dos monos das bolas (a link pode não ser permanente), na Torre. A peça chama a atenção para uma perplexidade que partilho: então aquilo não tinha já passado para a Região de Turismo? Adiante, que a serra está bem habituada a "surpresas" destas...

Portanto, se o caro leitor está interessado em dois mamarrachos indescritivelmente horríveis, a cairem de podre, no sítio mais degradado da serra da Estrela, um dos quais está parcialmente ocupado (não sei se pagam renda...) pela GNR, força! Não sei para que os quererá, até porque o que se pode fazer naquele local não está muito bem definido, a zona não tem infraestruturas e, além disso, tirando alguns (poucos) dias por ano, os negócios têm ali uma rendibilidade muito incerta. Mas, é claro, não é nada que um indispensável apoiozito do estado não resolva, haja iniciativa privada!

Quanto a mim, o Ministério da Defesa faria-nos a todos um favor se vendesse aqueles monos era mas era ao ferro velho. O lugar do lixo é no lixo!

Divulgámos há dias uma nota de imprensa da Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela sobre este assunto.

quarta-feira, novembro 26, 2008

“La Covatillização” da Estância da S. Estrela

imagens retiradas daqui e daqui
A propóstio do texto “Nós aqui vivemos da neve” publicado no Cântaro pelo LJMA recebemos um comentário bastante interessante de um anónimo que referia que “uma "covatilização" da estrela seria óptimo”. À partida pareceria mais uma repetição do que Artur Costa Pais tem dito vezes sem conta nos media sobre a necessidade de ampliarmos drasticamente a área esquiável actual de forma a competirmos de igual para igual com a estância de “La Covatilla” na Serra de Bejar. Mas uma leitura mais atenta revela que o que o anónimo pretende é uma "Covatillização" da nossa estância ao nível da seriedade, profissionalismo e preocupação com o meio ambiente. Deixo-vos então o comentário interessante do leitor com pequeníssimos cortes e formatações a negrito introduzidas por mim:

“Quando me referia á estançia da vodafone possuir as mesmas condições das de covatila,não me estáva a referir á ampliação da mini-estancia da vodafone, não será necessário e muito menos recomendável (...). Estava sim a me referir á subestituição de todo aquele material que lá é alugado para a pratica de desportos de inverno, estava-me a referir tambem á subestituição dos meios mecanicos, tudo aquilo não passa de sucata, os preços que lá são praticados são uma verdadeira loucura, estava-me a referir tambem á proibição de acesso á torre por veiculos, para lá se chegar poderiam ser usadas telecabines, ou cadeiras, a mini-estancia da vodafone poderia contribuir com uma parte dos seus lucros para a reflorestação da serra, com vegetação nativa, pois é o que se está a fazer neste momento em covatilla, aliás, todos estas ideias que referi, já estão em pratica em covatilla ou então em projecto avançado de conclusão. Sei que a mini-estançia da vodafone não tem as minimas condições de ser uma verdadeira estancia de esqui daquelas que encontramos nos alpes ou pirineus, sei que até mesmo covtilla por ter mais altitude consegue reunir mais condiçoes para a prática de desportos de neve comparado com a nossa estrela, tal como digo, só podemos ter uma mini-estancia de esqui e nunca uma verdadeira estancia para desportos de neve, mas mesmo assim, sou um grande entusiasta do projecto de ter na estrela um mini-estancia de grande qualidade. Penso que este projecto feito com intelegencia poderia ser a cereja no topo do bolo de um turismo muito diversificado que todas as beiras têm para oferecer e que estão ainda para explorar, penso que a serra está a ser mal tratáda, incendios, desflorestação, poluição, construção em altas altitudes etc etc... Deixe-me lhe referir que em covatila é expressamente proibido construir o que quer que seja acima dos mil metros, deixe-me tambem referir que a estancia de covatilla está obrigada a participar directa e indirectamente em acções de limpeza e manutenção da serra, até mesmo os canhões para a fabricação de neve está sujeita a inspecção periodica pois estão expressamente proibidos em utilizar quimicos, só podem usar agua da serra de bejar(...), em espanha muitos grupos ambientalistas no inicio olhavam para a estançia de bejar com muitas reservas e criticas mas hoje estas desconfianças começam a se dissipar. penso que uma "covatilização" da estrela seria optimo pelas rezões acima referidas. (...)até lá, eu prefiro matar a "fome" de neve em covatilla, pois lá, é tudo muito mais profissional e racional, enquanto as coisas más que estão a acontecer na estrela não modarem continuarei a ir a covatilla com a familia brincar na neve, aliás, é notorio o numero crescente todos os anos de portugueses a procurarem bejar nos fins-de-semana de inverno,porque será?! Afinal de contas,a distancia que separa a estrela de bejar é menos de 100 KM”

É um ponto de vista bem fundamentado e, na minha opinião, bastante consciente do que são as duas realidades nestas estâncias de ski.

De bater o dente!

Ontem ao fim da tarde já estavam 8 graus negativos na Torre! Deve ter sido quentinha a noite por lá! Ah Inverno que vais batendo à porta sem querer entrar...será desta?

A segunda "pincelada" da época

Cântaro Magro, ontem à hora de almoço.
E um poema fabuloso de Antonio Machado que reencontrei por acaso na net
Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar.

terça-feira, novembro 25, 2008

Nota de imprensa da ASE

Nota de imprensa da Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela a propósito do anúncio de venda dos edifícios militares da Torre:

VENDA DOS EDIFÍCIOS MILITARES DA TORRE – SERRA DA ESTRELA

O território do planalto da Torre, na Serra da Estrela, é pertença dos baldios de 4 freguesias: Alvôco da Serra e Loriga, do concelho de Seia; S. Pedro e Unhais da Serra, respectivamente dos concelhos de Manteigas e da Covilhã.

Em finais dos anos 50 do século XX, o Estado Português tomou posse duma vasta área daquele espaço, para aí instalar a Esquadra nº 13 do Grupo de Detecção Alerta e Conduta de Intercepção que, entretanto, acabou por ser desactivada no início da década de 70 desse século, por razões técnicas e operacionais.

A partir da desactivação e do desinteresse manifestado pelo Estado em manter ali qualquer base militar, cessam, no entendimento da ASE, quaisquer direitos de transacção dos terrenos ou negociação que envolvam esses mesmos direitos.

Parece-nos justo que deixando aquela área de ter o interesse militar para que foi desanexada os terrenos regressem à gestão dos seus titulares, pelo que o anúncio, tornado público, da venda dos edifícios militares, sem que para o efeito se invoque o direito dos Concelhos Directivos dos Baldios – titulares no âmbito da Lei dos Baldios – a serem ouvidos no processo é uma injustiça e um atentado aos Direitos consagrados na Constituição da República.

A ASE entende que a venda dos edifícios poderá estar ferida de ilegalidade, uma vez que se desconhece qualquer venda ou doação, para outros fins que não os militares, com a agravante do futuro objecto dos imóveis virem a parar a mãos privadas e assim abrir um precedente muito grave no Parque Natural da Serra da Estrela.

A ASE considera importante que o Parque Natural da Serra da Estrela informe quais as condicionantes e funções que os edifícios poderão vir a merecer para que depois não surjam motivos de contestação que poderão ser lesivos da imagem da Serra da Estrela pela polémica que uma transacção menos transparente poderá gerar na sociedade portuguesa.

Serra da Estrela, 25 de Novembro de 2008
A Direcção da ASE

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!