sexta-feira, julho 29, 2011

Protecção da natureza

Há dias, li na revista desnível online uma entrevista com o escalador e equipador (alguém que equipa vias de escalada com pontos seguros permanentes) Juan Manuel Hernández 'Kroma', onde a páginas tantas se encontra o seguinte trecho:
Como equipador, también estás metido en la regulación de la escalada relacionada con la protección de las aves en Álava, ¿cómo es eso?
Sí, por iniciativa de Natxo Fernández, desde hace seis años tenemos reuniones periódicas sobre este tema. A raíz de esta iniciativa, la Diputación de Álava ha censado las aves que hay en las 22 zonas de escalada que tenemos en la provincia. Como zonas delicadas que no se puede escalar entre marzo y septiembre están Subijana y Berberana. Es importante que la gente respete estas acotaciones.
Ou seja, traduzido à pressão para português:
Como equipador, também estás envolvido com a regulamentação da escalada relacionada com a protecção das aves em Álava. Como é isso?
Sim, por iniciativa de Natxo Fernández, desde há seis anos temos reuniões periódicas sobre este tema. Na base desta iniciativa, a Diputación de Álava fez um levantamento das aves que há nas 22 zonas de escalada que temos na província. Como zonas delicadas onde não se pode escalar entre Março e Setembro estão Subijana e Berberaana. É importande que respeitemos estas restrições.

Deste bocadinho podemos concluir que, em Espanha

  1. Antes de se restringir a escalada em áreas protegidas, faz-se um estudo para saber que valores ambientais concretos são ameaçados pela prática da escalada.
  2. Explica-se à comunidade dos escaladores (mediada, suponho, pelas federações e clubes) de que valores ambientais concretos se trata.
  3. As restrições impostas para proteger esses valores concretos são adaptadas à ameaça concreta. Assim, no caso referido, a escalada é proibida apenas entre Março e Setembro (provavelmente por se tratar do período de nidificação das aves a proteger naquelas zonas), mas ela é permitida no resto do ano.
  4. Todo o processo de decisão e de implementação das restrições é acompanhado por representantes dos escaladores.
  5. As restrições são bem aceites e respeitadas pela generalidade dos escaladores.

Aqui em Portugal, a escalada é proibida nas zonas da serra da Estrela onde ela se pratica. Todo o ano. Não se sabe quais são os valores ambientais que se considera serem ameaçados pela escalada. A coisa não é explicada, é imposta. Tudo o resto (congestionamentos automóveis, esqui, sku, lixo, todo-o-terreno, caça, pesca, sal-gema nas estradas e mais um longo etc) é permitido ou, pelo menos, resignadamente aceite como se fosse uma fatalidade e não o resultado óbvio das opções que temos tomado nas últimas dezenas de anos.

Mas o que vale é que a escalada é proibida. Isto é que é proteger a natureza, hem?!

quinta-feira, julho 28, 2011

Are you talking to me?!

Lagartixa, fotografada nas Penhas da Saúde no Domingo passado

OK, é uma lagartixa. Mas qual? Fiando-me no meu Guia Fapas "Anfíbios e Répteis de Portugal", parece-me uma lagartixa-ibérica (Podarcis hispanica). Mas não sei.

quarta-feira, julho 27, 2011

Abençoada estupidez!

Dois colchões, um fogão e alguns móveis abandonados recentemente no Alto dos Livros

No Domingo passado, regressando em bicicleta com os meus filhos à Covilhã, depois de um fim de semana nas Penhas da Saúde, dei, no Alto dos Livros (no extremo sul da crista da colina sobre a Covilhã) com o espectáculo que apresento na fotografia acima. Como passo com alguma regularidade neste local nas minhas corridas, sei que este lixo foi ali depositado há pouco tempo, não mais do que duas semanas.

Poderá dizer-se que se trata de um caso de falta de consciência cívica por parte de quem aqui deixou estes restos, mas eu acho que se trata de pura e simples estupidez. Com efeito, como melhor classificar a decisão de meter estes "monstros" (designação quase técnica dada a resíduos sólidos de grandes dimensões como estes) na caixa de uma camioneta, de conduzir a dita camioneta até perto do posto de vigia de incêndios sobre o sanatório, de percorrer em seguida três quilómetros por uma estrada de terra, nalguns pontos com declive apreciável e/ou com um piso muito irregular, abandonar o lixo e depois regressar? (Na imagem em baixo represento a vermelho a parte do trajecto na estrada de terra.)

A via da estupidez

Será isto mais prático, mais confortável, ou mais barato do que deixar estes monstros ao pé de um contentor de lixo, desses que há espalhados pela cidade? Ou que ir ao site da Águas da Covilhã (ou telefonar) e combinar com os serviços a recolha destes monstros?

Este é um exemplo de como gastar o mais possível (em dinheiro, tempo, e amortecedores) a criar um problema com resolução o mais cara possível. Comodismo, falta de civismo? Não. Simplesmente uma enorme estupidez, apenas isso.

terça-feira, julho 26, 2011

Qual é o problema?!

O blogue Carpinteira referiu-se hoje às notícias (ainda não desmentidas, e já lá vão 15 dias) sobre a eventual entrega da vigilância do PNSE à empresa detentora da concessão exclusiva do turismo e dos desportos na área protegida (a Turistrela), notícias de que dei eco aqui. O primeiro comentário lá deixado dizia "Não estou a ver qual é o problema. Ainda bem.".

Transcrevo a seguir o comentário que lá deixei:

Qual é o problema:
1) A Turistrela é uma empresa turística que desenvolve a sua actividade na área protegida, ou seja, na area a vigiar. Logo, deve ser, ela mesma, vigiada.
2) A Turistrela detem a concessão *exclusiva* do turismo e dos desportos na área a vigiar. Logo, ela, mais do que qualquer outra no sector do turismo, deve ser vigiada.
3) A Turistrela tem demonstrado um enorme desrespeito pela área protegida. Ainda há tempos se revoltou publicamente contra técnicos do PNSE por a obrigarem a fazer estudos de impacto ambiental para obras na estância de esqui, ou seja, por a obrigarem a cumprir a lei (ver, por exemplo, aqui)
4) A Turistrela tem revelado ao longo dos anos o maior desrespeito pela paisagem e pelo ambiente da serra: vejam-se as redondezas dos seus empreendimentos, cheios de entulho das obras que vão fazendo, vejam-se os estradões que abrem a torto e a direito sem pedidos de autorização para as suas avalanches BTT, vejam-se as fitinhas de plástico que negligentemente deixam espalhadas na sequência dessas actividades, vejam-se os mamarracjos que se propõem construir por toda aa serra. É esta gente que vamos pôr a vigiar as suas próprias actividades?
5) Que contrapartidas serão dadas à Turistrela por esta responsabilidade da vigilância? Não haverá outras empresas interessadas? E que, se calhar, até poderão fazer o serviço com maior competência e com menor custo?
6) Quem é que na Turistrela tem competência (comprovada com habilitações) para avaliar a importância ambiental de uma dada zona ou habitat?
7) A concessão exclusiva do turismo e dos desportos da Turistrela foi criada em 1971 (Decreto-Lei 325/71) e foi reformulada em 1986 (Decreto-Lei 408/86, ainda em vigor). Uma das razões invocadas para a reformulação foi exactamente a de que à Turistrela tinham sido atribuídas responsabilidades incompatíveis com a sua natureza empresarial, nomeadamente a vigilância (veja o ponto 5 do preâmbulo deste decreto lei). Vamos agora dar o dito por não dito?
Entregar a vigilância do PNSE à turistrela é pôr os ladrões a guardar o banco. Não está ainda a ver qual é o problema?
José Amoreira

Já agora que falamos nisto, aproveito para informar que a ASE requereu aos serviços do PNSE uma confirmação ou desmentido destas notícias, e aguarda a resposta para tomar uma posição pública.

segunda-feira, julho 25, 2011

Assembleia Geral

Concentração de andorinhas-dos-beirais, fotografada ontem nas Penhas da Saúde
PS1: Um conhecido meu que sabe muito mais de aves do que eu manifestou em tempos dúvidas de que houvesse muitas andorinhas-dos-beirais nas Penhas da Saúde. Eu concordo que há mais, por exemplo, na Covilhã. Mas também as vai havendo lá em cima...
PS2: Por falar em assembleias gerais, a ASE terá a sua já na sexta feira, dia 29 de Julho, em Lisboa. Se é sócio e está por Lisboa, apareça!

quarta-feira, julho 20, 2011

Um jackpot, um 1º prémio, um que só paga a aposta

O jackpot: há dias, numa corrida na encosta sobre a Covilhã, vi um esquilo trepar à pressa um pinheiro, mesmo junto a mim; pouco depois, a seguir a uma curva do caminho, uma raposa esgueirou-se entre duas giestas, ainda lhe vi os quartos traseiros e a cauda; mais tarde, perto da zona mais alta da colina, um coelho arrebitou as orelhas quando me viu e fugiu aos saltos, vinte metros à minha frente.

O primeiro prémio: ainda há menos dias, noutra corrida na mesma zona, bem cedo pela manhã, ouvi um restolhar pesado perto do caminho; parei, espreitei e vi que se tratava de um javali, ainda relativamente jovem.

O prémio que só paga a aposta: a fotografia que ilustra este post, tirada na mesma colina, mas em Janeiro deste ano, revelando sinais da actividade de um qualquer pequeno mamífero, em pleno Inverno. Será um rato? Um esquilo? Não sei. Mas notar estes sinais, num passeio pela serra, já é melhor que nada! E bem mas bem melhor do que notar os mamarrachos da Torre, ou o lixo que por lá abunda, com neve ou sem neve.

terça-feira, julho 12, 2011

Linhares da Beira

Linhares da Beira (ao fundo, e desfocada), vista de uma das zonas de descolagem de parapente

Há dias fui a Linhares da Beira, com a ideia (que não se chegou a concretizar) de experimentar o parapente. Almocei num restaurante bastante bom, com pratos sofisticados, mais ou menos inspirados na gastronomia regional. Gostei muito da comida, mas gostei ainda mais de notar que os empregados e empregadas do restaurante sabiam falar do parapente, sabiam quanto tempo costumam durar os voos de baptismo, se metia medo ou se era agradável, que tinham eles mesmo já experimentado!
Da última vez que fui a Linhares, há cerca de seis anos, almocei noutro restaurante, igualmente apostado em apresentar qualidade aos seus clientes (e em facturar com essa qualidade, claro está, cobrando um pouco mais). As paredes do restaurante estavam decoradas com fotografias de parapente, desde imagens de acrobacias até fotografias de grupos de praticantes, algumas com assinaturas. Ambos os restaurantes, localizados numa terra pequena e relativamente envelhecida, conseguiam dar uma imagem jovem mas sofisticada, desportiva mas não à balda, descontraída mas bem educada.

Fico com a sensação que em Linhares da Beira têm tentado (aparentemente com sucesso) lucrar com a prática de uma modalidade para a qual a terra tem boas condições. Óptimo! É só pena que, na generalidade da serra e muito especialmente aqui na Covilhã, se continue a dizer que "nós aqui vivemos da neve" (como se a serra da Estrela tivesse boas condições para os desportos de neve), se continue a vender o mais caro possível gato por lebre com expedientes rascas (como os que referi aqui, mas exemplos não faltam), que se continue à espera de um ovo de Colombo mágico que faça o bem que nós não temos querido nem sabido fazer e que corrija os males em que continuamos, cegamente, a insistir.

sexta-feira, julho 08, 2011

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!