segunda-feira, fevereiro 11, 2008

O triunfo dos cotos

Há tempos escrevi aqui sobre o valor ornamental das árvores em espaços urbanos e sobre como muitas vezes transformamos as árvores que se pretendem ornamentais em cotos informes, com as "tradicionais" rolagens camarárias. Apresentei nesse artigo um exemplo (fotografia acima) que considerei ilustrativo, porque mostrava, lado a lado, uma árvore verdadeiramente ornamental e um desses cotos informes.

A árvore ornamental foi cortada (ou podada) hoje. O que dela restava à hora de almoço é o que mostro na fotografia abaixo.

As razões para este trabalho podem ter sido as melhores. Mas o meu dia-a-dia ficou muito mais triste agora. O Bairro do Rodrigo (onde não moro, mas onde levo o meu filho mais novo à escola todos os dias) é agora, para mim, muito menos interessante. Por boas que tenham sido as razões, tratou-se de um sacrifício e, para mim, doloroso. Podemos ter evitados males maiores, estou disposto a admiti-lo, mas o preço que pagámos foi terrível.

Foi o assistirmos, no Bairro do Rodrigo, ao triunfo dos cotos informes.

Os preços da liberdade

A notícia principal da página 19 do Público de 5 de Fevereiro (a link pode não ser permanente) é a do resgate com recurso a um helicóptero de três montanhistas na serra do Gerês. O que mais me prendeu a atenção neste assunto foi a possibilidade de os montanhistas em questão virem a ser obrigados a pagar os custos da operação que os salvou, que ascendiam (se não me engano) a quinze mil euros.

Se entendemos que deve ser o estado a pagar a factura das operações de salvamento de que eventualmente necessitarmos, então devemos aceitar as regras que o estado impuser para a prática da nossa actividade, nas condições que ele considerar seguras. Esse é um custo que, para mim, ultrapassa em muito o das operações de salvamento. Prefiro, de longe, pagar em dinheiro do que pagar em liberdade. Mas prefiro ainda mais não ter que pagar nada nem ver a minha liberdade limitada em nada.

Ora, na mesma página 19 do Público de 5 de Fevereiro, outra notícia refere as "Filas de quilómetros para ver a neve nas estradas abertas da serra da Estrela". Informa-se na notícia que "A principal via de acesso ao maciço central da Estrela tinha sido encerrada domingo pelas 15h00, na sequência de um forte nevão que obrigou a GNR a evacuar todos os veículos entre Piornos e a Lagoa Comprida".

A quem é apresentada a factura pelos custos do funcionamento da GNR nos fins de semana "normais" em que se instala o caos rodoviário com os visitantes da neve? A quem é apresentada a factura pelos custos da manutenção e funcionamento do Centro de Limpeza de Neve, todos os anos, todos os dias do ano? A quem é apresentada a factura pelos custos da tarefa de evacuar uma porção de estrada nacional com quinze quilómetros de extensão, onde se encontram alguns milhares de visitantes?

Se o estado não ordena (para além da mera gestão do caos) a prática da romaria automobilizada ao maciço central da serra da Estrela e aceita pagar os custos inerentes à segurança dessa actividade, não compreendo porque é que não há-de ter exactamente a mesma atitude face ao montanhismo.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

A Fantástica Máquina do Tempo

Como estas construções, a construir neste local, deverão ser.
Excerto do Diário da Républica, 2ª Série — Nº 15 — 22 de Janeiro de 2008:
Carlos Alberto Pinto, presidente da Câmara Municipal da Covilhã, torna público, nos termos e para os efeitos previstos no artigo 148.º do Decreto -Lei n.º 380/99, de 22 de Setembro, com a redacção dada pelo Decreto -Lei n.º 316/2007, de 19 de Setembro que, mediante proposta da Câmara Municipal da Covilhã de 2 de Outubro de 2006, a Assembleia Municipal da Covilhã, em Sessão Ordinária realizada no dia 15 de Dezembro de 2006, deliberou aprovar o Plano de Pormenor das Penhas da Saúde — Zona Sul.

(Clique aqui para ler a deliberação integral.)

Ou seja, foi publicada em DR de 22 de Janeiro de 2008 a aprovação do plano de pormenor das Penhas da Saúde — Zona Sul, que tinha sido discutido e votado em reunião da Assembleia Municipal de 15 de Dezembro de 2006, de acordo com proposta da Câmara de 19 de Setembro do mesmo ano.

Está tudo normal? Sim, desde que consideremos normal fazer-se a proposta de discussão de um plano de pormenor uns cinco ou seis anos depois de os pormenores nele previstos estarem construídos e a ser utilizados. Se isso é normal, é normal.

Mas soa estranha a utilização do tempo futuro na na deliberação. Por exemplo,
"Os projectos dos edifícios deverão ser considerados em conjunto em especial no que se refere aos materiais utilizados que não poderão ser outros senão [...]"

"Os projectos dos edifícios deverão ser considerados"? Quando? Já foram todos construídos, pela Turistrela, há uns bons cinco ou seis anos!

Este é mais um exemplo do entendimento que a Turistrela e a Câmara Municipal da Covilhã fazem do que deve ser o ordenamento urbano e do turismo em zonas integradas em áreas protegidas. Estamos no rumo certo, estamos de parabéns!

PS1: Gostava muito de saber como é que as diferentes forças partidárias representadas na Assembleia Municipal votaram este "plano" de pormenor. Se algum leitor tiver esta informação, agradeço que ma faça chegar.

PS2: Duvida das minhas palavras quando digo que o conteúdo deste "plano" de pormenor está, no essencial, completamente construído? Compare, então, as plantas anexadas à deliberação com uma imagem Google Earth da zona.

PS3: A construção deste bairrinho atranvacado colocou outros problemas legais, a que me referi neste post.

PS4: Nota para memória passada: deverei tentar encontrar tempo para escrever este post. Qual post? Este mesmo que o caro leitor acabou de ler!

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Um tópico cruzado

O Departamento de Matemática da Universidade da Beira Interior promove um concurso de problemas interessantes*, dirigidos a alunos do ensino secundário, chamado Carpe Mat (se não me engano, isto quer dizer qualquer coisa como "aproveita a matemática").

E o que é que isso tem que ver com o Cântaro Zangado? Em primeiro lugar, pessoalmente, acho interessante o conceito e agradam-me quebra-cabeças. Em segundo lugar, os problemas da presente edição do concurso têm um cheirinho a Serra. Por fim, o vencedor do concurso receberá como prémio uma BTT, com a qual pode ir passear para a Serra, lugar muito apropriado também para resolver problemas de matemática (digo-o por experiência própria).

(*) A bem dizer, os problemas em si não são nem deixam de ser interessantes; nós é que nos interessamos ou não por eles. Venham depois dizer que a culpa é da matemática...

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Tópicos fora de prazo

O Cântaro Zangado tem deixado passar assuntos interessantes por referir. Lembrei-me (ou fui lembrado) de três, mas tenho a certeza de que há muitos mais. São eles os seguintes
A consulta pública do Plano Rodoviário Nacional na Região Centro Interior
Devíamos ter feito este anúncio, porque é um assunto relevante e porque talvez assim pudéssemos contribuir para uma particiapação um pouco mais alargada. Seja como for, o anúncio foi bastante noticiado pela comunicação social. Não sei se terá havido muitas contribuições. O período de consulta pública terminou no final de Janeiro.
O calendário de libertações de animais do CERVAS
O Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS) é uma estrutura do Parque Natural da Serra da Estrela sedeada em Gouveia, que dispõe de uma clínica para animais selvagens feridos, doentes ou debilitados. Tomei conhecimento do calendário de libertações de animais que "tiveram alta" em Janeiro mas fui adiando a redacção de um post a divulgá-lo, até que reparei que já era tarde demais. Seja como for, aqui fica, para que se veja que a protecção da natureza não é só no papel:
  • Fuinha (Martes foina): Loriga, 24 de Janeiro
  • Coruja-do-mato (Strix aluco): Sernacelhe, 25 de Janeiro
  • Açor (Accipitor gentilis): Cativelos, 26 de Janeiro
  • Garça-real (Ardea cinerea): Sebadelhe, 26 de Janeiro
Aproveito para relembrar que o CERVAS tem um programa de apadrinhamento de animais, para o qual todos podemos contribuir. Para mais informações, contacte o CERVAS (email: cervas.pnse@gmail.com)
Dia Nacional dos Vigilantes da Natureza, 2 de Fevereiro
Para celebrar a sua data nacional, vigilantes do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade e das comissões coordenadoras de desenvolvimento regional vieram dar o seu contributo ao programa "Um milhão de Carvalhos para a Serra da Estrela", promovido pela Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela. Juntaram-se a montaheiros e escuteiros que participavam no XXV Nevestrela semeando e plantando árvores de espécies autóctones.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Um farol no Mar da Tranquilidade

Coisas de ignorantes mal intencionados

[É] "um erro primário e grosseiro" a eventual construção de infraestruturas em betão, como o casino ou o Palácio de Congressos nas Penhas da Saúde, projectos que "além de desajustados do meio, estão também desligados das necessidades dos praticantes de desportos de Natureza e Inverno"
O "monopólio de exploração turística e a sobreposição dos interesses comerciais à noção de sustentabilidade" é um dos aspectos mais criticáveis no turismo da Serra da Estrela.

Estas opiniões (com as quais não posso concordar mais) pertencem a Mário Carvalho, antigo professor de esqui na estância de Sierra Nevada, antigo vice-campeão nacional de esqui, actual docente do Instituto Politécnico de Leiria, e são apoiadas no estudo que fez para a sua Dissertação de Mestrado, apresentada, defendida (e aprovada) no Instituto Superior Técnico.

Soube disto pelo Ondas3, que aponta para uma notícia no Expresso com mais detalhes. Em particular, com os detalhes da reacção dos responsáveis pelo turismo que temos. Artur Costa Pais, administrador da empresa concessionária exclusiva (o monopólio a que se referia Mário Carvalho) do turismo e dos desportos na Serra da Estrela, lamenta que haja "cada vez mais gente mal intencionada" no turismo na região; Jorge Patrão (presidente da Região de Turismo), considera que este trabalho "demonstra uma profunda ignorância em relação à realidade".

Penso que para terem alguma relevância neste contexto, as referências às más intenções deveriam ser materializadas com algo de palpável. Assim, são apenas paleio. Quanto à opinião de Jorge Patrão sobre a "profunda ignorância" demonstrada por esta tese de mestrado, ela vale o que vale. Podemos comparar as habilitações (inexistentes) e currículo de Jorge Patrão com as do mestrando, as do seu orientador e as dos elementos do jurí que avaliaram o trabalho. Cada um é livre de fazer a opção que entender mas por mim, no que toca a avaliar ignorâncias, fio-me mais no discernimento, experiência e currículo dos académicos...

Ah!, Estudos para quê? Teses para quê? Isso é para gente mal intencionada e ignorante. Gente (que horror!) com habilitações, que já viu mundo. Nós não, nós somos optimistas, temos "requalidade" e dinamismo! O que precisamos é de mais milhões, mais betão, mais ferragens, mais asfalto e, de vez em quando, só para não parecer muito mal, uma entrevistazita num jornal amigo, para também podermos afirmar que "a Serra não é só neve".

sábado, fevereiro 02, 2008

Os anéis de Saturno...

... Num charco gelado.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

XXV Nevestrela

É já este fim de semana o Nevestrela. Dias 1, 2, 3, 4 e 5 de Fevereiro, no Covão d'Ametade, numa organização da Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela e do Clube de Montanhismo da Guarda.

Mais informação no site da ASE.

Ao contrário do encontro de motoqueiros Eskimos 2008 planeado para dia 15, neste acampamento a organização não disponibiliza refeitório, nem duches quentes, nem "toneladas de lenha para as fogueiras". Este encontro é mesmo para quem gosta de serra.

terça-feira, janeiro 29, 2008

A zona de jogo da Covilhã

A propósito da recente abertura de um casino em Chaves o presidente da Câmara Municipal da Covilhã voltou à carga com o seu projecto para uma zona de jogo na Covilhã.

Pessoalmente, nada tenho contra a abertura de um casino na Covilhã. Caso surja este investimento, farei votos de que seja um grande sucesso. Só não concordo, mesmo nada, é com a ideia de o instalar nas Penhas da Saúde.

Porquê nas Penhas da Saúde, onde não vive ninguém ou quase ninguém e onde a oferta hoteleira é reduzida? Esta localização obrigará os clientes e funcionários a viagens, por uma estrada sinuosa e inclinada que, em noites de mau tempo principalmente, apresenta alguma perigosidade.

Porquê nas Penhas da Saúde, se poderia desempenhar um papel importante na revitalização do centro urbano da Covilhã, houvesse para tal o arrojo que tão bem se tem evidenciado para estes projectos de urbanização da Serra?

A imagem de marca da Serra da Estrela inclui (por enquanto), a natureza, a paisagem, a rudeza do granito, os grandes espaços, grandes desafios. É sensato cultivar estes elementos simbólicos porque há segmentos do mercado turístico, muito importantes e em crescimento muito rápido, em Portugal e no resto da Europa, para os quais eles são extremamente vendáveis. A inevitável publicidade a este empreendimento não irá contribuir para a erosão da imagem da Serra da Estrela como espaço natural a um ritmo ainda mais acelerado? E isso não é considerado preocupante pelos responsáveis do turismo na nossa região?

Um casino não é (não pode ser) uma chafaricazinha. Não é o bingo da associação recreativa. Não é a "tenda do Adelino". Não é nunca uma construção discreta. Vejam-se os casinos da Póvoa, de Espinho, do Estoril, de Lisboa, de Monte Gordo, da Madeira, de Vilamoura, o Algarve Casino ou o agora inaugurado Casino de Chaves (dos existentes em Portugal falta apenas o da Figueira da Foz, porque dele não encontrei imagens numa busca apressada). Como é que uma coisa destas se pode enquadrar nas Penhas da Saúde? Como é que se pode sequer desejar enquadrar uma coisa destas nas Penhas da Saúde?!

Faça-se o casino, sim, mas onde um tal estabelecimento faça sentido: na cidade. Na Covilhã, por exemplo.

PS: Compreendo que seja do interesse da Turistrela, a empresa concessionária exclusiva do turismo e dos desportos na Serra da Estrela, a instalação do casino no seu espaço de exclusividade, a dois passos da maior das suas unidades hoteleiras. Não compreendo é que haja mais quem tenha a ganhar com essa localização. Não compreendo, em particular, porque é que ela é defendida pelo presidente da câmara, que não foi eleito propriamente para apoiar as pretensões daquela empresa. Finalmente, este assunto é mais um que me leva a defender o fim imediato deste anacronismo incompreensível que é a dita concessão exclusiva, em si mesma, independentemenete das qualidades e defeitos da empresa concessionária.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Despreocupações paisagísticas

O parque de antenas do Alto das Piçarrinhas a que me referi há dias é o que ilustro em baixo. Como se vê, os interesses ambientalistas em Portugal são terríveis forças do bloqueio, nada fazem, nem nada deixam fazer, é por causa deles que este país está como está e por causa deles nunca saíremos da cepa torta aqui na Serra da Estrela. Em contrapartida, na generalidade dos países da Europa, aí sim, são permitidas reservas de caça, cimenteiras e estâncias de esqui em parques naturais, e as antenas é mato, sem nenhuns constrangimentos ambientais, que lá, a bem do progresso, não há nada disso! Como ficou claro com as imagens que um amigo me trouxe da Galiza.

domingo, janeiro 27, 2008

National Republican Guard

Estrela no seu melhor

A não perder mais um artigo do Cova Juliana sobre o Covão d'Ametade, onde uns entusiastas motorizados fizeram este fim de semana um ensaio geral da barbárie que se prepara para 15, 16 e 17 de Fevereiro: a autointitulada 1ª Concentração Invernal de motoqueiros "Eskimos 2008".

Estes simpáticos e civilizados convívios de sossegados amantes de piões, cavalinhos e derrapagens, sempre muito cuidadosos com a limpeza dos locais onde se reúnem, respeitadores dos demais, que podem não partilhar (ele há gente estranha!) dos seus delírios com os estouros dos escapes, são sempre de encorajar. E, no coração do Parque Natural da Serra da Estrela, que mais se pode pedir? Venham, venham! Com o apoio da Câmara Municipal de Manteigas!

No site do Moto Clube do Barreiro pude apurar mais algumas informações. Por exemplo, que vão estar disponíveis no local "duches quentes", um refeitório e "toneladas de lenha para alimentar as fogueiras". Mas o convívio pretende exaltar "O verdadeiro espírito Motociclista de confraternização aliado às condições mais adversas de viagem e acampamento". As condições mais adversas, pois, pois. Na linha do já tradicional acampamento dos militares, que vêm para o Covão d'Ametade equipados com tendas com aquecimento central, não vão os bravos constipar-se...

Ai, ai... Serra da Estrela: uma montanha cada vez mais rasca está a nascer aqui.

No seu artigo, o Cova Juliana menciona uns turistas estrangeiros que estranharam com desagrado a invasão do espaço onde esperavam encontrar sossego e paz por esta turba barulhenta dos motoqueiros. Eles que se habituem. Na Serra da Estrela somos todos iguais, mas uns são mais iguais que outros.

sábado, janeiro 26, 2008

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Uma no cravo, a outra na ferradura

O Presidente da Câmara municipal de Seia, Eduardo Brito, em entrevista ao Portas da Estrela deu mostras de estar a ultrapassar uma certa forma de estar e discursar muito usual aqui na zona da Serra da Estrela (ou, pelo menos, aqui na Covilhã). Veja-se como se refere à possibilidade da construção de uma pista de esqui com neve sintética:

Pergunta: Está a querer dizer que substituiu a Pista de Esqui Sintética, anunciada então como a maior da Europa, pela construção de um campo de golfe?
Resposta: Não. Percebi, e não tenho problema nenhum em dizê-lo, que era [a pista] um investimento que tinha alguns problemas para se sustentar. Percebi também que é preciso juntar a estes investimentos uma componente privada, porque o Concelho de Seia do que mais precisa neste momento é de investimento privado.

P: Não tinha num parceiro privado para construir a Pista?
R: Concretamente não. Houve várias conversas com muita gente nesse sentido mas começou a reconhecer-se alguma debilidade em termos de custos da iniciativa, e também aprendemos com a pista de Manteigas. Também não deixámos de aprender com algumas situações. E, portanto, percebemos sobretudo que o nosso Concelho, depois de o Governo fazer as acessibilidades, do que mais precisa é de investimento privado.

Ou seja, parece ter percebido que nem tudo o que implique investimento (público, entenda-se) de milhões de euros tem pernas para andar. Demonstra que analisa lucidamente algumas situações e que aprende com os erros (com os dos outros pelo menos): como entender de outra forma as frases "mas começou a reconhecer-se alguma debilidade em termos de custos da iniciativa, e também aprendemos com a pista de Manteigas. Também não deixámos de aprender com algumas situações"?

Infelizmente, estraga o quadro com as respostas que dá às questões imediatamente a seguir:

P: Está a abandonar a vertente da neve para abrir o território a outras vertentes?
R: De maneira nenhuma. Está neste momento um pedido de viabilidade na Câmara para o prolongamento das pistas de esqui, que estão no nosso Concelho. Pelo contrário, a neve é um elemento estratégico.

O "De maneira nenhuma" refere-se, imagino, à possibilidade de se estar a abandonar a "vertente da neve". Mas também se pode entender como a resposta à segunda parte da pergunta, "para abrir o território a outras vertentes?" Não o creio, até porque, se alguma câmara da região tem feito alguma coisa por essas outras vertentes, é a de Seia, com o seu Centro de Interpretação da Serra da Estrela.
Seja como for, esta resposta não me agrada. Pensava que já parecia mal a afirmação pública da importância estratégica da neve. Afirmá-lo assim, numa montanha baixa, quente, meridional e atlântica como a nossa, onde quase não neva... Enfim.
Para onde se vão prolongar as pistas de esqui? Para os (por ora) fantásticos Covões de Loriga, mais abaixo, mais abrigados, mais quentes com menos neve? E com mais pistas a atrair mais gente (quando funcionarem) não serão necessários mais estacionamentos, mais cafés, mais restaurantes? E todo este incremento de tráfego e de visitantes não irá contribuir para ainda mais lixo na zona das pistas? E todos estes visitantes de um ou, com sorte, dois dias, que não param em Seia ou no Sabugueiro (ou na Covilhã) mais do que o estrictamente necessário, são bons para Seia? Tudo isto é bom para a Serra da Estrela? Tem sido bom para as suas populações? Tem sido bom para o Turismo?!

terça-feira, janeiro 22, 2008

Da nascente à Foz / Rio Acima

O projecto de definir, sinalizar e documentar um trilho pedestre em toda a extensão do Rio Zêzere, da nascente até à foz, a que já me referi aqui, está em marcha. No passado dia 16 uma segunda reunião reforçou a adesão de autarquias e associações de desenvolvimento à ideia, tendo-se discutido os detalhes da organização para a implementação do projecto.

Participaram nesta segunda reunião representantes das câmaras municipais de Abrantes, Castanheira de Pera, Constância, Ferreira do Zêzere, Figueiró dos Vinhos, Fundão, Guarda, Manteigas, Oleiros, Pampilhosa da Serra, Pedrogão Grande, Sertã, Tomar, Vila Nova da Barquinha, Vila de Rei, as AIBT Serra da Estrela e Pinhal Interior, as Regiões de Turismo do Centro, do Ribatejo e dos Templários, a Universidade da Beira Interior, a Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada, o Clube de Actividades de Ar Livre,a ADXTUR—Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto, a Pinhais do Zêzere—Associação para o Desenvolvimento, a Pinhal Maior—Associação de Desenvolvimento do Pinhas Interior Sul, a TAGUS—Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, a ADRIN—Associação de Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Norte, a Pró-Raia—Associação de Desenvolvimento Integrado da Raia Centro, a ADRUSE—Associação de Desenvolvimento Rural da Serra da Estrela e ainda a proponente do projecto, a ASE— Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Forum Económico Social

Estratégias para o Desenvolvimento Sustentável
investimento, empreendorismo e inovação.

Centro Cívico de Manteigas, 19 de Janeiro de 2008.

Programa disponível no Blog de Manteigas.

(Des)Preocupações paisagísticas

Um amigo enviou-me estas fotografias de um poste de telecomunicações com que se cruzou, durante uma caminhada na Galiza.

Na primeira (acima) mostra-se como se tenta minimizar o impacto visual dos equipamentos, instalando numa mesma torre diversos elementos. Outro aspecto (que não se pode comprovar na fotografia) é a não utilização de linhas aéreas para a alimentação eléctrica. Na segunda fotografia, vê-se como a mesma preocupação com o aspecto visual da estrutura foi levada ao ponto de camuflar a caixa de equipamentos com rochas.

Não sei se estas fotografias foram tiradas numa área protegida galega, se não. Seja como for, parecem-me muito louváveis estas preocupações com a paisagem. Acho muito bem que se tente preservar o carácter "natural" de uma zona, minimizando o número de equipamentos que nela se instalam e a alteração visual que acarretam. Estarei a ser muito eco-fundamentalista, radical ou original com estas minhas considerações? Acho que não.

Mas, então, o que há a dizer do "parque de antenas" no Alto das Piçarrinhas, perto do posto de vigia de incêndios situado atrás do edifício do Sanatório dos Ferroviários? Outro caso, o que há dizer sobre esta antena para comunicações móveis, recentemente instalada perto do Centro de Limpeza de Neve, onde não serve moradores (que não os há) nem turistas (que vêm quando vêm, e quando vêm não é para aqui)?

Se são razoáveis os cuidados demonstrados nas duas primeiras fotografias, é razoável o que se mostra nestas duas? Se não não se considera eco-fundamentalismo apoiar aqueles cuidados, pode considerar-se aceitável o que aqui se fez, ainda por cima numa área supostamente de paisagem protegida? No fundo, o que quero perguntar é: pode uma pessoa declarar-se favorável à protecção da natureza e da paisagem em abstracto, e considerar aceitável esta construção em concreto?

Esta antena tem outra particularidade. A caixa branca e azul no exterior da área cercada (no lado esquerdo) é um gerador a diesel. Ou seja, esta antena não só se vê à distância como se pode ouvir e cheirar, também. Tem que ser alimentada periodicamente, pelo que é necessário manter circulável um acesso com algumas centenas de metros até à estrada nacional.

Tudo isto era mesmo necessário? Tudo isto tinha mesmo que ser feito assim? Tudo isto, e assim feito, é aceitável numa área protegida? Tudo isto, e assim feito, faz sentido numa zona que se pretende turística?

quarta-feira, janeiro 16, 2008

As "pré-existências" do vizinho...

... São menos sagradas que as minhas?

Segundo podemos ler no site da revista Desnível, a Comunidad de Madrid vai investir 375000 euros para reconstruir o perfil natural de uma secção do Rio Manzanares situada no Parque Regional de la Cuenca Alta del Manzanares, depois de ter desmantelado uma barragem que aí estava construída. A demolição da barragem fez-se com explosivos, tendo os restos sido retirados com recurso a helicópteros para evitar os impactos associados à abertura de acessos ao local para camiões pesados que, de outro modo, teriam sido necessários. A intervenção planeada inclui a plantação de mil árvores nas margens do rio e a estabilização dos terrenos.

Bem sei que nem só bons exemplos nos chegam de Espanha. Mas não resisto a contrastar este cuidado na renaturalização de um espaço anteriormente intervencionado, com os enlevos que muitos dos nossos autarcas e demais forças vivaças demonstram por qualquer espelho de água (mesmo vedados ao público, é ouvi-los falar da sua grande importância para o turismo); com o à-vontade com que rasgam acessos em sítios onde esses acessos têm impactos dramáticos; e com o horror que essas mesmas forças vivaças e esses mesmos autarcas sentem relativamente a demolições de barbaridades que nunca deveriam ter sido construídas (em espaços naturais, que nos centros históricos urbanos a história é outra).

Trata-se de um parque regional, apenas. Não é um parque nacional (como o do Gerês, por cá) nem sequer um parque natural (como a Estrela ou a Arrábida). Apesar desta posição relativamente humilde na hierarquia das áreas protegidas espanholas, houve vontade para tomar esta decisão e para levá-la adiante. Tenho a impressão que tal não seria possível cá em Portugal. Que logo apareceriam as vozes afirmando a importância de "requalificar" um "espaço de excelência que tem estado ao abandono"; exigindo ao estado investimentos para a rentabilização do aproveitamento turístico do espelho de água; reclamando com os enoooormes custos das medidas de protecção ambiental; acusando de eco-fundamentalismo todos os que defendessem uma tal intervenção...

Espanha... Tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe...

sábado, janeiro 12, 2008

Covilhã Turística

Um blog sobre turismo na Covilhã, ou seja, também, sobre a Serra. Consciente de que muito mais há na Serra do que a neve, questiona porque é que pouco mais há, na Serra, do que o turismo da neve.

Covilhã Turística

terça-feira, janeiro 08, 2008

Eólicas, ambiente e isso tudo...

Parque eólico da Alvoaça, serra da Estrela.
(Imagem "roubada" no blogue Oceano das Palavras.)

Pedro Almeida Vieira, escritor e jornalista, colocou no seu blog Reportagens Ambientais uma entrevista com o Prof. Delgado Domingos, jubilado do Instituto Superior Técnico, da qual quero salientar o seguinte excerto (mas recomendo vivamente a leitura integral):

Pergunta – Em 2007 falou-se bastante em energia em Portugal. Ao longo de 2008 está prevista a aprovação do Plano Nacional de Barragens e será anunciado o resultado do concurso para a ampliação dos parques eólicos. Será 2008 o ano da energia?
Resposta – Talvez sim, mas espero que não seja pelas más razões. Em Portugal estamos a viver numa realidade virtual no campo da produção energética. E acho serem necessárias algumas advertências muito sérias. Por exemplo, penso que não se devem espalhar parques eólicos sem nexo. Eu sou defensor da energia eólica, mas não de qualquer maneira, sem disciplina. E aquilo a que estamos a assistir é um negócio puramente financeiro, só com vista para o lucro imediato. Em Portugal, os produtores de energia eólica beneficiam de uma situação económica altamente favorável, protegida e sem contrapartidas. E depois não existem estudos aprofundados do potencial eólico e das localizações mais adequadas, que salvaguardem algumas serras e apostem na hipótese dos parques off-shore.

P – O concurso está feito, de facto, de modo esquisito: os candidatos propõem locais e o que for vencedor quase automaticamente terá aprovadas todas as localizações, independentemente dos impactes…
R – Esse concurso foi feito para dar as regalias aos grandes monopólios. A energia eólica, que tem grandes méritos se for descentralizada e feita numa escala disseminada, acaba por ser concebida em concentrações, sem contrapartidas. A energia eólica é paga em Portugal de um forma exageradamente favorável às empresas, pois tem prioridade absoluta de entrada na rede e garantia de compra pela REN sem qualquer obrigatoriedade de previsibilidade do fornecimento dessa energia e sem penalizações previstas. Isto é chocante, porque afecta todo o sistema eléctrico nacional, obrigando a ter centrais em stand-by, com custos enormes. Nos países em que a eólica não é um puro negócio financeiro, o preço da electricidade eólica está ligado às previsões de produção e do respectivo cumprimento. Isto estimula o sistema de previsão e a gestão do sistema eléctrico. Faz-se assim na Espanha e nos países nórdicos, por exemplo.

Se o prof. Delgado Domingos tem razão, a instalação desenfreada de eólicas nas cristas das regiões centro e norte, mesmo em áreas protegidas, deve mais a operações financeiras e aproveitamento de apoios e subsídios (directos ou indirectos) estatais, do que a verdadeiras preocupações ambientais, ao protocolo de Quioto, ao interesse nacional ou mesmo à expectativa a longo prazo de lucros com a venda de energia. Será ou não verdade. Mas, se o for, não seria propriamente nada que nos espantasse por aí além. Seria até mais um daqueles casos tipicamente típicos, quer-me parecer...

segunda-feira, janeiro 07, 2008

As coisas são como são

Segunda feira, dia 7 de Janeiro de 2008, 12:00, a 1600 m de altitude, perto da Nave de Santo António. Poucos dias depois de um grande nevão que cobriu toda esta zona. O termómetro do carro marca 9oC (positivos!) e a zona da Torre está envolta numa nuvem de nevoeiro que derrete a neve com mais eficiência ainda do que o calor do sol. O relvão da Nave está a descoberto, as encostas mantêm a neve apenas nas fendas e corredores.

Não me alegram nada estas condições. Mas é assim que as coisas são, é assim que a neve é aqui na Serra da Estrela. Quem disser o contrário, ou é um sonhador, ou está a fazer publicidade enganosa (como esta) ou está a tentar convencer algum organismo público a alargar os cordões à bolsa dos subsídios ou das declaraçõe PIN.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Minhoquices

Seia está a cerca de uma hora de passeio rodoviário, panorâmico e descontraído, da Covilhã; Gouveia está a quarenta minutos de Manteigas; Manteigas está a vinte e cinco minutos da Covilhã e pouco mais do que isso da Guarda; de Seia para Manteigas serão outros quarenta minutos; de Manteigas para Belmonte vão vinte minutos de agradável viagem, ao longo do Zêzere. Demora-se frequentemente mais do que isso para chegar, de carro, do Parque das Nações ao Mosteiro dos Jerónimos.

Para um turista que venha do litoral ou de Espanha, é perfeitamente razoável (e aposto que muitos o farão) almoçar em Seia e lanchar em Manteigas, na Guarda, em Belmonte ou na Covilhã. Fosse eu de fora, e imagino que planearia um visita à nossa região que incluisse uma passagem pela Covilhã (Museu dos Lanifícios, Bouça, Unhais da Serra), Fundão (Museu Arqueológico, Castelo Novo, Alpedrinha), Belmonte (Museu Judaico), Seia (Museu do Pão, Loriga, CISE), Gouveia (parque zoológico, Linhares), Manteigas (Covão d'Ametade e da Ponte, Vale do Zêzere, Poço do Inferno). Tentaria ainda aproveitar algum espectáculo no Teatro Municipal da Guarda (que os há frequentemente imperdíveis — Mesmo se frequentemente os perco).

Onde quero chegar é que me parece cristalinamente óbvio que todos os concelhos têm tudo a ganhar com o desenvolvimento de ofertas turísticas e culturais de qualidade em todos os concelhos. Por isso estranho quando oiço pessoas numa terra lamentarem-se pelos empreendimentos que surgem noutra, quase como se cada milhão ali investido fosse um milhão aqui roubado.
Ao contrário, todos os concelhos têm a perder com a falta de qualidade massificada em que certas forças vivaças (principalmente da Covilhã) têm apostado para o turismo especificamente de montanha. A massificação a que se tem assistido permite (até ver) umas enchentes nalguns fins de semana, mas conduzem a Serra a uma degradação (paisagística, ambiental, social) tal que a torna repelente para todos os visitantes que procuram algo mais do que um pouquinho de esqui triste ou de triste sku.

Queiramos ou não, estamos todos juntos. Uma certa dose de bairrismo tem o seu charme. Mas quando, ultrapassando essa dose, se confunde com parolice, com atavismo, com pequenez de vistas, torna-se um enorme empecilho ao desenvolvimento. Ao desenvolvimento de todos.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

sábado, dezembro 29, 2007

Caos gelado

Olhe esta imagem e imagine-se aqui sózinho, neste primordial caos frio e hostil. Feche os olhos e sinta a brisa gelada que, subindo a garganta rochosa, lhe arrefece a nuca enquanto tira a fotografia. O silêncio, cortado apenas pelo som vento e pelo sussurrar dos pedaços de gelo que se soltam lá do alto e deslizam, velozes, encosta abaixo, mostrando-nos o que nos pode acontecer se colocarmos mal o pé. A solidão. O frio. A preocupação de descer até ao Covão Cimeiro sem perder o trilho de vista...

Desumano? Nem por sombras! Desumano mesmo é o caos automobilístico na estrada nacional logo por cima destes barrancos. O barulho, o cheiro do diesel, as multidões, o lixo, a preocupação em encontrar lugar para estacionar o carro, a preocupação em evitar que os miúdos se molhem todos, agora que já não tenho roupa seca para os mudar, e o pequenino que já está constipado, e o sarilho que vai ser sair daqui ao fim da tarde quando toda a gente resolver regressar, e esta bicha que não anda nem desanda e não há maneira de chegarmos à Torre... Isso sim, é desumano!

Quem da Serra pouco quer, pouco leva.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Manhã 5 estrelas

O céu, a Lua, a neve, o Covão Cimeiro e a sombra do Cântaro Magro. E os amigos.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

O Zêzere da foz à nascente

O Diário XX1, o Pedestrianismo e Percursos Pedestres e outros noticiaram a proposta da Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela para a definição, documentação e dinamização de um trilho pedestre de grande rota acompanhando o Zêzere desde a foz até à nascente, com uma extensão total de perto de 250 km.

Escusado será dizer que o Cântaro Zangado considera esta uma excelente ideia, da qual pode beneficiar muita gente de muitos concelhos. Oxalá se consiga pôr em prática.

Para os que consideram este projecto uma loucura, quero fazer notar que o investimento necessário para o concretizar é uma fracção infinitesimal dos necessários para concretizar os planos da Turistrela e da Região de Turismo; que os seus impactos negativos são (realmente) mínimos, se é que não serão mesmo positivos; que os proveitos resultantes são mais certos a longo prazo do que os que alegadamente se esperam de uma aposta na neve e ficarão muito melhor distribuidos temporalmente (e socialmente, também). Além disso, a ideia não é, propriamente, original. Veja-se isto, isto ou isto, só para dar três exemplos.

O primeiro da fornada

Nasceu o primeiro carvalho da minha sementeira caseira desta época! Como qualquer recém-nascido, ainda não é grande coisa mas, como qualquer recém-nascido também, tem grandes possibilidades!

Justificação

O Cântaro Zangado tem tido pouco movimento porque os seus autores têm tido mais que fazer. No que me diz pessoalmente respeito, esta imagem (Alpes Julianos, Eslovénia, antes de ontem) vale por mil e uma desculpas esfarrapadas, eheheh.
Infelizmente, o bem-bom acabou.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Ainda o Dia Internacional das Montanhas

No âmbito das celebrações do dia Internacional das Montanhas queria aqui referir que o movimento EcoProjecto , com o apoio da PDSSE, vai promover um forum de discussão no próximo Sábado (15 de Dezembro) pelas 15 horas,a realizar no Anfiteatro da Associação da UBI (Covilhã). Durante o evento serão projectados diversos materiais audiovisuais alusivos às montanhas em geral e à Serra da Estrela em particular.

O movimento EcoProjecto pretende assim promover uma sessão de discussão, esclarecimento e sensibilização dos problemas da Serra da Estrela contando com a presença de vários oradores como adjuvantes do forum. Espera-se então a presença do professor Pedro Guedes de Carvalho (responsável pela elaboração do PETUR), de um representante da Associação Distrital de Agricultores da Guarda (ADAG), de um representante da PDSSE e claro está da presença de todos os cidadãos interessados, sem os quais o debate não faz sentido!
Agradece-se por isso que divulguem o mais que puderem a realização deste evento!

Em Viseu foi tambem celebrado, ontem, o DIM com o visionamento de um video disponibilizado pela Associação Espanhola REDMONTANAS. Este video, que tambem será exibido no próximo sábado, insere-se numa campanha desta associação espanhola de promover a projecção do audiovisual no maior numero de locais possivel e desta forma alertar mais uma vez para a importancia que cada vez mais pessoas reconhece aos territórios de Montanha de todo o mundo.

Adenda:Comunicado de imprensa

O mito da neve

A Sombra Verde apresenta um exemplo de como o turismo pode estar aliado com a protecção da natureza. De como uma população inteira pode ganhar com o turismo (e não apenas duas ou três "forças vivaças" de perfil não muito recomendável). De como o turismo de montanha não tem que viver principalmente da neve, mesmo em montanhas onde neva bastante mais do que na serra da Estrela. Nas Astúrias, Espanha.

CERVAS

O CERVAS — Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens — faz saber da lista de animais que actualmente tem em tratamento nas suas instalações, e para os quais pede padrinhos. São eles:
(Contribuição mínima de 15€ por animal)
  • Mocho-galego (Athene noctua)
  • Coruja-do-mato (Strix aluco)
  • Peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus)
  • Milhafre-preto (Milvus migrans)
  • Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo)
  • Cegonha-branca (Ciconia ciconia)
  • Águia-calçada (Hieraaetus pennatus)
  • Açor (Accipiter gentilis)
  • Tartaranhão-caçador (Circus pygargus)
  • Tartaranhão-ruivo-dos-pauis (Circus aeruginosus)
  • Garça-real (Ardea cinerea)
(Contribuição mínima de 20€ por animal)
  • Águia-cobreira (Circaetus gallicus)
  • Grifo (Gyps fulvus)
  • Abutre-preto (Aegypius monachus)
Consulte o texto da campanha de apadrinhamento. Para mais informações contacte o CERVAS pelo email cervas.pnse@gmail.com.

No próximo dia 13 de Dezembro em Malpica do Tejo (Castelo Branco) o CERVAS vai libertar três grifos. Caso queira estar presente, informe o CERVAS, por razões logísticas.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Dia Internacional das Montanhas

É hoje, 11 de Dezembro.

Navegando por sites como o da Red Montanas, o da Mountain Wilderness e tantos outros, ficamos a saber o que vai por essa Europa fora de oposição e contestação à degradação artificializante dos ambientes de montanha, nomeadamente a perpetrada pela instalação de novas estâncias de esqui e pela ampliação de outras já existentes.

O que torna as coisas surrealistas, aqui em Portugal, é que nós não temos condições para a prática do esqui, mas mesmo assim pretende-se desenvolver o turismo baseado nesse produto! Ou seja, nunca teremos as vantagens da indústria do esqui, porque não temos neve, mas já temos (e teremos mais ainda se este rumo continuar) todos os seus prejuízos.

Entendamo-nos, admito que às vezes se pode esquiar na Serra da Estrela. Muito raramente, a qualidade da neve até é aceitável. Mas as pistas são curtas e não é razoável ampliá-las pois essa ampliação só se pode fazer para cotas inferiores, ocupando vales protegidos do vento, locais com temperaturas mais elevadas, com menos neve natural, alguns dos quais banhados pelo sol do meio dia, onde será impossível manter neve em estado esquiável, mesmo que se consiga fabricá-la. Digo isto independentemente de quaisquer considerações sobre o aquecimento global. A Serra não tem condições para a prática regular e satisfatória de esqui. E nunca as teve (embora já tenham sido menos más que agora).

Mas enquanto não for totalmente arruinada por esta política de ilusões provincianas e novo-ricas, que pretende "desenvolvê-la" tornando-a (assim se afirma, sem pingo de sentido do rídiculo, numa página da Câmara Municipal da Covilhã) uma alternativa aos Alpes e Pirinéus (como se isso fosse fazível, como se isso fosse razoável, como se isso fosse, até, desejável), a Serra tem óptimas condições para outras práticas, que atraem milhares de turistas a outras montanhas da Europa (e também de Portugal, como o Gerês), em todas as épocas do ano, com neve e sem neve.

Aproveitemos este Dia Internacional das Montanhas para pensar, realisticamente, no que queremos para a Serra e no que dela podemos aproveitar. Mais do que uma vez ouvi pessoas elogiarem uma obra (a construção de um parque eólico ou de uma barragem, por exemplo) porque, enquanto duram os trabalhos, há movimento, operários que animam o comércio, etc. Tomemos consciência de que esses balões de oxigénio são sol de pouca dura. Se é a isso apenas que podemos aspirar, valerá a pena?

Se da serra pouco queremos, pouco levamos. Como sempre, desde sempre. Estaremos mesmo no rumo certo? Estaremos mesmo de parabéns?

sábado, dezembro 08, 2007

Dois aninhos

O Cântaro Zangado faz hoje dois anos!

Dois anos a tentar mostrar uma outra opinião pública, que existe (mesmo que seja, admito sem o saber, minoritária) mas que não tem conseguido ser tão visível como a dos que defendem para a Serra mais betão, asfalto e ferragens. Uma opinião segundo a qual, se tem havido protecção da natureza na Serra da Estrela, tem sido a menos, não a mais.

Como há dois anos, a ver o que dá...

Siga as links para o primeiro post do Cântaro Zangado e para o post comemorativo do primeiro aniversário.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Respeito e responsabilidade

Escalando nas falésias selvagens do Douro Internacional. (Fotografia do rppd.)

Eis o cuidado que os amigos do Rocha Podre e Pedra Dura demonstram quando escalam em zonas selvagens, por exemplo, nas falésias do Douro Internacional

[...] um local também sensível, com uma ecologia única que convêm preservar. Mais uma vez, ali está a época de nidificação de aves que se deve respeitar (não escalando, de Janeiro a Agosto) [...]

Note-se que não há nenhuma lei ou organismo que proíba a escalada na altura referida. São os próprios que escolhem não o fazer, porque respeitam o ambiente onde praticam a sua modalidade favorita e porque assumem as suas responsabilidades na protecção desse ambiente.

Não pretendo generalizar, sei bem que há muitos escaladores que não se pautam por estes níveis de exigência. E também sei que há caçadores, praticantes de todo-o-terreno, piqueniqueiros, BTTistas, esquiadores, etc, igualmente conscienciosos. Os bons exemplos existem, em todas as modalidades (mas, tenho que dizer, numas mais do que noutras). E é porque existem bons exemplos, que os maus exemplos, que também os há em todas as modalidades, são tão desprezíveis. Em que categoria nos preferimos classificar?

Mas (deixem-me agora puxar a brasa à minha sardinha montanheira) há um aspecto das actividades do pessoal do rppd que quero realçar. É que se vê a montanha como um palco para a auto-superação. Em vez de se "ajeitar" a montanha, facilitando o acesso a ela com estradas, telecabines, restaurantes, bares e hotéis, diminuindo-a assim às nossas limitadas forças e aspirações, tenta-se crescer e ultrapassar essas limitações, até se estar à altura dos desafios que uma montanha a sério nos coloca.
Quem da Serra pouco quer, pouco leva; por isso, quem à Serra quer chegar rápida e comodamente, nada chega verdadeiramente a ver ou a gozar. Não viveu a serra mais do que se tivesse ficado em casa pasmado num documentário televisivo. Era disto, suponho, que Miguel Torga falava quando disse

"A Estrela, essa, guarda secretamente os ímpetos, reflectindo-se ensimesmada e discreta no espelho das suas lagoas. Somente a quem a passeia, a quem a namora duma paixão presente e esforçada, abre o coração e os tesouros. Então, numa generosidade milionária, mostra tudo".

quinta-feira, dezembro 06, 2007

quarta-feira, dezembro 05, 2007

terça-feira, dezembro 04, 2007

sábado, dezembro 01, 2007

O rumo certo, o do costume

O Máfia da Cova, citando uma notícia publicada pel'O Interior desta semana, informa-nos da recente inauguração da nova sede da Federação Portuguesa de Esqui, um evento que contou com a presença de Laurentino Dias, secretário de Estado da Juventude e do Desporto e de Carlos Pinto, presidente da Câmara Municipal da Covilhã.

Pode ler-se na notícia que a "ocasião foi aproveitada por Carlos Pinto para voltar a falar do projecto da criação de uma zona de jogo na Serra da Estrela em complemento aos desportos de Inverno", pois o "edil defendeu que esta seria a «forma de oferecer lazer associado à neve, financiar todos estes projectos e torná-los realidade [...]»"

Mais uma vez, aparece reforçada e apoiada por todos a tese de que o futuro do turismo na Serra da Estrela passa pela neve, apenas pela neve.

No Gerês há várias empresas (competindo umas com as outras) oferecendo turismo de natureza, passeios a pé, a cavalo, BTT, canoagem, escalada. Há turistas todo o ano, com estadias de dias e semanas. Em certas alturas, é preciso organizar com antecedência certas actividades (passeios a cavalo, por exemplo), tamanha é a procura. Aqui, temos a Turistrela e a neve (esta cada vez menos), e os milhares de visitantes que, em certos Sábados e Domingos, passam metade do dia, atascados no trânsito, tentando chegar com os seus carros à Torre e a outra metade, no trânsito atascados, tentando de lá sair, no regresso a suas casas. Nas poucas horas que permanecem na serra, deixam toneladas de lixo que escorrem encosta abaixo, entopem linhas de água, enojam e envergonham quem visita a serra com olhos para a ver. E mantemos e ampliamos continuamente uma deprimente estânciazinha de esqui onde a neve (quando a há) não presta, porque derrete durante a tarde e congela durante a noite, sendo vidro grosso de manhãzinha e papa molhada ao meio dia.

E, no entanto, é nisto que continuamos. Há pelo menos quarenta anos que se afirma que devemos desenvolver o turismo de neve. Que podemos concorrer com as estâncias dos Pirinéus e dos Alpes. Que é preciso mais animação para a animação da neve.

Continuamos no rumo certo, continuamos de parabéns. Como sempre. Como se vê. Viva nós!

E as perspectivas para o futuro, neste actual panorama de alterações climáticas? Recordo que ainda no ano passado, Turistrela e Região de Turismo afirmaram, que não, que o aquecimento global não se faria sentir aqui, que de dez em dez anos vem um ano mau, e que há agora tecnologia para fabricar neve mesmo com altas temperaturas.
Noto que parece ter havido uma evolução. O Secretário de Estado afirmou que com as "condicionantes que Portugal apresenta para a prática desta modalidade, [...] será óptimo se conseguirmos criar condições para que possam ter aqui uma fase de adaptação e habituação de treino. Uma coisinha modesta, portanto, à medida das nossas condicionantes. Uma coisinha modesta mas que, decerto, "será um factor de ajuda ao desenvolvimento desta região". Será assim, depreendo, um factor modesto, mas adiante.
O presidente da Federação Portuguesa de Esqui vai mais longe: mesmo que a neve deixe de cair na serra, "há pistas artificiais e sintéticas que permitem sempre a prática do esqui". A prática de modalidades de neve, mas sem neve! Bravo! Ah, estamos no rumo certo, estamos de parabéns. Como sempre, desde sempre!

Adenda posterior: Note-se que nada tenho, a priori, contra pistas de esqui com piso sintético, com neve produzida artificialmente, indoor, etc. Aliás, elas apresentam uma grande vantagem relativamente às pistas de ar livre: são tão viáveis no alto da Serra como em qualquer outro lugar. (Falou-se até na construção de uma em Oeiras!) Assim, se a Federação Portuguesa de Esqui quiser conquistar apoios para a construção de uma pista artificial, ou com neve artificialmente produzida, na Covilhã, em Manteigas, Seia, Gouveia, Fundão, Castelo Branco ou Beja, cá por mim, óptimo! O que me incomoda é que se continue a apostar cada vez mais na artificialização desta maravilhosa área protegida que é a serra da Estrela e cada vez menos num aproveitamento a sério das suas verdadeiras potencialidades.

segunda-feira, novembro 26, 2007

"Eles estão doidos!"

António Barreto deixou no Público de ontem, na sua habitual crónica de Domingo, um texto de revolta contra as leis e regulamentos que, permitindo a alimentação de plástico e a higiene de plástico da fast-food e dos hipermercados, cada vez mais condiciona ("para nosso bem, pois claro", ironiza) os produtos tradicionais e as formas tradicionais de os produzir e distribuir. Copiei-lhe o título.

Pelo que tenho ouvido a produtores artesanais aqui da Serra da Estrela, não podia estar mais de acordo com ele. Aliás, as coisas estão de tal maneira que duvido muito que um queijo de ovelha da Serra da Estrela, produzido no rigoroso cumprimento de todas as inúmeras regrazinhas que agora regulam a manufactura e distribuição dos produtos alimentares, saiba a queijo da serra. Isto, admitindo que haja alguém, em toda a volta da Serra, que tenha instalações que cumpram todos aqueles requisitos. Ou muito me engano, ou um queijo produzido como "manda a lei" não é um queijo produzido com métodos tradicionais, não é um queijo tradicional.

Para mal dos nossos pecados, não bastava o zelo com que, neste domínio, se inventam as leis mais insanas e aberrantes (insanas e aberrantes, sim; basta pensar na que proíbe os galheteiros de azeite nos restaurantes!), criou-se para as aplicar a polícia (a ASAE) que mais entusiasmo tem demonstrado no cumprimento da sua missão!

Os assinantes do Público podem ler o artigo aqui. Os restantes podem encontrar alguns excertos no Saúde Ambiental.

sexta-feira, novembro 23, 2007

terça-feira, novembro 20, 2007

A propósito do esgoto da Torre

Temo-nos queixado da existência de esgotos a céu aberto perto da Torre. É claro que se trata de uma situação lamentável. Mas porque é que esta vergonha acontece? Porque se tentou fazer um aproveitamento (igualmente vergonhoso, vejam-se alguns posts do Estrela no seu melhor) de um edifício da inútil (e, por isso, efémera) base da Força Aérea na Torre, como centro comercial. Um centro comercial no ponto mais alto de Portugal Continental! Ah, suprema parolice!

Quando os militares ganharam, vai já para mais de trinta e tal anos, a lucidez para reconhecer que aquilo não lhes servia para nada e por isso encerraram as instalações, devia-se ter tentado desfazer o que, se tivesse havido pontinha de juízo, nunca teria sido feito. Ou seja, aqueles horrorosos edifícios deviam ter vindo abaixo. Em vez disso, não. "Requalifica-se" e reaproveita-se, insiste-se na estupidez. Como resultado, ganhamos um patético supermercado de fancaria, um montão de encargos com as necessárias infraestruturas e, está-se a ver há já um ano, um rio de m**** monte abaixo. Quem é que pagou aqueles encargos, quem é que, por isso mesmo, apanha agora as culpas? O Parque Natural da Serra da Estrela, logo o organismo que não se percebe o que tem a ganhar com a existência do shopping da Torre!

Qualquer reaproveitamento dos edifícios existentes na Torre implica impactos ambientais, logo, enormes encargos. Todas as infraestruturas têm que ser construídas de raiz. Quer seja o PNSE a assumir esses encargos quer não, a realidade que vivemos agora mostra que não há garantias de que os sistemas venham a funcionar correctamente no futuro. A eventual (mas já proposta) instalação de hotéis ou restaurantes naqueles edifícios vai aumentar em muito a pressão sobre os esgotos, obrigando a mais obras. A preocupação com a viabilidade destes eventuais empreendimentos vai tornar ainda mais difícil a necessária e urgente ordenação (ou seja, limitação) do trânsito rodoviário.

Caramba, que vantagens há para a região no aproveitamento daqueles mamarrachos?!

O Estrela no seu melhor apresenta hoje uma link para uma reportagem que a SIC fez sobre o assunto do esgoto a céu aberto, onde apareço a fazer um breve comentário à situação.

segunda-feira, novembro 19, 2007

Porquê?

Vale do Rossim, fotografado dia 17 de Novembro. (Foto retirada do Lagoas da Estrela)
O Lagoas da Estrela refere num post recente uma situação que também tenho notado, a da falta de água nalgumas barragens da Serra, nomeadamente as sob a administração da EDP. Não sei se terão sido definidos limites mínimos para o volume de água armazenado em cada albufeira ou se esses limites, a terem sido definidos, estarão a ser respeitados. Diria que não parece. E já não é o primeiro ano que noto esta situação.
Mas lá que é uma tristeza, isso é.

sexta-feira, novembro 16, 2007

Bom fim de semana

Sobre o esgoto da Torre,

Deixei no Estrela no seu melhor o seguinte comentário (editei-o agora ligeiramente)
Se eu quiser abrir um centro comercial na Covilhã, alguma instituição pública se oferece para pagar as infraestruturas que a lei me exige?
O que acho mais lamentável nesta história (para além do facto em si, evidentemente) é ver o PNSE pagar a construção de infraestruturas que a lei exige aos promotores. Será que o PNSE é um promotor dos centros comerciais da Torre? Será que vê algum interesse ambiental na sua existência? Não vendo que interesse possa ser esse, acho que quem devia ter pago esta dita "ETAR", eram os comerciantes, a Turistrela, a RTSE, as Câmaras e/ou quem mais considerasse indispensável a existência do centro comercial na Torre. Assim, quem acaba com a batata quente na mão é o organismo que menos vantagens tem a colher com tudo isto, pior: o organismo cuja missão mais dificultada fica pela existência do dito centro comercial, com tudo o que essa existência acarreta (acessos, multidões, lixos, etc)!
Mais do que vontade de o criticar, sinto pena do PNSE, por se ter posto na posição em que está. E pena do ambiente da Serra por ver quem o devia defender, que é o PNSE, a apoiar quem mais o agride, que é o modelo de turismo rasca e massificado em que temos apostado.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Oh Lord, won't you buy me a BMW

Foto tirada na segunda feira, dia 12, na zona da Mina do Morgadinho, atrás da Pedra da Mesa, um mês depois de um evento publicitário da BMW promovido pelo Clube Escape Livre (da Guarda) que, por outras razões, comentei aqui.

Requalificar, requalificar sempre!

Fotografia retirada de Estrela no seu melhor

Já dei alguns exemplos de como quando se faz alguma coisa na Serra se faz sempre, aparentemente, o pior possível. Agora é (outra vez) o Covão d'Ametade.

Alguém entendeu necessário "requalificar" o Covão d'Ametade. Apareceu dinheiro, construiram-se uns foleiros assadores que, por acaso, até nem podem ser usados no Verão, que é quando há quem esteja disposto a fazer assados ao ar livre naquele lugar. Sobre isso, já muita tinta correu.

Mas o projecto de requalificação é mais ambicioso e envolve também a substituição da antiga ponte sobre o Zêzere. Neste aspecto em particular concordo com os promotores deste projecto, pois a ponte antiga estava a cair de podre, literalmente. Mas as concordâncias acabam aí. O bom gosto dos que escolheram os altares dos grelhados está a manifestar-se também na ponte que estão a erguer. O Estrela no seu melhor mostra hoje todos os detalhes.

O exemplo (mais um) de como as coisas parecem fazer-se aqui sempre do pior modo possível é que a localização da nova ponte, não sendo a mesma que a da antiga (porquê?), obrigou ao abate de uma bétula. Inevitável? Pois sim!

Sobre este projecto de requalificação, sei que ele prevê (mesmo que nunca se consiga verba para tal — Oxalá!) a iluminação nocturna do espaço, a sua vedação, obras nos edifícios do bar e dos lavabos e a instalação de um painel publicitário. Talvez devessemos pensar nalguma forma de mostrar à Câmara Municipal de Manteigas, à Junta de Freguesia de S. Pedro e ao Parque Natural da Serra da Estrela a nossa discordância com o projecto.
O Covão d'Ametade transformado num camping da Caparica? Não, obrigado!

terça-feira, novembro 13, 2007

Mais amigos

(Clique para aumentar)
Li no Jornal do Fundão da semana passada que a Associação de Desenvolvimento Local ADETEIXO (Teixoso) promoveu uma acção de recolha de bolotas e vai proceder à sua sementeira para plantação no próximo ano.
Óptimo!

sexta-feira, novembro 09, 2007

Bom fim de semana

Os "constrangimentos ambientais"

1. De como os estatutos de protecção do Parque Natural da Serra da Estrela parecem não impedir muitos actividades ou empreendimentos

No interior do Parque Natural da Serra da Estrela pode-se caçar: há cerca de trinta zonas de caça municipal ou associativa, legais ou em processo de legalização, que penetram no território do parque. Mesmo assim, por não ser suficiente o policiamento (e alguma vez o será?) tem havido notícias de caça (completamente ilegal) fora dessas zonas, em áreas oficialmente mais "protegidas".

Quando há neve (coisa cada vez menos frequente), pode-se praticar esqui de pista, com tudo o que isso acarreta: parques de estacionamento, longas bichas de carros, cafés e restaurantes, musiquinha ambiente, etc, etc, etc. O governo até dá uma ajuda com programas de apoio ao investimento, apesar de ser muito duvidosa, a médio prazo, a viabilidade económica da exploração da estância esqui, dadas as alterações climáticas com que nos enfrentamos.

São permitidas concentrações de dezenas de milhares de visitantes (com os seus automóveis) no coração da área protegida, em certos fins de semana de neve. Como resultado destes ajuntamentos, ficam todos os Invernos espalhadas na zona da Torre toneladas de lixo. O que parece não ser possível é a limitação (por tímida que seja) do tráfego na estrada da Torre. Pelo menos (assim se diz) enquanto não se construirem túneis sob a serra, IPs com perfil de autoestrada em redor da serra e/ou telecabines que permitam aos turistas chegar à Torre (como se não se pudesse chegar à Torre a pé, que é como se chega ao cume de outras montanhas comparáveis).

Podem construir-se hotéis, condomínios e urbanizações em "núcleos de recreio" e nalguns desses núcleos (nas Penhas da Saúde, mais concretamente) pode construir-se não importa o quê. Aparentemente, tratando-se oficialmente de um "núcleo urbano", os serviços do PNSE têm aí uma autoridade muito diminuída. São até publicitados projectos de construção fora desses núcleos de recreio, veja-se o plano de abertura de um spa nos Piornos ou o da construção de um aparthotel na Varanda dos Carqueijais.

Podem organizar-se passagens da volta a Portugal em bicicleta, rampas automobilísticas e raids todo-o-terreno (estes últimos incluindo até trechos fora de caminhos), sem contrapartidas ao parque, sem se darem reuniões preparatórias com o parque, sem sequer se contactar o parque (não que este incrível absurdo se verifique sempre, atenção).

Podem construir-se assadores para piqueniques mesmo sabendo-se que é proibido fazer fogo em zonas de floresta durante o Verão (que é quando apetece fazer piqueniques ao ar livre na serra da Estrela).

Têm-se construído barragens no interior do parque, e está uma nova obra na calha, já com a avaliação ambiental aprovada, na ribeira das Cortes, para alimentação da rede da cidade da Covilhã.

As muitas estradas asfaltadas já existentes, antigas e recentes, ainda não são consideradas suficientes. Decorrem estudos para a estrada Verde (entre a Guarda e o Maciço Central), continuam os planos para tentar terminar a pavimentação da estrada Unhais da Serra - Nave de Sto António.

2. De como os serviços do PNSE até têm colaborado com as "forças vivas"

Na Torre e na Lagoa Comprida havia mercados de ar livre para venda de recordações e fancaria, até ao início dos anos noventa (se não estou em erro). Foram necessárias obras em edifícios da antiga base da Força Aérea e perto da Lagoa Comprida, quando se resolveu "ordenar" a prática do comércio, instalando os comerciantes nesses edifícios beneficiados. Quem pagou não foi a Região de Turismo, não foram as câmaras municipais, não foi a Turistrela, não foram os comerciantes. Quem pagou foi o Parque Natural da Serra da Estrela. No entanto, os comerciantes que agora operam no centro comercial da Torre e nas lojas da Lagoa Comprida pagam renda, não a quem financiou a melhoria das instalações, mas sim à Turistrela!

As novas instalações, sendo utilizadas por muitos visitantes, precisam de infraestruturas, como esgotos. Quem pagou essas infraestruturas? O PNSE, mais uma vez. A coisa está a trabalhar mal, corre a porcaria pela serra abaixo. A quem se aponta o dedo? Ao PNSE. Acho paradoxal, de certa forma. Mas é assim que as coisas são.

O lixo depositado nos contentores situados no maciço central é (ou era, até há muito pouco tempo) recolhido por funcionários do PNSE, e não pelos serviços municipalizados (ou pelas empresas que os substituiram) dos concelhos relevantes. O PNSE tem até um camião (pelo menos um) apropriado para o efeito.

O esforço mais sério e consequente para o desenvolvimento de um verdadeiro turismo de montanha na serra da Estrela foi efectuado por quem? Não foi a Turistrela, nem a Região de Turismo, nem as Câmaras Municipais. Foi (mais uma vez) o PNSE, quando definiu, marcou e documentou a rede de trilhos pedestres da serra da Estrela.

3. Em conclusão

Em resumo, parece não haver muitos constrangimentos ambientais a vigorar na serra da Estrela. Mais ainda, o PNSE tem repetidas vezes colaborado com outras entidades com intervenção na serra da Estrela (Região de Turismo, Turistrela, câmaras municipais), assumindo encargos e obrigações que não decorrem directamente da missão para que foi criado, assumindo encargos e obrigações que pertencem claramente a essas outras entidades. Como se não chegasse, rendas de que o PNSE deveria ser credor por pagarem a utilização de instalações por ele beneficiadas ou serviços por ele prestados, são desviadas para terceiros sem que se entenda porquê. Quando alguma coisa corre mal nesses serviços que o PNSE presta (e alguns deles, quanto a mim, o PNSE não deveria prestar) cai o Carmo e a Trindade, que aqui del Rey, o PNSE não está à altura das suas "obrigações".

Face a tudo isto, queixinhas sobre os constrangimentos ambientais decorrentes dos estatutos de protecção da Serra da Estrela ou sobre os bloqueios ao desenvolvimento impostos pelos técnicos do PNSE, vindas (ainda por cima!) de quem costumam vir... Só podem estar a gozar, não?

quinta-feira, novembro 08, 2007

quarta-feira, novembro 07, 2007

E dura, e dura, e dura...

A mais alta cloaca de Portugal. Fotografia tirada do Estrela no seu melhor.
A mais alta cloaca continua bem e parece que se recomenda. Ver tudo no Estrela no seu melhor.

Mostruário de invasoras

Este é um aspecto do parque de estacionamento da Floresta, na Covilhã. À esquerda, verde escuras, as mimosas, vindas da Austrália. À direita, já com cores de Outono, as espanta-lobos, da China. Atrás do fotógrafo há uma mata (!) de eucaliptos, da Austrália também.
Apesar da grande profusão de mimosas, esta zona é, ainda assim, um local muito aprazível. Meta-se pelo circuito de manutenção acima, especialmente nesta altura do ano, e verá.

Reduzido?!

Fotografia tirada hoje às 8:15, no Parque da Floresta, Covilhã
Aparentemente, alguém se tem esquecido de manter actualizada a informação fornecida por este painel. Acontece.

(A bem dizer, também não é que faça assim muita, muita, diferença, pois não?)

terça-feira, novembro 06, 2007

De Carro Não

 
 
De carro não vamos com certeza ter o prazer de observar estas maravilhas da Natureza
Posted by Picasa

domingo, novembro 04, 2007

sexta-feira, novembro 02, 2007

Directamente do IPCC

Winter tourism in mountain regions is anticipated to face reduced snow cover.

(Página 544 do 4º relatório do IPCC, capítulo 12 [Europa], disponível aqui.)

O que vale é que a gente não está bem, bem, na Europa. Acho que aqui no Turistrelistão não teremos problemas, desde que haja um forte investimento do estado. Se levarmos por diante os grandes projectos âncora previstos, como as telecabines, a ampliação da estância de esqui, a "revolução" nas Penhas da Saúde, a gente vai lá.

Assim continuemos no rumo certo, assim continuemos de parabéns!

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!