Numa organização conjunta da CP e da LPN, com o apoio do PNSE e das câmaras Municipais da Covilhã, da Guarda e de Manteigas. Toda a informação aqui.
E o transporte da bicicleta nos comboios regionais é gratuito!
Já que têm mesmo que caçar no interior de uma área (que devia ser) protegida, podiam ao menos fazer o favor de não deixar ficar o vosso lixo? Obrigado.
Também aqui, apanhando a cumeada do Alto dos Livros, foi definida uma zona de caça, uns dois quilómetros a sudoeste da que referi aqui. Acho bem, não são convenientes espaços "por ordenar", pois não?
Na Inglaterra, uma enorme zona húmida costeira de Essex vai ser devolvida à natureza após quinhentos anos de utilização agrícola.
Bem sei que esta é uma decisão muuuuuito mais simples do que, por exemplo, a de limitar o número de viaturas automóveis que tentam subir à Torre em certos fins de semana de Inverno, ou a de demolir horríveis monos em ruínas na Serra (que, aliás, nunca deveriam ter sido construídos). Ah, mas os ingleses têm sorte, ficaram com os problemas mais fáceis! (Ou isso, ou com a vontade de os resolver...)
Este cogumelo que infelizmente não faço a pequena ideia que tipo é, faz parte da rica Biodiversidade que ainda existe na Serra da Estrela. Montanhas como a Serra da Estrela propiciam a existência de biodiversidade devido aos múltiplos ambientes que nela se podem encontrar. Características como a altitude, a orientação solar, a humidade, exposição aos ventos, tipo de solo etc podem ser dramaticamente diferentes mesmo em pequenas distancias, daí que tambem diferentes ecossistemas subsistam em cada um destes microambientes.
Libertação de Fuinha (Martes foina)
Mangualde, 04 de Outubro de 2007
Na passada quinta-feira, dia 04 de Outubro de 2007, dia Mundial do Animal, foi libertada uma Fuinha (Martes foina) em Mangualde. A libertação foi precedida de uma palestra sobre generalidades dos mamíferos carnivoros de Portugal, que decorreu na Escola Secundária Felismina Alcântara (ESFA). A Fuinha ou Papalva, como é chamada em certas localidades, foi libertada no terreno das futuras instalações da Associação Grumapa. Este animal tinha sido recolhido muito debilitado pelos Bombeiros e encaminhado para o Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS), pelos elementos do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR. A tímida Fuinha foi baptizada de “Felismina” pelos alunos que assistiram à libertação e que desejaram dessa forma homenagear a sua escola. Esta libertação foi organizada em parceria com a Câmara Municipal de Mangualde e com a ESFA.
Qualquer animal selvagem que seja encontrado ferido ou debilitado deverá ser encaminhado para o CERVAS, estrutura pertencente ao Parque Natural da Serra da Estrela, situado em Gouveia, onde será imediatamente assistido e tratado por um veterinário da fauna selvagem.
Nos Açores, a preservação da paisagem é a chave para o sucesso.É o que se afirma logo ao início de um longo artigo publicado hoje pela Visão sobre os Açores.
Aqui na Serra da Estrela, o que se tem feito e o que se planeia fazer, entre barragens, estradas nacionais (ditas Verdes ou com outros nomes), aldeias, aldeamentos ou minicidades (de montanha, claro), telecabines, ampliações da estância de esqui (chamemos assim aquilo), pistas de esqui artificial, reservas de caça, parques temáticos, funiculares, spas, centros de estágio desportivos, casino e mais um longo etc, tudo isto que se fez, se faz ou se planeia fazer é a chave para quê? Tem sido a chave de quê?
PS: Fiz uma espécie de comparação entre o turismo dos Açores e o da Serra da Estrela neste post.
Hoje, dia 1 de Outubro celebra-se o dia Nacional da Água embora não pareça! Uma breve pesquisa pelos sítios de internet institucionais do governo mostra zero referências a esta celebração. Segundo informações da Liga para a Protecção da Natureza (LPN), Portugal encontra-se em risco de não conseguir cumprir os objectivos definidos na Directiva-Quadro da Água. O desperdício de água na rede pública atinge ainda niveis preocupantes. No entanto, continua-se a investir na construção de represas e mais fontes de captação em vez de se apostar na melhoria do transporte da água, desde o local onde é captada até ao destino final.
Desde que o Cântaro Zangado começou, em Dezembro de 2005, já se organizaram, parece-me, sete operações de limpeza de lixo disperso na Serra da Estrela. Dessas sete, cinco (pelo menos) focaram-se na zona da Torre. Em cada uma destas operações foram recolhidas várias centenas de quilogramas de lixo.
Na semana passada, o CAAL e a ASE estiveram a limpar o Corredor do Inferno. Esta iniciativa foi talvez a que contou com mais participantes, tendo-se limitado à zona minúscula que assinalo na figura que ilustra este post. Recolheram-se duzentos sacos, encheu-se de lixo um camião e a caixa de uma carrinha pickup. Mesmo assim, e segundo me contou um participante, não foi possível limpar uma parte do corredor.
É óbvio que nem com uma operação por semana se consegue retirar todo o lixo deixado pelos turistas numa única época de Inverno. Ainda assim, estas operações são coisas boas, porque revelam a pouca vergonha em que a zona da Torre está transformada. E mostram a todos que não se pode ter sol na eira e chuva no nabal. As multidões de visitantes que Turistrela e Região de Turismo celebram (com números que são muito suspeitos, como mostrou no Inverno passado o responsável do maior grupo hoteleiro da região) e o lixo que fica na Torre são dois aspectos de uma mesma realidade. A um turismo cada vez mais massificado, corresponde, inevitavelmente, uma serra cada vez mais suja. Isto está certo? É isto que desejamos? É isto o desenvolvimento?
Estas iniciativas têm também mostrado um PNSE que, mesmo quando colabora, quase parece querer alhear-se delas. É pena.
Atente-se nesta notícia (soube dela pelo Ondas). Em resumo, o que se passa é que o construtor de um edifício ilegal construido em 1999 numa área protegida perto de Madrid foi agora condenado a multa, à demolição do edifício e à "inhabilitación especial para profesión y oficio ligada a las actividades de construcción durante un año, así como a condena de prisión de un año y medio".
Comentários
Hoje ao fim da tarde dei uma pequena corrida pela cumeada da colina da Covilhã, desde o posto de vigia ao Alto dos Livros e regresso. Aproveitei para ver se se notava algum vestígio das sementeiras de bolotas que fiz naquela zona. Encontrei cinco carvalhos bebé, como o que mostro acima!
Da recolha de bolotas e das sementeiras que fiz por minha conta (isto é, não explicitamente enquadradas no programa Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela) no ano passado, aprendi o seguinte:
O José Veloso do CAAL fez-me chegar mais algumas imagens e informações sobre a limpeza do Corredor do Inferno do fim de semana passado. Para alem dos montanhistas envolvidos na limpeza do sector superior do corredor, outro grupo (cerca de cinquenta pessoas, os que não tiveram vontade de se meter pelo corredor acima) "entreteve-se" a recolher lixo no lado de baixo. Como não conseguiam fazer chegar os restos recolhidos até ao "elevador" montado perto do cimo do corredor, carregaram às costas tudo o que apanharam, pelo trilho que atravessa o Covão Cimeiro, até ao Covão d'Ametade. A imagem acima mostra uma porção do trilho, creio que ainda acima do Covão Cimeiro e parte do grupo, na descida, já carregados com os sacos.
O lixo recolhido por este grupo (que se acrescenta ao que mostrei no domingo) encheu a caixa de uma pickup da Junta de Freguesia de S. Pedro (Manteigas), como se mostra na foto abaixo.
Para além desta operação de limpeza, os participantes nesta iniciativa (em que se aproveitava para festejar o 22º aniversário do CAAL) passaram parte da tarde de sábado a recolher sementes de bétula, no Covão d'Ametade.
As palavras do próprio José Veloso:
[...] como não conseguimos retirar o lixo para a estrada, os heróicos homens, mulheres e crianças levaram os sacos, rodas completas do carro e até um para choques às costas pelo Covão Cimeiro até ao Covão d'Ametade. Com os trilhos quase impraticáveis, imagina o esforço dispendido! Mas no fim, antes da viagem para Lisboa, a alegria estava no rosto de todos e a certeza de que havemos de voltar era o clima geral.Bem hajam!
Atenção: No próximo sábado, é a vez do Eco-Projecto da Serra da Estrela!
"Vimos contactar-vos para dar a conhecer um projecto que está a nascer para a Serra da Estrela. O Eco Projecto Serra da Estrela é um projecto ecológico, como o próprio nome indica, que tem como objectivo principal, tornar algumas zonas do maciço central, mais limpas e mais agradáveis.A Região de Turismo da Serra da Estrela (RTSE) produziu uma tradução para castelhano do fantástico folheto "Serra da Estrela — Onde a natureza vive"! Recordo que esse folheto foi objecto de uma análise bem humorada (rir para não chorar) do Cova_Juliana do Estrela no seu melhor, que expunha a ridícula falta de profissionalismo (e de gosto) com que tinha sido feito.
Pois bem, de não prestar atenção ao que se diz não podemos acusar a RTSE. Nesta nova edição, foi feito um esforço para... Não direi corrigir mas, pelo menos, enfrentar algumas das críticas feitas à edição original, em português. Mas foi pior a emenda que o soneto!
Ande, comece bem a semana (rir para não chorar), vá ao Estrela no seu melhor ver como se esbanjam fundos (dos nossos impostos) a brincar aos criativos! Veja com os seus próprios olhos o que a RTSE considera uma promoção digna de um destino turístico de qualidade...
E prepararemo-nos para a chegada em massa dos nuestros ermones espanholes (possível tradução para castelhano da RTSE de nuestros hermanos españoles).
Este carvalho-negral encontra-se perto do pequeno túnel na estrada Piornos-Torre, no flanco do Espinhaço de Cão. A cerca de 1700m de altitude. A "minha" tramazeira zen está na mesma zona, mas uns cinquenta metros mais alto. A esta altitude, os carvalhos não desenvolvem um porte muito impressionante, como se vê. Mais acima ainda, que eu saiba, só o zimbro (de entre as espécies arbóreas) se dá.
Mais para baixo, muita área pode ser reflorestada, deixando ainda espaço mais que suficiente para actividades como a pastorícia e a agricultura. Vamos a isso?
Como disse há dias, o Clube de Actividades de Ar Livre (CAAL) e a Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela (ASE) juntaram-se para proceder a uma recolha do lixo disperso no Corredor do Inferno. Os corredores do maciço central são as gargantas apertadas cavadas pela erosão que sobem dos covões inferiores para o alto da Serra. O mais famoso é talvez a Rua dos Mercadores, no flanco sul do Cântaro Magro.
Cerca das 15:00, os participantes tinham recolhido lixo na metade superior do corredor. Perto de 200 sacos, cheios, foram, com um sistema de cordas, içados para a estrada, onde ficaram a aguardar o transporte por um camião de lixo do Parque Natural da Serra da Estrela. Porquê a recolha apenas na metade superior? Porque tanto lixo foi aí encontrado que a capacidade da iniciativa se esgotou nesse sector. Pura e simplesmente, as mãos não chegam, o tempo não chega, os sacos não chegam. Sempre somos poucos, por mais que sejamos.
Não é fácil o movimento no interior de um corredor. No Inverno, com todas as irregularidades, blocos (estáveis ou instáveis) e fendas cobertos de neve ou gelo, apesar de ser grande a inclinação, ainda vá (desde que se disponha do equipamento apropriado, obviamente). Mas agora, com todos aqueles obstáculos expostos, é mesmo muito duro. E com sacos pesados às costas, então...
Não dei grande ajuda porque não me foi possível aparecer antes de almoço. Limitei-me a tirar estas fotos e, antes de regressar, ainda desci à boca do corredor, para apreciar o resultado. É o que se vê na imagem abaixo.
Se, como eu, o caro leitor não vê nesta fotografia, tirada a trinta metros do cruzamento para a Torre, nada de estranho, acredite: ao CAAL e à ASE o devemos. Bem hajam!
O CAAL (em comemoração do seu 22º aniversário — Parabéns a vocês!) e a ASE promovem este Domingo dia 23 uma operação de limpeza do Corredor do Inferno (perto do Cântaro Magro, ao lado do Corredor da Ponte). Vai ser duro, porque o local é de difícil acesso e tem muito, muito lixo. Os organizadores propõem-se também retirar a carroçaria de um automóvel que há vários anos caiu da estrada para o precipício.
Outro objectivo desta actividade é a recolha de sementes de bétula, no Covão d'Ametade, para sementeira integrada no programa Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela.
O encontro está marcado para as 10:00, no Covão d'Ametade.
"O Eco Projecto Serra da Estrela 2007 consiste na organização de um fim-de-semana ecológico na Serra da Estrela. Uma actividade que pretende limpar um pouco do maciço central, do lixo deixado pelos turistas que por cá deixam tudo e se vão embora sem respeitarem a natureza e o espaço que eles usufruem.
Uma actividade sem qualquer fim lucrativo, pretende ter como associados, empresas, associações e organismos municipais da Região. Portanto se alguém estiver interessado, basta contactarem-nos através do nosso email que está na pagina inicial.
Os percursos que serão realizados, estão a ser estudados por pessoas conhecedoras do terreno, nós estamos em contacto com a Associação de Municípios da Cova da Beira, Enerarea (Agência Regional De energia e Ambiente do Interior), em breve com a Câmara Municipal de Manteigas e Parque Natural da Serra da Estrela, Associação Penhasol, entre outras entidades que mais tarde vão ser por aqui anunciadas.
Este encontro será realizado no Parque de Campismo do Covão d’Ametade e o único equipamento que é pedido aos participantes que possuam é:
O Cântaro Zangado já muitas vezes deixou expressa a sua simpatia pelo Parque Natural da Serra da Estrela. Já aqui demos graças ao PNSE por algumas medidas de protecção ambiental. Ficamos contentes com a existência do Parque e gostaríamos de o ver ainda mais no terreno, junto da natureza e também das populações. Fazemos frequentemente votos para que o Parque aprofunde a sua acção e que tenha grandes sucessos na sua actividade.
Mas também devemos dizer que já ouvimos histórias arrepiantes, de funcionamento burocrático, de comportamentos revelando tiques de funcionáriozinho por parte dos serviços do parque, o leitor sabe, aquelas desculpas esfarrapadas, repetidas dia após dia, semanas a fio: "esse assunto não é comigo, é com o meu colega", "o sr. engº/arqº/dr (títulos com que não pretendo especificar ninguém em concreto) não se encontra de momento e não sei quando estará", etc.
Trata-se de exageros, ou de histórias distorcidas por quem quer puxar a brasa à sua sardinha mesmo que à custa da sardinha dos demais (ou da sardinha do ambiente), isto é, de casos em que a oposição do parque corresponde ao real e justo cumprimento do seu dever? Quase de certeza, em muitos casos. Mas são histórias muito, muito, recorrentes.
A acção do Parque é muitas vezes (quase sempre?) sentida pelas populações como uma enorme complicação burocrática, desnecessária, antipática, sem outro objectivo aparente que não o de atrasar a vida ao pobre cidadão que depende de um parecer ou de uma autorização dos seus serviços.
É claro que deve haver normas arquitectónicas rígidas para a construção nas povoações e aldeamentos no interior ou na orla do Parque. É admissível que seja o Parque a impô-las. Mas como compreender (situações fictícias mas verosímeis, com personagens fictícias mas verosímeis) que o Ti Joaquim tenha problemas por pretender colocar um telheiro de madeira na fachada da casa onde já mora desde antes da criação do PNSE, ou que a Srª Dª Fernanda, tendo o parecer favorável dos serviços de urbanismo da câmara municipal do concelho onde vive, não possa ampliar a sua casa em mais duas divisões, sobretudo quando, ao mesmo tempo, são aparentemente autorizadas, aparentemente sem chatices, as construções ou "melhoramentos" que ilustram este post?
Sobre a Serra da Estrela, apresentado e comentado pelo Estrela no seu melhor.
Não há pior cego do que o que não quer ver, nem pior surdo que o que insiste em não ouvir. Mas o rei vai nu e cada vez mais gente o afirma. Agora até os de fora!
Obrigado ao CERVAS e ao PNSE!
"O Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS) é uma estrutura que tem como objectivos detectar e solucionar diversos problemas associados à conservação e gestão das populações de animais selvagens e dos seus habitates. As linhas de acção do CERVAS são a recuperação de animais selvagens feridos ou debilitados, o apoio e/ou a realização de trabalhos de monitorização ecológica e sanitária das populações de animais selvagens, o apoio e fomento à aplicação do Programa Antídoto – Portugal www.antidoto-portugal.org, a promoção da sensibilização ambiental em matéria de conservação e gestão dos animais selvagens e o funcionamento como unidade intermédia de gestão e transferência de informação e amostras tratadas através de parcerias científicas."
O CERVAS tem tratado animais selvagens feridos ou delibitados que liberta em acções públicas em várias localidades da região. Temos a agradecer a este organismo imagens como a que ilustram este post, da libertação de um mocho-de-orelhas efectuada ontem, em Gouveia.
Próximas libertações em Setembro:
Pode apoiar a actividade do CERVAS. Veja aqui como.
O Cântaro Zangado foi distinguido com o certificado Viriato, que os promotores atribuem "a blogs que defendam de forma inequívoca a Serra da Estrela ou as beiras", na categoria "Pela defesa intransigente dos direitos da natureza".
Pessoalmente, fico sempre feliz por receber estas nomeações. Só me aflige depois continuar a corrente. Principalmente porque ao nomear alguns blogs deixo outros, não menos merecedores, por nomear (e depois, porque acho que as minhas preferências pessoais sobre assuntos [blogs, por exemplo] que não estão directamente relacionados com a Serra da Estrela não são assunto para o Cântaro Zangado). Quanto a esta distinção particular, tenho que confessar que não sei se é merecida. Ainda não sei se sou ou não um ambientalista. O Cântaro Zangado não existe (enfim, não perguntei ao Tiago, ele que me corrija se o entender) para defender os direitos da natureza; existe para difundir as nossas opiniões sobre a Serra e para defender o que cremos serem os nossos direitos (e os de muitos que conhecemos que pensam como nós) enquanto apreciadores da natureza. Diga-se, a propósito, alguns desses direitos estão expressos na Constituição da República.
Seja como for, obrigado pela nomeação!
Já que estamos "off-topic", o João Soares do Bioterra desafiou-me a enumerar as medidas que tomei para reduzir a minha "pegada ecológica", relativamente às emissões de CO2.
As maiores contribuições para a redução das minhas emissões foram ter trocado o todo o terreno por um pequeno utilitário urbano e ter instalado em casa paineis solares térmicos. Comecei também, no ano passado, a sistematicamente semear árvores para depois plantar na Serra. Não me parece que possa cada ano plantar mais que dez a quinze árvores, mas é o que se pode arranjar. Por outro lado, vivo fora da cidade e desloco-me para o emprego de carro, todos os dias.
Para calcular as emissões de CO2 do seu agregado familiar, pode usar uma das várias calculadoras de CO2 disponíveis na internet. Vá ao google com "CO2 calculator".
A bétula (ou vidoeiro, ou bidoeiro) é uma espécie autóctone da Serra da Estrela. Em tempos (há milhares de anos) dominavam, juntamente com o carvalho-negral e a tramazeira, a paisagem até quase ao cume.
Podemos admirá-las já adultas no Covão d'Ametade, no Covão da Ponte e também perto de Folgozinho (e, de certeza, noutros locais de que não tenho conhecimento). Há vários bosquetes de bétulas jovens na encosta da Covilhã e ladeando a estrada entre os Piornos e o Covão d'Ametade.
Quanto a mim, é uma das árvores mais belas da Serra. As suas folhas, pequenas e aproximadamente triangulares, tremem com um restolhar agradável quando lhes dá a brisa. A sombra que produzem é fresca e suave.
É uma das espécies eleitas pelo programa Um milhão de Carvalhos para a Serra da Estrela para reflorestação. A colheita das sementes de bétula deve fazer-se nesta altura, quando as sementes estão maduras. Este trabalho já começou, tendo-se até agora reunido perto de seis milhões. Consulte a página do programa e/ou contacte os seus responsáveis se quiser colaborar.
As sementes de bétula podem colher-se rolando levemente entre os dedos os amentilhos (pequenas frutificações cilíndricas, com alguns centímetros de comprimento e cerca de cinco a dez milímetros de diâmetro) quando estão bem maduros, tendo o cuidado de segurar por baixo um recipiente. Se os amentilhos estiverem, de facto, maduros, desfazem-se entre os dedos, deixando cair as sementes, que são pequenas e leves (e facilmente levadas pelo vento, atenção). Se ainda estiverem verdes, pode voltar a esfregá-los para a semana. Na figura abaixo, mostro dois amentilhos de bétula. O de cima ainda está verde; o de baixo já amadureceu e até já deixou cair parte das sementes.

As bétulas são frequentemente usadas como árvores ornamentais em jardins urbanos. No entanto, como quase nunca conhecemos a proveniência desses exemplares, não devemos colher as suas sementes para utilização em florestação, a fim de evitar as contaminações genéticas. É melhor ir passear para a Serra. E, com este calor, está-se mesmo bem no Covão d'Ametade! À sombra das bétulas, pois claro!
As bétulas são ainda uma excelente fonte de pasta de papel, com a vantagem, relativamente ao pinheiro bravo ou ao eucalipto, de enriquecerem os solos onde crescem.
Tenho dificuldades em encontrar nas livrarias livros sobre árvores. Deixo aqui duas sugestões. Faço esta recomendação mais por razões de acessibilidade do que pela qualidade científica, que não sei o suficiente para avaliar.
A primeira, gratuita, é o Manual Sinxelo de Reforestación por Sementeira (em galego, mas disponível também em inglês), da Oficina de Medio Ambiente da Universidade de Vigo. O subtítulo deste documento é "Como contribuir a crear bosques e recuperar zonas degradadas polos incendios", ou seja, adequa-se, nas intenções, ao esforço de reflorestação do programa Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela. As árvores que os galegos consideram apropriadas são também, essencialmente, as que fazem falta à Serra: carvalho negral, vidoeiro e carvalho alvarinho (este último até aos mil metros). Por isso, e por ser de fácil leitura, parece-me que é um texto a estudar com cuidado.
A outra recomendação é a série "Árvores e Florestas de Portugal" do jornal Público. Os volumes mais interessantes aqui para a Serra da Estrela são o 2º ("Os Carvalhais — Um património a conservar"), o 5º ("Do Castanheiro ao Teixo — As outras espécies florestais") e o 9º ("Guia de Campo — As árvores e arbustos de Portugal continental"). Estes livros podem ser obtidos nas lojas Público ou na loja online.
Aqui se lê, por declaração papal datada de 22 de Março de 1643, que
"Proibimos sob pena de EXCOMUNHÃO ipso facto incorrenda, que daqui em diante nenhuma pessoa de qualquer autoridade que seja, se atreva sem licença expressa do Prior, que ao tempo for do dito Convento, a entrar na clausura dele para efeito de cortar árvores de qualquer casta que seja ou fazer outro dano."
A pena de excomunhão será (não sou nada entendido nesses assuntos) a mais grave que uma autoridade eclesiástica pode aplicar e, na altura (séc. XVII), seria porventura, para o comum dos mortais, tão dissuasora como a pena máxima secular, a pena de morte. Assim, este anúncio mostrava claramente que se pretendia proteger as árvores do mata do convento. O sinal, bem nítido, era: atenção, oh passante: aqui *não* se pode cortar árvores. É um sinal de extremismo ambientalista, ou um de ordenação séria e empenhada?
E a tabuleta ilustrada abaixo, que referi há dias? Dá algum sinal de restrições ambientais, tímidas que sejam, que até se poderiam quase sub-entender por se tratar de uma área (não urbanizada, nem contígua a espaços urbanizados) do Parque Natural da Serra da Estrela?
Em trezentos e cinquenta anos, fizemos progressos nos regulamentos para a desprotecção ambiental, diria eu. Boas intenções, em abstracto, não nos faltam, é certo. Mas nada que nos safasse das penas do inferno, no século dezassete...