sábado, março 14, 2009

A febre de sábado de manhã

Cia (Emberiza cia) fotografada hoje na encosta sobre a Covilhã.

Num curto passeio pela encosta sobre a Covilhã, notei as bétulas com botões novos, os larícios também já a desenvolverem uma penugem verde, uma cerejeira-brava florida, fotografei a cia que ilustra este post, surpreendi três gaios que esvoaçaram resmungando mal-humorados, vi as lagartas da processionária dos pinheiros por todo o lado e ouvi (pela primeira vez este ano) um cuco, que decerto enche com elas a barriga.

A Primavera já chegou em força, mesmo que o sol ainda esteja, durante mais alguns dias, "abaixo" do plano do equador!

Não levei neste passeio GPS, mochila, fogareiro, binóculos nem canivete multifunções. Alguém me marcará falta de material por isso?

quinta-feira, março 12, 2009

Não é todos os dias...

... Que tenho o prazer de ver um pintassilgo.
Pintassilgo (Carduelis carduelis) morto, na berma da variante à Covilhã perto do acesso ao parque industrial do Canhoso.

Preferiria não ter encontrado este hoje.

É mais um exemplo (outros são este, este e muitos mais no blog De Olhos Nas Estradas) de como as estradas de asfalto não têm impactos ambientais e até ajudam a observação da vida selvagem. Ou, direi melhor, a observação da morte selvagem.

É com destas observações que queremos desenvolver o turismo em espaço natural? Se não é isso que pretendemos, deveríamos talvez evitar a asfaltação de ainda mais caminhos pela serra.

segunda-feira, março 09, 2009

Ainda é Inverno...

Mas já não para os carvalhos-negral (Quercus pyrenaica) que tenho em viveiro.

domingo, março 08, 2009

O Inverno dos Larícios

Bosquete de larícios (Larix decidua Miller) perto da Porta dos hermínios, fotografado na terça-feira passada.

quinta-feira, março 05, 2009

O princípio do fim do Inverno

Açafrão-bravo (Crocus carpetanus), fotografado dia 2 de Março.

segunda-feira, março 02, 2009

Ai, óh pra nós tão patetinhas!

Encontrei esta pérola na revista Fugas do Público de sábado da semana passada (21 de Fevereiro, portanto):
Clique para aumentar.

Animais desconhecidos e perigosos? Humidade quase impossível de aguentar? Vegetação com mais de um metro de altura? (Bem, as florestas costumam ter árvores...)
O autor(a) desta peça de publicidade mal dissimulada talvez possa beneficiar de um passeio pelo Jardim Botânico, por Monsanto ou pela serra de Sintra (caso more na zona de Lisboa; outras regiões dispõem também de bosques, florestas ou parques florestais ao alcance de qualquer um que precise de se familiarizar com esses ambientes)...

E para ir para a floresta, precisamos de gps? De um canivete multi-funções? De um forno?! Só falta nesta lista o jipe topo de gama, terá sido esquecimento?

Aquilo de que realmente precisamos para apreciar a floresta é de vontade, de disponibilidade e de atenção. Reunido este essencial, acrescentaria a seguir guias de campo da fauna e flora. Tudo o resto é acessório, ou seja, não essencial.

sábado, fevereiro 28, 2009

Tanta paz...

... Tanta serenidade, tanto conforto...

Vem a propósito a cena da tempestade do filme "Sonhos" de Akira Kurozawa.

Podemos encontrá-la no Youtube: parte 1, parte 2, parte3. Já agora, aproveito para recomendar vivamente todos os filmes deste realizador japonês, especialmente, pelo tema que aborda, o magnífico "Dersu Uzala".

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Já em exposição...

Num certo ski resort perto de si:
Fotografia tirada hoje, cerca das 12:45, na entrada da estância de esqui Turistrela-Vodafone.

Dois comentários: (1) não, não são só os dos plásticos do sku que deixam lixo na serra; (2) enquanto as coisas forem como são nas redondezas dos sítios onde opera, uma certa empresa concessionária exclusiva do turismo e dos desportos na serra da Estrela há mais de trinta anos e por décadas ainda por vir não corre riscos rigorosamente nenhuns de vir a ganhar um Cristal de Gelo da ASE.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

O 1º Cristal de Gelo

A Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela (ASE) entendeu criar um galardão para distinguir empreendimentos, organizações ou iniciativas que (no entender da associação) se destaquem pela contribuição que dão para o desenvolvimento sustentável e/ou a causa da protecção ambiental e paisagística na Serra da Estrela.

O primeiro premiado com o "Cristal de Gelo" foi o Complexo Turístico H2otel – Congress & Medical SPA e Aquadome – The Mountain SPA, da empresa Natura IMB Hotels, em Unhais da Serra, e a cerimónia teve lugar ontem, nas instalações do hotel (ver artigo sobre o evento no Diário Digital).

As razões desta decisão estão enumeradas no site da ASE e sobre elas não me vou alongar muito aqui. Quero somente destacar que, por estar localizado numa povoação permanentemente habitada (ao contrário, por exemplo, de aldeamentos essencialmente turísticos como as Penhas da Saúde ou Penhas Douradas onde não residem mais do que vinte pessoas em cada um), resultam óbvios benefícios para as populações, muito maiores do que os que se verificariam se se tivesse construído a maiores altitudes.

Não é só a freguesia de Unhais, ou o concelho da Covilhã, que fica a ganhar com este empreendimento. Tratando-se de instalações termais, prestam-se a estadias de comparativamente longa duração, alguns dias, semanas até. Alguns hóspedes aproveitarão a estadia para, nas horas mortas, visitar as localidades das redondezas, desde Sortelha até Piódão, das Minas da Panasqueira até à Guarda.

E há um aspecto que deve ser enfatizado. Este empreendimento marca uma diferença abissal relativamente ao que se tem normalmente feito na nossa região. Pelo esforço em satisfazer os regulamentos muito exigentes das certificações mais ambiciosas, tanto durante a implementação como agora que se encontra em funcionamento, pela vontade que do projecto extravazem benefícios para a população (que acabam por se maniffestar também como uma mais valia para o empreendimento), pelo marketing apurado e sofistificado, e mais um longo, longo etc, que seria fastidioso especificar.

Só para dar dois exemplos dessa diferença, o destino dos restos dos materiais de construção foi objecto de uma cuidada fiscalização, necessária para uma das muitas certificações que este hotel pode, orgulhosamente, ostentar; contraste-se com a situação que revelei neste post. O marketing do H2Otel pretende afirmá-lo a um público internacional, sofisticado, de elevado nivel cultural; contraste-se essa promoção, por exemplo, com tristezas como esta, ou esta.

Por fim, falando agora na qualidade de membro da ASE que participou da decisão da atribuição deste galardão, gostava de deixar claro que a associção não pretende reservar a distinção para empreendimentos de luxo ou de grande escala como é o H2Otel. Pequenas instalações hoteleiras, pensões ou mesmo parques de campismo poderão igualmente vir a ser contempladas com futuros Cristal de Gelo. Oxalá!

Todo o processo de refundação das Termas de Unhais foi lançado pela Câmara Municipal da Covilhã, creio que já sob a liderança do actual edil, Carlos Pinto. Vem assim a propósito, agora que o projecto se tornou realidade, felicitar também a autarquia e o seu presidente, ainda mais por serem muito frequentes, aqui no Cântaro Zangado, as críticas a esta autarquia (infelizmente, suspeito que continuarão a sê-lo).

Stairway to heaven

Vista de Unhais para a Serra, fotografada ontem à tarde.

Aprendi em criança que o caminho para o céu é pedregoso, estreito, sinuoso, cansativo... Mas, com toda a franqueza, e a avaliar pelo da imagem, não é também, apesar disso (ou por causa disso), tão convidativo? Não será mesmo irresistível?

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Absurdo!

As modalidades desportivas sujeitas a licença e ao pagamento de taxa ao ICNB de acordo com o disposto no Decreto Regulamentar nº 18/99 de 27 de Agosto estão enumeradas no ponto 3 do Artigo 3º, que apresento na imagem. Significa isto que o estado se deu ao trabalho de regular as condições para a concessão de licença para a prática, no interior de áreas protegidas, de montanhismo, pedestrianismo, escalada, hipismo, canoagem, por exemplo, mas não sentiu ainda idêntica preocupação quanto ao licenciamento de desportos motorizados, a passagem da volta a Portugal em bicicleta, a realização de competições de esqui (e o próprio funcionamento das estâncias — só temos uma em Portugal — onde tais competições se podem realizar) ou de raids todo-o-terreno, igualmente no interior dessas mesmas áreas protegidas.

Esta lei permite ao ICNB taxar (correcção: obriga o ICNB a taxar) um encontro sem fins lucrativos de biólogos amadores para observação da fauna ou da flora da serra da Estrela, quando não há (que eu conheça) um mecanismo legal que determine explicitamente e detalhadamente as taxas a aplicar a uma rave party com entradas pagas e consumos mínimos obrigatórios, a uma competição automobilística, a uma concentração de motociclistas ou até, passe o exagero, a um festival da cerveja que ocorra no interior deste parque natural. Como a experiência tem mostrado, nada garante que tais eventos não sejam autorizados ou, pelo menos, silenciosamente (e envergonhadamente?) tolerados.

Absurdo!

Compreendo melhor agora o que ouvi de um empresário de actividades outdoor com quem contratei um passeio de canoa para mim e a minha família na albufeira de Sta Luzia: "Não, na serra da Estrela não realizamos actividades. Porque é uma área protegida, e o regulamento para a prática de modalidades desportivas deste tipo nas áreas protegidas é absurdo!"

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Absurdo!

Há dias, no post Taxas e subsídios, referi que o Artigo 8º do Decreto Regulamentar nº18/99 de 27 de Agosto obriga ao pedido de licença para a realização de actividades de animação ambiental (e ao pagamento da respectiva taxa) empresas de turismo de natureza mas também de asssociações de desenvolvimento local. Dei nesse post um exemplo do absurdo que essas disposições geram: o estado cobra taxas por um turismo correcto, adequado, equilibrado e ajustado às áreas protegidas e subsidia um turismo poluente, massificado, desiquilibrado e desajustado a essas mesmas áreas protegidas.

Mas eu não sabia da história a metade. Acontece que o dito Decreto Regulamentar nº 18/99 foi alterado pelo Decreto Regulamentar nº 17/2003 de 10 de Outubro, que corrige o Artigo 8º que acima referi nos seguintes termos (clique para aumentar):

Ou seja, para além das entidades que enumerei no anterior post sobre este assunto, devem ainda pedir licença para actividades de animação ambiental (e pagar as respectivas taxas) as federações, clubes e associações desportivas, as associações juvenis e outras associações, com ou sem fins lucrativos. Ou seja ainda, clubes de montanhismo? Pagam. Escuteiros? Pagam. Associações ambientais ou de ambientalistas? Pagam. Tanto quanto consigo perceber, comissões de baldios, mesmo sendo os legítimos proprietários dos terrenos onde decorrem as actividades? Pagam.

Mas atenção: a lei só obriga a licença e ao pagamento de taxa os que vierem para as áreas protegidas em actividades de animação ambiental, com ou sem fins lucrativos: interpretação de natureza, pedestrianismo, montanhismo ou escalada, BTT, parapente, etc. Se o Clube Recreativo dos Alegres e Barulhentos Poluentes de Troca-o-Passo pretender organizar uma excursão à serra da Estrela, com ou sem fins lucrativos, fazer o que se costuma fazer na serra da Estrela, ou seja: estacionar à beira da estrada, escorregar na neve com um plástico, uma prancha ou um par de esquis, piquenicar, deixar o lixo todo espalhado e ir embora, bem, para isso não tem que pedir licença, não tem que pagar a taxa, e o melhor de tudo é que o estado, com um investimento continuado e sempre crescente, garante-lhe cada vez mais estradas e espaços de estacionamento, para que possa continuar a javardar, cada vez mais fácil e confortavelmente, em cada vez mais locais desta importante área protegida! Que bom!

Que actividades é que o estado pretende promover nas áreas protegidas? Que actividades é que, com estas leis, o estado efectivamente promove nas áreas protegidas?

Quando começará o ICNB a cobrar também pelas grandes iniciativas de animação ambiental que são as plantações e sementeiras de árvores do programa "Um Milhão de Carvalhos para a Serra da Estrela"?
Para evitar à partida que uma eventual discussão resvale para questões partidárias, noto que o Decreto Regulamentar original foi aprovado por um Conselho de Ministros do governo de António Guterres (que incluía o actual primeiro ministro) e o Decreto Regulamentar que o corrigiu por um do governo de Durão Barroso. Parabéns e muito, muito obrigado aos dois governos!

A substância dos sonhos

Fotografia de Pedro Seixo Rodrigues. Ver mais no flikr e no olhares.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Duas freguesias, duas atitudes

Excerto da página 5 do Diário XXI de ontem, dia 17. Clique para aumentar.

Li ontem no Diário XXI a notícia da figura que ilustra este post (clique na imagem para a aumentar). Da sua leitura ficamos a saber que a Junta de Freguesia de Fernão Joanes, no concelho da Guarda, pretende limpar, sinalizar, documentar e divulgar as antigas canadas do pastoreio para dinamizar o turismo de natureza na freguesia.

Neste post do Blog Cortes do Meio, lemos que o presidente da Junta de Freguesia de Cortes do Meio (Covilhã) entende como fundamental para o desenvolvimento do turismo a asfaltação de uma estrada para as Penhas da Saúde, para o que, assim se pode ler, já tem orçamento, parecer positivo do Parque Natural e apoio da Câmara Municipal, faltando apenas o financiamento.

Alguns contrastes:

  • Os de Fernão Joanes tomaram o assunto em mãos e estão a po-lo em pé; os das Cortes do Meio fizeram uns estudos, conseguiram (assim o dizem) uns pareceres e estão a exigir à câmara ou ao estado o financiamento.
  • Se a coisa correr bem aos de Fernão Joanes, terão lá turistas, que visitarão a freguesia, deixarão o carro e caminharão pelas canadas durante algumas horas, muito possivelmente considerarão lá comer ou até (se houver ou aparecer oferta para tal) pernoitar; os de Cortes do Meio, se lhes correr bem o projecto, ficarão a ver passar os carros para as Penhas da Saúde e daí para a Torre.
  • Se correr mal o projecto aos de Fernão Joanes, paciência, mas não se desperdiçou muito dinheiro e ao menos o fracasso não deixa encargos permanentes para a junta, a câmara ou o estado; se correr mal o projecto aos de Cortes do Meio, terão o asfalto mas não terão os desejados carros. Apesar disso, a Junta de Freguesia, a Câmara ou a Estradas de Portugal terão que manter a estrada, proceder periodicamente a reparações, será necessário limpar-lhe a neve no Inverno, terá que ter vigilância da GNR, pelo menos quando for necessário condicionar o trânsito. Tudo isso terá que ser pago, apesar de, de acordo com a hipótese que estamos a considerar, o projecto ter sido um dispendioso e inútil disparate.
  • Os de Fernão Joanes estão a apostar num produto relativamente inexplorado na nossa região, mas que é o normal turismo de montanha nas restantes montanhas da Europa; os de Cortes do Meio estão a apostar naquilo em que temos apostado desde sempre cá na serra: asfalto, voltinhas dos tristes, enchentes naqueles dias de Inverno.
  • Os de Fernão Joanes estão, de facto, a apostar no turismo; os de Cortes do Meio estão a apostar em quê?

Adenda: As duas freguesias serão governadas pelo PS, pelo PSD, uma por um a outra pelo outro, uma ou ambas por outros partidos. Não sei nem me interessa.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Taxas e subsídios

Cartoon de Andy Singer, roubada do blog Menos um carro.

O cartoon que ilustra este post pôs-me a pensar noutras actividades que subsidiamos quase sem o notar, simultaneamente taxando outras que, por comparação com as primeiras, talvez não devessem ser taxadas.

O Decreto Regulamentar nº 18/99 de 27 de Agosto veio definir e regular as as diversas modalidades de animação ambiental, complementando o Decreto Lei nº 47/99 de 16 de Fevereiro sobre o Programa Nacional de Turismo de Natureza aplicável na Rede nacional de Áreas Protegidas, que tinha sido criado na Resolução do Conselho de Ministros nº112/98 de 25 de Agosto.
Naquele Decreto Regulamentar definem-se as diferentes modalidades de animação ambiental, quais os seus objectivos, quais as condições que devem satisfazer, que requisitos se devem preencher para se ser autorizado a dinamizar uma dada modalidade de animação ambiental.
O seu Artigo 8º indica que os projectos ou iniciativas de dinamização ambiental carecem de licença, quando realizadas por um comerciante em nome individual, um estabelecimento individual de responsabilidade limitada, uma sociedade comercial, uma cooperativa ou uma associação de desenvolvimento local.
O Artigo 16º, por seu turno, refere que (1) são devidas taxas pela concessão de licenças de dinamização ambiental (subentende-se que em áreas protegidas), (2) que o valor dessas taxas é fixado por portaria dos Ministérios das Finanças e do Ambiente e (3) que delas beneficia o ICNB.
O valor actual dessas taxas é o apresentado neste documento (chamo a atenção para o facto de o endereço ser do site do ICNB).

Não pretendo aqui esmiuçar os vários detalhes absurdos ou injustos desta lei. Mas imagine que a sua associação de desenvolvimento local pretende fazer uma caminhada com piquenique pelo Parque Natural da Serra da Estrela, chamando a atenção para os detalhes que constituem a riqueza ambiental desta área protegida, prestando um serviço de educação ambiental, ensinando os participantes na actividade a apreciar a área protegida e a querer defendê-la. Pois bem, terá que pedir licença aos serviços do Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade, e pagar pela sua concessão.
Em alternativa, se alugar um autocarro (ou se resolverem vir todos cada qual no seu carro), se subir com ele por uma das muitas estradas abertas pelo estado nesta área protegida, conservadas em bom estado de circulação pelo estado, continuamente melhoradas pelo estado, limpas de neve e de pedras que rolam encosta abaixo pelo estado, vigiadas e ordenadas por forças do estado, se estacionar o dito autocarro à porta do centro comercial da Torre, cuja instalação naqueles edifícios foi paga pelo estado, se deixar os seus associados escorregar na neve um bocadinho para, logo depois do piquenique, voltarem a casa, bem, como não se trata de uma actividade de animação ambiental, não tem que pedir qualquer autorização e só terá mesmo que pagar o aluguer do autocarro, que tudo o resto o estado paga, já pagou e vai continuar a pagar por si!

Que tipo de visitação é que o estado pretende para as áreas protegidas? Com leis como estas, que tipo de visitação é que o estado promove para as áreas protegidas?

domingo, fevereiro 15, 2009

Um cenário idílico à nossa medida

A Turistrela (empresa concessionária exclusiva do turismo e dos desportos na serra da Estrela desde 1971 e por várias dezenas de anos ainda por vir) organiza no dia 28 de Fevereiro o terceiro snowfashion, uma passagem de modelos na sua estância de esqui, perto da Torre.

Não me quero alongar sobre o evento propriamente dito mais do que para referir que, na minha opinião, este tipo de eventos não se adequa a um local que é o centro e o coração simultaneamente da maior (e uma das mais importantes) áreas protegidas do nosso país, de um sítio Rede Natura 2000, de uma Reserva Biogenética e de um sítio Ramsar.

Se falo hoje deste snowfashion, não é para me mostrar contra a sua realização ou para o aproveitar para criticar o seu promotor. Nada disso, trago-o aqui apenas porque no site promocional do evento se referem ao local onde decorrerá como um "cenário idílico e inigualável".

Inigualável até será, mas idílico? Idílico?! Com os plásticos do sku espalhados por todo o lado, com o solo escalavrado da estância de esqui, com os restos de lixo e de materiais das obras ao longo da estrada, com os carros e autocarros, uns estacionados por todo o lado, outros no pára-arranca pela estrada apesar dos primeiros, com as inscrições deixadas nas rochas pelos apoiantes dos ciclistas da Volta a Portugal, com todos os mamarrachos, velhos e novos, que se foram construindo na zona da Torre, o que é que aquilo tem de idílico?!

Cada região tem os cenários idílicos que merece, tem os que faz por ter. Nós, pelos vistos, temos a Torre.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

De revolutionibus orbium coelestium...

... E de outras maravilhas, mais terrenas:

Cântaro Magro fotografado desde o Covão d'Ametade por Pedro Ferrão Patrício (bem hajas!).

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Não foi exactamente isto que encomendámos?

Por este post no Máfia da Cova cheguei ao blog de João Tilly, de Seia, e a um post sobre as dificuldades de trânsito que se verificaram há dias no Sabugueiro, causadas pela neve e pelo grande número de visitantes. Deixei lá este comentário
Esperamos que o que o estado gasta com os meios de limpeza seja ajustado às necessidades médias e ao que é razoável esperar em anos mais ou menos normais. Seria difícil de compreender que se gastassem fortunas todos os anos em equipamento e em pessoal, para manter em permanência um dispositivo que só fosse necessário usar em pleno de vinte em vinte anos.
Este ano tem sido claramente excepcional e não me parece razoável aferir por este ano as necessidades de pessoal e de equipamento do centro de limpeza de neve.
Não pretendo com isto afirmar que esta situação aqui retratada não pudesse ser evitada com os meios disponíveis (mas com um pouco mais de atenção, cuidado ou brio). E é claro que estas situações são más e era bom que se pudessem sempre evitar.
Mas será possível evitá-las continuando a apostar no turismo automobilizado, no turismo que vem ver a neve e escorregar um bocadinho (em plásticos ou em esquis, a diferença acaba por não ser assim tanta)? No turismo que exige sempre e cada vez mais e melhores estradas? No turismo que canalizamos quase só para a Torre, um dos pontos menos interessantes e mais degradados da serra? No turismo que temos tido nas últimas décadas e cuja imagem de marca são exactamente congestionamentos como estes?
No Gerês o turismo desenvolve-se com passeios a cavalo, de bicicleta, com caminhadas, escalada e canoagem, com turistas que permanecem vários dias e semanas, durante todo o ano e especialmente no Verão.
Por cá continuamos a querer atrair as hordas de automóveis e autocarros que chegam de manhã e se vão embora à tarde, a apostar nestas enchentes pontuais de fim de semana de Inverno.
Mas poderemos então realmente escandalizar-nos por continuarem a ocorrer, por mais estradas e limpa neves que tenhamos, engarrafamentos destes? Pois se é exactamente nisto que temos investido nos últimos 40 anos!

E não é exactamente nisto que continuamos a apostar quando decidimos criar um parque de estacionamento com um quilómetro de comprimento na Lagoa Comprida, quando pedimos a asfaltação da estrada de Unhais para a Nave de Santo António ou a de um caminho entre as Cortes do Meio e as Penhas da Saúde?

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!