quinta-feira, outubro 11, 2007

Uma sugestão

Numa organização conjunta da CP e da LPN, com o apoio do PNSE e das câmaras Municipais da Covilhã, da Guarda e de Manteigas. Toda a informação aqui.

E o transporte da bicicleta nos comboios regionais é gratuito!

A quem servir a carapuça...

Cartuchos vazios, fotografados perto do Alto dos Livros, Covilhã.

Já que têm mesmo que caçar no interior de uma área (que devia ser) protegida, podiam ao menos fazer o favor de não deixar ficar o vosso lixo? Obrigado.

Também aqui, apanhando a cumeada do Alto dos Livros, foi definida uma zona de caça, uns dois quilómetros a sudoeste da que referi aqui. Acho bem, não são convenientes espaços "por ordenar", pois não?

quarta-feira, outubro 10, 2007

Por falar em direitos adquiridos...

... E em protecção ambiental, vi no Ondas que
Na Inglaterra, uma enorme zona húmida costeira de Essex vai ser devolvida à natureza após quinhentos anos de utilização agrícola.
Imagem retirada do site da notícia, no Guardian-online.

Bem sei que esta é uma decisão muuuuuito mais simples do que, por exemplo, a de limitar o número de viaturas automóveis que tentam subir à Torre em certos fins de semana de Inverno, ou a de demolir horríveis monos em ruínas na Serra (que, aliás, nunca deveriam ter sido construídos). Ah, mas os ingleses têm sorte, ficaram com os problemas mais fáceis! (Ou isso, ou com a vontade de os resolver...)

terça-feira, outubro 09, 2007

Uma verdade evidente

Encontrei este vídeo no Menos um carro.
Esta evidente verdade, aqui ilustrada num contexto urbano, é relevante na discussão sobre os engarrafamentos que ocorrem no maciço central nalguns fins de semana de Inverno.
Podemos aumentar o número de estradas que permitem o acesso à serra, como por vezes ouvimos alguns autarcas e outros responsáveis sugerir. Isso só tornará a verdade ainda mais evidente, e o problema ainda mais grave.
Outra possibilidade é limitar o número de carros autorizados a subir ao alto da serra. Claro que se pode sempre adiar essa decisão esperando os túneis, as IP's, os teleféricos ou o regresso de D. Sebastião...

Como distinguir as bolotas de alguns carvalhos

Bolota de carvalho negral, ainda verde (imagem retirada d'A sombra verde).
A sombra verde dá-nos mais umas luzes sobre os carvalhos da nossa região e como os distinguir. Obrigado!

segunda-feira, outubro 08, 2007

Biodiversidade-Encontro Micológico

Este cogumelo que infelizmente não faço a pequena ideia que tipo é, faz parte da rica Biodiversidade que ainda existe na Serra da Estrela. Montanhas como a Serra da Estrela propiciam a existência de biodiversidade devido aos múltiplos ambientes que nela se podem encontrar. Características como a altitude, a orientação solar, a humidade, exposição aos ventos, tipo de solo etc podem ser dramaticamente diferentes mesmo em pequenas distancias, daí que tambem diferentes ecossistemas subsistam em cada um destes microambientes.
Volto a dizer que pouco percebo da biodiversidade micológica da Serra da Estrela. Sei que é rica e se como eu quiserem saber um pouco mais atentem neste encontro promovido pela URZE a realizar nos próximos dias 19 e 20 de Outubro em Gouveia.
Vamos lá ver se alguém depois me saberá dizer algo mais sobre o espécimen que apresento na fotografia!

sexta-feira, outubro 05, 2007

Bom fim de semana

Libertação de Fuinha (Martes foina)
Mangualde, 04 de Outubro de 2007

Na passada quinta-feira, dia 04 de Outubro de 2007, dia Mundial do Animal, foi libertada uma Fuinha (Martes foina) em Mangualde. A libertação foi precedida de uma palestra sobre generalidades dos mamíferos carnivoros de Portugal, que decorreu na Escola Secundária Felismina Alcântara (ESFA). A Fuinha ou Papalva, como é chamada em certas localidades, foi libertada no terreno das futuras instalações da Associação Grumapa. Este animal tinha sido recolhido muito debilitado pelos Bombeiros e encaminhado para o Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS), pelos elementos do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR. A tímida Fuinha foi baptizada de “Felismina” pelos alunos que assistiram à libertação e que desejaram dessa forma homenagear a sua escola. Esta libertação foi organizada em parceria com a Câmara Municipal de Mangualde e com a ESFA.
Qualquer animal selvagem que seja encontrado ferido ou debilitado deverá ser encaminhado para o CERVAS, estrutura pertencente ao Parque Natural da Serra da Estrela, situado em Gouveia, onde será imediatamente assistido e tratado por um veterinário da fauna selvagem.

quinta-feira, outubro 04, 2007

Nuances

Nos Açores, a preservação da paisagem é a chave para o sucesso.
É o que se afirma logo ao início de um longo artigo publicado hoje pela Visão sobre os Açores.

Aqui na Serra da Estrela, o que se tem feito e o que se planeia fazer, entre barragens, estradas nacionais (ditas Verdes ou com outros nomes), aldeias, aldeamentos ou minicidades (de montanha, claro), telecabines, ampliações da estância de esqui (chamemos assim aquilo), pistas de esqui artificial, reservas de caça, parques temáticos, funiculares, spas, centros de estágio desportivos, casino e mais um longo etc, tudo isto que se fez, se faz ou se planeia fazer é a chave para quê? Tem sido a chave de quê?

PS: Fiz uma espécie de comparação entre o turismo dos Açores e o da Serra da Estrela neste post.

quarta-feira, outubro 03, 2007

A primeira mão cheia do ano

Bolotas de carvalho negral, ainda não completamente maduras.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Dia Nacional da Água

Hoje, dia 1 de Outubro celebra-se o dia Nacional da Água embora não pareça! Uma breve pesquisa pelos sítios de internet institucionais do governo mostra zero referências a esta celebração. Segundo informações da Liga para a Protecção da Natureza (LPN), Portugal encontra-se em risco de não conseguir cumprir os objectivos definidos na Directiva-Quadro da Água. O desperdício de água na rede pública atinge ainda niveis preocupantes. No entanto, continua-se a investir na construção de represas e mais fontes de captação em vez de se apostar na melhoria do transporte da água, desde o local onde é captada até ao destino final.
As montanhas são captadores por excelência da água que circula na atmosfera. Na verdade, os cursos de água que delas originam abastecem metade da população mundial. No caso particular da Serra da Estrela, esta é responsável não só pelo "nascimento" do maior rio em território português como também de inúmeros outros de dimensão considerável. De relevância, temos também o rio Zêzere que é responsável pelo abastecimento de água de grande parte da população de Lisboa mas também de várias regiões da Beira como a própria Covilhã. Se não fosse por mais nada, aqui se veria a importância de mantermos as nossas montanhas despoluidas e protegidas. É fundamental proteger os cursos de água nas suas nascentes pois todo o dano que façamos aqui reflectir-se-á a jusante! A protecção das montanhas e das suas nascentes é por isso uma questão que nos deve preocupar a todos e que nos deve motivar a intervir para que se efective uma verdadeira protecção.
A existência de esgotos no alto da Serra, a perda de vegetação por incêndios, o intenso tráfego automóvel em altitude,ou o abandono de lixo são tudo realidades que não podem existir em zonas de montanha responsáveis pela geração dos cursos de água que nos sustentam. É preciso dizer basta, é preciso protegermos a água que bebemos! É preciso intervir sem esperar, como é nosso hábito, que outros o façam!

Para que servem todas estas limpezas?

Desde que o Cântaro Zangado começou, em Dezembro de 2005, já se organizaram, parece-me, sete operações de limpeza de lixo disperso na Serra da Estrela. Dessas sete, cinco (pelo menos) focaram-se na zona da Torre. Em cada uma destas operações foram recolhidas várias centenas de quilogramas de lixo.

Na semana passada, o CAAL e a ASE estiveram a limpar o Corredor do Inferno. Esta iniciativa foi talvez a que contou com mais participantes, tendo-se limitado à zona minúscula que assinalo na figura que ilustra este post. Recolheram-se duzentos sacos, encheu-se de lixo um camião e a caixa de uma carrinha pickup. Mesmo assim, e segundo me contou um participante, não foi possível limpar uma parte do corredor.

É óbvio que nem com uma operação por semana se consegue retirar todo o lixo deixado pelos turistas numa única época de Inverno. Ainda assim, estas operações são coisas boas, porque revelam a pouca vergonha em que a zona da Torre está transformada. E mostram a todos que não se pode ter sol na eira e chuva no nabal. As multidões de visitantes que Turistrela e Região de Turismo celebram (com números que são muito suspeitos, como mostrou no Inverno passado o responsável do maior grupo hoteleiro da região) e o lixo que fica na Torre são dois aspectos de uma mesma realidade. A um turismo cada vez mais massificado, corresponde, inevitavelmente, uma serra cada vez mais suja. Isto está certo? É isto que desejamos? É isto o desenvolvimento?

Estas iniciativas têm também mostrado um PNSE que, mesmo quando colabora, quase parece querer alhear-se delas. É pena.

sexta-feira, setembro 28, 2007

"Segunda demolición por delito urbanístico"

Atente-se nesta notícia (soube dela pelo Ondas). Em resumo, o que se passa é que o construtor de um edifício ilegal construido em 1999 numa área protegida perto de Madrid foi agora condenado a multa, à demolição do edifício e à "inhabilitación especial para profesión y oficio ligada a las actividades de construcción durante un año, así como a condena de prisión de un año y medio".

Comentários

  • Em Espanha, desta vez pelo menos, o crime não compensou
  • Não houve tibiezas na condenação nem lugar para a demagogia do costume com que, por cá, se tenta fazer passar por utilidade pública aquilo que, na verdade, não passa de privadíssimos interesses, como "antes das florinhas estão as pessoas" (afirmação do Presidente da Câmara da Covilhã, a propósito de um caso com algumas semelhanças com o que agora motiva este post — Veja no Urbi@Orbi) ou banalidades abstractas como Não podemos sacrificar o desenvolvimento ao ambiente
  • Não basta resmungar no café ou nos blogues (mas por algum lado se há-de começar). Para levar este caso a tribunal, foi necessário que a Asociación para la Defensa del Valle del Lozoya y la Sierra de Madrid apresentasse uma queixa formal. É que o respeito pela lei e pelo ambiente não são um mar de rosas. Às vezes é "chato" impô-los. Mas não são ainda mais "chatos" os resultados do aparente vale tudo com que nós fingimos que governamos as nossas áreas protegidas? Esses resultados são, aqui na Serra da Estrela, o lixo no maciço central, o caos urbanístico nas Penhas da Saúde (que os projectos da Câmara Municipal da Covilhã prometem agravar), a degradação do mercantilismo rasca da zona da Torre, só para dar três exemplos.

quinta-feira, setembro 27, 2007

quarta-feira, setembro 26, 2007

De Olhos Nas Estradas

Um blog que pretende avaliar e documentar a mortalidade animal (especialmente de animais selvagens) nas estradas:

De Olhos Nas Estradas

A A.S.E. e o C.A.A.L. na RTP

O programa Portugal em Directo da RTP transmitiu uma peça sobre a operação de limpeza do Corredor do Inferno. Para ver, clique aqui. A parte relevante começa aos dois minutos e meio.

Ninguém sabe onde estão árvores oferecidas ao ICNB

Milhares de árvores que deveriam estar plantadas no Parque Natural da Serra Estrela, ao abrigo da campanha de "Plante 1 Árvore", promovida pela Sociedade de Águas da Serra da Estrela (SASEL), não estão no terreno.

Soube disto pelo Máfia da Cova.

terça-feira, setembro 25, 2007

Bons sinais

Hoje ao fim da tarde dei uma pequena corrida pela cumeada da colina da Covilhã, desde o posto de vigia ao Alto dos Livros e regresso. Aproveitei para ver se se notava algum vestígio das sementeiras de bolotas que fiz naquela zona. Encontrei cinco carvalhos bebé, como o que mostro acima!

Da recolha de bolotas e das sementeiras que fiz por minha conta (isto é, não explicitamente enquadradas no programa Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela) no ano passado, aprendi o seguinte:

  1. As bolotas não aguentam muito tempo. Têm que ser semeadas poucos dias depois de cairem do carvalho. Não guarde as bolotas por muito mais do que duas semanas. Se tiver que ser, guarde-as no frigorífico.
  2. Os carvalhos não são todos iguais. Os mais indicados para a sementeira na Serra da Estrela são os carvalhos-alvarinho até aos mil metros e os carvalhos-negral até aos 1700m. Nas cotas mais baixas da encosta sudoeste, são também adequados os sobreiros e as azinheiras. Os sobreiros e as azinheiras são árvores de folha perene, pelo que não são difíceis de distinguir dos restantes; os carvalhos alvarinho distinguem-se dos carvalhos negral principalmente pelo pêlo que estes apresentam nas faces inferiores das suas folhas. Há ainda o carvalho americano, espécie exótica já bem visível na Serra da Estrela. As folhas dos carvalhos americanos têm pontas bicudas (em vez do recortado arredondado dos carvalhos alvarinho e negral) e as suas bolotas são mais abarriladas. No ano passado, não sabia ainda distinguir estas árvores umas das outras, daí que tenha semeado carvalhos-alvarinho (como o da figura) a 1200m de altitude. O Sombra Verde tem um bom artigo sobre como distinguir os carvalhos uns dos outros.
  3. Poucas bolotas vingam. No meu caso, suponho que isso se pode ter ficado a dever a ter atrasado muito a sementeira ou ao facto de ter tentado semear a grandes altitudes espécies melhor adaptadas a cotas inferiores. Mas mesmo que, por muito cuidado que se tenha, não "pegue" mais do que uma bolota em cada vinte ou trinta, qual é o problema?
  4. Outras espécies autóctones da Serra da Estrela são o vidoeiro (ou bétula) e a tramazeira, árvores que aguentam bem a altitude. A tramazeira não sei se pega bem por sementeira (alguém me ajuda?) mas é fácil plantar ramadas com raiz recolhidas perto do tronco de um exemplar adulto. Estou agora a começar uma experiência de sementeira de bétulas em vasos, a ver o que dá.

Adenda

O José Veloso do CAAL fez-me chegar mais algumas imagens e informações sobre a limpeza do Corredor do Inferno do fim de semana passado. Para alem dos montanhistas envolvidos na limpeza do sector superior do corredor, outro grupo (cerca de cinquenta pessoas, os que não tiveram vontade de se meter pelo corredor acima) "entreteve-se" a recolher lixo no lado de baixo. Como não conseguiam fazer chegar os restos recolhidos até ao "elevador" montado perto do cimo do corredor, carregaram às costas tudo o que apanharam, pelo trilho que atravessa o Covão Cimeiro, até ao Covão d'Ametade. A imagem acima mostra uma porção do trilho, creio que ainda acima do Covão Cimeiro e parte do grupo, na descida, já carregados com os sacos.

O lixo recolhido por este grupo (que se acrescenta ao que mostrei no domingo) encheu a caixa de uma pickup da Junta de Freguesia de S. Pedro (Manteigas), como se mostra na foto abaixo.

Para além desta operação de limpeza, os participantes nesta iniciativa (em que se aproveitava para festejar o 22º aniversário do CAAL) passaram parte da tarde de sábado a recolher sementes de bétula, no Covão d'Ametade.

As palavras do próprio José Veloso:

[...] como não conseguimos retirar o lixo para a estrada, os heróicos homens, mulheres e crianças levaram os sacos, rodas completas do carro e até um para choques às costas pelo Covão Cimeiro até ao Covão d'Ametade. Com os trilhos quase impraticáveis, imagina o esforço dispendido! Mas no fim, antes da viagem para Lisboa, a alegria estava no rosto de todos e a certeza de que havemos de voltar era o clima geral.
Bem hajam!

Atenção: No próximo sábado, é a vez do Eco-Projecto da Serra da Estrela!

segunda-feira, setembro 24, 2007

Sábado 29, às 8:00, Covão d'Ametade — Eco projecto

"Vimos contactar-vos para dar a conhecer um projecto que está a nascer para a Serra da Estrela. O Eco Projecto Serra da Estrela é um projecto ecológico, como o próprio nome indica, que tem como objectivo principal, tornar algumas zonas do maciço central, mais limpas e mais agradáveis.
Este projecto não tem qualquer fim lucrativo e está a ser realizado em parceria com a Enerarea (Agencia Regional de Energia e Ambiente do Interior), com data programada para o dia 29 de Setembro, terá inicio pelas 8 horas da manha com a concentração no Covão d’Ametade. O objectivo principal deste projecto tem partida marcada para as 9 horas, com os participantes a iniciarem os percursos que os levaram por belas zonas da nossa Serra da Estrela, que no entanto continuam a ser “vandalizadas”. Durante o resto do dia, os caminhantes e amantes da Serra da Estrela tem a oportunidade de ajudar a manter limpa e saudável esta zona e ao mesmo tempo desfrutar das maravilhosas paisagens que esta nos oferece. Para acabar o dia propomos aos participantes que contribuam nos “Diálogos da Natureza – A Serra e o futuro”, de onde pretendemos retirar ideias para o futuro. Este ultimo ponto do programa tem como hora prevista as 16h30m e que se prolongara até ao encerro das actividades, que está programada para as 18 horas.
Convidamos todas as pessoas a participar, para mais informações podem consultar o blogue www.ecoprojecto.wordpress.com, através do correio electrónico ecoprojectoserradaestrela@gmail.com ou pelos seguintes números de telemóvel: 961261622,964430566 e 916396035.
Com os melhores cumprimentos,
Eco Projecto.
Nota:. A organização não se responsabiliza por qualquer acidente que ocorra durante o decorrer da actividade.
"

Preparemo-nos para a invasão!

A Região de Turismo da Serra da Estrela (RTSE) produziu uma tradução para castelhano do fantástico folheto "Serra da Estrela — Onde a natureza vive"! Recordo que esse folheto foi objecto de uma análise bem humorada (rir para não chorar) do Cova_Juliana do Estrela no seu melhor, que expunha a ridícula falta de profissionalismo (e de gosto) com que tinha sido feito.

Pois bem, de não prestar atenção ao que se diz não podemos acusar a RTSE. Nesta nova edição, foi feito um esforço para... Não direi corrigir mas, pelo menos, enfrentar algumas das críticas feitas à edição original, em português. Mas foi pior a emenda que o soneto!

Ande, comece bem a semana (rir para não chorar), vá ao Estrela no seu melhor ver como se esbanjam fundos (dos nossos impostos) a brincar aos criativos! Veja com os seus próprios olhos o que a RTSE considera uma promoção digna de um destino turístico de qualidade...

E prepararemo-nos para a chegada em massa dos nuestros ermones espanholes (possível tradução para castelhano da RTSE de nuestros hermanos españoles).

Árvores nas alturas

Este carvalho-negral encontra-se perto do pequeno túnel na estrada Piornos-Torre, no flanco do Espinhaço de Cão. A cerca de 1700m de altitude. A "minha" tramazeira zen está na mesma zona, mas uns cinquenta metros mais alto. A esta altitude, os carvalhos não desenvolvem um porte muito impressionante, como se vê. Mais acima ainda, que eu saiba, só o zimbro (de entre as espécies arbóreas) se dá.

Mais para baixo, muita área pode ser reflorestada, deixando ainda espaço mais que suficiente para actividades como a pastorícia e a agricultura. Vamos a isso?

domingo, setembro 23, 2007

A limpeza do Corredor do Inferno

Como disse há dias, o Clube de Actividades de Ar Livre (CAAL) e a Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela (ASE) juntaram-se para proceder a uma recolha do lixo disperso no Corredor do Inferno. Os corredores do maciço central são as gargantas apertadas cavadas pela erosão que sobem dos covões inferiores para o alto da Serra. O mais famoso é talvez a Rua dos Mercadores, no flanco sul do Cântaro Magro.

Cerca das 15:00, os participantes tinham recolhido lixo na metade superior do corredor. Perto de 200 sacos, cheios, foram, com um sistema de cordas, içados para a estrada, onde ficaram a aguardar o transporte por um camião de lixo do Parque Natural da Serra da Estrela. Porquê a recolha apenas na metade superior? Porque tanto lixo foi aí encontrado que a capacidade da iniciativa se esgotou nesse sector. Pura e simplesmente, as mãos não chegam, o tempo não chega, os sacos não chegam. Sempre somos poucos, por mais que sejamos.

Não é fácil o movimento no interior de um corredor. No Inverno, com todas as irregularidades, blocos (estáveis ou instáveis) e fendas cobertos de neve ou gelo, apesar de ser grande a inclinação, ainda vá (desde que se disponha do equipamento apropriado, obviamente). Mas agora, com todos aqueles obstáculos expostos, é mesmo muito duro. E com sacos pesados às costas, então...

Não dei grande ajuda porque não me foi possível aparecer antes de almoço. Limitei-me a tirar estas fotos e, antes de regressar, ainda desci à boca do corredor, para apreciar o resultado. É o que se vê na imagem abaixo.

Se, como eu, o caro leitor não vê nesta fotografia, tirada a trinta metros do cruzamento para a Torre, nada de estranho, acredite: ao CAAL e à ASE o devemos. Bem hajam!

sábado, setembro 22, 2007

quinta-feira, setembro 20, 2007

Ainda mais uma operação de limpeza

Corredor do Inferno (fotografia de Dezembro de 2006)

O CAAL (em comemoração do seu 22º aniversário — Parabéns a vocês!) e a ASE promovem este Domingo dia 23 uma operação de limpeza do Corredor do Inferno (perto do Cântaro Magro, ao lado do Corredor da Ponte). Vai ser duro, porque o local é de difícil acesso e tem muito, muito lixo. Os organizadores propõem-se também retirar a carroçaria de um automóvel que há vários anos caiu da estrada para o precipício.

Outro objectivo desta actividade é a recolha de sementes de bétula, no Covão d'Ametade, para sementeira integrada no programa Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela.

O encontro está marcado para as 10:00, no Covão d'Ametade.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Boas práticas em queijarias tradicionais

imagem retirada de atelier.hannover2000.mct.pt/~pr386/pt/queijo.htm
Aqui há tempos recebi um email a divulgar este documento de acesso livre que me parece bastante importante partilhar com possíveis interessados.Apenas a falta de tempo dos últimos meses impediu de fazer este post mais cedo. O manual chama-se "Boas Práticas de Fabrico em Queijarias Tradicionais" e foi elaborado por uma equipa constituída por técnicos e investigadores da Escola Superior Agrária de Coimbra, da Direcção Regional de Agricultura da Beira Litoral, da Terras de Sicó-Associação de Desenvolvimento, e da Associação Nacional de Criadores de Ovinos Serra da Estrela. Concerteza que estou consciente que as pessoas a que este manual possa fazer mais falta não terão maior facilidade em adquiri-lo por eu o estar aqui a divulgar, mas é mais um passo e é também uma forma de reconhecer e louvar tudo aquilo que for feito para ajudar realmente as gentes desta região
Este manual é, alem de tudo, o símbolo do esforço conjunto de entidades independentes para atingir um objectivo comum que é a sobrevivência de uma actividade outrora transversal às populações serranas! As tradições são parte da identidade dos povos e das povoações, por isso as queijarias tradicionais e o seu método de produção do queijo da Serra fazem parte da identidade e singularidade Serrana. É por isso que esta actividade tem o potencial de ser mais um excelente atractivo para a região.

Voltando ao manual propriamente dito gostaria ainda de referir a sua importância para evitar que queijarias antigas sejam apanhadas em falta pela ASAE. Sei que é um grave problema hoje em dia para todas as actividades artesanais, conseguirem adquirir a capacidade para se actualizarem de forma a cumprir as exigentes directivas fitossanitárias recentemente transpostas da legislação europeia, seja por falta de conhecimento seja por falta de capacidade financeira para proceder às necessárias actualizações. Estou convencido que este manual pode ser uma boa ajuda para evitar as multas da ASAE mas também estou convencido que muitas das exigências são completamente desproporcionadas e desfasadas da natureza de uma produção artesanal. Mas como o texto já vai longo regressarei a este ponto um dia mais tarde. Divulguem!
O documento pode ser obtido directamente aqui

segunda-feira, setembro 17, 2007

Eco Projecto Serra da Estrela 2007

Mais uma boa ideia:

"O Eco Projecto Serra da Estrela 2007 consiste na organização de um fim-de-semana ecológico na Serra da Estrela. Uma actividade que pretende limpar um pouco do maciço central, do lixo deixado pelos turistas que por cá deixam tudo e se vão embora sem respeitarem a natureza e o espaço que eles usufruem.

Uma actividade sem qualquer fim lucrativo, pretende ter como associados, empresas, associações e organismos municipais da Região. Portanto se alguém estiver interessado, basta contactarem-nos através do nosso email que está na pagina inicial.

Os percursos que serão realizados, estão a ser estudados por pessoas conhecedoras do terreno, nós estamos em contacto com a Associação de Municípios da Cova da Beira, Enerarea (Agência Regional De energia e Ambiente do Interior), em breve com a Câmara Municipal de Manteigas e Parque Natural da Serra da Estrela, Associação Penhasol, entre outras entidades que mais tarde vão ser por aqui anunciadas.

Este encontro será realizado no Parque de Campismo do Covão d’Ametade e o único equipamento que é pedido aos participantes que possuam é:

  • Tenda
  • Saco de Cama
  • Calçado e Vestuário adequado as condições do terreno e as condições climatéricas
  • Alimentação para os dois dias (pequenos almoços, almoços, jantares e mais alguma alimentação para durante a tarde)
  • Frontais ou outro tipo de iluminação"

Todas as informações em http://ecoprojecto.wordpress.com/

sexta-feira, setembro 14, 2007

Bom fim de semana!

O reverso da medalha

O Cântaro Zangado já muitas vezes deixou expressa a sua simpatia pelo Parque Natural da Serra da Estrela. Já aqui demos graças ao PNSE por algumas medidas de protecção ambiental. Ficamos contentes com a existência do Parque e gostaríamos de o ver ainda mais no terreno, junto da natureza e também das populações. Fazemos frequentemente votos para que o Parque aprofunde a sua acção e que tenha grandes sucessos na sua actividade.

Mas também devemos dizer que já ouvimos histórias arrepiantes, de funcionamento burocrático, de comportamentos revelando tiques de funcionáriozinho por parte dos serviços do parque, o leitor sabe, aquelas desculpas esfarrapadas, repetidas dia após dia, semanas a fio: "esse assunto não é comigo, é com o meu colega", "o sr. engº/arqº/dr (títulos com que não pretendo especificar ninguém em concreto) não se encontra de momento e não sei quando estará", etc.

Trata-se de exageros, ou de histórias distorcidas por quem quer puxar a brasa à sua sardinha mesmo que à custa da sardinha dos demais (ou da sardinha do ambiente), isto é, de casos em que a oposição do parque corresponde ao real e justo cumprimento do seu dever? Quase de certeza, em muitos casos. Mas são histórias muito, muito, recorrentes.

A acção do Parque é muitas vezes (quase sempre?) sentida pelas populações como uma enorme complicação burocrática, desnecessária, antipática, sem outro objectivo aparente que não o de atrasar a vida ao pobre cidadão que depende de um parecer ou de uma autorização dos seus serviços.

É claro que deve haver normas arquitectónicas rígidas para a construção nas povoações e aldeamentos no interior ou na orla do Parque. É admissível que seja o Parque a impô-las. Mas como compreender (situações fictícias mas verosímeis, com personagens fictícias mas verosímeis) que o Ti Joaquim tenha problemas por pretender colocar um telheiro de madeira na fachada da casa onde já mora desde antes da criação do PNSE, ou que a Srª Dª Fernanda, tendo o parecer favorável dos serviços de urbanismo da câmara municipal do concelho onde vive, não possa ampliar a sua casa em mais duas divisões, sobretudo quando, ao mesmo tempo, são aparentemente autorizadas, aparentemente sem chatices, as construções ou "melhoramentos" que ilustram este post?

quarta-feira, setembro 12, 2007

Guia Lonely Planet

Sobre a Serra da Estrela, apresentado e comentado pelo Estrela no seu melhor.

Não há pior cego do que o que não quer ver, nem pior surdo que o que insiste em não ouvir. Mas o rei vai nu e cada vez mais gente o afirma. Agora até os de fora!

Libertação de águia-cobreira

Hoje à tarde, na Nave de Santo António foi libertada uma águia-cobreira, após estadia e tratamento no CERVAS (Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens, em Gouveia) por ter sido vítima de um disparo que lhe feriu gravemente uma asa. A libertação propriamente dita seguiu-se a uma pequena palestra na Torre sobre aves de rapina e o papel do CERVAS. Aqui ficam algumas fotos. Obrigado ao CERVAS e ao PNSE!

Novo blog

Penha do Abutre. Bons voos!

terça-feira, setembro 11, 2007

CERVAS

"O Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS) é uma estrutura que tem como objectivos detectar e solucionar diversos problemas associados à conservação e gestão das populações de animais selvagens e dos seus habitates. As linhas de acção do CERVAS são a recuperação de animais selvagens feridos ou debilitados, o apoio e/ou a realização de trabalhos de monitorização ecológica e sanitária das populações de animais selvagens, o apoio e fomento à aplicação do Programa Antídoto – Portugal www.antidoto-portugal.org, a promoção da sensibilização ambiental em matéria de conservação e gestão dos animais selvagens e o funcionamento como unidade intermédia de gestão e transferência de informação e amostras tratadas através de parcerias científicas."

O CERVAS tem tratado animais selvagens feridos ou delibitados que liberta em acções públicas em várias localidades da região. Temos a agradecer a este organismo imagens como a que ilustram este post, da libertação de um mocho-de-orelhas efectuada ontem, em Gouveia.

Próximas libertações em Setembro:

  • Dia 12, às 14:00, na Torre (Seia): Águia-cobreira
  • Dia 12, às 19:00, em Meimão (Penamacor): Mocho-de-orelhas
  • Dia 13, às 9:00, em Vilar Torpim, (Fig. Cast. Rodrigo): Águia-cobreira
  • Dia 13, às 14:30, em Pínzio (Pinhel): Águia-calçada
  • Dia 13, às 19:00, na Câmara Municipal de Mangualde: Mocho-de-orelhas
  • Dia 14, às 17:30, na Escola E/B 2,3/S, Fornos de Algodres: Mocho-de-orelhas
  • Dia 16, às 18:30, na Qta da Maúnça: Mocho-de-orelhas

Pode apoiar a actividade do CERVAS. Veja aqui como.

Milhões de carvalhos — newsletter

Foi criada uma newsletter para divulgar informação sobre os trabalhos relativos ao programa Um Milhão de Carvalhos para a Serra da Estrela. Pode aceder ao "índice" clicando aqui.

segunda-feira, setembro 10, 2007

sexta-feira, setembro 07, 2007

Bom fim de semana!

Off Topic

O Cântaro Zangado foi distinguido com o certificado Viriato, que os promotores atribuem "a blogs que defendam de forma inequívoca a Serra da Estrela ou as beiras", na categoria "Pela defesa intransigente dos direitos da natureza".

Pessoalmente, fico sempre feliz por receber estas nomeações. Só me aflige depois continuar a corrente. Principalmente porque ao nomear alguns blogs deixo outros, não menos merecedores, por nomear (e depois, porque acho que as minhas preferências pessoais sobre assuntos [blogs, por exemplo] que não estão directamente relacionados com a Serra da Estrela não são assunto para o Cântaro Zangado). Quanto a esta distinção particular, tenho que confessar que não sei se é merecida. Ainda não sei se sou ou não um ambientalista. O Cântaro Zangado não existe (enfim, não perguntei ao Tiago, ele que me corrija se o entender) para defender os direitos da natureza; existe para difundir as nossas opiniões sobre a Serra e para defender o que cremos serem os nossos direitos (e os de muitos que conhecemos que pensam como nós) enquanto apreciadores da natureza. Diga-se, a propósito, alguns desses direitos estão expressos na Constituição da República.

Seja como for, obrigado pela nomeação!

Já que estamos "off-topic", o João Soares do Bioterra desafiou-me a enumerar as medidas que tomei para reduzir a minha "pegada ecológica", relativamente às emissões de CO2.
As maiores contribuições para a redução das minhas emissões foram ter trocado o todo o terreno por um pequeno utilitário urbano e ter instalado em casa paineis solares térmicos. Comecei também, no ano passado, a sistematicamente semear árvores para depois plantar na Serra. Não me parece que possa cada ano plantar mais que dez a quinze árvores, mas é o que se pode arranjar. Por outro lado, vivo fora da cidade e desloco-me para o emprego de carro, todos os dias.
Para calcular as emissões de CO2 do seu agregado familiar, pode usar uma das várias calculadoras de CO2 disponíveis na internet. Vá ao google com "CO2 calculator".

quarta-feira, setembro 05, 2007

Bidoeiro / vidoeiro / bétula

As bétulas do Covão da Ametade

A bétula (ou vidoeiro, ou bidoeiro) é uma espécie autóctone da Serra da Estrela. Em tempos (há milhares de anos) dominavam, juntamente com o carvalho-negral e a tramazeira, a paisagem até quase ao cume.

Podemos admirá-las já adultas no Covão d'Ametade, no Covão da Ponte e também perto de Folgozinho (e, de certeza, noutros locais de que não tenho conhecimento). Há vários bosquetes de bétulas jovens na encosta da Covilhã e ladeando a estrada entre os Piornos e o Covão d'Ametade.

Quanto a mim, é uma das árvores mais belas da Serra. As suas folhas, pequenas e aproximadamente triangulares, tremem com um restolhar agradável quando lhes dá a brisa. A sombra que produzem é fresca e suave.

É uma das espécies eleitas pelo programa Um milhão de Carvalhos para a Serra da Estrela para reflorestação. A colheita das sementes de bétula deve fazer-se nesta altura, quando as sementes estão maduras. Este trabalho já começou, tendo-se até agora reunido perto de seis milhões. Consulte a página do programa e/ou contacte os seus responsáveis se quiser colaborar.

As sementes de bétula podem colher-se rolando levemente entre os dedos os amentilhos (pequenas frutificações cilíndricas, com alguns centímetros de comprimento e cerca de cinco a dez milímetros de diâmetro) quando estão bem maduros, tendo o cuidado de segurar por baixo um recipiente. Se os amentilhos estiverem, de facto, maduros, desfazem-se entre os dedos, deixando cair as sementes, que são pequenas e leves (e facilmente levadas pelo vento, atenção). Se ainda estiverem verdes, pode voltar a esfregá-los para a semana. Na figura abaixo, mostro dois amentilhos de bétula. O de cima ainda está verde; o de baixo já amadureceu e até já deixou cair parte das sementes.

Amentilhos: o de cima ainda está verde, o de baixo está no ponto.

As bétulas são frequentemente usadas como árvores ornamentais em jardins urbanos. No entanto, como quase nunca conhecemos a proveniência desses exemplares, não devemos colher as suas sementes para utilização em florestação, a fim de evitar as contaminações genéticas. É melhor ir passear para a Serra. E, com este calor, está-se mesmo bem no Covão d'Ametade! À sombra das bétulas, pois claro!

As bétulas são ainda uma excelente fonte de pasta de papel, com a vantagem, relativamente ao pinheiro bravo ou ao eucalipto, de enriquecerem os solos onde crescem.

segunda-feira, setembro 03, 2007

Bibliografia acessível

Tenho dificuldades em encontrar nas livrarias livros sobre árvores. Deixo aqui duas sugestões. Faço esta recomendação mais por razões de acessibilidade do que pela qualidade científica, que não sei o suficiente para avaliar.

A primeira, gratuita, é o Manual Sinxelo de Reforestación por Sementeira (em galego, mas disponível também em inglês), da Oficina de Medio Ambiente da Universidade de Vigo. O subtítulo deste documento é "Como contribuir a crear bosques e recuperar zonas degradadas polos incendios", ou seja, adequa-se, nas intenções, ao esforço de reflorestação do programa Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela. As árvores que os galegos consideram apropriadas são também, essencialmente, as que fazem falta à Serra: carvalho negral, vidoeiro e carvalho alvarinho (este último até aos mil metros). Por isso, e por ser de fácil leitura, parece-me que é um texto a estudar com cuidado.

A outra recomendação é a série "Árvores e Florestas de Portugal" do jornal Público. Os volumes mais interessantes aqui para a Serra da Estrela são o 2º ("Os Carvalhais — Um património a conservar"), o 5º ("Do Castanheiro ao Teixo — As outras espécies florestais") e o 9º ("Guia de Campo — As árvores e arbustos de Portugal continental"). Estes livros podem ser obtidos nas lojas Público ou na loja online.

Extremismo ambientalista ou ordenação? Ordenação ou balda bem-intencionada?

Numa das entradas da Mata Nacional do Buçaco, encontrei esta tabuleta: Aqui se lê, por declaração papal datada de 22 de Março de 1643, que
"Proibimos sob pena de EXCOMUNHÃO ipso facto incorrenda, que daqui em diante nenhuma pessoa de qualquer autoridade que seja, se atreva sem licença expressa do Prior, que ao tempo for do dito Convento, a entrar na clausura dele para efeito de cortar árvores de qualquer casta que seja ou fazer outro dano."

A pena de excomunhão será (não sou nada entendido nesses assuntos) a mais grave que uma autoridade eclesiástica pode aplicar e, na altura (séc. XVII), seria porventura, para o comum dos mortais, tão dissuasora como a pena máxima secular, a pena de morte. Assim, este anúncio mostrava claramente que se pretendia proteger as árvores do mata do convento. O sinal, bem nítido, era: atenção, oh passante: aqui *não* se pode cortar árvores. É um sinal de extremismo ambientalista, ou um de ordenação séria e empenhada?

E a tabuleta ilustrada abaixo, que referi há dias? Dá algum sinal de restrições ambientais, tímidas que sejam, que até se poderiam quase sub-entender por se tratar de uma área (não urbanizada, nem contígua a espaços urbanizados) do Parque Natural da Serra da Estrela?

Em trezentos e cinquenta anos, fizemos progressos nos regulamentos para a desprotecção ambiental, diria eu. Boas intenções, em abstracto, não nos faltam, é certo. Mas nada que nos safasse das penas do inferno, no século dezassete...

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!