quarta-feira, março 19, 2008
sexta-feira, março 14, 2008
As coisas simples da vida
Estradas no coração da montanha? Hotéis no coração da montanha? "Requalificações" desta e daquela patética miséria erradamente pré-instalada no coração da montanha? Mas o que restará então para o gozo puro e simples da montanha? O que restará do coração da montanha?
Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!
sexta-feira, março 07, 2008
Concessão exclusiva! Porque eu mereço!
Um artigo d'O Interior de 25 de Janeiro de 2007, com o sugestivo título "Uma pista de problemas", informa-nos que, de acordo com um relatório da jurista da Câmara Municipal de Manteigas divulgado por vereadores do Partido Socialista(1), "vários incumprimentos por parte do consórcio Turistrela/Certar" tinham sido detectados no funcionamento da pista de esqui com neve artificial do Sameiro, "desde que aquele equipamento de lazer foi inaugurado, em 2001". Sugeria-se até nesse relatório a "rescisão do contrato de concessão".
Nessa mesma altura (aliás, no próprio artigo que referi), responsáveis da Turistrela anunciaram a intenção de fazer um investimento de três milhões de euros no Sameiro, com a construção de 30 chalés para aumentar a oferta turística. É interessante notar que a notícia com que o Diário XXI divulgou essa intenção de investimento não fazia qualquer referência ao conteúdo do relatório, que tinha sido divulgado apenas na semana anterior. Mas enfim, pelos vistos toda a gente terá achado uma excelente ideia, porque não se voltou a falar no tal relatório. Nem nos três milhões em chalés.
Mas o Notícias da Covilhã desta semana traz novidades do SkiParque. Como o Notícias da Covilhã não mantém as suas peças online permanentemente, transcrevo-a em baixo:
Turistrela pode ficar sem o Sky ParquePista sintética de esqui em ManteigasA Câmara de Manteigas terá detectado irregularidades no empreendimento onde está a única pista sintética de esqui do País. Se a situação não for regularizada, a autarquia ameaça retirar a concessão ao consórcio Turistrela/Certar. Mas as partes não parecem estar em sintoniaA Câmara Municipal de Manteigas pode vir a cessar o contrato que tem com o consórcio Certar/Turistrela, para a exploração do Sky Parque, a pista sintética localizada no concelho. Em causa estão alegadas situações de incumprimento do que foi acordado.Para já, José Manuel Biscaia, presidente do município, diz que não se chegou a um ponto de ruptura, já que o assunto está a ser negociado. “Há pontos de encontro, senão não se estava a negociar”, realça. Já Paulo Ramos, da Turistrela, garante que da parte da empresa está tudo resolvido. “Para nós isso sempre esteve resolvido”, acentuou, dando a entender que a Turistrela não está disposta a fazer cedências.Segundo a Câmara de Manteigas, o consórcio escolhido para a concepção, construção e exploração, durante 20 anos, do Sky Parque, já reconheceu e corrigiu algumas falhas apontadas. Nomeadamente no que se refere à “ruptura de equipamentos” ou ao mau estado de conservação do piso.Neste momento, a principal preocupação da autarquia prende-se com a legalidade do consórcio. “Está constituído um consórcio irregular, que não tem autonomia ao nível do registo de impostos e finanças”, adianta José Manuel Biscaia ao NC.(Notícia na íntegra na edição papel)
Podemos juntar a este diferendo a embrulhada dos chalés das Penhas da Saúde, que deu direito a "63 casos de violações de leis urbanísticas e instrumentos de ordenamento do território" e cujo plano de pormenor foi aprovado cinco ou seis anos depois dos ditos chalés estarem construídos e a ser explorados. Ou o escândalo do falhanço da construção do teleférico Piornos-Torre (que constava das atribuições da Turistrela no próprio diploma que a criou há trinta e tal anos) que, depois de por fim ter sido (e bem) demolido e removido todo o entulho instalado, a Turistrela pretende recomeçar. E há o sarilho da reconstrução do edifício do antigo Sanatório dos Ferroviários, de que fiz há tempos um breve resumo da história recente. E há os sarilhos que vários clientes da Turistrela deixam nos foruns de opinião sobre a estância de esqui... E outros, muitos outros.
Há tudo isto, mas não há nada. A Turistrela é uma empresa importantíssima para o desenvolvimento do turismo na nossa região. Tem sido importantíssima para o desenvolvimento que o turismo na nossa região tem tido. Merece os maiores e os mais rasgados encómios! Merece a concessão exclusiva do turismo e dos desportos na Serra da Estrela (mesmo que se ache que essa concessão não deveria existir num país moderno em pleno séc. XXI). E nós todos, autarcas, empresários, populações, temos é que agradecer. Porque estamos no rumo certo, estamos de parabéns. Como sempre, desde sempre. Não aprendemos nada em trinta anos, apenas porque não há nada para aprender. Continuemos!
(1) Não sei de que partido é a maioria da Câmara de Manteigas. Sei que podia ver isso num instantinho. Mas, nestes assuntos, acho que essa questão é completamente irrelevante. Assim, não sei se os vereadores do PS que divulgaram o relatório estavam a fazer o serviço da oposição ou o da "situação". Nem me interessa.
terça-feira, março 04, 2008
Ciências do Desporto em Comunidade
O Departamento de Ciências do Desporto da Universidade da Beira Interior promove no dia 12 de Março às 21:00, no âmbito do seu "2º Dia Ciências do Desporto em Comunidade", um encontro com o alpinista João Garcia, incluindo a exibição de um filme sobre as suas ascenções. O tema do encontro é "Os desafios aos limites do Homem".
A não perder também uma exposição fotografias de João Garcia, durante a semana de 10 a 15 de Março.
Actualizações ou mais informações aqui.
domingo, março 02, 2008
Obrigações e água benta, cada um toma as que quer!
De manera regular se llevan a cabo labores de limpieza y recogida de residuos y basura en el entorno de la estación de esquí. Sobre todo en las zonas de aparcamiento y acceso. En la foto podemos ver cómo los operarios de Gecobesa recogen latas, plásticos, envases y todo tipo de residuos que quedan desperdigados en toda la zona antes de que, a causa del efecto del viento y otros agentes atmosféricos, toda esta basura se desperdigue por toda la sierra. De estos trabajos, que nos suponen un elevado coste material y humano se habla muy poco, por esa razón, ya que otros no lo hacen, lo destacamos hoy como noticia en nuestra página.Artur Costa Pais, administrador e dono da Turistrela, empresa gestora da "nossa" estância de esqui e concessionária exclusiva do turismo e dos desportos da Serra da Estrela, em declarações recolhidas pelo Notícias da Covilhã em Maio de 2006, sobre o problema do lixo disperso na zona da Torre, disse:
Isso é uma preocupação mas não é uma obrigação. Não podemos assumir essa responsabilidade, é uma responsabilidade de todos.E, apesar destas e doutras (muitas outras) como estas, mantém-se a Turistrela como concessionária exclusiva há trinta e tal anos, concessão que se prevê continue por mais trinta e tal anos. A bem do que se vê. Estamos no rumo certo, estamos de parabéns! Como sempre.
PS: atenção que se trata aqui apenas de palavras, de imagens mediáticas. Não sei se este anunciado esforço de limpeza por parte da estância de La Covatilla é sério ou se se trata apenas de publicidade para contrariar argumentos de ambientalistas e outros amigos da serra. Virando o bico ao ditado de forma a melhor se aplicar neste contexto, à mulher de César não basta parecer séria, tem que o ser também. Mas nuestros hermanos de La Covatillha, ao menos, tentam parecer sérios. Os de cá, é o que se vê.
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
Spring Alive!
Spring Alive é o nome de um programa bem interessante promovido pela Bird Life International, com a colaboração, cá em Portugal, da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves.(Soube pelo Montanha.)
Nota de imprensa da ASE
A Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela tomou uma posição sobre a concentração motociclista do fim de semana passado no Covão d'Ametade. Pode ler a nota de imprensa no site da associação.
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
Veja-se o que está a dar
Há alguns meses, deixei aqui um post com o título "A ver o que dá". Está na hora de começar a mostrar o resultado.
O primeiro carvalho "saiu" ainda em Dezembro. Despontaram, até agora, 38 carvalhos. Só hoje, apareceram oito!
O passo chave desta escalada vai ser o transplante e os meses que se seguirem, bem sei. Mas, para já, isto promete...
terça-feira, fevereiro 19, 2008
domingo, fevereiro 17, 2008
Isto é normal?
O Covão d'Ametade está bem no interior do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE). Integra o Sítio Rede Natura 2000 e a Reserva Biogenética Serra da Estrela. É um local de grande beleza (dos poucos que ainda vão restando), com um bosque de bétulas adultas como não há mais nenhum na Serra da Estrela e como duvido que haja muitos no nosso país.

Não sei se terá uma grande importância ecológica, ou se raros valores de biodiversidade tornam justificáveis regulamentos muito restritivos para a sua utilização recreativa. Suponho que não e nesse sentido compreendo que esteja classificado como um núcleo de recreio do PNSE.

Por ser um local de rara beleza, por ser facilmente acessível e por ser um núcleo de recreio, poderia (e deveria) ser aproveitado para incentivar práticas ambientalmente correctas de recreação, para a educação ambiental, para a fruição ambiental. Também por isso é um local especial e mereceria portanto ser tratado com cuidado. Neste local, mais do que noutros do PNSE (ou por estarem mais degradados, como a Torre, ou por estarem mais afastados de acessos rodoviários), os impactos das actividades a realizar deveriam ser aferidos também de um ponto de vista da imagem que veiculam do Parque como estrutura do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade e até da serra como destino turístico.
Este fim de semana decorreu uma concentração de motociclistas no Covão d'Ametade. O evento foi autorizado pelo PNSE, que colaborou na preparação do local, e foi apoiado pela Câmara Municipal de Manteigas. Os organizadores montaram tendas gigantes aquecidas para servirem como refeitório e espaço de convívio, duches quentes, geradores eléctricos, barraquinhas de comes e bebes e de venda de souvenirs, várias fogueiras e até (!) uma banheira com água aquecida a fogo para "banhos turcos". Algumas motas, carros e carrinhas de apoio entraram pelo Covão adentro, rolando sobre o relvão. Ilustro este post com algumas fotografias, umas "roubadas" no Máfia da Cova, outras enviadas por um amigo.
Algumas perguntas:
De que modo é que este evento serve a função do PNSE? Uma vez que este arraial foi autorizado, passarão também a ser permitidos no Covão d'Ametade festivais de Verão, feiras de artesanato, festas-comício de partidos na rentré pós-estival, lançamentos comerciais de modelos de automóveis? Se não, porque não? Se sim, que sentido faz ainda falar de protecção ambiental? Que imagem é que este evento dá da protecção ambiental na Serra da Estrela? Que imagem dão de si os serviços do PNSE ao autorizarem e colaborarem com a sua organização? Que vantagens vê a autarquia manteiguense, a Junta de Frequesia e o Conselho de Baldios na realização de eventos deste tipo? Que imagem dão de si os responsáveis manteiguenses (concelho com gravíssimos problemas sociais e económicos) ao apoiarem no seu território um evento que quase parece ter sido organizado com a preocupação de minimizar eventuais mais-valias para Manteigas e a sua população?
Por fim, que imagem dão de si os motociclistas, que publicitaram este encontro com "o verdadeiro espírito Motocilista de confraternização aliado às condições mais adversas de viagem e acampamento" (ver o cartaz), tendo em mente, desde o princípio, este tão confortável arraial?
PS: A propósito desta concentração motard, recomendo uma passagem pelo Estrela no seu melhor.
terça-feira, fevereiro 12, 2008
Libertações CERVAS
-
Coruja-do-Mato (Strix aluco)
Serra da Boa Viagem, Figueira da Foz
Ponto de Encontro: Parque de Merendas 16h -
Coruja-das-torres (Tyto alba)
Aldeia de Gesteira, Coimbra (a 2 kms do Paul da Madriz), 17:30h -
Dois Grifos (Gyps fulvus) e três Abutres-pretos (Aegypius monachus)
Serra da Malcata, 11h (hora a confirmar)
Valor do apadrinhamento (cada): 15€
- Coruja-do-mato (Strix aluco)
- Coruja-das-torres (Tyto alba)
- Milhafre-preto (Milvus migrans)
- Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo)
- Águia-calçada (Hieraaetus pennatus)
- Tartaranhão-caçador (Circus pygargus)
- Tartaranhão-ruivo-dos-pauis (Circus aeruginosus)
- Garça-real (Ardea cinerea)
- Grifo (Gyps fulvus)
- Abutre-preto (Aegypius monachus)
- Grou (Grus grus)
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
O triunfo dos cotos
Há tempos escrevi aqui sobre o valor ornamental das árvores em espaços urbanos e sobre como muitas vezes transformamos as árvores que se pretendem ornamentais em cotos informes, com as "tradicionais" rolagens camarárias. Apresentei nesse artigo um exemplo (fotografia acima) que considerei ilustrativo, porque mostrava, lado a lado, uma árvore verdadeiramente ornamental e um desses cotos informes.
A árvore ornamental foi cortada (ou podada) hoje. O que dela restava à hora de almoço é o que mostro na fotografia abaixo.
As razões para este trabalho podem ter sido as melhores. Mas o meu dia-a-dia ficou muito mais triste agora. O Bairro do Rodrigo (onde não moro, mas onde levo o meu filho mais novo à escola todos os dias) é agora, para mim, muito menos interessante. Por boas que tenham sido as razões, tratou-se de um sacrifício e, para mim, doloroso. Podemos ter evitados males maiores, estou disposto a admiti-lo, mas o preço que pagámos foi terrível.
Foi o assistirmos, no Bairro do Rodrigo, ao triunfo dos cotos informes.
Os preços da liberdade
A notícia principal da página 19 do Público de 5 de Fevereiro (a link pode não ser permanente) é a do resgate com recurso a um helicóptero de três montanhistas na serra do Gerês. O que mais me prendeu a atenção neste assunto foi a possibilidade de os montanhistas em questão virem a ser obrigados a pagar os custos da operação que os salvou, que ascendiam (se não me engano) a quinze mil euros.
Se entendemos que deve ser o estado a pagar a factura das operações de salvamento de que eventualmente necessitarmos, então devemos aceitar as regras que o estado impuser para a prática da nossa actividade, nas condições que ele considerar seguras. Esse é um custo que, para mim, ultrapassa em muito o das operações de salvamento. Prefiro, de longe, pagar em dinheiro do que pagar em liberdade. Mas prefiro ainda mais não ter que pagar nada nem ver a minha liberdade limitada em nada.
Ora, na mesma página 19 do Público de 5 de Fevereiro, outra notícia refere as "Filas de quilómetros para ver a neve nas estradas abertas da serra da Estrela". Informa-se na notícia que "A principal via de acesso ao maciço central da Estrela tinha sido encerrada domingo pelas 15h00, na sequência de um forte nevão que obrigou a GNR a evacuar todos os veículos entre Piornos e a Lagoa Comprida".
A quem é apresentada a factura pelos custos do funcionamento da GNR nos fins de semana "normais" em que se instala o caos rodoviário com os visitantes da neve? A quem é apresentada a factura pelos custos da manutenção e funcionamento do Centro de Limpeza de Neve, todos os anos, todos os dias do ano? A quem é apresentada a factura pelos custos da tarefa de evacuar uma porção de estrada nacional com quinze quilómetros de extensão, onde se encontram alguns milhares de visitantes?
Se o estado não ordena (para além da mera gestão do caos) a prática da romaria automobilizada ao maciço central da serra da Estrela e aceita pagar os custos inerentes à segurança dessa actividade, não compreendo porque é que não há-de ter exactamente a mesma atitude face ao montanhismo.
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
A Fantástica Máquina do Tempo
Carlos Alberto Pinto, presidente da Câmara Municipal da Covilhã, torna público, nos termos e para os efeitos previstos no artigo 148.º do Decreto -Lei n.º 380/99, de 22 de Setembro, com a redacção dada pelo Decreto -Lei n.º 316/2007, de 19 de Setembro que, mediante proposta da Câmara Municipal da Covilhã de 2 de Outubro de 2006, a Assembleia Municipal da Covilhã, em Sessão Ordinária realizada no dia 15 de Dezembro de 2006, deliberou aprovar o Plano de Pormenor das Penhas da Saúde — Zona Sul.
(Clique aqui para ler a deliberação integral.)
Ou seja, foi publicada em DR de 22 de Janeiro de 2008 a aprovação do plano de pormenor das Penhas da Saúde — Zona Sul, que tinha sido discutido e votado em reunião da Assembleia Municipal de 15 de Dezembro de 2006, de acordo com proposta da Câmara de 19 de Setembro do mesmo ano.
Está tudo normal? Sim, desde que consideremos normal fazer-se a proposta de discussão de um plano de pormenor uns cinco ou seis anos depois de os pormenores nele previstos estarem construídos e a ser utilizados. Se isso é normal, é normal.
Mas soa estranha a utilização do tempo futuro na na deliberação. Por exemplo,"Os projectos dos edifícios deverão ser considerados em conjunto em especial no que se refere aos materiais utilizados que não poderão ser outros senão [...]"
"Os projectos dos edifícios deverão ser considerados"? Quando? Já foram todos construídos, pela Turistrela, há uns bons cinco ou seis anos!
Este é mais um exemplo do entendimento que a Turistrela e a Câmara Municipal da Covilhã fazem do que deve ser o ordenamento urbano e do turismo em zonas integradas em áreas protegidas. Estamos no rumo certo, estamos de parabéns!
PS1: Gostava muito de saber como é que as diferentes forças partidárias representadas na Assembleia Municipal votaram este "plano" de pormenor. Se algum leitor tiver esta informação, agradeço que ma faça chegar.
PS2: Duvida das minhas palavras quando digo que o conteúdo deste "plano" de pormenor está, no essencial, completamente construído? Compare, então, as plantas anexadas à deliberação com uma imagem Google Earth da zona.
PS3: A construção deste bairrinho atranvacado colocou outros problemas legais, a que me referi neste post.
PS4: Nota para memória passada: deverei tentar encontrar tempo para escrever este post. Qual post? Este mesmo que o caro leitor acabou de ler!
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
Um tópico cruzado
O Departamento de Matemática da Universidade da Beira Interior promove um concurso de problemas interessantes*, dirigidos a alunos do ensino secundário, chamado Carpe Mat (se não me engano, isto quer dizer qualquer coisa como "aproveita a matemática").
E o que é que isso tem que ver com o Cântaro Zangado? Em primeiro lugar, pessoalmente, acho interessante o conceito e agradam-me quebra-cabeças. Em segundo lugar, os problemas da presente edição do concurso têm um cheirinho a Serra. Por fim, o vencedor do concurso receberá como prémio uma BTT, com a qual pode ir passear para a Serra, lugar muito apropriado também para resolver problemas de matemática (digo-o por experiência própria).
(*) A bem dizer, os problemas em si não são nem deixam de ser interessantes; nós é que nos interessamos ou não por eles. Venham depois dizer que a culpa é da matemática...
terça-feira, fevereiro 05, 2008
Tópicos fora de prazo
- A consulta pública do Plano Rodoviário Nacional na Região Centro Interior
- Devíamos ter feito este anúncio, porque é um assunto relevante e porque talvez assim pudéssemos contribuir para uma particiapação um pouco mais alargada. Seja como for, o anúncio foi bastante noticiado pela comunicação social. Não sei se terá havido muitas contribuições. O período de consulta pública terminou no final de Janeiro.
- O calendário de libertações de animais do CERVAS
- O Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS) é uma estrutura do Parque Natural da Serra da Estrela sedeada em Gouveia, que dispõe de uma clínica para animais selvagens feridos, doentes ou debilitados. Tomei conhecimento do calendário de libertações de animais que "tiveram alta" em Janeiro mas fui adiando a redacção de um post a divulgá-lo, até que reparei que já era tarde demais. Seja como for, aqui fica, para que se veja que a protecção da natureza não é só no papel:
- Fuinha (Martes foina): Loriga, 24 de Janeiro
- Coruja-do-mato (Strix aluco): Sernacelhe, 25 de Janeiro
- Açor (Accipitor gentilis): Cativelos, 26 de Janeiro
- Garça-real (Ardea cinerea): Sebadelhe, 26 de Janeiro
- Dia Nacional dos Vigilantes da Natureza, 2 de Fevereiro
- Para celebrar a sua data nacional, vigilantes do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade e das comissões coordenadoras de desenvolvimento regional vieram dar o seu contributo ao programa "Um milhão de Carvalhos para a Serra da Estrela", promovido pela Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela. Juntaram-se a montaheiros e escuteiros que participavam no XXV Nevestrela semeando e plantando árvores de espécies autóctones.
segunda-feira, fevereiro 04, 2008
Coisas de ignorantes mal intencionados
[É] "um erro primário e grosseiro" a eventual construção de infraestruturas em betão, como o casino ou o Palácio de Congressos nas Penhas da Saúde, projectos que "além de desajustados do meio, estão também desligados das necessidades dos praticantes de desportos de Natureza e Inverno"
O "monopólio de exploração turística e a sobreposição dos interesses comerciais à noção de sustentabilidade" é um dos aspectos mais criticáveis no turismo da Serra da Estrela.
Estas opiniões (com as quais não posso concordar mais) pertencem a Mário Carvalho, antigo professor de esqui na estância de Sierra Nevada, antigo vice-campeão nacional de esqui, actual docente do Instituto Politécnico de Leiria, e são apoiadas no estudo que fez para a sua Dissertação de Mestrado, apresentada, defendida (e aprovada) no Instituto Superior Técnico.
Soube disto pelo Ondas3, que aponta para uma notícia no Expresso com mais detalhes. Em particular, com os detalhes da reacção dos responsáveis pelo turismo que temos. Artur Costa Pais, administrador da empresa concessionária exclusiva (o monopólio a que se referia Mário Carvalho) do turismo e dos desportos na Serra da Estrela, lamenta que haja "cada vez mais gente mal intencionada" no turismo na região; Jorge Patrão (presidente da Região de Turismo), considera que este trabalho "demonstra uma profunda ignorância em relação à realidade".Penso que para terem alguma relevância neste contexto, as referências às más intenções deveriam ser materializadas com algo de palpável. Assim, são apenas paleio. Quanto à opinião de Jorge Patrão sobre a "profunda ignorância" demonstrada por esta tese de mestrado, ela vale o que vale. Podemos comparar as habilitações (inexistentes) e currículo de Jorge Patrão com as do mestrando, as do seu orientador e as dos elementos do jurí que avaliaram o trabalho. Cada um é livre de fazer a opção que entender mas por mim, no que toca a avaliar ignorâncias, fio-me mais no discernimento, experiência e currículo dos académicos...
Ah!, Estudos para quê? Teses para quê? Isso é para gente mal intencionada e ignorante. Gente (que horror!) com habilitações, que já viu mundo. Nós não, nós somos optimistas, temos "requalidade" e dinamismo! O que precisamos é de mais milhões, mais betão, mais ferragens, mais asfalto e, de vez em quando, só para não parecer muito mal, uma entrevistazita num jornal amigo, para também podermos afirmar que "a Serra não é só neve".
sábado, fevereiro 02, 2008
quarta-feira, janeiro 30, 2008
XXV Nevestrela
É já este fim de semana o Nevestrela. Dias 1, 2, 3, 4 e 5 de Fevereiro, no Covão d'Ametade, numa organização da Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela e do Clube de Montanhismo da Guarda.
Mais informação no site da ASE.
Ao contrário do encontro de motoqueiros Eskimos 2008 planeado para dia 15, neste acampamento a organização não disponibiliza refeitório, nem duches quentes, nem "toneladas de lenha para as fogueiras". Este encontro é mesmo para quem gosta de serra.
terça-feira, janeiro 29, 2008
A zona de jogo da Covilhã
A propósito da recente abertura de um casino em Chaves o presidente da Câmara Municipal da Covilhã voltou à carga com o seu projecto para uma zona de jogo na Covilhã.
Pessoalmente, nada tenho contra a abertura de um casino na Covilhã. Caso surja este investimento, farei votos de que seja um grande sucesso. Só não concordo, mesmo nada, é com a ideia de o instalar nas Penhas da Saúde.
Porquê nas Penhas da Saúde, onde não vive ninguém ou quase ninguém e onde a oferta hoteleira é reduzida? Esta localização obrigará os clientes e funcionários a viagens, por uma estrada sinuosa e inclinada que, em noites de mau tempo principalmente, apresenta alguma perigosidade.
Porquê nas Penhas da Saúde, se poderia desempenhar um papel importante na revitalização do centro urbano da Covilhã, houvesse para tal o arrojo que tão bem se tem evidenciado para estes projectos de urbanização da Serra?
A imagem de marca da Serra da Estrela inclui (por enquanto), a natureza, a paisagem, a rudeza do granito, os grandes espaços, grandes desafios. É sensato cultivar estes elementos simbólicos porque há segmentos do mercado turístico, muito importantes e em crescimento muito rápido, em Portugal e no resto da Europa, para os quais eles são extremamente vendáveis. A inevitável publicidade a este empreendimento não irá contribuir para a erosão da imagem da Serra da Estrela como espaço natural a um ritmo ainda mais acelerado? E isso não é considerado preocupante pelos responsáveis do turismo na nossa região?
Um casino não é (não pode ser) uma chafaricazinha. Não é o bingo da associação recreativa. Não é a "tenda do Adelino". Não é nunca uma construção discreta. Vejam-se os casinos da Póvoa, de Espinho, do Estoril, de Lisboa, de Monte Gordo, da Madeira, de Vilamoura, o Algarve Casino ou o agora inaugurado Casino de Chaves (dos existentes em Portugal falta apenas o da Figueira da Foz, porque dele não encontrei imagens numa busca apressada). Como é que uma coisa destas se pode enquadrar nas Penhas da Saúde? Como é que se pode sequer desejar enquadrar uma coisa destas nas Penhas da Saúde?!
Faça-se o casino, sim, mas onde um tal estabelecimento faça sentido: na cidade. Na Covilhã, por exemplo.
PS: Compreendo que seja do interesse da Turistrela, a empresa concessionária exclusiva do turismo e dos desportos na Serra da Estrela, a instalação do casino no seu espaço de exclusividade, a dois passos da maior das suas unidades hoteleiras. Não compreendo é que haja mais quem tenha a ganhar com essa localização. Não compreendo, em particular, porque é que ela é defendida pelo presidente da câmara, que não foi eleito propriamente para apoiar as pretensões daquela empresa. Finalmente, este assunto é mais um que me leva a defender o fim imediato deste anacronismo incompreensível que é a dita concessão exclusiva, em si mesma, independentemenete das qualidades e defeitos da empresa concessionária.
segunda-feira, janeiro 28, 2008
Despreocupações paisagísticas
O parque de antenas do Alto das Piçarrinhas a que me referi há dias é o que ilustro em baixo. Como se vê, os interesses ambientalistas em Portugal são terríveis forças do bloqueio, nada fazem, nem nada deixam fazer, é por causa deles que este país está como está e por causa deles nunca saíremos da cepa torta aqui na Serra da Estrela. Em contrapartida, na generalidade dos países da Europa, aí sim, são permitidas reservas de caça, cimenteiras e estâncias de esqui em parques naturais, e as antenas é mato, sem nenhuns constrangimentos ambientais, que lá, a bem do progresso, não há nada disso! Como ficou claro com as imagens que um amigo me trouxe da Galiza.
domingo, janeiro 27, 2008
Estrela no seu melhor
A não perder mais um artigo do Cova Juliana sobre o Covão d'Ametade, onde uns entusiastas motorizados fizeram este fim de semana um ensaio geral da barbárie que se prepara para 15, 16 e 17 de Fevereiro: a autointitulada 1ª Concentração Invernal de motoqueiros "Eskimos 2008".
Estes simpáticos e civilizados convívios de sossegados amantes de piões, cavalinhos e derrapagens, sempre muito cuidadosos com a limpeza dos locais onde se reúnem, respeitadores dos demais, que podem não partilhar (ele há gente estranha!) dos seus delírios com os estouros dos escapes, são sempre de encorajar. E, no coração do Parque Natural da Serra da Estrela, que mais se pode pedir? Venham, venham! Com o apoio da Câmara Municipal de Manteigas!
No site do Moto Clube do Barreiro pude apurar mais algumas informações. Por exemplo, que vão estar disponíveis no local "duches quentes", um refeitório e "toneladas de lenha para alimentar as fogueiras". Mas o convívio pretende exaltar "O verdadeiro espírito Motociclista de confraternização aliado às condições mais adversas de viagem e acampamento". As condições mais adversas, pois, pois. Na linha do já tradicional acampamento dos militares, que vêm para o Covão d'Ametade equipados com tendas com aquecimento central, não vão os bravos constipar-se...
Ai, ai... Serra da Estrela: uma montanha cada vez mais rasca está a nascer aqui.
No seu artigo, o Cova Juliana menciona uns turistas estrangeiros que estranharam com desagrado a invasão do espaço onde esperavam encontrar sossego e paz por esta turba barulhenta dos motoqueiros. Eles que se habituem. Na Serra da Estrela somos todos iguais, mas uns são mais iguais que outros.
sábado, janeiro 26, 2008
sexta-feira, janeiro 25, 2008
Uma no cravo, a outra na ferradura
Pergunta: Está a querer dizer que substituiu a Pista de Esqui Sintética, anunciada então como a maior da Europa, pela construção de um campo de golfe?
Resposta: Não. Percebi, e não tenho problema nenhum em dizê-lo, que era [a pista] um investimento que tinha alguns problemas para se sustentar. Percebi também que é preciso juntar a estes investimentos uma componente privada, porque o Concelho de Seia do que mais precisa neste momento é de investimento privado.P: Não tinha num parceiro privado para construir a Pista?
R: Concretamente não. Houve várias conversas com muita gente nesse sentido mas começou a reconhecer-se alguma debilidade em termos de custos da iniciativa, e também aprendemos com a pista de Manteigas. Também não deixámos de aprender com algumas situações. E, portanto, percebemos sobretudo que o nosso Concelho, depois de o Governo fazer as acessibilidades, do que mais precisa é de investimento privado.
Ou seja, parece ter percebido que nem tudo o que implique investimento (público, entenda-se) de milhões de euros tem pernas para andar. Demonstra que analisa lucidamente algumas situações e que aprende com os erros (com os dos outros pelo menos): como entender de outra forma as frases "mas começou a reconhecer-se alguma debilidade em termos de custos da iniciativa, e também aprendemos com a pista de Manteigas. Também não deixámos de aprender com algumas situações"?
Infelizmente, estraga o quadro com as respostas que dá às questões imediatamente a seguir:
P: Está a abandonar a vertente da neve para abrir o território a outras vertentes?
R: De maneira nenhuma. Está neste momento um pedido de viabilidade na Câmara para o prolongamento das pistas de esqui, que estão no nosso Concelho. Pelo contrário, a neve é um elemento estratégico.
O "De maneira nenhuma" refere-se, imagino, à possibilidade de se estar a abandonar a "vertente da neve". Mas também se pode entender como a resposta à segunda parte da pergunta, "para abrir o território a outras vertentes?" Não o creio, até porque, se alguma câmara da região tem feito alguma coisa por essas outras vertentes, é a de Seia, com o seu Centro de Interpretação da Serra da Estrela.
Seja como for, esta resposta não me agrada. Pensava que já parecia mal a afirmação pública da importância estratégica da neve. Afirmá-lo assim, numa montanha baixa, quente, meridional e atlântica como a nossa, onde quase não neva... Enfim.
Para onde se vão prolongar as pistas de esqui? Para os (por ora) fantásticos Covões de Loriga, mais abaixo, mais abrigados, mais quentes com menos neve? E com mais pistas a atrair mais gente (quando funcionarem) não serão necessários mais estacionamentos, mais cafés, mais restaurantes? E todo este incremento de tráfego e de visitantes não irá contribuir para ainda mais lixo na zona das pistas? E todos estes visitantes de um ou, com sorte, dois dias, que não param em Seia ou no Sabugueiro (ou na Covilhã) mais do que o estrictamente necessário, são bons para Seia? Tudo isto é bom para a Serra da Estrela? Tem sido bom para as suas populações? Tem sido bom para o Turismo?!
terça-feira, janeiro 22, 2008
Da nascente à Foz / Rio Acima
O projecto de definir, sinalizar e documentar um trilho pedestre em toda a extensão do Rio Zêzere, da nascente até à foz, a que já me referi aqui, está em marcha. No passado dia 16 uma segunda reunião reforçou a adesão de autarquias e associações de desenvolvimento à ideia, tendo-se discutido os detalhes da organização para a implementação do projecto.
Participaram nesta segunda reunião representantes das câmaras municipais de Abrantes, Castanheira de Pera, Constância, Ferreira do Zêzere, Figueiró dos Vinhos, Fundão, Guarda, Manteigas, Oleiros, Pampilhosa da Serra, Pedrogão Grande, Sertã, Tomar, Vila Nova da Barquinha, Vila de Rei, as AIBT Serra da Estrela e Pinhal Interior, as Regiões de Turismo do Centro, do Ribatejo e dos Templários, a Universidade da Beira Interior, a Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada, o Clube de Actividades de Ar Livre,a ADXTUR—Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto, a Pinhais do Zêzere—Associação para o Desenvolvimento, a Pinhal Maior—Associação de Desenvolvimento do Pinhas Interior Sul, a TAGUS—Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, a ADRIN—Associação de Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Norte, a Pró-Raia—Associação de Desenvolvimento Integrado da Raia Centro, a ADRUSE—Associação de Desenvolvimento Rural da Serra da Estrela e ainda a proponente do projecto, a ASE— Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela.
sexta-feira, janeiro 18, 2008
Forum Económico Social
Estratégias para o Desenvolvimento Sustentável
investimento, empreendorismo e inovação.
Centro Cívico de Manteigas, 19 de Janeiro de 2008.
Programa disponível no Blog de Manteigas.
(Des)Preocupações paisagísticas
Um amigo enviou-me estas fotografias de um poste de telecomunicações com que se cruzou, durante uma caminhada na Galiza.
Na primeira (acima) mostra-se como se tenta minimizar o impacto visual dos equipamentos, instalando numa mesma torre diversos elementos. Outro aspecto (que não se pode comprovar na fotografia) é a não utilização de linhas aéreas para a alimentação eléctrica. Na segunda fotografia, vê-se como a mesma preocupação com o aspecto visual da estrutura foi levada ao ponto de camuflar a caixa de equipamentos com rochas.
Não sei se estas fotografias foram tiradas numa área protegida galega, se não. Seja como for, parecem-me muito louváveis estas preocupações com a paisagem. Acho muito bem que se tente preservar o carácter "natural" de uma zona, minimizando o número de equipamentos que nela se instalam e a alteração visual que acarretam. Estarei a ser muito eco-fundamentalista, radical ou original com estas minhas considerações? Acho que não.
Mas, então, o que há a dizer do "parque de antenas" no Alto das Piçarrinhas, perto do posto de vigia de incêndios situado atrás do edifício do Sanatório dos Ferroviários? Outro caso, o que há dizer sobre esta antena para comunicações móveis, recentemente instalada perto do Centro de Limpeza de Neve, onde não serve moradores (que não os há) nem turistas (que vêm quando vêm, e quando vêm não é para aqui)?
Se são razoáveis os cuidados demonstrados nas duas primeiras fotografias, é razoável o que se mostra nestas duas? Se não não se considera eco-fundamentalismo apoiar aqueles cuidados, pode considerar-se aceitável o que aqui se fez, ainda por cima numa área supostamente de paisagem protegida? No fundo, o que quero perguntar é: pode uma pessoa declarar-se favorável à protecção da natureza e da paisagem em abstracto, e considerar aceitável esta construção em concreto?
Esta antena tem outra particularidade. A caixa branca e azul no exterior da área cercada (no lado esquerdo) é um gerador a diesel. Ou seja, esta antena não só se vê à distância como se pode ouvir e cheirar, também. Tem que ser alimentada periodicamente, pelo que é necessário manter circulável um acesso com algumas centenas de metros até à estrada nacional.
Tudo isto era mesmo necessário? Tudo isto tinha mesmo que ser feito assim? Tudo isto, e assim feito, é aceitável numa área protegida? Tudo isto, e assim feito, faz sentido numa zona que se pretende turística?
quarta-feira, janeiro 16, 2008
As "pré-existências" do vizinho...
... São menos sagradas que as minhas?
Segundo podemos ler no site da revista Desnível, a Comunidad de Madrid vai investir 375000 euros para reconstruir o perfil natural de uma secção do Rio Manzanares situada no Parque Regional de la Cuenca Alta del Manzanares, depois de ter desmantelado uma barragem que aí estava construída. A demolição da barragem fez-se com explosivos, tendo os restos sido retirados com recurso a helicópteros para evitar os impactos associados à abertura de acessos ao local para camiões pesados que, de outro modo, teriam sido necessários. A intervenção planeada inclui a plantação de mil árvores nas margens do rio e a estabilização dos terrenos.
Bem sei que nem só bons exemplos nos chegam de Espanha. Mas não resisto a contrastar este cuidado na renaturalização de um espaço anteriormente intervencionado, com os enlevos que muitos dos nossos autarcas e demais forças vivaças demonstram por qualquer espelho de água (mesmo vedados ao público, é ouvi-los falar da sua grande importância para o turismo); com o à-vontade com que rasgam acessos em sítios onde esses acessos têm impactos dramáticos; e com o horror que essas mesmas forças vivaças e esses mesmos autarcas sentem relativamente a demolições de barbaridades que nunca deveriam ter sido construídas (em espaços naturais, que nos centros históricos urbanos a história é outra).
Trata-se de um parque regional, apenas. Não é um parque nacional (como o do Gerês, por cá) nem sequer um parque natural (como a Estrela ou a Arrábida). Apesar desta posição relativamente humilde na hierarquia das áreas protegidas espanholas, houve vontade para tomar esta decisão e para levá-la adiante. Tenho a impressão que tal não seria possível cá em Portugal. Que logo apareceriam as vozes afirmando a importância de "requalificar" um "espaço de excelência que tem estado ao abandono"; exigindo ao estado investimentos para a rentabilização do aproveitamento turístico do espelho de água; reclamando com os enoooormes custos das medidas de protecção ambiental; acusando de eco-fundamentalismo todos os que defendessem uma tal intervenção...
Espanha... Tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe...
sábado, janeiro 12, 2008
Covilhã Turística
Um blog sobre turismo na Covilhã, ou seja, também, sobre a Serra. Consciente de que muito mais há na Serra do que a neve, questiona porque é que pouco mais há, na Serra, do que o turismo da neve.
terça-feira, janeiro 08, 2008
Eólicas, ambiente e isso tudo...
Parque eólico da Alvoaça, serra da Estrela.
(Imagem "roubada" no blogue Oceano das Palavras.)
Se o prof. Delgado Domingos tem razão, a instalação desenfreada de eólicas nas cristas das regiões centro e norte, mesmo em áreas protegidas, deve mais a operações financeiras e aproveitamento de apoios e subsídios (directos ou indirectos) estatais, do que a verdadeiras preocupações ambientais, ao protocolo de Quioto, ao interesse nacional ou mesmo à expectativa a longo prazo de lucros com a venda de energia. Será ou não verdade. Mas, se o for, não seria propriamente nada que nos espantasse por aí além. Seria até mais um daqueles casos tipicamente típicos, quer-me parecer...Pergunta – Em 2007 falou-se bastante em energia em Portugal. Ao longo de 2008 está prevista a aprovação do Plano Nacional de Barragens e será anunciado o resultado do concurso para a ampliação dos parques eólicos. Será 2008 o ano da energia?
Resposta – Talvez sim, mas espero que não seja pelas más razões. Em Portugal estamos a viver numa realidade virtual no campo da produção energética. E acho serem necessárias algumas advertências muito sérias. Por exemplo, penso que não se devem espalhar parques eólicos sem nexo. Eu sou defensor da energia eólica, mas não de qualquer maneira, sem disciplina. E aquilo a que estamos a assistir é um negócio puramente financeiro, só com vista para o lucro imediato. Em Portugal, os produtores de energia eólica beneficiam de uma situação económica altamente favorável, protegida e sem contrapartidas. E depois não existem estudos aprofundados do potencial eólico e das localizações mais adequadas, que salvaguardem algumas serras e apostem na hipótese dos parques off-shore.P – O concurso está feito, de facto, de modo esquisito: os candidatos propõem locais e o que for vencedor quase automaticamente terá aprovadas todas as localizações, independentemente dos impactes…
R – Esse concurso foi feito para dar as regalias aos grandes monopólios. A energia eólica, que tem grandes méritos se for descentralizada e feita numa escala disseminada, acaba por ser concebida em concentrações, sem contrapartidas. A energia eólica é paga em Portugal de um forma exageradamente favorável às empresas, pois tem prioridade absoluta de entrada na rede e garantia de compra pela REN sem qualquer obrigatoriedade de previsibilidade do fornecimento dessa energia e sem penalizações previstas. Isto é chocante, porque afecta todo o sistema eléctrico nacional, obrigando a ter centrais em stand-by, com custos enormes. Nos países em que a eólica não é um puro negócio financeiro, o preço da electricidade eólica está ligado às previsões de produção e do respectivo cumprimento. Isto estimula o sistema de previsão e a gestão do sistema eléctrico. Faz-se assim na Espanha e nos países nórdicos, por exemplo.
segunda-feira, janeiro 07, 2008
As coisas são como são
Segunda feira, dia 7 de Janeiro de 2008, 12:00, a 1600 m de altitude, perto da Nave de Santo António. Poucos dias depois de um grande nevão que cobriu toda esta zona. O termómetro do carro marca 9oC (positivos!) e a zona da Torre está envolta numa nuvem de nevoeiro que derrete a neve com mais eficiência ainda do que o calor do sol. O relvão da Nave está a descoberto, as encostas mantêm a neve apenas nas fendas e corredores.
Não me alegram nada estas condições. Mas é assim que as coisas são, é assim que a neve é aqui na Serra da Estrela. Quem disser o contrário, ou é um sonhador, ou está a fazer publicidade enganosa (como esta) ou está a tentar convencer algum organismo público a alargar os cordões à bolsa dos subsídios ou das declaraçõe PIN.
quinta-feira, janeiro 03, 2008
Minhoquices
Seia está a cerca de uma hora de passeio rodoviário, panorâmico e descontraído, da Covilhã; Gouveia está a quarenta minutos de Manteigas; Manteigas está a vinte e cinco minutos da Covilhã e pouco mais do que isso da Guarda; de Seia para Manteigas serão outros quarenta minutos; de Manteigas para Belmonte vão vinte minutos de agradável viagem, ao longo do Zêzere. Demora-se frequentemente mais do que isso para chegar, de carro, do Parque das Nações ao Mosteiro dos Jerónimos.
Para um turista que venha do litoral ou de Espanha, é perfeitamente razoável (e aposto que muitos o farão) almoçar em Seia e lanchar em Manteigas, na Guarda, em Belmonte ou na Covilhã. Fosse eu de fora, e imagino que planearia um visita à nossa região que incluisse uma passagem pela Covilhã (Museu dos Lanifícios, Bouça, Unhais da Serra), Fundão (Museu Arqueológico, Castelo Novo, Alpedrinha), Belmonte (Museu Judaico), Seia (Museu do Pão, Loriga, CISE), Gouveia (parque zoológico, Linhares), Manteigas (Covão d'Ametade e da Ponte, Vale do Zêzere, Poço do Inferno). Tentaria ainda aproveitar algum espectáculo no Teatro Municipal da Guarda (que os há frequentemente imperdíveis — Mesmo se frequentemente os perco).
Onde quero chegar é que me parece cristalinamente óbvio que todos os concelhos têm tudo a ganhar com o desenvolvimento de ofertas turísticas e culturais de qualidade em todos os concelhos. Por isso estranho quando oiço pessoas numa terra lamentarem-se pelos empreendimentos que surgem noutra, quase como se cada milhão ali investido fosse um milhão aqui roubado.
Ao contrário, todos os concelhos têm a perder com a falta de qualidade massificada em que certas forças vivaças (principalmente da Covilhã) têm apostado para o turismo especificamente de montanha. A massificação a que se tem assistido permite (até ver) umas enchentes nalguns fins de semana, mas conduzem a Serra a uma degradação (paisagística, ambiental, social) tal que a torna repelente para todos os visitantes que procuram algo mais do que um pouquinho de esqui triste ou de triste sku.
Queiramos ou não, estamos todos juntos. Uma certa dose de bairrismo tem o seu charme. Mas quando, ultrapassando essa dose, se confunde com parolice, com atavismo, com pequenez de vistas, torna-se um enorme empecilho ao desenvolvimento. Ao desenvolvimento de todos.
segunda-feira, dezembro 31, 2007
sábado, dezembro 29, 2007
Caos gelado
Olhe esta imagem e imagine-se aqui sózinho, neste primordial caos frio e hostil. Feche os olhos e sinta a brisa gelada que, subindo a garganta rochosa, lhe arrefece a nuca enquanto tira a fotografia. O silêncio, cortado apenas pelo som vento e pelo sussurrar dos pedaços de gelo que se soltam lá do alto e deslizam, velozes, encosta abaixo, mostrando-nos o que nos pode acontecer se colocarmos mal o pé. A solidão. O frio. A preocupação de descer até ao Covão Cimeiro sem perder o trilho de vista...
Desumano? Nem por sombras! Desumano mesmo é o caos automobilístico na estrada nacional logo por cima destes barrancos. O barulho, o cheiro do diesel, as multidões, o lixo, a preocupação em encontrar lugar para estacionar o carro, a preocupação em evitar que os miúdos se molhem todos, agora que já não tenho roupa seca para os mudar, e o pequenino que já está constipado, e o sarilho que vai ser sair daqui ao fim da tarde quando toda a gente resolver regressar, e esta bicha que não anda nem desanda e não há maneira de chegarmos à Torre... Isso sim, é desumano!
Quem da Serra pouco quer, pouco leva.
sexta-feira, dezembro 28, 2007
sexta-feira, dezembro 21, 2007
O Zêzere da foz à nascente
O Diário XX1, o Pedestrianismo e Percursos Pedestres e outros noticiaram a proposta da Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela para a definição, documentação e dinamização de um trilho pedestre de grande rota acompanhando o Zêzere desde a foz até à nascente, com uma extensão total de perto de 250 km.
Escusado será dizer que o Cântaro Zangado considera esta uma excelente ideia, da qual pode beneficiar muita gente de muitos concelhos. Oxalá se consiga pôr em prática.
Para os que consideram este projecto uma loucura, quero fazer notar que o investimento necessário para o concretizar é uma fracção infinitesimal dos necessários para concretizar os planos da Turistrela e da Região de Turismo; que os seus impactos negativos são (realmente) mínimos, se é que não serão mesmo positivos; que os proveitos resultantes são mais certos a longo prazo do que os que alegadamente se esperam de uma aposta na neve e ficarão muito melhor distribuidos temporalmente (e socialmente, também). Além disso, a ideia não é, propriamente, original. Veja-se isto, isto ou isto, só para dar três exemplos.
O primeiro da fornada
Justificação
quarta-feira, dezembro 12, 2007
Ainda o Dia Internacional das Montanhas
O movimento EcoProjecto pretende assim promover uma sessão de discussão, esclarecimento e sensibilização dos problemas da Serra da Estrela contando com a presença de vários oradores como adjuvantes do forum. Espera-se então a presença do professor Pedro Guedes de Carvalho (responsável pela elaboração do PETUR), de um representante da Associação Distrital de Agricultores da Guarda (ADAG), de um representante da PDSSE e claro está da presença de todos os cidadãos interessados, sem os quais o debate não faz sentido!
Agradece-se por isso que divulguem o mais que puderem a realização deste evento!
Em Viseu foi tambem celebrado, ontem, o DIM com o visionamento de um video disponibilizado pela Associação Espanhola REDMONTANAS. Este video, que tambem será exibido no próximo sábado, insere-se numa campanha desta associação espanhola de promover a projecção do audiovisual no maior numero de locais possivel e desta forma alertar mais uma vez para a importancia que cada vez mais pessoas reconhece aos territórios de Montanha de todo o mundo.
Adenda:Comunicado de imprensa
O mito da neve
A Sombra Verde apresenta um exemplo de como o turismo pode estar aliado com a protecção da natureza. De como uma população inteira pode ganhar com o turismo (e não apenas duas ou três "forças vivaças" de perfil não muito recomendável). De como o turismo de montanha não tem que viver principalmente da neve, mesmo em montanhas onde neva bastante mais do que na serra da Estrela. Nas Astúrias, Espanha.
CERVAS
O CERVAS — Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens — faz saber da lista de animais que actualmente tem em tratamento nas suas instalações, e para os quais pede padrinhos. São eles:(Contribuição mínima de 15€ por animal)
- Mocho-galego (Athene noctua)
- Coruja-do-mato (Strix aluco)
- Peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus)
- Milhafre-preto (Milvus migrans)
- Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo)
- Cegonha-branca (Ciconia ciconia)
- Águia-calçada (Hieraaetus pennatus)
- Açor (Accipiter gentilis)
- Tartaranhão-caçador (Circus pygargus)
- Tartaranhão-ruivo-dos-pauis (Circus aeruginosus)
- Garça-real (Ardea cinerea)
- Águia-cobreira (Circaetus gallicus)
- Grifo (Gyps fulvus)
- Abutre-preto (Aegypius monachus)
No próximo dia 13 de Dezembro em Malpica do Tejo (Castelo Branco) o CERVAS vai libertar três grifos. Caso queira estar presente, informe o CERVAS, por razões logísticas.
terça-feira, dezembro 11, 2007
Dia Internacional das Montanhas
É hoje, 11 de Dezembro.
Navegando por sites como o da Red Montanas, o da Mountain Wilderness e tantos outros, ficamos a saber o que vai por essa Europa fora de oposição e contestação à degradação artificializante dos ambientes de montanha, nomeadamente a perpetrada pela instalação de novas estâncias de esqui e pela ampliação de outras já existentes.
O que torna as coisas surrealistas, aqui em Portugal, é que nós não temos condições para a prática do esqui, mas mesmo assim pretende-se desenvolver o turismo baseado nesse produto! Ou seja, nunca teremos as vantagens da indústria do esqui, porque não temos neve, mas já temos (e teremos mais ainda se este rumo continuar) todos os seus prejuízos.
Entendamo-nos, admito que às vezes se pode esquiar na Serra da Estrela. Muito raramente, a qualidade da neve até é aceitável. Mas as pistas são curtas e não é razoável ampliá-las pois essa ampliação só se pode fazer para cotas inferiores, ocupando vales protegidos do vento, locais com temperaturas mais elevadas, com menos neve natural, alguns dos quais banhados pelo sol do meio dia, onde será impossível manter neve em estado esquiável, mesmo que se consiga fabricá-la. Digo isto independentemente de quaisquer considerações sobre o aquecimento global. A Serra não tem condições para a prática regular e satisfatória de esqui. E nunca as teve (embora já tenham sido menos más que agora).
Mas enquanto não for totalmente arruinada por esta política de ilusões provincianas e novo-ricas, que pretende "desenvolvê-la" tornando-a (assim se afirma, sem pingo de sentido do rídiculo, numa página da Câmara Municipal da Covilhã) uma alternativa aos Alpes e Pirinéus (como se isso fosse fazível, como se isso fosse razoável, como se isso fosse, até, desejável), a Serra tem óptimas condições para outras práticas, que atraem milhares de turistas a outras montanhas da Europa (e também de Portugal, como o Gerês), em todas as épocas do ano, com neve e sem neve.
Aproveitemos este Dia Internacional das Montanhas para pensar, realisticamente, no que queremos para a Serra e no que dela podemos aproveitar. Mais do que uma vez ouvi pessoas elogiarem uma obra (a construção de um parque eólico ou de uma barragem, por exemplo) porque, enquanto duram os trabalhos, há movimento, operários que animam o comércio, etc. Tomemos consciência de que esses balões de oxigénio são sol de pouca dura. Se é a isso apenas que podemos aspirar, valerá a pena?
Se da serra pouco queremos, pouco levamos. Como sempre, desde sempre. Estaremos mesmo no rumo certo? Estaremos mesmo de parabéns?
sábado, dezembro 08, 2007
Dois aninhos
O Cântaro Zangado faz hoje dois anos!
Dois anos a tentar mostrar uma outra opinião pública, que existe (mesmo que seja, admito sem o saber, minoritária) mas que não tem conseguido ser tão visível como a dos que defendem para a Serra mais betão, asfalto e ferragens. Uma opinião segundo a qual, se tem havido protecção da natureza na Serra da Estrela, tem sido a menos, não a mais.
Como há dois anos, a ver o que dá...
Siga as links para o primeiro post do Cântaro Zangado e para o post comemorativo do primeiro aniversário.
sexta-feira, dezembro 07, 2007
Respeito e responsabilidade
Eis o cuidado que os amigos do Rocha Podre e Pedra Dura demonstram quando escalam em zonas selvagens, por exemplo, nas falésias do Douro Internacional
[...] um local também sensível, com uma ecologia única que convêm preservar. Mais uma vez, ali está a época de nidificação de aves que se deve respeitar (não escalando, de Janeiro a Agosto) [...]
Note-se que não há nenhuma lei ou organismo que proíba a escalada na altura referida. São os próprios que escolhem não o fazer, porque respeitam o ambiente onde praticam a sua modalidade favorita e porque assumem as suas responsabilidades na protecção desse ambiente.
Não pretendo generalizar, sei bem que há muitos escaladores que não se pautam por estes níveis de exigência. E também sei que há caçadores, praticantes de todo-o-terreno, piqueniqueiros, BTTistas, esquiadores, etc, igualmente conscienciosos. Os bons exemplos existem, em todas as modalidades (mas, tenho que dizer, numas mais do que noutras). E é porque existem bons exemplos, que os maus exemplos, que também os há em todas as modalidades, são tão desprezíveis. Em que categoria nos preferimos classificar?
Mas (deixem-me agora puxar a brasa à minha sardinha montanheira) há um aspecto das actividades do pessoal do rppd que quero realçar. É que se vê a montanha como um palco para a auto-superação. Em vez de se "ajeitar" a montanha, facilitando o acesso a ela com estradas, telecabines, restaurantes, bares e hotéis, diminuindo-a assim às nossas limitadas forças e aspirações, tenta-se crescer e ultrapassar essas limitações, até se estar à altura dos desafios que uma montanha a sério nos coloca.
Quem da Serra pouco quer, pouco leva; por isso, quem à Serra quer chegar rápida e comodamente, nada chega verdadeiramente a ver ou a gozar. Não viveu a serra mais do que se tivesse ficado em casa pasmado num documentário televisivo. Era disto, suponho, que Miguel Torga falava quando disse
"A Estrela, essa, guarda secretamente os ímpetos, reflectindo-se ensimesmada e discreta no espelho das suas lagoas. Somente a quem a passeia, a quem a namora duma paixão presente e esforçada, abre o coração e os tesouros. Então, numa generosidade milionária, mostra tudo".
quinta-feira, dezembro 06, 2007
quarta-feira, dezembro 05, 2007
terça-feira, dezembro 04, 2007
sábado, dezembro 01, 2007
O rumo certo, o do costume
O Máfia da Cova, citando uma notícia publicada pel'O Interior desta semana, informa-nos da recente inauguração da nova sede da Federação Portuguesa de Esqui, um evento que contou com a presença de Laurentino Dias, secretário de Estado da Juventude e do Desporto e de Carlos Pinto, presidente da Câmara Municipal da Covilhã.
Pode ler-se na notícia que a "ocasião foi aproveitada por Carlos Pinto para voltar a falar do projecto da criação de uma zona de jogo na Serra da Estrela em complemento aos desportos de Inverno", pois o "edil defendeu que esta seria a «forma de oferecer lazer associado à neve, financiar todos estes projectos e torná-los realidade [...]»"
Mais uma vez, aparece reforçada e apoiada por todos a tese de que o futuro do turismo na Serra da Estrela passa pela neve, apenas pela neve.
No Gerês há várias empresas (competindo umas com as outras) oferecendo turismo de natureza, passeios a pé, a cavalo, BTT, canoagem, escalada. Há turistas todo o ano, com estadias de dias e semanas. Em certas alturas, é preciso organizar com antecedência certas actividades (passeios a cavalo, por exemplo), tamanha é a procura. Aqui, temos a Turistrela e a neve (esta cada vez menos), e os milhares de visitantes que, em certos Sábados e Domingos, passam metade do dia, atascados no trânsito, tentando chegar com os seus carros à Torre e a outra metade, no trânsito atascados, tentando de lá sair, no regresso a suas casas. Nas poucas horas que permanecem na serra, deixam toneladas de lixo que escorrem encosta abaixo, entopem linhas de água, enojam e envergonham quem visita a serra com olhos para a ver. E mantemos e ampliamos continuamente uma deprimente estânciazinha de esqui onde a neve (quando a há) não presta, porque derrete durante a tarde e congela durante a noite, sendo vidro grosso de manhãzinha e papa molhada ao meio dia.
E, no entanto, é nisto que continuamos. Há pelo menos quarenta anos que se afirma que devemos desenvolver o turismo de neve. Que podemos concorrer com as estâncias dos Pirinéus e dos Alpes. Que é preciso mais animação para a animação da neve.
Continuamos no rumo certo, continuamos de parabéns. Como sempre. Como se vê. Viva nós!
E as perspectivas para o futuro, neste actual panorama de alterações climáticas? Recordo que ainda no ano passado, Turistrela e Região de Turismo afirmaram, que não, que o aquecimento global não se faria sentir aqui, que de dez em dez anos vem um ano mau, e que há agora tecnologia para fabricar neve mesmo com altas temperaturas.
Noto que parece ter havido uma evolução. O Secretário de Estado afirmou que com as "condicionantes que Portugal apresenta para a prática desta modalidade, [...] será óptimo se conseguirmos criar condições para que possam ter aqui uma fase de adaptação e habituação de treino. Uma coisinha modesta, portanto, à medida das nossas condicionantes. Uma coisinha modesta mas que, decerto, "será um factor de ajuda ao desenvolvimento desta região". Será assim, depreendo, um factor modesto, mas adiante.
O presidente da Federação Portuguesa de Esqui vai mais longe: mesmo que a neve deixe de cair na serra, "há pistas artificiais e sintéticas que permitem sempre a prática do esqui". A prática de modalidades de neve, mas sem neve! Bravo! Ah, estamos no rumo certo, estamos de parabéns. Como sempre, desde sempre!
Adenda posterior: Note-se que nada tenho, a priori, contra pistas de esqui com piso sintético, com neve produzida artificialmente, indoor, etc. Aliás, elas apresentam uma grande vantagem relativamente às pistas de ar livre: são tão viáveis no alto da Serra como em qualquer outro lugar. (Falou-se até na construção de uma em Oeiras!) Assim, se a Federação Portuguesa de Esqui quiser conquistar apoios para a construção de uma pista artificial, ou com neve artificialmente produzida, na Covilhã, em Manteigas, Seia, Gouveia, Fundão, Castelo Branco ou Beja, cá por mim, óptimo! O que me incomoda é que se continue a apostar cada vez mais na artificialização desta maravilhosa área protegida que é a serra da Estrela e cada vez menos num aproveitamento a sério das suas verdadeiras potencialidades.











