terça-feira, agosto 26, 2008

P'ra pior já basta assim

De acordo com o Diário XXI de ontem (o link pode não ser permanente), a aprovação do Plano de Urbanização das Penhas da Saúde pelos serviços do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) depende de um compromisso claro da Câmara Municipal da Covilhã para a demolição do "bairro ilegal, constituído por mais de 170 casas, situado na traseira da Pousada da Juventude".

Ocorre-me a este propósito o seguinte:

  • Nas Penhas da Saúde há outro bairro semelhante, ainda mais flagrantemente bairro da lata do que este a que se refere a notícia. Encontra-se mais a Norte, mais perto do local onde em tempos se começaram obras para a instalação de um parque de campismo. Sobre este outro bairro nada se diz na notícia.
  • O que a Câmara Municipal da Covilhã pretende para as Penhas da Saúde é (a acreditar no anunciado pela própria câmara) um autêntico delírio: uma estância de montanha "com que Portugal possa concorrer em termos de turismo de montanha com outras da Europa, nas cidades dos maciços mais conhecidos, como os Alpes ou os Pirinéus". A Câmara da Covilhã não compara a serra da Estrela com montanhas algo mais comparáveis como o Gerês, a sierra de Gredos, a de Guadarrama, o Ben Nevis. Não, a serra da Estrela é para concorrer com os Alpes e os Pirinéus! No mesmo anúncio, ficamos a saber o que é preciso para concorrer com os Alpes e os Pirinéus: "500 habitações e zonas de comércio que serão apoiadas por diversos equipamentos sociais, culturais e desportivos" e ainda "a criação de um Pavilhão de Gelo, uma zona multiusos para desportos e festividades e a construção de um posto da GNR". Face tudo isto, francamente: faz algum sentido aprovar seja o que for deste "plano"?
  • O bairro que agora se pretende demolir pode ter o aspecto de um bairro de lata. É verdade e já mais de uma vez o dissemos (por exemplo, aqui). Mas também é verdade que muitas outras casas nas Penhas da Saúde, antigas e novas, mesmo não parecendo barracas de lata, não têm muito melhor aspecto (alguns exemplos recentes, já acabados ou ainda em construção, ilustram este artigo). Não há garantias nenhumas de que as 500 habitações que a câmara pretende ver construídas nas Penhas da Saúde se venham a enquadrar na paisagem e no tecido urbano melhor do que estas casas. Antes pelo contrário: a avaliar pelo que tem sido autorizado, pretende-se aparentemente encher as Penhas da Saúde com mamarrachos novo-ricos em estilo pseudo-mamarracho-tipo-alpino-ou-sei-lá-o-quê-à-modernaça. Francamente, prefiro de longe as casinhas de lata!
  • Estas casas foram construídas porque diversas pessoas sentiram o desejo (que eu compreendo, mesmo considerando ilícita a forma como o satisfizeram) de usufruir de uma casinha na serra. Em contrapartida, as casas que se começaram há cinco ou seis anos a contruir nas Penhas da Saúde são condomínios com quatro a oito apartamentos, que aparecem não porque alguém, gostando da serra, pretende aí ter uma casa de férias, mas sim porque alguma sociedade de construção civil pretende lucrar com a venda dos apartamentos. (Pelo que se pode observar nas Penhas da Saúde, essa venda não está a ser tão fácil como talvez se pensasse, já que condomínios já acabados há dois ou três anos têm ainda apartamentos à venda.) Vendam-se os apartamentos ou não, constata-se que os planos da Covilhã consistem em aplicar nas Penhas da Saúde o modelo de "desenvolvimento urbano" que tem feito das nossas cidades a maravilha que se tem visto. Não me agrada, prefiro as casinhas de lata a estas apostas imobiliárias, geradoras de Quarteiras e afins.

Concluindo: não me agradam nada as casinhas do bairro atrás da pousada (nem as do outro, a que me referi acima). Mas ainda me agrada menos que se resolva o problema que elas representam pactuando com a criação de problemas ainda maiores. Para pior, já basta assim.

E claro: com tudo o que diversos serviços públicos (incluindo a Câmara) já permitiram ou até promoveram naquele bairro (iluminação pública, asfaltação de acessos, campo desportivo), é óbvio que, a serem demolidas as casas, os seus donos devem ser compensados.

segunda-feira, agosto 25, 2008

Águia-calçada

(Hieraaetus pennatus), "caçada" a planar em círculos na encosta sobre a Covilhã.

domingo, agosto 24, 2008

Plano de Ordenamento do PNSE

Imagem roubada no site do ICNB
Encontra-se em fase de discussão pública (até dia 3 de Outubro) o Plano de Ordenamento do Parque Natural da Serra da Estrela. Os documentos podem ser consultados e obtidos no site do Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade.

sábado, agosto 23, 2008

segunda-feira, agosto 18, 2008

Rabirruivo-preto

(Phoenicurus ochruros) fêmea, "apanhado" nas Penhas da Saúde.

domingo, agosto 17, 2008

Acção de limpeza na Torre

Imagem roubada do site do CISE
O CISE promove no dia 23 de Agosto, uma operação de recolha de lixo na zona da Torre. Ver mais detalhes no site do evento.

Infelizmente, não estarei por cá no Domingo.

Oops: 23 de Agosto é Sábado.

Sinto que ainda aqui falta um sinalzinho....

... Mas não consigo decidir qual... Deixem-me acrescentar só mais um... Mas qual?... Oh!, qual?

A imagem acima mostra um aspecto dos Piornos (perto do centro de limpeza de neve), a 1600 m de altitude.
A mancha cinzenta que aparece no canto superior esquerdo da imagem é outro sinal (espanto! admiração!), colocado de costas para a câmara.

sábado, agosto 16, 2008

Felosa

Parece-me uma felosa-comum (Philloscopus collybita), "apanhei-a" nas Penhas da Saúde.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Podem ser só 0,05€...

Mas, no verso, um ramo de carvalho (alvarinho?) com duas bolotas. Que moeda feliz!

domingo, agosto 10, 2008

A nova Porta de Entrada (II)

Fui hoje de manhã visitar o novo Centro de Interpretação, que o Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) inaugurou na semana passada num dos edifícios da Torre. Fomos recebidos (eu e a minha família) por uma funcionária muito simpática e aberta, demonstrando uma grande vontade de responder a todas as nossas dúvidas mas que (e ainda bem!) não tentou impor a sua presença ou o seu tempo à nossa visita. Gostei da exposição, achei-a bastante interessante. Achei-a, principalmente, simpática e digna. E um pouco de simpatia e dignidade, naquele local, é algo que chama a atenção.

É que, a seguir, fui ao centro comercial comprar um pão centeio para o almoço, tendo sido bombardeado com insistentes apelos "oh amigo, ande venha cá provar o meu queijo", "então e um presunto pra ir co pão, não marchava?" etc. No troco, o vendedor enganou-se (de uma forma que não me pareceu, pelas desculpas que balbuciou, nada acidental), a seu favor, claro. Já cá fora, uma barraquinha de gelados debitava a altos berros uma musiquinha techno (ou lá o que era), mesmo apropriada para o local mais alto de Portugal Continental... Por todo o lado, vestígios de lixo. Ah, sim! Simpatia e dignidade, é algo que salta à vista, naquele local.

Disse há dias que havia coisas que não compreendia na decisão de instalar na Torre o Centro de Interpretação do PNSE. Não sei se as compreendo agora, mas de uma coisa fiquei convencido: que, enquanto a Torre for um local de visita massificada, é importante que se mantenha a presença de algo que ultrapasse o mercantilismo rasca dos vendedores de fancaria e das voltinhas na telecadeira. Uma presença aberta, simpática e digna. Uma presença com verdadeira qualidade. Uma presença como a do PNSE.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Milhões de Carvalhos

No dia trinta de Agosto, pelas nove horas, no Covão d'Ametade, inicia-se a campanha 2008/2009 do projecto "Um milhão de Carvalhos Para a Serra da Estrela", da Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela. O plano é passar a manhã a apanhar sementes de bétula no Covão d'Ametade e, depois de almoço (cada um traz o seu), ir espalhá-las na cabeceira do Vale da Candieira e nas vizinhanças da Lagoa dos Cântaros.
Para se ter previamente uma ideia do número de participantes, os organizadores agradecem que os interessados comuniquem a intenção para o email asestrela@gmail.com.

Aparece, e traz um amigo também!

A nova Porta de Entrada

Há dias, o Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) inaugurou um Centro de Interpretação da Natureza num edifício da Torre. A RTP1 fez a seguinte reportagem do evento (tirei o link do blog Estrela no seu melhor. Obrigado, Cova Juliana!):

Fico contente por este edifício ter escapado à transformação num hotel, restaurante, observatório panorâmico, ponto de apoio para a venda de forfaits ou de aluguer de material da estância de esqui e por, em vez disso, estar a ser utilizado para dar visibilidade ao PNSE e para a divulgação da verdadeira mais valia da serra da Estrela, os seus valores naturais.

Por outro lado, noto que a Região de Turismo da Serra da Estrela (RTSE) inaugurou há alguns anos na mesma zona, num edifício do mesmo conjunto, um posto de atendimento a visitantes. Encontra-se fechado(1), há muito tempo, suponho que por falta de meios para o manter aberto. O PNSE terá capacidade para fazer viver esta aposta (e para tal é preciso algo mais do que as obras no edifício e a presença de um funcionário todos os dias do ano, das nove às dezassete)? Espero que sim.

Por outro lado ainda, custa-me a compreender a lógica subjacente a esta aposta. Maria da Paz Moura afirma, a 51 s do início da reportagem, o seguinte:

No fundo, é um local onde se faz uma primeira abordagem de sensibilização da natureza, mas que depois faz uma dispersão em termos territoriais e que permite encaminhar todos os visitantes (que são mais de dois milhões e meio por ano, que nos visitam) para depois outros locais da serra da Estrela com igual ou superior interesse àquele que é a Torre.

Esta lógica do novo Centro de Interpretação como local de primeira abordagem a uma visita ao PNSE fica ainda melhor ilustrada com o comentário final do jornalista:

[...] abriu agora, com este centro de interpretação, uma porta de entrada que mostra as maravilhas da montanha mais alta de Portugal Continental.

O que me custa a perceber é se faz sentido organizar a dispersão dos visitantes(2) a partir do próprio coração geográfico e rodoviário da área protegida. Recordo que (apesar de todas aparências) a zona da Torre é o centro do PNSE, integra a Reserva Biogenética, a Rede Natura e dela escorrem linhas de água que alimentam habitats muito próximos, protegidos (e bem!) pela convenção Ramsar. É ali que faz sentido receber os visitantes numa primeira abordagem, é a partir dali que faz sentido organizar as visitas?
Faz sentido abrir uma porta de entrada para a nossa casa, bem no centro da sala de jantar?

Outros assuntos que vieram a lume com esta notícia foram os do condicionamento do tráfego na Torre, a construção de um teleférico e a instalação de parquímetros para o estacionamento. Talvez mais tarde os comente mais detalhadamente. Para já, refiro apenas que me parece que estes três assuntos, ao contrário do que é sugerido pela notícia, não estão necessariamente relacionados. Não é preciso teleférico nem parquímetros para condicionar o tráfego e a existência de teleférico e parquímetros não se traduz, por si só, num condicionamento do tráfego. Para condicionar o tráfego o que é preciso é efectivamente condicioná-lo, ou seja, não permitir o acesso de viaturas para além de um nível de afluência considerado máximo. Com ou sem teleféricos, com ou sem parquímetros.
Mas, voltando agora à lógica da "porta de entrada", o que realmente considero muito difícil de entender é que se planeie a *primeira* abordagem aos visitantes num local onde, assim se afirma, se pretende o futuro condicionamento do estacionamento e a limitação do tráfego. Isso é que não percebo, mesmo.

Outro assunto ainda de que se falou a este propósito foi o dos esgotos a céu aberto na Torre. Mas, sobre isso, já nem sei o que diga...

(1) Correcção: estive hoje (10 de Agosto) na Torre, e notei que o posto de atendimento da RTSE se encontrava aberto. No entanto, já me aconteceu dar com ele fechado, pelo que pensei que fosse esse o estado permanente. Enganei-me. Mas acho que a dúvida que levantei (sobre se o PNSE conseguirá fazer viver este centro) se justifica.

(2) E serão mesmo dois milhões e meio de vistantes por ano? Gostava de conhecer os estudos que sustentam esta afirmação. Até lá, duvido de estimativas deste tipo, e não sou o único.

terça-feira, julho 22, 2008

O que custa mudar o hábito...Pensar

O que custa mudar os hábitos do dia a dia de cada um é o que o video seguinte tenta ilustrar com o bom humor inglês à mistura...no final o que custa é pensar!

sábado, julho 19, 2008

sábado, julho 12, 2008

Obras e (sub-)desenvolvimento

Diz José Manuel Fernandes, no editorial do Público de hoje:
Na verdade, pode contestar-se a ideia de que a simples existência de investimentos públicos na construção de infra-estruturas é importante para a economia. Para muitos isso era verdade há 30 ou 20 anos, mas já não é hoje.

Creio que é o mito de que tudo o que é investimento público em infra-estruturas é bom para a economia que justifica o entusiasmo revelado por muitos actores locais na abertura, asfaltação ou alargamento de estradas no interior da Serra. Como já expliquei muitas vezes aqui no Cântaro Zangado, quanto a mim esses investimentos não são bons para a economia local, e são até prejudiciais. Não me parece que seja bom para Manteigas que se chegue tão facilmente de carro ao Poço do Inferno, por exemplo. (Refiro este exemplo de Manteigas porque foi o primeiro que me veio à mente. Situações semelhantes ocorrem nos outros concelhos da região). Se os visitantes não tivessem essa possibilidade, mais facilmente pagariam para fazer essa visita a cavalo, de bicicleta ou a pé. Mais tempo permaneceriam no concelho. Mais frequentemente seriam levados a almoçar, jantar ou pernoitar em Manteigas. Poderá haver razões outras que justifiquem esse acesso e outros semelhantes noutros locais, noutros concelhos. Agora, quanto ao turismo, creio que eles só o prejudicam.

Capra pyrenaica em Portugal

Retratada por um anónimo perto da foz do Côa, há cerca de vinte mil anos.

Os traços a verde foram acrescentados por mim no computador. Há menos tempo, é claro.

terça-feira, julho 08, 2008

Ecoasfalt

As máquinas prontas a entrar em acção? Talvez. Seja como for, podemos estar descansados, que o respeito pelo ambiente está sempre no topo das preocupações das forças vivas que alavancam o nosso desenvolvimento. Como se vê pelo nome da empresa. Estamos no rumo certo, estamos de parabéns! (Fotografias tiradas perto do centro de limpeza de neve no Sábado passado, dia 5 de Julho.)

Ainda a propósito do anúncio sobre a concessão das estradas da Serra que referi no último post e da "beneficiação" planeada para o trajecto Seia - Torre - Sanatório, lembrei-me que ainda há dois anos (ou terá sido já no ano passado?) o segmento Seia - Torre foi objecto de grandes trabalhos. Deles resultaram mais parques de estacionamento, o alargamento do entroncamento do Coxaril (o da estrada que sobe de S. Romão) e ainda a criação do entroncamento com a estrada de S. Bento, um pouco acima da Lagoa Comprida. Diga-se de passagem, estes dois entroncamentos ficaram com um tamanho absolutamente injustificado.

Mas, pelos vistos, não foi suficiente. Nem nunca será. Não se ordena o caos que se instala em certos (poucos, felizmente) fins de semana de Inverno. Pode, quando muito, limitar-se esse caos, condicionando o acesso de viaturas particulares à Serra. Mas não é nesse sentido que se está a trabalhar quando se anunciam estas novas obras, pois não?

sexta-feira, julho 04, 2008

Mas quem é que terá encomendado isto?

O Diário XXI de hoje, dia 4 de Julho, dá o destaque principal de primeira página a uma notícia com o título "Concessão da Serra vai a concurso em 2009". Refere-se a notícia à concessão das estradas, não a do turismo e dos desportos, que por essa se têm sucedido as décadas, os regimes políticos, as correntes económicas, as modas, sem que ela se mova...

Mas voltemos à notícia. Pode lê-la na íntegra aqui. Destaco o seguinte excerto:

Melhorias entre Seia, Torre e Sanatório
O secretário de Estado adjunto das Obras Públicas, Paulo Campos, anunciou ontem o lançamento do concurso público para a beneficiação das estradas que atravessam a Serra da Estrela (338 e 339) entre Seia, Torre e antigo Sanatório, na Covilhã. O investimento previsto é de 6,3 milhões de euros ao longo de 41 quilómetros. A obra tem abertura de propostas a 20 de Agosto e os trabalhos devem começar em 2009, tendo um prazo de execução de 300 dias. A beneficiação da estrada prevê mais passeios, zonas de estacionamento e sinalização especial para não perturbar a limpeza da neve, rampas de segurança e outros aspectos. Junto à Lagoa Comprida será criado estacionamento de um quilómetro em cada lado da via.

Uma vez que os responsáveis do turismo na Serra da Estrela (Região de Turismo e Turistrela) já afirmaram que pretendem ver o trânsito na estrada da Torre muito condicionado, apresentando até essa como uma das principais razões para a necessidade da construção de um novo teleférico, suponho que não terão sido eles a encomendar estas "beneficiações". Ao fim e ao cabo, como poderiam eles justificar gastos de seis vírgula três milhões de euros numa estrada que, segundo afirmam, pretendem encerrar ao público? Aguardamos as suas tomadas de posição face a este anúncio. Mas, se não foram eles a encomendar isto, quem terá sido? E, já agora, podia, também eu, fazer uns pedidozitos? Era coisa pouca: reflorestação, reintrodução de algumas espécies já extintas, sinalização de trilhos, dinamização e apoios ao eco-turismo...

Mais comentários: porque razão entende o Ministério das Obras Públicas ser necessário um parque de estacionamento com um quilómetro de extensão em cada lado da estrada perto da Lagoa Comprida? Penso que o que aqui está em causa é, claramente, uma preocupação com os turistas. Ora na minha opinião (formada pela comparação do turismo que temos na serra da Estrela com o que existe em muitas outras montanhas da Europa, desde o Ben Nevis na Escócia à Sierra de Gredos aqui ao lado, passando nos Alpes, nos Pirineus ou no Gerês), turismo deste do chega com o carrinho, pára à beira da estrada, faz um piquenique ou escorrega na neve com um saco de plástico (conforme a estação) e vai-te embora para casa ao fim da tarde, turismo deste já temos que chegue e não me parece bem encorajá-lo ainda mais com esta beneficiação.
Além disso, acontece que a zona em questão está no interior de um parque natural que supostamente pretende, entre outras minudências, proteger a paisagem. Ninguém mais acha estranho que uma tal intervenção possa assim ser decidida e anunciada? O Ministério do Ambiente terá sido ouvido nisto? E o que terá ele a dizer?

terça-feira, julho 01, 2008

Surpresas

Fotografias de telemóvel rasca... Enfim, foi o que tinha à mão.

A mil e setecentos metros de altitude, no flanco oriental do Cântaro Gordo, sobre a Lagoa dos Cântaros, bem agarrado a uma parede rochosa quando em toda a volta se vêm os "ossos" das giestas e urzes que arderam no incêndio de 2005, um pequeno conjunto de carvalhos negrais!

quarta-feira, junho 25, 2008

Turismo - Uma Opinião Insular

Foi por mero acaso que me deparei com este texto do cronista Tomaz Dentinho do jornal online "A União", da ilha de Angra. Decidi transcrever a sua crónica do passado dia 22 de Junho por um lado pela pequena referência que faz à Serra da Estrela e por outro por abordar especificamente a questão do Turismo num local (os Açores) cuja subsistencia está intimamente ligada a esta actividade económica.
Este Cronista faz uma pequena análise critica sobre o que poderão ser as linhas estratégicas para o desenvolvimento do turismo nos Açores. Por agora limito-me a transcrever o seu texto:

"É isso mesmo que fomos assistindo na Serra da Estrela e nos Alpes, nos Himalaias e nas Montanhas Rochosas. Se não tivermos cuidado é isso que acontecerá em São Miguel e em outros locais bonitos dos Açores que facilmente se degradarão se não houver desígnio.
Há várias soluções para evitar a prostituição dos sítios.
A primeira dessas soluções é evitar qualquer contacto com o “mal” turístico, impedindo a construção de alojamentos e dificultando as acessibilidades aos pontos mais bonitos. Foi essa a fama com que ficou Mota Amaral quando não tomou grandes medidas para promover o turismo nas Ilhas dos Açores.
A segunda solução é concentrar o turismo de massas em determinados locais bem confinados e libertar os sítios mais bonitos para aqueles que têm capacidade para neles viverem, ou porque lá trabalham ou porque aí têm capacidade para comprar as poucas casas disponíveis e autorizadas. Foi essa solução que ouvi defender há uns anos num Congresso sobre Turismo por um espanhol. Turismo, para ele, era turismo de massas concentrado em determinados locais como Benidorm ou Torremolinos, para que o restante espaço não seja ocupado por betão e por estradas.
A terceira solução para evitar a prostituição dos sítios é deixar que as actividades de trabalho e lazer dos residentes sejam marginalmente partilhadas por visitantes. 15% de visitantes e 85% de residentes é o máximo de capacidade de carga para que não haja adulteração das actividades de trabalho e de lazer dos residentes, conforme nos reporta um grego que fez um estudo sobre diversas ilhas do Mar Egeu. É isso que se faz em Paris, em Londres, Nova Iorque e um pouco em Lisboa, onde os residentes pouco se importam com os turistas marginais que vão passeando entre o comércio e os monumentos.
Há ainda a possibilidade de assumirmos uma sociedade pendular a nível mais global, um pouco como havia por aqui, entre as Fajãs de São Jorge para passar o Inverno naquela ilha, e as Adegas do Pico para passar o Verão na ilha montanha.
A primeira solução não é defensável nos tempos que correm. Até porque quanto mais tentarmos proteger um local da invasão turística mais ele será procurado por esses novos bárbaros. Também porque, muitas vezes, a única forma de manter algumas pessoas e actividades em espaço rural é através de uma aposta, mesmo que marginal, na actividade turística.
A segunda solução é pragmática e de certa forma aplicável aos Açores. Deixemos concentrar o turismo de massas em Ponta Delgada e - porque não - no Faial, para que as outras ilhas possam albergar os que têm capacidade para neles viverem, porque lá trabalham ou porque aí têm capacidade para comprar as poucas casas disponíveis e autorizadas.
A terceira solução consubstancia esta faceta complementar do turismo de massas. Neste caso a estratégia é apostar noutras actividades geradoras de riqueza, como o vinho e a pesca na Graciosa, o queijo em São Jorge, a carne e o vinho no Pico, os touros, a logística, o queijo e a educação na Terceira. Depois chegarão alguns turistas mas fundamentalmente aqueles que gostam de peixe, de queijo, de carne, de vinho, de touros, de educação e de logística.
A quarta solução só se entende para os migrantes. No fundo pessoas que ainda se encontram enraizadas nos locais para onde gostam de viajar durante as férias. Para isso não é preciso haver grandes políticas pois a vinda de pessoas é assegurada pelos seus familiares e amigos. Basta que possibilitem passagens baratas e poucos entraves aos vistos, e toda a gente gosta de visitar para gerir a saudade. Não há dúvida que na terceira e quarta solução a Terceira é a ilha mais animada conforme nos reporta Sandro Paim."


Fonte original do texto aqui.

Nunca são demais

Actividades como esta, infelizmente, nunca são demais! Queria aproveitar para felicitar todo o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela Associação Manteigas Solidária nos mais diversos domínios em parceria com as entidades de representação local. (via blog de Manteigas)

sexta-feira, junho 20, 2008

Circuito dos 3 Cântaros - Seguimento

Como estava pela zona da prova aproveitei para tirar algumas fotografias que passo a divulgar. Depois de uma breve trégua na inclinação do terreno ao passar pela Nave de Santo António os atletas iniciavam a dura subida do Espinhaço. Clickem nas figuras para as verem ampliadas. É realmente uma prova fantástica! Este ano a utilização de zonas de asfalto foi ainda mais limitada demonstrando a verdadeira natureza off-road desta prova.
adenda: depois de fazer este post descobri na página do Clube Montanhismo Guarda uma galeria de fotos aqui.

quarta-feira, junho 18, 2008

Triste mas encorajador

Encontrei no Domingo um esquilo morto por atropelamento na estrada nacional N338, na zona da mata perto da Nave de Santo António. É triste, mas é também sinal que há esquilos a 1600 m de altitude...

As florestas, mesmo as pequenas, são mesmo ilhas de biodiversidade!

quinta-feira, junho 12, 2008

Este fim de semana

A Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada, em conjunto com o Clube de Montanhismo da Guarda e com a Associação Amigos da Serra da Estrela realiza este Domingo a segunda edição do Circuito dos Três Cântaros, a meia maratona mais espectacular que conheço. Do fundo do vale do Zêzere, junto à casa abrigo da ASE, para a Nave de Santo António, para a Santa, para a Torre, para o Terroeiro, para a barragem do Padre Alfredo, de novo para Nave de Santo António e de volta à casa abrigo. Cerca de vinte quilómetros, com mais de mil metros de subida acumulada.
No ano passado demorei três horas para percorrer este percurso. Este ano, infelizmente, não tenho possibilidade de participar. Paciência, fica para a próxima.
Paralelamente à corrida, decorre um passeio pedestre, de menor extensão.

O que mais me agrada nesta organização é o apelo que fazem ao respeito pelo ambiente do local em que decorre e a enfâse que põem na responsabilidade individual de todos, até dos próprios organizadores:

O CIRCUITO DOS 3 CÂNTAROS DESENROLA-SE NO CENÁRIO DE EXCEPCIONAL BELEZA NATURAL DO PARQUE NATURAL DA SERRA DA ESTRELA, PELO QUE SERÁ OBRIGAÇÃO DE TODOS PRESERVAR O MEIO AMBIENTE EVITANDO ABANDONAR DESPERDÍCIOS FORA DAS ÁREAS DE CONTROLO.
DO NOSSO COMPORTAMENTO (ORGANIZAÇÃO E PARTICIPANTES) DEPENDERÁ O FUTURO DA PROVA.
(Retirado textualmente da página web da prova.) Ah!, assim se fizesse tudo na Serra, assim se portassem todos os promotores de eventos na Serra...

domingo, junho 08, 2008

A morte selvagem (2)

Apresento em baixo mais um exemplo de como as vias rápidas e confortáveis, como a "tão ansiada" Estrada Verde com que se pretende abrir um novo acesso da Guarda ao Maciço Central através do Parque Natural da Serra da Estrela, são, de facto, uma mais-valia para o usufruto da paisagem e do ambiente desta área protegida, e também para o admirar da vida selvagem.
Ou deveria antes dizer da morte selvagem?
A minha primeira (e única, até agora) fotografia de um texugo. Jazia ontem morto após atropelamento, à beira da Nacional 18, entre a Covilhã e o Teixoso.

sábado, junho 07, 2008

Adoradores do Sol

Lagarto-de-água (Lacerta schreiberi)

segunda-feira, junho 02, 2008

"O domínio dos deuses"

Um livrinho impagável que desmonta os argumentos que defendem o desenvolvimento "alavancado" nos grandes projectos imobiliários, na "requalificação" de espaços naturais, num certo tipo de turismo e de turistas, mostrando como interesses muito particulares se fazem passar pelo interesse público. Parece incrível como é que, quase quarenta anos depois de publicada esta deliciosa pérola, ainda é possível encontrar nos nossos jornais de referência (nomeadamente nos seus muy sérios cadernos de imobiliário) anúncios que parecem copiados do que aqui deixo abaixo.
Clique na imagem para a aumentar.
"O domínio dos deuses", uma aventura de Asterix e Obelix, por Goscinny e Uderzo. É caso para dizer: "Estes nossos alavancadores estão loucos!"

domingo, maio 25, 2008

Eis a Primavera do nosso descontentamento...

(Topo da Rua dos Mercadores, no meio de um violento aguaceiro de neve, ontem, 24 de Maio, à volta do meio-dia...)
... Feita enregelante Inverno por esta já cansativa sucessão de depressões atlânticas...

sexta-feira, maio 23, 2008

Prémio "E o meu único defeito é a modéstia":

"A grande mais valia da serra são duas pessoas: sou eu e o meu cunhado"
Assim falou Artur Costa Pais, em entrevista à Rádio Altitude (avançar até 20'08'').

Artur Costa Pais é administrador e proprietário da Turistrela, a empresa concessionária exclusiva do turismo e dos desportos na serra da Estrela, de acordo com os Decretos-Lei 3/70 (28 de Abril de 1970), 325/71 (28 de Julho de 1971) e 408/86 (11 de Dezembro 1986). Até quando durará este anacronismo do Estado Novo?

quinta-feira, maio 22, 2008

Ainda por cá andamos!

Fotografia tirada hoje às 9:30, na colina sobre a Covilhã. Não via esquilos desde Abril de 2006.

quarta-feira, maio 21, 2008

Outras terras, outros modos

Na revista Única do Expresso desta semana, um artigo de Luísa Schmidt conta-nos que, para garantir a continuidade do fornecimento de água de qualidade, a edilidade de Nova Iorque, em poucos anos
"comprou todos os terrenos que pôde no entorno das reservas hídricas a fim de preservar nelas as suas florestas e zonas húmidas - autênticos «tampões» contra a poluição. Simultaneamente, criou incentivos financeiros para os proprietários locais fazerem a gestão florestal e agrícola correctas, fornecendo-lhes apoio técnico."
A alternativa a esta linha de acção era a instalação de caras (na construção e no funcionamento) estações de tratamento de água. Os resultados dessa aposta, segundo Luísa Schmidt, estão agora a aprecer:
"a cidade de Nova Iorque poupou milhares de dólares; os seus citadinos têm hoje água muito melhor e a menores custos; a população rural foi ressarcida pelo serviço ambiental prestado a toda a comunidade e a área das reservas entretanto criada tornou-se uma zona protegida onde se pode passear e usufruir a paisagem. Qualquer dia a água de Nova Iorque pode ser vendida em garrafas."
Mais um exemplo de como nem sempre um desenvolvimento a sério vem nas pás das escavadoras, nas betoneiras, nas grandes obras de construção civil. Mas tente-se afirmar esta verdade óbvia e cristalina cá em Portugal...

segunda-feira, maio 19, 2008

Parabéns

No site da Região de Turismo da Serra da Estrela pode apreciar-se um slide show com algumas fotografias de fazer crescer água na boca, como a que ilustra este post. Parabéns!

sexta-feira, maio 16, 2008

Veredas interiores

O Rio Zêzere e as bétulas no Covão d'Ametade

Variação sobre um post no A Sombra Verde.

Bem a propósito, aproveito para sugerir "A Catedral Verde", de João Aguiar. Bom fim de semana!

quinta-feira, maio 15, 2008

Estágios CERVAS

Libertação de uma Coruja-das-torres (Tyto alba) após internamento no CERVAS devido a ferimentos.
O Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS), em Gouveia, apresenta a seguinte lista de propostas para estágios (não renumerados), com a duração de seis meses:
  1. Parasitologia em animais selvagens
  2. Libertação de Animais Recuperados – Preparação e Acompanhamento
  3. Gestão e Manutenção de um centro de recuperação
  4. Programa Antídoto - Portugal
  5. Educação e Divulgação Ambiental – Edição de Material Pedagógico
Os interessados devem contactar o CERVAS/PNSE através do email cervas.pnse(at)gmail.com

sexta-feira, maio 09, 2008

quarta-feira, maio 07, 2008

Uma óptima notícia!

Finalmente, "abriu" o site de internet do Centro de Interpretação da Serra da Estrela, da Câmara Municipal de Seia! O URL é http://www.cise-seia.org.pt.

Soube disto pelo Oceano das Palavras.

Minicidade com requalidade

Condomínio em fase final de construção (em segundo plano).

Será possível às Penhas da Saúde transformarem-se, como deseja a Câmara Municipal da Covilhã, num aldeamento / aldeia / minicidade de montanha (a designação dada à coisa vai mudando) com que o país "poderá concorrer com os mais importantes aldeamentos turísticos de montanha da Europa. Uma área de projecção nacional e internacional, com que Portugal possa concorrer em termos de turismo de montanha com outras da Europa, nas cidades dos maciços mais conhecidos, como os Alpes ou os Pirinéus"?

Vivenda (ou condomínio?) iniciada no início do Verão de 2007.

Já nem falo da falta de neve e da dimensão comparativamente modesta da Serra da Estrela face aos "maciços mais conhecidos, como os Alpes ou os Pirinéus". Falo dos mamarrachos que a própria Câmara Municipal da Covilhã tem autorizado nas Penhas da Saúde, como estes dois que aqui mostro neste post, ainda não concluídos. E o historial de mamarrachos neste aldeamento / aldeia / minicidade de montanha vem de há muito, muito tempo...

Será possível? Mesmo que o seja, será este o caminho?

terça-feira, maio 06, 2008

Uma boa notícia

Hoje de manhãzinha estive no Covão d'Ametade. Pude constatar que o lixo que por lá se encontrava espalhado, que foi referido pelo blog Estrela no seu melhor, já foi limpo.

Suponho que a triste situação, que se prolongou durante algumas semanas, se deveu à colocação no local de objectos que pareciam caixotes do lixo sem tampa (como o que aparece na fotografia abaixo, "roubada" do Estrela no seu melhor). As pessoas que fazem piqueniques no Covão d'Ametade colocavam aí os seus lixos, em vez de o fazerem nos contentores estacionados à entrada do local, junto à estrada. Como esses lixos não eram retirados, os animais selvagens (raposas, principalmente) espalhavam-nos, à procura de comida. Agora esses caixotes foram retirados e o Covão d'Ametade voltou a estar relativamente limpo.

A quem devemos agradecer este trabalho? À Câmara Municipal de Manteigas? Ao Parque Natural da Serra da Estrela? Não sei. Seja quem for, bem hajam!

quarta-feira, abril 30, 2008

Boa, CERVAS! Boa, PNSE!

Alguém colocou no YouTube esta reportagem da RTP sobre a actividade do CERVAS/PNSE, que inlcui imagens da libertação de uma águia cobreira (a que, por sorte, pude assistir e que referi aqui).

Caramba, dá gosto ver o Parque Natural da Serra da Estrela ser assim noticiado!

Está também disponível a reportagem da libertação de uma fuinha, também pelo CERVAS, desta vez em Mangualde.

Por falar nisso,...

Há dias foi notícia um estudo proposto por seis municípios da região e coordenado pelo economista Daniel Bessa, com o objectivo, assim se afirma, de desenvolver as potencialidades turísticas da região. Pode ler artigos sobre este estudo por exemplo no Diário XXI (aqui e aqui), no Opção Turismo e comentários ou referências em vários blogs, como o Blog de Manteigas, o Estrela no seu Melhor e muitos outros.

O Cântaro Zangado já disse o que tinha dizer sobre o que de substancial até agora veio a público relativamente a este estudo. Há um ano.

sexta-feira, abril 25, 2008

segunda-feira, abril 21, 2008

O nosso impacto

O Público de Quinta Feira passada trazia um artigo sobre o mundo de biodiversidade na cratera do atol de Bikini, onde os EUA fizeram testes com bombas de fusão nuclear em 1954 e que por isso mesmo tem sido, desde então, uma zona de acesso interdito.
No mesmo sentido, a zona de Chernobyl, evacuada há 20 anos na sequência do mais grave acidente em centrais nucleares de sempre, é hoje, segundo diz Alan Weisman no seu livro "O mundo sem nós", uma zona de grande pujança natural. As florestas cresceram, os veados e lobos regressaram, por todo o lado a natureza retomou o seu domínio.

Será que a variável relevante nestes dois casos é a existência de elevados níveis de radiação? Não. A mortalidade dos animais de Chernobyl é maior do que no resto do mundo. Por outro lado, outro paraíso natural referido por Alan Weisman, e um onde os níveis de radiação são os normais, é a zona de exclusão entre as duas Coreias, uma estreita faixa com quatro quilómetros de largura por duzentos e cinquenta de extensão, ladeada por dois exércitos vigilantes e em estado de prevenção constante.

Não, não são os altos níveis de radiação que fazem bem à natureza; são os baixos níveis de exposição ao homem. Por isso, pergunto se teremos mesmo que ocupar intensamente todos os espaços, até os que resolvemos declara áreas protegidas? Mais em particular, teremos mesmo que continuar a "desenvolver" (entendendo-se com esta palavra o que ela tem significado cá em Portugal) a Serra da Estrela?

A foto acima mostra um cavalo de Przewalski, raça selvagem que prospera na região de Chernobyl. Retirei-a daqui.

sábado, abril 19, 2008

domingo, abril 13, 2008

De Carro Não ... (2)

De carro não conseguiríamos desfrutar da "companhia" desta pequena rela, uma Hyla arborea segundo comparação com fotografias do Guia Geobotânico da Serra da Estrela (Jan Jansen). Embora não seja uma espécie considerada ameaçada de extinção a sua população encontra-se em declino e está inscrita na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas.

Uma curiosidade que descobri na Wikipedia é que esta espécie era utilizada pelos antigos como barómetro já que começava a coaxar quando se aproximava chuva.

Está a ver as curiosidades que pode estar a perder! Deixe o carro e "perca-se" na natureza da Serra da Estrela.

Noventa e nove...

... Carvalhos-negral. E Vamos lá ver se a coisa fica por aqui.

quinta-feira, abril 10, 2008

Valores

Um dos argumentos invocados para travar o projecto da estância de esqui de S. Glório que referimos há dias foi o de que ele punha em causa um dos últimos habitats do urso pardo na Península Ibérica. Ou seja, foi invocado um valor ambiental real e concreto, em vez de argumentos genéricos, mais ou menos vagos, mais ou menos românticos, mais ou menos relevantes para o que em concreto ali se estava a decidir.

E na Serra da Estrela? Aqui que a estância já existe, os projectos são para a sua ampliação. Tenho dito que não me parecem nada razoáveis, porque como a estância está no alto da montanha, só pode ser ampliada para baixo, para menores altitudes. Para locais onde neva menos, onde está mais quente, onde a neve se aguenta menos tempo. Mas este argumento é apenas económico. Se apenas o dinheiro da Turistrela fosse investido neste empreendimento, ele não nos diria respeito. (Mas é claro que há sempre o apoiozito do estado, da autarquia, da União Europeia...)

Reconhecendo que já não há ursos na serra (imagino que desde perto do final da Idade Média), nem lobos (há algumas dezenas de anos), nem cabra-montês, nem quaisquer outros mamíferos selvagens de grande porte (à excepção do javali), poderíamos pensar que não se aplicam, por cá, grandes preocupações ambientalistas. Ao fim e ao cabo, tudo o que havia para extinguir já se extinguiu, porquê tanta choraminguice?

Porque, pura e simplesmente, não é verdade que a Serra da Estrela esteja já esvaziada de valores ambientais. No "Guia geobotânico da Serra da Estrela"(1), do holandês Jan Jansen, podemos ler,

The flora of Estrela includes about a quarter of the preliminary Portuguese red list of vascular plant species, many of wich are confined to the Estrela within Portugal. In the Park's territory more then 400 bryophyte species could be detected. This is about two-third of the bryophyte flora of Portugal and some 40% of the Iberian. A considerable number occurs on the red list of bryophytes from the Iberian Peninsula.
(p. 36)
Se ainda não chegasse, o apêndice 3 deste mesmo guia enumera 45 espécies de mamíferos, 143 espécies de aves nidificantes, 9 de peixes, 33 de répteis e anfíbios.

Apesar de tudo isto, é verdade que não temos nada tão "espectacular" como o urso pardo. Mas vejamos. Na página 7 da ficha sobre o lobo ibérico do Plano Sectorial da Rede Natura 2000, informa-se que "deverão ser aplicadas todas as medidas que potenciem uma futura ocupação [pelo lobo] desta área [serra da Estrela], dada a proximidade com áreas onde a espécie ocorre." Entre outras medidas, propõe-se

  • Promover a conservação e o fomento das presas selvagens (nomeadamente corço e veado) do lobo através de:
    • manutenção/recuperação do coberto vegetal autóctone
    • assegurar uma correcta exploração cinegética destas espécies
    • acções de re-introdução/repovoamento de corço, quando necessárias
  • Condicionar a implementação de grandes infra-estruturas
  • Condicionar a abertura/utilização de novos acessos em áreas sensíveis, nomeadamente no âmbito de processos de Avaliação de Impacto Ambiental e no âmbito de Planos de Ordenamento do Território. Fiscalizar acessos e circulação de veículos motorizados. Nas áreas mais sensíveis, interditar circulação de viaturas fora dos caminhos estabelecidos.
Ou seja: quase não há mamíferos selvagens de grande porte na serra, mas um instituto do governo sugere a sua reintrodução. Para tal ser viável, há que ter alguns cuidados, ainda maiores do que aqueles a que a conservação das mesmas espécies obrigaria, caso elas fossem pré-existentes no território.

Em resumo, acho que mostrei que a ampliação da estância de esqui (e outras grandes iniciativas, como a abertura de novas estradas, etc) não só pode pôr em causa em causa um real, vasto e valioso património ambiental como parece contrariar flagrantemente as opções e orientações definidas pelo governo para a protecção ambiental no território do PNSE.

(E ainda por cima, como se não bastasse tudo isto, há cada vez menos neve na Serra da Estrela, e cada vez de pior qualidade! Valerá mesmo a pena a ampliação da estância?)

(1) Fernando Catarino, no quinto volume da série "Árvores e florestas de Portugal", publicada pelo jornal Público, diz deste guia o seguinte: "Em minha opinião, trata-se do melhor guia de Natureza alguma vez editado em Portugal. A riqueza e qualidade das ilustrações do guia têm paralelo no texto, claro e de grande rigor científico. O guia retrata correcta e exaustivamente os valores biológicos e as paisagens que o Parque encerra, num exemplar enquadramento climático, edáfico e biogeográfico" (p. 126). No ano passado, tentei comprá-lo na sede do Parque. A edição em língua portuguesa estava esgotada, tive que me contentar com a edição em inglês. Ter-se-á entretanto alterado este estado de coisas?

terça-feira, abril 08, 2008

Em Unhais plantam-se árvores

António Duarte, Secretário da Assembleia de Freguesia de Unhais da Serra, teve a gentileza de me enviar informações sobre o corte de plátanos a que me referi há tempos.

Fiquei a saber que, no decurso do que suponho terem sido trabalhos de melhoria de arruamentos, foram cortados 22 plátanos, o que corresponde a uma pequena fracção do total. Pessoalmente, não é coisa que me agrade. Mas António Duarte afirma (e eu acredito) que não havia possibilidade de realizar as obras que se consideraram necessárias sem proceder àqueles cortes. Afirma também (e também acredito) que a população afectada pediu que fossem cortados ainda mais plátanos, por causa dos inconvenientes que normalmente são associados com o convívio próximo com árvores de grande porte (folhas nos caleiros pelo Outono, ramadas que se partem nos vendavais, alergias, etc). Eu dou pouca importância a estes "inconvenientes" (e vivi à sombra de grandes árvores muitos anos: freixos em criança e choupos mais recentemente), mas sei que há quem dê. Eu considero as árvores frondosas e a sombra que "derramam" sobre a rua elementos extraordinariamente agradáveis das ruas onde existem mas outros não pensam assim, com razões que são as suas.

Sendo como sou, não consigo festejar cortes de árvores. Como dei a entender no post que já citei, posso reconhecer a inevitabilidade do abate de uma grande árvore; mas não é algo que eu veja com alegria.

Mas António Duarte fez-me também chegar a informação de que tinham sido plantadas várias bétulas e tílias na Vila. Ora essa é uma informação que eu quero festejar! Plantar árvores é quase sempre uma boa decisão, embora não compense completamente a perda das abatidas. Só espero que estas novas árvores, ao crescerem, não venham também a ser consideradas fontes de inconvenientes que justifiquem cortes ou podas radicais.

Resta-me agradecer a António Duarte as fotografias com que ilustro este post e a cordialidade com que se disponibilizou a esclarecer-me, mais ainda por ter sido dele a iniciativa. Um sincero bem haja, António Duarte.

sexta-feira, abril 04, 2008

Tribunal Espanhol Trava Estancia de Esqui


Ficámos a saber de uma decisão inédita de um tribunal espanhol que revoga a autorização concedida pela Junta local de construir uma estância de esqui com 50 km de pistas acima dos 1500 metros de altitude num Parque Natural da provincia de Castela e Leão.

Além das condicionantes de se encontrar dentro de uma área protegida e de zona importante de ursos, o tribunal alegou tambem a manifesta ausencia de viabilidade de uma estância a estas altitudes e latitudes face ao aquecimento global comprovado que tem provocado uma clara diminuição real da queda de neve. Entre outras criticas o tribunal evidencia tambem a falta de Planos de Desenvolvimento Turistico, Planos de Uso e Gestão e Plano de Melhorias.

Parece-vos familiar??

Para informações mais detalhadas e mesmo sobre a dita sentença ver um blog espanhol e o publico de hoje.

domingo, março 30, 2008

Eskimós 2008 — Correcção

Recebi informações de que o encontro de motociclistas que teve lugar no Covão d'Ametade no fim de semana de 15 de Fevereiro, a que nos referimos aqui e aqui, afinal, não terá tido a autorização nem a colaboração dos serviços do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE), ao contrário do que apareceu noticiado no Diário XXI e num artigo no número 75 da revista MotoReport (embora aqui seja, de facto, referida a ocorrência de um desentendimento com um técnico do PNSE).

A dar crédito a estas informações (que me chegaram por canais privados, é certo, mas diversos e independentes), o PNSE não só não autorizou ou apoiou o evento, como ainda terá levantado um auto relativo a factos nele verificados.

Mesmo antes de poder categoricamente confirmar estas informações, fico pessoalmente muito contente por corrigir a ideia, que contribuí para difundir, de que o PNSE apoiara o evento. Fico também contente por ver o Parque tomar medidas no sentido de penalizar eventuais infractores, embora continue a achar que teria sido melhor ter desviado o evento para outro local ou, de algum modo, ter preventivamente actuado de forma a impedir os eventuais danos que terão levado ao levantamento do auto.
Mesmo que o dito auto tenha sido levantado contra "desconhecidos" (à semelhança do relativo aos movimentos das máquinas pesadas sobre a vegetação com que, no ano passado, a Turistrela transportou neve para a pista de esqui) e que o processo morra na gaveta sem nada de concreto chegar a apurar, o mais importante, para mim, é que se note que no território do PNSE nem tudo é oficialmente permitido.

Por isso mesmo, aqui fica a correcção, a que junto um agradecimento ao PNSE.

quarta-feira, março 19, 2008

sexta-feira, março 14, 2008

As coisas simples da vida

Estradas no coração da montanha? Hotéis no coração da montanha? "Requalificações" desta e daquela patética miséria erradamente pré-instalada no coração da montanha? Mas o que restará então para o gozo puro e simples da montanha? O que restará do coração da montanha?

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!

sexta-feira, março 07, 2008

Concessão exclusiva! Porque eu mereço!

Um artigo d'O Interior de 25 de Janeiro de 2007, com o sugestivo título "Uma pista de problemas", informa-nos que, de acordo com um relatório da jurista da Câmara Municipal de Manteigas divulgado por vereadores do Partido Socialista(1), "vários incumprimentos por parte do consórcio Turistrela/Certar" tinham sido detectados no funcionamento da pista de esqui com neve artificial do Sameiro, "desde que aquele equipamento de lazer foi inaugurado, em 2001". Sugeria-se até nesse relatório a "rescisão do contrato de concessão".

Nessa mesma altura (aliás, no próprio artigo que referi), responsáveis da Turistrela anunciaram a intenção de fazer um investimento de três milhões de euros no Sameiro, com a construção de 30 chalés para aumentar a oferta turística. É interessante notar que a notícia com que o Diário XXI divulgou essa intenção de investimento não fazia qualquer referência ao conteúdo do relatório, que tinha sido divulgado apenas na semana anterior. Mas enfim, pelos vistos toda a gente terá achado uma excelente ideia, porque não se voltou a falar no tal relatório. Nem nos três milhões em chalés.

Mas o Notícias da Covilhã desta semana traz novidades do SkiParque. Como o Notícias da Covilhã não mantém as suas peças online permanentemente, transcrevo-a em baixo:

Turistrela pode ficar sem o Sky Parque
Pista sintética de esqui em Manteigas
A Câmara de Manteigas terá detectado irregularidades no empreendimento onde está a única pista sintética de esqui do País. Se a situação não for regularizada, a autarquia ameaça retirar a concessão ao consórcio Turistrela/Certar. Mas as partes não parecem estar em sintonia
A Câmara Municipal de Manteigas pode vir a cessar o contrato que tem com o consórcio Certar/Turistrela, para a exploração do Sky Parque, a pista sintética localizada no concelho. Em causa estão alegadas situações de incumprimento do que foi acordado.
Para já, José Manuel Biscaia, presidente do município, diz que não se chegou a um ponto de ruptura, já que o assunto está a ser negociado. “Há pontos de encontro, senão não se estava a negociar”, realça. Já Paulo Ramos, da Turistrela, garante que da parte da empresa está tudo resolvido. “Para nós isso sempre esteve resolvido”, acentuou, dando a entender que a Turistrela não está disposta a fazer cedências.
Segundo a Câmara de Manteigas, o consórcio escolhido para a concepção, construção e exploração, durante 20 anos, do Sky Parque, já reconheceu e corrigiu algumas falhas apontadas. Nomeadamente no que se refere à “ruptura de equipamentos” ou ao mau estado de conservação do piso.
Neste momento, a principal preocupação da autarquia prende-se com a legalidade do consórcio. “Está constituído um consórcio irregular, que não tem autonomia ao nível do registo de impostos e finanças”, adianta José Manuel Biscaia ao NC.
(Notícia na íntegra na edição papel)

Podemos juntar a este diferendo a embrulhada dos chalés das Penhas da Saúde, que deu direito a "63 casos de violações de leis urbanísticas e instrumentos de ordenamento do território" e cujo plano de pormenor foi aprovado cinco ou seis anos depois dos ditos chalés estarem construídos e a ser explorados. Ou o escândalo do falhanço da construção do teleférico Piornos-Torre (que constava das atribuições da Turistrela no próprio diploma que a criou há trinta e tal anos) que, depois de por fim ter sido (e bem) demolido e removido todo o entulho instalado, a Turistrela pretende recomeçar. E há o sarilho da reconstrução do edifício do antigo Sanatório dos Ferroviários, de que fiz há tempos um breve resumo da história recente. E há os sarilhos que vários clientes da Turistrela deixam nos foruns de opinião sobre a estância de esqui... E outros, muitos outros.

Há tudo isto, mas não há nada. A Turistrela é uma empresa importantíssima para o desenvolvimento do turismo na nossa região. Tem sido importantíssima para o desenvolvimento que o turismo na nossa região tem tido. Merece os maiores e os mais rasgados encómios! Merece a concessão exclusiva do turismo e dos desportos na Serra da Estrela (mesmo que se ache que essa concessão não deveria existir num país moderno em pleno séc. XXI). E nós todos, autarcas, empresários, populações, temos é que agradecer. Porque estamos no rumo certo, estamos de parabéns. Como sempre, desde sempre. Não aprendemos nada em trinta anos, apenas porque não há nada para aprender. Continuemos!

(1) Não sei de que partido é a maioria da Câmara de Manteigas. Sei que podia ver isso num instantinho. Mas, nestes assuntos, acho que essa questão é completamente irrelevante. Assim, não sei se os vereadores do PS que divulgaram o relatório estavam a fazer o serviço da oposição ou o da "situação". Nem me interessa.

terça-feira, março 04, 2008

Ciências do Desporto em Comunidade

O Departamento de Ciências do Desporto da Universidade da Beira Interior promove no dia 12 de Março às 21:00, no âmbito do seu "2º Dia Ciências do Desporto em Comunidade", um encontro com o alpinista João Garcia, incluindo a exibição de um filme sobre as suas ascenções. O tema do encontro é "Os desafios aos limites do Homem".

A não perder também uma exposição fotografias de João Garcia, durante a semana de 10 a 15 de Março.

Actualizações ou mais informações aqui.

domingo, março 02, 2008

Obrigações e água benta, cada um toma as que quer!

Na página de internet da estância de esqui de La Covatilla (na Sierra de Bejár, aqui perto da Estrela mas do lado de lá da fronteira) pode ler-se
De manera regular se llevan a cabo labores de limpieza y recogida de residuos y basura en el entorno de la estación de esquí. Sobre todo en las zonas de aparcamiento y acceso. En la foto podemos ver cómo los operarios de Gecobesa recogen latas, plásticos, envases y todo tipo de residuos que quedan desperdigados en toda la zona antes de que, a causa del efecto del viento y otros agentes atmosféricos, toda esta basura se desperdigue por toda la sierra. De estos trabajos, que nos suponen un elevado coste material y humano se habla muy poco, por esa razón, ya que otros no lo hacen, lo destacamos hoy como noticia en nuestra página.
Artur Costa Pais, administrador e dono da Turistrela, empresa gestora da "nossa" estância de esqui e concessionária exclusiva do turismo e dos desportos da Serra da Estrela, em declarações recolhidas pelo Notícias da Covilhã em Maio de 2006, sobre o problema do lixo disperso na zona da Torre, disse:
Isso é uma preocupação mas não é uma obrigação. Não podemos assumir essa responsabilidade, é uma responsabilidade de todos.
E, apesar destas e doutras (muitas outras) como estas, mantém-se a Turistrela como concessionária exclusiva há trinta e tal anos, concessão que se prevê continue por mais trinta e tal anos. A bem do que se vê. Estamos no rumo certo, estamos de parabéns! Como sempre.

PS: atenção que se trata aqui apenas de palavras, de imagens mediáticas. Não sei se este anunciado esforço de limpeza por parte da estância de La Covatilla é sério ou se se trata apenas de publicidade para contrariar argumentos de ambientalistas e outros amigos da serra. Virando o bico ao ditado de forma a melhor se aplicar neste contexto, à mulher de César não basta parecer séria, tem que o ser também. Mas nuestros hermanos de La Covatillha, ao menos, tentam parecer sérios. Os de cá, é o que se vê.

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!