domingo, maio 25, 2008
Eis a Primavera do nosso descontentamento...
sexta-feira, maio 23, 2008
Prémio "E o meu único defeito é a modéstia":
"A grande mais valia da serra são duas pessoas: sou eu e o meu cunhado"Assim falou Artur Costa Pais, em entrevista à Rádio Altitude (avançar até 20'08'').
Artur Costa Pais é administrador e proprietário da Turistrela, a empresa concessionária exclusiva do turismo e dos desportos na serra da Estrela, de acordo com os Decretos-Lei 3/70 (28 de Abril de 1970), 325/71 (28 de Julho de 1971) e 408/86 (11 de Dezembro 1986). Até quando durará este anacronismo do Estado Novo?
quinta-feira, maio 22, 2008
Ainda por cá andamos!
quarta-feira, maio 21, 2008
Outras terras, outros modos
"comprou todos os terrenos que pôde no entorno das reservas hídricas a fim de preservar nelas as suas florestas e zonas húmidas - autênticos «tampões» contra a poluição. Simultaneamente, criou incentivos financeiros para os proprietários locais fazerem a gestão florestal e agrícola correctas, fornecendo-lhes apoio técnico."A alternativa a esta linha de acção era a instalação de caras (na construção e no funcionamento) estações de tratamento de água. Os resultados dessa aposta, segundo Luísa Schmidt, estão agora a aprecer:
"a cidade de Nova Iorque poupou milhares de dólares; os seus citadinos têm hoje água muito melhor e a menores custos; a população rural foi ressarcida pelo serviço ambiental prestado a toda a comunidade e a área das reservas entretanto criada tornou-se uma zona protegida onde se pode passear e usufruir a paisagem. Qualquer dia a água de Nova Iorque pode ser vendida em garrafas."Mais um exemplo de como nem sempre um desenvolvimento a sério vem nas pás das escavadoras, nas betoneiras, nas grandes obras de construção civil. Mas tente-se afirmar esta verdade óbvia e cristalina cá em Portugal...
segunda-feira, maio 19, 2008
Parabéns
No site da Região de Turismo da Serra da Estrela pode apreciar-se um slide show com algumas fotografias de fazer crescer água na boca, como a que ilustra este post. Parabéns!
sexta-feira, maio 16, 2008
Veredas interiores
Variação sobre um post no A Sombra Verde.
Bem a propósito, aproveito para sugerir "A Catedral Verde", de João Aguiar. Bom fim de semana!
quinta-feira, maio 15, 2008
Estágios CERVAS
- Parasitologia em animais selvagens
- Libertação de Animais Recuperados – Preparação e Acompanhamento
- Gestão e Manutenção de um centro de recuperação
- Programa Antídoto - Portugal
- Educação e Divulgação Ambiental – Edição de Material Pedagógico
sexta-feira, maio 09, 2008
quarta-feira, maio 07, 2008
Uma óptima notícia!
Finalmente, "abriu" o site de internet do Centro de Interpretação da Serra da Estrela, da Câmara Municipal de Seia! O URL é http://www.cise-seia.org.pt.
Soube disto pelo Oceano das Palavras.
Minicidade com requalidade
Será possível às Penhas da Saúde transformarem-se, como deseja a Câmara Municipal da Covilhã, num aldeamento / aldeia / minicidade de montanha (a designação dada à coisa vai mudando) com que o país "poderá concorrer com os mais importantes aldeamentos turísticos de montanha da Europa. Uma área de projecção nacional e internacional, com que Portugal possa concorrer em termos de turismo de montanha com outras da Europa, nas cidades dos maciços mais conhecidos, como os Alpes ou os Pirinéus"?
Já nem falo da falta de neve e da dimensão comparativamente modesta da Serra da Estrela face aos "maciços mais conhecidos, como os Alpes ou os Pirinéus". Falo dos mamarrachos que a própria Câmara Municipal da Covilhã tem autorizado nas Penhas da Saúde, como estes dois que aqui mostro neste post, ainda não concluídos. E o historial de mamarrachos neste aldeamento / aldeia / minicidade de montanha vem de há muito, muito tempo...
Será possível? Mesmo que o seja, será este o caminho?
terça-feira, maio 06, 2008
Uma boa notícia
Hoje de manhãzinha estive no Covão d'Ametade. Pude constatar que o lixo que por lá se encontrava espalhado, que foi referido pelo blog Estrela no seu melhor, já foi limpo.
Suponho que a triste situação, que se prolongou durante algumas semanas, se deveu à colocação no local de objectos que pareciam caixotes do lixo sem tampa (como o que aparece na fotografia abaixo, "roubada" do Estrela no seu melhor). As pessoas que fazem piqueniques no Covão d'Ametade colocavam aí os seus lixos, em vez de o fazerem nos contentores estacionados à entrada do local, junto à estrada. Como esses lixos não eram retirados, os animais selvagens (raposas, principalmente) espalhavam-nos, à procura de comida. Agora esses caixotes foram retirados e o Covão d'Ametade voltou a estar relativamente limpo.
A quem devemos agradecer este trabalho? À Câmara Municipal de Manteigas? Ao Parque Natural da Serra da Estrela? Não sei. Seja quem for, bem hajam!
quarta-feira, abril 30, 2008
Boa, CERVAS! Boa, PNSE!
Alguém colocou no YouTube esta reportagem da RTP sobre a actividade do CERVAS/PNSE, que inlcui imagens da libertação de uma águia cobreira (a que, por sorte, pude assistir e que referi aqui).
Caramba, dá gosto ver o Parque Natural da Serra da Estrela ser assim noticiado!
Está também disponível a reportagem da libertação de uma fuinha, também pelo CERVAS, desta vez em Mangualde.
Por falar nisso,...
Há dias foi notícia um estudo proposto por seis municípios da região e coordenado pelo economista Daniel Bessa, com o objectivo, assim se afirma, de desenvolver as potencialidades turísticas da região. Pode ler artigos sobre este estudo por exemplo no Diário XXI (aqui e aqui), no Opção Turismo e comentários ou referências em vários blogs, como o Blog de Manteigas, o Estrela no seu Melhor e muitos outros.
O Cântaro Zangado já disse o que tinha dizer sobre o que de substancial até agora veio a público relativamente a este estudo. Há um ano.
sexta-feira, abril 25, 2008
segunda-feira, abril 21, 2008
O nosso impacto
O Público de Quinta Feira passada trazia um artigo sobre o mundo de biodiversidade na cratera do atol de Bikini, onde os EUA fizeram testes com bombas de fusão nuclear em 1954 e que por isso mesmo tem sido, desde então, uma zona de acesso interdito.
No mesmo sentido, a zona de Chernobyl, evacuada há 20 anos na sequência do mais grave acidente em centrais nucleares de sempre, é hoje, segundo diz Alan Weisman no seu livro "O mundo sem nós", uma zona de grande pujança natural. As florestas cresceram, os veados e lobos regressaram, por todo o lado a natureza retomou o seu domínio.
Será que a variável relevante nestes dois casos é a existência de elevados níveis de radiação? Não. A mortalidade dos animais de Chernobyl é maior do que no resto do mundo. Por outro lado, outro paraíso natural referido por Alan Weisman, e um onde os níveis de radiação são os normais, é a zona de exclusão entre as duas Coreias, uma estreita faixa com quatro quilómetros de largura por duzentos e cinquenta de extensão, ladeada por dois exércitos vigilantes e em estado de prevenção constante.
Não, não são os altos níveis de radiação que fazem bem à natureza; são os baixos níveis de exposição ao homem. Por isso, pergunto se teremos mesmo que ocupar intensamente todos os espaços, até os que resolvemos declara áreas protegidas? Mais em particular, teremos mesmo que continuar a "desenvolver" (entendendo-se com esta palavra o que ela tem significado cá em Portugal) a Serra da Estrela?
A foto acima mostra um cavalo de Przewalski, raça selvagem que prospera na região de Chernobyl. Retirei-a daqui.
sábado, abril 19, 2008
domingo, abril 13, 2008
De Carro Não ... (2)
Uma curiosidade que descobri na Wikipedia é que esta espécie era utilizada pelos antigos como barómetro já que começava a coaxar quando se aproximava chuva.
Está a ver as curiosidades que pode estar a perder! Deixe o carro e "perca-se" na natureza da Serra da Estrela.
quinta-feira, abril 10, 2008
Valores
Um dos argumentos invocados para travar o projecto da estância de esqui de S. Glório que referimos há dias foi o de que ele punha em causa um dos últimos habitats do urso pardo na Península Ibérica. Ou seja, foi invocado um valor ambiental real e concreto, em vez de argumentos genéricos, mais ou menos vagos, mais ou menos românticos, mais ou menos relevantes para o que em concreto ali se estava a decidir.
E na Serra da Estrela? Aqui que a estância já existe, os projectos são para a sua ampliação. Tenho dito que não me parecem nada razoáveis, porque como a estância está no alto da montanha, só pode ser ampliada para baixo, para menores altitudes. Para locais onde neva menos, onde está mais quente, onde a neve se aguenta menos tempo. Mas este argumento é apenas económico. Se apenas o dinheiro da Turistrela fosse investido neste empreendimento, ele não nos diria respeito. (Mas é claro que há sempre o apoiozito do estado, da autarquia, da União Europeia...)
Reconhecendo que já não há ursos na serra (imagino que desde perto do final da Idade Média), nem lobos (há algumas dezenas de anos), nem cabra-montês, nem quaisquer outros mamíferos selvagens de grande porte (à excepção do javali), poderíamos pensar que não se aplicam, por cá, grandes preocupações ambientalistas. Ao fim e ao cabo, tudo o que havia para extinguir já se extinguiu, porquê tanta choraminguice?
Porque, pura e simplesmente, não é verdade que a Serra da Estrela esteja já esvaziada de valores ambientais. No "Guia geobotânico da Serra da Estrela"(1), do holandês Jan Jansen, podemos ler,
The flora of Estrela includes about a quarter of the preliminary Portuguese red list of vascular plant species, many of wich are confined to the Estrela within Portugal. In the Park's territory more then 400 bryophyte species could be detected. This is about two-third of the bryophyte flora of Portugal and some 40% of the Iberian. A considerable number occurs on the red list of bryophytes from the Iberian Peninsula.Se ainda não chegasse, o apêndice 3 deste mesmo guia enumera 45 espécies de mamíferos, 143 espécies de aves nidificantes, 9 de peixes, 33 de répteis e anfíbios.
(p. 36)
Apesar de tudo isto, é verdade que não temos nada tão "espectacular" como o urso pardo. Mas vejamos. Na página 7 da ficha sobre o lobo ibérico do Plano Sectorial da Rede Natura 2000, informa-se que "deverão ser aplicadas todas as medidas que potenciem uma futura ocupação [pelo lobo] desta área [serra da Estrela], dada a proximidade com áreas onde a espécie ocorre." Entre outras medidas, propõe-se
- Promover a conservação e o fomento das presas selvagens (nomeadamente corço e veado) do lobo através de:
- manutenção/recuperação do coberto vegetal autóctone
- assegurar uma correcta exploração cinegética destas espécies
- acções de re-introdução/repovoamento de corço, quando necessárias
- Condicionar a implementação de grandes infra-estruturas
- Condicionar a abertura/utilização de novos acessos em áreas sensíveis, nomeadamente no âmbito de processos de Avaliação de Impacto Ambiental e no âmbito de Planos de Ordenamento do Território. Fiscalizar acessos e circulação de veículos motorizados. Nas áreas mais sensíveis, interditar circulação de viaturas fora dos caminhos estabelecidos.
Em resumo, acho que mostrei que a ampliação da estância de esqui (e outras grandes iniciativas, como a abertura de novas estradas, etc) não só pode pôr em causa em causa um real, vasto e valioso património ambiental como parece contrariar flagrantemente as opções e orientações definidas pelo governo para a protecção ambiental no território do PNSE.
(E ainda por cima, como se não bastasse tudo isto, há cada vez menos neve na Serra da Estrela, e cada vez de pior qualidade! Valerá mesmo a pena a ampliação da estância?)
(1) Fernando Catarino, no quinto volume da série "Árvores e florestas de Portugal", publicada pelo jornal Público, diz deste guia o seguinte: "Em minha opinião, trata-se do melhor guia de Natureza alguma vez editado em Portugal. A riqueza e qualidade das ilustrações do guia têm paralelo no texto, claro e de grande rigor científico. O guia retrata correcta e exaustivamente os valores biológicos e as paisagens que o Parque encerra, num exemplar enquadramento climático, edáfico e biogeográfico" (p. 126). No ano passado, tentei comprá-lo na sede do Parque. A edição em língua portuguesa estava esgotada, tive que me contentar com a edição em inglês. Ter-se-á entretanto alterado este estado de coisas?
terça-feira, abril 08, 2008
Em Unhais plantam-se árvores
António Duarte, Secretário da Assembleia de Freguesia de Unhais da Serra, teve a gentileza de me enviar informações sobre o corte de plátanos a que me referi há tempos.
Fiquei a saber que, no decurso do que suponho terem sido trabalhos de melhoria de arruamentos, foram cortados 22 plátanos, o que corresponde a uma pequena fracção do total. Pessoalmente, não é coisa que me agrade. Mas António Duarte afirma (e eu acredito) que não havia possibilidade de realizar as obras que se consideraram necessárias sem proceder àqueles cortes. Afirma também (e também acredito) que a população afectada pediu que fossem cortados ainda mais plátanos, por causa dos inconvenientes que normalmente são associados com o convívio próximo com árvores de grande porte (folhas nos caleiros pelo Outono, ramadas que se partem nos vendavais, alergias, etc). Eu dou pouca importância a estes "inconvenientes" (e vivi à sombra de grandes árvores muitos anos: freixos em criança e choupos mais recentemente), mas sei que há quem dê. Eu considero as árvores frondosas e a sombra que "derramam" sobre a rua elementos extraordinariamente agradáveis das ruas onde existem mas outros não pensam assim, com razões que são as suas.
Sendo como sou, não consigo festejar cortes de árvores. Como dei a entender no post que já citei, posso reconhecer a inevitabilidade do abate de uma grande árvore; mas não é algo que eu veja com alegria.
Mas António Duarte fez-me também chegar a informação de que tinham sido plantadas várias bétulas e tílias na Vila. Ora essa é uma informação que eu quero festejar! Plantar árvores é quase sempre uma boa decisão, embora não compense completamente a perda das abatidas. Só espero que estas novas árvores, ao crescerem, não venham também a ser consideradas fontes de inconvenientes que justifiquem cortes ou podas radicais.
Resta-me agradecer a António Duarte as fotografias com que ilustro este post e a cordialidade com que se disponibilizou a esclarecer-me, mais ainda por ter sido dele a iniciativa. Um sincero bem haja, António Duarte.

