sexta-feira, dezembro 21, 2007

Justificação

O Cântaro Zangado tem tido pouco movimento porque os seus autores têm tido mais que fazer. No que me diz pessoalmente respeito, esta imagem (Alpes Julianos, Eslovénia, antes de ontem) vale por mil e uma desculpas esfarrapadas, eheheh.
Infelizmente, o bem-bom acabou.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Ainda o Dia Internacional das Montanhas

No âmbito das celebrações do dia Internacional das Montanhas queria aqui referir que o movimento EcoProjecto , com o apoio da PDSSE, vai promover um forum de discussão no próximo Sábado (15 de Dezembro) pelas 15 horas,a realizar no Anfiteatro da Associação da UBI (Covilhã). Durante o evento serão projectados diversos materiais audiovisuais alusivos às montanhas em geral e à Serra da Estrela em particular.

O movimento EcoProjecto pretende assim promover uma sessão de discussão, esclarecimento e sensibilização dos problemas da Serra da Estrela contando com a presença de vários oradores como adjuvantes do forum. Espera-se então a presença do professor Pedro Guedes de Carvalho (responsável pela elaboração do PETUR), de um representante da Associação Distrital de Agricultores da Guarda (ADAG), de um representante da PDSSE e claro está da presença de todos os cidadãos interessados, sem os quais o debate não faz sentido!
Agradece-se por isso que divulguem o mais que puderem a realização deste evento!

Em Viseu foi tambem celebrado, ontem, o DIM com o visionamento de um video disponibilizado pela Associação Espanhola REDMONTANAS. Este video, que tambem será exibido no próximo sábado, insere-se numa campanha desta associação espanhola de promover a projecção do audiovisual no maior numero de locais possivel e desta forma alertar mais uma vez para a importancia que cada vez mais pessoas reconhece aos territórios de Montanha de todo o mundo.

Adenda:Comunicado de imprensa

O mito da neve

A Sombra Verde apresenta um exemplo de como o turismo pode estar aliado com a protecção da natureza. De como uma população inteira pode ganhar com o turismo (e não apenas duas ou três "forças vivaças" de perfil não muito recomendável). De como o turismo de montanha não tem que viver principalmente da neve, mesmo em montanhas onde neva bastante mais do que na serra da Estrela. Nas Astúrias, Espanha.

CERVAS

O CERVAS — Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens — faz saber da lista de animais que actualmente tem em tratamento nas suas instalações, e para os quais pede padrinhos. São eles:
(Contribuição mínima de 15€ por animal)
  • Mocho-galego (Athene noctua)
  • Coruja-do-mato (Strix aluco)
  • Peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus)
  • Milhafre-preto (Milvus migrans)
  • Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo)
  • Cegonha-branca (Ciconia ciconia)
  • Águia-calçada (Hieraaetus pennatus)
  • Açor (Accipiter gentilis)
  • Tartaranhão-caçador (Circus pygargus)
  • Tartaranhão-ruivo-dos-pauis (Circus aeruginosus)
  • Garça-real (Ardea cinerea)
(Contribuição mínima de 20€ por animal)
  • Águia-cobreira (Circaetus gallicus)
  • Grifo (Gyps fulvus)
  • Abutre-preto (Aegypius monachus)
Consulte o texto da campanha de apadrinhamento. Para mais informações contacte o CERVAS pelo email cervas.pnse@gmail.com.

No próximo dia 13 de Dezembro em Malpica do Tejo (Castelo Branco) o CERVAS vai libertar três grifos. Caso queira estar presente, informe o CERVAS, por razões logísticas.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Dia Internacional das Montanhas

É hoje, 11 de Dezembro.

Navegando por sites como o da Red Montanas, o da Mountain Wilderness e tantos outros, ficamos a saber o que vai por essa Europa fora de oposição e contestação à degradação artificializante dos ambientes de montanha, nomeadamente a perpetrada pela instalação de novas estâncias de esqui e pela ampliação de outras já existentes.

O que torna as coisas surrealistas, aqui em Portugal, é que nós não temos condições para a prática do esqui, mas mesmo assim pretende-se desenvolver o turismo baseado nesse produto! Ou seja, nunca teremos as vantagens da indústria do esqui, porque não temos neve, mas já temos (e teremos mais ainda se este rumo continuar) todos os seus prejuízos.

Entendamo-nos, admito que às vezes se pode esquiar na Serra da Estrela. Muito raramente, a qualidade da neve até é aceitável. Mas as pistas são curtas e não é razoável ampliá-las pois essa ampliação só se pode fazer para cotas inferiores, ocupando vales protegidos do vento, locais com temperaturas mais elevadas, com menos neve natural, alguns dos quais banhados pelo sol do meio dia, onde será impossível manter neve em estado esquiável, mesmo que se consiga fabricá-la. Digo isto independentemente de quaisquer considerações sobre o aquecimento global. A Serra não tem condições para a prática regular e satisfatória de esqui. E nunca as teve (embora já tenham sido menos más que agora).

Mas enquanto não for totalmente arruinada por esta política de ilusões provincianas e novo-ricas, que pretende "desenvolvê-la" tornando-a (assim se afirma, sem pingo de sentido do rídiculo, numa página da Câmara Municipal da Covilhã) uma alternativa aos Alpes e Pirinéus (como se isso fosse fazível, como se isso fosse razoável, como se isso fosse, até, desejável), a Serra tem óptimas condições para outras práticas, que atraem milhares de turistas a outras montanhas da Europa (e também de Portugal, como o Gerês), em todas as épocas do ano, com neve e sem neve.

Aproveitemos este Dia Internacional das Montanhas para pensar, realisticamente, no que queremos para a Serra e no que dela podemos aproveitar. Mais do que uma vez ouvi pessoas elogiarem uma obra (a construção de um parque eólico ou de uma barragem, por exemplo) porque, enquanto duram os trabalhos, há movimento, operários que animam o comércio, etc. Tomemos consciência de que esses balões de oxigénio são sol de pouca dura. Se é a isso apenas que podemos aspirar, valerá a pena?

Se da serra pouco queremos, pouco levamos. Como sempre, desde sempre. Estaremos mesmo no rumo certo? Estaremos mesmo de parabéns?

sábado, dezembro 08, 2007

Dois aninhos

O Cântaro Zangado faz hoje dois anos!

Dois anos a tentar mostrar uma outra opinião pública, que existe (mesmo que seja, admito sem o saber, minoritária) mas que não tem conseguido ser tão visível como a dos que defendem para a Serra mais betão, asfalto e ferragens. Uma opinião segundo a qual, se tem havido protecção da natureza na Serra da Estrela, tem sido a menos, não a mais.

Como há dois anos, a ver o que dá...

Siga as links para o primeiro post do Cântaro Zangado e para o post comemorativo do primeiro aniversário.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Respeito e responsabilidade

Escalando nas falésias selvagens do Douro Internacional. (Fotografia do rppd.)

Eis o cuidado que os amigos do Rocha Podre e Pedra Dura demonstram quando escalam em zonas selvagens, por exemplo, nas falésias do Douro Internacional

[...] um local também sensível, com uma ecologia única que convêm preservar. Mais uma vez, ali está a época de nidificação de aves que se deve respeitar (não escalando, de Janeiro a Agosto) [...]

Note-se que não há nenhuma lei ou organismo que proíba a escalada na altura referida. São os próprios que escolhem não o fazer, porque respeitam o ambiente onde praticam a sua modalidade favorita e porque assumem as suas responsabilidades na protecção desse ambiente.

Não pretendo generalizar, sei bem que há muitos escaladores que não se pautam por estes níveis de exigência. E também sei que há caçadores, praticantes de todo-o-terreno, piqueniqueiros, BTTistas, esquiadores, etc, igualmente conscienciosos. Os bons exemplos existem, em todas as modalidades (mas, tenho que dizer, numas mais do que noutras). E é porque existem bons exemplos, que os maus exemplos, que também os há em todas as modalidades, são tão desprezíveis. Em que categoria nos preferimos classificar?

Mas (deixem-me agora puxar a brasa à minha sardinha montanheira) há um aspecto das actividades do pessoal do rppd que quero realçar. É que se vê a montanha como um palco para a auto-superação. Em vez de se "ajeitar" a montanha, facilitando o acesso a ela com estradas, telecabines, restaurantes, bares e hotéis, diminuindo-a assim às nossas limitadas forças e aspirações, tenta-se crescer e ultrapassar essas limitações, até se estar à altura dos desafios que uma montanha a sério nos coloca.
Quem da Serra pouco quer, pouco leva; por isso, quem à Serra quer chegar rápida e comodamente, nada chega verdadeiramente a ver ou a gozar. Não viveu a serra mais do que se tivesse ficado em casa pasmado num documentário televisivo. Era disto, suponho, que Miguel Torga falava quando disse

"A Estrela, essa, guarda secretamente os ímpetos, reflectindo-se ensimesmada e discreta no espelho das suas lagoas. Somente a quem a passeia, a quem a namora duma paixão presente e esforçada, abre o coração e os tesouros. Então, numa generosidade milionária, mostra tudo".

quinta-feira, dezembro 06, 2007

quarta-feira, dezembro 05, 2007

terça-feira, dezembro 04, 2007

sábado, dezembro 01, 2007

O rumo certo, o do costume

O Máfia da Cova, citando uma notícia publicada pel'O Interior desta semana, informa-nos da recente inauguração da nova sede da Federação Portuguesa de Esqui, um evento que contou com a presença de Laurentino Dias, secretário de Estado da Juventude e do Desporto e de Carlos Pinto, presidente da Câmara Municipal da Covilhã.

Pode ler-se na notícia que a "ocasião foi aproveitada por Carlos Pinto para voltar a falar do projecto da criação de uma zona de jogo na Serra da Estrela em complemento aos desportos de Inverno", pois o "edil defendeu que esta seria a «forma de oferecer lazer associado à neve, financiar todos estes projectos e torná-los realidade [...]»"

Mais uma vez, aparece reforçada e apoiada por todos a tese de que o futuro do turismo na Serra da Estrela passa pela neve, apenas pela neve.

No Gerês há várias empresas (competindo umas com as outras) oferecendo turismo de natureza, passeios a pé, a cavalo, BTT, canoagem, escalada. Há turistas todo o ano, com estadias de dias e semanas. Em certas alturas, é preciso organizar com antecedência certas actividades (passeios a cavalo, por exemplo), tamanha é a procura. Aqui, temos a Turistrela e a neve (esta cada vez menos), e os milhares de visitantes que, em certos Sábados e Domingos, passam metade do dia, atascados no trânsito, tentando chegar com os seus carros à Torre e a outra metade, no trânsito atascados, tentando de lá sair, no regresso a suas casas. Nas poucas horas que permanecem na serra, deixam toneladas de lixo que escorrem encosta abaixo, entopem linhas de água, enojam e envergonham quem visita a serra com olhos para a ver. E mantemos e ampliamos continuamente uma deprimente estânciazinha de esqui onde a neve (quando a há) não presta, porque derrete durante a tarde e congela durante a noite, sendo vidro grosso de manhãzinha e papa molhada ao meio dia.

E, no entanto, é nisto que continuamos. Há pelo menos quarenta anos que se afirma que devemos desenvolver o turismo de neve. Que podemos concorrer com as estâncias dos Pirinéus e dos Alpes. Que é preciso mais animação para a animação da neve.

Continuamos no rumo certo, continuamos de parabéns. Como sempre. Como se vê. Viva nós!

E as perspectivas para o futuro, neste actual panorama de alterações climáticas? Recordo que ainda no ano passado, Turistrela e Região de Turismo afirmaram, que não, que o aquecimento global não se faria sentir aqui, que de dez em dez anos vem um ano mau, e que há agora tecnologia para fabricar neve mesmo com altas temperaturas.
Noto que parece ter havido uma evolução. O Secretário de Estado afirmou que com as "condicionantes que Portugal apresenta para a prática desta modalidade, [...] será óptimo se conseguirmos criar condições para que possam ter aqui uma fase de adaptação e habituação de treino. Uma coisinha modesta, portanto, à medida das nossas condicionantes. Uma coisinha modesta mas que, decerto, "será um factor de ajuda ao desenvolvimento desta região". Será assim, depreendo, um factor modesto, mas adiante.
O presidente da Federação Portuguesa de Esqui vai mais longe: mesmo que a neve deixe de cair na serra, "há pistas artificiais e sintéticas que permitem sempre a prática do esqui". A prática de modalidades de neve, mas sem neve! Bravo! Ah, estamos no rumo certo, estamos de parabéns. Como sempre, desde sempre!

Adenda posterior: Note-se que nada tenho, a priori, contra pistas de esqui com piso sintético, com neve produzida artificialmente, indoor, etc. Aliás, elas apresentam uma grande vantagem relativamente às pistas de ar livre: são tão viáveis no alto da Serra como em qualquer outro lugar. (Falou-se até na construção de uma em Oeiras!) Assim, se a Federação Portuguesa de Esqui quiser conquistar apoios para a construção de uma pista artificial, ou com neve artificialmente produzida, na Covilhã, em Manteigas, Seia, Gouveia, Fundão, Castelo Branco ou Beja, cá por mim, óptimo! O que me incomoda é que se continue a apostar cada vez mais na artificialização desta maravilhosa área protegida que é a serra da Estrela e cada vez menos num aproveitamento a sério das suas verdadeiras potencialidades.

segunda-feira, novembro 26, 2007

"Eles estão doidos!"

António Barreto deixou no Público de ontem, na sua habitual crónica de Domingo, um texto de revolta contra as leis e regulamentos que, permitindo a alimentação de plástico e a higiene de plástico da fast-food e dos hipermercados, cada vez mais condiciona ("para nosso bem, pois claro", ironiza) os produtos tradicionais e as formas tradicionais de os produzir e distribuir. Copiei-lhe o título.

Pelo que tenho ouvido a produtores artesanais aqui da Serra da Estrela, não podia estar mais de acordo com ele. Aliás, as coisas estão de tal maneira que duvido muito que um queijo de ovelha da Serra da Estrela, produzido no rigoroso cumprimento de todas as inúmeras regrazinhas que agora regulam a manufactura e distribuição dos produtos alimentares, saiba a queijo da serra. Isto, admitindo que haja alguém, em toda a volta da Serra, que tenha instalações que cumpram todos aqueles requisitos. Ou muito me engano, ou um queijo produzido como "manda a lei" não é um queijo produzido com métodos tradicionais, não é um queijo tradicional.

Para mal dos nossos pecados, não bastava o zelo com que, neste domínio, se inventam as leis mais insanas e aberrantes (insanas e aberrantes, sim; basta pensar na que proíbe os galheteiros de azeite nos restaurantes!), criou-se para as aplicar a polícia (a ASAE) que mais entusiasmo tem demonstrado no cumprimento da sua missão!

Os assinantes do Público podem ler o artigo aqui. Os restantes podem encontrar alguns excertos no Saúde Ambiental.

sexta-feira, novembro 23, 2007

terça-feira, novembro 20, 2007

A propósito do esgoto da Torre

Temo-nos queixado da existência de esgotos a céu aberto perto da Torre. É claro que se trata de uma situação lamentável. Mas porque é que esta vergonha acontece? Porque se tentou fazer um aproveitamento (igualmente vergonhoso, vejam-se alguns posts do Estrela no seu melhor) de um edifício da inútil (e, por isso, efémera) base da Força Aérea na Torre, como centro comercial. Um centro comercial no ponto mais alto de Portugal Continental! Ah, suprema parolice!

Quando os militares ganharam, vai já para mais de trinta e tal anos, a lucidez para reconhecer que aquilo não lhes servia para nada e por isso encerraram as instalações, devia-se ter tentado desfazer o que, se tivesse havido pontinha de juízo, nunca teria sido feito. Ou seja, aqueles horrorosos edifícios deviam ter vindo abaixo. Em vez disso, não. "Requalifica-se" e reaproveita-se, insiste-se na estupidez. Como resultado, ganhamos um patético supermercado de fancaria, um montão de encargos com as necessárias infraestruturas e, está-se a ver há já um ano, um rio de m**** monte abaixo. Quem é que pagou aqueles encargos, quem é que, por isso mesmo, apanha agora as culpas? O Parque Natural da Serra da Estrela, logo o organismo que não se percebe o que tem a ganhar com a existência do shopping da Torre!

Qualquer reaproveitamento dos edifícios existentes na Torre implica impactos ambientais, logo, enormes encargos. Todas as infraestruturas têm que ser construídas de raiz. Quer seja o PNSE a assumir esses encargos quer não, a realidade que vivemos agora mostra que não há garantias de que os sistemas venham a funcionar correctamente no futuro. A eventual (mas já proposta) instalação de hotéis ou restaurantes naqueles edifícios vai aumentar em muito a pressão sobre os esgotos, obrigando a mais obras. A preocupação com a viabilidade destes eventuais empreendimentos vai tornar ainda mais difícil a necessária e urgente ordenação (ou seja, limitação) do trânsito rodoviário.

Caramba, que vantagens há para a região no aproveitamento daqueles mamarrachos?!

O Estrela no seu melhor apresenta hoje uma link para uma reportagem que a SIC fez sobre o assunto do esgoto a céu aberto, onde apareço a fazer um breve comentário à situação.

segunda-feira, novembro 19, 2007

Porquê?

Vale do Rossim, fotografado dia 17 de Novembro. (Foto retirada do Lagoas da Estrela)
O Lagoas da Estrela refere num post recente uma situação que também tenho notado, a da falta de água nalgumas barragens da Serra, nomeadamente as sob a administração da EDP. Não sei se terão sido definidos limites mínimos para o volume de água armazenado em cada albufeira ou se esses limites, a terem sido definidos, estarão a ser respeitados. Diria que não parece. E já não é o primeiro ano que noto esta situação.
Mas lá que é uma tristeza, isso é.

sexta-feira, novembro 16, 2007

Bom fim de semana

Sobre o esgoto da Torre,

Deixei no Estrela no seu melhor o seguinte comentário (editei-o agora ligeiramente)
Se eu quiser abrir um centro comercial na Covilhã, alguma instituição pública se oferece para pagar as infraestruturas que a lei me exige?
O que acho mais lamentável nesta história (para além do facto em si, evidentemente) é ver o PNSE pagar a construção de infraestruturas que a lei exige aos promotores. Será que o PNSE é um promotor dos centros comerciais da Torre? Será que vê algum interesse ambiental na sua existência? Não vendo que interesse possa ser esse, acho que quem devia ter pago esta dita "ETAR", eram os comerciantes, a Turistrela, a RTSE, as Câmaras e/ou quem mais considerasse indispensável a existência do centro comercial na Torre. Assim, quem acaba com a batata quente na mão é o organismo que menos vantagens tem a colher com tudo isto, pior: o organismo cuja missão mais dificultada fica pela existência do dito centro comercial, com tudo o que essa existência acarreta (acessos, multidões, lixos, etc)!
Mais do que vontade de o criticar, sinto pena do PNSE, por se ter posto na posição em que está. E pena do ambiente da Serra por ver quem o devia defender, que é o PNSE, a apoiar quem mais o agride, que é o modelo de turismo rasca e massificado em que temos apostado.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Oh Lord, won't you buy me a BMW

Foto tirada na segunda feira, dia 12, na zona da Mina do Morgadinho, atrás da Pedra da Mesa, um mês depois de um evento publicitário da BMW promovido pelo Clube Escape Livre (da Guarda) que, por outras razões, comentei aqui.

Requalificar, requalificar sempre!

Fotografia retirada de Estrela no seu melhor

Já dei alguns exemplos de como quando se faz alguma coisa na Serra se faz sempre, aparentemente, o pior possível. Agora é (outra vez) o Covão d'Ametade.

Alguém entendeu necessário "requalificar" o Covão d'Ametade. Apareceu dinheiro, construiram-se uns foleiros assadores que, por acaso, até nem podem ser usados no Verão, que é quando há quem esteja disposto a fazer assados ao ar livre naquele lugar. Sobre isso, já muita tinta correu.

Mas o projecto de requalificação é mais ambicioso e envolve também a substituição da antiga ponte sobre o Zêzere. Neste aspecto em particular concordo com os promotores deste projecto, pois a ponte antiga estava a cair de podre, literalmente. Mas as concordâncias acabam aí. O bom gosto dos que escolheram os altares dos grelhados está a manifestar-se também na ponte que estão a erguer. O Estrela no seu melhor mostra hoje todos os detalhes.

O exemplo (mais um) de como as coisas parecem fazer-se aqui sempre do pior modo possível é que a localização da nova ponte, não sendo a mesma que a da antiga (porquê?), obrigou ao abate de uma bétula. Inevitável? Pois sim!

Sobre este projecto de requalificação, sei que ele prevê (mesmo que nunca se consiga verba para tal — Oxalá!) a iluminação nocturna do espaço, a sua vedação, obras nos edifícios do bar e dos lavabos e a instalação de um painel publicitário. Talvez devessemos pensar nalguma forma de mostrar à Câmara Municipal de Manteigas, à Junta de Freguesia de S. Pedro e ao Parque Natural da Serra da Estrela a nossa discordância com o projecto.
O Covão d'Ametade transformado num camping da Caparica? Não, obrigado!

terça-feira, novembro 13, 2007

Mais amigos

(Clique para aumentar)
Li no Jornal do Fundão da semana passada que a Associação de Desenvolvimento Local ADETEIXO (Teixoso) promoveu uma acção de recolha de bolotas e vai proceder à sua sementeira para plantação no próximo ano.
Óptimo!

sexta-feira, novembro 09, 2007

Bom fim de semana

Os "constrangimentos ambientais"

1. De como os estatutos de protecção do Parque Natural da Serra da Estrela parecem não impedir muitos actividades ou empreendimentos

No interior do Parque Natural da Serra da Estrela pode-se caçar: há cerca de trinta zonas de caça municipal ou associativa, legais ou em processo de legalização, que penetram no território do parque. Mesmo assim, por não ser suficiente o policiamento (e alguma vez o será?) tem havido notícias de caça (completamente ilegal) fora dessas zonas, em áreas oficialmente mais "protegidas".

Quando há neve (coisa cada vez menos frequente), pode-se praticar esqui de pista, com tudo o que isso acarreta: parques de estacionamento, longas bichas de carros, cafés e restaurantes, musiquinha ambiente, etc, etc, etc. O governo até dá uma ajuda com programas de apoio ao investimento, apesar de ser muito duvidosa, a médio prazo, a viabilidade económica da exploração da estância esqui, dadas as alterações climáticas com que nos enfrentamos.

São permitidas concentrações de dezenas de milhares de visitantes (com os seus automóveis) no coração da área protegida, em certos fins de semana de neve. Como resultado destes ajuntamentos, ficam todos os Invernos espalhadas na zona da Torre toneladas de lixo. O que parece não ser possível é a limitação (por tímida que seja) do tráfego na estrada da Torre. Pelo menos (assim se diz) enquanto não se construirem túneis sob a serra, IPs com perfil de autoestrada em redor da serra e/ou telecabines que permitam aos turistas chegar à Torre (como se não se pudesse chegar à Torre a pé, que é como se chega ao cume de outras montanhas comparáveis).

Podem construir-se hotéis, condomínios e urbanizações em "núcleos de recreio" e nalguns desses núcleos (nas Penhas da Saúde, mais concretamente) pode construir-se não importa o quê. Aparentemente, tratando-se oficialmente de um "núcleo urbano", os serviços do PNSE têm aí uma autoridade muito diminuída. São até publicitados projectos de construção fora desses núcleos de recreio, veja-se o plano de abertura de um spa nos Piornos ou o da construção de um aparthotel na Varanda dos Carqueijais.

Podem organizar-se passagens da volta a Portugal em bicicleta, rampas automobilísticas e raids todo-o-terreno (estes últimos incluindo até trechos fora de caminhos), sem contrapartidas ao parque, sem se darem reuniões preparatórias com o parque, sem sequer se contactar o parque (não que este incrível absurdo se verifique sempre, atenção).

Podem construir-se assadores para piqueniques mesmo sabendo-se que é proibido fazer fogo em zonas de floresta durante o Verão (que é quando apetece fazer piqueniques ao ar livre na serra da Estrela).

Têm-se construído barragens no interior do parque, e está uma nova obra na calha, já com a avaliação ambiental aprovada, na ribeira das Cortes, para alimentação da rede da cidade da Covilhã.

As muitas estradas asfaltadas já existentes, antigas e recentes, ainda não são consideradas suficientes. Decorrem estudos para a estrada Verde (entre a Guarda e o Maciço Central), continuam os planos para tentar terminar a pavimentação da estrada Unhais da Serra - Nave de Sto António.

2. De como os serviços do PNSE até têm colaborado com as "forças vivas"

Na Torre e na Lagoa Comprida havia mercados de ar livre para venda de recordações e fancaria, até ao início dos anos noventa (se não estou em erro). Foram necessárias obras em edifícios da antiga base da Força Aérea e perto da Lagoa Comprida, quando se resolveu "ordenar" a prática do comércio, instalando os comerciantes nesses edifícios beneficiados. Quem pagou não foi a Região de Turismo, não foram as câmaras municipais, não foi a Turistrela, não foram os comerciantes. Quem pagou foi o Parque Natural da Serra da Estrela. No entanto, os comerciantes que agora operam no centro comercial da Torre e nas lojas da Lagoa Comprida pagam renda, não a quem financiou a melhoria das instalações, mas sim à Turistrela!

As novas instalações, sendo utilizadas por muitos visitantes, precisam de infraestruturas, como esgotos. Quem pagou essas infraestruturas? O PNSE, mais uma vez. A coisa está a trabalhar mal, corre a porcaria pela serra abaixo. A quem se aponta o dedo? Ao PNSE. Acho paradoxal, de certa forma. Mas é assim que as coisas são.

O lixo depositado nos contentores situados no maciço central é (ou era, até há muito pouco tempo) recolhido por funcionários do PNSE, e não pelos serviços municipalizados (ou pelas empresas que os substituiram) dos concelhos relevantes. O PNSE tem até um camião (pelo menos um) apropriado para o efeito.

O esforço mais sério e consequente para o desenvolvimento de um verdadeiro turismo de montanha na serra da Estrela foi efectuado por quem? Não foi a Turistrela, nem a Região de Turismo, nem as Câmaras Municipais. Foi (mais uma vez) o PNSE, quando definiu, marcou e documentou a rede de trilhos pedestres da serra da Estrela.

3. Em conclusão

Em resumo, parece não haver muitos constrangimentos ambientais a vigorar na serra da Estrela. Mais ainda, o PNSE tem repetidas vezes colaborado com outras entidades com intervenção na serra da Estrela (Região de Turismo, Turistrela, câmaras municipais), assumindo encargos e obrigações que não decorrem directamente da missão para que foi criado, assumindo encargos e obrigações que pertencem claramente a essas outras entidades. Como se não chegasse, rendas de que o PNSE deveria ser credor por pagarem a utilização de instalações por ele beneficiadas ou serviços por ele prestados, são desviadas para terceiros sem que se entenda porquê. Quando alguma coisa corre mal nesses serviços que o PNSE presta (e alguns deles, quanto a mim, o PNSE não deveria prestar) cai o Carmo e a Trindade, que aqui del Rey, o PNSE não está à altura das suas "obrigações".

Face a tudo isto, queixinhas sobre os constrangimentos ambientais decorrentes dos estatutos de protecção da Serra da Estrela ou sobre os bloqueios ao desenvolvimento impostos pelos técnicos do PNSE, vindas (ainda por cima!) de quem costumam vir... Só podem estar a gozar, não?

quinta-feira, novembro 08, 2007

quarta-feira, novembro 07, 2007

E dura, e dura, e dura...

A mais alta cloaca de Portugal. Fotografia tirada do Estrela no seu melhor.
A mais alta cloaca continua bem e parece que se recomenda. Ver tudo no Estrela no seu melhor.

Mostruário de invasoras

Este é um aspecto do parque de estacionamento da Floresta, na Covilhã. À esquerda, verde escuras, as mimosas, vindas da Austrália. À direita, já com cores de Outono, as espanta-lobos, da China. Atrás do fotógrafo há uma mata (!) de eucaliptos, da Austrália também.
Apesar da grande profusão de mimosas, esta zona é, ainda assim, um local muito aprazível. Meta-se pelo circuito de manutenção acima, especialmente nesta altura do ano, e verá.

Reduzido?!

Fotografia tirada hoje às 8:15, no Parque da Floresta, Covilhã
Aparentemente, alguém se tem esquecido de manter actualizada a informação fornecida por este painel. Acontece.

(A bem dizer, também não é que faça assim muita, muita, diferença, pois não?)

terça-feira, novembro 06, 2007

De Carro Não

 
 
De carro não vamos com certeza ter o prazer de observar estas maravilhas da Natureza
Posted by Picasa

domingo, novembro 04, 2007

sexta-feira, novembro 02, 2007

Directamente do IPCC

Winter tourism in mountain regions is anticipated to face reduced snow cover.

(Página 544 do 4º relatório do IPCC, capítulo 12 [Europa], disponível aqui.)

O que vale é que a gente não está bem, bem, na Europa. Acho que aqui no Turistrelistão não teremos problemas, desde que haja um forte investimento do estado. Se levarmos por diante os grandes projectos âncora previstos, como as telecabines, a ampliação da estância de esqui, a "revolução" nas Penhas da Saúde, a gente vai lá.

Assim continuemos no rumo certo, assim continuemos de parabéns!

domingo, outubro 28, 2007

Ça ira!

No sábado à tarde, fui para a encosta sob os Poios Brancos semear bolotas, a cerca de 1500m de altitude. Deitei na terra três quilogramas, ou seja, qualquer coisa como trezentas bolotas (mais para mais do que isso do que para menos). Quando regressava ao carro, resolvi dar uma volta mais abaixo, para os lados da Lagoa Seca, ali perto. Qual não foi o meu espanto quando dei no chão com dezenas de carvalhos bebé como o que mostro na figura!

Parece-me que se trata de árvores semeadas no ano passado (não sei se em esforços enquadrados pelo programa Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela). No próximo Outono, veremos os resultados do que fizermos neste!

sexta-feira, outubro 26, 2007

Liberdade e responsabilidade?

O Pico, fotografado por Emmanuel Arand (imagem encontrada pelo Google)
Li no Público de ontem que
Os turistas que queiram escalar a montanha do Pico, o ponto mais alto de Portugal (2351 metros), localizado no arquipélago dos Açores, vão ser obrigados a utilizar uma pulseira de geolocalização, por motivos de segurança.

Mais do que as belas paisagens, mais do que a necessidade de aplacar qualquer vício de adrenalina, mais do que a satisfação de atingir objectivos que acreditava não estarem ao meu alcance, mais do que a tentativa de incorporar em mim a imagem cool do velho alpinista ou a do miúdo radical, aquilo que realmente me atrai no montanhismo (em todas as suas vertentes, desde a escalada ao esqui de randonné) é a possibilidade de ser verdadeiramente livre para decidir o que fazer e como fazer. Com essa liberdade vem uma grande responsabilidade, que não quero partilhar com ninguém que não esteja na aventura comigo, que não esteja preso na outra ponta da corda. Há a possibilidade de as coisas correrem mal? Claro. Às vezes as coisas podem correr mesmo muito mal. Às vezes tem-se a impressão de que se escapou por pouco. Mas são essas as regras do jogo, e são elas que tornam o jogo interessante.

Dito isto, é óbvio que tenho para mim que, se me ocorrer algum azar (que, quase sempre, resultam de erros de apreciação ou, pura e simplesmente, de disparates grosseiros), o único responsável sou eu. Claro que agradeço que me ajudem se chegarmos a tanto, mas não considero que isso seja obrigação de ninguém.

Os dirigentes da Secretaria Regional do Ambiente e do Mar, ao contrário, parecem achar são os responsáveis pela segurança de quem pretende subir até ao topo do Pico, porventura ainda mais do que os próprios. Por agora ficam-se com a exigência da pulseirinha, mas daí até regulamentarem (com os costumeiros requintes burocráticos, que com isto da segurança não se brinca) as condições em que alguém pode ser autorizado a tentar a ascenção, vai um passo muito pequenino. Não perceberam nada de nada, parece-me.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Tem mesmo que ser?

Os plátanos de Unhais da Serra (fotografia do A Sombra Verde).

Pelo A Sombra Verde fiquei a saber que parece ter-se decidido o corte de vinte e cinco plátanos na Vila de Unhais da Serra. Trata-se de plátanos de grandes dimensões, imponentes, majestosos, fantásticos.

Para alguém que nada conheça de Unhais e que por lá passe, constituem talvez o aspecto mais impressionante da vila (outros são a imensa mole do Terroeiro, subindo dali directamente para o planalto da Torre, ou o vale ameno e fértil da ribeira de Unhais). Mesmo que não se concorde com o que acabo de dizer, dificilmente se nega a evidência de que aqueles plátanos são efectivamente um (senão o) ex-libris de Unhais. Não se trata de uma questão menor, sobretudo sabendo-se que se está a desenvolver na vila um empreendimento turístico ambicioso, que pretende marcar pela qualidade, pela diferença, pela modernidade, pela ruptura com uma certa (e triste) tradição muito cá da serra.

Por estas e outras razões, o corte dos plátanos é, a meu ver, um enorme prejuízo para a vila. Pode ser um prejuízo necessário, para evitar males maiores. Mas só se compreenderá a decisão se forem explicadas as suas razões, se forem descritos os males maiores que se pretendem evitar. E, claro, se essas razões forem mesmo válidas, se esses males forem mesmo maiores. Ainda assim, o dia do corte será um dia muito triste para a vila de Unhais da Serra.

segunda-feira, outubro 22, 2007

20 de Outubro

200 participantes, com idades entre os 4 e os 88 anos; 8.000 carvalhos-negral jovens (dos quais três mil foram oferecidos pelo Parque Natural da Serra da Estrela) transportados para locais de difícil acesso por um helicóptero da Força Aérea; 7.000 efectivamente plantados (os mil restantes serão plantados brevemente); 5.000.000 sementes de bétula lançadas ao solo; jantar para todos no final do dia. Foi mais uma iniciativa integrada no programa "Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela", promovido pela Associação Amigos da Serra da Estrela (ASE). Por terem apoiado, patrocinado, participado ou, apenas, acarinhado, a ASE agradece às seguintes entidades: Força Aérea Portuguesa, Parque Natural da Serra da Estrela, Câmara Municipal de Manteigas, Conselho Directivo dos Baldios de São Pedro, Direcção Geral dos Recursos Florestais, Junta de Freguesia de São Pedro, Junta de Freguesia de Santa Maria, Federação dos Produtores Florestais de Portugal, Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada, Programa Gulbenkian Ambiente, Continente, Visão, Clube de Actividades Ar Livre, Clube de Montanhismo da Guarda, Associação Distrital dos Agricultores do Distrito da Guarda, Unicer Distribuição de Bebidas, SA, Silvapor – Agricultura e Silvicultura, Lda, CAULE – Associação Florestal da Beira Serra, Biosfera – Associação Florestal Caça e Pesca, ADRL / Cooperativa 3 Serras, Associação Florestal de Mortágua, Dão Flora Associação de Produtores Florestais de Penalva do Castelo, Piunus Verde, Associação de Produtores Florestais de Figueira de Castelo Rodrigo, Queiró – Associação para a Floresta, Caça e Pesca, Croflor, Associação de Produtores Florestais viva Fernão Joanes, Piscotávora – Associação de Produtores Florestais. O Cântaro Zangado quer ainda agradecer à ASE.

Veja aqui a notícia que a SIC fez desta autêntica festa.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Bom fim de semana

Não vejo esquilos desde o Outono do ano passado, mas alguém me contou que os tinha visto recentemente na zona do Pião. Boa!

Lagoas da Estrela

Novo blog sobre a Serra: Lagoas da Estrela.

Workshp CERVAS

O CERVAS (Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens do Parque Natural da Serra da Estrela) e a Associação ALDEIA realizam a quarta edição do Workshop Prático de Recuperação de Animais Silvestres em Gouveia e Seia, de 30 de Novembro a 2 de Dezembro.

A festa dos carvalhos!

No ano passado foi assim.

No dia vinte, ou seja, amanhã, está planeada uma grande jornada de plantação de árvores na Serra da Estrela, integrada no programa "Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela". O programa ganhou este ano novos apoios ou patrocínios, nomeadamente da Sonae Distribuição, do Programa Ambiente da Fundação Gulbenkian, da revista Visão e da Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente. Mantém-se o apoio da Força Aérea Portuguesa, que mais uma vez disponibilizou um helicóptero para transportar uma nova "fornada" de árvores (cerca de seis mil no total, da espécie Quercus Pyrenaica) para as vizinhanças dos locais a florestar.

Para além das que já referi, diversas entidades irão apoiar ou participar nesta iniciativa, das quais destaco o Parque Natural da Serra da Estrela, a Câmara Municipal de Manteigas, o Concelho Directivo dos Baldios de S. Pedro, a Direcção Geral dos Recursos Florestais, as Juntas de Freguesia de S. Pedro e de Sta. Maria, a Federação dos Produtores Florestais de Portugal, a Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada e muitas outras, entre clubes desportivos, associações locais de desenvolvimento, associações de produtores florestais e outros.

Esta actividade está aberta a todos os que quiserem participar, bastando para isso aparecer cerca das oito e trinta - nove horas no Covão d'Ametade, com ganas e roupa prática. Esta festa é nossa!

Ver aqui uma nota de imprensa sobre este evento.

quinta-feira, outubro 18, 2007

Protecção ambiental

Vi no Ondas que o governo espanhol rejeitou o projecto de construção do que seria o maior teleférico do mundo, entre a cidade de Granada e a estância de esqui da Sierra Nevada. Esta estrutura iria atravessar o Parque Natural e passaria nos limites do Parque Nacional da Sierra Nevada.

Quero realçar alguns excertos da notícia (traduzidos por mim, "à pressão", do castelhano):

  • A actuação projectada resulta incompatível com o sucesso dos objectivos do Parque Nacional. Trata-se de uma proposta de interesse privado, não responde a uma aspiração social, e não contribui para minorar as tensões ambientais da zona.
  • Existem suficientes incertezas e riscos económicos a médio prazo para pôr em dúvida a coerência de um empreendimento com estas características, com os riscos ambientais e o impacto territorial que acarreta
  • O Ministério do Ambiente adverte de que um Parque Natural "trascende os limites do espaço, projectando-se sobre o seu espaço imediato", tal como traduz o Plano Director da Red de Parques Nacionales, em referência à vizinhança do traçado previsto pelo teleférico.

A estância de Sierra Nevada é uma estância "a sério" (veja-se a lista das pistas ou a dos meios mecânicos instalados, só para se ter uma ideia), sem comparação possível com a nossa instalaçãozinha aqui da Torre. Está situada a uma altitude muito superior, e a sua viabilidade é muito menos incerta que a da nossa. O papel que desempenha na economia da região é significativo. Os interesses económicos instalados em Granada são infinitamente mais poderosos e influentes que as "forças vivaças" que se movem aqui pela nossa serrinha. Mesmo assim, foram contrariados.

Se verdadeiramente queremos proteger o ambiente, não basta criar no papel áreas protegidas. É preciso, depois, protegê-las. Os espanhóis dão sinais de já o ter percebido.

terça-feira, outubro 16, 2007

Vrrum, vrumm, o respeito pelo ambiente em marcha!

De acordo com o Plano Sectorial da Rede Natura 2000 para o sítio Serra da Estrela, na parte relativa às Orientações de Gestão, mais especificamente na que refere "Outros usos e actividades", mais especificamente ainda na página 15, pode ler-se que uma dessas Orientações de Gestão é "Interditar a circulação de viaturas fora dos caminhos estabelecidos".
Parece razoável, ou seja, quase que nem é preciso ler isso num documento oficial para se perceber que andar com carros sobre a vegetação é coisa que não é ambientalmente muito correcta, ainda mais se se tratar da vegetação de uma área protegida.

Vejam-se agora as fotografias abaixo, tiradas num evento organizado na Serra da Estrela pelo Clube Escape Livre (da Guarda) este fim de semana (imagens retiradas do site do clube).

Depois do escalavrado que ficou o terreno, está-se mesmo a ver que a Turistrela terá que o regularizar (outra vez!) com tractores e buldozers, de forma a que nele se possa esquiar quando começar a época (se começar a época, deveria antes dizer). Achamos bem?
Imaginemos que aceitamos o argumento de que esta iniciativa não teve importância, porque as pistas de esqui já estão tão degradadas que pouco importa o que nelas fazemos. Agora imaginemos um vulgar dono de jipe, que goste de passeios todo o terreno (nada de mal até aqui). Entusiasmado com o que vê nestas apelativas imagens, como o poderemos convencer a não tentar fazer o mesmo na Nave de Santo António ou noutras paragens da Serra? Continuamos a achar bem?
Com tantas e tão entusiasmantes picadas e cortafogos por essa serra fora (como mostram outras fotos deste evento), que necessidade havia disto?

Continuamos a achar que não há, neste particular item do programa desta realização (que me parece mais publicitária que estrictamente recreativa, diga-se de passagem, mas cada um é livre de se prestar ao que entender), nada, nadinha a criticar? E o Parque Natural da Serra da Estrela, também acha?

segunda-feira, outubro 15, 2007

Veja-se o que deu

Aqui está o meu viveiro. Além das duas cuvetes com bolotas de carvalho-negral e do vaso pequeno (branco) com sementes de bétula, semeados já nesta época e portanto ainda sem nada que se veja, mostro na figura seis carvalhos-alvarinho (dois por vaso) e um castanheiro que semeei no ano passado e que estão agora prontos para "desenformar". Das duas castanhas que semeei, houve uma que não pegou; das oito bolotas, duas ficaram pelo caminho.

A taxa de sucesso das bolotas semeadas em casa parece ser muito superior à das que se semeiam na Serra. Mesmo assim, falando por mim, não dou nada por perdidos o tempo e a energia que gastei a meter na terra uns poucos milhares de bolotas, mesmo que delas só peguem algumas centenas ou dezenas.

A ver o que dá

Bolotas de carvalho-negral semeadas numa das minhas recém chegadas, novinhas em folha e absolutamente fantásticas cuvetes.
Cobrir e deixar a apurar em lume muito, muito brando. Ir juntando água qb. Desenformar no próximo Outono.

sexta-feira, outubro 12, 2007

O Nobel da Paz para o ambiente

Prémio pela luta contra as alterações climáticas
Nobel da Paz para Al Gore e Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas

Pode haver muito a dizer a favor e contra Al Gore mas fico muito contente pela enorme distinção (e destaque) que este prémio deu às preocupação com as alterações climáticas.

quinta-feira, outubro 11, 2007

Uma sugestão

Numa organização conjunta da CP e da LPN, com o apoio do PNSE e das câmaras Municipais da Covilhã, da Guarda e de Manteigas. Toda a informação aqui.

E o transporte da bicicleta nos comboios regionais é gratuito!

A quem servir a carapuça...

Cartuchos vazios, fotografados perto do Alto dos Livros, Covilhã.

Já que têm mesmo que caçar no interior de uma área (que devia ser) protegida, podiam ao menos fazer o favor de não deixar ficar o vosso lixo? Obrigado.

Também aqui, apanhando a cumeada do Alto dos Livros, foi definida uma zona de caça, uns dois quilómetros a sudoeste da que referi aqui. Acho bem, não são convenientes espaços "por ordenar", pois não?

quarta-feira, outubro 10, 2007

Por falar em direitos adquiridos...

... E em protecção ambiental, vi no Ondas que
Na Inglaterra, uma enorme zona húmida costeira de Essex vai ser devolvida à natureza após quinhentos anos de utilização agrícola.
Imagem retirada do site da notícia, no Guardian-online.

Bem sei que esta é uma decisão muuuuuito mais simples do que, por exemplo, a de limitar o número de viaturas automóveis que tentam subir à Torre em certos fins de semana de Inverno, ou a de demolir horríveis monos em ruínas na Serra (que, aliás, nunca deveriam ter sido construídos). Ah, mas os ingleses têm sorte, ficaram com os problemas mais fáceis! (Ou isso, ou com a vontade de os resolver...)

terça-feira, outubro 09, 2007

Uma verdade evidente

Encontrei este vídeo no Menos um carro.
Esta evidente verdade, aqui ilustrada num contexto urbano, é relevante na discussão sobre os engarrafamentos que ocorrem no maciço central nalguns fins de semana de Inverno.
Podemos aumentar o número de estradas que permitem o acesso à serra, como por vezes ouvimos alguns autarcas e outros responsáveis sugerir. Isso só tornará a verdade ainda mais evidente, e o problema ainda mais grave.
Outra possibilidade é limitar o número de carros autorizados a subir ao alto da serra. Claro que se pode sempre adiar essa decisão esperando os túneis, as IP's, os teleféricos ou o regresso de D. Sebastião...

Como distinguir as bolotas de alguns carvalhos

Bolota de carvalho negral, ainda verde (imagem retirada d'A sombra verde).
A sombra verde dá-nos mais umas luzes sobre os carvalhos da nossa região e como os distinguir. Obrigado!

segunda-feira, outubro 08, 2007

Biodiversidade-Encontro Micológico

Este cogumelo que infelizmente não faço a pequena ideia que tipo é, faz parte da rica Biodiversidade que ainda existe na Serra da Estrela. Montanhas como a Serra da Estrela propiciam a existência de biodiversidade devido aos múltiplos ambientes que nela se podem encontrar. Características como a altitude, a orientação solar, a humidade, exposição aos ventos, tipo de solo etc podem ser dramaticamente diferentes mesmo em pequenas distancias, daí que tambem diferentes ecossistemas subsistam em cada um destes microambientes.
Volto a dizer que pouco percebo da biodiversidade micológica da Serra da Estrela. Sei que é rica e se como eu quiserem saber um pouco mais atentem neste encontro promovido pela URZE a realizar nos próximos dias 19 e 20 de Outubro em Gouveia.
Vamos lá ver se alguém depois me saberá dizer algo mais sobre o espécimen que apresento na fotografia!

sexta-feira, outubro 05, 2007

Bom fim de semana

Libertação de Fuinha (Martes foina)
Mangualde, 04 de Outubro de 2007

Na passada quinta-feira, dia 04 de Outubro de 2007, dia Mundial do Animal, foi libertada uma Fuinha (Martes foina) em Mangualde. A libertação foi precedida de uma palestra sobre generalidades dos mamíferos carnivoros de Portugal, que decorreu na Escola Secundária Felismina Alcântara (ESFA). A Fuinha ou Papalva, como é chamada em certas localidades, foi libertada no terreno das futuras instalações da Associação Grumapa. Este animal tinha sido recolhido muito debilitado pelos Bombeiros e encaminhado para o Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS), pelos elementos do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR. A tímida Fuinha foi baptizada de “Felismina” pelos alunos que assistiram à libertação e que desejaram dessa forma homenagear a sua escola. Esta libertação foi organizada em parceria com a Câmara Municipal de Mangualde e com a ESFA.
Qualquer animal selvagem que seja encontrado ferido ou debilitado deverá ser encaminhado para o CERVAS, estrutura pertencente ao Parque Natural da Serra da Estrela, situado em Gouveia, onde será imediatamente assistido e tratado por um veterinário da fauna selvagem.

quinta-feira, outubro 04, 2007

Nuances

Nos Açores, a preservação da paisagem é a chave para o sucesso.
É o que se afirma logo ao início de um longo artigo publicado hoje pela Visão sobre os Açores.

Aqui na Serra da Estrela, o que se tem feito e o que se planeia fazer, entre barragens, estradas nacionais (ditas Verdes ou com outros nomes), aldeias, aldeamentos ou minicidades (de montanha, claro), telecabines, ampliações da estância de esqui (chamemos assim aquilo), pistas de esqui artificial, reservas de caça, parques temáticos, funiculares, spas, centros de estágio desportivos, casino e mais um longo etc, tudo isto que se fez, se faz ou se planeia fazer é a chave para quê? Tem sido a chave de quê?

PS: Fiz uma espécie de comparação entre o turismo dos Açores e o da Serra da Estrela neste post.

quarta-feira, outubro 03, 2007

A primeira mão cheia do ano

Bolotas de carvalho negral, ainda não completamente maduras.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Dia Nacional da Água

Hoje, dia 1 de Outubro celebra-se o dia Nacional da Água embora não pareça! Uma breve pesquisa pelos sítios de internet institucionais do governo mostra zero referências a esta celebração. Segundo informações da Liga para a Protecção da Natureza (LPN), Portugal encontra-se em risco de não conseguir cumprir os objectivos definidos na Directiva-Quadro da Água. O desperdício de água na rede pública atinge ainda niveis preocupantes. No entanto, continua-se a investir na construção de represas e mais fontes de captação em vez de se apostar na melhoria do transporte da água, desde o local onde é captada até ao destino final.
As montanhas são captadores por excelência da água que circula na atmosfera. Na verdade, os cursos de água que delas originam abastecem metade da população mundial. No caso particular da Serra da Estrela, esta é responsável não só pelo "nascimento" do maior rio em território português como também de inúmeros outros de dimensão considerável. De relevância, temos também o rio Zêzere que é responsável pelo abastecimento de água de grande parte da população de Lisboa mas também de várias regiões da Beira como a própria Covilhã. Se não fosse por mais nada, aqui se veria a importância de mantermos as nossas montanhas despoluidas e protegidas. É fundamental proteger os cursos de água nas suas nascentes pois todo o dano que façamos aqui reflectir-se-á a jusante! A protecção das montanhas e das suas nascentes é por isso uma questão que nos deve preocupar a todos e que nos deve motivar a intervir para que se efective uma verdadeira protecção.
A existência de esgotos no alto da Serra, a perda de vegetação por incêndios, o intenso tráfego automóvel em altitude,ou o abandono de lixo são tudo realidades que não podem existir em zonas de montanha responsáveis pela geração dos cursos de água que nos sustentam. É preciso dizer basta, é preciso protegermos a água que bebemos! É preciso intervir sem esperar, como é nosso hábito, que outros o façam!

Para que servem todas estas limpezas?

Desde que o Cântaro Zangado começou, em Dezembro de 2005, já se organizaram, parece-me, sete operações de limpeza de lixo disperso na Serra da Estrela. Dessas sete, cinco (pelo menos) focaram-se na zona da Torre. Em cada uma destas operações foram recolhidas várias centenas de quilogramas de lixo.

Na semana passada, o CAAL e a ASE estiveram a limpar o Corredor do Inferno. Esta iniciativa foi talvez a que contou com mais participantes, tendo-se limitado à zona minúscula que assinalo na figura que ilustra este post. Recolheram-se duzentos sacos, encheu-se de lixo um camião e a caixa de uma carrinha pickup. Mesmo assim, e segundo me contou um participante, não foi possível limpar uma parte do corredor.

É óbvio que nem com uma operação por semana se consegue retirar todo o lixo deixado pelos turistas numa única época de Inverno. Ainda assim, estas operações são coisas boas, porque revelam a pouca vergonha em que a zona da Torre está transformada. E mostram a todos que não se pode ter sol na eira e chuva no nabal. As multidões de visitantes que Turistrela e Região de Turismo celebram (com números que são muito suspeitos, como mostrou no Inverno passado o responsável do maior grupo hoteleiro da região) e o lixo que fica na Torre são dois aspectos de uma mesma realidade. A um turismo cada vez mais massificado, corresponde, inevitavelmente, uma serra cada vez mais suja. Isto está certo? É isto que desejamos? É isto o desenvolvimento?

Estas iniciativas têm também mostrado um PNSE que, mesmo quando colabora, quase parece querer alhear-se delas. É pena.

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!