Há já alguns meses, iniciaram-se as obras de reconstrução do antigo sanatório dos ferroviários, situado entre a Covilhã e as Penhas da Saúde. Esta reconstrução, que ao longo das décadas foi sendo anunciada "para breve", teve uma história interessante, que resumi aqui.
Admito que sejam uma necessidade temporária, mas não gosto mesmo nada de ver a crista da colina da Covilhã decorada com estas gruas. Oxalá que as obras sejam rápidas e que não afectem uma área muito alargada.
Sobre a importância para o turismo das reconstruções na serra, tenho a opinião que apresentei noutro post: que, quase sempre, em vez de reconstruir, é melhor demolir e limpar e ainda que o que importa mesmo reconstruir é a paisagem e o ambiente. Só para dar um exemplo, consegue-se imaginar a importância turística de uma floresta autóctone e variada (carvalhos, bordos, vidoeiros, castanheiros, freixos, tramazeiras, cerejeiras, etc) mais ou menos contínua entre a Covilhã e Unhais da Serra (estou a considerar apenas as zonas mais afastadas dos povoados, os baldios tradicionalmente desaproveitados para a agricultura)?
Uma tal floresta, já formada, atrairia turistas pelos valores naturais (observação e interpretação da natureza) e paisagísticos (imaginem-se, como já sugeri aqui, as cores de Outono que a colina da Covilhã apresentaria), gastronómicos (cogumelos e bagas) ou até pela caça. Claro que, dado o estado em que as coisas estão, seria preciso esperar décadas para que as árvores crescessem. Ah, se tivéssemos começado este esforço em 1991, quando ardeu o pinhal sobre a Covilhã...
Mas entretanto, poderíamos também dinamizar o turismo atraindo activistas e voluntários para acções de reflorestação. Sim, isso também é (ou pode ser) turismo! A Associação Cultural dos Amigos da Serra da Estrela tem todos os anos trazido a Manteigas várias centenas de pessoas que participam nas actividades do programa Um milhão de Carvalhos para a Serra da Estrela. Se uma associação cultural, com uma estrutura pequena e amadora, tem conseguido o que consegue, ano após ano, o que não conseguiria uma autarquia ou associação de municípios, uma região de turismo ou uma associação de empresários? O que não conseguiriam duas ou mais destas estruturas em colaboração?
