domingo, outubro 26, 2008

Outono de um pequeno bosque...

... De caducifólias na encosta da Covilhã, a cerca de 1000 m de altitude. Carvalhos-alvarinho e negral (ainda com o tom verde), carvalhos-americanos (avermelhados), bétulas e bordos (amarelelados) castanheiros, tramazeiras, freixos (todos ainda de verde, também). Dispersos por todo o lado, pinheiros-bravos.

Rondam por esta encosta gaios, javalis, esquilos, lebres, raposas. Na Primavera e Verão, encontramos frequentemente rapinas como o tartaranhão-caçador e a águia-calçada.

Este bosque... É deixá-lo crescer, que promete!

sábado, outubro 25, 2008

O Outono do freixo

Fraxinus angustifolia (Penhas da Saúde).
Este deve ser o freixo a maior altitude (~1500m) que conheço. Duzentos metros mais abaixo ainda estão bem verdinhos.

quinta-feira, outubro 23, 2008

Pois, pois...

(Imagem retirada do site do evento.)

O Instituto de Turismo e a SPEA promovem conjuntamente uma oficina internacional sobre Turismo de Natureza, subordinada ao tema "As potencialidades turísticas do Birdwatching — A observação de aves em Portugal".

Pois, cá está. Como se torna cada dia mais evidente, a gente aqui no Cântaro Zangado não percebe nada disto do turismo na serra da Estrela. Birdwatching?! Qual quê! É de continuar mas é no rumo que se tem seguido, o da neve, do esqui e do sku; o da concessão exclusiva, das minicidades, do casino; o da necessidade de teleféricos, de mais e melhores estradas, de mais e maiores parques de estacionamento; o dos centros comerciais na Torre, o do lixo e dos plásticos por todo o lado. É o rumo que autarcas, responsáveis da região de turismo, responsáveis da Turistrela e demais forças vivaças locais propagandeam. É o único rumo que propagandeam quando falam do futuro do turismo na serra.

É um rumo que tem dado boas, excelentes provas. E, como se torna cada dia mais evidente, é o rumo do futuro. Só mesmo nós, os radicais fundamentalistas do Cântaro Zangado e outros ambientalistas reaccionários, é que ainda não o percebemos.

O Outono da tramazeira

Sorbus aucuparia L. (Penhas da Saúde)

O Outono do bordo

Acer pseudoplatanus L. (Penhas da Saúde)

terça-feira, outubro 21, 2008

Perdiz-comum

Alectoris rufa, "caçada" hoje, algures na serra da Estrela.

segunda-feira, outubro 20, 2008

"Já há 300 cabras selvagens no Gerês"

O Público trazia hoje a notícia de que a população de cabras-montês no Gerês tem vindo a aumentar, alimentada pela população existente a norte, no Xurês galego. Esta situação segue-se a cem anos de ausência desta espécie das serras nacionais.

Para mim e para muitos turistas como eu (que os há), uma notícia destas sobre a serra da Estrela aumentaria imenso a sua atractibilidade, muito mais do que qualquer campanha publicitária(1) promovendo a excelência do esqui ou dos hóteis de charme, muito mais do que as minicidades de montanha com que sonha o presidente da Câmara da Covilhã, muito mais do que as estradas ditas Verdes com que sonha o da da Guarda, muito mais do que as tristes pistas de esqui (a da Torre e a de neve de plástico do Sameiro) ou do que a rumoreada pista de neve indoor de que às vezes se fala para o concelho de Gouveia.

(1) Por excelentes que essas campanhas fossem! Não me estava a referir a tristezas pateticamente amadoras como a "Serra da Estrela — Onde a natureza vive", da RTSE.

"A serra da Peixeirada"

A guerra desencadeada por algumas câmaras da região (a da Covilhã pelo menos) contra a Região de turismo (ou vice-versa), vista (e bem vista) do Café Mondego. Deixei lá o seguinte comentário:
E ainda veremos (como sempre vimos) as comadres agora desaguisadas lado a lado, em coro, defendendo alguma ampliação da estância de esqui, um novo aldeamento em altitude ou criticando o PNSE e ambientalistas por tentarem obrigar à realização de estudos de impacto ambiental para semelhantes empreendimentos. É esperar para ver.

domingo, outubro 19, 2008

200 km de percursos pedestres

Pelo blog dos Manteigas cheguei a uma notícia no Jornal da Guarda que quero celebrar: a decisão da criação de uma rede de percursos pedestres.

O futuro o dirá, mas aposto que se os percursos forem bem definidos, bem sinalizados e bem divulgados, esta iniciativa dará muitos e bons frutos para o turismo de Manteigas e da Serra da Estrela.

Força Manteigas, e que outros concelhos sigam o vosso exemplo!

sexta-feira, outubro 17, 2008

quinta-feira, outubro 16, 2008

"A Quercus é um negócio"

A fim de ampliar a Zona Industrial do Tortosendo, o presidente da Câmara Municipal da Covilhã pretende que sejam abatidos cerca de 3000 sobreiros, alguns centenários, numa área de Reserva Agrícola Nacional e Reserva Ecológica Nacional. Este assunto tem sido noticiado em diversos blogues (ver A Sombra Verde, por exemplo) e órgãos de comunicação social regional, pelo que não me vou alongar muito nos detalhes do caso propriamente dito.

Como o sobreiro é uma espécie protegida por lei (e é-o por razões ambientais mas também por razões estritamente económicas) este abate anunciado motivou uma intervenção crítica da associação ambientalista Quercus, uma das maiores organizações não governamentais de ambiente em Portugal, senão a maior. Como podemos ler no comunicado, a Quercus pede que a lei (e não está em causa apenas a da protecção aos sobreiros) seja aplicada, ou seja, entre outras coisas, que se faça uma avaliação do impacto ambiental da medida. Deixem-me enfatizar: a Quercus pede que seja respeitada a lei. Decerto que faz o pedido por pretender a permanência dos sobreiros onde estão, é óbvio e expectável, vindo de quem vem. Pode-se concordar ou não com esta pretensão, mas não se pode negar que é uma pretensão legítima, isto é: que a Quercus tem o direito a defender a permanência dos sobreiros onde estão. E volto a repetir, o que a Quercus afirmou foi que exige que seja cumprida a lei.

A esta pretensão, o sr. Carlos Pinto (o presidente da autarquia covilhanense), no estilo trauliteiro a já que nos habituou (só para dar dois exemplos recentes, recorde-se o tom das suas declarações a propósito do Plano de Ordenamento do Parque Natural da Serra da Estrela ou dos estatutos do Pólo Turístico da Serra da Estrela), respondeu (ver, por exemplo, o arquivo da Rádio Cova da Beira)

"de vez em quando vêem umas pessoas de fora, não se sabe de onde, com posições reaccionárias que é o que caracteriza essa associação",
e
"a Quercus é um negócio e por isso tem pouca credibilidade na CMC"

Eu acho esta reacção (recordo: a um pedido de respeito pela lei) despropositada. Mas mais. Como o próprio autarca dá a entender, uma ampliação da zona industrial é necessária para permitir a instalação de empresas, ou seja, negócios; os terrenos terão que ser comprados ou expropriados (negócio) aos seus proprietários, que decerto fazem negócio com a exploração da cortiça e de outros produtos agrícolas. Mas estes (e tantos outros, claro) negócios, aparentemente, não são como o da Quercus, estes negócios não são motivo para "pouca credibilidade na CMC". Estranho.

Ou será que o sr. Carlos Pinto pretende antes afirmar que a Quercus é, não um negócio como outros, mas antes uma negociata, com interesses privados obscuros, eventualmente nos limites, ou para lá dos limites, da legalidade? Se é isso, que não se fique por insinuações; que o diga claramente e que o prove, se conseguir, ou que assuma as suas responsabilidades e as penalizações eventualmente delas decorrentes se não conseguir.

Moro na Covilhã e sou sócio (muito pouco activo) da Quercus (e de outras associações, ambientalistas e não só). Não sou o único. Que o presidente da câmara me considere reaccionário não me aborrece por aí além. Mas é claro que fico ainda com menos vontade de votar nele de cada vez que se sai com tiradas deste calibre.

Agora à laia de desabafo: caramba, no PSD da Covilhã é consensual esta forma rude, arrogante e trauliteira de estar na política? Este constante "agarrem-me que eu vou-me a eles" de taberna? É a isto (e à ausência de alternativa a isto noutros partidos) que estamos reduzidos?

Correcção

No post Que salganhada!, referi que que José Armando Serra dos Reis, ex-presidente da Junta de Freguesia das Cortes do Meio pela CDU, que mais tarde passou para o PS, é actualmente deputado municipal pelo BE. Errei. O actual deputado municipal pelo Bloco de Esquerda é José Serra dos Reis, irmão de José Armando Serra dos Reis, militante do PS.

Pela minha ignorância, que originou este erro, peço desculpas aos dois irmãos, ao PS e ao BE na Covilhã.

segunda-feira, outubro 13, 2008

quinta-feira, outubro 09, 2008

Parecer da ASE ao novo Plano de Ordenamento

(Zonamento do PO em vigor)

Para os interessados, a ASE - Associação Amigos da Serra da Estrela disponibilizou na sua página de internet o parecer sobre a proposta do novo Plano de Ordenamento do PNSE no âmbito do processo de consulta pública que terminou no passado dia 3 de Outubro.

Enquanto cidadão e enquanto apaixonado pela região desejo que o processo de consulta pública tenha tido uma participação elevada por parte de todos. Só assim este instrumento legal pode mostrar toda a sua utilidade e só com uma atitude participativa pode a democracia evoluir.
Bom fim de semana a todos em especial para os Serranos que tem o privilégio de viver nessa região!

quarta-feira, outubro 08, 2008

La Unión Europea descarta una ampliación de La Covatilla

Imagem roubada daqui.

A estância de esqui de La Covatilla é uma estância pequena (mas ainda assim bastante maior que a da serra da Estrela) situada na Sierra de Béjar, aqui perto, a uns oitenta quilómetros a Sul de Salamanca. A Comissão Europeia aprovou recentemente a sua declaração de impacto ambiental, depois de ela ter sido corrigida de falhas que tinham sido identificadas por ambientalistas. Se compreendi bem as notícias para que aponto aqui em baixo, resulta do documento agora aprovado a impossibilidade de futuras ampliações da estância.

Ver

E a nossa estância Turistrela/Vodafone? Terá declaração de impacto ambiental? Onde a poderemos consultar?

quarta-feira, outubro 01, 2008

Um mercado com concorrência livre e transparente?

Tramazeira no início do Outono (ontem, para ser mais preciso), nas Penhas da Saúde.

A Turistrela, SA detém a concessão exclusiva do turismo e dos desportos na serra da Estrela, de acordo com os Decretos-Lei 3/70 de 28 de Abril de 1970, 325/71 de 28 de Julho de 1971 e 408/86 de 11 de Dezembro de 1986. A concessão em regime de exclusividade de uma área tão alargada fazia talvez sentido na lógica do Acondicionamento Industrial do Estado Novo, quando a dita concessão foi decidida. Talvez possamos desculpar, à distância a que agora estamos, que esse estatuto se tivesse mantido quando a empresa foi privatizada na sua quase totalidade em 1986. Mas, passados que estão mais de vinte anos, numa altura em que a concorrência nos negócios é considerada condição essencial para a qualidade e para a salvaguarda dos interesses dos consumidores, que sentido é que faz esta concessão?

Nenhum. E tanto que assim é que o próprio administrador e proprietário da Turistrela, Artur Costa Pais, tem repetidas vezes afirmado que não, que a concessão não se traduz em monopólio, que a Turistrela vê com bons olhos a entrada de mais investidores no turismo da serra da Estrela (ver, por exemplo o Público de 12 de Dezembro de 2006 [esta é a referência que primeiro me veio às mãos, mas há muitas mais, e mais recentes]).

Claro que, face a declarações destas, nos podemos perguntar porque razão não toma Artur Costa Pais a iniciativa sugerir aos organismos responsáveis a revogação da dita concessão, de cujas disposições, que claramente protegem a sua empresa da concorrência, ele não pretende fazer uso...

Ele há muitas maneiras de beneficiar de uma concessão exclusiva. Artur Costa Pais poderá não bloquear explicitamente toda a concorrência, poderá fechar os olhos, magnanimamente, às actividades de pequenas empresas de turismo de aventura e natureza ou à instalação de pequenas unidades hoteleiras. Mas poderá o estado estabelecer parcerias com, ou apoiar projectos de, outras empresas que não a Turistrela, na área da sua concessão exclusiva? Sem pedir à concessionária um parecer ou autorização? Custa a crer.

E ele há muitas maneiras de o estado intervir nestes assuntos. Por exemplo, a propósito da elaboração do Plano de Ordenamento do Parque Natural da Serra da Estrela. O plano encontra-se em discussão pública (até dia 3 de Outubro, atenção), podendo os documentos ser consultado no site do Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade. Entre outros documentos muito interessantes, encontramos as actas das reuniões da Comissão Técnica de Acompanhamento do dito plano. A Direcção Geral do Turismo (mais tarde Turismo de Portugal, IP) integrava essa comissão. Analisando as actas, contei, no total das 11 reuniões, o registo de oito intervenções por parte dos representantes do instituto do turismo. Dessas oito intervenções, quatro são explicitamente no sentido de defender a posição da Turistrela. São particularmente reveladores os seguintes excertos:
(da acta da 6ª reunião, ponto 12, pág. 3)

Propôs [o representante da Direcção Geral de Turismo] que no relatório voltasse a figurar a referência aos compromissos entre o estado e a Turistrela
(da acta da 9ª reunião, pág. 7)
Referiu [o representante da Direcção Geral de Turismo] que devem ser salvaguardados os interesses da Turistrela.

Ou seja, admitamos que não haja monopólio. Mas como raio devemos chamar a esta situação em que organismos públicos sentem como sua função proteger, em reuniões de trabalho com outros organismos públicos, os interesses particulares de uma muito particular empresa privada?

Numa coisa podíamos, aqui na Serra da Estrela, tentar imitar os "maciços mais conhecidos, como os Alpes ou os Pirinéus": revogando esta originalíssima (e anacrónica) concessão exclusiva. Dando a todas as empresas interessadas em investir no turismo da serra os mesmos direitos, os mesmos deveres e as mesmas regras de relacionamento com o estado. Não é inventar a pólvora, é fazer aqui como se faz em todo o lado. A bem da concorrência, do desenvolvimento de um turismo de qualidade, e de um mínimo de transparência nos negócios públicos.

terça-feira, setembro 30, 2008

Escala temporal alterada

No blog Sobral de S. Miguel, podemos apreciar meia hora de crepúsculo, concentrada em 22 segundos. Dá um belo efeito!

(Soube pelo Máfia da Cova)

Vale da Candieira

sexta-feira, setembro 26, 2008

Terra, Água, Céu

Um lagoacho das Salgadeiras (ou Chancas, como também são conhecidos), em Agosto.

terça-feira, setembro 23, 2008

segunda-feira, setembro 22, 2008

Concurso de fotografia

O Centro de Interpretação da Torre tem abertas inscrições para um concurso de fotografia sobre a serra da Estrela, organizado em colaboração com a Turistrela. Parece interessante!

domingo, setembro 21, 2008

Gentiana pneumonanthe

"Colhida" em Agosto, no maciço central.

sexta-feira, setembro 19, 2008

Este é cá dos meus!

Recebi hoje da Amazon esta monografia, que é uma espécie de tese de jubilação do físico Sverre Aarseth e que nada tem que ver com a serra da Estrela.

E, no entanto... Na dedicatória aparece

To the world's wild and
magical places
No final do prefácio, pode ler-se
Finally, the dedication reflects my many sources of inspiration, wether it be the awesome beauty of the Atacama Desert or more accessible wildlife environments. May our planet's fragile ecosystem and rich diversity be preserved for future enjoyment.

"May our planet's fragile ecosystem and rich diversity be preserved for future enjoyment." Ah, este parece mesmo ser dos nossos, dos do Cântaro Zangado. Mais um como o Miguel Torga!

quinta-feira, setembro 18, 2008

Que salganhada!

(Clique em cada peça para a aumentar.)
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O Diário XXI dedicou ontem (17 de Setembro) uma página (a página 5) ao processo de aquisição (chamemos-lhe assim) dos terrenos onde foram (na verdade, já estavam) implantadas as casinhas de génese ilegal das Penhas da Saúde.

As casinhas não foram demolidas porque o presidente da Câmara da Covilhã, Carlos Pinto, do PSD, se opôs (ver por exemplo, esta notícia do Urbi et Orbi). Mas a legalidade do processo de "aquisição" dos terrenos foi a inquérito a pedido de um responsável do mesmo partido. O dito processo de "aquisição", pelos vistos, foi conduzido por José Armando Serra dos Reis (a partir de 1996, percebi bem?), que na altura era presidente da Junta de Freguesia das Cortes do Meio (freguesia a que pertencem os ditos terrenos) pela CDU, tendo depois passado para o PS e sendo agora deputado municipal pelo Bloco de Esquerda (ERRADO. Ver correcção e pedido de desculpas no final). Por razões que não são apresentadas, os partidos da oposição preferiram não participar na comissão de inquérito.

Os "proprietários" das casas do bairro clandestino das Penhas da Saúde louvam o presidente da Câmara da Covilhã por os descansar quanto à pretensão (de demolição) dos serviços do Parque Natural da Serra da Estrela. Mas terá o partido liderado por Carlos Pinto decidido à revelia do chefe instaurar este inquérito que reforçou a marca da clandestinidade do dito bairro?

Eu gostava que aqueles a quem dou o voto pugnassem pela transparência de processos e pelo cumprimento da lei. Face a esta salganhada, fico terrivelmente indeciso... Sei muito bem em quem não votar. Não sei é em quem votar.

Não se pense que o problema começou em 1996. As casinhas de génese ilegal (é interessante esta expressão) já lá estavam, desde meados da década de setenta.

Correcção posterior: Refiro no texto que José Armando Serra dos Reis, ex-presidente da Junta de Freguesia das Cortes do Meio pela CDU que passou para o PS é actualmente deputado municipal pelo BE. Errei. O actual deputado municipal pelo Bloco de Esquerda é José Serra dos Reis, irmão de José Armando Serra dos Reis, militante do PS. Pela minha ignorância, que originou este erro, peço desculpas aos dois, ao PS e ao BE na Covilhã (2008-10-14).

quarta-feira, setembro 17, 2008

Cova da Beira

E um pássaro (um andorinhão, pareceu-me na altura) no canto inferior esquerdo.

terça-feira, setembro 16, 2008

Um radical chamado Miguel Torga?

O blog do Centro de Interpretação da Torre apresenta um post com palavras de Miguel Torga sobre a serra da Estrela.

Presunção e água benta cada um toma a que quer, mas francamente penso que é mais fácil reencontrar o espírito do Mestre aqui no Cântaro Zangado do que na obra que autarquias, Região de Turismo e Turistrela têm deixado na serra nos últimos quarenta anos.

Eles (autarcas, Região de Turismo e Turistrela) lá saberão (?) que serra pretendem. Pelo que fizeram até agora e pelo que anunciam para o futuro, diria que é uma serra de onde esse espírito fugiu. Definitivamente.

segunda-feira, setembro 15, 2008

domingo, setembro 14, 2008

sexta-feira, setembro 12, 2008

Porque escrevo

Nevoeiro subindo o vale.

Escrevo neste blogue porque entendo que devíamos proteger, com unhas e dentes, tudo o que na serra é especial, único, tudo o que nela transcende o ordinário, mas constato todos os dias que não o temos feito. Porque me ofende pessoalmente cada medida que rouba beleza e mistério à serra. Cada "melhoramento" ou "requalificação" que, acomodando-a ao nosso comodismo, à nossa pequenez, ao nosso provincianismo e à nossa ganância, a vulgariza e a rebaixa, lhe tira valor.
[E se tem sido roubado valor à serra, caramba! As Penhas da Saúde, a Torre, estas nódoas vergonhosas são as mais evidentes. Mas são as únicas?]

Repito, entendo que devíamos proteger, com unhas e dentes, tudo o que na serra é especial, único, tudo o que nela transcende o ordinário. Porque todos teríamos mais a ganhar. E porque, a bem dizer, o que é único e extraordinário na serra não é assim tanta coisa... A nossa serra é pequena, é frágil.
[Não é, claramente, como os Alpes ou os Pirinéus.]
É por ter isto em mente que escrevo neste blogue.

Roubei indecentemente o título deste post de uma pequena colectânea de ensaios de George Orwell, recentemente publicada pela Antígona. Passe a presunção, recomendo-a vivamente.

quarta-feira, setembro 10, 2008

Um caso grave de IP-ite sinalética

De acordo com a Norma de Sinalização Vertical (ver o site da Estradas de Portugal), o sinal triangular ilustrado na figura acima indica descida perigosa. Para reforçar o aviso, aconselham-se os condutores a usar o motor para controlar a velocidade do veículo. É um sinal que, como seria de esperar, frequentemente encontramos na estrada Covilhã-Torre-Seia.

Recentemente, foram instalados nas estradas N339 (Covilhã-Seia) e (desta não estou 100% certo) N338 (Manteigas-Piornos) grandes placards como os que se seguem:

Encontrei estes placards pela primeira vez na famigerada IP5, na descida da Guarda para o Porto da Carne, onde era frequente incendiarem-se os travões dos camiões TIR. Justificavam-se aí sinais especiais, de grande visibilidade, dadas as elevadas velocidades de circulação que o itinerário principal permitia.

Mas, nas estradas da serra, para quê? Em estradas que não permitem grandes velocidades, que necessidades de informação há que não possam ser satisfeitas pelos sinais regulamentares?

Quanto a mim, trata-se de mais um sintoma da verborreia sinalética que anda a afectar os responsáveis por estas estradas. Uma doença incómoda mas, mais de resto, benigna (descontados os estragos na paisagem causados pelos infectados), a que chamei no título IP-ite sinalética.

Neste caso, os sintomas estão a agravar-se. Recomenda-se ao paciente uma cura de repouso, um período prolongado de inactividade absoluta. De outro modo, o seu estado poderá evoluir até chegarmos a qualquer coisa como isto:

domingo, setembro 07, 2008

Novo blog

O Centro de Interpretação da Torre criou um blogue para divulgação dos seus programas. Óptimo!

quinta-feira, setembro 04, 2008

Rã-verde

(Rana perezi), "apanhada" num dos lagoachos das Chancas (também conhecidas como Salgadeiras), atrás do Cântaro Gordo.

quarta-feira, setembro 03, 2008

Fascinante!

Apesar de se tratar de uma região relativamente pequena, encontramos na Serra da Estrela uma enorme variedade de habitats, de ambientes, de hábitos e de culturas.

Por exemplo, nas encostas viradas para Norte (concelhos de Seia e Manteigas, falta confirmar no de Gouveia), sinalética rodoviária recentemente instalada informa os visitantes automobilizados da altitude do lugar, com sinais relativamente pequenos e castanhos como este: A Sudeste, no concelho da Covilhã, a mesma função informativa foi implementada, também recentemente, através de sinais muito maiores, e de cor alaranjada:

Aqui vemos um exemplo dos efeitos de duas forças antagónicas, de dois princípios opostos: o da união, da uniformização, da homogeneização (por um lado) e o da diversificação, da adaptação, da particularização (pelo outro). Com efeito, à universal tendência para "decorar" a paisagem com ruído visual e para apoiar, encorajar, e desenvolver o turismo das voltinhas de carro, sobrepuseram-se aparentemente as diferentes sensibilidades estéticas dos responsáveis pela sinalética rodoviária nos distritos da Guarda e de Castelo Branco.

Como diria o David Attenborough naqueles documentários da BBC: "It's fascinating!"

Acho particularmente fascinante a presença da preposição "de" nos sinais da encosta Sul.

quarta-feira, agosto 27, 2008

Quem se mete com o meu Sol...

... Leva!

Lagarto "caçado" há duas semanas, perto do Poço do Inferno. Não sei o nome (tenho que arranjar um livro de répteis).

terça-feira, agosto 26, 2008

P'ra pior já basta assim

De acordo com o Diário XXI de ontem (o link pode não ser permanente), a aprovação do Plano de Urbanização das Penhas da Saúde pelos serviços do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) depende de um compromisso claro da Câmara Municipal da Covilhã para a demolição do "bairro ilegal, constituído por mais de 170 casas, situado na traseira da Pousada da Juventude".

Ocorre-me a este propósito o seguinte:

  • Nas Penhas da Saúde há outro bairro semelhante, ainda mais flagrantemente bairro da lata do que este a que se refere a notícia. Encontra-se mais a Norte, mais perto do local onde em tempos se começaram obras para a instalação de um parque de campismo. Sobre este outro bairro nada se diz na notícia.
  • O que a Câmara Municipal da Covilhã pretende para as Penhas da Saúde é (a acreditar no anunciado pela própria câmara) um autêntico delírio: uma estância de montanha "com que Portugal possa concorrer em termos de turismo de montanha com outras da Europa, nas cidades dos maciços mais conhecidos, como os Alpes ou os Pirinéus". A Câmara da Covilhã não compara a serra da Estrela com montanhas algo mais comparáveis como o Gerês, a sierra de Gredos, a de Guadarrama, o Ben Nevis. Não, a serra da Estrela é para concorrer com os Alpes e os Pirinéus! No mesmo anúncio, ficamos a saber o que é preciso para concorrer com os Alpes e os Pirinéus: "500 habitações e zonas de comércio que serão apoiadas por diversos equipamentos sociais, culturais e desportivos" e ainda "a criação de um Pavilhão de Gelo, uma zona multiusos para desportos e festividades e a construção de um posto da GNR". Face tudo isto, francamente: faz algum sentido aprovar seja o que for deste "plano"?
  • O bairro que agora se pretende demolir pode ter o aspecto de um bairro de lata. É verdade e já mais de uma vez o dissemos (por exemplo, aqui). Mas também é verdade que muitas outras casas nas Penhas da Saúde, antigas e novas, mesmo não parecendo barracas de lata, não têm muito melhor aspecto (alguns exemplos recentes, já acabados ou ainda em construção, ilustram este artigo). Não há garantias nenhumas de que as 500 habitações que a câmara pretende ver construídas nas Penhas da Saúde se venham a enquadrar na paisagem e no tecido urbano melhor do que estas casas. Antes pelo contrário: a avaliar pelo que tem sido autorizado, pretende-se aparentemente encher as Penhas da Saúde com mamarrachos novo-ricos em estilo pseudo-mamarracho-tipo-alpino-ou-sei-lá-o-quê-à-modernaça. Francamente, prefiro de longe as casinhas de lata!
  • Estas casas foram construídas porque diversas pessoas sentiram o desejo (que eu compreendo, mesmo considerando ilícita a forma como o satisfizeram) de usufruir de uma casinha na serra. Em contrapartida, as casas que se começaram há cinco ou seis anos a contruir nas Penhas da Saúde são condomínios com quatro a oito apartamentos, que aparecem não porque alguém, gostando da serra, pretende aí ter uma casa de férias, mas sim porque alguma sociedade de construção civil pretende lucrar com a venda dos apartamentos. (Pelo que se pode observar nas Penhas da Saúde, essa venda não está a ser tão fácil como talvez se pensasse, já que condomínios já acabados há dois ou três anos têm ainda apartamentos à venda.) Vendam-se os apartamentos ou não, constata-se que os planos da Covilhã consistem em aplicar nas Penhas da Saúde o modelo de "desenvolvimento urbano" que tem feito das nossas cidades a maravilha que se tem visto. Não me agrada, prefiro as casinhas de lata a estas apostas imobiliárias, geradoras de Quarteiras e afins.

Concluindo: não me agradam nada as casinhas do bairro atrás da pousada (nem as do outro, a que me referi acima). Mas ainda me agrada menos que se resolva o problema que elas representam pactuando com a criação de problemas ainda maiores. Para pior, já basta assim.

E claro: com tudo o que diversos serviços públicos (incluindo a Câmara) já permitiram ou até promoveram naquele bairro (iluminação pública, asfaltação de acessos, campo desportivo), é óbvio que, a serem demolidas as casas, os seus donos devem ser compensados.

segunda-feira, agosto 25, 2008

Águia-calçada

(Hieraaetus pennatus), "caçada" a planar em círculos na encosta sobre a Covilhã.

domingo, agosto 24, 2008

Plano de Ordenamento do PNSE

Imagem roubada no site do ICNB
Encontra-se em fase de discussão pública (até dia 3 de Outubro) o Plano de Ordenamento do Parque Natural da Serra da Estrela. Os documentos podem ser consultados e obtidos no site do Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade.

sábado, agosto 23, 2008

segunda-feira, agosto 18, 2008

Rabirruivo-preto

(Phoenicurus ochruros) fêmea, "apanhado" nas Penhas da Saúde.

domingo, agosto 17, 2008

Acção de limpeza na Torre

Imagem roubada do site do CISE
O CISE promove no dia 23 de Agosto, uma operação de recolha de lixo na zona da Torre. Ver mais detalhes no site do evento.

Infelizmente, não estarei por cá no Domingo.

Oops: 23 de Agosto é Sábado.

Sinto que ainda aqui falta um sinalzinho....

... Mas não consigo decidir qual... Deixem-me acrescentar só mais um... Mas qual?... Oh!, qual?

A imagem acima mostra um aspecto dos Piornos (perto do centro de limpeza de neve), a 1600 m de altitude.
A mancha cinzenta que aparece no canto superior esquerdo da imagem é outro sinal (espanto! admiração!), colocado de costas para a câmara.

sábado, agosto 16, 2008

Felosa

Parece-me uma felosa-comum (Philloscopus collybita), "apanhei-a" nas Penhas da Saúde.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Podem ser só 0,05€...

Mas, no verso, um ramo de carvalho (alvarinho?) com duas bolotas. Que moeda feliz!

domingo, agosto 10, 2008

A nova Porta de Entrada (II)

Fui hoje de manhã visitar o novo Centro de Interpretação, que o Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) inaugurou na semana passada num dos edifícios da Torre. Fomos recebidos (eu e a minha família) por uma funcionária muito simpática e aberta, demonstrando uma grande vontade de responder a todas as nossas dúvidas mas que (e ainda bem!) não tentou impor a sua presença ou o seu tempo à nossa visita. Gostei da exposição, achei-a bastante interessante. Achei-a, principalmente, simpática e digna. E um pouco de simpatia e dignidade, naquele local, é algo que chama a atenção.

É que, a seguir, fui ao centro comercial comprar um pão centeio para o almoço, tendo sido bombardeado com insistentes apelos "oh amigo, ande venha cá provar o meu queijo", "então e um presunto pra ir co pão, não marchava?" etc. No troco, o vendedor enganou-se (de uma forma que não me pareceu, pelas desculpas que balbuciou, nada acidental), a seu favor, claro. Já cá fora, uma barraquinha de gelados debitava a altos berros uma musiquinha techno (ou lá o que era), mesmo apropriada para o local mais alto de Portugal Continental... Por todo o lado, vestígios de lixo. Ah, sim! Simpatia e dignidade, é algo que salta à vista, naquele local.

Disse há dias que havia coisas que não compreendia na decisão de instalar na Torre o Centro de Interpretação do PNSE. Não sei se as compreendo agora, mas de uma coisa fiquei convencido: que, enquanto a Torre for um local de visita massificada, é importante que se mantenha a presença de algo que ultrapasse o mercantilismo rasca dos vendedores de fancaria e das voltinhas na telecadeira. Uma presença aberta, simpática e digna. Uma presença com verdadeira qualidade. Uma presença como a do PNSE.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Milhões de Carvalhos

No dia trinta de Agosto, pelas nove horas, no Covão d'Ametade, inicia-se a campanha 2008/2009 do projecto "Um milhão de Carvalhos Para a Serra da Estrela", da Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela. O plano é passar a manhã a apanhar sementes de bétula no Covão d'Ametade e, depois de almoço (cada um traz o seu), ir espalhá-las na cabeceira do Vale da Candieira e nas vizinhanças da Lagoa dos Cântaros.
Para se ter previamente uma ideia do número de participantes, os organizadores agradecem que os interessados comuniquem a intenção para o email asestrela@gmail.com.

Aparece, e traz um amigo também!

A nova Porta de Entrada

Há dias, o Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) inaugurou um Centro de Interpretação da Natureza num edifício da Torre. A RTP1 fez a seguinte reportagem do evento (tirei o link do blog Estrela no seu melhor. Obrigado, Cova Juliana!):

Fico contente por este edifício ter escapado à transformação num hotel, restaurante, observatório panorâmico, ponto de apoio para a venda de forfaits ou de aluguer de material da estância de esqui e por, em vez disso, estar a ser utilizado para dar visibilidade ao PNSE e para a divulgação da verdadeira mais valia da serra da Estrela, os seus valores naturais.

Por outro lado, noto que a Região de Turismo da Serra da Estrela (RTSE) inaugurou há alguns anos na mesma zona, num edifício do mesmo conjunto, um posto de atendimento a visitantes. Encontra-se fechado(1), há muito tempo, suponho que por falta de meios para o manter aberto. O PNSE terá capacidade para fazer viver esta aposta (e para tal é preciso algo mais do que as obras no edifício e a presença de um funcionário todos os dias do ano, das nove às dezassete)? Espero que sim.

Por outro lado ainda, custa-me a compreender a lógica subjacente a esta aposta. Maria da Paz Moura afirma, a 51 s do início da reportagem, o seguinte:

No fundo, é um local onde se faz uma primeira abordagem de sensibilização da natureza, mas que depois faz uma dispersão em termos territoriais e que permite encaminhar todos os visitantes (que são mais de dois milhões e meio por ano, que nos visitam) para depois outros locais da serra da Estrela com igual ou superior interesse àquele que é a Torre.

Esta lógica do novo Centro de Interpretação como local de primeira abordagem a uma visita ao PNSE fica ainda melhor ilustrada com o comentário final do jornalista:

[...] abriu agora, com este centro de interpretação, uma porta de entrada que mostra as maravilhas da montanha mais alta de Portugal Continental.

O que me custa a perceber é se faz sentido organizar a dispersão dos visitantes(2) a partir do próprio coração geográfico e rodoviário da área protegida. Recordo que (apesar de todas aparências) a zona da Torre é o centro do PNSE, integra a Reserva Biogenética, a Rede Natura e dela escorrem linhas de água que alimentam habitats muito próximos, protegidos (e bem!) pela convenção Ramsar. É ali que faz sentido receber os visitantes numa primeira abordagem, é a partir dali que faz sentido organizar as visitas?
Faz sentido abrir uma porta de entrada para a nossa casa, bem no centro da sala de jantar?

Outros assuntos que vieram a lume com esta notícia foram os do condicionamento do tráfego na Torre, a construção de um teleférico e a instalação de parquímetros para o estacionamento. Talvez mais tarde os comente mais detalhadamente. Para já, refiro apenas que me parece que estes três assuntos, ao contrário do que é sugerido pela notícia, não estão necessariamente relacionados. Não é preciso teleférico nem parquímetros para condicionar o tráfego e a existência de teleférico e parquímetros não se traduz, por si só, num condicionamento do tráfego. Para condicionar o tráfego o que é preciso é efectivamente condicioná-lo, ou seja, não permitir o acesso de viaturas para além de um nível de afluência considerado máximo. Com ou sem teleféricos, com ou sem parquímetros.
Mas, voltando agora à lógica da "porta de entrada", o que realmente considero muito difícil de entender é que se planeie a *primeira* abordagem aos visitantes num local onde, assim se afirma, se pretende o futuro condicionamento do estacionamento e a limitação do tráfego. Isso é que não percebo, mesmo.

Outro assunto ainda de que se falou a este propósito foi o dos esgotos a céu aberto na Torre. Mas, sobre isso, já nem sei o que diga...

(1) Correcção: estive hoje (10 de Agosto) na Torre, e notei que o posto de atendimento da RTSE se encontrava aberto. No entanto, já me aconteceu dar com ele fechado, pelo que pensei que fosse esse o estado permanente. Enganei-me. Mas acho que a dúvida que levantei (sobre se o PNSE conseguirá fazer viver este centro) se justifica.

(2) E serão mesmo dois milhões e meio de vistantes por ano? Gostava de conhecer os estudos que sustentam esta afirmação. Até lá, duvido de estimativas deste tipo, e não sou o único.

terça-feira, julho 22, 2008

O que custa mudar o hábito...Pensar

O que custa mudar os hábitos do dia a dia de cada um é o que o video seguinte tenta ilustrar com o bom humor inglês à mistura...no final o que custa é pensar!

sábado, julho 19, 2008

sábado, julho 12, 2008

Obras e (sub-)desenvolvimento

Diz José Manuel Fernandes, no editorial do Público de hoje:
Na verdade, pode contestar-se a ideia de que a simples existência de investimentos públicos na construção de infra-estruturas é importante para a economia. Para muitos isso era verdade há 30 ou 20 anos, mas já não é hoje.

Creio que é o mito de que tudo o que é investimento público em infra-estruturas é bom para a economia que justifica o entusiasmo revelado por muitos actores locais na abertura, asfaltação ou alargamento de estradas no interior da Serra. Como já expliquei muitas vezes aqui no Cântaro Zangado, quanto a mim esses investimentos não são bons para a economia local, e são até prejudiciais. Não me parece que seja bom para Manteigas que se chegue tão facilmente de carro ao Poço do Inferno, por exemplo. (Refiro este exemplo de Manteigas porque foi o primeiro que me veio à mente. Situações semelhantes ocorrem nos outros concelhos da região). Se os visitantes não tivessem essa possibilidade, mais facilmente pagariam para fazer essa visita a cavalo, de bicicleta ou a pé. Mais tempo permaneceriam no concelho. Mais frequentemente seriam levados a almoçar, jantar ou pernoitar em Manteigas. Poderá haver razões outras que justifiquem esse acesso e outros semelhantes noutros locais, noutros concelhos. Agora, quanto ao turismo, creio que eles só o prejudicam.

Capra pyrenaica em Portugal

Retratada por um anónimo perto da foz do Côa, há cerca de vinte mil anos.

Os traços a verde foram acrescentados por mim no computador. Há menos tempo, é claro.

terça-feira, julho 08, 2008

Ecoasfalt

As máquinas prontas a entrar em acção? Talvez. Seja como for, podemos estar descansados, que o respeito pelo ambiente está sempre no topo das preocupações das forças vivas que alavancam o nosso desenvolvimento. Como se vê pelo nome da empresa. Estamos no rumo certo, estamos de parabéns! (Fotografias tiradas perto do centro de limpeza de neve no Sábado passado, dia 5 de Julho.)

Ainda a propósito do anúncio sobre a concessão das estradas da Serra que referi no último post e da "beneficiação" planeada para o trajecto Seia - Torre - Sanatório, lembrei-me que ainda há dois anos (ou terá sido já no ano passado?) o segmento Seia - Torre foi objecto de grandes trabalhos. Deles resultaram mais parques de estacionamento, o alargamento do entroncamento do Coxaril (o da estrada que sobe de S. Romão) e ainda a criação do entroncamento com a estrada de S. Bento, um pouco acima da Lagoa Comprida. Diga-se de passagem, estes dois entroncamentos ficaram com um tamanho absolutamente injustificado.

Mas, pelos vistos, não foi suficiente. Nem nunca será. Não se ordena o caos que se instala em certos (poucos, felizmente) fins de semana de Inverno. Pode, quando muito, limitar-se esse caos, condicionando o acesso de viaturas particulares à Serra. Mas não é nesse sentido que se está a trabalhar quando se anunciam estas novas obras, pois não?

sexta-feira, julho 04, 2008

Mas quem é que terá encomendado isto?

O Diário XXI de hoje, dia 4 de Julho, dá o destaque principal de primeira página a uma notícia com o título "Concessão da Serra vai a concurso em 2009". Refere-se a notícia à concessão das estradas, não a do turismo e dos desportos, que por essa se têm sucedido as décadas, os regimes políticos, as correntes económicas, as modas, sem que ela se mova...

Mas voltemos à notícia. Pode lê-la na íntegra aqui. Destaco o seguinte excerto:

Melhorias entre Seia, Torre e Sanatório
O secretário de Estado adjunto das Obras Públicas, Paulo Campos, anunciou ontem o lançamento do concurso público para a beneficiação das estradas que atravessam a Serra da Estrela (338 e 339) entre Seia, Torre e antigo Sanatório, na Covilhã. O investimento previsto é de 6,3 milhões de euros ao longo de 41 quilómetros. A obra tem abertura de propostas a 20 de Agosto e os trabalhos devem começar em 2009, tendo um prazo de execução de 300 dias. A beneficiação da estrada prevê mais passeios, zonas de estacionamento e sinalização especial para não perturbar a limpeza da neve, rampas de segurança e outros aspectos. Junto à Lagoa Comprida será criado estacionamento de um quilómetro em cada lado da via.

Uma vez que os responsáveis do turismo na Serra da Estrela (Região de Turismo e Turistrela) já afirmaram que pretendem ver o trânsito na estrada da Torre muito condicionado, apresentando até essa como uma das principais razões para a necessidade da construção de um novo teleférico, suponho que não terão sido eles a encomendar estas "beneficiações". Ao fim e ao cabo, como poderiam eles justificar gastos de seis vírgula três milhões de euros numa estrada que, segundo afirmam, pretendem encerrar ao público? Aguardamos as suas tomadas de posição face a este anúncio. Mas, se não foram eles a encomendar isto, quem terá sido? E, já agora, podia, também eu, fazer uns pedidozitos? Era coisa pouca: reflorestação, reintrodução de algumas espécies já extintas, sinalização de trilhos, dinamização e apoios ao eco-turismo...

Mais comentários: porque razão entende o Ministério das Obras Públicas ser necessário um parque de estacionamento com um quilómetro de extensão em cada lado da estrada perto da Lagoa Comprida? Penso que o que aqui está em causa é, claramente, uma preocupação com os turistas. Ora na minha opinião (formada pela comparação do turismo que temos na serra da Estrela com o que existe em muitas outras montanhas da Europa, desde o Ben Nevis na Escócia à Sierra de Gredos aqui ao lado, passando nos Alpes, nos Pirineus ou no Gerês), turismo deste do chega com o carrinho, pára à beira da estrada, faz um piquenique ou escorrega na neve com um saco de plástico (conforme a estação) e vai-te embora para casa ao fim da tarde, turismo deste já temos que chegue e não me parece bem encorajá-lo ainda mais com esta beneficiação.
Além disso, acontece que a zona em questão está no interior de um parque natural que supostamente pretende, entre outras minudências, proteger a paisagem. Ninguém mais acha estranho que uma tal intervenção possa assim ser decidida e anunciada? O Ministério do Ambiente terá sido ouvido nisto? E o que terá ele a dizer?

terça-feira, julho 01, 2008

Surpresas

Fotografias de telemóvel rasca... Enfim, foi o que tinha à mão.

A mil e setecentos metros de altitude, no flanco oriental do Cântaro Gordo, sobre a Lagoa dos Cântaros, bem agarrado a uma parede rochosa quando em toda a volta se vêm os "ossos" das giestas e urzes que arderam no incêndio de 2005, um pequeno conjunto de carvalhos negrais!

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!