terça-feira, agosto 30, 2011

Águia-d'asa-redonda

Chegado à Covilhã depois de uns dias na praia, dei um passeio na encosta. A perto de trinta metros de nós, esta águia-d'asa-redonda (Buteo buteo) levantou voo e rapidamente ganhou altitude, aproveitando alguma corrente ascendente.

Nesta lotaria, há sempre prémio!

segunda-feira, agosto 15, 2011

Abelharucos na serra

Os três cântaros (da esquerda para a direita, Cântaro Raso, Cântaro Magro e Cântaro Gordo) vistos da zona da Lagoa Seca, por baixo dos Poios Brancos

Já aqui disse (ver estes posts, por exemplo) que, em Abril, chega às vizinhanças do sítio onde moro um grupo de abelharucos. Mas, em meados de Julho, deixo sempre de os ver. Ora, como estas aves são migratórias, passando cá o Verão, perguntava-me se eles iriam ainda mais para Norte, à medida que o calor fosse apertando, Julho a dentro.

Hoje dei um passeio pela zona dos Poios Brancos e vi (e ouvi) dezenas de abelharucos, a cerca de 1500 m de altitude. Se calhar, alguns deles são os que vejo chegar em Abril à Covilhã, e que em Julho, sobem a serra à procura do fresco.

quarta-feira, agosto 03, 2011

Fatalidades e escolhas

Se há lixo na zona da Torre, isso não é uma fatalidade. Se o há é porque nós o quisemos no passado e continuamos a querer. Não fomos obrigados a aceitar os milhares de visitantes que pretendem escorregar em plásticos na neve, nalguns (felizmente poucos) fins de semana por ano. Não, nós incentivámos (e continuamos a incentivar) esse turismo construindo cada vez mais estradas, mais parques de estacionamento, abrindo centros comerciais, cafés, centros de interpretação, restaurantes, restaurando capelas e lançando concursos de ideias para todos os mamarrachos que se vão aguentando na Torre e que ainda não têm função.

Podíamos não ter construído nada na Torre, nem ter aberto a estrada N339 pelo maciço central. Alguém nos obrigou? Não, foi (e continua a ser) uma escolha nossa, e muitíssimo original, diga-se de passagem (que estradas asfaltadas passam pelos pontos mais altos da Gardunha, do Gerês, da Sierra de Gredos, dos Picos da Europa, da Sierra Nevada, dos Pirinéus, dos Alpes, das Scotish Highlands, do Monte Olimpo, etc, etc, etc, etc, etc?). As consequências dessa escolha são isso mesmo, não são uma fatalidade infeliz. São aquilo que nós escolhemos.

Agora que a coisa na Torre está como está, se quiséssemos, podíamos demolir os mamarrachos lá construídos (ou alguns deles, pelo menos), limpar o entulho todo e encerrar ao trânsito rodoviário os 800 m do acesso desde a N339 até à Torre (aqui não falo, portanto, de encerrar ao trânsito a estrada nacional, nem de impedir o acesso à estância de esqui, apenas de fechar aquele troçozito até à Torre). Ou então, podíamos limitar mais o número de viaturas que são autorizadas a subir, naqueles fins de semana caóticos. Mas não é isso que queremos, pois não? Pois bem, como não o é, temos aquilo que escolhemos: engarrafamentos, lixo e ruinas foleiras.

Podíamos ter um turismo com permanências mais longas, com mais bens e serviços a serem comprados pelos visitantes, melhor distribuído por todo o ano, como o que as outras montanhas da Europa oferecem. Mas não, temos nalgumas alturas do ano milhares de visitantes que chegam de manhã e partem à tarde, que não deixam na região senão lixo. Azar o nosso? Infortúnio? Fatalidade? Não. Temos o turismo que escolhemos. Em geral do que falamos quando falamos de turismo? Quase sempre, de novas estradas para as zonas altas da serra; outras vezes, de novos hotéis em altitude, de minicidades, de funiculares, de teleféricos de casinos, de piscinas-spa, de centros de estágio desportivos. Ou seja, quase sempre, quando falamos de turismo, falamos, na verdade, de construir, construir, construir. De encher a serra de entulho e de asfalto. E, quando chegamos a fazer alguma coisa, normalmente, é a dar expressão a esse discurso da construção. Muitas vezes, a coisa não chega a acabar-se, ou é imediatamente abandonada (veja-se o antigo teleférico Piornos-Torre ou a base da força aérea na Torre), restando apenas entulho. Degradamos assim a paisagem com estradas, com urbanizações, com teleféricos (ou com o que continua a restar das suas ruínas), com barragens, com parques eólicos... Mas que turismo é que esperamos desenvolver deste modo, senão o que temos tido? Dadas as escolhas que temos tomado, podemos mesmo espantar-nos por a serra da Estrela estar quase sempre ausente dos roteiros de turismo de natureza e turismo activo, desses que, por esta altura os jornais publicam nos seus suplementos de fim de semana?

Temos o que temos, não por fatalidade, não por azar, não por conjugação adversa de forças cósmicas. Temos o que temos, porque é o que temos que andámos a cultivar nas últimas dezenas de anos. Temos o que temos porque é o que quisemos, é o queremos. E, enquanto continuarmos a insistir no rumo que nos trouxe até aqui, continuaremos a braços com as suas consequências. Não, não se diga que é fatalidade, é antes opção. É, e tem sido nas últimas dezenas de anos, a nossa opção.

terça-feira, agosto 02, 2011

Um fim de tarde...

... Perto do Alto das Piçarrinhas, na colina sobre a Covilhã, virado para Sul.
Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!