domingo, março 18, 2012

De boas intenções...

Parque da floresta, logo acima da Covilhã, ontem de manhã. (Mas hoje estava na mesma).

Nos locais mais visitados, deve haver recipientes para o lixo, claro. Mas os que se instalam devem ser bem escolhidos. Mais do que questões estéticas, o que deve pesar na escolha devem ser questões práticas. Um caixote do lixo que cumpre a sua função num local pode não servir para nada noutro. Ou pode até agravar o problema que se pretendia resolver. Já há tempos dei um exemplo disto, no Covão d'Ametade, hoje trago outro exemplo, agora no parque da floresta da Covilhã.

A coisa é simples: se o lixo não for retirado todos os dias (e considero muito razoável que não o seja, se a sua quantidade não o justificar) então os recipientes do lixo devem ser fechados, e fechados de modo que os animais, mais selvagens e menos selvagens, não possam espalhar o seu conteúdo. Caixotes como os que mostro na imagem são piores que nada, porque dão às pessoas a ideia de que podem ali deixar o lixo e que ele será recolhido por serviços competentes. Ou seja, dão às pessoas a ideia de que não têm que se ralar com isso. Tudo bem, mas então alguém deveria mesmo ralar-se com isso, não?

segunda-feira, março 12, 2012

Combater o abandono com o asfalto! (?)

Transcrevo uma notícia que li no blogue Cortes do Meio, se não me engano obtida no Jornal do Fundão:

População "espera e desespera" por estrada até às Penhas da Saúde

Em dez anos a freguesia de Cortes do Meio perdeu cerca de oito por cento da população. Segundo os Censos 2011, esta aldeia do concelho da Covilhã conta com 900 habitantes, 100 dos quais têm menos de 18 anos. A estrada de acesso às Penhas da Saúde é aspiração antiga do presidente da junta de freguesia.

Para além das regras apertadas que limitam o crescimento de Cortes do Meio, a falta de emprego tem também levado muitos jovens a procurar oportunidades fora da aldeia, admite Paulo Rodrigues. Uma situação que só será ultrapassada se for concluida a estrada de ligação de Cortes do Meio à anexa das Penhas da Saúde. Com um orçamento global de 800 mil euros, já foram investidos cerca de 150 mil na 1ª fase da obra. Faltam cerca de 650 mil euros para arrancar com a 2ª fase que inclui o alcatroamento da via. Apesar da crise, Paulo Rodrigues acredita que será possível concretizar esta aspiração antiga que beneficiaria toda a zona sul do concelho da Covilhã. Localizada na encosta sul da Serra da Estrela, Cortes do Meio sonha com uma ligação directa ao maciço central. São oito quilómetros de uma estrada em terra batida que durante anos foi percorrida a pé pelas “gentes das cortes”. Na montanha recolhiam o carvão e a carqueija que vendiam na Covilhã. Os rebanhos e os moinhos preenchiam o vale da ribeira de Cortes que hoje corre serena, sem trabalho, contando histórias de vidas duras.

Por: Susana Proença

Não é claro, mas diria que o texto desta peça terá sido construído a partir de declarações do sr. Paulo Rodrigues, presidente da junta de freguesia de Cortes do Meio. Partindo desse princípio (não necessariamente válido), quero aqui deixar alguns comentários:

  • o primeiro parágrafo diz que a estrada para as Penhas é uma antiga aspiração do presidente da junta de freguesia. O título da peça diz que é a população que desespera por essa estrada;
  • aparentemente, há "regras apertadas" que limitam o crescimento especificamente das Cortes do Meio e que terão contribuído para a freguesia ter perdido população. Serão regras apertadas como essas as que explicam a queda demográfica também de Pinhel, de Penamacor, da Sertã, só para dar três exemplos?
  • segundo se diz, com a conclusão da estrada para as Penhas, será ultrapassada a situação que, alega-se, leva "muitos jovens a procurar oportunidades fora da aldeia". Como, ao certo? A estrada gerará empregos? Ou aliviará as tais regras apertadas? Ou será outro efeito, não referido aqui?

Um leitor de jornais pode apenas ler, sem pensar no que lê nem questionar o que os autores pretendem que leia. Um(a) jornalista pode apenas escrever o que lhe mandam, sem pensar no que escreve nem questionar o que o mandam escrever. É o mais fácil. E o autarca das Cortes do Meio até podia pensar em desenvolver o turismo na sua freguesia. Mas é muito mais fácil apenas pedir dinheiro para asfaltar as zonas bonitas que ainda lhe restam, sonhando talvez que muitos turistas passem a usar essas estradas para subir para a Torre.

Sr. Paulo Rodrigues: pergunte aos de Loriga que movimento é que a estrada de S. Bento (que asfaltaram há uns quatro anos até perto da Lagoa Comprida) tem, que empregos gerou, que abandono é que evitou. Se as respostas revelarem um décimo dos ganhos que eram prometidos (e que o sr. agora repete) defendendo a asfaltação da dita estrada, calo-me.

domingo, março 04, 2012

Que manhã de domingo!

Fotografia tirada com o telemóvel, na descida de volta a Manteigas.
Participei hoje na corrida atlética 12 km Manteigas - Penhas Douradas. E nada, é só para dizer, mais uma vez, que Manteigas é um espetáculo!
Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!