segunda-feira, março 30, 2009

Petição sobre as "torres das bolas"

O blog de Manteigas iniciou uma petição online de oposição à venda dos edifícios da antiga base da força aérea da Torre. Porque concordo com as razões invocadas e com o destino que se propõe para aqueles imóveis (devolução aos proprietários — Associações de Baldios de freguesias dos concelhos de Seia, Manteigas e Covilhã — expropriados aquando da construção daquela "indispensável" base), assinei a petição.

A propósito do anúncio da intenção de venda dos edifícios e da reacção a esse anúncio por parte do Presidente do Pólo Turístico da Serra da Estrela (ou lá como é que se chama agora a Região de Turismo da Serra da Estrela), várias dúvidas se me colocam:

  • Quem poderia estar interessado em comprar aquelas coisas senão a Turistrela? É que nos termos da lei (Lei 3/70 de 28 de Abril de 1970, Decretos-Lei 325/71 de 28 de Julho de 1971 e 408/86 de 11 de Dezembro de 1986) existe uma concessão exclusiva do turismo e dos desportos atribuída àquela empresa desde o início dos anos setenta e válida ainda por várias dezenas de anos por vir, que limitam fortemente a actividade de terceiros, ou que, pelo menos, a condicionam ao arbítrio dos concessionários. Faz sentido investir sem saber ao certo se a concessionária tolerará a presença de eventuais concorrentes ou sem saber que condições irá impôr para magnanimamente os agraciar com essa tolerância?
  • Além disso, aqueles mamarrachos horrorosos estão na sua maioria praticamente em ruínas e não dispõem das infraestruturas básicas. O seu aproveitamento exigirá investimentos muito vultuosos.
  • Com que objectivo poderia alguém estar interessado em comprar aquelas coisas? Para além de serem arquitectonicamente horrorosas e completamente desenquadradas no local, estão situadas no centro de uma área protegida, com um regulamento que impõe alguns constrangimentos. Faz sentido investir sem saber ao certo se o que se pretende empreender será permitido?
  • Porque é que o presidente do Pólo Turístico da Serra da Estrela (sr. Jorge Patrão) se opôs à venda dos mamarrachos? É que não parece muito crível que o actual proprietário (Ministério da Defesa) se venha a empenhar nos projectos turísticos que Jorge patrão afirmou ter para os ditos imóveis. A venda dos edifícios a investidores privados pareceria ser assim um passo na direcção desejada por Jorge Patrão. Mas ele opõe-se a essa venda, o que parece indicar que tem em mente um esquema alternativo, em que agentes turísticos (e quem mais poderá ser senão a Turistrela, sózinha ou liderando parcerias?) aproveitam os edifícios sem a maçada de ter que pagar por eles num processo de venda aberto e transparente. Será isso?

Já comentei esta intenção de venda dos mamarrachos, bem como a oposição que lhe manifestou Jorge Patrão, aqui, aqui e aqui.

domingo, março 29, 2009

Erradicar as mimosas

Pelo blog Loriga fiquei a saber que o Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade e a Associação de Freguesias da Serra da Estrela (que agrega várias freguesias do concelho de Seia) estão a preparar uma candidatura para um projecto que visa a limpeza e destruição de mimosas (acacia dealbata), para o que pedem a participação dos interessados.

Oxalá o projecto avance e seja um sucesso!

Mais detalhes no blog Loriga.

sexta-feira, março 27, 2009

Pés na terra

O centro comercial da estação é dos mais antigos da Covilhã. Não é grande coisa pelos padrões mais actuais, é antes uma espécie de "shopping de bairro", usuais há uns vinte anos. Como é vulgar nos shoppings, as lojas vão abrindo e fechando, vão-se renovando, vão sendo substituidas por novas lojas, etc. Lojas de moda, de telemóveis, de computadores, de desporto, de "bugiganguinhas para o lar", essas coisas que é normal encontrar num shopping.

Creio que não estarei a errar por muito se disser que a loja mais sólida naquele centro comercial é uma pequena frutaria (uns 10 m2) onde um agricultor vende a fruta e as hortaliças que produz na sua quinta (funciona também como revendedor de produtos de outras empresas agrícolas). Não se trata de uma destas lojas muito fashion de produtos biológicos, vegan, "salvemos o planeta" ou coisa que o valha, não. É mesmo uma frutaria, simples.

Perdoem-me o eventual reaccionarismo, mas eu acho simplesmente espectacular a existência e a aparente solidez desta frutaria tradicional naquele espaço. Acho óptimo poder comprar maçãs frescas e saborosas, mesmo que não cumpram critérios de tamanho, cor e regularidade de forma definidos por sabe-se lá quem e que por isso não são vendidas nas grandes superfícies. Acho que é um sinal de esperança, de uma "realidade verdadeira" que se impõe a uma outra, diria que mais virtual, que é decidida e regulada em centros de poder distantes e inacessíveis, e que o faz, não numa aldeia remota e "atrasada", mas logo num centro comercial urbano! Vingando onde o fashion sofisticado e modernaço frequentemente tem falhado! E que se mantém, não pela mão de um comerciante deprimido que se agarra ao seu condenado modo de subsistência, mas pela iniciativa de um jovem agricultor se afirma comercialmente, fornecendo um produto natural e de qualidade que claramente, naquele local, tem muita procura e pouca oferta!

Pois é... Misteriosos podem ser os caminhos do desenvolvimento...

quarta-feira, março 25, 2009

"Fundão quer ser capital das caminhadas..."

A página 4 do Diário XXI de hoje informa que a Câmara Municipal do Fundão pretende definir e sinalizar várias centenas de quilómetros de trilhos pedestres e de BTT no concelho.

Tenho tendência para achar boas notícias como esta (outros exemplos são Manteigas, Guarda (freguesia de Fernão Joanes), o projecto Da Nascente à Foz—Rio Acima e um longo etc.) porque creio que revelam uma intenção (mesmo que não passe disso) de cativar turistas capazes de apreciar o ar livre, o vento, a paisagem, a vida silvestre... Turistas como eu, em suma. E agrada-me que se tente cativar esses turistas porque eles existem e assim podem ajudar a mostrar que o turismo e o desenvolvimento não obrigam necessariamente a estragar a paisagem, a tudo urbanizar e artificializar desordenadamente, não obrigam a reproduzir no campo os erros que temos cometido nas localidades, na Serra os que cometemos no Algarve.

Desfear mais território ainda? Já chega, obrigado.

segunda-feira, março 23, 2009

Verdilhão-comum

Verdilhão-comum (Carduelis chloris), fotografado hoje num jardim da Covilhã.

sábado, março 21, 2009

Também não percebo

A caminho de Lisboa pela A1, perto de 1000m antes da saída para o Carregado, no meio de linhas de alta, média e baixa tensão, entre estradas e estradinhas, entre casas, casinhas, oficinas, lojas, fábricas e armazéns, com o ruído e o cheiro da autoestrada sobrepondo-se a mais um milhão de ruídos e cheiros, encontra-se um poste com uma antena para telecomunicações móveis, alimentado com um grande painel fotovoltaico.

Na serra da Estrela, perto dos Piornos, entre giestas, urzes e penedos, num silêncio cortado apenas pelo assobiar do vento e pelos balidos e chocalhos de um ou outro ocasional rebanho, instalou-se há cerca de ano e meio um destes postes de telecomunicações, mas este é alimentado por um gerador a diesel. Outro ainda, situado alguns quilómetros abaixo da Lagoa Comprida perto da estrada nacional, é alimentado por uma linha aérea, destas suportadas por postes.

Que paisagens e que ambientes mostramos querer proteger com estas opções?

quarta-feira, março 18, 2009

Juro que não percebo...

Despejo de pneus perto da Pedra da Mesa, na colina sobre a Covilhã. Imagem roubada no blogue Cortes do Meio.

... O que leva uma pessoa a subir a serra e a meter o carro por caminhos esconsos só para despejar na berma uma carrada de pneus velhos, quando o poderia fazer muito mais comodamente, com menos gastos e com igual impunidade cá por baixo, mais perto das localidades.

É que ainda poupava muitas despesas e maçadas aos serviços que tiverem que limpar a porcaria.

terça-feira, março 17, 2009

A venda dos mamarrachos

Excerto da página 7 do Diário XXI de 16 de Março. Clique para aumentar.

O Diário XX1 deu ontem notícia de recentes declarações de Jorge Patrão, presidente do Pólo Turístico da Serra da Estrela, segundo as quais a decisão de venda das torres do antigo radar da Torre (que comentámos aqui) não se irá, afinal, concretizar.

A questão mais preocupante com a venda das torres não é a da posse propriamente dita, mas antes os impactos que podem eventualmente resultar da utilização dos edifícios e a salvaguarda do interesse dos antigos proprietários (associações de baldios de Unhais da Serra (Covilhã), de S.Pedro (Manteigas) e de Loriga (Seia), expropriados aquando da decisão de construção da (efémera) base militar. Ora, os mamarrachos podem não estar à venda, como afirma Jorge Patrão. Mas depreende-se das suas palavras que há um plano, ou pelo menos uma intenção, de os aproveitar turística e/ou comercialmente.

Espero que o interesse dos baldios seja agora tido em linha de conta e que o papel que o aproveitamento destes mamarrachos pode ter na correcção ou no agravamento da deprimente situação ambiental da zona da Torre seja devidamente ponderado. Se se planeia apenas reforçar o mercantilismo rasca que por lá grassa (mesmo que agora com lojas mais sofisticadas), tanto faz que que a posse seja mantida no estado como que passe para privados e bem melhor que isso, mesmo, mesmo, é deitar as torres abaixo.

segunda-feira, março 16, 2009

"O Estado paga e o povo pasma"

Dizia Vasco Pulido Valente no Público de ontem:

"... Claro que uma auto-estrada pouco ou nada contribui para o desenvolvimento e a produtividade ou diminui a dívida (externa ou interna) ou torna a sociedade portuguesa sustentável. Só ajuda a fingir que Portugal progride e isso basta."

E digo eu:

Claro que uma estrada de asfalto serra acima pouco ou nada contribui para o desenvolvimento do turismo na Estrela, não evita o envelhecimento nem o abandono populacional da região, não a torna mais atractiva ou dinâmica. Só ajuda a fingir que a freguesia ou o concelho progridem e isso basta.

Creio que a realidade apoia muito claramente estas opiniões.

sábado, março 14, 2009

A febre de sábado de manhã

Cia (Emberiza cia) fotografada hoje na encosta sobre a Covilhã.

Num curto passeio pela encosta sobre a Covilhã, notei as bétulas com botões novos, os larícios também já a desenvolverem uma penugem verde, uma cerejeira-brava florida, fotografei a cia que ilustra este post, surpreendi três gaios que esvoaçaram resmungando mal-humorados, vi as lagartas da processionária dos pinheiros por todo o lado e ouvi (pela primeira vez este ano) um cuco, que decerto enche com elas a barriga.

A Primavera já chegou em força, mesmo que o sol ainda esteja, durante mais alguns dias, "abaixo" do plano do equador!

Não levei neste passeio GPS, mochila, fogareiro, binóculos nem canivete multifunções. Alguém me marcará falta de material por isso?

quinta-feira, março 12, 2009

Não é todos os dias...

... Que tenho o prazer de ver um pintassilgo.
Pintassilgo (Carduelis carduelis) morto, na berma da variante à Covilhã perto do acesso ao parque industrial do Canhoso.

Preferiria não ter encontrado este hoje.

É mais um exemplo (outros são este, este e muitos mais no blog De Olhos Nas Estradas) de como as estradas de asfalto não têm impactos ambientais e até ajudam a observação da vida selvagem. Ou, direi melhor, a observação da morte selvagem.

É com destas observações que queremos desenvolver o turismo em espaço natural? Se não é isso que pretendemos, deveríamos talvez evitar a asfaltação de ainda mais caminhos pela serra.

segunda-feira, março 09, 2009

Ainda é Inverno...

Mas já não para os carvalhos-negral (Quercus pyrenaica) que tenho em viveiro.

domingo, março 08, 2009

O Inverno dos Larícios

Bosquete de larícios (Larix decidua Miller) perto da Porta dos hermínios, fotografado na terça-feira passada.

quinta-feira, março 05, 2009

O princípio do fim do Inverno

Açafrão-bravo (Crocus carpetanus), fotografado dia 2 de Março.

segunda-feira, março 02, 2009

Ai, óh pra nós tão patetinhas!

Encontrei esta pérola na revista Fugas do Público de sábado da semana passada (21 de Fevereiro, portanto):
Clique para aumentar.

Animais desconhecidos e perigosos? Humidade quase impossível de aguentar? Vegetação com mais de um metro de altura? (Bem, as florestas costumam ter árvores...)
O autor(a) desta peça de publicidade mal dissimulada talvez possa beneficiar de um passeio pelo Jardim Botânico, por Monsanto ou pela serra de Sintra (caso more na zona de Lisboa; outras regiões dispõem também de bosques, florestas ou parques florestais ao alcance de qualquer um que precise de se familiarizar com esses ambientes)...

E para ir para a floresta, precisamos de gps? De um canivete multi-funções? De um forno?! Só falta nesta lista o jipe topo de gama, terá sido esquecimento?

Aquilo de que realmente precisamos para apreciar a floresta é de vontade, de disponibilidade e de atenção. Reunido este essencial, acrescentaria a seguir guias de campo da fauna e flora. Tudo o resto é acessório, ou seja, não essencial.

sábado, fevereiro 28, 2009

Tanta paz...

... Tanta serenidade, tanto conforto...

Vem a propósito a cena da tempestade do filme "Sonhos" de Akira Kurozawa.

Podemos encontrá-la no Youtube: parte 1, parte 2, parte3. Já agora, aproveito para recomendar vivamente todos os filmes deste realizador japonês, especialmente, pelo tema que aborda, o magnífico "Dersu Uzala".

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Já em exposição...

Num certo ski resort perto de si:
Fotografia tirada hoje, cerca das 12:45, na entrada da estância de esqui Turistrela-Vodafone.

Dois comentários: (1) não, não são só os dos plásticos do sku que deixam lixo na serra; (2) enquanto as coisas forem como são nas redondezas dos sítios onde opera, uma certa empresa concessionária exclusiva do turismo e dos desportos na serra da Estrela há mais de trinta anos e por décadas ainda por vir não corre riscos rigorosamente nenhuns de vir a ganhar um Cristal de Gelo da ASE.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

O 1º Cristal de Gelo

A Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela (ASE) entendeu criar um galardão para distinguir empreendimentos, organizações ou iniciativas que (no entender da associação) se destaquem pela contribuição que dão para o desenvolvimento sustentável e/ou a causa da protecção ambiental e paisagística na Serra da Estrela.

O primeiro premiado com o "Cristal de Gelo" foi o Complexo Turístico H2otel – Congress & Medical SPA e Aquadome – The Mountain SPA, da empresa Natura IMB Hotels, em Unhais da Serra, e a cerimónia teve lugar ontem, nas instalações do hotel (ver artigo sobre o evento no Diário Digital).

As razões desta decisão estão enumeradas no site da ASE e sobre elas não me vou alongar muito aqui. Quero somente destacar que, por estar localizado numa povoação permanentemente habitada (ao contrário, por exemplo, de aldeamentos essencialmente turísticos como as Penhas da Saúde ou Penhas Douradas onde não residem mais do que vinte pessoas em cada um), resultam óbvios benefícios para as populações, muito maiores do que os que se verificariam se se tivesse construído a maiores altitudes.

Não é só a freguesia de Unhais, ou o concelho da Covilhã, que fica a ganhar com este empreendimento. Tratando-se de instalações termais, prestam-se a estadias de comparativamente longa duração, alguns dias, semanas até. Alguns hóspedes aproveitarão a estadia para, nas horas mortas, visitar as localidades das redondezas, desde Sortelha até Piódão, das Minas da Panasqueira até à Guarda.

E há um aspecto que deve ser enfatizado. Este empreendimento marca uma diferença abissal relativamente ao que se tem normalmente feito na nossa região. Pelo esforço em satisfazer os regulamentos muito exigentes das certificações mais ambiciosas, tanto durante a implementação como agora que se encontra em funcionamento, pela vontade que do projecto extravazem benefícios para a população (que acabam por se maniffestar também como uma mais valia para o empreendimento), pelo marketing apurado e sofistificado, e mais um longo, longo etc, que seria fastidioso especificar.

Só para dar dois exemplos dessa diferença, o destino dos restos dos materiais de construção foi objecto de uma cuidada fiscalização, necessária para uma das muitas certificações que este hotel pode, orgulhosamente, ostentar; contraste-se com a situação que revelei neste post. O marketing do H2Otel pretende afirmá-lo a um público internacional, sofisticado, de elevado nivel cultural; contraste-se essa promoção, por exemplo, com tristezas como esta, ou esta.

Por fim, falando agora na qualidade de membro da ASE que participou da decisão da atribuição deste galardão, gostava de deixar claro que a associção não pretende reservar a distinção para empreendimentos de luxo ou de grande escala como é o H2Otel. Pequenas instalações hoteleiras, pensões ou mesmo parques de campismo poderão igualmente vir a ser contempladas com futuros Cristal de Gelo. Oxalá!

Todo o processo de refundação das Termas de Unhais foi lançado pela Câmara Municipal da Covilhã, creio que já sob a liderança do actual edil, Carlos Pinto. Vem assim a propósito, agora que o projecto se tornou realidade, felicitar também a autarquia e o seu presidente, ainda mais por serem muito frequentes, aqui no Cântaro Zangado, as críticas a esta autarquia (infelizmente, suspeito que continuarão a sê-lo).

Stairway to heaven

Vista de Unhais para a Serra, fotografada ontem à tarde.

Aprendi em criança que o caminho para o céu é pedregoso, estreito, sinuoso, cansativo... Mas, com toda a franqueza, e a avaliar pelo da imagem, não é também, apesar disso (ou por causa disso), tão convidativo? Não será mesmo irresistível?

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Absurdo!

As modalidades desportivas sujeitas a licença e ao pagamento de taxa ao ICNB de acordo com o disposto no Decreto Regulamentar nº 18/99 de 27 de Agosto estão enumeradas no ponto 3 do Artigo 3º, que apresento na imagem. Significa isto que o estado se deu ao trabalho de regular as condições para a concessão de licença para a prática, no interior de áreas protegidas, de montanhismo, pedestrianismo, escalada, hipismo, canoagem, por exemplo, mas não sentiu ainda idêntica preocupação quanto ao licenciamento de desportos motorizados, a passagem da volta a Portugal em bicicleta, a realização de competições de esqui (e o próprio funcionamento das estâncias — só temos uma em Portugal — onde tais competições se podem realizar) ou de raids todo-o-terreno, igualmente no interior dessas mesmas áreas protegidas.

Esta lei permite ao ICNB taxar (correcção: obriga o ICNB a taxar) um encontro sem fins lucrativos de biólogos amadores para observação da fauna ou da flora da serra da Estrela, quando não há (que eu conheça) um mecanismo legal que determine explicitamente e detalhadamente as taxas a aplicar a uma rave party com entradas pagas e consumos mínimos obrigatórios, a uma competição automobilística, a uma concentração de motociclistas ou até, passe o exagero, a um festival da cerveja que ocorra no interior deste parque natural. Como a experiência tem mostrado, nada garante que tais eventos não sejam autorizados ou, pelo menos, silenciosamente (e envergonhadamente?) tolerados.

Absurdo!

Compreendo melhor agora o que ouvi de um empresário de actividades outdoor com quem contratei um passeio de canoa para mim e a minha família na albufeira de Sta Luzia: "Não, na serra da Estrela não realizamos actividades. Porque é uma área protegida, e o regulamento para a prática de modalidades desportivas deste tipo nas áreas protegidas é absurdo!"
Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!